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novembro 30, 2004
Charme de Outono : Robert Redford - A voz dos independentes
De actor mais charmoso da década de 60 a patrono do cinema independente nos anos 80. Uma carreira marcada por uma forte consciência social do cinema como instrumento de socialização. Ficou igualmente celebre pelos seus papeis destimos e heroicos, um espelho da forma como encara a vida em Hollywood.

Nasceu numa altura em que a América transbordava confiância. O New Deal tinha resultado, a Grande Depressão era apenas um marco histórico e o futuro parecia promissor. Foi a 18 de Agosto de 1937 na solarenga Santa Mónica na California que nasceu o promissor Charles Robert Redford Jnr.
A infância de Robert não fazia adivinhar o homem em que se tornaria. Era briguento na escola e reprovou várias vezes. Falhou mesmo em entrar na Universidade com uma bolsa devido às constantes bebedeiras que apanhava. A morte da mãe acentuou ainda mais o feitio rebelde do jovem. Foi então que decidiu viver uma vida de artista boémio. Estudou na Pratt Institute of Art e durante algum tempo viveu como pintor de rua em cidades da Europa. Quando voltou aos Estados Unidos foi estudar representação para a American Academy of Dramatic Arts. Nessa altura já tinha casado com Lola van Wanegen. Ela tinha 18 anos, ele 21. Tiveram quatro filhos, um dos quais viria a falecer, antes de se divorciarem em 1985.

Durante a decada de 60 a televisão e alguns papeis no cinema ajudaram a moldar Robert Redford como actor. Tinha talento e o tipico olhar de heroi americano de quem todos gostam. Era natural que o salto para as grandes produções estivesse iminente. E foi assim que em 1969, com 32 anos de idade, se juntou a Paul Newman, uma das maiores referencias de então, para viver as aventuras de Butch Cassidy and the Sundance Kid. Antes disso tinha sido aplaudido entusiasticamente por dois papeis fortes em The Chase, ao lado de Marlon Brando, e em This Property is Condemned, onde se apaixonou por Natalie Wood.
Mas foi o sucesso de Butch Cassidy and the Sundance Kid que ajudaram a fazer dele uma vedeta. Tell Them Willie Boy is Here, The Candidate e The Sting consagraram-no como actor de exclencia. No filme de 1973 de George Roy Hill voltou a brilhar ao lado de Paul Newman. O filme conquistaria vários óscares mas Redford não seria um dos contemplados. O seu único óscar chegaria apenas em 1980 e como realizador do drama familiar Ordinary People.
Antes disso já se tinha consolidado como actor em All the President´s Men e The Three Days of the Condor, dois dos grandes filmes da década de 70.

Como actor só em 1985 voltaria a destacar-se. Foi em Out of Africa, o terceiro filme em que esteve envolvido a vencer o óscar de Melhor Filme. Mais uma vez pensou-se que seria o seu ano. Mas Redford não se preocupava com prémios por essa altura. Estava empenhado em tornar cada vez mais influente a sua organização de apoio ao cinema independente. Em 1980 tinha comprado vários hectares de terrenos no Utah criando a Sundance Film Institute. Desde aí até aos nossos dias que o Festival anual de Sundance tem sido uma rampa de lançamento decisiva para muitos realizadores, actores e argumentistas de grande talento. E tudo isso graças ao enorme esforço de Redford em divulgar o cinema indedenpente norte-americano, mas também o cinema mundial.
A sua paixão pela sua organização fez com que as suas presenças no cinema se tornassem esporádicas. Indecent Proposal, The Horse Whisperer, Last Castle e Spy Game foram algumas das excepções e revelaram-se filmes bastante apeteciveis.
Como realizador, após o óscar no primeiro filme, voltou a conseguir convencer criticos e audiencias em Quiz Show, The Horse Whisperer e The Legend of Bagger Vance.

Robert Redford tornou-se assim num icone para muitos cineastas e argumentistas norte-americanos, que vêm nele um patrono como nunca viram nas grandes produtoras. Ao apostar nos mais fracos mas também naqueles que dentro dos mais fracos se revelam os mais talentosos, Robert Redford acabou de escrever com letras de ouro o seu nome na história do cinema.
Próximo Charme de Outono - Russel Crowe
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:45 PM | Comentários (2)
Morreu John Drew Barrymore
Faleceu John Drew Barrymore. Actor, John Barrymore celebrizou-se por ser o descendente da maior familia de actores que os primeiros anos do cinema conheceu. O seu pai era John Barrymore, reputado actor da década de 30, e os tios, Lionel Barrymore e Ethel Barrymore eram tido como dois dos maiores actores, tanto nos palcos da Broadway como nas telas. A propósito da familia Barrymore chegou mesmo a ser realizado um filme em 1932 de nome The Royal Family of Broadway.
John Drew Barrymore é também conhecido por ser pai da actriz Drew Barrymore. No entanto a sua carreira como actor nunca vingou. Depois de na década de 50 ter tentado brilhar em Hollywood em filmes como While the City Sleeps e The Big Night, perdeu-se para o alcoolismo, tendo andado desaparecido de todos durante vários anos.
John Drew Barrymore tornou-se infelizmente um espelho do actor que se em vicios, hipotecando dessa forma uma promissora carreira.
Faleceu ontem de causas desconhecidas. Contava com 72 anos de idade.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:37 PM
novembro 29, 2004
Termina a primeira previsão Óscares2004
Termina desta forma a primeira previsão aos Óscares 2004 do Hollywood. Após duas semanas de viagem no complexo mundo da Academia de Hollywood, ficamos a conhecer os favoritos, as desilusões e aqueles que podem vir a surpreender tudo e todos.
No mês de Janeiro, a uma semana da divulgação dos nomeados, o Hollywood fará nova sinopse do que se poderá passar a 21 de Janeiro. E em Fevereiro teremos um mês totalmente dedicado aos óscares com cobertura em directo da cerimónia. Para recuperar a antevisão é só escolher a categoria.
15 - Melhor Som, Melhor Efeitos Sonoros, Melhor Banda Sonora
16 - Melhor Efeitos Visuais
17 - Melhor Maquilhagem e Melhor Guarda Roupa
18 - Melhor Cinematografia
19 - Melhor Direcção Artistica
20 - Melhor Montagem
21 - Melhor Filme Animado
22 - Melhor Filme Estrangeiro
23 - Melhor Argumento Original e Melhor Argumento Adaptado
24 - Melhor Actriz Secundária
25 - Melhor Actor Secundário
26 - Melhor Actriz
27 - Melhor Actor
28 - Melhor Realizador
29 - Melhor Filme
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:12 PM | Comentários (1)
ÓSCARES 2004 Previsões - Melhor Filme





Há muitos anos que não havia tanto equilibrio na corrida ao óscar de Melhor Filme. É claro que a corrida só começa a aquecer em Janeiro, quando os prémios começarem a ser divulgados, mas para já há um conjunto de dez filmes que leva vantagem. O problema é distinguir entre eles quem são os verdadeiros favoritos a suceder a Lord of the Rings - The Return of the King.

Desde que começou a pré-produção de The Aviator que a palavra "óscar" lhe era imediatamente associada. Aparentemente as previsões estavam certas. A critica está a gostar do filme, nota que Scorsese emendou os erros de Gangs of New York, e agora só falta o teste do público, em meados de Dezembro.
A confirmar-se o favoritismo deste épico, a corrida fica balançada para o seu lado. Provavelmente vai conseguir mais de dez nomeações, incluindo seis nomeações nas sete principais categorias (Filme, Realizador, Argumento, Actor, Actriz Secundária e Actor Secundário). Resta saber se é desta que o realizador de Taxi Driver vê a sua hora chegar.

Uma surpresa de última hora que apanhou toda a gente despercebida. Na altura em que Alexander caiu subitamente para os últimos lugares, Million Dollar Baby tornou-se num favorito da critica. O sucessor de Mystic River (outro favorito dos criticos) é um fortissimo candidato. Apesar de ter poucas nomeações previstas (à volta seis), é um fortissimo candidato em todas elas.
Resta saber se Eastwood vai ser consagrado pela segunda vez, doze anos depois de Unforgiven, e um ano após o notável Mystic River.

Desde que foi concebido, já lá vão dois anos, que este filme tinha aspirações em brilhar nos óscares. O problema é que a Miramax vai apoiar Scorsese, deixando esta belissima obra de Marc Forster entregue a si mesmo. De qualquer forma a critica gostou muito deste Finding Neverland e com as seis nomeações que se prevê que conquiste, é natural que o filme se torne num respeitável candidato aos óscares de 2004. Mas já foi mais favorito do que é e pode mesmo ser substituido à última hora por outro filme com caracteristicas parecidas como Ray ou Closer.

Kinsey é outro filme de quem a critica adorou mas que está na corda bamba. Desta vez por motivos socio-religiosos. O filme mexe com um tema ainda tabu nos Estados Unidos, a sexualidade, e pode sofrer com a polémica que está a ser levantada à sua volta. Mas se tal não vier a acontecer, o filme de Bill Condon pode conseguir sete nomeações, tornando-se assim num dos mais fortes candidatos. Mas tal como Finding Neverland, o seu lugar não está seguro. Filmes como Sideways, Beyond the Sea ou Eternal Sunshine of the Spotless Mind surgem como dignos rivais.

Normalmente a última vaga fica para um filme não-americano ou então uma produção indepenente de grande sucesso junto dos criticos. O ano passado foi Lost in Translation, à dois anos The Pianist e antes disso filmes como Crounching Tigger, Hidden Dragon ou Life is Beautiful. Este ano a corrida é entre Un Long Dimanche de Finçailles e Sideways. Se fosse pelos criticos a escolha ia para o filme de Alexander Payne. Mas a Warner tem criado uma campanha enorme à volta do filme de Jean Pierre Jeunet. O filme tem sido bem recebido e pode conseguir mais de seis nomeações, tornando-se assim num lógico candidato a Melhor Filme (na melhor das hipóteses, Sideways teria apenas quatro). Mas há também Diarios de Motocicleta, The Passion of Christ e Alexander, nomes a não esquecer mesmo que parece que a corrida já não é com eles.
QUEM TAMBÉM PODE SER NOMEADO

Sideways - É um candidato natural e sofre do problema de falta de espaço. Tem valor para estar nos cinco primeiros mas falta-lhe algo que lhe permita ultrapassar rivais como Kinsey ou Un Long Dimanche de Fiançailles. Uma campanha eficaz pode resolver esse problema.

Ray - Filme que gravita à volta do nome de Jamie Foxx mas que pode surgir como nomeado surpresa em categorias como Realizador e Filme. Não é favorito, nunca o será mas pode ser uma boa surpresa.

