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fevereiro 28, 2005
E honra aos vencidos...

Desculpa Marty mas este ano não merecias...
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:11 PM | Comentários (5)
Glória aos vencedores




Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:02 PM
Óscares 2004 - Os vencedores em imagens...III



Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:15 AM | Comentários (2)
Óscares 2004 - Previsões vs Vencedores
Comparem as minhas previsões com os vencedores. Apesar de ainda ter falhado seis categorias no total (Tema, Fotografia, Direcção Artistica, Som, Edição Sonora e Maquilhagem), posso dizer que as justificações que dei nas previsões acabaram por cumprir-se em grande parte. Basta comparar. As previsões estão aqui e os vencedores aqui.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:13 AM
Óscares 2004 - Os Vencedores em imagens II



Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:11 AM
Óscares 2004 - Apontamentos
Apresentação - Apesar de não ser Billy Crystal ou Robin Williams, a verdade é que Chris Rock esteve bastante bem, especialmente na primeira metade da cerimónia. Foi pena a troca de palavras com Sean Penn - e temos de dar razão ao actor - mas tirando isso foi uma experiência agradável.
Nova sistema - Por um lado a impressão foi positiva. A cerimónia foi mais curta, mais dinâmica e talvez mais interessante. Mas por outro lado fica a sensação de que algumas categorias não merecem precorrer a passadeira até ao palco. É verdade que entre as categorias técnicas e as restantes há uma diferença substancial de relevo. Mas e de importância? Será isso tão claro como querem fazer crer?
Surpresas - Muito poucas para os que tinham apostado num cenário como o que veio a acontecer (caso do Hollywood). Talvez se destaquem três grandes surpresas. A primeira é a vitória de The Incredibles em melhor som, conquistando assim duas estatuetas douradas. A segunda é a vitória de Al Otro lado del Rio como melhor tema. Merecido talvez mas não esperado. A última surpresa ressalta pelo facto de o filme com mais óscares não ter sido o grande vencedor da noite. Um pouco como aconteceu com Cabaret e The Godfather em 1972.
Mitos - Cairam hoje alguns mitos. O primeiro era de que o SAG e o oscares nunca combinavam a 100%. Este ano os quatro actores que venceram os óscares tinham ganho na sua Guild. O segundo é a de que o filme com mais nomeçaões leva o óscar de melhor filme. Aconteceu pela terceira vez em vinte anos mas aconteceu. Um outro mito é o de que os realizadores só ganham óscares entre os 30 e os 60. Eastwood venceu dois óscares já depois dessa tabela temporal. E por fim há o mito que para se ser melhor filme tem de se ganhar em argumento e montagem. MDB não venceu nenhuma dessas categorias.
Vencedores - A equipa de Million Dollar Baby. Quatro óscares em sete hipóteses (perdeu o actor Eastwood, o argumentista Haggis e a equipa de montagem). Swank bisou, de novo diante de Benning, mostrando ser uma das grandes actrizes dos nossos dias. Freeman teve finalmente um óscar. E Eastwood voltou a conquistar um óscar de melhor realizador.
Foi uma noite de ouro para a menina de um milhão de dólares.
Outros Vencedores - A equipa técnica de The Aviator está de parabens. Foram cinco óscares conquistados, alguns não tão esperados (fotografia e direcção artistica por exemplo) mas justos á sua medida. Ficou provado que este é mesmo um filme técnico. Outros vencedores são The Incredibles e Spiderman2, filmes com duas estatuetas cada, bem como Jamie Foxx e Charlie Kauffman, um com um óscar anunciado e o outro com um óscar finalmente atribuido.
Os Derrotados - Em primeiro lugar, para pena de muitos amantes do cinema, Martin Scorsese. O seu filme até teve mais estatuetas, mas tirando Cate Blanchett, não logrou ter nenhum óscar não técnico. Falhou nesse aspecto em toda a linha. E o calvário de Marty continua.
Outros derrotados são sem dúvida Finding Neverland e Sideways. Apenas um óscar, sendo que o filme da Miramax tinha várias nomeações técnicas que podia ter vencido. Já Payne venceu como argumentista mas viu o resto das nomeações de Sideways resultarem em nada.
Outros Derrotados - O elenco secundário de Closer merecia melhor destino mas o filme de Mike Nichols saiu da cerimónia sem um único óscar. Tal como The Passion of the Christ, este de forma surpreendente já que era um forte candidato nas três nomeações. Annette Bening surge também como derrotada, por, em cinco anos, perder duas vezes o óscar para Swank. E de certa forma o cinema britânico também sai em pior estado do que entrou não tendo conquistado um único óscar apesar de Vera Drake e Hotel Rwanda estarem bem posicionados.
Curiosidades - A cerimónia está a perder audiências e a tornar-se mais maçadora do que era há alguns anos. Mas isso será motivo para trazer rappers que nada têm a ver com cinema para apresentar prémios? Ou será razão suficente para colocar uma cantora na moda junto dos adolescentes a cantar temas cujos próprios autores poderiam - e queriam - dar voz? Essa vontade enorme de trazer os jovens para a cerimónia não pode passar por tornar os óscares algo parecido com os MTV Movie Awards.
A propósito do cinema e dos americanos é notável o clip de Rock junto da comunidade negra. Afinal que filmes vêm os americanos? Têm provavelmente a melhor industria no mundo mas preferem o White Chicks a MDB? Um bom tema para um documentário.
Melhores Discursos - Sem dúvida alguma o de Jamie Foxx, o de Hilary Swank, o de Clint Eastwood (e a sua inseparável mãe), o de Luis Drexler e também o de Sidney Lumet.
Melhores apresentadores - A escolha recai em Robin Williams, Jeremy Irons, Scarlett Johansson e a dupla finalDustin Hoffman-Barbra Streisand sem grande margem para dúvida.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:42 AM | Comentários (1)
Óscares 2004 - Os vencedores em imagens...I



Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:38 AM
Hollywood-Óscares2004 - Balanço da noite dourada...
Por onde começar?
Apesar de tudo indicar no inicio que The Aviator iria ser o grande vencedor da noite (foi mesmo o filme com mais estatuetas) a verdade é que a Academia não resistiu à qualidade superior de Million Dollar Baby. O filme de Clint Eastwood venceu quatro estatuetas douradas (menos uma que o rival), e acabou por se consagrar como o filme do ano. Eastwood foi também eleito o melhor realizador, continuando a espera de Martin Scorsese pela estatueta dourada que nunca mais parece chegar.
Nas categorias de representação não houve qualquer surpresa, acontecendo pela primeira vez uma total sintonia entre o SAG e os óscares. Jamie Foxx e Hilary Swank venceram na categoria principal enquanto que Morgan Freeman e Cate Blanchett sairam vencedores na categoria de suporte.
No que ao argumento diz respeito, também não houve surpresas. Alexander Payne e Charlie Kauffman foram finalmente galardoados, eles que são dos mais talentosos argumentistas do momento.
Como se esperava também Mar Adentro foi consagrado como o filme do ano no que diz respeito a produções estrangeiras. O cinema latino teve ainda mais uma vitória com o melhor tema que acabou por ir para o filme Diarios de Motocicleta.
The Incredibles conseguiu dois óscares - por melhor filme animado e melhor som - os mesmos que Ray e Spiderman2. Com uma estatueta acabaram também Finding Neverland (banda sonora) e Lemony Snicket´s (maquilhagem).
Nas categorias de documentários, vitória de Born into Brothels e de Mighty Times, enquanto que nas categorias ligadas às curtas-metragens foram WASP e Ryan os vencedores da noite.
Uma 77º edição dos óscares apresentada com sucesso por Chris Rock (talvez o confronto com Penn fosse evitável) e com as alterações defendidas por Gill Cates a terem um impacto extremamente positivo.
No que ao Hollywood diz respeito a noite também não podia ter corrido melhor. Tivemos uma centena de pessoas a acompanhar a cerimónia online e temos o orgulho de dizer que divulgamos o vencedor praticamente ao minuto, superando sites conceituados como os da BBC, Sky News ou CNN. Além do mais o Hollywood acertou em 17 das 22 categorias da noite, um resultado bastante aceitável. Por isso só me resta agradecer a todos que acompanharam esta mega-cobertura, desde os primeiros momentos até à noite de gala.
Obrigado e fica já prometido. Para o ano há mais!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:55 AM | Comentários (5)
Óscares 2004 - Os vencedores
Melhor Filme - Million Dollar Baby
Melhor Realizador - Million Dollar Baby
Melhor Actor - Jamie Foxx
Melhor Actriz - Hilary Swank
Melhor Actor Secundário - Morgan Freeman
Melhor Actriz Secundária - Cate Blanchett
Melhor Argumento Original - Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Melhor Argumento Adaptado - Sideways
Melhor Filme Estrangeiro - Mar Adentro
Melhor Filme Animado - The Incredibles
Melhor Tema - Al Otro lado del Rio (Diarios de Motocicleta)
Melhor Banda Sonora - Finding Neverland
Melhor Som - The Incredibles
Melhor Edição Sonora - Ray
Melhor Maquilhagem - Lemony Snicket´s A Series of Unfortunate Events
Melhor Guarda Roupa - The Aviator
Melhor Direcção Artistica - The Aviator
Melhor Fotografia - The Aviator
Melhor Montagem - The Aviator

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:54 AM
A noite de gala no Hollywood
Aqui fica o recuperar das categorias á medida que foram anunciadas aqui no Hollywood.
Melhor Filme
Melhor Realizador
Melhor Actor
Melhor Argumento Original
Melhor Filme Estrangeiro
Melhor Actriz
Melhor Tema
In Memoriam
Jean Hersholt Award
Melhor Banda Sonora
Melhor Documentário em Curta
Melhor Som
Melhor Mistura de Som
Melhor Fotografia
Melhor Curtas Metragens
Óscar Honorário a Sidney Lumet
Melhor Efeitos Especiais
Melhor Argumento Adaptado
Melhor Montagem
Melhor Documentário
Melhor Actriz Secundária
Melhor Guarda-Roupa
Prémios Cientificos e Técnicos
Melhor Maquilhagem
Melhor Filme Animado
Melhor Actor Secundário
Melhor Direcção Artistica

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:52 AM
E acabou a noite...e Million Dollar Baby fica para a história
Glória aos vencedores e honra aos vencidos! Parabéns a Clint Eastwood mas também a Martin Scorsese. Parabens a todos os que tiveram a paciência para acompanhar a cerimónia aqui no Hollywood. E parabéns ao cinema que teve mais uma grande noite de glória.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:35 AM | Comentários (1)
E o Melhor Filme é....Million Dollar Baby
The Aviator partia para a última categoria com 5 óscares. Million Dollar Baby tinha apenas três. Portanto a lógica dizia que seria The Aviator a vencer.
Mas a lógica e os óscares às vezes não combinam e Million Dollar Baby, o melhor filme do ano, foi mesmo o escolhido para filme do ano pela Academia. Um prémio justo para Clint Eastwood e toda a sua equipa, que sempre acreditou num projecto que a maior parte dos estúdios não estava disposto a aceitar. Mas a justiça prevaleceu e assim se fizeram os óscares de 2004.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:30 AM | Comentários (4)
E o Melhor Realizador é....Clint Eastwood
Será que Scorsese vence finalmente o óscar ou Eastwood volta a conquistar a estatueta? Era a maior dúvida na noite dos óscares deste ano.
Clint Eastwood é o maior realizador no activo e a Academia não resistiu em voltar a premiá-lo, depois de o ter feito em 1992 por Unforgiven. Eastwood torna-se assim um mito vivo voltando a vencer tudo e todos. E Million Dollar Baby conquista o seu terceiro óscar e há a hipótese de vencer o grande óscar que falta atribuir.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:22 AM
E o Melhor Actor é...Jamie Foxx
Todos diziam antes da cerimónia que esta era uma categoria já entregue. Bastava apenas a Jamie Foxx aparecer e levar o óscar para casa. E assim foi. A sua interpretação de Ray Charles no filme Ray conquistou tudo e todos ao longo do ano. Chegou a hora do óscar. Foxx reina supremo. Um discurso tocante e extremamente emocionante.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:18 AM | Comentários (3)
Faltam apenas três estatuetas
Faltam três óscares. Será que The Aviator limpa estes três? Será que Million Dollar Baby volta em estilo e vence? Jamie Foxx confirmará todo o favoritismo? Está quase a acabar. Haverá Aviator/Eastwood? Aviator/Scorsese ou MDB/Eastwood?

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:16 AM
E o Melhor Argumento Original é...Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Todos queriam saber se à terceira, Charlie Kauffman saía da sala com o ansiado óscar. E assim foi. Justiça foi feita e Eternal Sunshine of the Spotless Mind conquista o seu único óscar. Um argumento brilhante consagrado com toda a justiça, não fosse Kauffman um dos maiores argumentistas dos últimos anos. E uma derrota de The Aviator que pode querer dizer algo. A confirmar. Faltam apenas três estatuetas.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:12 AM | Comentários (1)
E o Melhor Filme Estrangeiro é....Mar Adentro
O favorito absoluto era Mar Adentro e poucos duvidavam da sua vitória. Confirmou-se o favoritismo e depois de Pedro Almodaver agora é Alejandro Amenabar a ser coroado pela Academia como um dos maiores talentos mundiais na realização cinematográfica. Uma vitória que é também de Javier Bardem, o notável actor que viveu Ramon Sanpedro, o homem que queria morrer com dignidade.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:08 AM
MDB equilibra um pouco o jogo
Apesar das cinco estatuetas douradas já conquistadas por The Aviator, as duas vitórias de MDB nas categorias de representação pode aumentar as hipóteses do filme dar a volta por cima. Mas para isso é preciso Clint Eastwood vencer melhor filme e The Aviator não vencer argumento, actor e realizador.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:05 AM
E a Melhor Actriz é...Hilary Swank
Num ano em que se repete a luta de 1999, a vitória coube a Hilary Swank que assim bisa na história dos óscares. É a segunda vitória para Million Dollar Baby que parece estar a vencer nas categorias de maior destaque, enquanto Aviator domina nas categorias mais técnicas. E mais uma vez Swank bate Benning por KO. Um discurso tocante e emocionado de uma jovem que tem tido uma carreira apagada, mas que tem desempenhos notáveis em ambas as vitórias que conquistou a estatueta dourada. Repete assim o feito de Jodie Foster como jovem actriz a conquistar dois óscares com tão poucos anos de espaço.
Nota para Sean Penn, igual a si mesmo, respondendo às provocações de Rock sobre o talento de Jude Law.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:59 AM
E o Melhor Tema Original é...Diarios de Motocicleta
Depois de todas as canções terem sido cantadas em palco - só Accidently in Love foi cantada pelos compositores originais ficando o resto nas mãos de Beyoncé e António Banderas - Prince anunciou o grande vencedor.
O ano não foi o melhor nesta área e muitos tinham dificuldade em apontar um vencedor antecipado. A glória coube ao tema Al Otro lado del Rio, tema de Diarios de Motocicleta. Jorge Dexler a quem não deixaram interpretar o tema, interpreta-o no discurso de vitória. Dos melhores da noite.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:48 AM
In Memoriam...
De Marlon Brando a Ronald Reagan, o presidente-actor, sem esquecer Peter Ustinov, David Raskin, Fay Wray, Elmer Bersntein, Frank Thomas, Russ Meyer, Janet Leigh, Christopher Reeve, Osie Davis ou Mercedes McCambridge.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:42 AM
Jean Hersholt para Roger Mayer
Segue-se a estatueta para Roger Mayer, o prémio Jean Hersholt, um prémio humanitário que é entregue à meio século a figuras que se destacam em áreas ligadas à indústria. Este ano foi escolhido o presidente da Associação de Restauração de peliculas antigas. O prémio foi entregue por Martin Scorsese, o grande vencedor da noite até ao momento.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:39 AM
E a Melhor Banda Sonora vai para...Finding Neverland
O favorito era Finding Neverland e o favoritismo confirmou-se por completo. Pode ser o único óscar da noite para o filme de Marc Forster. Sem os grandes rivais - ineligiveis - a vitória soa natural.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:38 AM | Comentários (2)
E o Melhor Documentário em forma de Curta é...Mighty Times
Vitória de Mighty Times, um documentário norte-americano sobre as crianças e os preconceitos raciais cuja duração é de trinta e três minutos.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:36 AM
Agradecimentos
Aproveito que António Banderas e Carlos Santana cantam Al Otro Lado del Rio para agradecer a todos os que estão a acompanhar a cerimónia também no Hollywood, e especialmente aqueles que me têm ajudado com preciosos comentários para que possa ir corrigindo os erros que o tempo me faz cometer. A todos um obrigado e continuem por cá. Afinal ainda faltam as grandes categorias.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:35 AM | Comentários (4)
E o Melhor Som é...The Incredibles.
Vitória surpresa para The Incredibles que assim conquista o seu segundo óscar da noite. E os técnicos de Spiderman2 continuam a sua demanda sem vencer óscares. Já lá vão vinte e cinco anos. E o cinema animado deixa assim bem vincada a sua marca.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:34 AM | Comentários (3)
E a Melhor Mistura de Som é...Ray
A vitória absoluta vai para Ray que assim interrompe o dominio de The Aviator. A noite fica mais interessante e Taylor Hackford agradece. É o primeiro para Ray hoje.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:11 AM
E a Melhor Fotografia é...The Aviator
Uma categoria extremamente equilibrada, com muitos candidatos a merecerem a estatueta. Mas a noite está a ser de The Aviator e esta categoria não fugiu à regra. E esta é a quinta estatueta para o filme.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:09 AM | Comentários (1)
E as Melhor Curta-Metragens são....Wasp e Ryan
Wasp vence em Live-Action. Produção britânica de 28 minutos que conta a história de uma mulher de 23 anos, mãe de quatro filhos.
Na categoria de melhor curta animada o vencedor é Ryan, que também venceu o Cinanima este ano.
Isto depois de mais um momento musical, desta feita Learn to Be Lonely, a belissima música de The Phantom of the Opera, de novo cantada por Beyoncé, e dos aplausos ao chefe de orquestra da cerimónia.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:56 AM
A Homenagem a Sidney Lumet
Al Pacino apresentou o óscar a um dos realizadores mais marcantes da sua carreira. Sidney Lumet vence assim o seu primeiro óscar, infelizmente apenas com contornos honorários. Depois do breve clip sobre a filmografia de Lumet, chegou o discurso honorário de um homem amado por todos, mas não o suficiente para ter sido oscarizado na sua carreira activa. A ovação de pé foi longa e esperada, como sempre acontece nestas ocasiões.
Isto aconteceu pouco depois do Presidente da Academia ter feito o seu discurso anual, onde prestou homenagem aos soldados norte-americanos espalhados pelo mundo.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:45 AM
E os Melhores Efeitos Especiais são para...Spiderman2
Era uma disputa extremamente equilibrada entre os três filmes nomeados mas na hora das decisões a vitória sorriu a Spiderman2. E é a primeira vitória da noite para o mega-sucesso da Sony Pictures.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:42 AM | Comentários (1)
E o Melhor Argumento Adaptado é...Sideways
A vitória de Sideways era anunciada por todos como certa e veio a confirmar-se. É o prémio para Alexander Payne, que tal como Sofia Copolla o ano passado, se afirma como um dos grandes argumentistas e realizadores da nova geração. E Jim Taylor também está obviamente de parabéns.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:36 AM
The Aviator vai dominando a noite...
The Aviator está em estilo. Cinco nomeações e quatro vitórias. Adivinha-se uma vitória folgada a não ser que Million Dollar Baby consiga um volte face de última hora.
Os Counting Crows interpretaram entretanto a canção Accidently in Love, uma das favoritas a levar o óscar.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:30 AM
E a Melhor Montagem é...The Aviator
Quem ganha aqui normalmente ganha o óscar de Melhor Filme e por isso The Aviator vai bem lançado para dominar a noite. Até agora conseguiu praticamente o pleno com quatro estatuetas douradas. Só Alan Alda saiu derrotado.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:28 AM | Comentários (3)
E o Melhor Documentário é...
Com todos os nomeados no palco a vitória calhou a Born into Brothels, o que já era esperado pela intensidade dramática do conteudo do documentário. Um filme indiano e americano que se debruça sobre a exploração sexual na India.
Claro que antes tinha de haver a homenagem a Johnny Carson, recentemente falecido e um dos mais adorados anfitriões da Academia!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:15 AM
E a Melhor Actriz Secundária é...Cate Blanchett
Como se esperava a vitória é de Cate Blanchett. A australiana recebeu o aplauso da Academia pela sua performance como Katherine Hepburn em The Aviator que faz assim o seu terceiro óscar da noite.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:12 AM | Comentários (3)
E o Melhor Guarda Roupa é....The Aviator
Com mais uma vez os apresentadores em palco, com a especial presença de Edna Mode (The Incredibles) ao lado de um afónico Pierce Brosnan, foram entregue os prémios de melhor guarda-roupa. A vitória de The Aviator era esperada. Já é o segundo da noite, e o filme de Scorsese pode estar a caminho da sua noite de glória.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:10 AM
Prémios técnicos atribuidos na semana passada são anunciados
Prémios cientificos e técnicos , apresentados por Scarlett Johansson, a começar a terceira parte dos óscares, isto depois de Beyoncé cantar a música de Les Choristes, o primeiro tema original a ser apresentado esta noite. E Rock continua em grande estilo!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:58 AM
E a melhor Maquilhagem é....Lemony Snickets
Primeiro óscar apresentado junto do público por Cate Blanchett, que ainda concorre ao óscar de melhor actriz secundária.
O grande vencedor foi Lemony Snicket´s A Series of Unfortunate Eventes, uma surpresa total já que se esperava que a vitória fosse para The Passion of the Christ.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:55 AM
E o Melhor Filme Animado é...
Como era de se esperar, a vitória foi para The Incredibles, o super-sucesso da Pixar studios. E Shrek2 saiu derrotado, não conseguindo a dobradinha depois de há três anos ter saido vencedor.
Genial a apresentação de Robin Williams! O melhor da noite até agora.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:44 AM | Comentários (2)
E o Melhor Actor Secundário é...Morgan Freeamn
À quarta tentativa foi de vez. Finalmente Morgan Freeman vence o óscar. E MDB iguala The Aviator em óscares. Óscar mais pela carreira do que pela performance num ano em que havia Clive Owen.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:40 AM
E a melhor Direção Artistica é....The Aviator
O primeiro óscar da noite foi para cenografia. Pela primeira vez todos os nomeados estão em palco na história da Academia.
The Aviator vence o primeiro óscar da noite apesar de não se apresentar como o favorito claro. É o primeiro óscar da noite de The Aviator que pode estar a caminho de uma noite de glória.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:22 AM
Começa a noite...inspirem fundo e vamos lá

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:17 AM | Comentários (1)
Rock abre a noite em estilo...
Depois de um espectacular clip com a história do cinema, do passado e dos dias de hoje, chegou Chris Rock, o anfitrião da noite na sua estreia.
Uma estreia aplaudida por todos de pé! E uma estreia em estilo. As piadas são inteligentes, interessantes e com muito sentido de humor. O medo de muitos não chegou a ter sentido. E Rock brilhou em estilo!
E houve aplausos para Farheneith 9/11 e The Passion of the Christ.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:35 AM
O Passadiço da fama já rola...
As estrelas já vão mostrando os seus vestidos às ávidas camaras enquanto continua a contagem final para o inicio da cerimónia. A maior parte dos protagonistas da noite já mostraram os sorrisos habituais e as frases de confiança. Agora é esperar pelo anuncio dos vencedores.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:34 AM
Faltam 30 minutos...

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:21 AM
fevereiro 27, 2005
Noite de Óscars-Hollywood - Quem apresenta os óscares...
A lista é infindável. Temos os quatro vencedores do ano passado que vão apresentar as categorias de forma inversa (actores apresentam actrizes e vice-versa), temos alguns dos maiores mitos vivos do cinema e estrelas que há muito não se viam na gala. Aqui fica a lista dos apresentadores confirmados. De destacar a presença de alguns prováveis vencedores e de uma enorme legião de personalidades da comunidade negra.
- Charlize Theron
- Renee Zellweger
- Orlando Bloom
- Tim Robbins
- Salma Hayek
- Martin Scorsese
- Halle Berry
- Gwyneth Paltrow
- Penelope Cruz
- Zhang Ziyi
- Robin Williams
- Kate Winslet
- Kirsten Dunst
- Al Pacino
- Dustin Hoffman
- Drew Barrymore
- Natalie Portman
- Cate Blanchett
- John Travolta
- Leonardo DiCaprio
- Sean Penn
- Mike Meyers
- Prince
- Sean Combs
- Annette Bening
- Pierce Brosnan
- Jake Gyllenhaal
- Jeremy Irons
- Samuel L. Jackson
- Laura Linney
- Emmy Rossum
- Adam Sandler
- Barbra Streisand

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:35 PM | Comentários (2)
Noite de Óscars-Hollywood - Sidney Lumet, o honorário
É o realizador de grandes sucessos como Network ou The Veredict mas nunca venceu um óscar. Até hoje. A diferença é que desta feita não terá competição porque será um óscar honorário, como já tantas estrelas receberam sem conquistarem o chamado "óscar a sério". O seu nome é Sidney Lumet.
O seu primeiro grande filme data de 1957 e contava com um genial Henry Fonda. Era 12 Angry Men e foi um grande sucesso. Na cerimónia dos óscares perdeu para The Bridge Over the River Kwai.
Na decada de 60 estaria em grande ao realizar filmes polémicos como The Pawnbroker ou Deadly Affair. Continuaria a sua senda de realizador de culto nos anos 70. Filmes como Serpico, Dog Day Afternoon, Network ou Murder on the Orient Express fizeram-no um dos nomes mais aclamados da indústria. Mas o óscar nunca chegou. A partir dos anos 80 - desde o brilhante The Veredict - a sua carreira baixou de nivel e Lumet deixou de realizar grandes exitos. No entanto continuou a ser altamente apreciado no meio. Este ano, para compensar o facto de nunca o terem premiado, a Academia decidiu entregar-lhe o óscar honorário. Aquele que Chaplin já recebeu e que os fãs de Scorsese estarão à espera que não venha a receber. Mas mesmo a esses fica uma dica sugestivo. Paul Newman venceu um óscar honorário em 1985. No ano seguinte venceu o óscar de melhor actor. That´s Hollywood.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:13 PM
Noite de Óscars-Hollywood - A Estatueta
Desenhada por Cedric Gibbons - o designer da MGM - e baptizada por uma actriz que o achou semelhante a um certo tio, o Óscar é talvez a estatueta mais cobiçada em todo o mundo. Mede apenas 50 centimetros e está revestida de ouro puro. Já foi entregue mais de um milhão de vezes em 77 cerimónias e algumas das estatuetas foram leiloadas por valores verdadeiramente astronómicos. Hoje serão entregues 23 óscares de competição mais um óscar honorário a Sidney Lumet, um dos realizadores mais consagrados da década de 60 e 70 mas que nunca venceu um óscar em competição.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:08 PM
Noite de Óscars-Hollywood - O Produtor
Chama-se Gill Cates e já produz as cerimónias dos óscares há 11 anos. Foi uma lufada de ar fresco na produção da gala dos prémios da Academia, introduzindo um design mais arrojado ao palco de entrega dos prémios e ainda aplicando novas fórmulas para a apresentação de prémios e categorias. Este ano Cates decidiu apostar numa inovação bastante controversa. Pela primeira vez em várias décadas nem todos subirão ao palco para receber o óscar. Algumas categorias - ninguém sabe quais - verão os seus vencedores receberem os óscares nos próprios lugares, enquanto que em outras estarão todos os nomeados no palco. Claro que haverá categorias que manterão a velha fórmula. Cates falou em criar igualdade em tempo de antena para todos mas não são muitos os entusiastas destas alterações. O impacto está para se ver.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:03 PM
Noite de Óscars-Hollywood - O Apresentador
Causou polémica logo à partida mas é a grande aposta dos produtores para voltar a trazer audiências aos óscares. Chama-se Chris Rock e é o primeiro apresentador em quase dez anos que não é nem Steve Martin, nem Whopy Goldberg nem o mitico Billy Crystal.
Rock é um comediante de sucesso com experiência em galas - já apresentou os Grammys e os Eddies - conhecido por pertencer à chamada geração MTV. Há grande expectativa acerca do seu discurso inaugural, e sob a forma como vai controlar a sua aptência para desvios de linguagem. Aliás, foi a pensar nisso, que a ABC decidiu criar um delay de 5 segundos entre a cerimónia e a transmissão televisiva. Só para o caso de ninguém tomar muitas liberdades. Bem à americana pois claro!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:56 PM
Noite de Óscars-Hollywood - O Palco
Começa hoje a cobertura do Hollywood aos óscares. Infelizmente problemas técnicos com o servidor da Weblog.Pt, ao qual o Hollywood é totalmente alheio, têm impedido a actualização e o acesso ao weblog. Esperamos que os problemas se resolvam com o decorrer da noite, sob pena de comprometer esta cobertura que já leva um mês.
Finda a explicação, aqui fica uma vista de olhos ao palco da grande gala dos óscares: o Kodak Theather.
Construido de raiz para albergar os óscares - que durante as suas 77º edições já viajou por inumeras casas adoptivas - o Kodak Theather é dos edificios mais emblemáticos de Los Angeles, e uma vez por ano enganala-se para receber as estrelas do firmamente cinematográfico. Um digno palco para tão espantoso evento.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:40 PM
Um ano de Império Cinéfilo
É um dos maiores blogs de cinema do Brasil. É um espaço que vibra com o cinema como poucos. E é um dos melhores espaços para se conhecer a evolução dos prémios da Academia ao longo dos anos. É um blog chamado Império Cinéfilo e faz um ano. Por isso, ao meu amigo e colega da ABCine, Gustavo Razera, aqui ficam os meus parabéns. E há melhor do que festejar o aniversário em véspera de cerimónia? Acredito que não, muito menos para alguém como o Gustavo!
Um abraço e parabens.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:21 AM | Comentários (1)
Sideways limpa Indies
Foi hoje entregue o último prémio da época cinematográfica antes da cerimónia dos óscares, que amanhã vai fechar o ano. E como se esperava o grande vencedor dos Independent Spirit Awards foi Sideways. O filme de Alexander Payne venceu seis estatuetas, onde se contam a de melhor filme, realizador, argumento, actor principal (Giamatti) e actores secundários (Haden Church e Madsen).
A actriz do ano foi Catalina Sandino Moreno enquanto que os destaques como revelações do ano foram Zach Braff, pelo seu trabalho como actor, realizador e argumentista em Garden State, e ainda o estreante argentino Rodrigo de la Serna.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:16 AM
Hollywood-Óscares2004 - Quais os possiveis "upsets" da noite?
Os óscares nunca são previsiveis. Apesar de acompanhar a edição dos óscares deste ano, ainda nem a anterior tinha terminado, e mesmo conhecendo muito bem a Academia, a sua história, a sua lógica e estrutura, é impossível adivinhar o que pensam os seus membros. Por isso, e logo num ano como este, por muito que as categorias pareçam previsiveis, a verdade é que surpresas, os chamados "upsets" podem ocorrer onde menos esperamos. Aqui ficam algumas hipóteses...

