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novembro 12, 2004
Charme de Outono : Brad Pitt - O Menino Bonito
Desde bem cedo que se converteu num dos grandes sex-symbols dos nossos dias. Mas ao longo dos últimos quinze anos soube também conseguir mostrar que vale bastante como actor. Resta saber como o seu futuro se vai desenrolar. Será ele que decidirá se Brad Pitt encontrará o seu lugar na história do cinema...

Nasceu a 13 de Dezembro de 1963 bem no centro dos Estados Unidos no estado de Oklahoma. Os pais baptizaram-no William Bradley Pitt e quando ainda era pequeno levaram-no para Springfield no Missouri. Brad Pitt cresceu assim num ambiente tradicionalista do sul dos "states". Era um brilhante aluno na escola, algo pouco comum com muitos dos actores da sua geração. Era craque em desporto, mas também em teatro, equipas de debate e ajudava também a dirigir o jornal da escola. E foi em jornalismo que se viria a inscrever na Universidade do Missouri. Apesar de ser bom aluno faltaram-lhe dois créditos para terminar o curso. A razão? Pitt tinha sido convencido a partir para a Califórnia onde alguém certamente estaria mais atento aos seus talentos de representação. E assim foi ele para Hollywood procurar a sua oportunidade. No entanto demorou até ser finalmente notado. Para sobreviver Brad fazia um pouco de tudo, desde guiar limousines até vestir-se de galinha para publicitiar um restaurante no centro de Los Angeles. Mal sabia ele que acabaria eventualmente por ser tornar num dos icones da Hollywood dos anos 90.

Depois de curtos papeis na televisão estreou-se em 1989 no horror film Cutting Class. Não comprometeu e depois de um ano inteiro apenas a trabalhar para a televisão acabou por ser escolhido por Ridley Scott para entrar ao lado de Geena Davies e Susan Sarandon no road-movie Thelma and Louise. As suas cenas arrebatadoras com Davies convenceram a critica, que o nomeou uma das 10 maiores promessas do ano, e o público que viu imediatamente nele todos os traços de sex-bomb masculino.
Ainda em 1991 Pitt seria Johnny Suede e entraria também no thriller Across the Tracks. No ano seguinte os pontos mais altos acabariam por ser Cool World e A River Runs Trough It. 1993 seria o ano de Kalifornia, onde voltou a dar uma interessante interpretação e em 1994 chegaria o seu primeiro papel principal de destaque em Interview With the Vampire onde viveria Louis de Pointe du Lac, um vampiro com escrupulos. A sua carreia começava a descolar e o ano seguinte acabaria por se revelar o seu ano dourado.

Depois de ter recusado participar em Apollo´s 13 para poder juntar-se a Bruce Willis em Twelve Monkeys, o jovem Brad Pitt, que tinha acabado de ser nomeado como o homem mais sexy à face do plante pela People Magazine, convenceu tudo e todos com a sua notável performance. O prémio seria a sua nomeação, única até hoje, para o óscar, na categoria de melhor actor secundário. E apesar de não ter ganho, Pitt seria um dos actores do ano graças igualmente ao seu excelente desempenho no fabuloso S7ven, filme de David Fincher onde partilhava o ecrãn com Morgan Freeman, Kevin Spacey e a bela Gwyneth Paltrow com quem começaria uma relação que acabaria em 1997, apesar de por essa altura os dois actores estarem já noivos e serem a grande sensação de Hollywood.
Um ano tão bom indicava a muitos que a partir de agora era sempre a subir mas em 1996 Brad Pitt apenas entrou em Sleepers, filme aplaudido pela critica mas que falhou em ser o sucesso que se esperava. No ano seguinte, no entanto, Pitt voltaria aos seus grandes momentos. Primeiro em The Devil´s One, um excelente filme de acção onde, ao viver um rebelde terrorista do IRA, Pitt contracena com Harrison Ford. E depois em Seven Years in Tibet, filme marcante mas que falhou em ser o sucesso que se esperava. Por causa do seu desempenho Pitt ficou proibido, até hoje, de entrar na China. Mesmo assim o filme revelava um actor já bastante maduro, pronto a encarar de frente os obstáculos que se seguiriam.

A prova de fogo de Pitt para muitos chegou em 1998 ao lado de Anthony Hopkins. O filme era Meet Joe Black e a maioria dos amantes do cinema, que depositavam em Pitt grandes esperanças para ser um dos lideres da sua geração - o que viria a não acontecer - queriam ver como o actor se safava ao lado de uma estrela como Hopkins. O filme foi um sucesso e o jovem passou no teste com distinçao encarnando uma morte gélida e extremamente sedutora. E no ano seguinte, de novo ao lado de David Fincher, chegou Fight Club, filem que se tornaria rapidamente um titulo de culto e que granjeou a Pitt inumeros fãs, especialmente pelo seu desempenho explosivo. Também em Snatch, filme hilariante de Guy Ritchie, deu um show de interpretação e mostrou que era um actor já feito. Faltavam agora papeis de destaque em produções feitas para ganhar e não apenas para fazer dinheiro. Só que elas tardavam em aparecer. O facto de ter sido o primeiro homem a ser eleito duas vezes o homem mais sexy à face do planeta pela revista People reforçava a ideia dos estudios de que Pitt era mais um menino bonito do que propriamente um actor de qualidade. E assim o actor entrou no novo século em filmes menores.

