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abril 17, 2004

Shattered Glass - Um rombo no jornalismo

Quando foi descoberto, o caso de Sthepen Glass deixou em estado de choque o mundo do jornalismo. Afinal, era possível contar estórias a mentir. Este filme, Shattared Glass - Verdade ou Mentira, tenta contar como tudo se passou. Mas a sua ambiguidade é também a sua perdição.
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Um menino-prodigio do jornalismo entra para a redacção da conceituada revista norte-americana, The New Republic, e começa logo a encantar todos à sua volta.

É afável, extremamente humilde, bom colega e muito, mas muito talentoso. Tão talentoso que consegue descobrir estórias onde mais ninguém as alcança, causando ainda maior admiração entre os seus pares, e os restantes jornalistas do meio que vêm nele o "the next big thing".
Um dia no entanto tudo desaba na redação do The New Republic - a revista do Air Force 1. Alguém colocou a hipótese de o talento de Glass não ser genuíno. Afinal, aquelas estórias espantosas, como a Convenção dos Jovens Republicanos ou o Paraíso dos Hackers, poderiam não ser verdade. E agora?
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O filme de Billy Ray comete um erro á partida, que condena todo o filme. Coloca desde logo o espectador do lado de Glass, o lado errado. Ele é o rapaz afável por quem todos nutrem simpatia e apreço. O próprio casting, ao escolher um dos novos sex-symbols de Hollywood, e provavelmente um dos grandes actores do futuro, o jovem Hayden Christhensen (o Anakin da saga Star Wars), limita muito o desenvolvimento da narrativa.
Quando se dá o "turn" do filme, quando vemos que Glass é alguém completamente diferente do que nos é dado a entender, o espectador fica sem saber de que lado ficar. Se do rapaz talentoso, que se calhar cometeu um simples erro (não foi assim que a redacção, também ela a sofrer do mesmo efeito do público, pensou?), ou ficar do lado do recém-empossado editor, figura que o realizador trata sempre de forma depreciativa?
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Esse dilema não deve ser colocado, mas foi! E assim o filme perdeu muito. Perdeu porque o filme quis contar uma estória, mas jogando a primeira parte com o equipamente de uma equipa e a segunda com a de outra.
De facto, a matéria prima à disposição de Billy Ray era excelente. Não só o argumento, algo novo (só na década de 90 é que se começaram a descobrir casos de celebridades-jornalisticas fraudulentas), e um elenco bem orquestrado. Mas o filme falha acima de tudo em convencer-nos. Afinal há culpa? E se há, é de quem?
O elenco, esse, foi bem dirigido. Nota-se no jovem Christhensen a mesma vontade de agradar e triunfar, que encontramos na sua personagem. Descobrimos Sarsgaard, actor que recebeu vários prémios da critica pela sua performance, que de facto é muito bem conseguida. Reencontramos Chloë Sevigny, Rosario Dawson e Steve Zahn, actores de filmes bem menos conceituados mas que provam o seu valor, e somos mesmo colocados perante uma triste coincidência. Michael Kelly, o editor protagonizado por Hank Azaria, acabaria por encontrar este ano a morte, na funesta Guerra do Iraque.
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A confissão final de Glass, o subito aproximar de toda a equipa em relação ao editor (excelente papel de Peter Sasgaard), e a percepção que o jovem jornalista vive num mundo criado por si (excelente a criação de uma sala de fãs inexistente), são os pontos altos do filme. Mas pecam por chegar tarde. Até lá temos de ouvir as desculpas do jovem Glass, a pesquisa constante de Steve Zahn, em relação ao polémico artigo Hacker´s Heaven....
Enfim, um filme que podia ser muito mais que é.

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Site Oficial - www.shatteredglassmovie.com

Realização : Billy Ray
Elenco : Hayden Christhensen, Peter Sarsgaard, Steve Zahn, Chloë Sevigny,...
Produtora : Lions Gate
Classificação : M/12 anos
Duração : 99 minutos

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às abril 17, 2004 11:07 PM