E se...
- Todos pensam que a luta de Melhor Filme é entre Million Dollar Baby e The Aviator. Mas e se Sideways vencer? Não é inédito. Em 1981 todos pensavam que a luta era entre On a Golden Pond e Reds mas foi o indie britânico Charriots of Fire que venceu. Sideways tem o apoio de muitos actores e uma vitória, apesar de improvável, é possivel. Seria um enorme upset, o maior da noite.
- Entre Scorsese e Eastwood muitos devem estar a pensar "que venha o diabo e escolha". Mas e se a Academia escolher outro. Tal como Polanski em 2002 ou Mike Nichols em 1967. Nesse caso as hipóteses dividiam-se entre o jovem Payne ou o veterano Leigh. Já aconteceu, porque não acontecer de novo?
- Foxx parece um vencedor certo, mas quantas vezes um filme - para ter mais impacto - não teve um actor a vencer o óscar, mesmo havendo um rival mais forte? Não é muito comum mas já aconteceu. Por isso Eastwood e DiCaprio ainda podem ter esperanças. Seriam upsets menores, tendo em conta que se Depp ou Cheadle ganharem, isso sim seria uma surpresa total. Mas para muitos o upset é mesmo Foxx não ganhar, independentemente de quem vencer.
- E se Swank não ganhar? Esta é uma daquelas categorias que todos têm como certas mas que - ao contrário dos actores - pode gerar muitas surpresas que não seriam assim tão surpreendentes se não fosse este unanimismo generalizado. Isso porque tanto Annette Bening como Imelda Staunton estão notáveis nos seus desempenhos. E Staunton tem o apoio dos britânicos enquanto que Bening tem atrás de si uma legião de membros que poderá querer compensar o que se passou em 1999. Nada melhor do que o fazer contra Swank! Apesar de ser improvável, não seria de todo surpreendente que fosse outra que não a actriz de MDB a subir ao palco. Mesmo assim seria um upset.
- Outra categoria dada como adquirida. Mas é rarissimo o vencedor aqui não vencer o Globo, como é raro os quatro vencedores do SAG serem iguais nos óscares. Em principio alguém não vai repetir a vitória. E porque não Freeman? Já foi ignorado antes. E tanto Clive Owen como Thomas Haden Church estão ao mais alto nivel. Apesar disso é Clive Owen que tem boas hipóteses de bater Freeman. O actor de Closer tem um forte apoio britânico e foi extremamente aplaudido. Qualquer outra vitória seria um enorme upset - Alda por ser um outsider e Foxx por concorrer como actor. Haden Church seria uma surpresa, mas não tão grande. Mesmo assim a lógica diz-nos que é Freeman.
- A lógica também nos diz que é Blanchett a vencedora anunciada, mas não há categoria tão imprevisivel como a de Actriz Secundária. Mas claro, se a noite for de The Aviator o óscar é de Blanchett. Mas e se não for? Então aí há duas candidatas naturais ao lugar. Natalie Portman venceu o globo. Madsen tem o apoio de Sideways por detrás. Ambas podem vencer. Aliás, ambas merecem vencer. Mais do que a própria Blanchett. Mas seria sempre surpreendente. Mas nunca tão surpreendente como se fosse Linney ou Okonedo a triunfar. Isso sim seria um upset.
- Provavelmente um dos maiores upsets da noite é se Shrek2 bater The Incredibles. Não que o filme da Dreamworks não seja muito bom. Aliás é o filme mais visto do ano, um grande sucesso. Mas é que a unanimidade instalada à volta do sucesso da Pixar é tal que qualquer cenário que não a vitória de The Incredibles é impensável.
- Na área dos argumentos pode haver muitas surpresas e os vencedores não serem os anunciados Sideways e Eternal Sunshine of the Spotless Mind. Seria surpreendente mas teria a sua lógica. Isso se os vencedores forem Million Dollar Baby ou The Aviator, a caminho da noite de glória. Se não perder para um vencedor MDB, Sideways não perde nem por nada este óscar. A acontecer para outro filme seria um dos maiors upsets dos ultimos anos. Já o argumento de Kauffman tem concorrência pesada. Mesmo que The Aviator não vença, há sempre a hipótese de perder para dois filmes com forte apoio: Vera Drake ou Hotel Rwanda. Seria injusto e surpreendente, mas pode muito bem acontecer. Afinal não há duas sem três!
- Outro enorme upset seria se Mar Adentro não vencer o óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Não era a primeira vez que um claro favorito saía derrotado, mas depois do sucesso que o filme teve, e diante da concorrência, outro vencedor seria sempre surpreendente. A acontecer, Yeasterday e Les Choristes são os favoritos a ficar com o óscar.
- Outros upsets a acontecer.
The Passion of the Christ não vencer melhor maquilhagem.
Finding Neverland sair da noite sem um óscar.
O filme com mais óscares não ser melhor filme.
O melhor filme não vencer o óscar de montagem.
The Aviator vencer todos os óscares técnicos.
O melhor tema não ser Accidently in Love. Será um upset menor se perder para Learn to be Lonely.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:05 AM
fevereiro 26, 2005
O Convite
Amanhã, domingo dia 27 de Fevereiro, a partir das 10 horas e até às seis da manhã, o Hollywood convida todos os bloggers e todos os amantes do cinema a acompanhar o maior evento da industria cinematográfica em directo. Pelo segundo consecutivo há um blog português a cobrir "ao segundo" os óscares. Está tudo pronto. A passadeira vermelha está desenrolada, as estrelas começam a chegar. Só faltam vocês! Apareçam...
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:11 PM | Comentários (1)
Mar Adentro - Deixem-no morrer...
Um tema tão polémico como a eutanásia não podia ter sido tratado de forma tão simples, eficaz e bela como neste filme espanhol de grande nivel. Num ano cheio de temas polémicos, nenhum filme conseguiu marcar a sua posição de forma tão clara como Mar Adentro. E glória também a Javier Bardem a quem o realizador Alexander Payne chamou de "o maior actor do mundo"...
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E é de facto uma pena que Bardem tenha ficado de fora dos óscares. A sua presença era obrigatória. A sua vitória seria justissima. Seria o consagrar do maior actor espanhol da actualidade (alguém se atreve também a dizer de sempre?) e de uma das personagens mais tocantes do ano. Viver Ramon Sanpedro, um tetraplégico que luta para que o deixem morrer com dignidade, durante mais de 25 anos, era uma tarefa extremamente dificil. Só Bardem (que tinha já sido um paraplégico para Almodovar no grande Carne Tremula), o conseguiria fazer. Essa é uma conclusão lógica no final do filme. O filme gira todo à sua volta. Encontramos um magnetismo sem igual entre a camara e a sua cara, a única parte do corpo que se mexe. O que ao inicio pode parecer um contra-senso (Bardem é acima de tudo um actor muito fisico, ao estilo de um Brando), resulta na perfeição. Tanto nos momentos mais divertidos do filme - há gags brilhantes - como nas horas de maior frustração, a sua enorme qualidade vem ao de cima e toma conta da cena. Não admira que Alejandro Amenabar tenha feito tudo para ter Bardem no seu filme. Só de si já é meio caminho andado.

Mas para além do notável Bardem, um dos outros trunfos deste Mar Adentro é o de possuir um elenco ao mais alto nível. Aliás, não é por acaso que todos os actores foram premiados com Goyas. Lola Duenas foi eleito actriz do ano - com toda a justiça - tal como Celso Bugallo e Mabel Rivera venceram os prémios secundários enquanto que o jovem Tamar Novas e Belen Ruedas venceram os prémios revelação. Toda esta unanimidade à volta do elenco do filme é facilmente explicável. Apesar do dinamo central ser Bardem, é todo o universo que se movimento à sua volta que dá mais intensidade dramática às cenas. Desde o irmão, temeroso das consequências da decisão do irmão, passando pela devoção das várias mulheres da sua vida, sem esquecer o sobrinho que é também como um filho, este Mar Adentro não é apenas a história de Ramon Sanpedro. É acima de tudo a história de quem viveu com ele os últimos anos da sua longa vida de sofrimento.

A comandar todo este conjunto de talentos - outros os houve na parte técnica, especialmente na montagem e fotografia do filme - está Alejandro Amenabar, o novo menino-prodigio do cinema espanhol e europeu. A sua realização nem sempre é súbtil, deixando a história correr. Há momentos em que ele decide pegar no filme e conduzi-lo a seu belo prazer. Curiosamente é daí que partem as cenas mais belas de Mar Adentro. Um filme sobre dignidade, sobre preconceitos, sobre a dor e a alegria, enfim, sobre a vida, que Amenabar controla como se fosse Deus. Maior elogio não se lhe podia fazer.
É raro um filme sobre um tema tão polémico como a eutanásia revelar-se tão consensual. Ao ver-mos o filme, mesmo quando se é "a favor da vida" não deixamos de perceber que há escolhas que só a pessoa pode fazer. E que mais ninguém deve ter uma palavra sobre esse assunto. É esse o caso deste filme. Nem o advogado mais ilustre poderia defender melhor o caso de alguém que quer morrer com dignidade.
E Mar Adentro não é só um dos mais belos poemas da literatura espanhola. É igualmente o titulo do filme europeu do ano!
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O Melhor - Arrebatadora, tocante e emocionante é a performance de Javier Bardem. Neste momento ele é o grande actor do cinema europeu.
O Pior - Alguns momentos, especialmente no inicio, em que o filme não se consegue encontrar. Felizmente é um problema que é ultrapassado ao longo do filme.
Curiosidade - A transformação de Bardem, num homem de 26 anos para um tetraplégico de 70 anos é assombrosa, tendo mesmo conseguido uma nomeação ao óscar. Amenabar, com medo que isso chama-se mais à atenção do que o desempenho, divulgou fotos do actor para a imprensa com meses de antecedência, para que a imagem estivesse já nas cabeças dos espectadores quando fossem ver o filme.
Site Oficial - www.mar-adentro.com
Realizador - Alejandro Amenabar
Elenco - Javier Bardem, Lola Duenas, Celso Bugallo, ...
Produtora - Sogecine
Classificação - m/16
Duração - 125 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:39 PM | Comentários (2)
A Cobertura
Foram quinze dias a cobrir a edição deste ano dos óscares de forma regular e exaustiva. A um dia da cerimónia vale a pena olhar para trás. Leiam, comentem e façam as vossas apostas. A festa é já amanhã!
CALENDÁRIO
12 - 2004, Quem Está e Quem Ficou de Fora
13 - Um pouco de história
14 - As grandes injustiças dos óscares
15 - 2003, Como Foi
16 - Os óscares como duelo de produtoras
17 - Previsões das categorias técnicas
18 - Previsões das categorias sonoras
19 - Melhor Filme Animado e Melhor Filme Estrangeiro
20 - Melhor Argumento Original e Adaptado
21 - Melhor Actriz Secundária
22 - Melhor Actor Secundário
23 - Melhor Actriz
24 - Melhor Actor
25 - Melhor Realizador
26 - Melhor Filme
27 - A Cerimónia em Directo

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:32 PM
Hollywood-Óscares2004 - Previsões Melhor Filme...
Há muito tempo que não havia uma luta tão cerrada. E bem era preciso depois do dominio avassalador dos hobbits e companheiros no ano passado. Dois filmes estão na frente, lado a lado. Um terceiro corre habilmente por fora. E depois há outros dois filmes de grande suceso que procuram fazer o maior estrago possível. Era dificil pedir mais!





O duelo Million Dollar Baby vs The Aviator nunca esteve nas cogitações dos seguidores dos óscares ao longo do ano transacto. Primeiro porque Eastwood só decidiu à última da hora lançar o seu filme. Segundo porque sempre pareceu que este seria o ano dos épicos. E terceiro porque há sempre a esperança de que Hollywood reconheça os melhores. Nesse caso The Aviator nem nomeado seria. Mas foi juntamente com MDB, Sideways, Ray e Finding Neverland. Mas apesar de serem cinco os nomes, a corrida é a dois.

A Favor - Teve o momentum perfeito. Foi entre o periodo das nomeações e a altura em que os boletins chegaram a casa dos membros da Academia que tudo parecia dizer que MDB era único. E é, o que ajuda. É um filme fabuloso, dos melhores dos últimos anos, capaz de comover o mais duro, e de deixar atarantado o mais precavido. Apesar de ter poucas nomeações é um vencedor pré-anunciado em três delas. E é o chamado voto "feel-good" de que a Academia tanto gosta.
Contra - É raro o filme que vence o óscar de Melhor Filme sem ter mais nomeações, sem vencer montagem ou argumento. E é isso que parece acontecer com MDB. Tem menos quatro nomeações técnicas que The Aviator, deve perder para esse filme na montagem e para Sideways no argumento. Além do mais há quem ache que The Aviator tem todo o glamour necessário. E a polémica à volta do final pode ter causado alguma mossa. É uma aposta mais arriscado do que The Aviator de certeza absoluta.

A Favor - Tem o maior número de nomeações e deverá vencer pelo menos quatro categorias técnicas o que mostra que nessa área tem um forte apoio. É um filme construido de propósito para os óscares, com todo o glamour e emotividade necessários para tentar a estatueta. E tem o efeito Scorsese e a poderosa máquina de propaganda da Miramax.
Contra - Perde em qualidade para MDB e não tem o apoio claro dos actores como o filme de Eastwood. Nas categorias de destaque deve apenas vencer uma o que é manifestamente pouco. Além do mais perdeu o momentum na altura exacta, tendo só recuperado agora. O efeito Scorsese pode ser igualmente negativo, caso se confirme que a Academia não gosta mesmo dele.
SIDEWAYS

A Favor - É um filme que tem o apoio da critica e dos actores, o que pode significar muito na hora H. É um trabalho não só comovente como refrescante e há quem pense que num ano tão divido entre dois filmes, cada qual á sua maneira, mais mainstream, um outro candidato pode surgir. E esse seria Sideways.
Contra - Pouqissimas nomeações, especialmente em categorias chave. Além do mais em praticamente nenhuma - tirando argumento - surge como claro favorito. E não tem os votos técnicos.

A Favor - É um belo filme que pode comover muitos votantes. Mas pouco mais do que isso.
Contra - A Miramax deixou o filme cair e isso foi um enorme rombo nas suas expectativas. Apesar de ser previsivel. Apesar das nomeações chave, não tem o realizador na lista o que pode condicionar logo os votos dos membros mais puristas.

A Favor - Poderia ser um vencedor sentimental num ano em que Ray Charles deixou de pertencer ao mundo dos vivos. Além do mais a campanha da Universal é muito boa. Mas não chega.
Contra - O filme é bastante bom, mas nos Estados Unidos só vêm nele Jamie Foxx. O que condena de imediato qualquer esperança. No entanto é parecido quante baste com A Beautiful Mind. Só que num ano como este, seria sempre dificil vencer.
Quem Vai Ganhar - Million Dollar Baby
Quem Merecia Ganhar - Million Dollar Baby
Quem Pode Ganhar - The Aviator
A Grande Surpresa - Ray
O Grande Ausente - Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:10 AM | Comentários (3)
fevereiro 25, 2005
Novidades cinematográficas da terra dos "tabus"
Os óscares estão aí a chegar e a cobertura do Hollywood tem sido exaustiva. Mas o mundo do cinema não para e por isso chegou a altura de actualizar-mos um pouco as novidades do que tem acontecido na industria.
Sharon Stone fez uma revelação brutal ao anunciar que o próximo Basic Instant, a ser rodado em Inglaterra, vai ter cenas de sexo..lésbico. Aproveitando a onde de filmes como Mullholand Drive, também este filme quer chamar a atenção do público, juntando assim duas mulheres no que, até há alguns anos, em cenas de sexo explicito. Algo impensável há alguns anos. O lesbianismo foi mesmo um dos últimos tabus a ser quebrados pela industria. Alguns ainda subsistem.
É o caso das relações entre menores e adultos. Tudo isso por causa da polémica de New World. O realizador Terence Malick quer ter uma cena mais quente entre Colin Farrell e a jovem india que vai interpretar Pocahontas. O problema é que a jovem tem apenas 14 anos e se essa cena for mesmo editada com o resto do filme, New World pode ter uma classificação NC-17, semelhante à dos filmes pornográficos. Um problema que a New Line Cinema está a tentar resolver, dissuadindo Malick de a colocar no filme. Um problema bicudo para resolver.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:23 PM | Comentários (2)
Hollywood-Óscares2004 - Previsões Melhor Realizador...
É um grande duelo, dos melhores que a história do cinema já teve. O último dos movie-brats no activo contra o último dos clássicos, o last american hero. Quem vencer será certamente um justo vencedor, um mais pela carreira nunca reconhecida e o outro pela carreira brilhante e única. Tudo o resto parece ser paisagem...





Martin Scorsese tem uma grande carreira de trinta anos atrás de si. Já sonha com o óscar há muito tempo mas nunca a Academia o considerou o melhor dos melhores. E os anos foram passando e agora aqui está ele de novo ao ataque do único prémio que lhe falta. Já Clint Eastwood foi galardoado a tempo, há quase quinze anos. Mas a sua carreira tem vindo a melhorar de ano para ano sendo que é o único realizador que, com 75 anos, parece tão jovem como os mais jovens. Por sua vez há ainda Alexander Payne, Taylor Hackford e Mike Leigh. Mas alguém se importa?
CLINT EASTWOOD - Million Dollar Baby

A Favor - Até muitos dos mais fervorosos adeptos de Scorsese consentem que este ano "The Clint" mostrou-se superior. De facto as vitórias nos Globos e DGA não enganam. A vitória parece estar certa, sendo mais provável um The Aviator-Clint do que um MDB-Scorsese.
Contra - Há apenas dois contras. Se The Aviator vencer tudo, será lógico que Scorsese também vença. Mas há uma outra situação. Mesmo que MDB vença, pode haver um sentimento de culpa por muitos membros, especialmente por aqueles que na altura certa falharam em votar em Scorsese. Aí, a coisa pode complicar-se.
MARTIN SCORSESE - The Aviator

A Favor - Tem o filme com mais nomeações e isso normalmente ajuda. Além do mais há um sentimento de culpa em Hollywood pelo facto de nunca ter vencido o óscar em várias tentativas.
Contra - Muitos acham que a Academia simplesmente não gosta de Scorsese como também não gostava de Hitchock, Wells ou Hawks. E não há filme que lhe valha. Além do mais é quase consensual que Eastwood é melhor, pelo menos este ano. E The Aviator pode ser um novo Gangs of New York.
ALEXANDER PAYNE - Sideways

A Favor - Se por algum acaso do destino, o filme conseguir juntar os votos suficientes para causar muitas surpresas, o seu nome pode ser dos contemplados. No entanto é pouco provável que este seja um novo Charriots of Fire. Mesmo sendo ele a "Sofia Copolla" do ano.
Contra - Primeiro há o duelo Scorsese e Eastwood. E depois há ainda o facto de nem a critica que votava o seu filme como o melhor desde Dezembro o premiou regularmente como melhor realizador. Dá que pensar!
MIKE LEIGH - Vera Drake

A Favor - É um nome muito respeitado na Academia, sendo já a segunda vez que é nomeado. Conta com o forte apoio dos britânicos e dos amantes do seu interessantissimo filme.
Contra - Pouca margem de apoio, tirando os membros britânicos. Para além do duelo entre Scorsese e Eastwood claro. Há ainda o facto de nunca um realizador ter vencido o óscar sem ver o seu filme nomeado.
TAYLOR HACKFORD - Ray

A Favor - Praticamente nada. O filme é Foxx e todos sabem disso.
Contra - Tudo. Não tem o mérito do filme e há quem considere que a sua presença na categoria já é exagerada quanto baste.
Quem Vai Ganhar - Clint Eastwood
Quem Merecia Ganhar - Clint Eastwood
Quem Pode Ganhar - Martin Scorsese
O "óscar carreira" - Martin Scorsese
A Grande Surpresa - Taylor Hackford
O Grande Ausente - M. Night Shyamalan
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:31 AM | Comentários (3)
Sideways - Glória ao cinema indie
É dos generos cinematográficos mais desvalorizados mas é também um dos melhores. Um contra-senso que se explica nos gostos do público e nos preconceitos da critica. Felizmente Sideways agradou a gregos e a troianos. O que é natural já que se trata de um belissimo filme, um dos melhores do ano que findou.
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O argumento é delicioso. As performances do mais alto nível. A realização é arrojada e extremamente confiante. Toda a máquina de produção funciona às mil maravilhas. Às vezes as pessoas vêm um filme indie e ficam admiradas. Nunca pensariam que pudesse ser tão bom. Mas quando se tem isto tudo, como Sideways tem de sobra, que resultado é que se pode esperar se não este?
Sideways não é Lost in Translation. A diferença entre os dois não poderia ser maior da diferença de um Pinot para um Chardonais, de acordo com Miles. Ou de uma loira para uma asiática de acordo com Jack. Mas são ambos a prova viva de que há uma forma de fazer cinema completamente diferente da corrente mainstream, com muito mais qualidade e muito menos custos. E numa arte que é também uma industria, isso pode vir a fazer toda a diferença.

Uma outra semelhança que ambos os filmes têm, é o de terem jovens realizadores prontos a experimentar novas formas de conquistar o seu público. Depois dos sucessos que foram Election e About Schmidt, o jovem e carismático Alexander Payne decidiu fazer um novo road-movie que não é um road-movie. Decidiu fazer um filme sobre vinho que não é sobre vinho. Ou seja, decidiu arriscar tudo o que tinha nos cavalos com menos hipóteses de ganhar a corrida. Mas ganhou-a. O filme não começa muito bem, confessamos. Demora um pouco a ganhar a dinamica e o ritmo pretendidos. Mas como um vinho melhora com a idade, também o filme evoluiu com o tempo. As personagens também foram crescendo. O Miles que vimos no primeiro plano não é o Miles que vemos no último. Houve uma fase de crescimento que deu vida ao filme, e que só poderia ser interpretada daquela forma pelo grande - e subvalorizado - Paul Giamatti. O mesmo acontece com Jack, igualmente interpretado na perfeição por Thomas Haden Church (um ano em que três actores secundários se apresentam como justos vencedores do óscar só pode ser um bom ano). E é nesse crescimento emocional que Sideways se destaque de outros indies. E se afirma perante a critica - que se rendeu ao filme - e diante do público - que aplaudiu o trabalho de Payne e companhia.

Já falamos sobre Giamatti e Haden Church um pouco, mas convém esclarecer três pontos. O primeiro é o da ausência de Giamatti na corrida ao óscar. A verdade é que este é um ano em que pelo menos doze actores mereciam estar no lote dos eleitos e alguém tinha de ficar de fora. A fava calhou - entre tantos outros - a Giamatti. Infelizmente foi pelo segundo ano consecutivo. Talvez a razão principal seja a sua personagem. O cinema tem o condão de fazer - aos olhos dos mais moralistas - com que os individuos mais desagradáveis, imorais ou irritantes, pareçam os tipos mais porreiros do mundo. Isso acontece com Miles. Um homem que rouba a mãe sem piedade, que mente, que se embebeda com facilidade, não é uma personagem muito apelativo. E isso nota-se. Mas o truque nestes casos é a forma como se interpreta. E Giamatti fá-lo muitissimo bem, fazendo mesmo com que os calcanhares de aquiles da personagem passem para segundo plano. Um outro ponto para Thomas Haden Church. É uma das revelações do ano, disso não há duvida. A forma como vive Jack - outro personagem imoral - é sublime em todos os aspectos, não só quando surge como conselheiro de Miles como também quando se transforma no "macho" do grupo. Se vencer o óscar poderá dizer-se que é justo e não é. Tudo por causa da concorrência.
Por fim uma pequena nota para o restante elenco. Sandra Oh vai muito bem no seu papel, fazendo tudo de forma muito certinha mas sem grande sentido dramático. Ao contrário de Virginia Madsen. A sua beleza irradia o ecrãn, e a sua suavidade tornam-a a luz do filme. As cenas - que são poucas - em que entra, são das mais tocantes de todo o filme. Não precisa de falar para mostrar o que sente e isso é um truque que só os melhores conseguem fazer na perfeição. É portanto um regresso que saudamos com alegria. Não é todos os dias que se ganha uma actriz que muitos julgavam perdida.

