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setembro 01, 2004

Festival de Veneza arranca hoje

Hoje é o primeiro dia do mitico Festival de Cinema de Veneza.
Mais uma vez vão desfilar pela Rainha do Adriático alguns dos maiores nomes do cinema em promoção dos seus principais filmes. De destacar a grande presença de titulos americanos num festival que, da triade de grandes festivais europeus é visto como o mais permeável ao cinema de Hollywood.
O Festival, que cumpre este ano a 61º edição, começa hoje e terminará no próximo dia 11 de Setembro, quando for anunciado o vencedor do cobiçado Leão de Ouro.
Uma edição que será também marcada pela homenagem a Manoel de Oliveira.

Um ano cheio de novidades em Veneza.
A começar pela data do festival, que passa da última semana de Agosto para a primeira semana e meia de Setembro e ainda uma mudança de lugar para a cerimónia de encerramento. Do Palácio da ilha do Lido, onde vai decorrer o festival, o certame encerra agora no coração da cidade.
Também Moritz de Hadeln, o veterano director, foi substituido por Marco Müller, que durante sete anos dirigiu o certame de Locarno.
A nova direcção implementou diversas mudanças no calendário do certame. Foi eliminada a secção competitiva Controcorrente, que dava direito ao Leão de Prata, tendo essa sido substituida pela secção Veneza Orizzonti, uma adaptação de moldes já usados tanto em Cannes como em Berlim.
Novas secções surgiram como a História Secreta do Cinema Italiano, que passará durante o periodo do Festival 25 filmes do chamado Italian kings of the B', secção que será apadrinhada por Quentin Tarantino.

Entre os 170 filmes que serão exibidos as presenças que se destacam passam pelo cinema italiano e norte-americano.
Se no primeiro caso é natural que os realizadores e produtores italianos utilizem um festival que se joga "em casa" para mostrar que há mais gente do que Nanni Moretti a fazer bom cinema em Itália, o segundo caso já mostra que dos três grandes festivais de cinema na Europa (Cannes e Berlim serão os outros dois), é Veneza aquele que mais filmes made in Hollywood apresenta.
No entanto são poucos os filmes americanos que disputarão o apreciado trofeu. A maioria dos filmes aproveitará apenas o Festival para se "mostrar" ao mundo do cinema, tomando assim o pulso da reacção da critica e do público europeu, cada vez mais importante com o expansivo mercado de dvd´s.

O Festival começa com um dos potenciais filmes do ano em exibição. Trata-se do novo filme de Steven Spielberg, The Terminal, com Tom Hanks que estará fora de competição.
São aliás vários os filmes norte-americanos em exibição, entre os quais Collateral de Michael Mann, The Manchurian Candidate, o polémico remake do filme original de 1962 mas também Man on Fire, Sky Captain and the World of Tomorrow, A House at the End of the World, Finding Neverland, Criminal e The Merchant of Venice, um filme que também joga "em casa".

Para além da cota do cinema americano se mostrar apetecivel - há ainda uma pré-estreia mundial de Shark Tale - também nomes já vencedores de vários prémios, alguns incluindo o próprio Leão de Ouro , vão apontar baterias ao triunfo. Nomes como os de Mira Nair, Wim Wenders, Mike Leigh, François Ozon, Jonathan Glazer e Alejandro Amenabar vão dominar a competição.
Para o Leão de Ouro concorrem 21 filmes. Três são italianos, três vêm de França, há um alemão, um espanhol, um inglês, um grego, um suíço, um russo e ainda três japoneses incluindo o primeiro filme animado em trinta anos a entrar em competição: Howl's Moving Castle de Hayao Miyazaki.

O juri do Festival vai ser este ano composto por John Boorman, que assumirá a presidência, Wolfgang Becker, Spike Lee, Mimmo Calopresti e ainda o servio montenegrino Dusan Makavejev. Também as actrizes Scarlett Johansson e Helen Mirren e a produtora e actriz chinesa Xu Feng serão membros do juri que inclui por fim o montador italiano Pietro Scalia.

O Festival vai igualmente homenagear dois grandes nomes do cinema pelo seu contributo para a sétima arte. Stanley Donen, realizador de diversos musicais que incluem Singing in the Rain, e o veterano realizador português Manoel de Oliveira vão assim ver as suas longas carreiras reconhecidas com um Leão de Ouro Honorário.
Quanto ao cinema português, estará representado fora da competição com o filme de Manoel de Oliveira, O Quinto Império, baseado na obra sobre de José Régio.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às setembro 1, 2004 05:59 PM