Closer - Poucos falam deste filme de Mike Nichols mas a sensaçõ que me dá é que há algo de especial em Closer. O filme está a ser bem recebido, tem dois dos mais fortes candidatos a óscares secundários e pode ser a surpresa do dia.

Alexander - Péssimas criticas, pior box-office. O que faz ainda Alexander estar no grupo? O facto de ser um épico de Oliver Stone apoiado pela Warner Bros. Com várias nomeações técnicas ao seu alcance, o filme pode ganhar nova vida em Janeiro e voltar para a corrida sem ninguém dar por ele.

The Passion of Christ - O mais improvável dos candidatos. Demasiado polémico e violento para figurar entre os escolhidos da Academia. Mas a fé de Gibson pode comover muitos membros e o filme ressuscitar ao terceiro dia.
QUEM DEVIA SER NOMEADO?
The Village
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Finding Neverland
Million Dollar Baby
The Aviator
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:35 PM | Comentários (3)
Charme de Outono : Richard Gere - O Humanitarista...
Muitos dizem que passou ao lado de uma grande carreira. Outros apontam Chicago para mostrar que ainda vai a tempo de se emendar. E depois há aqueles que nunca foram com o seu estilo de sedução. Mas talvez o seu grande mérito seja mesmo esse. Nunca deixar ninguém indiferente.

Nascido a 31 de Agosto de 1949 em Philadelphia, Richard Tiffany Gere tornar-se-ia num dos maiores icones sexuais dos últimos vinte e cinco anos.
Desde sempre mostrou aptidões artisticas. Primeiro na música e depois no teatro. Pelo meio foi igualmente um desportista de excepção, conseguindo uma bolsa para a Universidade de Massachustes, onde se doutorou em filosofia. Depois passou para o teatro, onde, em 1973 em Londres, se estreou na peça Grease. Depois de mais algumas peças de teatro bem sucedidas, Gere estreou-se em grande no poético Day´s of Heavan de Terence Malick. Depois fez uma, a primeira, viagem espiritual ao Tibete, em 1978. Começaria aí também a sua carreira como humanitarista.
Dois anos depois conseguia o seu primeiro papel de destaque no cinema em American Gigolo, um papel que o marcaria para sempre como um icone sexual do público feminino dos anos 80.

Depois do seu primeiro grande sucesso da década, chegaria depressa o segundo em 1982 no filme An Officer and a Gentleman, onde contracenava com Debra Winger e Louis Gosset Jnr. Mais uma vezo filme teve sucesso na bilheteira e na critica. Mas Gere já tinha deixado os EUA fazendo uma viagem pela America Central, em periodo de conflito, para ajudar os refugiados.
Seguir-se-iam alguns fracassos como King David, No Mercy, Power e Milles From Home, antes de surgir um sucesso com Gere. Seria Internal Affairs. O filme recolocou Gere no mapa, mas foi o seu desempenho ao lado de Julia Roberts em Pretty Woman que voltou a fazer dele uma capa de revista. Depois disso ainda houve Sommersby mas a verdade é que a sua carreira voltou rapidamente a decair.

Entretanto o actor tinha casado com a super-modelo Cindy Crawford. O casamento acabaria em 1995 com a modelo a insinuar que o marido era homossexual. Gere riu-se, voltou a casar e hoje é pai de um filho. First Knight mostrou um Gere mais virado para o cinema de acção, mas a verdade é que durante quase meia década o seu nome desapareceu do mapa. Recusou o papel de John MClain, que viria a ser de Bruce Willis em Die Hard. Nem filmes como Primal Fear ou The Jackal voltaram a consolidar o seu nome. E para ter um verdadeiro sucesso de bilheteira foi preciso juntar-se de novo com Julia Roberts em 1999 no filme Runaway Bride.
Em 2002 no entanto Gere destacou-se pelo seu papel em Chicago. Venceu o seu primeiro Globo de Ouro e muitos achavam que a redenção da sua carreira tinha chegado. Mas a Academia nem o nomeou (apesar do filme ter ganho vários óscares incluindo o de Melhor Filme, Actriz e Actriz Secundária) e de repente Gere voltou ao desconhecido.
Hoje Gere preocupa-se mais em ajudar os mais desfavorecidos, como o povo tibetano do qual é apoiante ferveroso, do que com a sua carreira. Mas muitos ainda acreditam num regresso de um actor que marcou uma geração.
Próximo Charme de Outono - Robert Redford
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:44 AM
novembro 28, 2004
Open Water - O Realismo do Medo
Por vezes o cinema norte-americano trás-nos estas agradáveis surpresas. Filmado sem pretenciosismos, este interessantissimo filme independente dá-nos uma boa oportunidade de ver-mos como o cinema pode fazer o medo parecer algo bem real...
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Em primeiro lugar é preciso frisar que este filme foi rodado com apenas 130 mil doláres, oito actores, alguns figurantes, um especialista em tubarões e uma camara digital nas mãos. Tudo isto de uma forma extremamente profissional e realista. Os actores mergulharam no oceano infestado de tubarões (protegidos por uma malha de ferro) e foram filmados no meio das temidas feras. Daí que a expressão facial de Blanchard Ryan e Daniel Travis tenha muito que se lhe diga. Eles viram o medo nos olhos. Não há aqui ficção nem nada do genero. Apesar de não ser um documentário o filme consegue ser extremamente realista. E o sucesso que teve no Verão cinematográfico dos Estados Unidos, portando-se bem tendo em conta o universo de efeitos especiais que os blockbusters trouxeram, tornam este filme ainda mais apetecivel de se ver. Palmas para Chris Kentis, que mostrou aqui que há ainda muita imaginação em Hollywood.

Normalmente não sou apologista das camaras digitais tranferidas para o cinema e os primeiros quinze minutos do filme estavam-me a dar razão. A imagem estava desfocada, mais como se fosse um video de férias do que um filme. Mas a partir do momento em que entramos na água, em que nos vemos perdidos no oceano, tenho de me render às evidências. A camara é fundamental na captação do sofrimento dos personagens e na atmosfera do filme. A camara e a montagem que se lhe seguiu, alternando planos de pormenor facial muito bem conseguidos, com longas paisagens e raccords espantosos. Nesse capitulo o filme mostra grande mestria. Também o desempenho dos actores tem o seu que de louvável. A verdade é que o filme não pedia muito aos actores em termos de representação dramática. Os diálogos mais fortes são bem conseguidos mas pouco puxados. O que lhes foi pedido, e isso sim é dificil de conseguir, foi encarnar tão bem uma situação tão dramática. Talvez terem filmado ao lado de tubarões em vez de, como fariam as grandes vedetas, pedir duplos ou um cenário à parte, tenha contribuido ainda mais para o louvor da sua performance, tanto da belissima Blanchard Ryan como de Daniel Travis.

De facto Open Water é um filme independente de sucesso. Quase a tocar nas quatro estrelas, o filme tem poucos pontos fracos. Talvez um deles seja a cena de nudez no quarto. Ver uma mulher como Blanchard Ryan totalmente nua é sempre motivo de regozijo, mas naquele contexto não havia necessidade para tal exposição. Não acrescentou nada ao filme, apesar de ter sido agradável. O ponto forte do filme, para além da montagem, é mesmo a cena final. De uma poesia dramática como não tenho visto nas grandes produções. Uma viagem obrigatória a qualquer sala de cinema.
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O Melhor - O final do filme. Não vou desvendar o que se passa nos últimos cinco minutos, mas garanto que é excepecionalmente conseguido.
O Pior - O uso da camara digital no primeiro quarto de hora. Dá um ar de documentário ao filme do qual ele não precisa manifestamente.
Curiosidade - Os actores foram filmados no meio de tubarões verdadeiros. Mas o que o grande público desconhece é que muito raramente os tubarões atacam seres humanos. E como se provou durante as semanas de gravação, não houve qualquer incidente apesar de dezenas de tubarões terem cercado a dupla de actores.
Site Oficial - openwaterfilm.com
Realizador: Chris Kentis
Elenco: Blanchard Ryan, Daniel Travis, ...
Produtora: Lions Gate
Classificação: m/16
Duração: 90 minutos
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:11 PM | Comentários (3)
Charme de Outono : Ralph Fiennes - O Gentleman
Retrata a perfeição do gentleman britânico. Sóbrio até ao extremo, sofredor eterno, as suas performances são sempre coroadas com um não sei o quê de profundidade dramatica. Hoje é um dos maiores actores europeus em actividade, um verdadeiro génio na arte de representar.

Foi o irmão mais velho de um grupo de seis filhos. Nasceu a 22 de Dezembro de 1962 em Suffolk, no sul da Inglaterra. E não acabaria por ser o único Fiennes a tornar-se actor já que o seu irmão mais novo, Joseph e a irmã Martha seguiriam os passos do irmão Ralph. Os pais estavam envolvidos no meio artistico. O pai era fotógrafo e a mãe uma novelista de relativo sucesso.
Desde cedo que Ralph treinou para ser o que é hoje, ou seja, um brilhante actor. Primeiro na escola de Chelsea e mais tarde na Royal Academy of Dramatic Art. Aí estudou até aos 26 anos de idade, altura em que se estreou no Britains Royal National Theater. No ano seguinte passaria para a prestigiada Royal Shakespeare Company. Fez-se no teatro mas desde cedo deu o salto para o cinema. Tinha 28 anos quando se aventurou pela primeira vez nos meandros da sétima arte. Primeiro num telefilme, onde viveu Lawrence of Arabia, e depois em Wuthering Heights, onde foi um Heathclift espantoso. Era uma estreia auspiciosa no cinema britânico.

No entanto a confirmação absoluta do seu talento chegaria com a sua notável performance em The Schindler´s List. Amon Goeth, que acabaria por ser eleito um dos maiores vilões da história do cinema, catapultou-o para a fama nos Estados Unidos, conseguindo a sua primeira nomeação ao óscar. O seu papel principal chegaria no ano seguinte no sucesso de Quiz Show, filme de Robert Redford. Mas o seu papel, o papel que o tornou um icone do cinema britânico, chegaria em 1996 em The English Patient. Aí foi um amante sofredor como nunca, e um heroi sem noção da sua heroicidade. Apesar de nomeado, foi surpreendentemente derrotado por Geoffrey Rush na noite da consagração do filme. Parecia que Hollywood não queria nada com ele.

