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setembro 26, 2004

Man on Fire - It´s Payback Time...

Nunca a vingança esteve tão bem representada no cinema, pelo menos desde a epopeia de Uma Thurman em Kill Bill. Com uma montagem alucinante e uma interpretação intensa por parte de um elenco liderado pelo notável Denzel Washington, Man on Fire ameaçava ser um dos grandes filmes de acção deste ano. Mas aquele final comprometeu as aspirações de destronar o notável Spartan...
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O ritmo do filme indica desde o inicio que estamos perante uma obra tipica do realizador Tony Scott. Frenético, cheio de acção e movimento e com personagens bem moldadas, Man on Fire é de facto um filme apelativo. Diferente dos habituais filmes de acção de Hollywood no sentido em que as explosões e tiroteios surgem como resultado de um argumento bem trabalhado e não aparecem caidas do céu, como é tão comum em Hollywood.
No entanto o filme não chega a ser mais do que isso, um filme de acção. Não conseguiu chegar ao patamar dos filmes de acção que se superam a si mesmos e surgem como algo mais estilo bigger than life. Está por isso muitos furos abaixo de filmes como L.A. Confidential ou Training Day, os exemplos mais recentes de um genero que começou a ganhar vida a partir da fusão do cinema de gangster dos anos 30 e do cinema noir dos anos 40.
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Tony Scott consegue montar em Man on Fire um ambiente bastante interessante. Transporta-nos para a Cidade do México, um ambiente pouco comum num filme americano (normalmente do México só vemos Tijuana) e para o ambiente de violência que se vive numa das maiores cidades do mundo onde o rapto mais do que uma realidade é uma fatalidade. Dentro deste cenário temos uma familia de posses, o verdadeiro nucleo familiar moderno com um casal e uma pequena filha, que vê a necessidade de contratar um guarda-costas. Os motivos é que divergem. Para a filha seria interessante ter um novo amigo, para a mãe era a segurança do nucleo familiar que estava em causa enquanto que para o pai era a hipótese de escapar às implacáveis seguradoras. De qualquer forma ele chega, de mansinho, ainda agastado com um sucedâneo de momentos que o levam quase ao desespero emocional. E é assim, aos poucos, que nesta familia ele encontra forma de se reabilitar. Tudo graças ao papel da pequena Pita Ramos, a jovem que o seduz e que lhe mostra o lado bom da vida. Até que um rapto estraga tudo aquilo que lhe tinha sido possibilitado redescobrir. E então ele decide vingar-se.
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Ele é Denzel Washington, um dos melhores actores em actividade e com um ano cheio de trabalho. Depois do seu excelente desempenho como policia cool em Out of Time, e da sua ligação ao universo da teoria da conspiração no filme ainda por estrear The Manchurian Candidate, o actor que foi o segundo negro a ser galardoado com o óscar de melhor actor oferece um desempenho imaculado. A forma como cria a personagem decadente de John Creasy e depois lhe vai dando vida à medida que redescobre a vida com a ajuda de Pita Ramos (a promissora Dakota Fanning) é já de si excelente. Mas é essencialmente a forma como conduz a vendetta pessoal, numa mistura de Clint Eastwood como Dirty Harry e de Russel Crowe em Gladiator, que lhe dá uma interpretação memorável, mesmo bigger than life em alguns momentos. Já nos tinhamos habituado a vê-lo disparar sem piedade (basta dizer que Training Day é o expoente máximo da sua carreira até hoje), mas nunca sem o olhar implacável de Man on Fire. De facto é ele um dos esteios do filme.
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O outro é sem dúvida alguma a jovem Dakota Fanning. Apenas 10 anos de idade e já um curriculo extremamente interessante - onde se destaca o notável desempenho que deu em I Am Sam - e um futuro brilhante à sua frente, são marcas notáveis para a pequena Dakota que sabe de facto iluminar um filme com a sua forma descontraida de representar. A sua naturalidade como Pita Ramos dá ainda mais força ao argumento do filme e à posterior vendetta de Washington. Até nós, espectadores que na primeira hora acompanhamos a relação que se forma entre os dois, entendemos sem quaisquer problemas o uso desmesurado da violência durante o resto do filme. Uma aposta ganha de facto por Tony Scott.
O filme conta ainda no elenco com o inigualável Christopher Walken e ainda com o veterano actor Giancarlo Giannini a dar uma interpretação bastante sóbria. Surpresa é mesmo Radha Mitchell, a quase desconhecida actriz australiana que já vimos em Phone Booth e vamos ver em Melinda and Melinda, o novo de Woody Allen. O seu desempenho é forte, emotivo e convincente e fica a certeza de estar aqui um valor seguro. Quem também não compromete é o cantor latino Marc Antohny que está a ter um ano em grande. Primeiro o badalado casamento com a sex-bomb Jennifer Lopez e agora uma interpretação sóbria num dos filmes de acção de 2004.
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Man on Fire
mostra um México americanizado, cheio de violência que pensamos só encontrar em Los Angeles ou Detroit, bem longe da imagem quase onírica que Alfonso Cuarón dá em E Tu Mama Tambien, o último bom filme a ter o imenso México como cenário.
Mas Man on Fire, um filme sobre o amor e a vingança que o amor causa, perde-se por completo nos últimos dez minutos. É verdade que é preciso entender a vertente financeira do filme e que um final diferente provavelmente contribuiria para um box-office bem menos frutifero para a Fox. Mas depois de quarenta minutos frenéticos de acção pura e de qualidade (não aqui nada de Bournes Supremacies ou filmes do género, especialmente graças à excelente montagem) o final surge perfeitamente fora do contexto. Talvez com um desfecho final e o filme teria sido ainda mais do que foi. Sendo assim fica o retrato de uma viagem interessante às salas de cinema com a recomendação de estarem preparados para tudo, no melhor e no pior.

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O MELHOR - A interpretação soberba da jovem Dakota Fanning. É de facto uma actriz com um talento notável para a sua tenra idade e promete muito para o futuro, um futuro que parece risonho para esta simpática loirinha. Uma interpretração de encher o olho.

O PIOR - O final. Só num filme americano é que uma jovem raptada no México sobreviveria a tudo enquanto Denzel Washington destruia tudo à sua frente. Se a vingança de Washington fosse apenas uma vingançae não um salvamento o filme seria de certeza de quatro estrelas.

CURIOSIDADE - Não passou pela cabeça de Tony Scott, o realizador de Man on Fire contar com o notável Denzel Washington para o papel principal deste filme. Curioamente foi quando ambos se cruzaram numa consulta médica que a conversa acabou por ir por aí. Washington gostou da trama e Scott gostou da hipótese de voltar a trabalhar com o actor de Training Day. Curiosamente no dia anterior Scott tinha visto I Am Sam e também tinha optado por Dakota Fanning para o papel de Pita Ramos. É raro um casting ficar assim decidido em 48 horas.

Site Oficial - www.manonfiremovie.com

Realizador - Tony Scott
Elenco - Denzel Washington, Dakota Fanning, Christopher Walken, ...
Produtora - 20th Century Fox
Classificação - m/16
Duração - 146 minutos

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às setembro 26, 2004 10:08 PM