Primeiro seria The Mexican, onde contracenava com a recem-oscarizada Julia Roberts. O filme foi um fracasso em toda a linha e condenou a ambição de Pitt em atingir voos mais altos. Seguiu-se Spy Game, filme de acção com Robert Redford que também falhou em assumir-se como uma referência no genero acabando Brad por ter de se render ao cinema de Soderbergh. Primeiro em Ocean´s Eleven e depois em Full Frontal, foi um Brad Pitt relaxado e numa onda cool que surgiu diante dos espectadores. O actor tinha acabado de casar com a também actriz Jennifer Anniston e tinha-se fartado de procurar papeis. Agora, achava ele, deveriam ser os papeis a bater-lhe à porta. A amizade com o grupo de Soderbergh, que inclui George Clooney e Julia Roberts, acabou por facilitar a sua participação no primeiro filme realizado por Clooney, Confessions of a Dangerous Mind e no próximo Ocean´s Twelve, cuja estreia está agendada para Dezembro.

Foi mais ou menos por essa altura que lhe chegou às mãos o papel que ele esperava à tanto tempo. A Warner Bros queria produzir um verdadeiro épico histórico e pensou imediatamente em Pitt para viver o papel mitico de Aquiles. O actor nem pensou duas vezes e entrou na super-produção de Wolfgan Peterson. Depois de um treino intensivo - intercalado apenas pelo filme Sinband and the Seven Seas em que deu a voz ao personagem principal - tinha chegado a hora de brilhar finalmente. Só que em Troy a estrela acabou por ser Eric Bana e Brad Pitt sofreu com a forma como o realizador alemão abordou o filme. Um fracasso junto da critica, pouco aplaudido junto do público, e mais uma oportunidade perdida para Brad Pitt brilhar. Oportunidade que vai tentar recuperar certamente nos próximos anos, primeiro com Mr and Mrs Smith e depois com a adaptação de The Time Traveler's Wife juntamente com Jennifer Anniston com a qual faz um dos casais mais poderosos de Hollywood.

Brad Pitt é ainda hoje visto mais como um sex-symbol do que como um actor. Apesar de muitos terem pensado nele como o porta estandarte da sua geração, a verdade é que até hoje o actor tem falhado em afirmar todo o seu talento, um pouco como o amigo Tom Cruise. Talvez o que falte sejam projectos de maior envergadura ou um pouco de sorte. Mas com 41 anos está na altura de Pitt definir um rumo para a sua carreira. Os seus próximos anos serão portanto extremamente interessantes de seguir.
Próximo Charme de Outono - Denzel Washington
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às novembro 12, 2004 11:39 AM
Comentários
Oi gostaria de dizer que adorei.Adorei as atuações do Brad, Troia esta um espetaculo pena que no filme Aquiles mata Heitor mas tudo bem.
Parabens pela iniciativa e trabalho.
Juliana
Publicado por: Juliana Sollvix às dezembro 30, 2004 12:35 AM
Essa entrevista só fez aumentar o grande conceito que tenho sobre o Brad Pitt: Ele é realmente TUDO DE MARAVILHOSO, extremamente EXCEPCIONAL, é um HOMEM que eu daria casa, comida roupa lavada, passada e engomada, eu seria todinha e todo dia só dele, ainda o sustentaria pra toda vida.
Publicado por: Diana às dezembro 29, 2004 02:09 PM
maravilhoso!!!
adorei a materiasobre o brad!!!
como pode? esse homem e maravilhoso!!!
Publicado por: janaina às dezembro 19, 2004 10:21 PM
Amei as fotos, gente... fala sério, o Brad Pitt é um verdadeiro DEUS!
Publicado por: Ana às novembro 26, 2004 05:48 PM
São na verdade os próprios protagonistas que potenciam esta relação próxima entre vida profissional e vida pessoal. O facto de muitas relações terminarem/começarem durante a rodagem de filme, de muitos actores construirem carreiras à volta de factos da vida privada que saltam cá para fora diz-nos claramente uma coisa: os actores não representam apenas nos sets. Toda a sua vida é criada para representar algo. Quando uma actriz coloca silicone nos seios ou um actor é eleito o homem mais sexy do mundo não é algo que não se possa relacionar com as carreiras. Pelo contrário. Se apenas descrevessemos os seus feitos profissionais estariam a dar informaçoes importantes porque os contextos da vida pessoal reforçam as escolhas profissionais. Muitos não perceberiam, por exemplo, o porquê do Brad Pitt ter feito quatro filmes consecutivos com o "grupo Soderbergh" se nao explicassemos que ele proprio acabou por se tornar membro desse grupo.
Há que ser sóbrio na biografia que se apresenta - creio que o Charme de Outuno consegue melhor isso que as Brasas de Verao, até pelo contexto dos nomes escolhidos - e penso que se conseguir-mos isso estamos a ser bem sucedidos.
um abraço e obrigado pelo comentário
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às novembro 12, 2004 06:15 PM
Uma das coisas que acho piada nestas "biografias" dos actores de Hollywood é como há sempre a tentação do autor dos textos falar tanto da vida profissional como da privada. Como se nesta profissão fizesse parte do "jogo". Se fosse uma biografia dum jogador de futebol ou dum político isso seria apenas uma nota de rodapé, aqui assume-se como algo integrante da vida profissional.
Depois acontece outra coisa engraçada. Os actores escolhem os papeis conforme a parte da vida privada (ou pública") que querem desmistificar. O "menino bonito"faz o papel de atrasado mental em "12 macacos", depois o actor sério que já não consegue ser o menino bonito faz o "The Mexican", etc.... Impressionante como tudo interage de forma promíscua entre a imagem e a interpretação, entre a representação e a bilheteira...
Publicado por: Ricardo às novembro 12, 2004 04:00 PM