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agosto 18, 2004
Fahrenheit 9/11 - A Dura Verdade
Não percebo como é que pessoas como Eduardo Cintra Torres ou o Tiago Pimentel são criticos do documentário de Michael Moore. Provavelmente por estarem agarrados a um pró-americanismo provinciano que só a direita mais parola é capaz de seguir. Depois da lição de civismo que Moore deu em Bowling For Columbine, só mesmo um documentário como este para mostrar o quão podre é a América que estes criticos tanto proclamam. Shame on You...
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Fahrenheit 9/11 é um documentário notável. É faccioso? É. É subjectivo? É. Isso interessa para alguma coisa? Não.
Claro que todos aqueles que conhecem a história do cinema não deixam de apreciar grandes obras, mesmo sabendo que a maior parte delas estão ligadas a questões politicas. Não é assim o Couraçado Potemkin, um filme de propaganda soviético? Nem a obra de Frank Capra, tão defensora dos principios rooseveltianos do New Deal? Ou a critica de Orson Wells em Citizen Kane? E tantos outros exemplos que por aí andam. Não é assim o notável JFK?
Sejamos justos. A objectividade é algo impossivel, até mesmo no jornalismo - área onde é mais desejável. Pedir a um documentarista para ser objectivo, imparcial, é o mesmo que o pedir a um comentador desportivo com uma enorme paixão por um clube ou entidade!
Além do mais Michael Moore não distorce os factos, não engana, não mente. Tirando a frase sobre a derrota de John Ashcroft para com o senador morto (a verdade é que foi a mulher do mesmo que venceu, mas os eleitores votaram de facto na candidatura do morto), todos os factos que estão no dcumentário podem ser provados. Aliás Moore, como não é Deus ou a CIA, não é certamente o único individuo com a posse desses mesmos dados. Pelo contrário, durante o documentário surgem outros individuos que sabem a verdade escondida sobre o 11 de Setembro de 2001.
Por falar em 11 de Setembro é simplesmente de um grande humanismo - algo que falta ao seus detractores certamente - nunca ter-mos visto as imagens dos aviões a colidir com o World Trade Center. A ferida é recente, e não é exclusiva dos norte-americanos. Um acto de uma pessoa que sabe que chocar não é o único caminho para se chegar ao sucesso. Aliás Moore nunca choca no documentário. Esse é o papel reservado a George Bush com frases escabrosas, dignas de um presidente que nem eleito foi. Chamar a Moore de anti-americano, apenas porque ele se opõe a um individuo ao qual metade da população dos EUA se opõe, e provavelmente votará contra, é claro, a desculpa mais ridicula dos pró-americanos europeus, que não sabem para onde se virar. Fahrenheit 9/11 é um documetário honesto do principio ao fim. Ninguém vai enganado. Todos sabem que o seu objectivo é mostrar a podridão da administração norte-americana, as suas relações lucrativas com as ditaduras do Médio Oriente e as grandes empresas norte-americanas, e o total desrespeito pelo público norte-americano. Por isso fico estupefacto quando há quem critique o documentário por isso mesmo. É como ir ver Vertigo de Alfred Hitchcock e criticar o "mestre do suspense" por não ter gags ridiculos.
O documentário é rodado ao estilo de Moore, com o mesmo como narrador em off, ou então como entrevistador de várias personalidades que vão surgindo diante do público com os seus testemunhos sobre o tema do filme. A maior parte das imagens do documentário são feitas à base de imagens televisivas, o que não espanta. Michael Moore não estava com uma camara a filmar o 11 de Setembro, a Guerra do Iraque ou as eleições de 2000 e a vida presidencial. O que Moore faz, e bem, é equilibrar as mesmas com um humor delicioso em off (a sequência de Bush a "pensar" - se tal é possivel - após lhe ter sido comunicado que a "América está sobre ataque" é notável) e com entrevistas, que em alguns casos chegam a ser tocantes. Não só relativamente à mãe da América, como podemos de forma generalista apelidar mas que é de facto o espelho do que as familias americanas foram sofrendo com o desenrolar da Guerra do Iraque, mas também se estivermos atento aos testemunhos de alguns soldados norte-americanos, ou de alguns jovens de Flint - a sempre presente terra natal de Moore.
Fahrenheit 9/11 pode não ser digno da Palma de Ouro. Não seria no entanto a primeira vez que Cannes errava. Relembro por exemplo que o deplorável Marty se tornou no primeiro filme a vencer o Óscar e a Palma de Ouro em 1955, quando não passava de uma obra bem menor. Talvez até Shrek 2, pela inovação que trouxe ao mundo do cinema animado, merecesse mais o prémio principal, mas a verdade é que premiar um documentário que é honesto, e mais, que põe a nu a podridão do "império americano" é sempre de louvar. Mais uma vez voltamos ao inicio. Muitas obras foram feitas com pressupostos políticos e não deixam de ser grandes filmes. O mesmo se passa com este documentário de um homem que incomoda tanto Republicanos como Democratas. É improvável de facto, mas torço para que na cerimónia dos óscares ela possa subir ao palco para clamar vitória. Esperemos é que por essa altura George Bush esteja de volta ao seu rancho no Texas.
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Site Oficial: www.fahrenheit911.com
Realizador: Michael Moore
Produtora: Lions Gate Films
Duração: 122 minutosClassificação: m/16
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às agosto 18, 2004 11:46 PM