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fevereiro 11, 2005
Ray - Um homem genial, um filme cativante
É um dos maiores nomes da história da música moderna. E merecia uma homenagem como esta. Ray Charles é o autor da banda-sonora da vida de muita gente e Taylor Hackford faz um filme que pode perfeitamente funcionar como um "obrigado Ray". Quem também poderá agradecer ao grande músico é Jamie Foxx quando erguer o óscar de melhor actor.
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E justamente. Foxx é genial na sua encarnação de Ray Charles. Não apenas com as grandes semelhanças fisicias que existem entre ambos, mas pela forma como vive intensamente a sua personagem ao longo de todo o filme. Ele consegue desmultiplicar a sua performance nos vários Ray´s que marcaram a sua própria vida, do genial autor, do insaciável mulherengo, do notável executante e também do viciado em heroina. Por todo esse trabalho que fez - como o músico viveu - às escuras, é mais do que justo que esse óscar lhe seja atribuido. Apesar do notável trabalho de Depp e do grande esforço de DiCaprio (nota, ainda não vi nem Eastwood nem Cheadle).

Ray é Foxx e disso não há grandes dúvidas. Mas Taylor Hackford, o homem que tentava fazer este filme há anos, também merece um aplauso de pé. Mostra a Scorsese como fazer um biopic exemplar (coisa que o movie-brat não sabe) e justifica não só a sua nomeação ao óscar, como todos os elogios que lhe possam ser feitos. Talvez tenha pecado num único ponto. O de não ter levado o filme mais além. Ray tinha tudo para crescer e torna-se numa obra incomparável. Levado pelo ritmo avassalador da música e por uma notável performance, muito bem acompanhada, faltou ao filme um sentimento bigger than life. No entanto, já assim, Ray é uma excelente obra, ao nivel de um outro biopic que há três anos arrecadou vários óscares, A Beautiful Mind. Aliás é de estranhar que na corrida ao óscar deste ano o filme de Hackford não esteja melhor colocado já que se assemelha em muitas coisas com o filme de Howard. Mesmo assim é um dos grandes filmes de 2004 sem dúvida alguma.

Foxx é sublime em todos os aspectos, já o dissemos, mas não está só neste filme. O elenco de actrizes que o acompanha - Kerry Washington, Regina King e Sharron Warren - é igualmente encantador, e se nenhuma delas foi nomeada ao óscar é certamente porque os votantes ficaram indecisos sobre qual delas escolher. Todas elas se exibem a grande nivel e dão o contraponto necessário para que a personagem de Foxx seja ainda mais intensamente dramática do que seria à partida.
Um filme sobre Ray Charles tinha de ter uma banda sonora à altura. E tem! Uma soundtrack memorável com alguns dos maiores êxitos da história da música, que ajuda a dar ao filme uma dinâmica que, de outra forma, seria dificil de igualar. Também a inteligente montagem e os belissimos cenários têm de ser dignos de elogio. Afinal recriar os anos 50 e 60 não é tarefa fácil, e usar imagens de época provou ser uma ideia sábia.

Ainda sem ter visto Beyond the Sea (sobre um outro grande músico chamado Bobby Darin) atrevo-me a dizer que Ray é o biopic do ano cinematográfico. Um filme cheio de vida, garra e emoção e acima de tudo, com alma e coração (o que faltou a The Aviator). Ray Charles é um génio e o filme mostra isso em todo o seu esplendor. Mas também mostra a sua outra faceta, uma faceta bem mais negra que por vezes não queremos associar aos grandes nomes. Mas o próprio Charles terá pedido a Hackford que não mudasse uma virgula ao argumento. Quando estamos perto do fim, pesamos os prós e os contras da vida. O mito Ray Charles tê-lo-á feito, antes de morrer no Verão passado. E o mais provável é que tenha chegado à mesma conclusão que todos nós. Entra no céu Ray, que a banda está à tua espera...
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O Melhor - O notável trabalho de Jamie Foxx. Encarnar um dos maiores mitos da música não é fácil. Se esse mito é cego, ainda mais dificil fica. Mas Foxx ignorou todas as dificuldades e carimbou aqui o bilhete para ser apenas o terceiro actor negro a erguer a estatueta de melhor actor.
O Pior - A primeira hora de filme não tem tanto dramatismo e intensidade como se calhar se pedia. Se o filme se tivesse pautado todo pela mesma batuta que o acompanha na hora e meia final, então estariamos diante de um filme de cinco estrelas.
Curiosidade - Jamie Foxx toca ao piano todas as cenas. Foi o próprio Ray Charles que, ainda em vida, acompanhou as gravações do filme e ajudou Foxx a entender a profundidade das suas composições.
Site Oficial - www.raymovie.com
Realizador - Taylor Hackford
Elenco - Jamie Foxx, Kerry Washington, Regina King, Sharon Warron, ...
Produtora - Universal
Duração - 157 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às fevereiro 11, 2005 12:13 AM
Comentários
Belo filme. Por alguma razão Taylor Hackford tanto lutar por ele. Para nosso contentamento não se enganou. Com todo o respeito ao restante elenco mas Jamie Foxx esteve irrepensivel. simplesmente genial. Se no dia 28 a estueta dourada não for para este homem, os membros da academia terão muito que explicar. (Sem ver Don Cheadle) atrevo-me a dizer que não tem adversários á altura. Que performance. *****. Sublime. O restante elenco tão bem tentou acompanhar o ritmo de Foxx, mas este é sem dúvida o actor do ano. Enfim...prestação bastante tocante. Kerry Washington foi uma das que esteve em grande, embora não com a genialidade de foxx. (Injustiça quanto á não nomeação ao óscar de melhor actiz secundária?)
Publicado por: Márcia às fevereiro 18, 2005 08:38 PM