Desde aí afastou-se o mais que pode das grandes produções. Fez Oscar and Lucinda e The Avengers logo a seguir ao óscar e produiziu Onegin em 1999. Depois de quase três anos de interregno, altura em que se divorciou igualmente, regressou ao seu melhor no filme de David Cronenberg, Spider. Uma interpretação magistral a que se seguiu uma participação surpreendente em Red Dragon, a sequela de Silence of the Lambs. Desde aí, Fiennes tem agendada participações em pequenas produções, ficando a joia da coroa guardada para quando viver a nemesis de Harry Potter em The Goblet of Fire.
Próximo Charme de Outono - Richard Gere
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:40 PM | Comentários (2)
ÓSCARES 2004 Previsões - Melhor Realizador





Quando o vencedor desta categoria for divulgado, já teremos a ideia de quem é o grande vencedor da noite. É a chave essencial para descodificar a cerimónia. Este ano não deverá ser diferente, como também não deve mudar a tradição de um dos nomeados não estar incluido no grupo dos cinco melhores filmes. Será que 2004 vai ser um ano de ajuste de contas ou de surpresa absoluta?

Martin Scorsese é praticamente sempre favorito quando é nomeado. E este ano o favoritismo ganha contornos ainda maiores. Depois do flop que foi Gangs of New York, e das sucessivas nomeações que se arrastam desde os anos 70, muitos acham que já é chegada a hora de coroar o úlimo dos movie-brats. E o filme parece estar à altura. O cenário mais previsivel passa por uma vitória de Marty. Mas também já vimos este filme tantas vezes que agora ninguém sabe ao certo como acaba.

Clint Eastwood poderia ter ganho esta categoria facilmente no ano passado, não tivesse a Academia contas a ajustar com Peter Jackson. E como este ano há também contas a ajustar com Scorcese, começamos a pensar que Eastwood tem verdadeiramente muito azar. Mesmo assim, e pela forma como o seu Million Dollar Baby foi recebido, é natural que ele se torne num dos maiores candidatos à estatueta dourada. No entanto como é igualmente favorito na categoria de Melhor Actor (e nunca nenhum actor-realizador venceu dois óscares na mesa cerimónia pelo mesmo filme nessas condições) pode ser que uma derrota seja suavizada com uma vitória.

Se a Academia não se deixar levar em "puritanices tipicamente americanas", Kinsey vai ser um dos cinco filmes do ano. Tudo indica que sim. E se assim for Bill Condon, autor do também aclamado Gods and Monsters, será nomeado como realizador. O seu trabalho no filme tem sido bastante elogiado, e nas prováveis seis nomeações que o filme vai coleccionar - Filme, Realizador, Actor, Actor Secundário, Actriz Secundária e Argumento - a sua é das mais justas.

A confirmar-se a tendência de Hollywood se deixar seduzir por um filme estrangeiro (Cidade de Deus ou Crunching Tigger, Hidden Dragon são disso exemplos), então o mais forte candidato (mas não único) a cumprir essa tradiçõ é Un Long Dimanche e Fiançailles. E com ele está Jean Pierre Jeunet, um realizador já com trabalho desenvolvido em Hollywood, e que deve assim suceder a Fernando Meirelles, Ang Lee ou Pedro Almodovar, como um realizador estrangeiro a brilhar na Meca da indústria cinematográfica norte-americana.

Segundo as previsões do Hollywood (que este ano estão bem dificeis devido ao extremo equilibrio que se verifica) o quinto nomeado, se se confirmar o fracasso de Alexander, será Finding Neverland. Mas o autor do filme, Marc Forster, deve ficar de fora do grupo de realizadores eleitos. E para o seu lugar deve entrar Alexander Payne, o novo menino bonito do cinema indie norte-americano. Payne é o autor do multi-aclamado Sideways (igualmente forte candidato ao top 5 de melhor filme), e a nomeação seria algo natural, seguindo a tradição de abrir espaço anualmente a um nome do cinema mais independente. Depois de Sofia Copolla, Sthepen Daldry ou Spike Jonze.
QUEM TAMBÉM PODE SER NOMEADO

Mike Nichols (Closer) - A Academia gosta de nomear velhos colegas de armas. E Nichols tem um estatuto em Hollywood que poucos realizadores conseguem imitar. E se Closer for tão bem recebido como se prevê, é uma séria hipótese a considerar.

Marc Forster (Finding Neverland) - Apesar de ser suiço e de não ter um grande historial, a verdade é que se Finding Neverland se tornar num forte candidato a vencer, então dificilmente o realizador ficará de fora dos cinco eleitos. Mas é um nome que corre por fora.

Taylor Hackford (Ray) - Mostrou grande dedicação em Ray, depois de ter preparado o filme durante mais de uma década. E a Academia gosta disso. Para além do mais, se Hollywood vir no filme algo mais que Jamie Foxx, as suas perspectivas ganham outra dimensão.

Oliver Stone (Alexander) - Diga-se o que se disser, Stone é um menino-querido de Hollywood. Já tem duas estatuetas (algo nada fácil para um realizador nos dias de hoje) e há sempre a hipótese de Alexander ser um exito de bilheteira, ou ser empurrado pela critica europeia. É um nome a ter em atenção, apesar de ter perdido muito do favoritismo.

Mel Gibson (The Passion of Christ) - É verdade que o filme tem poucas hipóteses. Que a maioria dos membros são judeus que não gostaram do que viram no filme do australiano. Mas Gibson é um realizador consagrado e oscarizado e o projecto pessoal que foi realizar este filme pode persuadir os nomes menos conservadores. Sofre, tal como M. Night Shyamalan (que merecia uma segunda nomeação), Steven Spielberg, Joel Schumacher e Michael Gondry, o facto do seu filme não ter uma campanha favorável como acontece com os favoritos ao prémio.
QUEM DEVIA SER NOMEADO?
M. Night Shyamalan
Martin Scorcese
Clint Eastwood
Michael Gondry
Bill Condon
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:40 PM | Comentários (2)
novembro 27, 2004
Charme de Outono : Pierce Brosnan - À sombra de um agente secreto
Se fizermos uma pequena sinopse da carreira deste interessante actor irlandes, vemos imediatamente um nome que nos salta à vista. De facto foi a mitica personagem James Bond que deu um outro destaque a Brosnan. Com o seu charme e distinção soube ressuscitar um mito, tornando-se ele mesmo numa figura incontornável do cinema de hoje.

Nascido a 16 de Maio de 1953 em Drogheda na Irlanda, Pierce Brosnan tornou-se num dos maiores simbolos irlandeses de hoje. E isso graças à sua notável performance como o mitico 007 numa serie de quatro filmes.
Ainda jovem mudou-se da Irlanda para Inglaterra, sem o pai que tinha abandonado a familia. Foi um padrasto que o criou e o levou a ver o seu primeiro filme quando tinha 11 anos. O filme era, curiosamente, Goldfinger. E foi aí que Brosnan se apaixonou pela representação, tendo anos mais tarde começado a estudar dramaturgia. Em 1979 teria o seu primeiro papel no filme Resting Rought. E seria em pequenos papeis que Pierce Brosnan se formaria como actor. O grande salto para a fama chegaria anos mais tarde. Em 1982, com 29 anos, estreou-se como protagonista em Remington Steele. A serie viria a tornar-se uma das mais populares da década no Reino Unido, e granjeria muitos apoios a Brosnan. De tal forma que em 1986 ele foi o nome escolhido para suceder a Roger Moore como James Bond. Mas o contracto que o ligava à serie impediu-o de ser Bond. Mais tarde o destino cumprir-se-ia, ainda por mais porque Timothy Dalton nunca soube convencer os fãs de 007.

Com o final de Remington Steele, no fim da decada de 80, Brosnan começou a trabalhar em filmes que se revelaram verdadeiros fracassos. Pior aconteceria em 1990 quando a sua primeira mulher, Cassandra Harris, morria nas suas mãos, depois de completaram dez anos de casados. Deixou Brosnan como um viuvo inconsolável e tres filhos nos braços. Durante muitos anos a morte da mulher afectou Brosnan que continuava a não ver a sua carreira descolar. Depois de alguns trabalhos para a televisão, eis que a carreira de Brosnan dá uma volta de 180º graus. Dalton falhara em convencer e fizera apenas dois filmes como 007. Os produtores da serie queriam de novo Brosnan e desta vez o actor irlandes não se fez rogado. Em 1995 estreou-se em Goldeneye e pela primeira vez em quinze anos, o filme foi um sucesso estrondoso. Brosnan tinha feito o que poucos conseguiriam: recuperar um icone da cultura contemporânea e levá-lo a bom porto neste novo mundo impiedoso para personagens como Bond.
Depois do sucesso do filme, começaram a chegar convites para outros projectos de sucesso como Dante´s Peak, Robinson Crusoe e Mars Attack. Em 1997 chegava um novo Bond, Tomorrow Never Dies, e mais um considerável sucesso.

Desde aí a sua carreia consolidou-se. Em The Thomas Crown Affair, mostrou que o seu charme não é exclusividade dos filmes de 007. Em The Nephew estreou a sua recém-fundada produtora. E um segundo casamento com Kaily Shie-Smith, que resultou em mais dois filhos, tornou-o um homem feliz. The Tailor of Panama e The World is Not Enough mantiveram-no em alta. Só que a situação viria a mudar subtilmente em 2002. No final de Die Another Day, Brosnan mostrou-se cansado de Bond. A personagem tinha estagnado e os filmes começavam a vulgarizar-se. Brosnan queria mudar o estilo da personagem. Um dia chegou mesmo a dizer que queria "matar Bond." O estúdio não gostou e afastou-o do próximo projecto. O seu sucessor ainda não foi escolhido mas terá uma dificil tarefa em mãos. Já o futuro de Brosnan parece interessante. Este ano estreou After the Sunset, o que se pensava ser a sequela de The Thomas Crown Affair, mas em 2005 apresentará a verdadeira sequela do seu maior sucesso fora do universo Bond em The Topkapi Affair.
Pierce Brosnan é um verdadeiro embaixador do charme, e um actor que prova que o talento e a subtileza de uma interpretação de tons sedutores pode ser mais uma arma do que um contra-tempo. Resta saber se o futuro mostrará Brosnan algo mais que a sombra de um agente secreto conhecido de todos.
Próximo Charme de Outono - Ralph Fiennes
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:14 PM | Comentários (1)
ÓSCARES 2004 Previsões - Melhor Actor





Muitos candidatos este ano e nenhum deles está em vantagem nitida. Ao longo do ano houve sempre um favorito mas a confusão é total. Primeiro foram Carrey, Depp e Foxx. Agora é di Caprio, Spacey e Eastwood. E não nos podemos esquecer que muitos correm por fora. Provavelmente esta é a luta mais aliciante de toda a noite.

Tornou-se hoje um dos maiores favoritos à vitória, à custa das excelentes apreciações que The Aviator está a receber. Leonardo di Caprio, esquecido na gloriosa noite de Titanic, pode assim desforrar-se do que se passou à sete anos atrás. Com 30 anos feitos este mês, o jovem actor é extremamente sóbrio na sua performance como o milionário Howard Hughes. A favor tem a provavel noite favorável do filme. Contra, a sua ainda curta carreira e o peso de nomes grandes de Hollywood como fortes oponentes.