Apesar de ter cinco nomeações - com a vitória no argumento certa e um actor secundário na calha - este não é um filme para ser visto numa perspectiva mainstream como são os prémios. É um filme para - tal como um bom copo de vinho - ser apreciado com calma e prazer. Um filme para ser sentido e explorado. Quando a vida se parece resumir a vinho e mulheres, isso parece-nos superfulo demais para ser verdade. Sideways mostra exactamente o contrário. Às vezes o que a vida precisa mesmo é de um pouco de vinho e mulheres, para a tornar mais agradável. Mais humana. Vejam o filme, e depois pensem nisso.
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O Melhor - O filme está repleto de coisas muito boas. Mas talvez a melhor seja mesmo o argumento. Diferente, arrojado, fresco e cheio de ideias interessantes - a conta perde-se pelos dedos das mãos - ele é a trave mestre deste belissimo filme.
O Pior - O inicio do filme. Custa-nos, a inicio, apaixonarmo-nos pela aquela dupla, pelas suas desventuras, e pela sua forma de estar na vida. Nada que não seja habilmente corrigido com o tempo.
Curiosidade - A actriz Sandra Oh, que dá vida a Stephanie neste filme, é na realidade casada com Alexander Payne, o realizador. Resta saber o que Payne achou das cenas mais quentes com Haden Church. Se calhar também ele gostaria de ter partido o nariz ao actor, quem sabe!
Site Oficial - www2.foxsearchlight.com/sideways
Realizador - Alexander Payne
Elenco - Paul Giamatti, Thomas Haden Church, Virginia Madsen, Sandra Oh, ...
Produtora - Fox Searchlight
Classificação - m/16
Duração - 123 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:16 AM
Being Julia - Um verdadeiro tour de force...
Pode até nem ganhar o óscar, mas que merecia lá isso merecia. E isso é o menos que se pode dizer da interpretação assombrosa de Annette Bening. O que vale é que os prémios não são tudo e o prazer de ver esta actriz representar está acima de tudo o resto...
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Muitos perguntam o porquê de haver tantos filmes em que o destaque principal é a actriz. A resposta é clara. Hollywood sempre foi, e ainda é, um espaço predominantemente masculino. Os guiões são escritos a pensar em homens, os filmes são pensados tendo em vista o actor que vai dar carisma a cada uma das cenas. E, inevitavelmente, todos os grandes mitos do cinema (tirando algumas excepções) tanto atrás da camara, nos escritórios de produção e mesmo na tela, são homens. Às mulheres ficam guardados os papeis de mães, tias, avós, femmes fatales ou beldades. E pouco mais.
Claro que Being Julia contradiz tudo isto. E em boa hora o faz. O filme gira todo em torna de uma mulher, a actriz de teatro Julia Lambert, da sua vida, das suas performances dentro e fora do palco, e das suas conturbadas relações, onde é dificil ver onde acaba a actriz e começa a mulher.

Este é um filme com uma garra e dinâmica verdadeiramente notáveis. O trabalho de realização de Istvan Szabo, o hungaro já galardoado com um óscar, é muito bom, aproveitando bem a narrativa e a performance das suas personagens. É claro que sendo este filme baseado numa peça do notável dramaturgo Somerset Maugham, tudo fica mais facilitado. Mesmo assim os planos, o som e, acima de tudo, o timing certo para cada cena, valorizam imenso o filme. Filme esse que no entanto pertence aos actores, e a uma actriz em particular. Não que Jeremy Irons não esteja ao seu melhor nivel. Que Michael Gambon não seja absolutamente delicioso. Ou que Bruce Greendwood seja de uma sobriedade tipicamente britânica. Mas Being Julia é sobre Julia. Ou seja, este filme é um Being Annette.

Conhecida talvez mais por ser Mrs Beatty do que propriamente pela sua carreira como actriz, Bening já deu inumeras provas do seu grande talento. A derrota em 1999 diante de Hilary Swank deve ter abalado um pouco a sua auto-confiança porque a partir daí dedicou-se à vida de casal, abandonando os filmes. Felizmente este ano está de regresso e melhor do que nunca. A sua interpretação, num filme de interpretações, é sem dúvida a melhor do ano (apenas Kate Winslet pode competir com Bening sem sair a perder), e uma das mais notáveis dos últimos tempos. Cada cena é uma verdadeira lufada de ar fresco. Quer seja quando chora ou quando ri, quando faz esgares ou quando utiliza todo o seu sex-appeal, provando que a idade ainda não passou por ela. O filme é todo ela, e é isso que o faz ser tão bom.

Apesar de haver cenas notáveis do primeiro ao último minuto, é o seu tour de force final que lhe dá a grandeza necessária para completar uma maratona que só uma verdadeira diva seria capaz de percorrer sem mostrar o minimo sinal de cansaço. É assim confortante ver o que uma actriz é capaz de fazer com um filme nas mãos. As últimas actrizes que venceram o óscar, conseguiram-no em filmes que dominam por completo. Foi assim com Theron, Kidman (em parte), Berry, Roberts e Swank. Se a tendência se mantiver, Bening teria boas hipóteses de ver justiça ser feita. O que é improvável no entanto. Mas mesmo assim, mesmo que o óscar lhe volte a escapar das mãos, a verdade é que com um punhado de performances, a grande actriz que é Annette Bening, conseguiu acima de tudo colocar-se no grupo das maiores divas dos nossos dias. E por isso continuaremos à espera de papeis assim, esperando que não esta não tenha sido apenas uma performance de uma vida. Seria o cinema a perder se assim fosse.
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O Melhor - A notável performance de Bening. Encarna Julia na perfeição, alternando entre o humor e o drama com tanta facilidade como a sua personagem aparenta conseguir. E esse é o seu maior trunfo.
O Pior - Num filme extremamente competente, talvez a personagem de Michael Gambon pudesse ser mais explorada em diálogos entre as restantes personagens.
Curiosidade - Ao ver este filme não podemos deixar de nos lembrar do igualmente assombroso papel de Betty Davies em All About Eve ao viver Margo Channing. Anne Baxter fez de sua rival num filme que ficou igualmente conhecido por ter sido dos primeiros em que apareceu uma jovem loira de seu nome, artistico claro, Marilyn Monroe.
Site Oficial - www.sonyclassics.com/beingjulia
Realizador - Istvan Szabo
Elenco - Annette Bening, Jeremy Irons, Michael Gambon, ...
Produtora - Serependity
Classificação - m/12
Duração - 105 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:23 AM
fevereiro 24, 2005
FOR YOUR CONSIDERATION

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:15 PM | Comentários (1)
Hollywood-Óscares2004 - Previsões Melhor Actor...
Apesar deste ter sido um ano em que mais do que dez actores poderiam cobiçar com legitimidade a estatueta dourada, há muito tempo que um nome corre sozinho. Resta saber se há última hora acontece algo verdadeiramente surpreendente. Se assim fosse, seria o ponto alto da noite...





Foxx, Foxx, Foxx é o nome que se ouve. Ninguém coloca a hipótese de ser outro o vencedor da estatueta dourada. Nem Clint Eastwood, nem Leonardo di Caprio, nem Don Cheadle ou Johnny Depp. De facto o desempenho de Foxx como Ray Charles é memorável mas num ano em que ficaram mais de dez nomes de fora com desempenhos ao mesmo nivel, há uma leve sensação de que uma surpresa vinha bem a calhar.
JAMIE FOXX - Ray

A Favor - Praticamente tudo. Encarna na perfeição um dos maiores icones dos Estados Unidos, recentemente falecido. Venceu tudo o que havia para ganhar na temporada de prémios sem qualquer discussão. E há muito que a campanha da Universal tem mostrado apostar tudo na sua vitória.
Contra - É um actor com pouca obra em Hollywood e há quem ache que num ano onde concorrem dois actores com uma brilhante carreira, isso pode prejudicá-lo. Há também a hipótese de haver quem vote na sua performance em Collateral, preferindo dar a estatueta principal a outro actor.
CLINT EASTWOOD - Million Dollar Baby

A Favor - É um dos maiores desempenhos do ano e talvez o melhor da sua longa carreira que já tem mais de 25 anos. Ele é um dos homens mais admirados em Hollywood e pode haver um desejo de o premiar, tanto mais que poderá não voltar a haver uma oportunidade. Se o seu filme cair por completo no goto de MDB, a sua candidatura torna-se fortissima.
Contra - Foxx tem uma grande vantagem já que venceu todos os prémios da pré-temporada, onde na maior parte dos casos Eastwood nem esteve nomeado. Além do mais, se a noite for de The Aviator, uma vitória torna-se improvável.
LEONARDO DI CAPRIO - The Aviator

A Favor - Tal como Eastwood pode benificar do efeito filme. Ou seja, se The Aviator desatar a vencer prémios, então a alma do filme, que é sem dúvida alguma DiCaprio, pode sair a ganhar. Até porque venceu o Globo.
Contra - Tal como todos os outros, também DiCaprio parte muito atrás de Foxx. E tal como Eastwood, se o filme falhar em conquistar os óscares chave, a sua primeira nomeação não passará disso mesmo.
DON CHEADLE - Hotel Rwanda

A Favor - Quando foi nomeado era o candidato com menos hipóteses a ganhar. Agora há quem fale num novo "Adrien Brody" na edição deste ano. Tudo porque Hotel Rwanda tem coleccionado imensos apoios. Pode não ganhar, mas terá bastantes votos.
Contra - Tudo o que já foi dito sobre Eastwood e DiCaprio, com a agravente do seu filme não ter muitas nomeações. A sua vitória é vista apenas como sentimental o que pode ser pouco num ano como este.
JOHNNY DEPP - Finding Neverland

A Favor - É Depp num registo que poucos esperavam ver. Ele é um dos actores mais amados de Hollywood (a vitória no SAG do ano passado prova isso) e há quem comece a achar que um óscar já lhe é devido. Num outro ano a sua candidatura seria mais forte. Mas a Miramax deixou cair Finding Neverland e Depp tem agora a seu favor apenas o seu nome, que ainda assim tem algum peso.
Contra - Quando a Miramax apostou tudo em The Aviator já se tinha percebido que Depp iria perder com isso. Sem qualquer apoio, Finding Neverland corre o risco de não ganhar nenhum óscar como não venceu nenhum prémio de pré-temporada desde o NBR. De favorito a último, foi assim nos últimos dois meses para Depp.
Quem Vai Ganhar - Jamie Foxx
Quem Merecia Ganhar - Clint Eastwood
Quem Pode Ganhar - Clint Eastwood/Leonardo diCaprio (depende do filme que vencer a noite)
O "óscar carreira" - Johnny Depp
A Grande Surpresa - Don Cheadle
O Grande Ausente - Paul Giamatti
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:55 AM | Comentários (2)
Spielberg ataca forte em 2005
Promete ser um dos anos mais aliciantes da sua carreira. Depois de lançar The War of the Worlds no próximo verão, o realizador Steven Spielberg prometeu ter o seu "outro projecto" pronto antes do final do ano. O filme tem o titulo de Vengeance e retrata o ataque terrorista perpetrado por palestinianos contra a equipa olimpica de Israel durante as olimpiadas de 1972. Eric Bana, Daniel Craig e Marie Josee-Croze são os nomes já confirmados no elenco. O filme será filmado em tempo recordo no Verão e inicios do Outono para ser apresentado ao grande público na semana do Natal, bem a tempo de concorrer aos prémios de 2005, onde Spierlberg é presença assidua.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:28 AM | Comentários (4)
fevereiro 23, 2005
Hollywood-Óscares 2004 - Previsões Melhor Actriz...
Repete-se o duelo de 1999. Quem diria que passado apenas cinco anos iriamos ter de novo as mesmas duas actrizes a lutarem pela estatueta dourada. E quem imaginaria que haveria uma senhora inglesa muito respeitável a meter-se no meio da disputa? E onde cabe Clementine no meio de tudo isto?





Repete-se o duelo Annette Benning-Hilary Swank. Quem diria. Mais, quem diria que Swank estaria de novo na frente da corrida, a caminho de um segundo óscar antes dos 40 anos, algo não muito comum para os lados de Hollywood. A grande rival de Swank pode mesmo ser Imelda Staunton, a estrela de Mike Leigh e do seu novo filme, Vera Drake.
Curiosamente a actriz que mais merecia a estatueta está fora da corrida há muito tempo. Falo obviamente de Kate Winslet. Já em relação a Catalina Sandino Moreno, ela é o exemplo perfeito da frase "ser nomeado já é uma vitória".
HILARY SWANK - Million Dollar Baby

A Favor - Um desempenho memorável que se destaca logo da concorrência. Swank tem ainda a sorte/mérito de estar no filme do ano o que ajuda sempre a atacar os óscares com uma forte base de apoio. As vitórias nos Globos de Ouro, no SAG e em várias associações de criticos não parecem dar grandes margens para duvida.
Contra - A Academia pode achar um exagero dar duas estatuetas em cinco anos a uma actriz que para além dos filmes por que foi nomeada não fez mais nada de destaque. Além do mais há o forte apoio dos britânicos a Staunton e do nucleo de veteranos a Benning.
IMELDA STAUNTON - Vera Drake

A Favor - Um desempenho emocionalmente intenso e muito bem aproveitado pelo realizador britâncio. O filme é ela, e não nos podemos esquecer que é um filme muito popular. Além do mais há 500 membros britânicos dispostos a votar na joia da casa. Bateu Swank nos BAFTA. Pode benificiar na divisão de votos entre as rivais. Além do mais há quase tantas actrizes britânicas como americanas a vencer o óscar.
Contra - É uma actriz desconhecida que nunca fez nada de destaque no cinema. A sua personagem não é polémica mas o filme é-o para alguns sectores mais conservadores. Há a ideia de que é apenas uma actriz britânica num bom papel.
ANNETTE BENNING - Being Julia

A Favor - É uma das divas de Hollywood, uma actriz muito respeitada e uma mulher extremamente apreciada. Muitos achavam que deveria ter vencido o óscar em 1999 e podem querer compensá-la este ano. O facto da rival ser a mesma pode confirmar essa tendência.
Contra - Pouquissima gente viu o filme. Foi carregado pela imprensa especializada durante alguns meses mas nunca teve muitos espectadores e passou ao lado de muitos votantes. A campanha foi praticamente inexistente.
KATE WINSLET - Eternal Sunshine of the Spotless Mind

A Favor - Já tem várias nomeações aos óscares e já é praticamente da casa, havendo um sentimento de que "qualquer dia ganha um". É indiscutivelmente o desempenho do ano, e houve imensas associaçao de criticos que o confirmaram. Marcou sempre presença nos top´s, o que prova que tem uma margem de apoio sólida.
Contra - O filme foi apreciado mas teve pouco impacto, além do seu papel ser demasiado bizarro para arrecadar o óscar. Os membros britânicos irão perferir Staunton a ela, reduzindo a sua margem de apoio. A campanha também não foi a melhor.
CATALINA SANDINO MORENO - Maria Full of Grace

A Favor - Pode ter os votos da comunidade hispânica e de alguns liberais.
Contra - Tudo. Uma vitória é impensável. Actriz desconhecida e filme praticamente desconhecido. Performance boa mas nada do outro mundo e uma longa carreira pela frente condicionam em tudo a candidatura de Moreno. Poder ver a cerimónia ao vivo é já por si uma grande vitória.
Quem Vai Ganhar - Hilary Swank
Quem Pode Ganhar - Imelda Staunton
Quem Merecia Ganhar - Kate Winslet
"O óscar de carreira" - Annette Benning
A Grande Surpresa - Catalina Sandino Moreno
A Grande Ausente - Scarlett Johansson
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:49 PM
FOR YOUR CONSIDERATION

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:14 PM
O Que Estreia Por Cá - Vamos falar de vinho...
Alexander Payne traz-nos Sideways, o filme mais amado pela critica em 2004 nos Estados Unidos. Entre vinho e mulheres, dois amigos vão perceber que a vida é tão complexa como uma colheita de 30 anos e um beijo de 30 segundos. Um filme repleto de magia na última semana de estreias antes dos óscares...

Foi um dos filmes mais aclmados nos Estados Unidos, vencendo mais de 20 prémios da critica como filme do ano. Alguma coisa tem de estar por detrás de todo este apoio incondicional a um filme que tem ainda cinco nomeações aos óscares.
Em primeiro lugar há obviamente que referir o trabalho de Alexander Payne, um dos novos meninos prodigios do cinema norte-americano. Depois dos excelentes Election e About Schmidt, o realizador volta a escrever um argumento captivante, transformando depois o texto numa mistura de emoções que poucos conseguem traduzir com tanto á vontade.
Depois há o notável elenco do filme. Paul Giamatti, um dos mais interessantes e desprezados actores norte-americanos de hoje, que veio de um desempenho memorável em American Splendor, para dar uma aura de normalidade - no bom sentido - à sua personagem e a todo o filme. Há ainda a regressada Virginia Madsen, que funciona como farol em todo o filme, e ainda Thomas Haden Church e Sandra Oh, que não só dão um registo mais cómico às cenas, como em muitos casos, grande dramatismo.
Recomendado por todos os amantes de cinema norte-americanos, e com uma premissa destas, vale a pena juntar-mo-nos a Jack e a Miles nesta viagem pelo mundo dos vinhos, das mulheres, dos sonhos e das desilusões.

Nesta última semana de estreias antes dos óscares, há mais quatro filmes, incluindo dois filmes nomeados.
Being Julia é dirigido pelo hungaro Ivan Stzabos e traz uma Annette Benning em grande forma. Benning é uma actriz de teatro que cai nas graças de um jovem que a toma por amante. Só que mais tarde vai substitui-la por uma jovem actriz. É chegada então a altura da vingança de Julia. Com Michael Gambon, Jeremy Irons e Bruce Greenwood nos restantes papeis, este é um filme que promete.

Mar Adentro é o filme espanhol do ano, tendo conquistado 14 Goyas na sua última edição. Realizado por Alejandro Amenabar, o filme é inspirado na vida do poeta galego Ramon Sampedro interpretado magistralmente por Javier Bardem. Um filme sobre a eutanásia mas não só que promete ser o grande favorito a arrecadar o óscar de melhor filme estrangeiro.

Estreado no âmbito do 25º Fanstasporto, chega a Portugal Constantine, filme inspirado numa personagem de comics e interpretado por Keanu Reeves. Filme recheado de efeitos especiais e inspirado na banda desenhada sobre o investigador que deambula entre dois mundos.

Por fim temos o filme francês, Eros Thérapie, novo trabalho do realizador Danièle Dubroux. Um filme sobre todas as fantasias sexuais que passam pelo frequentadores de uma clinica de disfunção sexual. Um filme alternativo que conta com as participações de Isabelle Carré, Catherine Frot e Melvil Poupaud.

O Hollywood Recomenda - Ver Sideways, mais um trabalho alternativo de Alexander Payne, ele que partilha com Sofia Copolla, o titulo de maior promessa do cinema americano.
O Hollywood Desanconselha - Quando estreia o FantasPorto - com todos os problemas inerentes à sua organização - chega a Portugal mais um filme de ficção cientifica inspirado numa personagem de comics. Como diz Clint Eastwood, já estamos todos um bocado fartos de filmes deste genero.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:19 AM
The Merchant of Venice - Um Shylock inesquecível num filme sofrivél
Pegar numa das mais deliciosas peças de William Shakespeare e fazer dela um grande filme é extremamente dificil, tanto pela complexidade dramática como pela ambiência da época. Mas o que se vê neste filme é que essa tentativa nem foi feita já que tudo o que vemos é uma peça de teatro filmada sem coração ou ritmo que se note. Claro que tudo fica para segundo plano quando entre em cena Al Pacino, mas seria pedir demais fazer um filme melhor?
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É pena que uma das mais interessantes peças de William Shakespeare tenha conhecido uma adaptação tão sofrivel ao cinema. Ao longo do filme - tirando a cena do tribunal, mas lá iremos - não há alma, dinâmica nem ritmo que nos entusiasme. O oposto do que William Shakespeare quereria!
A estrutura narrativa de Merchant of Venice - dividida em três - era dificil de adaptar, é certo, mas mesmo assim esperava-se muito mais de Michael Radford, conhecido pelo seu filme Il Postino. Não fosse pelo seu elenco e este filme seria uma nulidade. Não fosse por Al Pacino e este filme seria mediocre. E o mais estranho é que se fosse uma peça e não um filme, teria um impacto muito superior ao que teve. Isto porque Radford não conseguiu perceber as diferenças do que é copiar o modelo de uma peça ao cinema, e adaptar uma peça ao cinema. Por exemplo, Closer é uma peça. Mas tambem é um filme. Em ambos os casos é brilhante. Porque não acontece o mesmo aqui? Porque o realizador foi um erro de casting. O único, é certo, mas um erro que impediu o filme de crescer em todos os aspectos.

Vão-se os aneis, ficam os dedos! Sem nada mais que os actores - a base de qualquer trabalho shakespeariano é o trabalho de actor - o filme vai vivendo dos rasgos de génio de Al Pacino, da presença de Joseph Fiennes e Jeremy Irons, ou da enorme beleza de Lynn Collins.
Comecemos por ela. Uma actriz practicamente desconhecida, vinda do Texas, consegue encarnar Portia com uma segurança praticamente inabalável. Aliando a sua beleza, sensualidade e saber estar nas cenas a solo, e a sua sobriedade e intelegência quando deixa por instantes o papel de Portia para encarnar o de juiza, ela é uma luz ao fundo do tunel neste filme. E uma esperança para o futuro.
Já Joseph Fiennes e Jeremy Irons não poderão lembrar-se deste filme como um dos seus melhores. Especialmente Irons, um dos grandes actores britânicos de sempre que tem aqui uma performance extremamente apagada, culpa também da realização que o atira para um segundo plano incompreensivel. Por sua vez Joseph Fiennes - reaparecido após anos de ausência - está confortável no seu papel mas não consegue passar de um nivel mediano, ao contrário do que prometia no final dos anos 90.

No entanto vale a pena ver este filme para poder-se assistir ao notável desempenho de Al Pacino como Shylock. Uma das personagens mais intrigantes e apaixonantes da bibliografia de William Shakespeare, num papel que até esteve para ser de Dustin Hoffman, a verdade é que o Shylock de Pacino é a chave deste filme. Tanto nas cenas mais dramáticas e explosivas - "if we bleed, do we not cry?" - como nas cenas mais simples e rotineiras, o actor comanda a acção com uma garra inolvidável. Um verdadeiro show de interpretação, de over-acting, num dos melhores papeis do ano.
E o ponto alto da sua performance chega exactamente na única sequência de cenas do filme que fogem à mediocridade. A cena do tribunal consegue ser bem dirigida, notavelmente interpretada e a reviravolta no guião bem explorada. Mas é uma mera ilha num oceano de vazio de emoções.

Esperava-se mais de um dos filmes que mais encantou o Festival de Veneza na edição deste ano. Esperava-se mais garra, mais emoção, enfim mais da fórmula inicialmente aplicada pelo maior dramaturgo da história. No final ficamos apenas com Al Pacino num dos seus melhores desempenhos de sempre e pouco mais. Muito pouco para algo que podia ser tão grande.
Classificação - ![]()
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O Melhor - O desempenho de Al Pacino como Shylock é dos mais memoráveis de 2004. Sem duvida alguma!
O Pior - O fracasso do filme acenta em Michael Radford. O realizador nunca consegue dar a ideia de estar a fazer um filme sobre The Merchant of Venice. A verdade é que se encontra demasiado preso aos canônes tradicionais do teatro shakespeariano para lhe dar vida. Nada que se compare a um Hamlet de Olivier, McBeth de Wells ou o Henry V de Branagh.
Curiosidade - O actor Joseph Fiennes é um especialista nos palcos londrinos em papeis shakesperianos, tal como sucede neste filme. Mas ele é até hoje um dos pouqissimos actores que deram vida ao próprio William Shakespeare. Foi no filme Shakespeare in Love que acabou por ser eleito o melhor filme de 1998.
Site Oficial - www.sonypictures.com/classics/merchantofvenice
Realizador - Michael Radford
Elenco - Al Pacino, Joseph Fiennes, Lynn Collins, Jeremy Irons, ...
Produtora - Columbia
Duração - 138 mClassificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:19 AM
fevereiro 22, 2005
FOR YOUR CONSIDERATION

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:13 PM
Hollywood-Óscares2004 - Previsões Melhor Actor Secundário...
Muito quente esta disputa pelo óscar de Melhor Actor Secundário. Uma luta em forma de triângulo com uma performance arrebatadora, um desempenho revelação e uma presença extremamente sóbria e súbtil. Qual deles levará a estatueta dourada para casa? Aceitam-se apostas...





Dos cinco candidatos ao óscar a luta está reduzida a três. Há o vencedor do Globo de Ouro, o notável Clive Owen. Há também Thomas Haden Church, uma das revelações do ano e o favorito da critica. E por fim temos o veteranissimo vencedor do SAG, Morgan Freaman. Com Alan Alda e Jamie Foxx de fora, resta saber quem vai ao palco cantar vitória.
MORGAN FREEMAN - Million Dollar Baby

A Favor - Não é só um dos actores mais amados de Hollywood como um dos melhores. Já teve três nomeações ao óscar e nunca venceu, sendo esta a altura ideal para compensar o tempo perdido. Venceu o SAG e a sua performance em Million Dollar Baby é simplesmente genial, funcionando como quase um Deus omnisciente. Além disso é ainda o favorito sentimental.
Contra - Se a noite não for de MDB pode sofrer com isso e ver o seu óscar adiado. Para além disso o único senão será apenas se um dos seus rivais conseguir mais apoios dentro dos votantes, o que será dificil.
THOMAS HADEN CHURCH - Sideways

A Favor - É a chave nuclear na engrenagem tão aplaudida que é Sideways. Funciona como contra-ponto ao exuberante Giamatti e à sedutora Madsen e isso torna-o importante e apreciado por quem gosta do filme. E será essa a sua grande vantagem, a de ter uma margem de apoiantes muito ferrenha.
Contra - Tirando os prémios da critica, tal como Madsen, não venceu nem o Globo nem o SAG. Além do mais é um desconhecido e esta categoria tem na sua história premiar veteranos, jovens em ascensão ou a melhor performance secundária do ano. E ele não pertence a nenhuma das três categorias. Pelo menos, que se saiba.
CLIVE OWEN - Closer

A Favor - Tem o melhor desempenho de um actor secundário do ano, e a sua personagem é das melhores de 2004. Venceu o Globo de Ouro exactamente por isso e tem um contigente de 500 votantes britânicos prontos a apostar tudo no seu novo menino de ouro. Seria o óscar mais justo e muitos poderão pensar nisso quando votarem.
Contra - Tal como a colega Portman pode sair prejudicado pela polémica do filme e da personagem que encarna. Não foi nomeado ao SAG o que pode ser sempre visto como um péssimo agoiro e não tem o peso de um filme forte atrás de si como os seus dois rivais.
ALAN ALDA - The Aviator

A Favor - Se a noite for totalmente de The Aviator é uma hipótese consistente pensar que Alda pode vencer. Tem um desempenho demasiado fraco para estar nomeado (penso em De la Serna, Saarsgard, Highmore) mas é um actor da velha guarda, e isso tem a sua importância.
Contra - Desempenho pobre e sem grande consequência no decorrer do filme. Ao contrário de outros veteranos vencedores, nunca teve uma grande carreira, tendo sido durante muito tempo apenas visto como um actor da troupe de Woody Allen.
JAMIE FOXX - Collateral

A Favor - É uma boa performance de Foxx mas a única coisa a seu favor é se a Academia decidir premiá-lo como secundário e não como principal. Caso contrário não tem qualquer hipótese.
Contra - Já tem o óscar de Melhor Actor garantido e por isso não ganhará duas vezes na mesma noite. O filme não tem apoio por parte de ninguém e o próprio Foxx não fez campanha para vencer, tendo já a dupla-nomeação sido uma surpresa quanto baste.
Quem Vai Ganhar - Morgan Freeman
Quem Pode Ganhar - Thomas Haden Church
Quem Devia Ganhar - Clive Owen
"O Óscar de carreira" - Alan Alda
A Grande Surpresa - Jamie Foxx
O Grande Ausente - Rodrigo de la Serna
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:12 PM
Óscar 2004 - Votação acaba hoje
Hoje foi o último dia para os membros da Academia votarem nos seus preferidos para levarem para casa os óscares de 2004. A partir do final da tarde a Academia deixará de aceitar inscrições, ficando todos os boletins enviados depois dessa data automaticamente desqualificados. No entanto essa situação nem se coloca já que o normal é o boletim ser preenchido no dia em que é entregue e enviado de imediato. Por isso há quem diga que este último folego de The Aviator pode ter sido em vão. Relembro que são cerca de 5300 votantes, sendo que 500 são britânicos, 100 de nacionalidade estrangeira (não americanos ou britânicos), e que dentro deste grupo a grande maioria - 1300 aproximadamente - são actores. Tudo isto pode ser importante num ano tão complexo como é 2004.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:09 AM
The Aviator e Ray dividem Eddies
Depois do momento de MDB, foi a vez de The Aviator voltar á carga nesta fase final da corrida. O filme de Martin Scorsese venceu o Eddie - prémio de melhor montagem - na categoria de drama, batendo Million Dollar Baby. Esta será a única categoria técnica em que os dois filmes medirão forças e esta vitória pode ajudar o filme de Scorsese a caminhar rumo ao óscar final. Ou talvez não porque a verdade é que a grande maioria dos membros já votaram há muito tempo, sendo que assim só os 320 editores poderão ter uma ideia do que a vitória de The Aviator pode significar em termos gerais.
O grande rival do filme da Miramax nesta categoria pode ser mesmo Ray. O filme de Taylor Hackford venceu o Eddie na secção de Comédia/Musical e assim perfila-se igualmente como um forte candidato ao óscar. Isto quando as opiniões que dizem que será Ray o grande rival de The Aviator nas categorias, aumentam de dia para dia.


