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dezembro 29, 2004

Cinema em 2004 - Enciclopédia do Ano Cinematográfico

O Hollywood estreia aqui esta rubrica especial que visa recolher, de forma sucinta, os aspectos mais relevantes do que se passou no mundo do cinema durante 2004. De A a Z o cinema viveu grandes momentos ao longo do ano e não poderiamos passar esta oportunidade sem os relembrar...

A - Academia de Blogs de Cinema
Fundada a 10 de Junho por um conjunto de 20 blogs de cinema, a ABCIne é hoje um espaço pioneiro a nivel mundial. Apesar de não ter tido o apoio e notoriedade que merecia, soube sempre manter-se viva dentro do espirito original. O novo ano trará o seu mais ambicioso projecto, os prémios Lumiere, os primeiros prémios de uma comunidade de blogs de cinema em todo o mundo. Com o novo site e uma equipa cada vez mais dinâmica o próximo ano pode muito bem ser o da consolidação no espaço online desta notável associação.
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B - Bill Murray
O seu desempenho em Lost in Translation foi aclamado pela critica. Foi o renascer da carreira de um actor promissor que passou por um periodo quase de obscurantismo profissional. Venceu dezenas de prémios ao longo de 2004, tendo perdido no entanto o mais desejado, o óscar, para Sean Penn. O seu novo projecto The Life Aquatic of Steve Zissou mostra que está ainda em boa forma.

C - Charlize Theron
Não foi a surpresa da noite dos óscares mas a sua evolução como actriz deve ter deixado muitos de boca aberta. Esta deslumbrante sul-africana é hoje uma das mais consagradas jovens actrizes do mundo e a sua transformação espantosa em Monster valeu-lhe um óscar precoce. Agora vai ter de provar nos próximos anos que os seus pares não se enganaram ao coroá-la como uma das actrizes do ano.

D - Depp, Johnny
É hoje um dos maiores actores do mundo e está no ponto mais alto da sua carreira. Conseguiu uma importante vitória no Screen Actor´s Guild em Fevereiro e já este ano brilhou em Secret Window e Finding Neverland. É um dos grandes candidatos ao óscar de melhor actor, um prémio mais do que justo para um dos simbolos do cinema norte-americano.

E - Épicos Falhados
Não foi um, não foram dois mas sim três os épicos históricos em 2004. E se pensarmos que King Arthur sempre foi feito como um blockbuster restam-nos Troy e Alexander. Apesar de terem sido os filmes mais caros do ano foram também os maiores fracassos, em toda a linha. Argumentos incoerentes, interpretaçóes mediocres e realizações desastrosas fizeram com que o genero épico voltasse ao obscurantismo onde estava quando Ridley Scott o ressuscitou com Gladiator. Veremos se em 2005 Scott volta como anjo-salvador com Kingdom of Heaven.

F - Farenheith 9/11
Foi o documentário mais polémico do ano. Feito para destronar George Bush da presidência dos Estados Unidos, o filme de Michael Moore marcou o ano cinematográfico de uma maneira contundente. As vitórias em Cannes auguravam um sucesso em toda a linha mas a reeleição de Bush destruiu o sonho do polémico documentarista. Critico em relação à Guerra do Iraque e às relações os Bush com Osama Bin Laden, este projecto será um marco histórico dos nossos dias.

G - Gael Garcia Bernal
É a jovem revelação do ano. Apesar de já ser conhecido do público especializado por papeis em Amores Perros, El Crime del Padre Amaro e Y Tu Mama Tambien, este é sem dúvida alguma o ano de Bernal.
Depois de ter trabalhado para Almodovar num triplo papel em La Mala Educacion, atingiu uma das maiores interpretações do ano ao viver a mitica personagem de Ernesto Che Guevara em Diarios de Motocicleta. Vai trabalhar com Michel Gondry no próximo ano e é apelidado por muitos como o Marlon Brando dos latinos.

H - Hollywood
Nasceu a 17 de Abril de 2004 e rapidamente se tornou num espaço de referência junto dos amantes do cinema em Portugal. Foi um dos nomes fundadores da ABCine e é hoje um dos sites de cinema mais visitados do pais. Atingiu já as 15000 visitas e os 500 posts, tudo isso em oito meses de trabalho solitário.

