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maio 21, 2004
Uma Visão Superficial - A musica no cinema ou os musicos no cinema?
Musica e Cinema. Duas realidades diferentes mas, de certa forma, complementares. Até os filmes mudos tinham som e hoje associamos de imediato uma musica a um videoclip. Mas o que ultimamente se tem vindo a passar é quase uma fusão desses dois mundos.
Em 1955 o filme Blackbord Jungle trouxe para a ribalta o que viria a ser conhecido como Rock and Roll. Não era a primeira vez que era feito um filme sobre musica. Desde que o cinema ganhara som, os musicais eram quase um genero obrigatório. Até filmes sobre jazz eram feitos. A diferença era de que o rock and roll era a face de uma juventude irrequieta e pronta a dar um pontapé no establishment. O cinema deu ao rock a visibilidade que este precisava e depois do sucesso de Blackboard Jungle não tardou muito que as próprias estrelas da musica entrassem no mundo do cinema. O primeiro foi Ricky Nelson no filme Rio Bravo, mas a verdade é que foram os vários filmes de Elvis Presley que marcaram esta nova tendência. Os próprios Beatles não iriam descurar este mercado importante e o filme de Yellow Submarine tornou-se quase tão popular como o single original.
O fenómeno pareceu adormecer durante os anos 70. Só que, de um momento para o outro, tudo se alterou. Nasceu o videoclip e com ele o público que até então só conhecia a cara dos musicos pelas capas dos albums passou a identificar-se com ele mais facilmente. O caracter visual do artista passou a ser tão ou mais importante que a sua musica. Os videoclips de Michael Jackson, Prince, Madona, Spice Girls ou Eminem passaram a ser a base do seu sucesso. De um momento para o outro o musico surgia quase como um actor. Os filmes eram mais pequenos mas havia papeis a representar. Eminem representava como se fosse a pessoa com mais ódio do mundo e Britney Spears mostrou-se mais versátil, passando de "lolita" em uniforme para temivel femme-fatale!
Com este cenário cada vez mais presente não é de estranhar que, de repente, várias estrelas da musica tenham mostrado ensejo em se tornar estrelas de cinema. Os óscares de Frank Sinatra e Cher e o sucesso de Madonna serviam-lhes de inspiração.
Mais. Simbolos bem presentes das comunidades negras, foram as estrelas do mundo do rap e hip-hop que primeiro levaram para os filmes as suas interpretações de "niggers with an atittude". DMX, Ice T, Ice Cub, Snopp Doggy Dog abriram alas para que outros como Benjamin Andre, o vocalista dos Outkast, pudessem chegar, já não como estranhos mas como elementos de valor, com potencial de representação e sinónimo de lucro.
Mesmo os musicos brancos que no inicio mostraram algumas reticências a entrar nesta aventura, hoje são alguns dos mais proliferos no meio. Britney Spears, Pink, Justin Timberlake e outros que tais se já não têm um pé na carreira cinematográfica, para lá caminham a curto prazo.
Duas áreas que sempre tiveram campos especificos, convergindo em alguns pontos apenas (foi preciso esperar pelos anos 70 para que as bandas sonoras incluissem singles pop-rock), hoje estão mais ligados. Actores querem tentar uma carreira musical e as estrelas da musica anseiam por papeis no mundo do cinema. No fundo, isto não nos devia espantar. Afinal estamos a falar de "show business"
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às maio 21, 2004 11:44 PM