Se houve um nome que se manteve constante desde o Verão até agora foi o de Jamie Foxx. O actor, que antes era comediante, interpreta com uma força tremenda a popular personagem de Ray Charles no filme Ray. O público gostou, a critica rendeu-se, e até à bem pouco tempo ele era o alvo a abater pela concorrência. Talvez uma forte campanha em Janeiro possa colocá-lo de novo rumo à vitória final.

Johnny Depp conseguiu a sua primeira nomeação no ano passado pelo notável desempenho em Pirates of the Caribean. Perdeu o óscar mas ganhou o importante SAG (o voto dos colegas no sindicato). Por isso quando estreou Finding Neverland (gravado antes de Pirates), muitos achavam que seria uma consagração natural. De facto a critica adorou a sua performance, como um Depp nunca visto, e o público foi receptivo. Só que de repente surgiram rivais igualmente fortes e, aos poucos, o seu nome foi-se eclipsando. Mesmo assim o seu peso é substancial e dificilmente ficará fora dos eleitos. Agora vencer, isso já é outra conversa.

Clint Eastwood era uma carta fora de qualquer baralho. Muitos nem sabiam que o seu mais recente filme estrearia ainda em 2004. Mas o realizador-actor gostou tanto do seu Million Dollar Baby que obrigou a produtora a lançá-lo no final do ano. E resultou. A critica rendeu-se ao filme, e a Eastwood, quer como realizador (onde já foi galardoado) quer como actor (onde pode vir a vencer). O filme está a controlar as contas aos óscares, numa especie de Mystic River versão 2004. Resta saber se a Academia vai repetir a dose do ano passado e premiar o actor de um filme daquele que é o último dos clássicos.

A partir daqui fica a dúvida. Há cerca de seis candidatos fortissimos para o lugar - Liam Neeson, Javier Bardem, Gabriel Garcia Bernal, Don Cheadle, Kevin Spacey e Paul Giamatti - e alguns menos fortes mas como podem surgir como surpresa de última hora (Bill Murray, Jude Law, Jim Carrey ou Colin Farrell).
Por isso desde logo é dificil escolher um. Apesar de sentir que um hispânico vai ser nomeado, e que Kevin Spacey vai muito bem, a minha aposta seria em Liam Neeson. O filme Kinsey tem sido muito bem recebido e todos dizem que ele domina todas as cenas em que entra. Domina, mas com estilo. O actor irlandes já foi nomeado aos óscares antes, e poderia ser um candidato fortissimo este ano. Contra si tem as caracteristicas polémicas do filme, e a necessidade da Academia de por um nome menos forte, para nao levar à loucura aqueles que terão a dificil tarefa de escolher um nome só.
QUEM TAMBÉM PODE SER NOMEADO

Kevin Spacey (Beyond the Sea) - Depois de ter o recorde perfeito (duas nomeações, duas estatuetas), poucos pensavam ver Spacey de volta à ribalta tão cedo. Mas o seu filme sobre Bobby Darin tem coleccionado óptimas criticas e é natural que seja um forte candidato ao óscar.

Javier Bardem (Mar Adentro) - Foi daqueles nomes que desde o Verão se ouviram com regularidade. Mas talvez por isso tenha visto a sua candidatura perder folego, como aconteceu com Carrey ou Depp. Venceu em Cannes e o seu papel tem tudo para a Academia se apaixonar por ele. O seu azar foi ter encontrado um ano tão equilibrado. Ou a sua sorte. O futuro ditará a verdade.

Gabriel Garcia Bernal (Diarios de Motocicleta) - Outro nome a quem não se dava muito crédito de inicio e que agora vai surgindo em estilo. O filme estreou em Março e já na altura se falava numa notável performance do mexicano. Os criticos norta-americanos confirmaram, e Bernal foi aclamado como um excelente Che. Resta saber se a concorrencia de outro hispanico como Bardem não destroi as suas hipóteses.

Don Cheadle (Hotel Rwanda) - É um actor nitidamente secundário e sem uma grande carreira. Mas o seu tocante desempenho em Hotel Rwanda fez moça nos criticos que começaram a elogiar o seu trabalho de uma forma inesperado. Seria sempre uma surpresa ve-lo no top 5.

Paul Giamatti (Sideways) - Muitos viram o seu papel em American Splendor, relegado injustamente para um segundo plano no passado ano. Este ano Giamatti volta à carga com Sideways. O filme de Alexander Payne tem conseguido bastantes aplausos, e se conseguir nomeações importates, o que seria uma surpresa poderia passar a ser uma inevitabilidade: Giamatti nomeado.
QUEM DEVIA SER NOMEADO?
Jim Carrey
Johnny Depp
Leonardo di Caprio
Jamie Foxx
Liam Neeson
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:45 PM | Comentários (3)
Un Long Dimanche de Fiançailles passa a Very Long Engagement
O novo filme de Jean Pierre Jeunet, apelidado por muitos de "Amelie vai à guerra", não é francês. Foram os tribunais de Paris que o decidiram depois dos sindicatos franceses terem apresentado um apelo na justiça contra a super-produção de Jeunet, financiada pela Warner Bros. Os sindicatos queixavam-se de terem sido preteridos pela máquina de fazer dinheiro que são os estúdios Warner, e queriam evitar que o filme recebesse o subsidio do Instituto de Cinema Francês. Os tribunais concordaram e o filme de Jeunet, Un Long Dimanche de Fiançailles pode muito bem a começar ser conhecido apenas pelo seu titulo em inglês, ou seja, A Very Long Engagement.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:56 PM | Comentários (1)
novembro 26, 2004
Charme de Outono : Paul Newman - O Maior Actor Vivo
Uma das maiores lendas vivas da 7º arte. Começou a brilhar ainda na década de 50 e tornou-se no herdeiro natural de James Dean. Ganhou estatuto e tornou-se no maior injustiçado da Academia até à década de 80. Hoje é um veterano de respeito. Mas mantém aquele brilho único no olhar...

Nasceu a 26 de Janeiro de 1925 no Ohio com o nome de Paul Leonard Newman. O pai dirigia uma loja de desporto e daí começou a paixão de Paul por tudo o que envolvia desporto. Começaria pelo baseball e acabaria nas corridas de automóveis. Competiu, comprou uma equipa, e hoje é um respeitado elemento do mundo de competição automóvel. Depois de ter começado a representar na escola, foi chamado para a 2º Guerra Mundial onde serviu na Marinha norte-americana da qual foi dispensado em 1946. Passou para os estudos universitários em Kenyon College. Daí passou para Yale onde estudou dramaturgia. Depois rumou a Nova Iorque para aprender no respeitado Actor´s Studio, ao lado de nomes como Marlon Brando, Montgomery Clift e James Dean. Passou pela Broadway onde fez Picnic, em 1953 (mais tarde Joshua Logan adaptaria o filme ao cinema mas preferiu William Holden)e estreou-se no cinema em 1954. The Silver Chalice foi tão mau que Newman reconsiderou mesmo manter o contracto com a Warner. Mas depois morreu James Dean e o jovem loiro de olhos azuis ficou com o seu lugar em Somebody Up There Likes Me. O filme foi um sucesso e Paul Newman deu o primeiro passo para a fama.

The Long Hot Summer, The Left Handed Gun e o notável Cat on a Hot Thin Roof marcaram os seus anos seguintes de carreira. Com o apagamento de Brando e Clift, ele era agora o simbolo vivo do "Metodo". Era já uma estrela, tanto pelo seu talento como pelo enorme sex-appeall que faz ainda hoje dele um dos actores mais sensuais da história. Em The Hustler teve uma performance memorável e muitos pensaram que seria o seu primeiro óscar. Mas aí começaria uma longa espera de 25 anos. Nem no notável Sweet Bird of Youth (1962), nem em Hud (1963) ou em Cool Hand Luck (1967) conseguiu a ansiada estatueta. Pelo meio trabalhou com Hitckock em Torn Curtain e casou com a parceira de The Long Hot Summer, Joanne Woodward, o mais longo e duradouro casamento de Hollywood. Para ela fez Rachel, Rachel em 1968, a sua estreia na realização. The Effect of Gamma Rays on Man-on-the-Moon Marigolds (1972) e Glass Menagerie (1982) seriam os seus outros dois filmes como realizador, sempre com a mulher como protagonista.

A entrada na década de 70 começou com a parceria com Robert Redford em The Butch Cassidy and the Sundance Kid. Em The Sting repetiriam a dose e mais uma vez o óscar ficava adiado. The Mackintosh Man, Towering Inferno e The Drowning Pool foram outros sucessos da década de 70. Já com 5 anos, Newman continuava uma estrela. A sua boa forma era visivel na forma como corria. Em 1979 foi segundo nas 24 horas de Le Mans ao volante de um Porsche. E em 1981 voltaria em grande com Absence of Malice. Seguir-se-ia The Veredict, onde todos pensavam que seria consagrado. Não foi e teve de esperar pelo filme seguinte, quatro anos depois, The Color of Money, a sequela de The Hustler, para vencer o óscar. Uma vitória justissima que só pecava por tardia. A partir daí a sua carreira abrandou. Começou a dedicar-se à equipa Newman e a sua empresa de alimentação. Em 1990 voltaria a representar ao lado da mulher em Mr and Mrs Bridge e quatro anos depois conseguiria uma das suas melhores performances de sempre em Nobody´s Fool. Daí até hoje seguir-se-iam pequenos papeis secundários em Message in a Bottle ou Rode to Perdition, onde conseguiu a sétima e última nomeação ao óscar até ao momento.

O homem que nunca viu um filme seu e que diz que o seu som favorito é o de um motor V8 em alta rotação, é hoje o maior actor vivo. Uma lenda do cinema, um homem marcante, e um icone de toda uma geração. Depois da perda de nomes tão importantes para os cinéfilos nos últimos anos, pedimos que Deus nos mantenha Paul Newman connosco durante muitos longos anos.
Próximo Charme de Outono - Pierce Brosnan
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:14 PM | Comentários (2)
ÓSCARES 2004 Previsões- Melhor Actriz





Um ano que promete poder repetir um duelo entre Annette Benning e Hilary Swank. Mas um ano também que coloca Julia Roberts de novo na lista de favoritos. Ou ainda um ano com mais uma actriz dirigida por Mike Leigh. E da Amelie, lembram-se? A confusão é total e ninguém sabe quem será a sucessora de Charlize Theron.