I - "Indies"
O cinema indepenente continua bem vivo e este ano provou-o. Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Lost in Translation, 21 Grams, In America, Before the Sunset e tantos outros filmes provaram que não é preciso estar sob a alçada de um grande estúdio para se fazer um grande filme. E com Sideways aí à porta resta saber se a altura de um indie vencer um óscar está para chegar.

J - Johansson, Scarlett
É provavelmente uma das mulheres mais belas e talentosas do mundo. Aos 20 anos de idade a jovem Scarlett tem o mundo a seus pés. Em Girl With a Pearl Earring e Lost in Translation conseguiu arrancar dois dos maiores desempenhos do ano, isto para uma actriz quase desconhecida. Tem o futuro escrito a letras de ouro e um lugar junto das grandes divas do cinema já reservado de antemão.
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K - Kauffman, Charlie
Ninguém tem duvidas que é o argmentista mais talentoso de Hollywood. E o mais alternativo também. Depois dos sucessos Being John Malkovich e Adaptation, este ano Kauffman escreve a beleza do amor e da vida como poucos conseguiram fazer em Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Apesar das notáveis performances de Carrey e Winslet e da excelente realização de Gondry, os créditos do filme têm de ir para este genial escritor.

L - Lost in Translation
Um dos grandes filmes do ano. Não há duvida alguma que Sofia Copolla compôs uma fábula maravilhosa sobre a solidão, o amor e a amizade na longinqua cidade de Tóquio. O filme tem tudo. Dois actores de excepção, uma realização soberba, uma banda sonora divinal e toda uma atmosfera que convida a um passeio pelas nuvens. Do melhor que se fez nos últimos anos.

M - Marlon Brando
Um dos maiores - há quem diga o maior - actores de cinema de todos os tempos faleceu este ano, deizando o mundo dos vivos para ascender ao trono dos mitos da 7º arte. Estudou na consagrada escola Actors Studio e fez a diferença pelo seu estilo de representação, intensa e extremamente carnal. Papeis como Stan Kowalsy, Marco António ou Vitto Corleone fizeram dele uma figura incontornável. E a sua perda será uma ferida que nunca acabará por sarar.
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N - Nova Geração
Começa a despontar uma nova vaga de talentosos actores que é importante acompanhar. Desde Diane Kruger, Scarlett Johansson, Bryce Dallas Howard e Emmy Rossum são algumas actrizes que prometem. Já Rodrigo de la Serna, Gerard Butler, Gael Garcia Bernal e Colin Farrel são cada vez mais confirmações entre os jovens actores.

O - Oscares
Uma cerimónia marcada pelo sucesso completo de The Return of the King. O terceiro episódio da trilogia Lord of the Rings conquistou 13 óscares, tornando-se num dos filmes com mais estatuetas douradas conquistadas. Peter Jackson foi igualmente coroado com o melhor realizador. Sean Penn e Tim Robbins, na vertente masculina, e Charlize Theron e Reneé Zellweger entre as senhoras foram igualmente vencedores.

P - Pixar
É provavelmente o estudio de cinema mais dinâmico dos nossos dias. Todos os anos sai uma pequena peróla dos gabinetes da Pixar. Em 2003 foi Finding Nemo e este ano a obra-prima é The Incredibles. Com rivais tão fortes como a DreamWorks e a Warner Bros. é dificil perceber como é que a Pixar consegue fazer coisas tão boas de forma tão simples.

Q - Quentin Tarantino
O realizador pulp voltou ao seu melhor em 2004. Depois de um confrangedor Kill Bill v.1, o realizador de Pulp Fiction conseguiu voltar ao seu melhor com o segundo episódio da vingança da noiva. Kill Bill v.2 não só é um dos filmes do ano como mostra que apesar de irreverente, há uma parte de Tarantino virada para um cinema mais mainstream.

R - Return of the King
Foi o grande vencedor dos óscares de 2003 alcançando números que poucos imaginavam ser possivel. Tornou-se num dos maiores sucessos de bilheteira da história do cinema. É um épico como poucos. E agora, com a divulgação da edição especial com mais 48 minutos de filme, podemos ver ainda mais cenas fabulosas das equipas de filmagem lideradas por Peter Jackson. Vai ser um marco da história do cinema durante muitos e longos anos.
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S - Sean Penn
Em 2003 fez 21 Grams e Mystic River. Este ano é a vez de The Assassination of Richard Nixon. E para o ano há The Interpreter e All the Kings Men. Nunca um actor esteve em tão boa forma nos últimos tempos como está Sean Penn. O actor viu finalmente justiça ser feita e conquistou o óscar pelo seu desempenho como pai vingador no filme de Eastwood, mas a critica também o aplaudiu pelo seu papel no filme de Inirratu. É caso para dizer que é sem dúvida algumas um dos melhores do mundo no que faz.