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:03 AM
fevereiro 21, 2005
Hollywood-Óscares2004 - Previsões Melhor Actriz Secundária...
É a primeira estatueta a ser entregue o que diz bem da sua importância. Por vezes o vencedor final começa a desenhar-se já aqui, e este ano isso pode muito bem acontecer caso a favorita vença. Por isso é preciso estar bem atento a todos os cenários, não vá tudo decidir-se logo ao início...





Apesar da maior parte dos estudiosos dos óscares considerar que a estatueta já está entregue a Cate Blanchett, a verdade é que tanto Virginia Madsen como Natalie Portman são igualmente candidatas a ter em conta. Além disso há ainda Laura Linney e Sophie Okonedo que quererão por certo transformar as suas nomeações em óscares. Por isso vale a pena conhecer os prós e contras das cinco candidatas, ordenadas aqui em ordem descendente de favoritismo.
CATE BLANCHETT - The Aviator

A Favor - Está nomeada pelo filme favorito (em termos de nomeações) e isso ajuda sempre. Além do mais há quem diga que o óscar lhe é devido já há alguns anos, especialmente tendo em conta que a sua performance por Elizabeth lhe deveria ter valido o óscar. Para juntar a isto tudo a sua personagem é nada mais nada menos que Khaterine Hepburn, a actriz que mais óscares conquistou. Bom prenúncio para Blanchett? Talvez.
Contra - É uma performance mediana e não há nada a dizer sobre isso. Uma imitação mas que uma representação. Além do mais, se a noite não for do filme de Scorsese, será dificil Blanchett conseguir vencer. Mas os sinais para já são em sentido oposto.
VIRGINIA MADSEN - Sideways

A Favor - Hollywood adora come-backs em estilo. E Madsen protagoniza um desses regressos sentimentais neste ano. Depois de ter sido vista como uma das mais belas e promissoras actrizes da década de 80, eis que está agora de regresso num desempenho memorável no sucesso de Payne. Um óscar sentimental, não só pela personagem mas também pela actriz.
Contra - Não venceu nem o Globo nem o SAG (apesar de aqui poder benificiar da vitória do elenco de Sideways). Há mesmo quem diga que a alma do filme não é ela mas Thomas Haden Church e que todo este burburinho não tem uma base sólida. Tudo dependerá da base de apoio de Sideways.
NATALIE PORTMAN - Closer

A Favor - Todos sabem que a Academia gosta de premiar aqueles que começam a representar desde muito novos. E Portman já faz filmes há dez anos, sendo hoje um icone dos mais jovens, não só pelos papeis mas pela sua personalidade frontal. Venceu o Globo de Ouro, o que prova desde já que a sua performance tem qualidade para ir até ao fim.
Contra - São vários. A sua personagem é polémica, pelo menos para muitos veteranos da Academia que não hesitaram em excluir o filme de várias categorias chaves. Há também quem defenda que a sua nomeação devia ter vindo de Garden State e não por Closer. Por fim, não foi nomeada para o SAG o que pode indicar que há um grupo que não gostou de a ver no filme de Nichols.
LAURA LINNEY - Kinsey

A Favor - É uma actriz altamente apreciada em Hollywood. Já esteve para vencer o óscar de melhor actriz, por You Can Count on Me em 2000 e é sabido que entre os actores é um nome consensual. Além do mais conseguiu ser a única a quebrar a barreira psicológica que se estabeleceu à volta de Kinsey. Há quem diga que é um óscar merecido há muito.
Contra - Kinsey foi demasiado polémico para produzir óscares. Aliás nem Linney é o ponto mais alto do filme nem a sua personagem a mais consensual. Apesar de ter sido sempre nomeada para os vários prémios não logrou vencer nenhum.
SOPHIE OKONEDO - Hotel Rwanda

A Favor - Em primeiro lugar é sempre um mérito bater a imperatriz das nomeações, Meryl Streep. Só isso já é uma pequena vitória em si. Okonedo não brilha tanto como as rivais mas tem uma boa performance num filme cujo número de apoiantes tem vindo a aumentar. Mesmo assim é aquela que menos hipóteses tem de levar o óscar.
Contra - É uma actriz desconhecida do grande público e o seu papel em Hotel Rwanda está obviamente ofuscado por Don Cheadle. Para ela uma nomeação já será um vitória, a não ser que um voto sentimental, pelo filme, cause uma reviravolta surpreendente.
Quem Vai Ganhar - Cate Blanchett
Quem Pode Ganhar - Virginia Madsen
Quem Merece Ganhar - Natalie Portman
"Óscar pela carreira" - Laura Linney
A Grande Surpresa - Sophie Okonedo
A Grande Ausente - Meryl Streep
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:34 PM | Comentários (3)
FOR YOUR CONSIDERATION

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:08 PM
fevereiro 20, 2005
FOR YOUR CONSIDERATION

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:07 PM
Hollywood-Óscares2004 - Previsões Melhor Argumento Original e Adaptado...
Ganhar o óscar de Melhor Filme sem ganhar o argumento é extremamente raro. Mas aconteceu com Titanic, Gladiator ou Chicago recentemente. E pode voltar a acontecer cajo a tendência do Screen Writers Guild se mantenha na cerimónia.

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO





Foi o vencedor indiscutivel durante a temporada de prémios. Alexander Payne e Jim Taylor foram nomes consensuais fosse o prémio os Globos, as associações de criticos ou o SWG. Por isso é natural que Sideways seja o grande vencedor nesta categoria. Uma história simples, extremamente eficaz, pode ser o passaporte para a primeira vitória nesta categoria deste jovem talento, já nomeado uma vez por About Schmidt.
O grande rival de Sideways será sempre Million Dollar Baby. Em primeiro lugar porque o argumento de Paul Haggis é realmente muito bom e também extremamente comovente. Em segundo lugar porque normalmente os melhores filmes vencem o argumento (houve apenas 12 excepções em toda a história da Academia), e se MDB quiser manter-se como forte candidato ao óscar final, convém vencer aqui. Por isso será natural que alguns dos que elegerem MDB para filme, também votem aqui pelo filme de Eastwood. Será suficiente para derrotar Payne? É duvidoso!
Os outros três nomeados - Finding Neverland, Diarios de Motocicleta e Before Sunrise - devem fazer apenas figura de corpo presente, apesar do argumento de Ethan Hawke, Richard Linklater e Julie Delpy poder roubar alguns dos votos mais indies e surgir como surpresa total. Algo que no entanto não é previsivel.
Quem Vai Vencer - Sideways
Quem Merece Vencer - Sideways
Quem Pode Vencer - Million Dollar Baby
O Grande Ausente - The Terminal
MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL





O talento criativo sempre foi apreciado dentro da indústria e habitualmente este categoria premeiam jovem talentos em ascensão. Foi assim com Sofia Copolla no ano passado e com nomes como Cameron Crowe, Bill Condon ou Matt Damon e Ben Afleck. Este ano espera-se no entanto que o vencedor seja um argumentista que já foi por duas vezes nomeado e que é o único argumentista de Hollywood que consegue ter o seu nome "above the title". Falo claro de Charlie Kauffman, já nomeado por Being John Malkovich e Adaptation, que é o grande favorito - a vitória no SWG prova-o - pelo seu notável argumento para Eternal Sunshine and the Spotless Mind.
Mas apesar de ter sido o único nome que ao longo do ano bateu o pé a Payne, há a remota, mas possivél, hipótese de não sair como vencedor da cerimónia. Por dois motivos. Primeiro porque The Aviator está nomeado nesta categoria e se a noite for de glória para o filme de Scorsese, então Joshua Logan terá a sua hipótese. O segundo motivo passa pelo grande apoio que Hotel Rwanda e Vera Drake parecem ter dentro dos votantes, o que pode originar alguma surpresa na hora da decisão final. Quem parece não ter grandes hipóteses é The Incredibles. O peso da nomeação já chega para as ambições da Pixar.
Quem Vai Ganhar - Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Quem Devia Ganhar - Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Quem Pode Ganhar - Hotel Rwanda
O Grande Ausente - The Village
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:16 PM | Comentários (2)
Payne e Kauffman dominam entre os argumentistas
Se Million Dollar Baby tivesse vencido, seria uma surpresa e arrumaria desde já as contas. Mas, tal como SAG, também aqui Sideways provou que ainda tem uma palavra importante a dizer nas contas finais. E como se esperava o argumento de Alexander Payne e Jim Taylor saiu vencedor na categoria de Melhor Argumento Adaptado. Uma vitória que deve repetir-se na noite dos óscares e que complica ainda mais as contas tanto para MDB como para The Aviator. Isto porque o argumento de Joshua Logan foi impotente para travar a enorme popularidade do argumento de Charlie Kauffman, para Eternal Sunshine of the Spotless Mind, que assim foi galardoado pela primeira vez pelos seus pares do Screen Actors Guild. Kauffman já tinha sido nomeado duas vezes - tantas quanto nos óscares - e nunca saiu vencedor até ontem. Um bom indicio também para a noite de gala sendo que o principal rival de Eternal Sunshine é Hotel Rwanda.
Numa noite em que os romances existenciais de inicio de século dominaram, os favoritos continuam à espera de uma surpresa. É que filmes que vencem óscares de Melhor Filme sem contarem com argumento são uma raridade na história da Academia.


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:21 AM
E The Aviator vence o CASA
O filme de Martin Scorsese, contra as maiores expectativas, acabou por sair vencedor da Cinema Audio Society Awards, que foram entregues na noite de ontem.
Ao vencer na categoria de melhor efeitos sonoros, diante de Ray e Finding Neverland - os outros nomeados não estão nomeados ao óscar e são Bourne Identity e Spiderman2 - o filme The Aviator mostra ter pelo menos o apoio de alguns sectores mais técnicos algo que não se verificava há já algumas semanas. No final isso pode chegar para decidir quem segue na frente. Talvez por isso muitos achem que os Eddies (prémios de montagem) serão o derradeiro teste entre Million Dollar Baby (os filmes de boxe safam-se bem neste genero) e The Aviator.
Mesmo assim, já com 95% dos boletins de voto devolvidos para contagem, é dificil prever o que irá acontecer.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:16 AM | Comentários (1)
Lemony vence CDG...
O filme Lemony Snickets A Series of Unfortunate Events saiu ontem vencedor da gala de entrega dos prémios de Costum Design Guild, a associação que atribui os prémios ao melhor guarda roupa do ano.
O filme de Brian Silbering bateu The Aviator, Phantom of the Opera, Ray e De-Lovely colocando-se assim em boa posição para atacar o óscar.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:12 AM
Berry e Forster no Antigo Egipto
O realizador Marc Forster (Finding Neverland) e a oscarizada Halle Berry vão voltar a trabalhar juntos, três anos depois de Monster´s Ball, filme que valeu o óscar á actriz.
Berry será Nefertiti, uma das mais populares e misteriosas faraós do Antigo Egipto. Mulher num mundo dominado por homens, Nefertiti soube criar um vasto leque de influências e após a morte do seu marido, o faraó Akhenaton, tenta tornar-se na primeira mulher a governar o Egitpo. Um filme que promete voltar a trazer a actriz a papeis mais similares àqueles que lhe valeram o óscar, algo que não tem acontecido nos últimos anos onde tem acumulado desastres atrás de desastres.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:50 AM
fevereiro 19, 2005
FOR YOUR CONSIDERATION

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:05 PM | Comentários (2)
Hollywood-Óscares2004 - Previsões Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Filme Animado...
Duas categorias muito interessantes por surgirem um pouco à parte da cerimónia. Não contam para os grandes prémios e normalmente são das categorias mais justas no que diz respeito aos vencedores. Claro que há excepções mas este ano parece haver vencedores anunciados...

MELHOR FILME ESTRANGEIRO





No ano passado o grande favorito - Goodbye Lenin! - ficou de fora para surpresa de todos. Este ano houve igualmente três ausências de peso. Diarios de Motocicleta não tinha um país, Un Long Dimanche de Fiançailles não foi considerado francês e House of the Flying Daggers não foi nomeado.
Serve isso para explicar que Mar Adentro, o filme do espanhol Alejandro Amenabar que conta com um soberbo Javier Bardem a encarnar o galego Ramon Sampedro, é o grande favorito. Venceu 14 Goyas, teve várias vitórias ao longo dos últimos meses nesta categoria em diversos prémios e é um filme consensualmente tido como um dos maiores do ano.
Les Choristes é o candidato francês e um dos principais rivais do filme espanhol. Um filme que apela ao coração e que foi bem recebido nos Estados Unidos, conseguindo mesmo uma nomeação para melhor tema. Yeasterday é um filme sul-africano que conseguiu impressionar bastante os poucos votantes que o viram enquanto que o sueco As It His in Heaven é outro trabalho de grande profundidade dramática sobre um homem que se torna num compositor de excelência. A Suécia repete assim a nomeação do ano transacto. Sempre polémico será sempre Der Untergang o filme que mostra a outra face de Hitler, vivido por Bruno Ganz.
Mas apesar da concorrência o choque será sempre se Mar Adentro sair derrotado.
Quem Vai Ganhar - Mar Adentro
Quem Merecia Ganhar - Diarios de Motocicleta (não nomeado)
Quem Pode Ganhar - Les Choristes
O Grande Ausente - Diarios de Motocicleta
MELHOR FILME ANIMADO



Também aqui o primeiro choque chegou com as nomeações. Com apenas três vagas, a Dreamworks conseguiu colocar dois filmes entre os eleitos. Uma surpresa absoluta já que The Polar Express era tido como um nomeado praticamente garantido.
No entanto a presença de Shark Tale pouco interfirá com o duelo titânico entre The Incredibles e Shrek2.
O primeiro filme do ogre verde venceu o óscar. O antecessor de The Incredibles também. Quem vai desempatar?
A lógica - dos prémios, do apoio da critica, do conjunto das nomeações - diz-nos que é o filme da Pixar que parte em vantagem. No entanto Shrek2 foi o blockbuster do ano (visto por mais gente do que todos os cinco filmes nomeados ao óscar principal juntos) e tem igualmente uma nomeação fora desta categoria. Tudo dependerá dos gostos dos netos dos votantes. Sabe-se que na maior parte dos casos, nesta categoria, os votantes mais velhos pedem aos filhos ou netos que votem por eles. A decisão por isso está em suspenso. Mas The Incredibles lidera todas as casas de apostas.
Quem Vai Ganhar - The Incredibles
Quem Merecia Ganhar - The Incredibles
Quem Pode Ganhar - Shrek2
O Grande Ausente - The Polar Express
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:10 PM
Hotel Rwanda - A nossa vergonha...
Ver Hotel Rwanda é levar um murro no estomago. É lembrar-nos que vivemos num mundo de egoismo onde não se dá nada sem esperar algo em troca. Onde nem todos são iguais. E onde atrocidades como as que se viveram no Ruanda podem acontecer em qualquer lado, porque simplesmente as pessoas não se interessam. Ver Hotel Rwanda é ver a nossa vergonha espelhada nas faces de quem tanto sofreu...
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Terry George não poderia ter feito escolha mais acertada. Primeiro porque escolheu um tema delicado, mas que era preciso mostrar ao mundo. Era preciso que milhões de espectadores vissem - mesmo que romanceada de certa forma - o horror que os ruandeses viveram em 1994. Era preciso mostrar a tragédia humana, as perdas e o sofrimento de milhões de pessoas. Sem dúvida nenhuma que Hotel Rwanda cumpre esse objectivo na perfeição. Somos levados para a acção de forma involuntária. Tal como aqueles ruandeses, também nós queremos sair e não podemos. Não acreditamos que tais atrocidades possam ser cometidas e olhamos com o mesmo espanto, nojo e tristeza, que as personagem para tudo aquilo. E isso é cinema realista. Sem efeitos especiais, sem grandes questões que pairam durante duas horas sobre a mente do público. Não! Ali chamam-nos a ver o que se passou e é isso que acontece. Vemos a frustração das forças de paz, o oportunismo de uns e o fanatismo de outros, e vemos essencialmente - porque a vida também é feita de herois - a coragem e determinação de um homem absolutamente espantoso que dá pelo nome de Paul Rusesabagina.

E é aí que Terry George volta a acertar em cheio. Ao escolher Don Cheadle para o papel, George acaba por dar uma outra alma ao filme. Quer nas cenas de maior intensidade dramática - e são muitas - quer nas cenas mais relaxadas, o actor norte-americano é soberbo. Nem se questiona a sua justissima nomeação ao óscar (se vencesse, tal como aconteceu com Adrien Brody em 2002, não era nenhum escândalo). Louva-se é a forma como se entregou de corpo e alma aquele dificil papel, e a toda a situação. Tal como a personagem histórica, também Cheadle tem sempre tudo controlado. Mesmo que não o tenha na realidade! São as expressões, os olhares, os gestos, toda a sua dinâmica corporal que denunciam a sua performance de homem perfeitamente seguro de si. Imaginam o quão dificil é fazer isso? Dividir-se em dois, fisica e mentalmente, e representar como se fosse apenas um? Nem vale a pena responder.
Este é portanto o papel da vida deste actor, a não ser que nos surpreenda no futuro e se supere ainda mais. Seria sempre agradável mas não será nada fácil.

Quem também vai muito bem é o elenco de secundários. Começa com Sophie Okonedo, igualmente nomeada - e bem, apesar de Meryl Streep ter sido melhor na sua performance - e igualmente dona de uma performance de grande intensidade. Já Nick Nolte, Jean Reno, Djimon Hounson e Joaquin Phoenix fazem aparições ao longo do filme, cada um cumprindo de forma exemplar o seu papel. Enquanto que Phoenix funciona como a consciência ocidental já Nolte é o espelho da impotência de quem quer fazer mais mas não deixam. Em ambos os casos são elementos fulcrais para criar o tal sentimento de vergonha que atravessa o ecrãn para chegar à consciência de todos nós.

É lógico que ao ver-mos este filme nos lembramos de Schindler´s List ou de La Vitta É Bella. É inevitável porque ambos os casos nos reportam a genocidios em massa em que há uma personagem que parece lutar contra a maré. Mas as diferenças são muito grandes. Aqui a situação está longe de ser tratada como algo cómico - como Begnini fez e muito bem - e não há aqui um cinismo e oportunismo, com direito a redenção final, como existe no filme de Spielberg. Aqui trata-se exactamente de pegar em factos reais e passa-los para o grande ecrãn. Muitos dos figurantes que surgem no filme são ruandeses que viveram o genocidio e acharam que esta era a melhor forma de ajustar contas com o passado. O próprio Paul Rusesabagina acompanhou diariamente as gravações, e apesar de confessar que o dramatismo visual e emocional está muito áquem da realidade - e seria quase impossível igualá-lo - e fez questão que se fizesse justiça. Por isso todo o trabalho técnico á volta da acção - seja a montagem, a banda-sonora, a fotografia - são apresentados como algo extremamente sóbrio e discreto. É a história e quem a viveu que tem todo o protagonismo .

A certa altura do filme Joaquin Phoenix diz "tenho tanta vergonha!". Como ocidentais, como privilegiados, acho que todos temos de sentir essa vergonha. Todos vemos, diariamente, acontecimentos trágicos um pouco por tudo o mundo e continuamos a jantar. Cada vez desprovidos de sentimentos, estamos hoje, cada vez mais, a deixar ficar mal pessoas que olham para nós e admiram o nosso estilo de vida, a nossa civilização, a nossa cultura. Nem todos podem ser herois. Nem todos podem ser Paul Rusesabagina. Mas podemos por todos a mão na consciencia. E podemos todos tentar ajudar. Não bastava a Hotel Rwanda ser um filme intenso. Mais importante que isso foi mostrar-nos quão vergonhosos podemos ser. Uma lição sem moralismos, que todos deviamos aprender.
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O Melhor - O desempenho de Don Cheadle é verdadeiramente notável. De uma segurança e auto-controle dignos de um grande actor. Ficamos a perguntar-nos o porquê da sua carreira ter vivido praticamente de papeis secundários. Não estará a altura de dar o salto?
O Pior - Pedia-se algumas imagens mais fortes em determinadas situações para dar uma ideia mais real do dramatismo. Há alturas em que a situação não parece tão grave quanto de facto foi.
Curiosidade - Muitos dos figurantes do filme, que interpretaram essencialmente refugiados, estiveram de facto presentes quanto tudo aconteceu. São o rosto vivo da história.
Site Oficial - www.mgm.com/ua/hotelrwanda
Realizador - Terry George
Elenco - Don Cheadle, Sophie Okonedo, Nick Nolte, ...
Produtora - Lions Gate Films
Duração - 121 m
Classificação - m/16
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:23 AM | Comentários (1)
Harry Potter domina os VESA
Na corrida para os óscares este era um dos poucos prémios por entregar. Enquanto todos os olhos estão colocados no dia de hoje, em que serão divulgados os vencedores do Screen Writers Guild, ontem foi a vez de Harry Potter and the Wizard of Azkaban levar para casa a vitória absoluta nos Visual Effects Society Awards. O filme da Warner bateu The Day After Tomorrow e Spiderman2, afirmando-se assim como um fortissimo ao óscar desta categoria.
O filme de Alfonso Cuarón venceu o prémio de Melhor Efeitos Especiais e Melhor Personagem Animada, graças ao desempenho virtual de Buckbeack. O Melhor Efeito Visual foi entregue ao filme The Day After Tomorrow pelo maremoto que invadiu Nova Iorque.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:58 AM
fevereiro 18, 2005
Hollywood-Óscares2004 - Previsões das categorias sonoras
Depois de ter surgido em 1927 o som nunca mais largou o cinema. Os óscares arranjaram de imediato formas de premiar os melhores trabalhos sonoros do ano, havendo hoje quatro estatuetas especificas para esta área. Num ano com excelentes trabalhos sonoros, as divisões são notórias...

São quatro as categorias sonoras nos óscares da Academia. Melhor Banda Sonora, Melhor Tema, Melhor Som e Melhor Efeitos Sonoros. Num ano com épicos, filmes de acção, biopics e musicais a oferta é muita e será dificil encontrar um filme que domine. Há também a possibilidade de vitórias do cinema animado nesta área, o que seria inédito e assaz interessante.
MELHOR BANDA SONORA





Esta categoria ficou marcada pelas muitas ausências á partida. A partitura de Howard Shore em The Aviator foi rejeitada, tal como a de Ray e The Terminal. Por sua vez Million Dollar Baby não viu a sua banda-sonora nomeada por ter sido entregue tarde demais o formulário de candidatura. Isso abre novas perspectivas para os vencedores.
Finding Neverland é um dos mais fortissimos concorrentes. Um filme com diversas nomeações que terá dificuldade em coleccionar óscares, mas que pode aqui ter o seu ponto de glória ao longo da noite. O mesmo pode acontecer com The Village, que tem aqui a sua única nomeação.
The Passion of the Christ e Lemony Snicket´s não têm as mesmas hipóteses mas há um sentimento de que, se alguma delas vencer, a surpresa não será total. Por fim há Harry Potter and the Wizard of Azkaban. A pergunta é se John Williams voltará a vencer mais uma estatueta, ou se sairá derrotado perante rivais cujo prestigio está ainda a anos luz do seu.
Quem Vai Ganhar - Finding Neverland
Quem Devia Ganhar - Ray (não nomeado)
Quem Pode Ganhar - Harry Potter and the Wizard of Azkaban
MELHOR TEMA





Também aqui há inumeras ausências que se fazem notar, desde Old Habbits Die Hard, a música de Mick Jagger para o filme Alfie que até venceu o Globo de Ouro, sem esquecer Everybodys Gotta Learn Sometimes de Beck.
Sendo assim a questão fica reduzida a cinco nomes pouco consensuais.
Há Learn to Be Lonely, belissima musica do único musical entre os nomeados, o filme Phantom of the Opera. Por sua vez Al Otro lado del Rio surge como uma mistura de sons da América Latina como poucos filmes conseguiram transmitir, isto em Diarios de Motocicleta.
Believe tem algumas chances mas está longe de ser favorito, tal como Voi Sur Ton Chemin do filme francês Les Choristes.
E por fim há o grande favorito, Accidently in Love, o grande êxito do Verão, música dos Counting Crows para o filme Shrek2. Se até Eminem já levou o óscar, não seria estranho se a vitória fosse para um dos pontos altos da banda sonora do filme da Dreamworks.
Quem Vai Ganhar - Accidently in Love (Shrek2)
Quem Merecia Ganhar - Everybodys Gotta Learn Sometimes (Eternal Sunshine of the Spotless Mind)- (não nomeado)
Quem Pode Ganhar - Learn to Be Lonely (Phantom of the Opera)
MELHOR SOM





Com a ausência de Million Dollar Baby, aqui temos mais uma categoria em que The Aviator pode levar vantagem. Mas o grande favorito é outro biopic, o filme Ray.
Ray tem um som notável, não fosse um filme sobre um dos maiores músicos de sempre, e é um favorito sentimental, especialmente para os muitos amantes de jazz que compõem o nucleo de votantes. Por sua vez The Aviator apresenta o trabalho de som habitual nos filmes épicos, especialmente nas cenas com os aviões de Howard Hughes.
Quem também é um forte candidato é Spiderman2, filme que fez uma fortissima campanha para arrebatar o máximo de óscares possiveis.
Tanto Polar Express como The Incredibles são filmes animados e utilizam isso como uma fórmula para alcançar um trabalho sonoro complexo e extremamente interessante. Uma vitória representaria muito para a industria do cinema animado, mas perante os outros candidatos, é algo que parece improvável.
Quem Vai Ganhar - Ray
Quem Merecia Ganhar - Ray
Quem Pode Ganhar - The Aviator
MELHOR EFEITOS SONOROS



Apenas três candidatos, sendo que transitam directamente da categoria de Melhor Som. Uma luta quase titânica entre Spiderman2 e The Incredibles com o filme animado de Robert Zemeckis, o esquecido Polar Express, a correr habilmente por fora.
Spiderman2 tem uma fortissima campanha mas The Incredibles apresenta a ideia de que já no ano passado Finding Nemo poderia ter vencido esta categoria. Por isso será sempre dificil definir quem é o verdadeiro favorito. Provavelmente será o filme da Sony mas é uma daquelas categorias praticamente imprevisiveis.
Quem Vai Ganhar - Spiderman2
Quem Merecia Ganhar - Phantom of the Opera
Quem Pode Ganhar - The Incredibles
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:38 PM
Hollywood atinge os 20 000 visitantes
Pouco mais há a dizer perante estes fabulosos números. O Hollywood atingiu ontem os 20000 visitantes. É pouco para muitos e muito para poucos. Para mim, é simplesmente gratificante.
Queria apenas deixar um um obrigado a todos que nos têm visitado. Nunca imaginei que, com menos de um ano, conseguisse alcançar estes números. Só posso agradecer e prometer fazer sempre melhor!
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:00 AM
fevereiro 17, 2005
Million Dollar Baby - Eastwood devia durar para sempre...
Como ele o consegue ninguém o sabe. Tem um minimalismo visual impressionante e uma profundidade dramática arrebatadora. Consegue ser um poço de sentimentos em fúria sem mexer um nervo. E ao fazer este filme, consagra-se como o maior realizador vivo. Se Deus desse a oportunidade aos amantes do cinema de escolher alguém para viver para toda a eternidade, esse alguém devia ser "The Clint"...
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É provavelmente o melhor filme do ano. Se não o é (o tempo o dirá, como sempre) então é essa a sensação que fica quando surgem os créditos finais. Não, minto! Essa é uma sensação que nos acompanha ao longo de todo o filme. Mas têm sido tantas as desilusões ao longo dos últimos anos, que temos medo de ousar dizer algo do genero, antes do filme chegar ao fim. Não que Clint Eastwood o mereça. Nunca fez nada que nos fizesse duvidar da sua genialidade. Nem como actor nem como realizador. Ao autor de filmes tão poderosos como White Hunter, Black Heart, Unfortiven, A Perfect World, BloodWork ou Mystic River, não se pode duvidar da sua genialidade. Mas há filmes e filmes. Um realizador pode ser bom, brilhante até. Mas precisa de algo que o leve até ao Olimpo, um filme que faça de si imortal. Million Dollar Baby pode fazer isso por Eastwood. Pelo menos consagra-o como o melhor realizador vivo, e não apenas como melhor realizador do ano, que o é obviamente.
Todo o conflito interno das brilhantes personagens do filme, toda a naturalidade como a história flui, todos os momentos de tensão dramática, todos eles têm a marca de Eastwood. São como um murro no estomago. Secos e duros. Profundos e arrasadores. O homem não precisa de malabarismos visuais ou de efeitos que não o seu próprio olho clinico. Por isso nos seus filmes não há piruetas ou algo do genero. Há trabalhos fotográficos fortissimos ou bandas sonoras subtis. É isso que lhe dá o titulo do "último dos clássicos". É isso que o faz tão grande.

