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dezembro 30, 2004

Finding Neverland - "Apenas" um grande filme...

Um dos filmes mais belos que nos foram apresentados nos últimos tempos sem dúvida alguma. Uma realização delicada, um argumento tocante e um conjunto de excelentes desempenhos fazem de Finding Neverland um dos grandes filmes de 2004. Faltou apenas uns pozinhos mágicos para alcançar a glória suprema.
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Já se tentou fazer filmes sobre as aventuras de Peter Pan. Mas resultavam sempre num fiasco. Porquê? Ninguém sabia explicar. A razão surge no entanto com facilidade neste belissimo filme de Marc Forster. Porque somos todos como a personagem de Freddie Highmore. Esquecemo-nos da criança que há em nós e não conseguimos ver para além do que nos parece credivel, sério, real. Este filme não é sobre Peter Pan. Nem é sobre o autor de Peter Pan, o escocês JM Barrie. É sobre a criança que há dentro de cada um de nós e sobre o adulto que existe dentro de cada criança. É sobre o poder da imaginação, um poder tão forte que é capaz de nos dar asas e levar-nos para um mundo onde, se pensarmos com muita força, tudo o que desejamos poderá acontecer. Será isso verdade? Será isso possível? Talvez não! Mas pelo menos Finding Neverland faz-nos tentar sonhar um pouco mais, viver um pouco mais, imaginar mundos com os quais nunca ousamos sonhar.
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O que a principio poderia ser um pequeno drama (repare-se que o registo do filme nunca muda desde os primeiros momentos até ao seu final) torna-se num excelente filme, um dos melhores do ano.
A combinação de um argumento mágico, uma realização muito bem conseguida (alternando os planos regulares com algumas inovações estéticas neste género de filme) e um elenco em grande nivel justifica essa transformação.
No inicio Forster tem alguma dificuldade em segurar o filme. Compreensivel já que a introdução à estória tinha de ser rápida e concisa. Foi feliz a forma como Depp viveu um Barrie à beira do falhanço. Foi Depp a âncora dessa cena como seria de todo o filme. Talvez a melhor performance do ano, este desempenho de Depp mostra que praticar o tão subestimado under-acting é tão dificil como explodir em cenas de over-acting, o seu registo habitual note-se. Depp não pestaneja ao longo do filme, não muda de regista, não há qualquer variação. Tirando o notável sotaque escocês (confirma-se o seu talento para dar à personagem uma voz a rigor) a construção habitual de Depp desaparece para dar lugar a um desempenho muito mais serio e matura. Com esta performance Depp prova finalmente que é um excelente actor em toda a linha. Pena que a Academia o deixe cair mais uma vez, preferindo talvez a habitul quota dos deficientes (cegos, paraplégicos, paranoicos), que tanta injustiça já criou no passado.
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Mas felizmente para o filme há mais para além de Depp. Há Kate Winslet que a viver o seu melhor ano de sempre dá uma sóbria e tocante performance como secundária. O mesmo acontece com Julie Christie num registo mais austero e com o veterano Dustin Hoffman que mesmo aparecendo em apenas meia duzia de cenas mostra todo o seu carisma. São no entanto os mais jovens que dão verdadeira cor ao filme. E se toda a pequena troupe de pequenos artistas é genial, que dizer do pequeno Freddie Highmore de apenas 12 anos? Simplesmente notável como um rapaz tão jovem pode transformar-se num actor tão bom. Simplesmente notável a sua interpretação como o "menino que não queria acreditar", como a verdadeira inspiração para o mundo mágico de Peter Pan.
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Finding Neverland mostra-nos que tudo é possivel se o sonhar-mos com muita vontade. A montagem entre as cenas do parque e o mundo imaginário das tardes de Barrie com os pequenos é muito bem conseguida mas não há melhor momento no filme que a partida de Kate Winslet para a Terra do Nunca, uma cena de tal forma tocante que foram várias as lágrimas que senti correr na sala. Arrisca-se a ser um dos melhores momentos do ano cinematográfico.
No entanto para se tornar no melhor (como o National Board of Review referiu) faltava algo mais. Uma chama mais ardente, um momento de extâse, enfim, uns pozinhos mágicos capazes de nos fazer a todos voar pela sala rumo ao grande ecrãn. Se esse momento tivesse acontecido este seria um filme para a posteridade. Mas mesmo assim, Finding Neverland não deixa de ser um dos melhores filmes de 2004.

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O Melhor - A quimica entre Johnny Depp e Freddie Highmore proporciona os melhores e mais tocantes momentos do filme. A explosão do jovem actor na cena em que destroi o pequeno palco é algo de fabuloso.

O Pior - A dificuldade do filme em dar um salto para outra dimensão. Fica muito preso às circunstâncias e não consegue voar como Peter Pan.

Curiosidade - Dustin Hoffman aceitou fazer este pequeno papel porque disse estar em divida para com JM Barrie. O actor tinha sido o capitão Gancho em Hook, filme de 1991, considerado como uma terrivel adaptação da peça e Hoffman queria redimir-se.

Site Oficial - www.miramax.com/findingneverland

Realizador - Marc Forster
Elenco - Johnny Depp, Kate Winslet, Freddie Highmore, ...
Produtora - Miramax
Classificação - m/12
Duração - 106 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às dezembro 30, 2004 09:34 PM