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fevereiro 14, 2005

Garden State - O rookie do ano

Nos desportos americanos é comum premiar-se o jovem que mais se destaca entre os estreante do ano. Chamam-lhe o "rookie do ano". Se esse prémio fosse aplicado ao cinema, então o "rookie" de 2004 seria sem dúvida alguma Zach Braff, que consegue com o seu primeiro filme, Garden State, trazer uma verdadeira lufada de ar fresco às salas de cinema por esse mundo fora...
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Um filme de total libertação, do primeiro ao último minuto. Apesar de ser construido de forma muito modesta e com grande simplicidade, é a beleza natural das coisas e a forma como a história vai ganhando vida, que fazem deste filme um dos mais interessantes do ano que há pouco terminou.
Tal como a personagem principal, Andrew, também o filme começa preso, atado a algo que ninguém sabe muito bem o que é. Mas no final, também ele grita para as profundezas do abismo, o abismo da condição humana, libertando-se assim de todas as algemas que o pudessem prender. Voa bem alto e com ele voa também um nome a reter. Zach Braff, que conhecemos bem da serie televisiva Scrubs, que assina um espantoso argumento e uma notável realização - cheio de planos maravilhosos - a que junta uma sólida performance como actor principal.
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Quem também nos toca bem fundo é Natalie Portman. Num ano absolutamente notável, a Academia deve-se ter engando. Devia ter sido aqui, a fazer de Samantha, a rapariga que não consegue parar de mentir, que a jovem actriz devia ter sido nomeada ao óscar. É uma das personagens mais carinhosas dos últimos anos, e uma das performances mais notáveis do ano, onde a beleza da actriz e a sua aptidão natural ajudam a dar uma outra aura a um filme muito soft, tipica produção indie apadrinhada por Sundance.
Aliás não é só ela, já que o próprio Peter Saasgard - em grande ano, apesar de ter sido ignorado de novo - consegue ser extremamente persuasivo no papel do jovem sem grande expectativas mas com grande coração. E por fim ainda há Ian Holm, que passeia pelo filme qual fantasma de um passado que ninguém quer ver relembrado, numa figura de uma austeridade quase castradora, que contrasta bem com o espirito do resto da história, uma história como já dissemos, de total desprendimento com a vida.
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Com uma banda sonora absolutamente deliciosa - a lembrar um pouco Lost in Translation pela qualidade dos temas escolhidos um a um pelo realizador-actor-argumentista - e uma realização extraodinariamente bem conseguida, apesar de ser um primeiro trabalho, Garden State é uma das maiores revelações dos últimos anos. É a prova de que é possivel fazer bom cinema, grande cinema - em algumas cenas há grandiosidade a contrastar com a simplicidade que marca o filme - sem grandes orçamentos ou ideias megalómanas. Basta ter um pouco de talento - e Zach Braff parece prometer ter muito - e um grande coração, para trazer ao público um filme tão refrescante.

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O Melhor - O desempenho de Natalie Portman é assombroso. Ninguém consegue ficar indiferente à jovem Sam, com todos os seus defeitos e virtudes a misturarem-se num enorme caldo de emoções. Merecia ter sido nomeada por aqui em vez de o ter sido por Closer, onde também é muito boa.

O Pior - A inexperiencia de Braff nota-se em alguns planos e sequências do filme, mas mesmo assim não é um problema de grande monta. Como o filme nunca espera atingir a grandiosidade, isso acaba até por não ser tão mau como seria noutros casos.

Curiosidade - Natalie Portman é israelita e poucos sabem disso. Numa das cenas é obrigada a confrontar Braff com os seus hábitos de judeu. Não é muito normal esta situação, a não ser que se esteja num filme de Woody Allen claro!

Site Oficial - www2.foxsearchlight.com/gardenstate

Realizador - Zach Braff
Elenco - Zach Braff, Natalie Portman, Peter Saasgard, ...
Produtora - Fox
Duração - 109 m
Classificação - m/12

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às fevereiro 14, 2005 02:52 AM