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outubro 22, 2004
Wimbledon - Quando todos têm algo...
Se eu fosse um critico snob, como tantos que andam por aí convencidos de que são a elite mundial, corria este filme a sete pés. Mas eu não o sou. E por isso vou fazer o oposto. Vou dizer-vos que Wimbledon é a comédia mais hilariante do ano. Que é um filme bonito, enternecedor, divertido e romântico como só a equipa de Four Weddings and a Funeral ou Notting Hill era capaz de fazer...
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Sim, Wimbledon pode não ser uma obra-prima. Mas também não foi concebido para isso. Um filme deve ser visto pelo que é e não pelo o que as pessoas acham que ele deve ser. E se este filme foi feito para ser uma comédia romântica então, deve ser avaliado como tal. E no seu genero não há duvidas de que este filme continua a história sucesso das comédias românticas britânicas dos últimos dez anos, de Four Weddings and a Funeral, passando por Notting Hill, Bridget Jones Diary e terminando no excelente Love Actually. E no panorâma de 2004 é dificil encontrar um flme tão competente neste departamento como Wimbledon.
O filme é comovente em vários pontos, desde a ascensão de Peter Colt à relação amorosa que este mantem como Lizzie Bradbury mas não só. Um dos créditos deste filme é o de ter criado um ambiente muito bem conseguido. Ás vezes num filme o ambiente que rodeia a trama central e os actores que lhe dão vida é essencial. E este filme exemplifica-o muito bem com todas as personagens, todos os gags, todos os momentos que vão pautando o filme do principio ao fim.

Neste filme temos Peter Colt, um jogador que ocupa a 119º posição do ranking ATP e que se prepara para abandonar os courts após a sua participação no mitico torneio de Wimbledon. Lá vai encontrar Lizzie Bradbury, a jovem promessa norte-americana que quer vencer a todo o custo o torneio. Entre os dois vai nascer uma enorme cumplicidade e um amor que será várias vezes posto à prova. No final, tal como Colt, o triunfo do amor simboliza tudo o que de positivo o mundo do desporto pode ter, isto quando somos diariamente bombardeados com escandalos, polémicas dos courts, relvados, pistas ou pavilhões desportivos.

Richard Loncraine, autor de Richard III, realiza com mestria este filme. Em especial porque soube aproveitar todas as potencialidades que o desporto proporciona. Os movimentos de camara, os freeze nos lances mais habilidosos e todos os restantes efeitos que dão vida ao jogo são extremamente bem conseguidos, a todos os niveis. Além do mais o argumento facilita o trabalho do realizador. O humor, peça central do filme, está distribuido de forma soberba. Há personagens (toda a familia de Colt, o pessoal do Centro de Treinos ou o seu inseparável companheiro) que elevam os niveis do humor do filme de forma muito consciente, havendo igualmente outras personagens (o agente, o pai de Lizzie, o rival Hammond) que, propositadamente, dão um ar mais sério à estória. E nesse contra-peso de humor-seriedade abre-se o espaço para a relação amorosa entre Colt e Lizzie. Uma relação que é também o motor do filme em todos os aspectos.

Em relação aos actores a história repete-se. Ou seja, estão a um nivel muito bom. Essencialmente Paul Bettany. O actor britânico, que vimos em Master and Commander - The Far Side of the World (por qual foi nomeado ao óscar de Melhor Actor Secundário) e Dogville, construiu a sua personagem, Peter Colt, de uma maneira notável. Está tudo lá, tudo o que procuravamos. O ar cansado de um tenista a caminho da reforma, o humor truculento inerente à personagem e a simplicidade das suas acções e movimentos. E se a simplicidade marca a representação de Bettany, já a exuberância é a nota dominante em Kirsten Dunst. A actriz que está a ter um bom ano (já fez Spiderman2 e Eternal Sunshine of the Spotless Mind) é igualmente a encarnação perfeita da sua personagem, uma princesa dos courts, como tantas há agora de Martina Hingins a Anna Kournikova. Se o humor fica bem a Bettany o mesmo se pode dizer em relação à actriz norte-americana que alimenta alguns dos diálogos mais interessantes do filme. E claro, ter uma cara bonita dá sempre um glamour especial ao filme. Certamente que não há assim tantas actrizes capazes de encarnar uma jovem tenista de sucesso.
Também Sam Neil é perfeito como o pai exigente, um retrato fiel do que se assa no mundo do ténis (as irmãs Williams que o digam), enquanto que a família tipicamente britânica de Colt acrescenta igualmente muita vida ao filme.