Falar de Million Dollar Baby é também falar do outro Clint Eastwood, o actor. Aquele que começou há quarenta e poucos anos a representar nos spaghetti-western e nos filmes de acção, e que hoje é um encarna personagens das quais gostamos tanto, que pouco importa que sejam despromovidas na hora de representar de maneirismos (ver Ray) ou complexos internos sem solução (ver The Aviator). Os únicos problemas que as suas personagens têm passam pela consciência, e é isso que o faz ser tão parecido com o homem comum. Além do mais ele não grita, esperneia ou tem ataques de qualquer especie. Chora sim, mas quando ninguém o vê porque é assim que muitos o fazem. Teme, ama, ajuda quem precisa ou luta pelos que ama, mas de uma forma extremamente natural, e portanto, credivel. Eastwood é hoje provavelmente o actor que melhor domina a técnica do "under-acting". Há quem diga que só o "over-acting" dá óscares. Este ano parece provar isso já que Foxx deverá vencer a estatueta dourada sem problemas. Mas ninguém pode dizer que o "under-acting" não merece óscar. Porque merece, e talvez mais do que o explosivo estilo de tantos actores que se lhes pedirem para conter uma lágrima provavelmente vão mostrar-se incapazes de o fazer.

Quem também brilha - e em grande - é a mais que provável vencedora do óscar de Melhor Actriz. Pela segunda vez Hilary Swank interpreta uma jovem rapariga pobre e sem grandes esperanças de um futuro brilhante. Num caso (Boy´s Dont Cry), ela procura a solução na sua transformação progressiva num homem. Aqui é o boxe que se apresenta como a única janela aberta para uma vida melhor. O que é mais curioso é que a própria Swank é como estas duas personagens. Também ela, tal como Maggie Fitzegerald, cresceu numa roullete, sem dinheiro para comer todos os dias e a trabalhar para sobreviver desde muito cedo. Na vida real foi o cinema quem a tirou da pobreza. Em MDB é o boxe que faz isso por ela! Talvez seja por causa disso que a performance de Swank surge de forma natural, como se ela tivesse feito aquilo toda a vida. E não é a sua transformação fisica e a forma notável como luta que fazem da sua performance, uma das melhores do ano. É a intensidade e naturalidade com que interpreta. Lá mais para o final do filme - cujo final não será desvendado, como o próprio Eastwood pediu aos criticos - é uma outra Swank, mais humana e também mais angelical, por muito contraditório que isso possa parecer.

Tal como Eastwood e Swank, não conseguimos ficar indiferente a Scrap, a personagem construida com a habitual subtileza e humanidade que Morgan Freeman é capaz. Uma personagem que funciona como narrador e também como elo entre o universo escondido da personagem de Eastwood e a vontade de vencer de Swank. É uma especie de consciência ambulante, que nos guia os olhos da forma mais natural e poética possivel.
E que dizer do jogo de escuridão que a fotografia de MDB consegue? Que dizer dos planos do ginásio durante a noite onde as personagens vagueiam quais sombras com contas a ajustar com Deus? São pormenores como esse - nota igualmente para a lindissima banda-sonora e o notável som do filme - que fazem deste um filme "bigger than life". Depois basta ter alguém que consiga gerir todos estes diamantes à procura da lapidação certa para fazer um filme tão espantoso como este.

Sair de Million Dollar Baby com uma lágrima no canto do olho é perfeitamente justificável. Acontece a qualquer um. Talvez, depois das duas horas de filme que correram à nossa frente, seja a coisa mais natural do mundo. Eastwood cria aqui um episódio fascinante. Um filme que podia ser sobre boxe mas que não o é. É sobre pessoas, sobre ideias e sobre as dificuldades da vida. É sobre todos nós.
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O Melhor - Tudo, este é um filme sem pontos menos bons. Desde os gags que vão pontuando a acção, a cada uma das personagens, sem esquecer todos os aspectos técnicos, este é um filme a roçar a perfeição.
O Pior - Nada. Absolutamente nada!
Curiosidade - A personagem de Swank é em tudo semelhante à vida da própria actriz. Talvez essa grande similiaritude possa fazer com que a jovem actriz conquiste o seu segundo óscar. Pelo menos ajudou a fazer do filme uma obra notável.
Site Oficial - milliondollarbabymovie.warnerbros.com
Realizador - Clint Eastwood
Elenco - Clint Eastwood, Hilary Swank, Morgan Freaman, ...
Produtora - Warner Bros.
Duração - 127 m
Classificação - m/16
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:13 PM | Comentários (7)
Hollywood-Óscares2004 - Previsões das categorias técnicas...
Começa hoje a sério a antevisão da próxima edição dos óscares, aquela que será a 77º vez que a Academia vai premiar os melhores do ano. Hoje começamos com as previsões finais do Hollywood sobre quem serão os vencedores nas mais diversas categorias.
É um jogo arriscado mas que todos gostam de jogar. As categorias técnicas - o primeiro grupo de previsões a ser publicado - não têm para o grande público a mesma importância das "5 grandes" mas por vezes ajudam a definir os grandes vencedores da noite. Por isso vamos ver o que nos espera...

São seis as categorias técnicas em destaque. Há a Direcção Artistica, devotada aos cenários dos fimes. Há Cinematografia, ou seja e traduzindo por miudos, a fotografia. Há ainda a Maquilhagem, Guarda-Roupa e ainda a Montagem e Efeitos Visuais.
Diz-se que os vencedores da noite se começam a desenhar aqui, porque há a ideia de que o vencedor tem de ter vários óscares, para demonstrar a sua superioridade. Isso não é bem verdade e provavelmente não vai ser isso que acontecerá este ano. Há algumas surpresas que poderão acontecer ao longo da noite, e muitas começarão aqui.
MELHOR MONTAGEM





É a única categoria técnica para a qual está nomeado Million Dollar Baby e por isso é de fulcral importância para o desenrolar da noite. O filme de Eastwood tem uma belissima montagem mas compete com rivais de peso. The Aviator surge como favorito graças ao excelente trabalho de Thelma Schoonmaker, e parece ser um filme mais apropriado para conquistar esta categoria.
Estes são os dois maiores candidatos à vitória final mas os restantes nomeados são igualmente interessantes. Há Ray e Finding Neverland, ambos filmes candidatos a Melhor Filme e com notáveis trabalhos de montagem e ainda Collateral, o filme noir de Michael Mann que está igualmente muito bem montado.
Os amantes da montagem dirão que falta aqui talvez o melhor filme do ano nessa área, Eternal Sunshine of the Spotless Mind, mas qualquer que seja o vencedor, esta é uma categoria onde não haverá um grande choque.
Para as pretensões de MDB uma vitória aqui significava uma vitória em toda a linha. Se The Aviator vencer, então o filme de Scorsese vence o primeiro duelo com MDB e pode galopar para vencer o óscar de Melhor Filme. É portanto uma das categorias vitais da noite.
Quem Vai Vencer - The Aviator
Quem Devia Vencer - Eternal Sunshine of the Spotless Mind (não nomeado)
Quem Pode Vencer - Million Dollar Baby
MELHOR CINEMATOGRAFIA





Talvez os dois melhores trabalhos fotográficos do ano tenham ficado de fora, o que já de si é uma pena. Tanto Diarios de Motocicleta como Million Dollar Baby mereciam um lugar entre os nomeados. No entanto as contas fazem com quem está, e nesse capitulo a disputa vai ser extremamente equilibrada.
The Aviator mais uma vez parece um pré-vencedor anunciado. Mas o trabalho fotografico de Robert Richardson não venceu o prémio da sua Guild. E isso pode contar. Até que ponto, ninguém sabe.
Quem venceu essa disputa na passada quarta-feira foi o filme francês Un Long Dimanche de Fiançailles, que assim aparece como outro fortissimo candidato a levar a estatueta para casa. E como se sabe que esta vai ser uma noite onde nenhum filme levará mais do que 5 óscares para casa, há um sentimento de que o filme de Scorsese pode sair perdedor aqui.
No entanto os restantes nomeados são igualmente fortissimos candidatos. O trabalho fotográfico em The Passion of the Christ é espantoso, tal como o é em House of the Flying Daggers e Phantom of the Opera. Um pré-vencedor anunciado é algo extremamente dificil de determinar. Se apenas votassem os técnicos de fotografia, seria o filme de Jeunet a vencer. Desta forma, fica tudo muito rebuscado.
Quem Vai Vencer - Un Long Dimanche de Fiançailles
Quem Merecia Vencer - Million Dollar Baby (não nomeado)
Quem Pode Vencer - The Aviator
MELHOR GUARDA ROUPA





Numa categoria onde são os filmes de época que habitualmente saem vencedores, este ano não aparenta ter grandes diferenças.
Para além do épico histórico que é Troy, há ainda os três biopics nomeados a Melhor Filme - Ray, Finding Neverland e o omnipresente The Aviator - e ainda as aventuras de Lemony Snickets.
O filme de Scorsese apresenta um guarda-roupa que nos traz para os anos 30 e para a época dourada de Hollywood. É um vencedor sentimental por lembrar talvez a muitos dos votantes, especialmente aquele grande número com mais de 65 anos, como era o vestuário dos seus dias de glória.
Por sua vez Ray remontanos para um vestuários menos elaborado, mas trabalhado num diferente plano social, que tem menos glamour, mas que é igualmente interessante. Já Finding Neverland e Lemony Snickets têm guarda-roupas da mesma época, bem trabalhados mas sem grandes ostentações. Já Troy pega no vestuário da Antiguidade clássica de uma forma bem interessante, especialmente no que ao material de guerra diz respeito.
Uma categoria de novo muito disputada, mas que, apesar de tudo, deve ser vencida por The Aviator.
Quem Vai Vencer - The Aviator
Quem Merecia Vencer - Phantom of the Opera (não nomeado)
Quem Pode Vencer - Ray
MELHOR MAQUILHAGEM



Apenas três nomeados e nenhum candidato a melhor filme, o que faz desta categoria, habitualmente disputada pelos favoritos ao óscar de filme do ano, uma categoria diferente.
E diferente quer também dizer interessante, especialmente com o notável trabalho que estes três filmes conseguiram no campo da maquilhagem.
O favorito claro é The Passion of the Christ. A forma como Cristo surge no filme do australiano Mel Gibson é notável, e muito o deve às muitas horas que Jim Caviezel passou diante do espelho enquanto lhe pintavam o corpo de forma a tornar as suas feridas, o mais realisticas possiveis.
Lemony Snickets tem igualmente um excelente trabalho de maquilhagem, especialmente quando olhamos para os vários Jim Carrey´s que vão surgindo diante do filme. Especial destaque para a personagem do Conde Olaf, para a qual Carrey teve de rapar o cabelo e passar 4 horas a maquilhar-se.
Por fim há ainda Mar Adentro que tem igualmente um notável trabalho de envelhecimento em Javier Bardem, enquanto a sua própria personagem Ramón San Pedro, vai igualmente envelhecendo com o decorrer do filme.
A vitória do filme de Gibson não é 100% certa - o filme é polémico quanto baste - mas a acontecer, seria justa e, podemos dize-lo, até certo ponto previsivel.
Quem Vai Ganhar - The Passion of the Christ
Quem Merecia Ganhar - The Passion of the Christ
Quem Pode Ganhar - Lemony Snicket´s A Series of Unfortunate Events
MELHOR DIRECÇÃO ARTISTICA





Criar cenários do nada é algo extremamente dificil e complexo. Por vezes não nos apercebemos disso quando vemos o resultado final, mas durante a pré-produção de um filme é o aspecto mais importante a ter em conta.
E este ano a corrida torna-se ainda mais interessante porque um dos vencedores da Guild de Direcção Artistica, o filme The Terminal, não se encontra nomeado, abrindo assim as portas para um duelo entre Lemony Snickets - que também venceu um DADG - e The Aviator.
O filme de Brian Silbering tem cenários extremamente complexos e surreias, mostrando ter havido um notável trabalho dos técnicos. Já para The Aviator houve que recriar um hangar, bares, salas de projecção e casas cheias de glamour, vindas directamente dos anos 30. Talvez um trabalho mais expansivo mas não por isso, tão complexo como o de Lemony.
De qualquer forma o vencedor deve ser um destes filmes. Isto apesar do complexo trabalho em recuperar a Ópera de Paris em The Phantom of the Opera, de recriar os teatros londrinos do início do século XX em Finding Neverland e ainda o de dar vida ao mundo da 1º Guerra Mundial em Un Long Dimanche de Fiançailles.
Quem Vai Ganhar - The Aviator
Quem Merecia Ganhar - The Terminal (não nomeado)
Quem Pode Ganhar - Lemony Snickets A Series of Unfortunate Events
MELHOR EFEITOS VISUAIS



Com o nascimento do CGI - Computer Generated Image - esta categoria tornou-se essencial. Premiar os mais espantosos efeitos especiais é algo extramente estimulante, apesar de dificil já que hoje são muitos os filmes que vivem do CGI e das multiplas áreas que este abrange.
Com 3 nomeados - onde se destacam as duas grandes ausências que dão pelo nome de The Day After Tomorrow e Sky Captain and the World of Tomorrow - esta categoria pode premiar tanto um heroi adolescente, como um universo de robots, ou, o que é mais provável, um mito do universo de banda desenhada.
Com efeito Spiderman2 é o mais forte candidato nesta área. Os efeitos do primeiro filme já tinham sido gabados o suficiente, apesar de na altura terem sido derrotados pelo complexo universo de Lord of the Rings. Este ano o filme terá provavelmente a devida compensação.
Mas o Homem-Aranha vai contar com rivais de peso. Os efeitos de I, Robot foram bastante elogiados ao longo do ano passando-se o mesmo com Harry Potter and the Wizard of Azkaban. No entanto a fortissima campanha do filme da Sony Pictures e o facto de ter sido um dos grandes blockbusters do ano - num ano em que há poucos nos óscares - podem garantir a vitória ao filme de Sam Raimi.
Quem Vai Ganhar - Spiderman2
Quem Merecia Ganhar - The Day After Tomorrow (não nomeado)
Quem Pode Ganhar - Harry Potter and the Wizard of Azkaban
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:03 PM
Site Oficial de Sin City no ar
Para os - muitos - fãs de Sin City há uma excelente noticia. A pouca mais de um mês a estreia do filme (1 de Abril nos Estados Unidos) foi finalmente revelado o site oficial.
O conteudo parece excelente com wallpapers, imagens, jogos e pequenas descrições das personagens. Com um dos maiores elencos dos últimos anos, que vai de Bruce Willis a Clive Owen, passando por Benicio del Toro ou Michael Madsen, este sensacional projecto co-dirigido por Robert Rodriguez e Frank Miller, pretende adaptar três episódios da saga ao cinema. Há quem ouse dizer que este pode ser um novo Pulp Fiction. Por isso a expectativa está em alta.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:24 AM | Comentários (1)
fevereiro 16, 2005
Hollywood-Óscares2004 - Os duelos das produtoras...
O grande público está habituado a associar os óscares aos duelos entre actores, realizadores ou filmes. Mas o verdadeiro duelo, aquele que se passa nos bastidores e que por vezes, senão quase todas as vezes, define os vencedores dos restantes confrontos, é o duelo entre as produtoras.

Os óscares nasceram de uma reunião de produtores, para premiar o que de melhor se fazia no cinema, à época sustentado por produtoras. A vitória de um actor de uma produtora era visto como uma vitória da produtora. A que tivesse mais óscares no final da noite era a vencedora, e durante um ano ostentava isso com prazer, para a frustração das rivais. Foi assim durante o periodo do dominio dos estúdios, até ao final dos anos 60. E foi assim depois, na fase em que as empresas foram tomando conta, a pouco e pouco, dos miticos estúdios de produção de Hollywood.
Hoje os óscares continuam a ser o palco principal do duelo dos grandes conglomerados da cidade. Miramax, Columbia-Sony, Time-Warner, Fox ou DreamWorks são os principais gladiadores nesta arena que não perdoa aos vencidos.
A Miramax, estúdio que dominou a última decada do cinema norte-americano, esteve em branco no ano passado e isso custou caro ás pretensões dos irmãos Weinstein. Acusados de serem responsáveis por algumas das campanhas mais sujas de que há memória em Hollywood, os irmãos Weinstein são o garante do sucesso dos seus filmes. Quando a qualidade é inferior aos rivais, a campanha da Miramax anula a diferença. Sempre foi assim e sempre será dizem os experts na matéria. Este ano correu bem para a companhia que Quentin Tarantino ajudou a construir com o sucesso de Pulp Fiction.
Com dois filmes nomeados ao óscar de Melhor Filme - The Aviator e Finding Neverland - a Miramax tem tudo para sair vencedora da noite. Tem candidatos em praticamente todas as categorias, e é favorito em muitas delas. Como lhes é habitual, com risco de sairem derrotados, e na necessidade de escolherem entre um filme entre os dois, os estúdios praticamente deixaram cair Finding Neverland concentrando todos os seus esforços em The Aviator. A campanha não está a ser um sucesso pleno, mas pode chegar para fazer do filme de Scorsese, o campeão da noite.
A Warner teve um excelente ano de 2003 e em 2004 a dose parece querer repetir-se, de novo graças a Clint Eastwood. O seu Million Dollar Baby, filme que os estúdios pensaram em adiar para o próximo ano, pode dar várias estatuetas a um dos mais velhos estúdios de Hollywood - responsável pela introdução do cinema sonoro por exemplo - mostrando assim que velhos são os trapos. A campanha está a ser extremamente convincente, com algumas apostadoras a afirmarem que MDB é o filme a abater, o que pode anular os efeitos desastrosos que tiveram Troy e Alexander nas contas dos estúdios.
A DreamWorks não teve um ano tão em grande como seria de esperar mas a verdade é que não foi tão mal como isso. Conseguiu o feito de colocar dois filmes na lista de Melhor Filme Animado, o que prova que nessa área a Pixar tem um rival de peso. Nos filmes ditos mainstream, a verdade é que a Dreamworks falhou em ter candidatos de peso nos óscares. Mas mesmo assim a noite poderá correr bem aos estúdios que Steven Spielberg ajudou a fundar.
A Univeral apostou tudo em Ray e conseguiu-o. A sua campanha foi elogiada como a melhor e mais convincente do ano, ajudando o filme de Taylor Hackford a conseguer umas surpreendentes 6 nomeações aos óscares. Com Jamie Foxx como cabeça de cartaz dos estúdios, tudo leva a crear que a noite dos óscares correrá bastante bem a um dos estúdios mais interessantes de Hollywood. Basta lembrar que Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Friday Night Lights e Diarios de Motocicleta têm a sua assinatura.
A Fox tem em Sideways a sua estrela. O filme favorito da critica corre em várias provas para ganhar nos óscares e a campanha da Fox tem ajudado a acalentar essa esperança. Além disso a companhia tem ainda outros trunfos na manga, casos de Kinsey. A Fox tem ainda o mérito de ser a companhia que mais aposta no cinema independente. Aconteceu com o filme de Payne mas também com I Heart Huckebees, Garden State ou Napoleon Dynamite. Com Kingdom of Heaven ou The Revenge of the Sith, o próximo ano é promissor para um dos maiores estúdios da história do cinema.
A Columbia não esteve em alta em 2003 apesar do sucesso de blockbusters como Spiderman2. Closer foi uma aposta ganha mas ignorada pela a Academia - exceptuando o leque de actores secundários - enquanto que Spanglish nem isso conseguiu. Conhecido por ser um estúdio de filmes comerciais - apesar de ser dos estúdios com mais óscares conquistados - não é provável que tenha uma grande noite no dia 27.
A Paramount é outro dos estúdios miticos de Hollywood que acabou por passar ao lado de um grande ano. Sky Captain, The Spongebob Squarepants Movie, Alfie, Team America ou Stepword Wives foram fracassos, tanto nas bilheteiras como na critia, condenando o ano da Paramount à partida. O estúdio que produziu Titanic continua assim à procura de melhores dias.
O estúdio que venceu os últimos óscares foi claramente a New Line Cinema. Isto porque foi o único estúdio que acreditou em Peter Jackson e financiou o seu projecto fantástico de seu nome Lord of the Rings. Depois de um ano de grande fartura, 2004 foi um ano de seca para os estúdios da New Line. No entanto é uma seca aparente já que uma subsidiária da NLC conquistou seis nomeações aos óscares à custa de Vera Drake, Maria Full of Grace e Mar Adentro.
A Pixar é o estúdio que domina o cinema de animação neste momento e o seu filme do ano, The Incredibles, coleccionou 4 nomeações aos óscares, o que é notável para um estúdio animado. Depois de Finding Nemo não ter aguentado a concorrência de The Return of the King no ano passado, resta saber se o novo da Pixar pode conquistar mais do que uma estatueta dourada este ano.
O mais antigo e famoso estúdio de Hollywood, a MGM, passa por enormes dificuldades e está prestas a ser adquirido pela Sony Pictures, fundindo-se assim com a Columbia. E de facto são memórias o que parece restar da MGM já que o ano de 2004 não foi dos melhores para a empresa. Tirando o caso de Hotel Rwanda torna-se óbvio que a MGM é mais uma companhia do passado, do que propriamente uma aposta para o futuro.
Como se pode ver a próxima noite dos óscares promete um duelo em toda a linha entre a Miramax e a Warner Bros. Se a noite for de The Aviator, os Weinstein - que não venceram um único óscar em 2003 - cantarão vitória, mas se for Million Dollar Baby a seguir na frente, será a Time-Warner a festejar.
No entanto, e num ano tão disputado como é o de 2004, é previsivel que outras produtoras levam óscares para casa. A Universal, Fox, New Line Cinema e a Pixar são as que estão mais bem colocadas para o efeito mas pode haver surpresas. Na madrugada de dia 28 já saberemos quais.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:31 AM | Comentários (1)
O Que Estreia Por Cá - Um milhão de razões para ir ao cinema...
Million Dollar Baby é a última pérola de Clint Eastwood, a par de Steven Spielberg e M. Night Shyamalan, o melhor realizador em actividade. Nunca um homem na casa dos 70 soube produzir filmes com tanta alma e qualidade como Eastwood e a história da jovem Maggie e do seu treinador promete ser a coroa de glória de uma filmografia já de si notável...

Apesar de não ser o filme com mais nomeações - o que pode pesar na decisão final - este Million Dollar Baby é o mais forte candidato aos óscares. Por razões óbvias. A qualidade do filme é elogiada por todos, sem excepção, especialmente pela forma como Eastwood dá uma grande alma humana à história. Outro ponto de destaque deste MDB são as performances que podem valer a Hilary Swank e Morgan Freeman o óscar, e que também deram a nomeação a Eastwood. O filme corre o risco de vencer a noite dos óscares, ou então, de ser o grande perdedor. Tudo depende dos votantes. Mas o que não depende dos membros da Academia é a qualidade de MDB que não só é um sucessor natural a Mystic River, outro grandioso filme, como é provávelmente o grande candidato a destronar Eternal Susnhine of the Spotless Mind como o maior filme do ano de 2004.
Nunca houve um milhão de razões tão boas para se ir ao cinema como agora.

Mais seis estreias nesta semana, com outro filme a piscar o olho aos óscares.
Hotel Rwanda foi uma das sensações do ano cinematográfico nos Estados Unidos e chega agora a Portugal, a duas semanas dos óscares para onde tem quatro nomeações. Duas delas são para os actores do filme, Don Cheadle e Sophie Okonedo, que se estreiam nestas lides, mas que vêm surgir os louros de um trabalho excepcional neste filme sobre os massacres do Ruanda. Um filme a quem alguém já chamou "A Lista de Schindler de África".

The Merchant of Venice marca o regresso de William Shakespeare ao cinema, desta feita pela mão de Michael Radford. O filme conta com um elenco de luxo em que se destaca o regressado Joseph Fiennes, que actua ao lado dos pesos pesados Al Pacino e Jeremy Irons.

Le Temps Qui Changent é o novo filme do realizador francês André Techine, e conta com o explosivo casal Gerard Depardieu e Catherine Deneuve no grande ecrãn, a contar a história de um casal que se reencontra em Tanger, trinta anos depois da sua separação. Um reencontro que irá recuperar feridas antigas ainda por sarar.

O cinema animado regresso ao grande ecrãn com Back to Gaya, filme de Lenard Fritz Krawinkel e Holger Tappe, um dos poucos exemplares de cinema de animação que não das grandes empresas norte-americanas a chegar ao circuito comercial português. A história parte da premissa "o que serão capazes de fazer na vida real, os herois do mundo animado".

Numa semana fértil em estreias para o cinema de terror, há The Grudge, filme com Sarah Michelle Gellar e Jason Behr, dirigido por Takashi Shimizu. Uma jovem enfermeira aceita um trabalho mas vai descobrir que entrou num poço profundo, que talvez não tenha saida.

Uma outra estreia no universo dos filmes de terror é Romasanta, La Caza de la Bestia. Francisco Plaza dirige este filme espanhol passado na Galiza do século XIX onde os lobisomens são uma realidade bem assustadora. Filme com Elsa Pataky e Gary Piquer.

O Hollywood Aconselha - Como não podia deixar de ser, Million Dollar Baby. É a última maravilha do grande realizador que é Clint Eastwood. Ao ver este filme pensamos sempre que era melhor para o cinema se pessoas como Eastwood não morressem nunca.
O Hollywood Desaconcelha - O cinema asiático especializou-se no cinema de terror nos últimos vinte anos e agora o mercado norte-americano está a capitalizar esse investimento pegando em histórias asiáticos juntando-lhe actores populares entre os jovens norte-americanos. Isso não chega para fazer um filme. E The Grudge é o exemplo disso.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:51 AM
Vin Diesel quer dirigir Hanniball
O actor de action-movies Vin Diesel há muito tempo que tinha manifestado interesse em viver Anibal, o mitico lider cartagines que praticamente derrotou o Imperio Romano, antes de ser ele próprio derrotado graças a erros de estratégia na altura em que estava às portas de Roma.
No entanto, e depois de umas pesquisas preliminares e de uns ensinamentos dados por um técnico de informático que mostrou ao actor como, sem grandes custos, reproduzir esse fantástico mundo, Vin Diesel decidiu também realizar o projecto. A ideia ainda está na sua cabeça é certo, mas não estranharia muito que nos próximos anos estrea-se a sua versão da vida de uma das maiores personagens da história.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:36 AM | Comentários (1)
fevereiro 15, 2005
Hollywood-Óscares2004 - Como foi em 2003...
Uma verdadeira avalanche de Hobbits, Orcs e afins, foi o que aconteceu na edição do ano passado dos óscares. O capitulo final da trilogia Lord of the Rings de Peter Jackson venceu 11 óscares. O outro filme da noite acabou por ser Mystic River, com dois óscares para os seus actores.