T - The Passion of Christ
O filme mais polémica de 2004. Mel Gibson, imbuido de fé, quis fazer um filme sobre as últimas 24 horas da vida de Jesus Cristo. Um filme realista, um filme castigador, um filme dificil de engolir. Muito sangue, corpos rasgados e tensão dramática. Muito pouca profundidade de diálogo. The Passion of Christ era um retrato ambulante da vida de Cristo e não um filme sobre Cristo. Talvez por isso tenha tido um impacto tão forte em quem o viu, e tenha coleccionado um desprezo enorme por quem não o entendeu.

U - União
Acabou um dos maiores estúdios da história do cinema. A Metro Goldwyn Mayer foi comprada pela Sony Pictures, criando assim a maior fusão de estúdios de cinema do mundo. O património histórico da MGM, o primeiro grande estúdio de Hollywood, vai servir agora para recuperar o mercado de dvd´s para a Sony, mas também para aproveitar um legado histórico que legitima mais a empresa japonesa no meio cinematográfico norte-americano. Uma união histórica!

V - Village
Para muitos o filme do ano. Para muitos a obra-prima de Shyamalan. Para muitos o melhor filme de suspense dos últimos trinta anos. Para muitos o palco perfeito para a jovem Bryce Dallas Howard brilhar. The Village é mesmo um filme absolutamente notável. O argumento é sobre-natural, as interpretações notáveis e a realização soberba. Passou ao lado da critica por ser demasiado Shyamalan e o público virou-lhe as costas por esperar algo no genero de Signs. Mas mesmo assim é um dos marcos do ano cinematográfico.
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X - X-rated
A censura continua a existir no cinema em pleno século XXI e isso é extremamente lamentável. Cenas cortadas, filmes amputados, trabalhos condicionados. Foram os seios de Diane Kruger em Troy, as cenas homossexuais em Alexander, os peitos trabalhados digitalmente de Keira Knightley em King Arthur ou a nudez frontal de Eva Green em The Dreamers, e muito, muito mais. Algo está mal no cinema. Algo está mal com as mentalidades que coordenam o cinema. Algo que tem de ser corrigido depressa.

Y - Serie Y
O jornal Público sempre nos habituou à qualidade jornalistica. Mas a Serie Y abriu aos cinéfilos portugueses a possibilidade de obter a bom preço alguns dos filmes mais marcantes dos últimos tempos. Uma dádiva que agradecemos. Aliás o mercado de dvd´s viveu um grande ano em 2004 com muitas edições especiais, cada vez maior e melhor oferta e uma redução substancial nos preços que se aproximam cada vez mais dos valores justos.

W - Winslet, Kate
É a actriz que mais em forma esteve ao longo do ano. Primeiro foi explosiva e carnal em Eternal Sunshine, filme pela qual tem sido nomeada para vários prémios. E mais recentemente esteve em destaque pelo seu comovente papel em Finding Neverland de Marc Forster. Cada vez mais madura, esta actriz britânica é cada vez mais um simbolo de um estilo de interpretação feminina que ameaça extinguir-se entre as actrizes mais belas e as actrizes mais duras.

Z - Zero
Alguns filmes marcaram o ano de 2004 mas pela negativa. Foram verdadeiros zeros. Entre eles estão - para além dos habituais falhanços que são as comédias de verão, os blockbusters pretenciosos, os filmes de acção de baixo orçamento e as adaptações de comics - Alexander, Troy, The Dreamers, Van Helsing, Starsky and Hutch e The Forgotten. Em alguns casos foi mau demais para ser verdade!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às dezembro 29, 2004 11:31 PM

Comentários

Boa retrospectiva, acho apenas injusto dizer que quem não gostou do festival vazio de violência criado por Mel Gibson é burro e não entendeu o filme.
De qualquer forma, que mais memorável seja a letra A.

Publicado por: Gustavo H. Razera às dezembro 30, 2004 02:12 PM