Há muitos meses que se fala no favoritismo de Annete Benning na edição deste ano dos óscares. Derrotada em 1999 quando todos a viam como grande favorita, a mulher de Warren Beatty é fenomenal em Being Julia, filme do hungaro Ivan Szabos. Agora resta saber se à segunda nomeação a estatueta lhe vai parar finalmente às mãos, ou se num ano tão complexo como este o tiro pode vir a sair-lhe pela culatra.

Hilary Swank surgiu de repente na corrida mas é cada vez mais previsivel que a vencedora de 1999 (curiosamente contra Benning) consiga a sua segunda nomeação. Tudo isso devido ao grande entusiasmo da imprensa à volta de Million Dollar Baby o novo filme de Clint Eastwood. Uma nomeação previsivel e que complica ainda mais as contas deste rosário.

Kate Winslet teve um ano em cheio, mas resta saber se a Academia vai gostar de a ver tanto em Finding Neverland (onde também pode ser vista como secundária) como em Eternal Sunshine of the Spotless Mind.
A talentosa britânica teve há 10 anos a sua primeira nomeação e este ano é uma forte candidata. Mas, mais uma vez, será o filme a decidir tudo. Se o filme de Marc Forster estiver em alta, ou o trabalho de Michel Gondry ainda presente, então uma nomeação será previsivel.

Julia Roberts foi a menina bonita da América nos anos 90 e recebeu a coroa de glória em 2000 no filme Erin Brokhovic. Depois disso andou desaparecida mas este ano regressa em estilo. Em Closer recupera as suas personagens mais duras e sagazes e apresenta-se mordaz e irreverente como se fosse a primeira vez. Uma nomeação é provável mas não certa, até porque as actrizes europeias serão umas competidoras de respeito.

Se apenas houver uma vaga para uma actriz europeia, a dúvida instala-se entre Imelda Staunton, vencedora em Veneza, e a jovem Audrey Tautou. Pelo sucesso que o filme está a ter nos Estados Unidos, é provável que Tautou consiga o lugar pelo seu desempenho como Mathilde (um novo nome para a mitica Amelie) em Un Long Dimanche de Fiançailles.
QUEM TAMBÉM PODE SER NOMEADA

Imelda Staunton (Vera Drake) - Depois da conquista de Veneza, a conquista de Hollywood. Staunton não é uma actriz com grande carreira como era Brenda Blethyn, mas a sua performance convence. Se o ano for propicio às actrizes britânicas, a sua candidatura sofre um duro revés, mas há a hipótese de render Winslet na vaga inglesa.

Catalina Sandino Moreno (Maria Full of Grace) - Uma agradável surpresa que chegou no passado Festival de Sundance. A actriz colombiana tem encantado a critica com a leveza da sua performance, ao mesmo tempo tão intensa e etérea. Pode ser a maior surpresa, uma especie de Keisha-Castle Hughes, versão 2004.

Nicole Kidman (Birth) - Apesar da polémica, apesar das péssimas criticas, apesar da falta de interesse à volta do filme, Nicole Kidman é Nicole Kidman. Por isso é sempre um nome a seguir atentamente ao longo destes meses de decisões.

Julianne Moore (The Forgotten) - Apesar do barulho inicial à volta da performance de Moore, a verdade é que o filme desilude a toda a linha. Ela salva-se mas não o suficiente para apresentar argumentos válidos. Mesmo assim pode ser uma surpresa. Muito grande a confirmar-se já que nada aponta para isso.

Laura Linney (P.S.) - Depois de ser vista como uma provável nomeada na categoria de actriz secundária por Kinsey, o seu desempenho em P.S. também tem conhecido bastantes adeptos. Resta saber se a Academia vai preferir vê-la num plano secundário ou num plano de destaque.
QUEM DEVIA SER NOMEADA?
Kate Winslet
Annete Benning
Julia Roberts
Audrey Tatou
Imelda Staunton
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:52 PM | Comentários (1)
Primeira imagem de Aeon Flux
Depois da vitória na última noite dos óscares, a bela Charlize Theron prepara-se para atacar o cinema de acção. Ela é a estrela de Aeon Flux, adaptaçã de uma comic de sucesso norte-americana. O filme, que conta ainda com a participação da também oscarizada Frances McDormand, só estreia para o ano, mas hoje foi divulgada a primeira imagem da actriz encarnando a personagem. Bela e sensual como sempre, a actriz sul-africana promete ser igual a si mesma.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:38 PM
novembro 25, 2004
Alexander em baixa - The Aviator em alta
A critica norte-americana mostra-se implacável com Alexander. O épico de Oliver Stone é completamente arrasado pelos criticos, exceptuando talvez o Chicago Tribune e a revista Variety. Maçador, desastroso, inexpressivo são os principais rótulos aplicados ao filme. Também Colin Farrel não tem melhor sorte junto dos criticos. Resta saber o que dirá o público. Na próxima quarta-feira saem os resultados do box-office e aí se saberá o impacto do filme junto dos espectadores.
Já os primeiros felizardos a puderem visualizar The Aviator mostram-se agradavelmente satisfeitos com o filme de Martin Scorcese. Referindo-se a Gangs of New York como contraponto, os criticos aplaudem a leveza emocional deste filme e a sua dinâmica, aplaudindo também o role de actores. The Aviator só estreia nos Estados Unidos na segunda semana de Dezembro.
Até ver portanto a aposta em grande do Hollywood em The Aviator para os próximos óscares parece certa. O filme de Scorcese terá bastantes nomeações. Já Alexander parece tornar-se cada vez mais o flop do ano. Uma desilusão de que já se falava há muito tempo, mas que parece tomar dimensões surpreendentes. Mesmo assim o filme de Stone poderá conhecer bastantes nomeações em categorias técnicas, mas perde o comboio na luta pelo titulo de filme do ano.


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:26 PM | Comentários (4)
Charme de Outono : Nicholas Cage - Um estranho Copolla
Poucos o sabem, mas Nicholas Cage é um Copolla. Uma das mais importantes familia da história do cinema nos últimos trinta anos, a verdade é que os Copolla sempre foram para Nicholas um fardo demasiado grande de carregar. Daí um novo sobrenome, uma nova identidade. Só os traços de talento permaneceram.

Californiano de gema, Nicholas Kim Copolla nasceu a 7 de Janeiro de 1964. Filho de um professor de literatura e uma dançarina, foi a herança do nome do tio Francis que lhe viria a moldar a sua paixão pelo cinema. Ao ver os filmes do tio, o jovem Nicholas sentia uma vontade imensa em saltar para o ecran. Com 17 anos abandonou a escola em Beverly Hills e começou a procurar papeis em filmes, sem se preocupar com uma formação na área da representação. Fast Times at Ridgmon High foi o seu primeiro filme, em 1982. Na altura Nicholas era Copolla e não Cage. Tinha 17 anos e queria ser uma estrela.
Foi ao lado do tio, no aclamado Rumble Fish, que começaria a destacar-se. Nesse mesmo ano, 1983, entraria ainda em Valley Girl e afirmava-se como um dos actores promessa do inicio da década. Racing With the the Moon, Cotton Club e Birdy foram três sucessos de 1984. Por essa altura o peso do nome Copolla começava a pesar nas criticas. Por isso, inspirado em Luke Cage, heroi negro de banda desenhada, mudou o nome para Nicholas Cage.

Por essa altura era já um dos nomes mais influentes da jovem representaão norte-americana. Seguir-se-iam sucessos como Pegy Sue Got Married, Raising Arizona, Moonstruck e Never on a Tuesday.
Wild at Heart marcava a sua estreia em grande nos anos 90. Curiosamente o inicio da década não seria tão bem sucedido como o final da anterior, exceptuando Honeymoon in Vegas e It Could Happen to You. Literalmente contra a corrente, chegou o óscar em 1995 pelo seu desempenho em Leaving Las Vegas. Uma vitória surpresa, de facto, e que marcou a viragem na sua carreira.
A partir de 1996 começou a dedicar-se ao cinema de acção, primeiro em The Rock, depois em Con Air e por fim em Face Off, uma trilogia que o tornaram num dos grandes nomes do genero.

City of Angels mostrou um Cage mais melancólico, enquanto que Snake Eyes e Gone in Sixty Seconds recuperavam a aura de action-man. Por essa altura os primos Sofia Copolla e Jason Schwarzman estavam em alta. Já não era o único Copolla em destaque. Foi também por esta altura que conseguiu um dos seus melhores desempenhos em The Family Men, ao que se seguiu o onírico Captains Corelli Mandolin. Uma nova nomeação aos óscares chegaria com Adaptation, mas os filmes de acção dominaram estes últimos anos da carreira de Cage, quer em Matchstick Men, quer em National Treasure.
Para o ano estão já previstas três estreias apeteceveis. Primeiro The Weather Man, e depois Ghost Warrior e Lord of War.
Próximo Charme de Outono - Paul Newman
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:43 PM | Comentários (2)
ÓSCARES 2004 Previsões - Melhor Actor Secundário





Tal como a correspondente categoria feminina, também aqui é extremamente dificil antever os nomeados tal é a oferta. Esta ano parecem ser os actores mais veteranos que se destacam dos demais, havendo mesmo a possibilidade de consagração inéditas. O sucessor de Tim Robbins será conhecido dentro de três meses.

Dustin Hoffman teve um ano em grande. O veterano actor já não é nomeado aos óscares desde Wag the Dog e um regresso este ano não seria surpresa nenhuma. Para além de ter um pequeno papel em Finding Neverland, um dos grandes candidatos a Filme do Ano, é também um dos elementos de destaque do "indie" I Heart Huckebees. Não se sabe se isto chegará para conseguir mais uma nomeação. Mas para já está no pelotão da frente.

Outro veterano que pode coleccionar mais uma nomeação é Peter O´Toole. A diferença é que o actor britânico é dos actores mais injustiçados de sempre. Teve a sua primeira nomeação por Lawrence of Arabia há quarenta e dois anos, e nunca venceu uma estatueta, apesar de ter sido tido como favorito várias vezes. Uma nomeação e vitória de O´Toole seria apenas uma compensação já que o seu papel no pouco aclamado Troy não é algo de grande destaque. Se a Academia for por aí, preferirá claramente o jovem Eric Bana.

Quem tem visto a sua participação ser bastante louvada é Clive Owen. Em Closer ele é o companheiro de Julia Roberts e quem já viu o filme de Mike Nichols fala nele como um dos aspectos altos do filme. Depois do relativo fracasso de King Arthur, este papel pode ser a consagração definitiva deste talentoso actor britânico. E numa categoria com muitos veteranos nomeáveis, ele seria uma lufada de ar fresco.