Para além de consagrar a mais fantástica trilogia do cinema fantástico, a cerimónia dos óscares pos fim a uma injustiça que se arrastava já há alguns anos. Finalmente Sean Penn pode subir ao palco para agradecer o óscar de melhor actor que conquistou pelo seu papel em Mystic River. Também o seu companheiro de filme Tim Robbins se estreou a vencer um óscar, desta feita como actor secundário. Nas actrizes a festa foi de Renee Zellweger e de Charlize Theron, também vencedoras inéditas na história da Academia.
Depois foi só Lord of the Rings.
Ou quase. Master and Commander, Lost in Translation e Finding Nemo ainda conseguiram um óscar cada, mas nenhum bateu The Return of the King nas categorias em que saiu vencedor. O filme de Jackson venceu todas as categorias para onde estava nomeado, incluindo a de Melhor Banda Sonora para Howard Shore, e a de Melhor Argumento e Realização, o óscar da consagração de Jackson.
Uma cerimónia que ficou marcada pela birra de Bill Murray e pela total hegemonia de um dos grandes filmes dos últimos anos. Uma vitória justa e que só poderá ser igualada este ano se The Aviator também vencer todos os óscares para que está nomeado. O que mais do que improvável, parece impossível.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:44 AM
Rock escandaliza Academia
Será possivel substituir o anfitrião da cerimónia dos óscares a menos de duas semanas dela ter lugar? Muitos dos membros da Academia gostavam que isso fosse possível. Tudo isto por causa das polémicas declarações do apresentador escolhido, o comediante Chris Rock.
Rock terá declarado que só os "gays é que vêm os óscares" dizendo que nenhum homem a sério perde tempo a ver uma cerimónia destas. As suas declarações foram mais além quando disse que "prémios para a arte são extremamente idiotas". Os membros da Academia não gostaram e a expectativa agora está em volta da prestação do comediante na noite de 27 de Fevereiro.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:57 AM | Comentários (2)
fevereiro 14, 2005
Hollywood-Óscares2004 - As grandes injustiças...
Apesar de terem como principal objectivo premiarem os melhores do ano, a verdade é que a Academia criou imensas injustiças na sua longa história. Talvez porque o cinema é subjectivo ou porque há sempre algo por detrás do que devia ser simplesmente uma avaliação de desempenhos e trabalhos. Alguns desses nomes ficarão para a história como os grandes injustiçados.

ACTORES
Richard Burton
Um mito da sétima arte que nunca venceu uma estatueta dourada apesar de ter sido nomeado por sete vezes. Em várias das nomeações era o melhor do ano mas acabou por ser sempre suplantado por outsiders.
Peter O´Toole
Da mesma geração de Burton e com o mesmo destino. Igual numero de nomeações e nenhuma estatueta nas mãos. Nem em Lawrence of Arabia, nem em Lion in Winter. Ainda está em actividade procurando o reconhecimento dos seus pares.
Cary Grant
Um dos maiores actores de todos os tempos, rei do genero screwball, mestre de filmes como Bringing up Baby ou The Talk of the Town, o fantástico britânico nunca venceu a almejada estatueta apesar da mão cheia de nomeações que teve ao longo da vida.
Charles Chaplin
Ostracizado desde muito cedo por Hollywood, nunca venceu um óscar pelo seu desempenho como actor ou realizador, nem por encarnar Charlot, nem em The Great Dictator ou Monsier Verdoux. Recebeu um óscar honorário mais tarde.
Morgan Freeman
Uma injustiça que pode terminar este ano se o actor vencer o seu primeiro óscar, mas que já se prolonga à uma quinzena de anos. Nem por Driving Miss Daisy, Seven ou Shawshank Redemtpion alguém se lembrou de dar uma estatueta ao maior actor negro de sempre.
ACTRIZES
Rosalind Russell
Que grande actriz que é esta senhora, uma verdadeira dama dos palcos e fera do grande ecrãn que nunca, apesar das variadissimas nomeações, foi galardoada com um óscar. Injustiça suprema, especialmente se pensarmos em Mouring Becomes Elektra.
Deborah Kerr
Nunca ninguém teve tantas oportunidades de vencer um óscar e acabou por morrer na praia. Kerr é a actriz com mais nomeações conseguidas que acabaram por nunca resultar em vitórias. De From Here to Eternity até The King and I, o óscar foi sempre parar a outras mãos.
Gene Tierney
Uma curta carreira de uma grande actriz que ainda assim teve tempo para ser nomeada por diversas vezes aos óscares, nunca tendo no entanto saido vencedora. Nem por Laura, nem por The Ghost and Mrs Muir nem por The Left Hand of Good. E assim a mais bela actriz de Hollywood ficou de fora da lista das grandes actrizes do cinema norte-americano.
Barbara Stanwick
Começou no final do mudo e foi crescendo como actriz e como estrela até aos anos 50, onde obteve algumas das melhores performances. Talvez a sua mais estonteante prestação tenha sido em Double Indemnity, uma verdadeira obra-prima esquecida por muitos.
Gloria Swanson
Não só pelo que fez como rainha do cinema mudo, especialmente no inicio da década de 20, mas também pela assombra prestação em Sunset Boulevard, seja justo dizer que esta grande actriz é umas das mais injustiçadas por Hollywood.
REALIZADORES
Orson Wells
Apesar de ter sido galardoado como argumentista, nunca o foi nem como actor ou realizador, apesar de ter sido eximio nessas duas artes. A censura à volta de Citizen Kane impediu-o de o ser em 1941 enquanto que a sua imagem de outsider fez com que nem em The Third Men, The Lady from Shangai ou Thouch of Evil, o genial Wells vencesse o óscar.
Nicholas Ray
Outro grande realizador sem estatueta dourada. Apesar das suas obras-primas, da sua contribuição para a sétima arte, Ray é ainda hoje um dos maiores injustiçados de sempre de Hollywood.
Howard Hawks
Um mito completamente esquecido pela Academia, apesar de ter sido nomeado por diversas vezes aos óscares. Filmes como Scarface ou Rio Bravo ainda hoje são icones da filmografia americana mas na altura ninguém se lembrou dele.
Alfred Hitchcock
Provavelmente um dos três maiores realizadores da história do cinema, Sir Alfred Hitchcock nunca venceu um óscar, apesar de ter sido nomeado por diversas vezes, tendo mesmo um filme seu, Rebecca, sido eleito o filme do ano em 1940. Uma injustiça que manchou para sempre o nome da Academia.
Ernst Lubitsch
Quem não delira com The Shop Around the Corner, Heaven Can Wait ou To Be Or Not To Be, três das maiores comédias do cinema norte-americano? Durante quase vinte anos, Lubitsch foi uma das maiores luzes de Hollywood, sendo imitado mais tarde por muitos nomes consagrados como Billy Wilder. Óscar? Não teve nenhum!
FILMES
It´s a Wonderful Life
É curioso notar que as grandes obras primas da história do cinema acabaram por não vencer o óscar de melhor filme. A maior de todas elas é It´s a Wonderful Life, filme fabuloso de Frank Capra que acabaria derrotado em 1946 pelo filme The Best Years of Our Lifes. Um crime praticamente.
Vertigo
A obra suprema de Alfred Hitchock, com James Stewart e Kim Novak em pleno estado de graça, tinha tudo para ser o grande vencedor dos óscares em 1958. Mas não o foi, perdendo para um musical - Gigi - mostrando assim que a Academia era capaz de cometer erros imperdoáveis.
Some Like it Hot
No ano seguinte a Vertigo ter falhado o óscar, também a obra-prima da comédia foi derrotada sem apelo nem agravo pelo épico Ben-Hur. O filme de Billy Wilder tinha um argumento, elenco e realização simplesmente do outro mundo, mas isso não foi suficiente para vencer.
The Searchers
O western, apesar de ser o genero por excelência do cinema norte-americano, sempre foi mal-amado pela Academia. E quando John Ford fez a sua obra suprema - ele que é o realizador com mais óscares na algibeira - o filme ficou ao lado da cerimónia que consagrou um tal de Around the World in Eightie Days. Um insulto ao cinema.
Citizen Kane
Talvez toda esta história das injustiças tenha tido a sua genese em 1941, quando a censura de Hollywood impediu Citizen Kane, um dos maiores filmes de sempre, de ser consagrado como o melhor do ano. Até então tinha havido injustiças, mas justificáveis pela qualidade do vencedor. Mas num ano em que foi How Green Was My Valley o vencedor, não há perdão possivel.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:48 PM | Comentários (3)
Garden State - O rookie do ano
Nos desportos americanos é comum premiar-se o jovem que mais se destaca entre os estreante do ano. Chamam-lhe o "rookie do ano". Se esse prémio fosse aplicado ao cinema, então o "rookie" de 2004 seria sem dúvida alguma Zach Braff, que consegue com o seu primeiro filme, Garden State, trazer uma verdadeira lufada de ar fresco às salas de cinema por esse mundo fora...
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Um filme de total libertação, do primeiro ao último minuto. Apesar de ser construido de forma muito modesta e com grande simplicidade, é a beleza natural das coisas e a forma como a história vai ganhando vida, que fazem deste filme um dos mais interessantes do ano que há pouco terminou.
Tal como a personagem principal, Andrew, também o filme começa preso, atado a algo que ninguém sabe muito bem o que é. Mas no final, também ele grita para as profundezas do abismo, o abismo da condição humana, libertando-se assim de todas as algemas que o pudessem prender. Voa bem alto e com ele voa também um nome a reter. Zach Braff, que conhecemos bem da serie televisiva Scrubs, que assina um espantoso argumento e uma notável realização - cheio de planos maravilhosos - a que junta uma sólida performance como actor principal.

Quem também nos toca bem fundo é Natalie Portman. Num ano absolutamente notável, a Academia deve-se ter engando. Devia ter sido aqui, a fazer de Samantha, a rapariga que não consegue parar de mentir, que a jovem actriz devia ter sido nomeada ao óscar. É uma das personagens mais carinhosas dos últimos anos, e uma das performances mais notáveis do ano, onde a beleza da actriz e a sua aptidão natural ajudam a dar uma outra aura a um filme muito soft, tipica produção indie apadrinhada por Sundance.
Aliás não é só ela, já que o próprio Peter Saasgard - em grande ano, apesar de ter sido ignorado de novo - consegue ser extremamente persuasivo no papel do jovem sem grande expectativas mas com grande coração. E por fim ainda há Ian Holm, que passeia pelo filme qual fantasma de um passado que ninguém quer ver relembrado, numa figura de uma austeridade quase castradora, que contrasta bem com o espirito do resto da história, uma história como já dissemos, de total desprendimento com a vida.

Com uma banda sonora absolutamente deliciosa - a lembrar um pouco Lost in Translation pela qualidade dos temas escolhidos um a um pelo realizador-actor-argumentista - e uma realização extraodinariamente bem conseguida, apesar de ser um primeiro trabalho, Garden State é uma das maiores revelações dos últimos anos. É a prova de que é possivel fazer bom cinema, grande cinema - em algumas cenas há grandiosidade a contrastar com a simplicidade que marca o filme - sem grandes orçamentos ou ideias megalómanas. Basta ter um pouco de talento - e Zach Braff parece prometer ter muito - e um grande coração, para trazer ao público um filme tão refrescante.
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O Melhor - O desempenho de Natalie Portman é assombroso. Ninguém consegue ficar indiferente à jovem Sam, com todos os seus defeitos e virtudes a misturarem-se num enorme caldo de emoções. Merecia ter sido nomeada por aqui em vez de o ter sido por Closer, onde também é muito boa.
O Pior - A inexperiencia de Braff nota-se em alguns planos e sequências do filme, mas mesmo assim não é um problema de grande monta. Como o filme nunca espera atingir a grandiosidade, isso acaba até por não ser tão mau como seria noutros casos.
Curiosidade - Natalie Portman é israelita e poucos sabem disso. Numa das cenas é obrigada a confrontar Braff com os seus hábitos de judeu. Não é muito normal esta situação, a não ser que se esteja num filme de Woody Allen claro!
Site Oficial - www2.foxsearchlight.com/gardenstate
Realizador - Zach Braff
Elenco - Zach Braff, Natalie Portman, Peter Saasgard, ...
Produtora - Fox
Duração - 109 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:52 AM
fevereiro 13, 2005
Hollywood-Óscares2004 - Um pouco de história
A cerimónia dos óscares existe desde 1928, data em que foi entregue pela primeira vez as estatuetas douradas rapidamente baptizadas como "oscares" pela sua semelhança com um tio de uma das primeiras contempladas. Daí até hoje os óscares ganharam o seu espaço e tornaram-se no acontecimento por exclência do ano cinematográfico.

A origem dos óscares remonta a um almoço entre os produtores dos cinco grandes estúdios da época - MGM, Warner, Fox, RKO e Paramount - que decidiram criar um prémio que elegesse o que de melhor a indústria fazia anualmente. Cedric Gibbons o talentoso designer da MGM fez o esboço da estatueta dourada que mais tarde teria o nome de óscar. A definição das categorias e dos nomeados foi complexa ao início, tendo Wings vencido o primeiro óscar de Melhor Filme - única vez que um filme mudo obteve esse reconhecimento - mas com Sunrise a ser eleito o Filme Artistico do Ano. Emil Jannings e Janet Gaynor foram igualmente os primeiros actores premiados.
Com o advento do sonoro também os óscares se renderam à nova tecnologia premiando no ano seguinte um musical, The Broadway Melody.
Com os anos a polémica à volta dos óscares tornou-se cada vez maior. Os nomeados iam para a cerimónia - muito mais curta do que é hoje - com os vencedores já anunciados pelos jornais e não havia o glamour do "the oscar goes to". Isso veio mudar na década de 40, altura em que a indústria estava a atingir o seu zénite.
Entretanto foram criados prémios de carreira para compensar as muitas injustiças feitas ao longo dos anos, e a cerimónia tornou-se bem mais elegante do que era nos primeiros anos, mudando regularmente de anfiteatro. Com a televisão, passou igualmente a haver muito mais atenção à cerimónia, habitualmente apresentada por comediantes de sucesso como Bob Hope ou Johnny Carson.
Com o declineo de Hollywood também os óscares tiveram alguns anos dificeis, no inicio da década de 70, mas conseguiram recuperar mantendo-se como o grande prémio do ano cinematográfico, apesar da cada vez maior popularidade de outros prémios. As vitórias de grandes exitos de bilheteira, imagem de marca dos óscares a partir dos anos 80, reforçou ainda mais essa condição de cerimónia de consagração.
Mesmo assim houve alguns episódios bem curiosos na história da Academia, como quando Warren Beatty se levantou a meio da cerimónia de 1981 quando percebeu que o seu filme, Reds, não iria ser o grande vencedor da noite, levando toda a sua equipa com ele. Ou quando Roberto Begnini saltou de cadeira em cadeira para festejar o seu surpreendente óscar em 1998. Momentos esses que fazem da cerimónia um momento sempre de grande emoção e expectativa. De consagrações a surpresas, todos os amantes do cinema não desligam da televisão na noite da cerimónia, mesmo que essa se extenda, como é habitual, pela madrugada fora.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:02 PM
Kinsey - Onde estariamos nós sem ele...
É uma pergunta legitima que o filme de Bill Condon coloca no início e responde no fim. Onde estaria o mundo de hoje se não fosse por Alfred Kinsey? Sabemos que a América - onde o filme foi praticamente censurado - continua na mesma, mas o resto dos cidadãos do mundo benificiaram muito com a sua obra. E o filme Kinsey é um excelente retrato dessa mudança fundamental na história da Humanidade.
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Se não fosse por Kinsey, hoje talvez conceitos como masturbação, ejaculação, prazer exta-conjugal ou bissexualidade, fossem ainda tabus na maior parte do mundo. Ainda o são em muitos locais - a começar pelo país de origem deste cientista - mas outros paises há, que devem muito a este homem. Portugal é um deles. E ao ver-mos este filme percebemos o quanto devemos a esse homem que um dia investigava pequenos insectos e que mais tarde percebeu, que o Homem é como um insecto, onde ninguém é igual a ninguém, e todos querem parecer igual a toda a gente. Confusos? Kinsey dá a resposta
Num filme excepcionalmente trabalhado por Bill Condon - o autor do aclamado Gods and Monsters - temos o retrato da vida do primeiro grande séxologo. O homem que pôs o mundo a falar da coisa mais natural que existe - sexo.
Um filme cheio de virtuosismos - tanto técnicos como narrativos - e que consegue explorar bem a vida do homem, a vida do cientista, e a obra que deixou. Um filme que tem as suas semelhanças com Tucker - Copolla é produtor do filme - mas um Tucker mas angustiado com a sua obra a certa altura. No entanto a sequência de grande intensidade dramática já bem perto do fim, que ajuda a ver o homem Kinsey que o cientista cumpriu os seus designios, é a chave perfeita para compreender este filme.

Um filme que tem um elenco excepcional, onde apenas Laura Linney recolheu o aceitamento da Academia. Infelizmente, porque o trabalho de Liam Neeson é absolutamente portentoso. É verdade que este ano havia 10 actores para 5 lugares e alguém tinha de ficar de fora, mas é sempre triste ver um grande valor como Neeson estar fora dos contemplados. Uma performance de grande intensidade dramática - que se acentua na última meia hora do filme, a melhor - e com alguns traços de humor, bem caracteristico deste irlândes. Uma performance que é também, pode dizer-se, a alma do filme. Neeson consegue tanto ser o amargurado homem, à busca de si próprio no meio da confusão tremenda que é a condição humana, e ao mesmo tempo o cientista sempre empenhado e extremamente metódico que liderou esta revolução sexual.
Também Peter Saasgard, esquecido pelo segundo ano consecutivo, consegue um belissimo desempenho como o braço direito de Kinsey, seu amante e amigo, seu parceiro e seu disciplo, num papel extremamente bem desenvolvido ao longo das diferentes etapas porque o filme passa.

O argumento não era fácil de construir - havia sempre a hipótese de cair nos habituais clichés de biopics - mas Condon mostrou ser extremamente talentoso na forma como conduz o filme, com o excelente trabalho de montagem a ajudar a criar uma grande dinâmica entre o passado e o presente. Um filme que é um marco porque fala sobre um tema ainda tabu para muitos (quantas mulheres, ainda hoje, quarenta anos após o Relatório Kinsey, admitem masturbar-se?) mas que vai ganhando o seu espaço na sociedade. Quando o filme ainda hoje é censurado nos Estados Unidos e catalogado na sua classificação como "apologista de perversões sexuais", é importante saber que a mensagem de Kinsey ainda não passou para dentro de muitas casas, não só nos States como por esse mundo fora.
Injustamente ostracizado, Kinsey é um filme que tem o condão de mostrar a alma de um homem de forma despudorada, com os seus defeitos e virtudes, mas reconhecendo sempre o seu importante papel e a sua grande influência nas nossas vidas. Um filme que funciona como homenagem, mas ao mesmo tempo, como um aviso á navegação. Não vá o mundo precisar de um outro Kinsey.
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O Melhor - A performance do elenco. Não é só o notável Liam Neeson. Também Laura Linney, John Litgow, Peter Saarsgard, Chris O´Donnel ou Timothy Hutton, estão em grande nivel e ajudam o filme a afirmar-se claramante.
O Pior - Houve alguns elementos polémicos à época que o filme não retrata, como por exemplo a entrevista à personagem assumidamente pedófila que criou um enorme escândalo à época, mesmo entre os seguidores do sexólogo.
Curiosidade - O plano final entre as árvores é também uma homenagem de Bill Condon a Vertigo, com Liam Neeson e Laura Linney a repetirem as miticas frases ditas em 1958 por Kim Novak. Um belo momento de cinema.
Site Oficial - www.foxsearchlight.com/kinsey
Realizador - Bill Condon
Elenco - Liam Neeson, Laura Linney, Peter Sasgaard, ...
Produtora - Fox
Duração - 112m
Classificação - m/16
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:20 AM
Aviator e Vera Drake vencem BAFTA´s
Aquele que é o último grande prémio antes da entrega dos óscares voltou a baralhar a contagem, colocando The Aviator em alta. O filme de Scorsese venceu 4 prémios, o de Melhor Filme, Melhor Actriz Secundária, Melhor Desing de Produção e Melhor Maquilhagem. Já o filme de Mike Leigh, acabou por vencer também em quatro categorias. A de Melhor Realizador, Melhor Actriz, Melhor Design de Guarda Roupa e Melhor Guarda Roupa.
Ou seja, a comunidade britânica deu o seu voto de confiança a Scorsese e a Leigh. No entanto Million Dollar Baby - que não concorreu em quase nenhuma categoria - e Sideways - filme americano sem expressão no Reino Unido - não ficam muito prejudicados com este sinal, porque era já de si previsivel.
Previsivel foi também a vitória de Jamie Foxx e Clive Owen nas categorias masculinas, tal como de Eternal Susnhine of the Spotless Mind e Sideways na seçcão de argumentos.




Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:50 AM
fevereiro 12, 2005
Hollywood-Óscares2004 - E Quem Está...
Os grandes destaques do ano vão para Million Dollar Baby, The Aviator e Sideways. Os três são os grandes candidatos a vencer o óscar de Melhor Filme, com Eastwood a partir ligeiramente à frente. Houve igualmente outras figuras que marcaram o seu bilhete para a cerimónia de forma convincente.

FILME
- Million Dollar BabyÉ o grande favorito. Venceu o DGA, tem um argumento notável, um leque de desempenhos assombrosos e é o tipico "oscar-winner". No entanto tem rivais de peso o que pode dificultar uma vitória que parece justa, tendo em conta os nomeados. Depois de Mystic River, e aos 76 anos, Eastwood está melhor do que nunca, confirmando-se como um dos maiores realizadores de sempre.
- Sideways
O menino bonito da critica aguentou tudo e conseguiu estar na linha da frente entre os grandes favoritos às estatuetas douradas. Está nomeado em cinco categorias chave, e agora só o destino poderá prever quantas vencerá. Se o elenco de secundários for eleito, então o filme pode vencer. Se Payne e o argumento forem batidos por Eastwood, então a noite pode acabar sem estatuetas para estes apreciadores de bom vinho e belas mulheres.
- The Aviator
Na teoria é o grande favorito já que desde 1983 que o filme com mais nomeações é galardoado com o óscar de Melhor Filme. Mas The Aviator não tem sido o sucesso pretendido, nem na bilheteira nem na critica, e se vencer será apenas pelo efeito "vamos dar um óscar ao Marty". Vencerá sempre categorias técnicas, mas com Foxx e Eastwood em alta, só Blanchett deverá levar um óscar importante para casa.
REALIZADOR
- Clint Eastwood
Ele é "O Homem"! Septuagenário e a brilhar como um jovem, Clint Eastwood é o grande realizador do momento no activo. Além do mais representa e compõe a partitura sonora de Million Dollar Baby com mestria. Depois do DGA o seu segundo óscar está à sua espera.
- Alexander Payne
É uma das novas estrelas em ascensão no cinema de Hollywood. Depois de Election e About Schmidt, o jovem realizador conseguiu os elogios de gregos e troianos com Sideways. Pode não ganhar a estatueta, mas deverá levar a de argumentista para casa.
- Martin Scorsese
Um dos nomes mais sobrevalorizados da história do cinema, a qualidade dos seus filmes tem vindo a decair em muito. The Aviator espelha bem isso e no entanto pode tornar-se no filme da sua consagração. Um paradoxo à Hollywood mas que pode muito bem acontecer.
ACTORES
- Jamie Foxx
O comediante de 36 anos fez-se homem e encarnou um dos maiores mitos da cultura americana. E fê-lo exemplarmente. O seu trabalho em Ray é assombroso e merecedor do óscar que por certo já é dele à partida. Resta agora saber se Foxx voltará para os seus papeis antigos ou se continuará a crescer como actor.
- Leonardo DiCaprio
Conseguiu a nomeação à terceira tentativa e é um candidato de respeito, com a vitória nos Globos a comprovar isso. No entanto só ganhará num cenário em que The Aviator vence tudo. O que é pouco provável. Mesmo assim é a alma do filme.
- Clint Eastwood
Foi uma nomeação surpresa mas justa. E de repente, com o momentum do filme, Eastwood torna-se num rival de peso nesta categoria. Se Million Dollar Baby desatar a vencer óscares, Clint pode mesmo fazer o que nunca foi feito. Ser eleito melhor realizador e melhor actor na mesma noite.
ACTRIZES
- Hilary Swank
Depois de ter vencido em 1999 o óscar pelo seu notável desempenho em Boys Don´t Cry, eis que a jovem Hilary volta à carga com mais uma performance extremamente emotiva e aclamada em Million Dollar Baby. Pode repetir o que se passou em 99, ganhando de novo o óscar diante de Annette Benning. Um cenário cada vez mais provável.
- Annette Benning
Depois da derrota em 1999 diante de Swank desapareceu de vista, dedicando-se a ser a senhora Warren Beatty. Em 2004 volta em estilo com uma sólida performance em Being Julia. No entanto o filme foi pouco visto, tendo sido aclamado apenas por uma minoria da critica. Perdeu o seu momentum para Imelda Staunton nos prémios da critica e só a vitória no Globo de Ouro, e uma especie de sentimento de justiça do que aconteceu em 99 podem salvar o óscar que muitos disseram que seria dela.
- Imelda Staunton
Um trabalho notável desta respeitosa actriz britânica em Vera Drake. Muitos prémios da critica no bolso e uma justa nomeação ao óscar. Mas e agora? Uma vitória é pouco provável, se nos lembrar-mos do que aconteceu com Brenda Blethyn. Mas a divisão entre Benning e Swank, o apoio dos votantes ingleses e a popularidade do filme podem ajudá-la a ser a surpresa da noite.
SECUNDÁRIOS
- Clive Owen
É simplesmente genial em Closer! Se algum óscar seria justo na noite de dia 27, esse seria o de Owen. No entanto a competição é dura e o facto do filme tem sido muito mal tratado pela critica pode não ajudar. Mas que o merecia, lá isso...
- Virginia Madsen
Recuperada depois de uma década de ostracismo, a bela Madsen volta a mostrar todo o seu talento que ajudaram a fazer dela uma das grandes promessas femininas nos anos 80. É uma das almas mais tocantes do ano em Sideways e pode bater Blanchett e Portman. Não seria uma surpresa mas não é previsivel.
- Morgan Freeman
É um dos grandes injustiçados no activo da história do cinema norte-americano e este ano poderá ser compensado por isso. Às custas de Owen é certo mas qualquer amante do bom cinema perceberá essa escolha. Afinal os óscares também premeiam carreiras. Se isos é justo, é outra conversa!
OUTRAS CATEGORIAS
- The Incredibles
O cinema animado continua a crescer a olhos vistos dentro da indústria e a Pixar é a companhia que melhor ilustra esse momento. As quatro nomeações que o seu mais recente sucesso conseguiu é a prova de que o cinema animado deve ser olhado com respeito.
- Cinema Estrangeiro
Hollywood começa a estar cada vez mais atenta ao cinema que se faz fora de portas. Ao todo foram mais de uma dezena de nomeações para filmes não americanos, divididos entre produções orientes, francesas e latinas. Um espaço que é de aproveitar pelo cinema mundial para se afirmar na Meca do Cinema.
- Lemony Snicket´s
Foi uma das grandes surpresas aquando das nomeações por ter conseguido quatro nomeações, o sexto filme mais nomeado. Não é crónico candidato em nenhuma delas mas não espantaria ninguém se voltasse para casa com um par de óscares. Um belo feito da equipa de Brian Silbering.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:45 PM | Comentários (1)
Hollywood-Óscares2004 - Quem Não Está...
Num ano cheio de bons filmes, houve alguns titulos e interpretações que ficaram de fora - nuns casos isso já era previsivel e noutros nem tanto. Ficam aqui os grandes ausentes dos óscares2004.

