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setembro 06, 2004
I Robot - Mecanismos de sucesso
I Robot é, em primeiro lugar, uma notável adaptação da obra de Isaac Asimov. O que é já dizer muito porque estamos a falar de um dos mais notáveis novelistas de ficção cientifica do século passado. De facto é a visão futurista de Asimov que despoleta a dinâmica de I Robot, um filme que é sem dúvida o melhor titulo de sci-fi desde Minority Report.
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Não são os efeitos especiais que fazem deste um dos grandes filmes do Verão. Também não é a interpretação, a fotografia ou a banda-sonora. Não é mas também é. Isto porque de facto I Robot se apresenta como um filme extremamente completo, a todos os niveis, desde a pose cheia de estilo de Will Smith - provavelmente só em Ali e em The Legend of Bager Vance, esteve melhor - à qualidade dos efeitos especiais e sonoros.
Mas é o argumento, a narrativa, que cola do principio ao fim o espectador ao ecrãn. De facto Isaac Asimov é em si um notável novelista. E esta obra permite-nos ter uma visão de um mundo futuro de forma tão aprofundada que pensamos que ele não é mais que o mundo presente. A genialidade como os avanços da robótica, a notável concepção das 3 Leis, dão o mote para o desenvolvimento, por parte de Jeff Vinter, de um notável argumento. E com um grande argumento é fácil ter-se um grande filme.
Fácil é, mas de facto não é nada garantido. É aí que entra o trabalho de dois homens fundamentais para o sucesso de I Robot: Alex Proyas e Will Smith.
Alexander Proyas, realizador egipcio, autor de filmes como The Crow e Dark City, consegue manobrar todo o filme como um verdadeiro mestre. A sequência de cenas de acção com momentos mais introspectivos dão um ritmo, uma dinâmica ao filme tornando-o verdadeiramente apreciável. Proyas serve-se obviamente de efeitos especiais de grande nivel mas sempre de forma comedida, não tentando exagerar na dose. Infelizmente o egipcio permitiu que o plano "a la Matrix" fosse utilizado no filme, repetindo o que já se torna insuportávelmente irrepetível. É verdade que é um plano interessante, mas que já começa a fartar. Não haverá tantos outros por descobrir? Mas mesmo assim ser esse o ponto fraco de um filme é desde já uma observação bastante positiva.
O outro nome em destaque no filme é sem dúvida alguma Will Smith. O actor que começou na comédia televisiva (quem não se lembra do Prince of Bel Air) e depois passou para a comédia no cinema, amadureceu muito. Talvez a sua interpretação, e a nomeação ao óscar, pelo seu desempenho em Ali tenha contribuido para esta maturidade como actor. Para além das habituais graças que encontramos sempre que vemos Will Smith representar, temos agora um actor com estilo e capacidade de agarrar uma cena sem ajuda de subtfurgios técnicos ou humanos (longe vão os dias em que Smith precisava de um parceiro para aguentar uma cena).
Will Smith dá aqui provas de que é um valor seguro para os próximos anos.
No elenco constam também outros desempenhos interessantes, casos do indefectivel James Cromwell, do canadiano Bruce Greenwood e ainda da bela Bridget Moynahan.
O filme tem igualmente como atractivo a personagem de Sonny, provavelmente o robot mais interessante na história do cinema desde o longinquo HAL do mitico 2001 Space Odity.
Além de ser uma personagem divertida e quase carinhosa, é igualmente o exemplo do grande avanço técnico que ocorreu nos últimos anos. Hoje em dia é possivel colocar um robot no grande ecrãn a copiar em tudo os movimentos dos seres humanos, algo impensável há muito tempo. E Sonny tem ainda esse aliciante. Não é só uma cópia fisica, é também uma cópia emocional.
Um filme simplesmente delicioso para os fãs de sci-fi e não só, I Robot surge como um filme verdadeiramente diferente dos grandes blockbusters de Verão. Não é pretencioso como Spiderman 2 ou simplesmente hilariante como Shrek 2. É um filme que mistura de uma forma eficaz todos os ingredientes que são necessário para construir um grande filme. E o último dos ingredientes, a notável cena final que merece entrar nos registos como uma das grandes cenas de cinema do ano, é a prova provada que estamos perante um grande filme.
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O MELHOR - O argumento de Isaac Asimov é de facto notável. Seria extremamente dificil não fazer um grande filme tendo por base uma estória tão bem nascida. E de facto o autor russo é um dos grandes nomes da literatura de ficção cientifica.
O PIOR - A cena à Matrix. Já o disse e repito. Apesar da sua importância para o cinema, em termos de evolução técnica, já começa a irritar ver essa cena em tudo o que é filme. Agora sempre que um tiro sai de uma pistola ou alguém salta de um edifcio para o outro há sempre a tentação de parar o tempo. Já é um pouco demais, convenhamos!
CURIOSIDADE - O nome do ocupante do outro veiculo que esteve envolvido no acidente que custou o braço esquerdo à personagem de Will Smith é Harold Lloyd, em homenagem a uma das estrelas do cinema mudo que perdeu vários dedos num acidente.
Site Oficial - www.irobotmovie.com
Realizador: Alex Proyas
Elenco: Will Smith, Bridget Moynahan, James Cromwell, ...
Produtora: 20th Century Fox
Classificação: m/12
Duração: 115 minutos
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às setembro 6, 2004 01:54 PM