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janeiro 17, 2005

Globos de Ouro - Análise final

Depois de muita expectativa, chegou ao fim a saga ao Globo de Ouro de 2004. The Aviator era o favorito e cumpriu, mas Martin Scorcese continua a não convencer na sua categoria. Surpresas houve-as de facto, especialmente nos casos de Natalie Portman e Leonardo diCaprio, mas tudo o mais foi um reflexo do que se esperava...
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MELHOR FILME DRAMA

Apesar de torcer por uma vitória de Million Dollar Baby, era certo e sabido que o grande favorito era The Aviator. E o prognóstico de muitos cumpriu-se facilmente, com o filme de Scorcese a bater tudo e todos. Uma vitória que confirma o filme como o grande candidato aos óscares. Já Million Dollar Baby pode aguentar as suas pretensões em Eastwood e Swank para se manter na corrida.
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MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL

Era dos prémios mais fáceis de adivinhar. Apesar de Eternal Sunshine of the Spotless Mind ser uma obra-prima ninguém consegue travar Sideways que assim confirmou todo o seu favoritismo. Claro que é natural que a festa acabe por aqui. Nos BAFTA ninguém ligou ao road-movie de Alexander Payne e as Guilds devem preferir desempenhos mais sérios. E o óscar está fora de hipótese!

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Pessoalmente sempre acreditei que o espectáculo visual de House of Flying Daggers levava vantagem mas no final a vitória de Mar Adentro justificasse por completo. O filme é um poderoso drama, filmado como só Amenabar consegue, e tem Bardem num desempenho de uma vida. Pena é que Diarios de Motocicleta tenha sido ignorado.
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MELHOR REALIZADOR

Previ e as minhas expectativas provaram estar certas. Clint Eastwood é de facto um grande realizador e a sua vitória é completamente justificável. Não só por ter feito de Million Dollar Baby um tratado maravilhoso sobre as emoções humanas como porque Martin Scorcese, mesmo sendo um grande realizador, começa a criar um clima negativo à sua volta, tanta é a sua sede de prémios e reconhecimento.
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MELHOR ARGUMENTO

Nenhuma novidade aqui. Apesar de secretamente muitos torcerem pelo notável argumento de Charlie Kauffman, estava praticamente escrito nas estrelas que seria Alexander Payne a sair vencedor. E assim foi, sem grandes sobresaltos, confirmando que provavelmente este será o único óscar de Sideways.

MELHOR ACTOR DRAMA

Surpresa sem o ser. Qualquer um dos nomeados poderia ter ganho que seria uma surpresa, ou, exactamente o contrário, uma inevitabilidade. Calhou a sorte a Leonardo diCaprio que assim continua a exorcizar o fantasma de Titanic. No entanto fica um sabor a injustiça, sabendo que Javier Bardem e Johnny Depp estavam entre os nomeados.
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MELHOR ACTRIZ DRAMA

Duelo acesso mas com vitória merecida para Hillary Swank, que assim repete a dose. Imelda Staunton era a favorita da critica, mas Swank é um tour de force em Million Dollar Baby. Quanto às restantes nomeadas, dificil será mesmo vê-las nos óscares. Quanto a Swank, fica a dúvida se vai voltar a bater Benning.
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MELHOR ACTOR COMÉDIA/MUSICAL

E alguém duvida ainda que este é o ano de Jamie Foxx. Nem mesmo Paul Giamatti ou Jim Carrey (um deles dever ser nomeado ao óscar) se mostraram concorrência à altura do brilhante desempenho de Foxx como Ray Charles. O óscar é cada vez mais seu, a não ser que a Academia se ponha a fazer contas e decida que DiCaprio fica melhor na fotografia.
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MELHOR ACTRIZ COMÉDIA/MUSICAL

Foi a HFPA que começou a louvar Benning e é natural que sejam eles quem a premiaram primeiro. A verdade é que a sua candidatura estava a ficar muito fraca e houve quem sonhasse que Kate Winslet podia mesmo ser uma surpresa de última hora. Não o foi - injustamente talvez - e assim Benning parte para a desforra com Hillary Swank mais forte. No entanto os papeis inverteram-se. Agora ela é a outsider.
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MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO

Para muitos uma surpresa, para mim uma confirmação. Clive Owen é um grande actor e a sua performance é notável em Closer. Claro que o duelo Morgan Freeman e Thomas Haden Church era mais popular junto da critica mas desempenhos como o de Owen têm sempre muito sucesso na HFPA. E este ano não foi excepção. Aliás, o reinado dos actores secundários de Sideways pode ter terminado hoje.
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MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA

Não vai ganhar o óscar (está escrito que é Cate Blanchett) mas conseguiu aqui o ponto mais alto da sua carreira. Natalie Portman foi a grande sensação da noite ao bater as super favoritas Virginia Madsen e Cate Blanchett, afirmando-se assim como uma das grandes actrizes da nova vaga. Uma performance muito subtil em Closer, que assim viu o seu rol de actores secundários a brilhar. E o curioso é que o sindicato de actores não nomeou nem um nem outro.
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MELHOR BANDA SONORA

Começa a tornar-se no compositor da moda. Howard Shore está de facto em alta. Depois de três anos a compor a genial banda-sonora da trilogia Lord of the Rings, nova vitória agora por The Aviator. Uma vitória que não merece contestação apesar da concorrência. Uma pergunta. Quando é que vão começar a prestar o devido valor aos talentos de Clint Eastwood como compositor?
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MELHOR TEMA

O cinema tem destas coisas. Quando um veterano compõe um tema para um filme, as hipóteses de vir a ser vencedor de uma série de prémios aumentam consideravelmente. E foi isso mesmo que aconteceu com Mick Jagger ao criar Old Habbits Die Hard para a banda-sonora de Alfie. Com tudo isto Phantom of the Opera ficou a ver navios e Beck continua a ser ostracizado apesar de ter a melhor música do ano de longe.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às janeiro 17, 2005 10:04 PM