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fevereiro 25, 2005

Being Julia - Um verdadeiro tour de force...

Pode até nem ganhar o óscar, mas que merecia lá isso merecia. E isso é o menos que se pode dizer da interpretação assombrosa de Annette Bening. O que vale é que os prémios não são tudo e o prazer de ver esta actriz representar está acima de tudo o resto...
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Muitos perguntam o porquê de haver tantos filmes em que o destaque principal é a actriz. A resposta é clara. Hollywood sempre foi, e ainda é, um espaço predominantemente masculino. Os guiões são escritos a pensar em homens, os filmes são pensados tendo em vista o actor que vai dar carisma a cada uma das cenas. E, inevitavelmente, todos os grandes mitos do cinema (tirando algumas excepções) tanto atrás da camara, nos escritórios de produção e mesmo na tela, são homens. Às mulheres ficam guardados os papeis de mães, tias, avós, femmes fatales ou beldades. E pouco mais.
Claro que Being Julia contradiz tudo isto. E em boa hora o faz. O filme gira todo em torna de uma mulher, a actriz de teatro Julia Lambert, da sua vida, das suas performances dentro e fora do palco, e das suas conturbadas relações, onde é dificil ver onde acaba a actriz e começa a mulher.
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Este é um filme com uma garra e dinâmica verdadeiramente notáveis. O trabalho de realização de Istvan Szabo, o hungaro já galardoado com um óscar, é muito bom, aproveitando bem a narrativa e a performance das suas personagens. É claro que sendo este filme baseado numa peça do notável dramaturgo Somerset Maugham, tudo fica mais facilitado. Mesmo assim os planos, o som e, acima de tudo, o timing certo para cada cena, valorizam imenso o filme. Filme esse que no entanto pertence aos actores, e a uma actriz em particular. Não que Jeremy Irons não esteja ao seu melhor nivel. Que Michael Gambon não seja absolutamente delicioso. Ou que Bruce Greendwood seja de uma sobriedade tipicamente britânica. Mas Being Julia é sobre Julia. Ou seja, este filme é um Being Annette.
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Conhecida talvez mais por ser Mrs Beatty do que propriamente pela sua carreira como actriz, Bening já deu inumeras provas do seu grande talento. A derrota em 1999 diante de Hilary Swank deve ter abalado um pouco a sua auto-confiança porque a partir daí dedicou-se à vida de casal, abandonando os filmes. Felizmente este ano está de regresso e melhor do que nunca. A sua interpretação, num filme de interpretações, é sem dúvida a melhor do ano (apenas Kate Winslet pode competir com Bening sem sair a perder), e uma das mais notáveis dos últimos tempos. Cada cena é uma verdadeira lufada de ar fresco. Quer seja quando chora ou quando ri, quando faz esgares ou quando utiliza todo o seu sex-appeal, provando que a idade ainda não passou por ela. O filme é todo ela, e é isso que o faz ser tão bom.
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Apesar de haver cenas notáveis do primeiro ao último minuto, é o seu tour de force final que lhe dá a grandeza necessária para completar uma maratona que só uma verdadeira diva seria capaz de percorrer sem mostrar o minimo sinal de cansaço. É assim confortante ver o que uma actriz é capaz de fazer com um filme nas mãos. As últimas actrizes que venceram o óscar, conseguiram-no em filmes que dominam por completo. Foi assim com Theron, Kidman (em parte), Berry, Roberts e Swank. Se a tendência se mantiver, Bening teria boas hipóteses de ver justiça ser feita. O que é improvável no entanto. Mas mesmo assim, mesmo que o óscar lhe volte a escapar das mãos, a verdade é que com um punhado de performances, a grande actriz que é Annette Bening, conseguiu acima de tudo colocar-se no grupo das maiores divas dos nossos dias. E por isso continuaremos à espera de papeis assim, esperando que não esta não tenha sido apenas uma performance de uma vida. Seria o cinema a perder se assim fosse.

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O Melhor - A notável performance de Bening. Encarna Julia na perfeição, alternando entre o humor e o drama com tanta facilidade como a sua personagem aparenta conseguir. E esse é o seu maior trunfo.

O Pior - Num filme extremamente competente, talvez a personagem de Michael Gambon pudesse ser mais explorada em diálogos entre as restantes personagens.

Curiosidade - Ao ver este filme não podemos deixar de nos lembrar do igualmente assombroso papel de Betty Davies em All About Eve ao viver Margo Channing. Anne Baxter fez de sua rival num filme que ficou igualmente conhecido por ter sido dos primeiros em que apareceu uma jovem loira de seu nome, artistico claro, Marilyn Monroe.

Site Oficial - www.sonyclassics.com/beingjulia

Realizador - Istvan Szabo
Elenco - Annette Bening, Jeremy Irons, Michael Gambon, ...
Produtora - Serependity
Classificação - m/12
Duração - 105 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às fevereiro 25, 2005 12:23 AM