Se tal como o jovem apanha-bolas (uma das personagens mais comoventes do filme) estamos desde o início a acreditar e a apostar em Colt, também como espectadores estamos, desde o início do filme, a antever o agradável entertenimento que este filme proporciona. Não sei se é o humor, se o romance, se a atmosfera, se a dinâmica do filme ou a sua sensabilidade que o tornam tão apetecivel. Provavelmente é um pouco de tudo isto, a combinação exacta para um jogo perfeito. Afinal Wimbledon é para campeões.
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O MELHOR - A naturalidade do filme. Nada surge forçado. Nem o relaccionamento amoroso, nem os desafios de tenis, nem a atmosfera que rodeia o jogo. A entrada das personagens está bem ritmada (a chegada do agente, o relaccionamento do irmão de Bettany...) e as duas estrelas do filme são extremamente convincentes.
O PIOR - As limitações que o genero tem. Fazer um filme sobre Wimbledon é uma coisa. Fazer uma comédia romântica sobre Wimbledon é outra. São poucos os filmes sobre desporto e há que aproveitar ao máximo as potencialidades que estes oferecem. Mas na altura de escolher, sendo o genero do filme o que é, é natural que o romance saia destacado em vez do jogo em si.
CURIOSIDADE - A presença da velha estrela do mundo do tenis, John McEnroe, velho rival de Bjorn Borg nos anos 80 e maior jogador norte-americano de sempre. É sempre bom um realizador rodear-se de pessoas ligadas ao meio, especialmente quando o filme é sobre desporto.
Site Oficial - www.wimbledonmovie.com
Realizador - Richard Loncraine
Elenco - Paul Bettany, Kirsten Dunst, Sam Neil, ...
Produtora - Universal
Duração - 100 minutos
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às outubro 22, 2004 06:52 PM
Comentários
Obrigado sub7 pelo comentário. Eu pessoalmente não tenho problemas nenhuns em afirmar que gosto muito mais de cinema clássico do que qualquer outro tipo de cinema. Esta na lista da direita como podem constatar bem os meus tops que espelham isso. Mas isso nao deixa de ser motivo para aplaudir projectos menos ambiciosos mas que cumprem os objectivos para que foram criados. Ninguem vai ver Wimbledon à procura de ver um Casablanca. E os filmes devem ser encarados como sao. Claro que ha generos que nao gosto e digo-o com frontalidade como o cinema gore, as comedias para pre-adolescentes e alguns filmes de terror muito forçados, mas quem nao gosta de ver um grande filme de acçao como Face Off, Training Day ou LA Confidential, ou uma boa comedia como Love Actually, High Fidelity ou ver filmes que valem pelo que são? Eu pelo menos gosto!
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às outubro 29, 2004 01:14 AM
Ainda não vi este filme (até ler a descrição não me chamou a atenção, a ligação com Notting Hill mudou isso), mas aproveito a deixa para aplaudir o comentário anti-elitista. Viva os filmes "pipoca"!
Tanto gosto de filmes mais eruditos como de verdadeiros hits comerciais "fáceis", como se costumam chamar, de hollywood. O objectivo de um filme é causar uma determinada emoção ao espectador (seja ela qual for), e se este o conseguir, vou gostar, independentemente de ser mais ou menos "fácil".
É sempre bom ver uma opinião de mentalidade mais aberta num país cada vez mais populado por pessoas que julgam ter parecer mais inteligente que o dos outros - Parabéns!
Publicado por: Sub7even às outubro 28, 2004 11:15 PM
Obrigado Miguel Lourenço Pereira. Se tiver sucesso, mando-lhe uma prenda :D
Publicado por: Viriato às outubro 23, 2004 12:10 PM
Realmente esse "elitismo" que maldiz o cinema pipoqueiro e enfatiza películas em que ao saír da sala só apetece cortar os pulsos pelo "in" que é dizer-se ser um "bom filme", irrita na sua rejeição liminar daquilo que é, afinal de contas, bom cinema, independentemente da pretensão de o ser.
Publicado por: Rita Dias às outubro 23, 2004 12:05 PM
Vou ver se vejo isso hoje. Estranho, mas não esperava grande coisa...mas sou um grande fã de Ténis.
Abraço
Publicado por: Duarte Oliveira às outubro 23, 2004 11:06 AM
Wimbledon é um bom filme para ver em qualquer circunstância. Sem pretender ser casamenteiro, é de facto um bom filme para se ver com companhia feminina. Mostra sensibilidade e tacto na escolha, bem como um sentido de humor apurado. Talvez a escolha mais adequada de todos do cartaz desta semana.
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às outubro 23, 2004 01:38 AM
Não sou assíduo seguidor deste género, porém, NOTTING HILL é agradável de se assistir. Se como, você afirma, WIMBLEDON também o é, então deve ser bom entretenimento.
Publicado por: Gustavo H.R. às outubro 23, 2004 12:37 AM
É um bom filme para ver com uma "amiga"?
Publicado por: Viriato às outubro 22, 2004 10:44 PM