Quem também é jovem e nomeável, é Jude Law. Apesar de haver ainda quem acredite que Alfie ou Closer podem dar ao britânico a sua segunda nomeação consecutiva para a categoria de melhor actor, as contas mais razoáveis serão mesmo aquelas que colocam Law como potencial nomeado nesta categoria secundária. Tanto pode ser pela performance em I Heart Huckbees ou em The Aviator. Mesmo assim é dos candiatos mais frágeis por ter muitos papeis este ano, e os votos podem acabar por se dispersar, como aconteceu com Scarlett Johansson no ano transacto.

O nome surgiu de repente esta semana mas tem uma base sólida de apoio. Morgan Freeman, com já tres nomeações na sua carreira, pode surgir este ano como uma surpresa pelo seu desempenho em Million Dollar Baby. O norte-americano tem vindo a coleccionar aplausos da critica e há quem veja nesta nomeação - como em O´Toole - um sentido de justiça, após uma longa e talentosa carreira sem prémios da Academia.
QUEM TAMBÉM PODE SER NOMEADO

Anthony Hopkins (Alexander) - O veterano actor inglês pode somar aqui a sua primeira nomeação em sete anos. O seu sucesso dependerá da forma como Academia encarar o épico de Oliver Stone, tal como acontece com Angelina Jolie, na categoria feminina.

Peter Sarsgaard (Kinsey) - Mais um caso em que o sucesso do actor depende da forma como a Academia olhar para o filme de Bill Condon. Se seguir a vaga conservadora que parece dominar os Estados Unidos neste momento, Kinsey está fora de hipótese. Caso contrário o filme e Sarsgaard (e há quem fale igualmente em John Lithgow) têm boas hipóteses.

Jamie Foxx (Collateral) - A mais do que provável nomeação na categoria principal de Foxx destroi praticamente qualquer hipótese de conseguir uma nomeação nesta categoria. Mas mesmo assim o seu trabalho como secundário em Collateral foi bastante apreciado.

Michael Gambon (Being Julia) - O veterano actor ingles é um dos suportes masculinos para a estrondosa exibição de Annette Benning em Being Julia. Tanto ele como Jeremy Irons (outro nome em jogo) correm sérios riscos de apanhar a onda de popularidade da actriz norte-americana, conseguindo assim uma nomeação.

David Carradine (Kill Bill) - Esta última vaga podia igualmente pertencer a Jim Carrey. Mas duvido que a Academia que tanto fez para ignorar a vocação dramática do actor nos últimos anos (e tudo indica que este ano isso se repita) nomeie Carrey por um papel comico. Por isso David Carradine poderá ser a décima hipótese para o lugar (se não contar com Bana, Irons, Lithgow e Kilmer de quem já falei).
O seu papel é muito cool e sóbrio no filme de Quentin Tarantino, e pertence a uma familia com tradição em Hollywood. Não é um candidato previsivel nem uma aposta periclitante. Apenas uma sensação de surpresa que pode tornar-se realidade.
QUEM DEVIA SER NOMEADO?
Eric Bana
Rodrigo de la Serna
Clive Owen
Morgan Freeman
Dustin Hoffman
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:47 PM | Comentários (4)
Trailer de Million Dollar Baby
Já há algum tempo que temos vindo a referir que o regresso de Clint Eastwood promete. E agora a imprensa norte-americana confirma essa ideia falando de eventuais "oscarizáveis" neste filme. A verdade é que Million Dollar Baby é um filme de pequena monta comparado com Mystic River mas tem os traços do realizador que é visto como o último dos clássicos em Hollywood.
Para conferir a qualidade do filme, veja o trailer clicando no poster.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:35 PM
Novos posters de Meet the Fockers
Os últimos dois posters de Meet the Fockers foram divulgados pela distribuidora oficial do filme.
A sequela de Meet the Parents promete ser a grande comédia de Natal no circuito norte-americano e tem levantado muito interesse. É que depois de dois anos negros para Ben Stiller, voltar a um dos papeis que mais ajudou a consolidar a sua imagem pode servir como tónico para o próximo ano. O filme coloca frente a frente Robert de Niro e Dustin Hoffman, dois dos maiores simbolos da representação em americano e deve chegar a Portugal no inicio de 2005.


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:34 AM
novembro 24, 2004
O Que Estreia Por Cá - O universo Pixar
The Incredibles marca o regresso em grande da Pixar depois da retumbante campanha de Finding Nemo no ano transacto. Neste interessante filme de animação começa-se a perceber que o império Pixar está cada vez mais consolidado. E aparentemente, veio para ficar.

The Incredibles relata a vida de uma familia de super-herois que tentam viver uma vida normal. Uma premissa bem engraçada para um dos maiores sucessos do ano, e um rival à altura da obra-prima da Dreamworks, Shrek 2.
O trabalho dos estúdios Pixar tem sido notável nos anos transactos e este filme animado é a prova disso mesmo. Resta saber se o sucesso de Finding Nemo será superado por esta interessante caricatura do universo de super-herois.
Um filme certamente a ter em conta nos próximos óscares e uma viagem interessante às salas de cinema.

Uma semana com muitas estreias. São seis os restantes filmes que abrem esta semana por cá.
Open Water é um trilher intenso e bastante interessante que tem sido louvado acima de tudo pela sua originalidade. Um casal vai fazer pesca submarina para o Oceano mas ao voltar à superficie descobre que está abandonado num mar recheado de perigos imensos. Conseguirão salvar-se a tempo? Realizado por Chris Kentis, o filme conta com Blanchard Ryan e Daniel Travis e é um dos titulos independentes mais sedutores de 2004.

Wicker Park tenta recuperar a mistica de Rear Window com o dramatismo de Single White Female. Aproximando-se do publico juvenil graças a um cast de actores jovem, onde pontifica Josh Hartnett, o filme vive da crescente intensidade dramática e de um argumento inteligente. Resta saber se os jovens actores estão à altura deste desafio dirigido por Paul MacGuigan.

A Different Loyalty chega de Inglaterra e trás o carismático Ruppert Everett como cabeça de cartaz. O filme dirigido por Marek Kanievska é um thriller de espionagem passado durante a década de 60 em Beirute. Sharon Stone completa o elenco desta sugestivo filme de espionagem.

Nicotina é uma interessante aposta do cinema mexicano. Com Diego Luna, uma das estrelas em ascensão no pais dos aztecas, o filme vive uma noite alucinante na Cidade do México em que uns hackers, um assaltantes de pequena monte e um simples mexicanos que apenas estavam de passagem, entram em confronto de interesses. A direcção está a cabo de Hugo Rodriguez.

Histoire de Marie et Julien é a proposta francesa desta semana. Um filme do conceituado Jacques Rivette que conta com a bela Emanuelle Beart no elenco, acompanhada de Anne Brochet e Jerzy Radziwilowicz. Um filme sobre amor, chantagem e suspense bem ao estilo do realizador francês.

Esta semana há também cinema português. A adaptação do romance de Lidia Jorge, A Costa dos Murmúrios, marca o regresso do cinema portugues ao universo do Ultramar, uma temática inesgotável para o cinema nacional. Com Beatriz Batarda, Monica Calle e Filipe Duarte, este filme de Margarida Cardoso conta a estória das mulheres que não foram à guerra mas que também a sofreram nas suas casas. Para quem espera há tanto um simples momento de redenção do cinema nacional, esta é mais uma tentativa.

O HOLLYWOOD RECOMENDA - Se for tão bom como o seu antecessor então vale a pena ver a nova aposta dos estúdios Pixar para 2004, The Incredibles. Se não for, fica pelo menos a consolação de ser um dos filmes de maior sucesso no box-office do ano.
O HOLLYWOOD DESANCOSELHA - Wicker Park. O filme apresenta-se como uma colagem de estórias já contadas, tentando convencer os espectadores com actores mais bonitos do que as personagens pediam. É simplesmente mais um filme americano em Portugal.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:56 PM
Charme de Outono : Morgan Freeman - Eis um senhor!
São quarente anos de carreira a brilhar de forma intensa mas sempre extremamente humilde. Considerado durante inumeros anos como o melhor actor negro em Hollywood, viu o jovem Denzel Washington recolher as estatuetas. Para ele ficou uma legião imensa de fãs e a esperança de que um dia a recompensa irá chegar.

Nasceu a 1 de Junho de 1937 em Memphis, Tennessee. Tipico filho do sul, cresceu no grande bairro negro da capital de um dos mais populosos estados do sul. Depois da escola chegou a altura de ir trabalhar. A escolha recaiu na Força Aerea norte-americana onde foi mecânico. Na altura sonhava em ser um dos ases do exército mas depressa se convenceu que teria mais futuro na representação. E assim foi. Depois de entrar em peças de teatro locais, deu o grande salto para a televisão na serie infantil The Electric Company. Durante quinze anos Morgan Freeamn seria mais conhecido pelo seu trabalho nos palcos e na televisão do que propriamente no universo cinematográfico. Em 1981 assumiu-se definitivamente como uma das maiores estrelas negras ao viver Malcom X em The Death of a Profet. Seguiram-se outros papeis cheios de vida como Harry and Son e Marie. Em 1987 chegava a primeira nomeação ao óscar pelo seu papel de chulo em Street Smart. Hollywood estava espantada com o seu talento e começaram a chover papeis. Com 50 anos era um inicio de carreira tardio mas que viria a revelar os seus frutos.

O final da década de 80 mostrou um Freeman em grande forma. Depois de vários papeis de sucesso chegava em 1989 a sua primeira nomeação ao óscar de Melhor Actor pelo notável desempenho de chauffer em Driving Miss Daisy. Poderia ter sido o primeiro negro a erguer a estatueta em vinte e cinco anos mas a vitória acabou por ir parar às mãos de Daniel Day-Lewis. Mas esse tinha sido um grande ano para o actor. Johnny Handsome e especialmente Glory - que marcou igualmente a ascensão de Denzel Washington e o seu primeiro óscar - mostraram que era já um actor de eleição.
The Bonfire of Vanaties e um interessante Robin Hood : The Prince of the Thieves marcaram a viragem de década mas seria no aclamado Unforgiven que Freeman voltaria a destacar-se dos demais.
Em 1994 chegava a sua terceira e última nomeação ao óscar, pelo seu assombroso desempenho como Red em The Shawshank Redemption. Derrotado por Tom Hanks, o veterano Freeman começava a caminhar para o restrito grupo dos injustiçados.