QUE NÃO ESTÁ!
FILMES
- The Village
Para muitos um dos grandes filmes do ano, o quarto filme de M. Night Shyamalan conseguiu apenas uma nomeação, para Melhor Banda Sonora. A má recepção que o filme teve nos Estados Unidos já previa este esquecimento da Academia, mas o mais estranho acabou por ser a ausência da jovem Bryce Dallas Howard da lista de nomeados. Afinal, foi reconhecido por todos, como uma das performances do ano.
- Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Até ver é o filme de 2004 e conseguiu apenas duas nomeações. Kate Winslet e Charlie Kauffman. Apesar de nenhum deles ser favorito, Kauffman deverá vencer à terceira tentativa enquanto que Winslet continuará sem estatueta. Nomeações como Montagem, Banda Sonora, Melhor Tema, Melhor Realizador ou Melhor Filme foram sempre uma hipótese mas acabaram por não se confirmar, especialmente face à popularidade de Ray.
- Diarios de Motocicleta
Um dos filmes mais aclamados nos Estados Unidos, esteve sempre equacionado como uma das eventuais surpresas entre os nomeados em diversas categorias. A expectativa acabou por não se confirmar. Nem Salles, nem Bernal, nem De la Serna conseguiram uma nomeação, deixando assim um dos grandes filmes do ano apenas com nomeações técnicas.
REALIZADOR
- Michel Gondry
Era a aposta surpresa de muitos apostadores para uma quinta vaga que acabou por ir para as mãos de Mike Leigh. O realizador de Eternal Sunshine ganhou alguns prémios ao longo do ano e por isso muitos esperavam uma nomeação em jeito de reconhecimento pelo seu trabalho. Mas isso não aconteceu.
- Mike Nichols
O seu trabalho em Closer é muito bom e Nichols é um homem de Hollywood desde a década de 60. Um dos grandes filmes do ano, a dureza de Closer afastou-o das grandes nomeações e o realizador foi vitima disso.
- Marc Forster
Ter o seu filme nomeado para Melhor Filme, e coleccionar outras sete nomeações e não estar nomeado deve custar. O realizador alemão deve estar a senti-lo neste momento já que acabou por perder o duelo para Taylor Hackford na habitual disputa entre quem é o "realizador nomeado a melhor filme que fica de fora". Resta-lhe o consolo de Finding Neverland poder arrecadar um par de estatuetas.
ACTORES
- Javier Bardem
O actor espanhol tem uma interpretação monstruosa em Mar Adentro e no entanto falhou a sua segunda nomeação ao óscar. Era visto por muitos como favorito à vitória mas nem o voto emocional salvou a sua candidatura. Num ano tão complicado como este, saiu-lhe a fava no jackpot.
- Liam Neeson
Em Kinsey, o notável actor irlândes volta a dar uma grande performance, talvez uma das melhores da sua carreira. E no entanto a nomeação foi pelo charco, muito por culpa de Don Cheadle que sempre teve um forte apoio da critica. Foi prejudicado pela polémica à volta do filme que apenas conseguiu eleger Linney.
- Paul GiamattiÉ o segundo ano consecutivo e começa a parecer-se cada vez mais com Jim Carrey. Será esse o destino de Giamatti, um notável actor que depois de American Splendor volta a superar-se em Sideways. A critica diz que ficou de fora por causa da personagem. Há quem fale em nomeação como secundário para o próximo ano por Cinderella Man como recompensa. Com o sucesso de Sideways, é estranho que o seu elo mais forte tenha ficado de fora.
ACTRIZES
- Scarlett JohanssonÉ o segundo ano consecutivo que a belissima e talentosa actriz fica de fora. Depois de Lost in Translation e Girl With a Pearl Earring no ano transacto não terem sido suficientes para levar a jovem Scarlett a passear pela passadeira encarnada, este ano o seu aclamado desempenho em A Love Song For Bobby Long, também não teve os frutos esperados.
- Uma Thurman
Muitos dizem que o seu melhor papel é o de "Bride" na obra dividida em dois capitulos de Quentin Tarantino que dá pelo nome de Kill Bill. O ano passado não houve nomeação para Thurman e muitos esperavam uma compensação este ano. Mas a Academia não vai muito com Tarantino e assim o filme foi ignorado, e Uma também.
- Nicole Kidman
Apesar do seu talento como actriz não ser tanto quanto a fama que tem, a verdade é que Kidman é uma das divas do cinema na actualidade. E quando se é uma diva, qualquer papel serve para se ser nomeado ao óscar. Mas a australiana nascida no Havai não teve tanta sorte. Depois de ignorada no ano passado por Cold Mountain, voltou a ser deixada de lado este ano com Birth. Melhores dias virão provavelmente.
SECUNDÁRIOS
- Freddie Highmore
Era uma nomeação com que muitos contavam, a exemplo do que aconteceu recentemente com o jovem Haley Joel Osment. Um notável trabalho em Finding Neverland que merecia melhor sorte do que a que teve. Afinal ser preterido por Alan Alda deve ser frustrante.
- Rodrigo de la Serna
Assinou um dos mais notáveis desempenhos de 2004 e merecia de caras um lugar na lista dos nomeados. Mas o facto de ser um desconhecido hispânico acabou por jogar contra si. Ficou de fora!
- Meryl StreepÉ uma das grandes senhoras do cinema e muitos esperavam que o seu recorde de nomeações fosse ampliado com o seu notável trabalho em Manchurian Candidate. No entanto, e apesar de ser um nome falado até ao fim, acabou por perder a corrida para Sophie Okonedo.
OUTRAS CATEGORIAS
- Polar Express
Ninguém percebe como é que um filme animado tem duas nomeações aos óscares e não é nomeado para...Melhor Filme Animado. É verdade que o filme foi um fracasso de bilheteira, mas ser ultrapassado por Shark Tale é humilhante para o projecto de Zemeckis e Hanks.
- Beck
Ninguém consegue perceber muito bem porque é que o tema do ano ficou de fora dos nomeados ao óscar. Afinal será Million Voices ou Accidently in Love melhor que Everybodys Gotta Learn Sometimes? Duvidoso quanto baste!
- Épicos Históricos
Foram três e não conseguiram mais do que uma nomeação aos óscares. Quando Troy e Alexander chegaram a ser falados - antes da sua estreia obviamente - como candidatos a filme do ano, dá que pensar. Espera-se que Kindgom of Heaven siga o caminho de Gladiator e não repita o ano negro que foi 2004 para os peplums.
CASOS ESPECIAIS
- The Passion of the Christ
O filme até teve nomeações, mas onde se esperava que tivesse, ou seja, em Banda Sonora, Fotografia e Maquilhagem. Tirando esses apontamentos técnicos, a Academia fez o que prometeu. Ignorou o mega-sucesso de Mel Gibson para as categorias principais. A resposta do australiano é apresentar na próxima Páscoa um Director´s Cut do filme.
- Farheneith 9/11
Estavamos em Maio quando Michael Moore venceu a Palma de Ouro, sob assobios e aplausos. Na altura o mundo ainda sonhava que Kerry podia bater Bush e tudo seria cor de rosa de novo. A reeleição do Presidente Bush foi um murro no estomago na candidatura de Moore, que mesmo assim encentou uma furiosa campanha para angariar nomeações chave aos óscares. O tiro saiu-lhe pela culatra, tendo o filme sido completamente ignorado. A única consolação que lhe resta é se George Bush vence o Razzie para Pior Actor do Ano.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:52 PM
Segue-se um western?
Tornaram-se grandes amigos após a rodagem de Minority Report e agora estão juntos a acabar as filmagens de War of the Worlds.
Tom Cruise e Steven Spielberg tornaram-se mais unidos do que unha com carne e agora estão apostados a entrar num projecto ainda mais aliciante: um western.
Apesar das preenchidas agendas, o actor revelou o interesse em trabalhar num filme que ajudasse a recuperar um dos generos mais miticos do cinema norte-americano - hoje morto, mas mal enterrado - e Spielberg não dirá que não. No entanto os projectos que ambos já têm entre mãos fará com que provavelmente este western não veja a luz do dia antes de 2007.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:41 AM
fevereiro 11, 2005
Calendário Óscares 2004 Hollywood
Começa a partir de amanhã a quinzena dedicada especialmente aos óscares da Academia. O Hollywood vai aproveitar as duas semanas que faltam para a grande cerimónia não só para antever o que se passará em todas as categorias, como também para falar um pouco da história do cinema e das grandes particularidades desta edição dos óscares. Dia 27 o Hollywood estará todo o dia a falar sobre a grande gala que acompanhará em directo - mas não ao vivo - para todos aqueles que quiserem acompanhar esse magnifico espectáculo no weblog não-oficial dos Óscares2OO4.
CALENDÁRIO
12 - 2004, Quem Está e Quem Ficou de Fora
13 - Um pouco de história
14 - As grandes injustiças dos óscares
15 - 2003, Como Foi
16 - Os óscares como duelo de produtoras
17 - Previsões das categorias técnicas
18 - Previsões das categorias sonoras
19 - Melhor Filme Animado e Melhor Filme Estrangeiro
20 - Melhor Argumento Original e Adaptado
21 - Melhor Actriz Secundária
22 - Melhor Actor Secundário
23 - Melhor Actriz
24 - Melhor Actor
25 - Melhor Realizador
26 - Melhor Filme
27 - A Cerimónia em Directo

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:52 AM
Ray - Um homem genial, um filme cativante
É um dos maiores nomes da história da música moderna. E merecia uma homenagem como esta. Ray Charles é o autor da banda-sonora da vida de muita gente e Taylor Hackford faz um filme que pode perfeitamente funcionar como um "obrigado Ray". Quem também poderá agradecer ao grande músico é Jamie Foxx quando erguer o óscar de melhor actor.
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E justamente. Foxx é genial na sua encarnação de Ray Charles. Não apenas com as grandes semelhanças fisicias que existem entre ambos, mas pela forma como vive intensamente a sua personagem ao longo de todo o filme. Ele consegue desmultiplicar a sua performance nos vários Ray´s que marcaram a sua própria vida, do genial autor, do insaciável mulherengo, do notável executante e também do viciado em heroina. Por todo esse trabalho que fez - como o músico viveu - às escuras, é mais do que justo que esse óscar lhe seja atribuido. Apesar do notável trabalho de Depp e do grande esforço de DiCaprio (nota, ainda não vi nem Eastwood nem Cheadle).

Ray é Foxx e disso não há grandes dúvidas. Mas Taylor Hackford, o homem que tentava fazer este filme há anos, também merece um aplauso de pé. Mostra a Scorsese como fazer um biopic exemplar (coisa que o movie-brat não sabe) e justifica não só a sua nomeação ao óscar, como todos os elogios que lhe possam ser feitos. Talvez tenha pecado num único ponto. O de não ter levado o filme mais além. Ray tinha tudo para crescer e torna-se numa obra incomparável. Levado pelo ritmo avassalador da música e por uma notável performance, muito bem acompanhada, faltou ao filme um sentimento bigger than life. No entanto, já assim, Ray é uma excelente obra, ao nivel de um outro biopic que há três anos arrecadou vários óscares, A Beautiful Mind. Aliás é de estranhar que na corrida ao óscar deste ano o filme de Hackford não esteja melhor colocado já que se assemelha em muitas coisas com o filme de Howard. Mesmo assim é um dos grandes filmes de 2004 sem dúvida alguma.

Foxx é sublime em todos os aspectos, já o dissemos, mas não está só neste filme. O elenco de actrizes que o acompanha - Kerry Washington, Regina King e Sharron Warren - é igualmente encantador, e se nenhuma delas foi nomeada ao óscar é certamente porque os votantes ficaram indecisos sobre qual delas escolher. Todas elas se exibem a grande nivel e dão o contraponto necessário para que a personagem de Foxx seja ainda mais intensamente dramática do que seria à partida.
Um filme sobre Ray Charles tinha de ter uma banda sonora à altura. E tem! Uma soundtrack memorável com alguns dos maiores êxitos da história da música, que ajuda a dar ao filme uma dinâmica que, de outra forma, seria dificil de igualar. Também a inteligente montagem e os belissimos cenários têm de ser dignos de elogio. Afinal recriar os anos 50 e 60 não é tarefa fácil, e usar imagens de época provou ser uma ideia sábia.

Ainda sem ter visto Beyond the Sea (sobre um outro grande músico chamado Bobby Darin) atrevo-me a dizer que Ray é o biopic do ano cinematográfico. Um filme cheio de vida, garra e emoção e acima de tudo, com alma e coração (o que faltou a The Aviator). Ray Charles é um génio e o filme mostra isso em todo o seu esplendor. Mas também mostra a sua outra faceta, uma faceta bem mais negra que por vezes não queremos associar aos grandes nomes. Mas o próprio Charles terá pedido a Hackford que não mudasse uma virgula ao argumento. Quando estamos perto do fim, pesamos os prós e os contras da vida. O mito Ray Charles tê-lo-á feito, antes de morrer no Verão passado. E o mais provável é que tenha chegado à mesma conclusão que todos nós. Entra no céu Ray, que a banda está à tua espera...
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O Melhor - O notável trabalho de Jamie Foxx. Encarnar um dos maiores mitos da música não é fácil. Se esse mito é cego, ainda mais dificil fica. Mas Foxx ignorou todas as dificuldades e carimbou aqui o bilhete para ser apenas o terceiro actor negro a erguer a estatueta de melhor actor.
O Pior - A primeira hora de filme não tem tanto dramatismo e intensidade como se calhar se pedia. Se o filme se tivesse pautado todo pela mesma batuta que o acompanha na hora e meia final, então estariamos diante de um filme de cinco estrelas.
Curiosidade - Jamie Foxx toca ao piano todas as cenas. Foi o próprio Ray Charles que, ainda em vida, acompanhou as gravações do filme e ajudou Foxx a entender a profundidade das suas composições.
Site Oficial - www.raymovie.com
Realizador - Taylor Hackford
Elenco - Jamie Foxx, Kerry Washington, Regina King, Sharon Warron, ...
Produtora - Universal
Duração - 157 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:13 AM | Comentários (1)
fevereiro 10, 2005
Novo de Almodovar é comédia
Depois dos ultimos filmes negros do realizador - Carne Tremula, Habla Con Ella e La Mala Educacion - o maior realizador espanhol de sempre, Pedro Almodovar, vai voltar a um registo de comédia.
O filme chama-se Volver! e marcará também o regresso de Penelope Cruz aos filmes do realizador que a lançou para a ribalta. O filme promete misturar o tango com fantasmas, sem deixar de lado a habitual temática dos filmes almodovarianos: as mulheres.
As gravações começarão este ano e o filme tem estreia agendada para 2006.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:47 AM | Comentários (3)
fevereiro 09, 2005
Poster de The Interpreter
É um dos filmes mais interessantes de 2005, não fosse realizado pelo notável Sidney Pollack e estrelado por Sean Penn e Nicole Kidman, dois dos maiores astros cinematográficos em acção.
O filme passar-se-á nos corredores da ONU onde uma jovem tradutora descobre que um país fictio de África está envolvido num esquema que ameaça a segurança mundial. Agora tem de encontrar alguém que acredite nela senão é a sua própria vida que está em risco.
The Interpreter estreia no primeiro trimestre de 2005 e o poster está aqui.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:27 AM | Comentários (2)
O Que Estreia Por Cá - Vendaval de óscares...
São três os filmes que vão ter um papel interessante na próxima cerimónia dos óscares a estrear esta semana. Há Ray e o inevitável Jamie Foxx e o ostracizado Kinsey com a "sobrevivente" Laura Linney. Isto e muito mais...

Ray pode ser considerada a estreia da semana apenas e só por causa de um actor: Jamie Foxx.
Foi o rei da pré-época dos prémios, conquistando mais prémios do que qualquer outro actor, sendo recentemente tido como "o óscar mais provável numa noite deveras improvável". De facto se o seu trabalho como Ray Charles não receber a estatueta dourada, vai ser o maior bruá da noite.
O trabalho de pesquisa de Taylor Hackford - igualmente nomeado - à volta da vida de Ray Charles demorou anos mas foi compensado com um trabalho segurissimo que teve a sorte de encontrar um interprete á sua altura. Charles ajudou Foxx a encarnar a personagem, antes de falecer no Verão passado, já o filme estava em pós-produção. Daí que o sentimentalismo deste Ray seja ainda maior.
Pode não ser um grande filme mas promete ser uma interessantissima abordagem da vida de um dos maiores músicos deste século. E ver Foxx a encarnar Ray é aliciante quanto baste para valer uma visita ao cinema.

Uma semana com mais cinco estreias aliciantes.
Kinsey era uma das grandes apostas para os óscares lá para Novembro. Mas o puritanismo da sociedade norte-americana condenou este belissimo trabalho de Bill Condon ao quase esquecimento. Apesar disso foi eleito por alguns como um dos filmes do ano, não só pelo argumento - a vida do primeiro sexólogo norte-americano - mas também pelos desempenhos aclamados de Liam Neeson, Peter Saarsgard e Laura Linney. Só ela conseguiu a nomeação ao óscar, mas pode ser uma vencedora surpresa.

P.S. é o novo trabalho de Dylan Kidd, o mesmo que nos trouxe o interessantissimo Roger Dodger no ano transacto. Laura Linney volta a ter uma performance interessantissima mas o destaque vai para o jovem Topher Grace. Um filme com o rótulo Sundance em grande, uma aposta no cinema independente de qualidade.

Garden State marca a estreia na realização de Zach Braff, jovem actor da serie televisiva Scrubs. Um filme fresco, cheio de juventude, e que promete bastante, especialmente por ser uma primeira obra por parte de alguém que prova ter talento. E no elenco há ainda Natalie Portman, no melhor ano da sua carreira.

Para os fãs de cinema de acção há Blade Trinity, o filme em que o vampiro Wesley Snipes regressa para fazer justiça à sua maneira. Um tipico action-flick de Hollywood que não desiludirá os fãs do genero, mas que também não converterá muita gente ao genero. E o objectivo de David Goyer também não é esse.

Tarnation é uma experiência interessantissima de Jonathan Caouette que começa na sua juventude e acaba nos dias de hoje, graças ao uso de fitas domésticas que registaram a sua vida, desde jovem, numa familia disfuncional texana. Um filme documental diferente e bastante interessante.

O Hollywood Aconselha - Ver Kinsey, um filme de um realizador já com obra feita e que desafia todos os tabus da sociedade norte-americana dos anos 50, tabus que ainda subsistem e que levaram a que o filme fosse ostracizado.
O Hollywood Desaconcelha - Blade I era mau que chegue. O episódio dois só piorou. Há quem resista a um terceiro? Só se se for fã indefectivel da saga.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:38 AM
Aqui estão eles...agora é só escolher os vencedores

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:31 AM
fevereiro 08, 2005
Novo trailer de Kingdom of Heaven
Por ser de Ridley Scott - o homem que ressuscitou os épicos com Gladiator - e por surgir no ano seguinte a Alexander e Troy, dois dos épicos mais falhados da história, a expectativa que se tem criado à volta deste Kingdom of Heaven é muita. O que nem sempre é positivo. Afinal é um filme romântico e bélico ao mesmo tempo, permissa que nem sempre tem conseguido o seu espaço no cinema de forma bem sucedida. De qualquer forma para os ansiosos - o filme estreia a 15 de Maio por cá - aqui fica o novo trailer, divulgado ontem, no site oficial do filme.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:05 PM | Comentários (1)
fevereiro 07, 2005
Vera Drake - Um chá não resolve tudo...
Um filme de silêncios porque há coisas dificeis de explicar por palavras. Um filme sobre uma mulher generosa e sobre o mundo que gira á sua volta, um mundo de operários com poucas expectativas. Um filme sobre o aborto? Também, mas não só...
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Três nomeações justissimas aos óscares é preciso que se diga. Mike Leigh dirige com imensa classe este filme, privilegiando planos de camara parada, focando essencialmente as expressões e as emoções das personagens do que a sua dinâmica de movimentos. O argumento é igualmente muito bem construido á volta de uma mulher "com coração de ouro" que faz todos á sua volta felizes, cada um à sua maneira. Uma mulher que dá pelo nome de Vera Drake mas que cá fora é Imelda Staunton, vencedora da Copa Volpi no último festival de Veneza, vencedora de inumeros prémios ao longo do ano e nomeada com toda a justiça para os óscares. Não é como a notável Brenda Blethyn mas tem uma origem similar e a sua performance lembra-nos por vezes a da sua conterrânea em Secrets and Lies, a obra-prima de Leigh.

Vera Drake podia ser rotulado como um filme sobre o aborto. De facto ele só existe por causa desse problemático dossier onde ninguém tem razão e todos acham que a têm. O mundo não é preto e branco - como parece inicialmente ao filho de Vera - e por isso ser-se contra o aborto parece ser muito fácil, mas é no fundo muito redutor. Mas os apoiantes do aborto podem ver ali que o que defendem é imoral e injusto. A vida é cheia de imoralidades e injustiças, é certo, mas não precisamos de as defender com tanta convição, como se tem visto, por exemplo, por alguns politicos, na campanha eleitoral que decorre neste momento. Leigh é brilhante ao mostrar os vários lados da questão. O lado de quem lucra com o aborto clandestino, o lado das abortadeiras - o exemplo mas notável não é o que é dado por Drake, ela é uma excepção á regra, mas pelas suas últimas interlocutoras - o lado das abortadas mas, golpe brilhante, o outro lado da questão: o aborto de quem pode abortar porque tem dinheiro para o fazer em clinicas altamente preparadas. O lado de quem, sabendo que o aborto é crime, o permitem a troco de grandes quantias. O lado de psicologos e médicos que não têm pejo em destruir um vida em concepção, por uma pequena fortuna. O cenário de Vera Drake é o mesmo cenário de Portugal. Há quem tenha dinheiro e vai a Espanha. E há quem recorra ás Vera Drakes deste país. Mas nenhuma será tão gentil como esta mulher. E nenhuma perceberá tanto a importância da questão do aborto na vida das pessoas simples como Drake. E é aí que reside o brilhantismo do argumento do filme de Leigh.

Com um notável elenco, onde se destacam Phil Davis, Daniel Mays e Peter Wight, este é um dos mais bem conseguidos filmes do cinema britânico dos últimos anos. Uma dinâmica interessante, ajudado por um decor exemplar e uma montagem impecáveis, tornam Vera Drake num verdadeiro regresso ao passado, a uma Londres do pós-guerra como poucos - ou quase nenhuns - filmes conseguiram recriar com tanta mestria. Um filme que é sobre o aborto mas podia ser sobre o chá, ou sob o papel do chá nos momentos mais embaraçantes, onde o silêncio, apesar de incomodativo, é forçoso para perceber a verdadeira gravidade da situação. Há momentos em que não é preciso dizer nada. Há momentos em que servir uma chavena de chá não resolve tudo. Nesses momentos é preciso parar para pensar. E este filme faz isso muito bem. E com um plano final como o do filme, não há como não se lhe tirar o chapéu!
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O Melhor - O desempenho de Imelda Staunton é absolutamente delicioso. Um notável underacting que contagia tudo e todos. Mesmo os mais acérrimos defensores do aborto não terão dificuldade em se deixar comover por esta personagem, e esta performance.
O Pior - A polémica do aborto é abordada com eficácia, mas é demasiada ambigua em determinadas situações. O mundo não é preto e branco mas há cenas em que se apresenta demasiado cinzento para ser compreensivel.
Curiosidade - Depois de levar uma praticamente desconhecida Brenda Blethyn aos óscares em Secrets and Lies (óscar que merecia), agora Leigh volta a provar ser um notável realizador de mulher, repetindo o feito com Imelda Staunton, que ao lado de Annette Benning e Hillary Swank, surge como favorita para a edição deste ano.
Site Oficial - www.veradrake.com
Realizador - Mike Leigh
Elenco - Imelda Staunton, Phil Davies, Peter Wight, ...
Produtora - New Line Cinema
Classificação - m/12
Duração - 125 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:24 PM | Comentários (1)
Closer á segunda...
É ainda melhor do que à primeira. Um filme verdadeiramente fantástico e obrigatório. E Clive Owen encarna a personagem do ano. Absolutamente brilhante este Closer!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:18 PM | Comentários (3)
fevereiro 06, 2005
Screen Actor Guild - MDB e Sideways vencem a noite
Agora que terminou a 11º edição do Screen Actors Guild chegou a altura de fazer contas.
Apesar de ter vencido a apetecivel categoria de Melhor Elenco, o facto é que a armada de actores secundários de Sideways foi batida pelos desempenhos dos actores secundários dos dois filmes rivais, Cate Blanchett e Morgan Freeman.
O filme com mais vitórias foi mesmo Million Dollar Baby, já que para além de Freeman também Hillary Swank soube levar a melhor na categoria de melhor actriz. Faltou o prémio final para coroar uma noite de glória.
Depois da derrota de Scorsese no Directors Guild, mais uma vez The Aviator esteve em baixa, salvando-se apenas Blanchett. Apesar de ser o grande favorito e de ter o maior numero de nomeações, a candidatura do filme da Miramax está cada vez mais fragilizada.
A outra vitória da noite era a mais esperada já que Jamie Foxx tem sido o vencedor intocado na categoria de melhor actor. A não ser que The Aviator ou Million Dollar Baby tenham uma noite de glória (e nesse caso tanto DiCaprio como Eastwood teriam uma hipótese) parece bastante improvável que Foxx perca o óscar.
Sendo assim e a uma semana do Hollywood começar o seu especial óscar e a três semanas da grande cerimónia, as contas continuam algo confusas. Agora será a campanha e a vontade dos membros da AMPAS a decidir quem são os vencedores das estatuetas douradas.
EM DIRECTO
MELHOR ELENCO

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:08 AM | Comentários (1)
Screen Actor Guild - Estala-se a confusão, e Sideways sai a ganhar
O SAG para melhor elenco é um dos melhores indicadores para o óscar de Melhor Filme. Por isso todos concordavam que The Aviator e Million Dollar Baby podiam aqui ganhar um novo ânimo na corrida. Mas eis que fica tudo baralhado com a vitória de Sideways, e do seu elenco composto por Paul Giamatti, Sandra Oh, Thomas Haden Church e Virginia Madsen. Sendo assim não só os nomes de Madsen e Church se mantêm na corrida, como Sideways continua a teimar em não descolar dos dois favoritos. The Aviator continua sem convencer (1 prémio apenas) e Million Dollar Baby, o vencedor da noite com dois prémios, perdeu uma boa oportunidade de se afirmar como o principal candidato.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:56 AM
Screen Actor Guild - A vitória mais esperada
Só se o céu desabar dia 27 é que Jamie Foxx não leva para casa o óscar. Como se esperava a sua notável transformação em Ray Charles valeu-lhe o SAG de Melhor Actor, uma vitória que não parece sofrer contestação. Nem DiCaprio, nem Depp, nem Cheadle conseguiram derrotar o actor de Ray que assim é o grande favorito a vencer o óscar. Fica apenas a dúvida. E Clint?
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:51 AM
Screen Actor Guild - Swank dá passo de gigante
Depois de em 1999 ter sido derrotada por Annette Benning, este ano a glória do SAG vai todinha para a jovem Hillary Swank, actriz do notável Million Dollar Baby de Clint Eastwood.
Batendo a concorrência mais dificil - Benning e Staunton - a talentosa Swank está assim mais perto do seu segundo óscar. O único senão é a lembrança de 99. Na altura o SAG deu a uma e o óscar deu a outra. Será que este ano acontece o mesmo? Dia 27, a não perder, o segundo round do duelo Swank-Benning.
Ah, e já vão duas para o Million Dollar Baby que assim está mais perto do que nunca de vencer a categoria principal, a de melhor elenco. Sideways, que não venceu nenhum prémio, segue logo de seguida com The Aviator á espera de um milagre.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:31 AM
Screen Actor Guild - Freeman confirma favoritismo
Tal como Cate Blanchett, também Morgan Freeman deu um passo de gigante rumo ao óscar. Na ausência do rival de peso que é Clive Owen, o notável actor de Million Dollar Baby viu o seu trabalho recompensado pelo SAG, batendo assim Thomas Haden Church, o grande favorito da critica. Depois de Owen ter vencido o Globo e de Freeman ter conquistado o SAG, torna-se claro de que o duelo para o óscar será entre estes dois. E vai a primeira para Million Dollar Baby!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:36 AM
Screen Actor Guild - Blanchett vence Actriz Secundária
A vitória de Cate Blanchett era esperada. Apesar do seu desempenho não ser o melhor do ano, conseguiu aqui uma importante vitória deixando uma das suas rivais, Virginia Madsen, fora da luta. Resta agora saber como acontecerá no duelo com Natalie Portman, que não foi nomeada ao SAG. Mesmo assim, Blanchett é uma das grandes favoritas do ano. E vai uma para The Aviator!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:29 AM
fevereiro 05, 2005
Microsoft produz Halo
A empresa de informática Microsoft decidiu entrar na produção de filmes, tudo por não querer abdicar dos direitos sobre o seu mais recente sucesso no mercado dos video-jogos que dá pelo nome de Halo.
Sendo assim a empresa de Bill Gates vai contratar um argumentista - Alex Garland - para adaptar as suas ideias num guião que depois será oferecido aos estúdios de Hollywood para um processo de co-produção do filme. A estreia estará agendada para finais de 2006.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:20 PM
fevereiro 04, 2005
E o próximo Bond é....
Casino Royale!
Sim, apesar do sucessor de Pierce Brosnan - que já confirmou ontem oficialmente que não voltará ao papel - estar ainda envolto em mistério, os produtores da serie já decidiram que será o primeiro romance de Ian Fleming o próximo na lista de aventuras do agente 007.
Depois de ter sido usado como base para a paródia a Bond na década de 60 e de ter sido cobiçado por Tarantino para fazer um Bond alternativo, os produtores Barbara Brocolli e Michael G. Wilson convenceram a MGM que Casino Royale era o argumento certo.
A sua defesa acentuou na teoria de que, em vez de continuar com os filmes de acção que marcaram o periodo Brosnan, estava na hora de voltar para o agente secreto mais galã do que personagem de acção dos dias de Sean Connery. Para isso está também de regresso Martin Campbell, que realizou GoldenEye. Campbell abriu as portas para um novo Bond na altura e prepara-se para fazer o mesmo assim que termine de realizar The Legend of Zorro.
Neste momento Dougray Scott é o grande favorito para o papel, com Clive Owen e Hugh Jackman como segundas escolhas, isto segundo os apostadores.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:28 AM | Comentários (1)
Novidades de elencos em Superman e The Departed
Jack Nicholson confirmou que vai servir pela primeira vez sob as ordens de Martin Scorsese no novo filme do realizador, The Departed. O filme, que conta igualmente com Leonardo DiCaprio, Matt Damon e Mark Whalberg nos principais papeis, é baseado num dos maiores êxitos do cinema oriental dos últimos anos, Wu Jian Dao.
A história centra-se em dois homens que se infiltram no campo inimigo para conseguirem dar vantagem ao seu lado durante a guerra do crime nas ruas de Boston. Um deles - DiCaprio - é policia e vai tornar-se no braço direito do maior mafioso da cidade - personagem vivida por Nicholson - enquanto que o outro - Dammon - é mafioso e vai subir a pulso na policia local. O filme estreia entre o final do próximo ano e o início de 2006.