O ano seguinte abriu com mais um excelente desempenho em S7ven, seguindo-se Outbrake e Moll Flanders, dois filmes extremamente interessantes. Em 1997 voltava à ribalta com Amistad, o épico falhado de Steven Spielberg, e faria de presidente dos Estados Unidos (o primeiro negro a faze-lo) em Deep Impact. Cada vez mais respeitado, a verdade é que nos últimos anos foram papeis mais leves aqueles que deram notoriedade a Freeman. De Nurse Betty a Bruce Almighty (de novo o primeiro negro a fazer de Deus) passando por Levity, Dreamcatcher, The Sum of All Fears e Along Came a Spider.
Para este ano há uma leve esperança de voltar a ver Freeman num daqueles papeis oscarizáveis em The Million Dollar Baby de Clint Eastwood. Caso contrário há já dez projectos confirmados para os próximos dois anos, de Batman Begins a Edison passando por A Long Walk to Freedom onde viverá a mitica personagem de Nelson Mandela.
Próximo Charme de Outono - Nicholas Cage
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:56 PM | Comentários (2)
ÓSCARES 2004 Previsões - Melhor Actriz Secundária





Começamos a chegar às categorias mais importantes e também mais dificeis de se prever. O campo da representação é muito subjectivo e tudo pode mudar de um momento para o outro. Especialmente se falamos de papeis secundários. Quem imaginaria que Judi Dench, ao aparecer em apenas dez minutos de filme, seria coroada em 1998? A curiosidade este ano é saber quem sucederá a Renée Zellweger.

Pode estar a caminho a 14º nomeação de Meryl Streep ao óscares, um novo recorde. O seu desempenho em The Manchurian Candidate foi louvado por tudo e todos, havendo mesmo quem o considerava o papel de uma vida. Talvez uma abordagem exagerada, mas que, mesmo assim, mostra uma Streep em grande forma. Querida por todos na Academia, a nomeação parece estar garantida mas resta saber se esta quarta nomeação como acriz secundária culmina na sua terceira estatueta dourada. Merecida diga-se já!

Cate Blanchett é uma das mais conceituadas actriz do momento. No entanto, depois do seu notável desempenho em Elizabeth, já lá vão seis anos, Blanchett nunca mais conseguiu uma nomeação, apesar dos seus interessantes papeis em Veronica Guerrin ou Missing no ano passado. Este ano a situação pode alterar-se. A critica gostou de a ver encarnar a mitica Khaterine Hepburn em The Aviator e uma nomeação é altamente provável. Resta saber se é para ganhar a primeira estatueta dourada da sua carreira.

Laura Linney é uma das actrizes mais interessantes e consensuais em Hollywood. Depois de em 2000 ter sido nomeada para o óscar de Melhor Actriz por You Can Count on Me, a actriz desfez-se em interessantissimos papeis ao longo dos últimos anos. Este último em Kinsey pode acabar por valer-lhe a sua segunda nomeação. A verdade é que muito depende da forma como a Academia encarar este filme tão polémico, mas se a aaliação for positiva, esta é uma nomeação esperada.

Se todas as atenções no filme Ray vão para o papel de Jamie Foxx, a verdade é que todos são igualmente unânimes em desfazerem-se em elogios a Kerry Washington.
Uma actriz cheia de garra e de força que agora, no inicio da carreira, pode convencer a Academia a ir na sua onda. E se Ray for candidato a melhor filme, como alguns sugerem, então esta nomeação torna-se ainda mais esperada. O problema - que nos casos dos actores secundários não é assim tão relevante como isso - é a inexpressiva carreira da actriz até hoje. Mas se a performance for levada em conta, Kerry Washington pode muito bem lutar pelo prémio final.

Não só é uma das peças nucleares de um mais do que provável candidato a Melhor Filme, como é desde há muito uma filha da industria cinematográfica. Por tudo isso uma nomeação de Natalie Portman ao óscar surgiria como algo natural. O seu desempenho no filme Closer é polido e interessante e depois de nos últimos anos a Academia ter dado a entender que gosta de nomear jovens actrizes, a sua presença poderia ser vista como certa. O problema é que a jovem Bryce Dallas Howard pode ser desviada para esta categoria, e como não se vislumbra uma candidata veterana entre estas cinco nomeadas (como Irma P. Hall, Cloris Leachman, Lauren Bacall), este lugar pode ficar para alguém com mais substância e história.
QUEM PODE SER NOMEADO

Angelina Jolie (Alexander) - Já venceu esta categoria e por isso é improvável que vença de novo. Mesmo que o seu papel em Alexander seja bom. Mas se o filme contrariar a tendência negativa que tem surgido na imprensa (a estreia hoje pode ajudar a perceber o impacto junto do público), então uma nomeação de Jolie seria algo natural.

Irma P. Hall (The Ladykillers) - Venceu o prémio especial de interpretação em Cannes e isso já é dizer muito. Além do mais as mulheres dos filmes Coen normalmente são bem vistas pela Academia.

Lauren Bacall (Birth) - Mais do que uma veterana, é já um mito em Hollywood. Depois de há mais de uma década ter perdido para Marisa Tomei o seu primeiro óscar, há quem diga que esta ano pode voltar à ribalta.

Bryce Dalas Howard (The Village)- Apesar de ser a actriz principal em The Village, pode sofrer o mesmo efeito de Timothy Hutton em 1980. Ou seja, ser desviada para a categoria de actriz secundária onde teria mais hipóteses de vencer.

Kate Winslet (Finding Neverland) - Caso a Academia não considere o seu papel como principal no filme de Marc Forster e não a nomear por Eternal Sunshine of the Spotless Mind, então o ano pode salvar-se com esta nomeação de consolação. Seria a sua quarta em dez anos e começa a sentir-se que já merece a estatueta.
QUEM DEVIA SER NOMEADO?
Meryl Streep
Cate Blanchet
Kerry Washington
Bryce Dallas Howard
Kate Winslet
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:43 AM | Comentários (3)
Primeiro trailer de The Interpreter
Foi colocado online pelo Yahoo Movies, o primeiro trailer de The Interpreter, um dos filmes mais fascinantes do próximo ano. Nicole Kidman e Sean Penn são as estrelas deste trhiller intenso dirigido por Sidney Pollack.
Kidman vive o papel de uma tradutora sul-africana que descobre nas Nações Unidas informações que mais ninguém deveria conhecer. Agora tem de convencer a personagem de Sean Penn para poder sobreviver.
O filme tem estreia marcada para 18 de Fevereiro do próximo ano e o trailer pode ser visto se clicarem na imagem.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:30 AM | Comentários (3)
Kevin "Luthor" Spacey
É oficial. Kevin Spacey vai mesmo viver a nemesis do Homem de Aço no próximo Superman.
Depois de Bryan Singer ter persuadido Spacey a arranjar tempo no seu complicado calendário para 2005. o actor de The Usual Suspects e American Beauty prepara-se para viver Lex Luthor.
É o reencontro de Singer e Spacey, depois do trabalho que valeu ao actor o seu primeiro óscar, e é uma boa nova para os directores da Warner que estavam desejosos por ter um nome ilustre no elenco do filme, depois da escolha surpresa de Brandon Routh para Superman.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:18 AM
novembro 23, 2004
Charme de Outono : Michael Douglas - O peso de um nome
Ser filho de um dos actores mais carismáticos do periodo dourado de Hollywood não é fácil para qualquer um. Muitos foram aqueles que não conseguiram honrar o nome do pai. Talvez por isso mesmo se perceba que a escolha de uma carreira em moldes diferentes tenha ajudado a consolidar a sua imagem junto de um grande público.

Nascido e criado no mundo do cinema, era pouco provável que figusse dele. Filho do lendário - e felizmente ainda vivo - Kirk Douglas , nasceu a 25 de Setembro de 1944 em New Jersey, na costa leste dos Estados Unidos.
Na verdade Michael cresceu longe do pai. Aos seis anos a separção dos pais fez com que só visse Kirk nas férias, altura em que ele o levava para Hollywood. Apesar desde esses dias ter dito que queria seguir uma carreira de actor, encontrou a oposição do pai que via na indústria cinematográfico algo de prejudicial para o desenvolvimento pessoal de um individuo tal as suas caracteristicas. Mas Michael não lhe deu ouvidos. E depois de algum treino, em 1969 viria a sua estreia profissional em Hail, Hero!. Michael tinha 25 anos. Desde logo catalogado como o "novo Kirk Douglas", preferiu apostar num estilo diferente de interpretação e de papeis. Depois de alguns pequenos papeis no cinema, destacou-se ao lado de Karl Malden na popular serie televisiva The Streets of San Francisco. O sucesso da serie grangeou-lhe vários admiradores. No entanto a sua primeira consagração viria não como actor, mas sim como produtor. One Flew Over the Cuckoos Nest foi o Melhor Filme de 1975, e como produtor do filme, Michael levou para a familia Douglas o primeiro óscar. Com 31 anos tinha ganho o que o pai nunca tivera em trinta anos de carreira.

Depois do sucesso da sua primeira produção, Douglas voltou ao cinema em The China Sindrome, filme que também produziu. Um acidente de viação em 1980 afastou-o durante algum tempo do grande ecrãn e foi na comédia que Michael Douglas se encontraria finalmente. Em três filmes ao lado de Kathleen Turner, Romancing the Stone, The Jewel of the Nile e The War of the Roses, conseguiu os seus primeiros sucessos de bilheteira. Em 1987, no seu primeiro papel sério - depois de ter igualmente estrelado Fatal Atraction - venceu o óscar de melhor actor pelo seu desempenho em Wall Street. Uma vitória contestável mas que acabou por confirmar a sua tendencia ganhadora. Tornou-se o segundo homem, a seguir a Lawrence Olivier, a vencer um óscar por Melhor Filme e por Melhor Actor. Algo que mais ninguém até hoje conseguiu.

Depois de uns anos parado, Michael voltou em grande estilo em 1992 no filme Basic Instinct. Ao lado de Sharon Stone, ajudou a popularizar este trhiller erótico e voltou a conseguir um exito de bilheteira. Seguir-se-iam filmes mais leves como The American President, The Ghost and the Darkness e o notável The Game. A sua carreira tinha agora estabilizado em pequenas produções de sucesso como A Perfect Murder ou Wonderboys, os seus trabalhos de maior destaque no final dos anos 90. O sucesso de Traffic em 2000 podia ter ajudado a revitalizar a sua carreira mas isso não acabou por acontecer. Douglas continua a cultivar a sua faceta de produtor (já produziu filmes como Starman e Face Off) e agora é mais celebre pelo seu milionário casamento com a actriz galesa Catherina Zeta-Jones do que pelo que faz no cinema. Mas a verdade é que é um nome marcante da história do cinema dos últimos vinte e cinco anos e merece todo o mérito por isso.
Próximo Charme de Outono - Morgan Freeman
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:11 PM | Comentários (3)
Gibson acredita que a fé pode dar óscares
É acima de tudo curioso. Mel Gibson, o realizador do mais do que polémica Passion of Christ, recusa-se a fazer campanha pelo seu filme para a próxima cerimónia dos óscares.
Segundo Gibson será a "fé e não o dinheiro" que vão premiar a sua versão da crucificação de Jesus Cristo. Gibson, perito em campanhas antes dos óscares - foi assim que Braveheart venceu em 1995 - acredita que não vale a pena a Icon Films, a sua produtora gastar dinheiro de forma desnecessária. No entanto os membros da Academia vão receber cópias piratas do filme em casa.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:49 PM | Comentários (1)
ÓSCARES 2004 Previsões - Melhor Argumento Original





Categoria disputadissima habitualmente por novos valores da escrita de guiões, este ano o cenário inverte-se. Os grandes épicos do ano vão concorrer aqui e isso despertará grande interesse porque o vencedor levará vantagem para o resto da noite. Há também a hipótese da Pixar nomear o seu filme pelo segundo ano consecutivo, o que ainda torna a situação mais interessante de se seguir.

The Aviator surge como o mais forte candidato nesta categoria. Escrito por John Logan, este filme narra a vida de Howard Hughes mas, o mais importante é que pode significar a redenção de Martin Scorcese. Se The Aviator quiser ganhar a noite, esta é uma categoria obrigatória.

O mesmo se passa com Alexander. As criticas nos Estados Unidos têm sido arrasadoras para a tremenda ambição de Stone, mas ele é um favorito da Academia (já tem dois óscares) e não seria a primeira vez que um filme com más criticas vence os óscares e depois conhece um volte face na forma como os criticos vêm a obra. Aconteceu isso em 1997 com Titanic (o favorito era LA Confidential e a critica não era nada adepta do mega-blockbuster de James Cameron) e pode acontecer este ano com Alexander.

Escrito pelo autor do aclamado Gods and Monsters, este Kinsey é uma aposta praticamente segura para esta categoria. O filme que conta com Liam Neeson no principal papel (e na hipótese de ter a segunda nomeação) fala sobre a vida do primeiro grande sexólogo norte-americano, Alfred Kinsey. O argumento é hilariante e pode ser um verdadeiro "upset".

Eternal Sunshine of the Spotless Mind não deverá ser nomeado. Nada o indica. Apesar da genialidade do argumento de Kaufman. Mas é Kaufman e este é hoje em dia o maior argumentista independente de Hollywood. Se Being John Malkovich e Adaptation foram nomeados, então espera-se que o mesmo suceda com este notável filme de Michael Gondry. E pode ser que à terceira seja de vez para Kaufman.

Vera Drake, filme de Mike Leigh, um dos mais aclamados realizadores realistas da última década em Inglaterra, pode conseguir uma nomeação surpresa nesta categoria.
Com duas nomeações como argumentista (Topsy-Turvy e Secrets and Lies) esta noite pode tambéms ser a da sua consagração. Mas uma nomeação não está garantida à primeira. Mar Adentro, Ray ou Beyond the Sea são igualmente candidatos fortissimos e há a hipótese de, pelo segundo ano consecutivo, um filme Pixar estar entre os eleitos.
QUEM PODE SER NOMEADO

The Incredibles

Ray

Mar Adentro

Beyond the Sea

Spanglish
QUEM DEVIA SER NOMEADO?
The Aviator
Alexander
Kinsey
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Beyond the Sea
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:51 AM | Comentários (4)
ÓSCARES 2004 Previsões - Melhor Argumento Adaptado





Por muito estranho que pareça, este ano a competição mais interessante está na categoria oposta. O Melhor Argumento Adaptado conta com alguns guiões dramáticos, misturados com filmes de menor projeção. O grande vencedor desta categoria poderá ser um dos mais fortes candidatos ao prémio final.

Finding Neverland é visto como um dos mais punjentes argumentos do ano. O filme de Marc Forster é um dos mais serios candidatos ao titulo final e o argumento de David Magee é o alvo a abater nesta categoria. Normalmente o vencedor do argumento acaba por ser o grande vencedor na categoria de Melhor Filme. Uma vitória aqui poderia significar uma noite de glória para a produção da Miramax.

Closer será provavelmente o grande rival de Neverland. O filme de Mike Nichols aposta num estilo que já teve o seu sucesso com Who´s Affraid Virginia Woolf e The Graduate. O guião de Patrick Marber, autor da peça que fez furor em Londres e na Broadway, tem sido visto como demasiado superficial, mas na hora de toda a verdade pode surgir como um vencedor incontestado.

Sideways é a nova aposta de Alexander Payne, um dos enfants-terribles do universo hollywoodesco. Depois de escrever e realizar o argumento de About Schimdt, o jovem realizador-argumentista, juntou-se a Jim Taylor para escrever Sideways, filme sobre as agruras de um homem prestes a dar o nó. Um filme que pode ter nomeações surpresas (atenção a Paul Giamatti) e que será sempre um candidato interessante, já que Hollywood gosta de premiar os seus novos meninos bonitos.

Diarios de Motocicleta, o tal filme sobre o jovem Guevara, tem um poderoso argumento de José Rivera.
O filme de Walter Salles surge como um "cavalo que corre por fora" nesta cerimónia, mas a crescente simpatia da Academia em relação ao cinema sul-americano (lembrem-se de Cidade de Deus) pode significar desde já uma nomeação a este poética filme. Numa altura em que se volta a falar de Gael Garcia Bernal como eventual pré-nomeado para Melhor Actor, uma nomeação nesta categoria poderia reforçar as pretensões deste filme na cerimónia.

Un Long Dimanche de Fiançailles é a grande aposta do cinema francês dos últimos 10 anos. Este "Amelie vai á guerra" irá certamente conhecer algumas nomeações nas categorias mais técnicas, mas o grande teste para Jean Pierre Jeunet será mesmo uma presença numa categoria tão influente. Senão a candidatura a Melhor Filme, com que a Warner tanto sonha, está hipotecada.
QUEM TAMBÉM PODE SER NOMEADO

The Phantom of the Opera

The Passion of Christ

Shrek 2

P.S.

Being Julia
QUEM DEVIA SER NOMEADO?
Diarios de Motocicleta
Finding Neverland
Closer
Sideways
The Passion of Christ
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:59 AM | Comentários (4)
novembro 22, 2004
Charme de Outono : Liam Neeson - Um irlandês carismático...
Ao longo de vinte e cinco anos de carreira as suas performances ficaram sempre indelavelmente marcadas por um enorme carisma. Caracteristica que ele trouxe do calor humano dos pubs para os corações de algumas personagens mais importantes dos nossos dias. Um actor que merece mais crédito do que lhe parecem querer dar...

Este filho da Irlanda nasceu a 7 de Junho de 1982 em Bayllimena, na Irlanda do Norte. Mais tarde usaria toda a sua aprendizagem pessoal para recriar a personagem de Michael Collins.
Desde muito jovem aprendeu que precisa de trabalhar para ganhar a vida. Fez um pouco de tudo, desde operário na mitica fábrica Guiness a camionista, passando pelo boxe amador. Apesar de ter intenções de se tornar professor de inglês, em 1976 inscreveu-se no Belfast Lyric Players' Theater pelo qual se estreou no mesmo ano como actor profissional. A partir daí a sua carreira ficaria marcada por estes primeiros anos no meio teatral de Dublin.

John Boorman reparou nele e decidiu escolhe-lo para entrar no seu Excalibur. Estavamos em 1981 e apesar de alguns pequenos papeis nos anos anteriores, esta seria a sua verdadeira estreia cinematográfica.
Durante a década de 80, Neeson dividiria a sua carreira pelo teatro, televisão e cinema, com relativo sucesso.
Na serie televisiva Ellis Island conheceria a sua futura mulher, Natasha Richardson, da qual tem hoje dois filhos. Apesar disso o casamento aconteceria mais tarde, tendo Neeson durante uma década namorado com algumas das estrelas de Hollywood como Brooke Shields e Julia Roberts.
No cinema o filme Bounty em 1984 e The Mission em 1986 deram-lhe notoriedade, algo que só no final da década, em Darkman, conseguiria de novo. Por essa época brilhava igualmente em grande estilo nos palcos londrinos.

O inicio da década de 90 iria consolidar definitivamente o seu nome em Hollywood. Primeiro em Husbands and Wifes de Woody Allen e depois em Ruby Cairo. Em 1993 o papel que lhe deu fama. Escolhido por Steven Spielberg para viver Oskar Schindler, Neeson conseguiu o seu melhor desempenho até então. O filme, Schindler´s List, foi o grande vencedor dos óscares desse ano mas Neeson não passou da nomeação, a única até hoje.
No ano seguinte estaria ao lado de Jodie Foster em Nell e Rob Roy mostraria um Neeson mais virado para a acção em 1995. Chegou a ser considerado para James Bond, mas perdeu a corrida para o compatriota Pierce Brosnan.
No entanto em 1996 chegou a sua melhor performance de sempre como o revolucionário irlandes, Michael Collins no filme homónimo. Apesar de ter falhado em convencer a critica, será sempre uma das prestações mais aclamadas desse ano.

Depois de três anos de pouca actividade, novo papel de destaque, desta feita no inicio da segunda trilogia de Star Wars. Em Phantom Menace, Neeson mostra todos os seus dotes de espadachim enquanto dá uma profundida dramática ao filme. Seria o seu último grande desempenho em quase cinco anos. Um periodo de prestações menos felizes marcaria a viragem de século para o irlandes. Seria preciso chegar Gangs of New York e Love Actually para que Liam Neeson conseguisse relançar a sua carreira junto do grande público. Este ano já, vai ser a estrela de Kinsey, filme pelo qual cogita-se que pode conquistar uma segunda nomeação ao óscar. E já para 2005 tem agendado Kingdom of Heavan e Batman Begins. A prova de que um grande actor está sempre vivo, mesmo quando menos o esperamos.
Próximo Charme de Outono - Michael Douglas
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:12 PM
The Aviator com novo poster
Foi hoje divulgado um novo poster de The Aviator.
Este filme de Martin Scorcese fala sobre a vida atribulada de Howard Hughes, multimilionário dos anos 30 e amante de aviões. A sua paixão era tal que gostava de construir modelos e dar-lhes vida. A sua enorme paixão por mulheres ficou igualmente para a história, tendo-se relacionado com algumas das mulheres mais famosas do seu tempo.
Leonardo di Caprio é a estrela do filme, e procura a sua primeira nomeação ao óscar. Um elenco secundário recheado de estrelas compõe o elenco deste que é sem duvida um dos grandes três candidatos ao óscar.
UPDATE - Foi divulgado o poster com alta-resolução. Aqui fica!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:06 PM | Comentários (1)
Parabéns Scarlett
A musa oficial do Hollywood está de parabens. Scarlett Johansson cumpre hoje 20 anos de idade. Para comemorar o facto decidimos recuperar