Já num outro filme esperado para 2006, a veterana Eva Marie Saint viverá a mãe de Clark Kent - aka Superman - no novo filme do Homem de Aço. Depois de confirmados os nomes de Routh, Bosworth e Spacey, chegou a vez de Saint ser a mais recente aquisição do elenco desta mega-produção de Bryan Singer. Ao mesmo tempos os rumores adiantam que Michael Gambon poderá viver Jor-El, o pai biológico de Superman, vivido originalmente pelo mito Marlon Brando.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:17 AM
Revelada sinopse the Pirates of the Caribbean : Dead Man´s Chest
Foi numa convenção da Disney que foi anunciado o argumento do próximo filme de aventuras do captain Jack Sparrow, a hilariante personagem vivida por Johnny Depp.
Desta feita Sparrow vai ter de acertar uma divida que tem para com Davey Jones, pirata de renome que é tambem o capitão do navio assombrado Flying Dutch. Sparrow poderá ser amaldiçoado para sempre se não resolver este problema e para isso vai pedir ajuda ao jovem casal Will e Elizabeth, que se preparavam para casar. Pelo meio reencontrarão velhos conhecidos que tornarão a aventura mais hilariante ainda.
O filme estreará em Julho de 2006 enquanto que o terceiro capitulo tem estreia agendada para o mesmo mês de 2007.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:09 AM
fevereiro 03, 2005
The Aviator - Enquanto DiCaprio voa, Scorsese estatela-se por completo
Se este filme vencer a edição de 2004 dos óscares da Academia os verdadeiros amantes do cinema vão ter motivos para rir e chorar. Rir porque seria hilariante que um filme tão mediano pudesse ser considerado o melhor do ano. Chorar porque o realizador de culto que é Martin Scorsese, caiu no ridiculo de pedir de joelhos o óscar que já não merece. E se não fosse por DiCaprio, este filme seria o mesmo para Scorsese que Alexander foi para Stone.
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Antes de ir ver The Aviator ao cinema tive o cuidado de rever atentamente as filmografias tanto de Martin Scorsese como de Leonardo DiCaprio. E de facto, por muito espantoso que possa parecer, os caminhos são inversos. Enquanto DiCaprio tem crescido imenso como actor - conseguindo aqui o seu segundo melhor desempenho de sempre, a seguir a Catch Me If You Can - já Scorsese baixou em muito o nível elevado que manteve durante a década de 70. Se os anos 80 foram para esquecer - quem não se lembra do devaneio que foi The Last Temptation of Christ - e se na década de 90 só Casino se salva como sendo um grande filme, então podemos dizer que há quase dez anos que Marty não faz um bom filme. Mais, com as excepções que são Taxi Driver, Raging Bull e Casino, a sua filmografia é sonante em termos de nomes (houve New York, New York, The Colour of Monney, Godfellas, The Age of Inocence ou Gangs of New York) o mesmo não se pode dizer em termos qualitativos. Este The Aviator prova mesmo que Scorsese baixou a niveis tais que dificilmente pode ser considerado hoje como um dos dez mais na área de realização. O que é manifestamente uma pena.

Mas falemos do filme. The Aviator tem tantos problemas como a mente perturbada de Howard Hughes. E isso é dizer pouco. Um filme que vive em grande medida do esforço imenso de DiCaprio que carrega, frame a frame, a narrativa ás costas num trabalho épico. Tudo o resto é paisagem. Cate Blanchett é confrangedora como Khaterine Hepburn. Não sei se Scorsese percebeu quando fez o filme mas Hepburn é inimitável. Seria mais sensato se Blanchett, em vez de copiar os tiques e expressões faciais únicos da maior actriz de sempre, tivesse tentado uma abordagem diferente. Não o fez e perdeu ela e o filme. O restante elenco secundário também não é melhor, com Alan Alda (nomeação incompreensivel), Alec Baldwin ou John C. Reilly em niveis muito baixos para o que se lhes conhece. Inexpressivos, inexistentes, inconsequentes. Só Jude Law dá vida, se bem que por breves momentos, ao seu Errol Fllyn de forma realista. Tudo o resto parece fantasioso demais. Beckinsale não é Gardner, Stefani não é Harlowe, Blanchett não é Hepburn e definitivamente, por muito boa que tenha sido a sua performance, DiCaprio não é Hughes. A diferença é que o jovem actor esforçou-se e construiu uma abordagem diferente e portanto, credivel. Se bem que um Hughes infantil aos 40 anos seja perfeitamente incoerente com a personagem.

Há alguns meses no meu texto sobre o belissimo Tucker tentei antever um The Aviator na mesma medida. Infelizmente Scorsese escolheu o caminho oposto. Em vez de falar do homem e do seu sonho (aviação ou cinema, tanto faz) ele preferiu o homem e as suas obsessões. Primeiro isso é um engano ao espectador já que os problemas de esquizofrenia de Hughes só se começaram a manifestar a partir dos 50. A sua inclusão portanto é, como o critico norte-americano Jeffrey Wells diz, uma tentativa para ganhar o óscar. Hughes poderia ser muita coisa, mas não era um homem fraco. Nem uma criança. Pelo contrário. Era muito mais parecido com a personagem de Tucker do que com a personagem de DiCaprio. E isso já de si explica bem a razão do porquê este filme ser uma fraude.
Mais. Scorsese não consegue criar uma personagem empática. É-lhe perfeitamente impossivel a ver por uma carreira que já dura há 30 anos. Não sei se é pela sua experiência de vida, se pela sua formação cinéfila se simplesmente, por vocação. Mas nunca uma personagem sua criar empatia com o público. E Hughes é outro exemplo crasso como o era Billy the Butcher em Gangs. Por muito bom que seja o desempenho, a personagem é podre por dentro. Já o era Travis Bickle, Jack LaMotta ou Jesus Cristo. E tentar construir um filme cheio de glamour (o decor e o ambiente dos anos dourados de Hollywood isso indica) á volta de uma personagem com quem, por causa da abordagem traumática, não se consegue gostar, é dar um tiro no próprio pé.

Scorsese não é um mau realizador. Nem poderia ser. Mas não é um génio, nunca o foi e nunca o será. Os seus filmes o provam e The Aviator confirma-o. Apesar de uma montagem muito bem conseguida (as sequências de ecrãn divididos ou os planos dos céus são os melhores do filme) e de uma direcção artistica bem planeada o filme não tem intensidade dramática. Nunca tememos pelo sucesso de Hughes, nunca sentimos pena pelo fim da sua relação com Hepburn, nunca sentimos vontade - ao contrário do que acontece na filmografia de Clint Eastwood - de dar-mos um abraço ao personagem em apoio. Os anti-herois de Scorsese são demasiado "antis" para serem "herois". E se, em termos técnicos (exceptuando a fraca fotografia e a inexistente banda-sonora) o filme não compromete, é na sua alma que o filme está condenando desde o principio. O argumento - uma injustiça se bater Eternal Sunshine - é fraco, com lacunos por preencher e centrado á volta de duas mentiras (para além do antecipar em vinte anos a obsessão de Hughes, também a sua relação com Hepburn é extra-polada ao máximo, ao contrário do que aconteceu na realidade) que não convencem nada nem ninguém. Isso é muito pouco para "o filme do ano". É muito pouco para "um dos maiores realizadores de sempre e o melhor no activo" como já vi aí apregoar. E é muito pouco para qualquer amante de grande cinema.
Scorsese é um cinéfilo e conhece os clássicos. Ambiciona chegar lá mas nunca consegue. Os seus filme sonham alto mas nunca voam o suficiente para alcançar as estrelas. Em The Aviator o jovem DiCaprio mostra que sabe voar. Mas Martin Scorsese volta, mais uma vez, a perder o controlo do avião, estatelando-se por completo no chão. Mais uma vez!
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O Melhor - A performance de Leonardo DiCaprio. Ele não é um Hughes credivel, mas é um Hughes esforçado. A sua dinâmica é louvável e se não fosse por ele, este era um filme fraco. Não é performance digna de óscar, mas não seria um escandalo se vencesse. Infelizmente isso só acontecerá numa noite de glória do filme, o que não é desejável, a bem do cinema.
O Pior - Martin Scorsese pois claro. Já foi grande mas esses dias já lá vão. Não é dá agora. É desde Casino o que perfaz uma baliza temporal de 10 anos. Scorsese deixou de fazer cinema. Agora faz filmes para vencer o óscar porque tanto desespera. Não o merece. Já o mereceu. Se Martin Scorsese vencer o óscar, será uma das maiores injustiças na história da sua categoria nos últimos anos.
Curiosidade - O filme permite-nos recordar os dias de glória de Hollywood onde encontramos personagens miticas como Errol Flynn, Louis B. Mayer, Ava Gardner ou Katherine Hepburn. Em jeito de brincadeira, Scorsese quis-se juntar a este grupo fazendo um cameo de voz na sequência da projecção de Hell´s Angels.
Site Oficial - www.miramax.com/aviator
Realizador - Martin Scorsese
Elenco - Leonardo diCaprio, Cate Blanchett, Alec Baldwin, ...
Produtora - Miramax
Duração - 170 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:15 PM | Comentários (4)
A Hora da verdade aproxima-se...
Passada uma semana da divulgação dos nomeados já muita coisa se passou. Depois da discussão de quem ficou de fora e não devia ter ficado, de quem irá ganhar ou de quem deveria ganhar, agora a corrida entra na sua recta final.
Hoje foram enviados os últimos boletins de voto para os membros da Academia. Boletins esses que serão preenchidos por todos os membros em todas as categorias - ao contrário do que sucede nas nomeações - e que terão de ser entregues até dia 22 deste mês. Por isso mesmo a campanha dos estúdios começa agora em grande com anúncios, screeners, cartas enviadas aos membros e alguns telefones mais ou menos legitimos. A partir de agora vale tudo.
E num ano em que a corrida está tão entusiasmante - Eastwood a bater Scorsese duas vezes consecutivas é algo que poucos admitiriam como provável - a atribuição no próximo sábado do Screen Actor´s Guild revela-se de vital importância.
Dos cerca de 5000 membros da Academia os actores representam 1/5. Logo, habitualmente, quem vence o SAG fica em boa posiçã para os óscares. Os cenários são múltiplos. Ou The Aviator se lança definitivmente com vitórias para DiCaprio, Blanchett e para o elenco, ou tudo se complica. Million Dollar Baby é quem está em alta e pode aproveitar isso com uma vitória de Swank e Freeman, e ainda do elenco. Por sua vez há ainda uma terceira via. Se Sideways conquistar os prémios de actores de suporte e ainda o prémio de elenco, então tudo fica ainda mais complicado.
A partir de dia 12 de Fevereiro o Hollywood entra num "especial óscares" com cobertura a tudo o que estiver ligado à cerimónia, desde antevisões, criticas aos filmes nomeados, curiosidades, balanços, apostas e claro, a cobertura em directo no dia 27.



Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:10 AM | Comentários (1)
Un Long Dimanche de Fiançailles - Um fio que se partiu cedo demais
Pode ser acusado de ser a versão europeia de Cold Mountain, o maior fracasso do cinema norte-americano do ano transacto. Não é verdade. Apesar de ser notória a dificuldade de Jeunet de lidar com uma narrativa tão pesada, o filme tem bastantes pontos positivos. No entanto Un Long Dimanche de Fiançailles não deixar de ser um "dramalhão".
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Talvez o problema inicial esteja na simbiose argumento-realizador. Quem viu Delicatessen e Amelie sabe perfeitamente que Jeunet é um realizador de vanguarda, inovador e cheio de vontade de experimentar tudo o que possa valorizar visualmente o seu filme. Um realizador que já deu provas no cinema americano (Alien) e que é dos mais competentes do cinema europeu actual. No entanto não é realizador para este tipo de filmes. Isso já se desconfiava antes e ficou provado agora.
Apesar da sua truculenta montagem e do seu realismo visual serem na verdade os pontos mais altos do filme, não chegam para salvar de um profundo medianismo tudo o resto. Jeunet fica muito preso ao livro que serve de base ao argumento - a presença constante do narrador é a prova mais clara, mas não a única - e as suas explorações tomam um caracter pontual e insuficiente.
O filme em si está dividio em dois. Por um lado o trabalho de Jeunet e o desempenho do excelente leque de actores secundários que tentam dar vida ao filme. Por outro a monotonia do argumento e a performance de Audrey Tautou.

Em termos narrativos a história é aliciante. Primeiro porque foge ao esteriótipo homeriano do guerreiro de regresso à cada onde a amada o espera rodeada de mil perigos. Foi esse o primeiro prego na cruz de Cold Mountain e a forma como este argumento está trabalhado - graças ao livro claro - evitou que isso se passasse em Un Long Dimanche. Além do mais todas as peripécias que se vão desenvolvendo na busca insaciável de Mathilde conferem alguma dinâmica à história. Mas os pequenos episódios mais laterais à história central, alguns pontos soltos na narrativa e, o que é pior, a dificuldade que Audrey Tautou tem em encarar a personagem principal, acabam por deitar tudo a perder. Nem os excelentes efeitos especiais, a montagem ou a bela fotografia, sem esquecer a banda sonora interessantissima de Angelo Badalemanti, recuperam desse revés.

Audrey Tautou deu-se a conhecer ao mundo em Amelie, sob as ordens de Jeunet. O papel acentava-lhe que nem uma luva, é certo, mas desde aí que a actriz tinha falhado uma imposição clara no panorama cinematográfico. Esperava-se que isso se sucedesse em Un Long Dimanche. Mas não. Apesar de ter algumas cenas claramente acima da média, a sua interpretação é pautada por um registo monocórdico que torna um filme de duas horas num filme que nunca mais acaba. Para uma mulher que tanto sofreu, sofre e poderá vir a sofrer, não há sentimento, raiva, explosão interior que ilumine a sua face. Uma personagem que seria tão bem explorada, quer fosse abordada de um ponto de vista mais underacting (lembro-me de uma Deborah Kerr ou de uma Ingrid Bergman) ou num estilo mais over-acting (Elizabeth Taylor ou até mesmo Kate Winslet). Tal como Nicole Kidman foi o ponto mais baixo de Cold Mountain, também Tautou é um dos calcanhares de aquiles desta produção franco-americana.

Retratando a mais cruel de todas as guerras de uma forma absolutamente notável, saimos do filme com uma sensação mista. Por um lado gostamos do trabalho de Jeunet como realizador e dos elementos que rodearam a produção do filme. Gostamos do leque de actores e de alguns pormenores da história. Mas, em contrapartida, sentimos que Jeunet, o argumentista, dificultou demasiado a vida ao Jeunet, o realizador. E que Tautou anula o esforço dos restantes colegas - onde encontramos a bela Marion Cottilard, o sempre interessante Tcheky Kario ou a veterana Jodie Foster. Talvez por isso este filme passe apenas como um filme perfeitamente mediano quando podia ter sido muito mais.
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O Melhor - O realismo notável de muitas das cenas, especialmente as cenas de trincheiras. A prova de que na Europa também se fazem filmes com efeitos especiais ao nivel do melhor que há em Hollywood.
O Pior - O argumento era já em si muito pesado mas Jean Pierre Jeunet não se conseguiu livrar dele, tirando muita da magia ao filme.
Curiosidade - Ao contrário da maior parte dos actores norte-americanos que tem de ser dobrados em França, Jodie Foster não só diz as suas falas sem problemas, como empresta a sua voz ás dobragens. Isto porque aos 3 anos de idade já tinha aprendido a falar francês tão bem como o inglês.
Site Oficial - wwws.warnerbros.fr/movies/unlongdimanche/
Realizador - Jean Pierre Jeunet
Elenco - Audrey Tautou, Gaspar Ulliel, Marion Cottilard, ...
Produtora - Warner Bros.
Duração - 134m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:34 AM | Comentários (2)
fevereiro 02, 2005
Melinda and Melina - As duas faces da vida
Woddy Allen brinca com a vida de uma forma deliciosa em cada um dos seus filmes. Em Melinda and Melinda é a forma como vemos as coisas que serve de mote para um interessantissimo filme daquele que é - a par de Clint Eastwood e Steven Spielberg - o melhor realizador em actividade.
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Como vemos a vida? A chorar, lamentando-nos de tudo, antevendo o pior, olhando sempre para o buraco e pensando que ele parece mais fundo do que na realidade é? Ou com um sorriso nos lábios, sempre com uma piada divertida, um momento de humor relaxante? Woody Allen acha que se pode viver das duas formas, mas que nenhuma passa sem a outra. Para o exemplificar criou este filme, que começa como provavelmente começou a ideia a fervilhar na sua cabeça. Numa habitual conversa de restaurante. E como acaba? Conforme a imaginação de cada um lhe aprouver.
Já muito se disse deste genial nova-iorquino. Mas fica sempre algo para dizer porque Allen é sempre mais do que se pensa. Mais negro, mais divertido, mais sagaz, mais neurótico, mais Woody. Este filme mesmo não o tendo no elenco - o que é sempre um ponto contra - tem-no em todo o lado em todas as personagens. O que faz com que seja ainda mais delicioso.

Quem acha que Woody passou do prazo de validade, tem de rever a sua última obra Anything Else, e tem de olhar para este filme com olhos de ver. Só aí certamente perceberá que ele está igual a si mesmo, ou seja, muito bom.
O filme anda sempre em caminhos opostos, mas caminhos que acabam, invariavelmente, por se tocar. O ponto central é Melinda, a personagem sobre a qual os dois dramaturgos - o dramático e o comediante - se debruçam. Depois há um micro-cosmos para cada história que vai compondo o ramalhete da acção. Perfeitamente genial. Nessa teia de histórias trocadas podemos encontrar o habitual tratar de emoções e estados de alma de forma irónica e bastante divertida. Nesse aspecto tanto uma história como a outra têm momentos absolutamente notáveis, especialmente quando Will Ferrell está em cena. O actor norte-americano encarna muito bem o fato de Allen e é uma das almas do filme.

Em grande neste filme está sobretudo Rahda Mithcell. A actriz norte-americana vive duas Melindas completamente diferentes e, ao mesmo tempo, completamente sedutoras. Tanto a neurótica Melinda como a divertida Melinda são pontos chave na compreensão do filme, assim como eram as personagens de Mia Farrow e Diane Keaton na década de 80 e 80 respectivamente. Não só Mitchell é como uma luz que irradia de dentro para fora - a sua beleza ajuda claro - como é um elemento condutor de todas as pequenas peripécias, sejam as de Will Ferrell com a belissima Amanda Peet, como as de Chewitel Ejiofor com Chloe Sevigny.

No entanto, e apesar da mensagem ser atractiva e a história estar bem contada, este filme tem algumas pontas soltas que lhe fazem perder alguns pontos. Allen dá muitas voltas em alguns casos, dramatizando em exagero, quando há situações que se resolviam de formas bem mais lineares. Não que em alguns casos essas voltas não sejam interessantes, mas quando se tornam repetitivas, sentimos que o filme lhe escapa das mãos por alguns momentos, o que não é muito agradável. Mesmo assim é um bom Allen, que tem o peso de um notável Anything Else ás costas, o que condiciona a classificação. Mas como um Allen, é um filme de visita obrigatória, não fosse ele um caso único na história do cinema.
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O Melhor - O desempenho de Radha Mitchell é muito bom, das melhores performances femininas do ano.
O Pior - A forma como as histórias se perdem em alguns pontos do filme, tirando-lhe alguma vida e dinamismo.
Curiosidade - Robert Downey Junior esteve ligado ao projecto mas os seus habituais problemas fizeram com que Allen o substituisse por Neil Pipe.
Site Oficial - www.melindaymelinda.fox.es
Realizador - Woody Allen
Actores - Radha Mitchell, Will Ferrell, Amanda Peet, Chewitel Ejiofor, ...
Produtora - Fox
Duração - 100 m
Classificação- m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:38 AM | Comentários (2)
O Que Estreia Por Cá - Sobrevoando os óscares
Finalmente chega a Portugal o esperado The Aviator. Depois de ter sido o grande vencedor dos últimos Globos de Ouro e de ser o filme com mais nomeações aos óscares (11) é grande a expectativa sobre o mais recente trabalho de Martin Scorsese, um realizador de culto que pode ter em 2004, o ano da sua consagração...

A história da vida de Howard Hughes já fervilhava há alguns anos na cabeça do jovem Leonardo diCaprio. Primeiro foi Michael Mann que esteve para realizar este biopic mas acabou por ser Scorsese o autor final do projecto, com Mann como produtor. E pode ser que essa tenha sido a sua jogada mais feliz em toda a sua carreira.
The Aviator é o mais forte candidato a vencer os óscares, e apesar das vitórias recentes de Clint Eastwood e Jamie Foxx, tanto Scorsese como diCaprio estão em boa posição para levar a estatueta dourada para casa. Tal como Cate Blanchett que encarna neste filme a estrela Katherine Hepburn. Aliás, é este enorme sentimento de nostalgia pelos anos dourados de Hollywood que tem dado vida ao filme sobre o milionário Hughes, as suas paixões por aviões e mulheres, as suas guerras contra o poder politico, e a sua enorme paranoia que o condenou a uma morte solitária.
O filme já criou polémica nos Estados Unidos por ser visto como um filme criado propositadamente para os óscares mas mesmo assim promete ser um dos grandes filmes de 2004.

Esta semana estreia mais um filme com nomeações aos óscares, acompanhado de outras duas peliculas.
Vera Drake marca o regresso do veterano Mike Leigh aos grandes filmes. Centrado na Inglaterra dos anos 50, o filme fala de uma famosa abortadeira da época, Vera Drake de seu nome, e é uma visão muito pessoal do realizador á volta de um tema sempre polémico como é o aborto. O filme tem 3 nomeações ao óscar, a de argumento, a de Leigh como realizador e a notável performance de Imelda Staunton, a mais aplaudida do ano.

Elektra é uma das estreias mais ansiadas pelos admiradores de comics. No entanto o filme não tem tido o sucesso que esperava, levando mesmo a actriz Jennifer Garner a considerar o filme o pior da sua carreira. Mesmo assim os fas de Daredevill vão gostar deste spin-off e os fas de Garner vão apreciar voltar a vê-la num dos seus mais emblemáticos papeis.

Por fim estreia igualmente Riding the Bullet, um thriller de Mike Garris com Clift Robertson e David Arquette nos principais papeis. O filme, baseado num conto de Sthepen King, é o primeiro horror movie a estrear em Portugal em 2005, o que deve agradar aos fas do genero.

O Hollywood Aconselha - Provavelmente será o grande vencedor dos óscares e por isso vale sempre a pena ver o que Martin Scorsese tem para nos apresentar com The Aviator. Um filme que poderá coroar uma das carreiras mais bem sucedidas da história do cinema.
O Hollywood Desaconselha - Ver Elektra. A própria estrela confessou que o filme é mau de mais para ser verdade, justificando-se que o seu contracto a obrigava a recuperar o papel de heroina num filme a solo.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:47 AM
fevereiro 01, 2005
As chances de Scorsese
A vitória de Clint Eastwood no DGA deixou a nu as fragilidades da candidatura de Scorsese ao eterno óscar que teima em não aparecer. Os seus admiradores falam dele como o maior realizador em actividade (ou vivo em alguns casos) e reclamam para este ano a estatueta dourada de melhor realizador ao director de The Aviator. De facto o filme conseguiu 11 nomeações, mais uma que Gangs of New York, e o máximo de nomeações que um filme seu já alcançou. A questão no entanto é bem mais interessante. Em trinta anos de carreira, desde Alice Doesn´t Live Here Anymore, o seu primeiro filme a receber nomeações, até este ano, Martin Scorcese viu os seus filmes conquistarem 59 nomeações. Mas como explicar que, com tantas nomeações, só 6 óscares tenham sido atribuidos a filmes de Scorsese.
Ou seja, Scorsese já tem mais nomeações para melhor realizador do que os seus onze filmes nomeados têm óscares. Isso detecta um padrão interessante. Hollywood não vai com a cara de "Marty". E se Hollywood ia com a cara de Hawks, Hitchock ou Lumet, e mesmo assim nunca lhes deu óscares, então porquê esperar algo diferente este ano? A única razão seria uma vitória absoluta de The Aviator. Mas nada vai de encontro com essa ideia. 2004 promete ser um ano em que nenhum filme terá mais de 5/6 óscares. E o filme de Scorsese não é favorito em mais do que três ou quatro categorias.
Por isso, as vitórias de Eastwood, tanto nos Globos como na DGA, o estilo de filme que é Million Dollar Baby, o espirito de filmes como Sideways ou de performances como as de Jamie Foxx ou Clive Owen, e o fantasma de uma cerimónia monótona como a do ano transacto pesam claramente contra Scorsese. O que ele tem a seu favor? Apenas o facto de ter feito um filme "para os óscares" e de estar a suplicar há anos que lhe dêm um.
Scorsese pode até ganhar o óscar mas se o vencer ninguém poderá dizer que foi uma vitória justa. Se Scorsese ganhar é só porque a Academia quer tapar um buraco que abriu em 1976 e que desde aí tem vindo a assombrar os votantes, ano após ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:01 AM | Comentários (3)
The Incredibles domina Annies
O mais recente sucesso da Pixar dominou por completo a edição deste ano dos Annies - Animated Film Awards - conquistando 10 das 16 categorias para as quais estava nomeado. Entre as vitórias contam-se as de Melhor Filme, Melhor Argumento, Melhor Dobragem e Melhor Som. Shrek2 e Shark Tale, os dois filmes da Dreamworks que vão disputar o óscar de Melhor Filme Animado com The Incredibles não venceram qualquer categoria, sendo agora cada vez mais fácil prever que a Pixar vai conquistar o óscar pelo segundo ano consecutivo.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:37 AM | Comentários (1)