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março 31, 2005
O impacto do sonoro na indústria cinematográfica
Com a chegada do sonoro o cinema nunca mais foi o mesmo. Depois de um curto período de indecisões e de fortes polémicas sobre qual o modelo a seguir, acabou por estabelecer-se o domínio do cinema falado.
Só que, a pouco e pouco, os próprios estúdios e realizadores perceberam que o público se tinha fartado dos mesmos sons. No final dos anos 30 os grandes filmes norte-americanos tinham arranjado forma de conjugar o cinema falado, tão popular nos primeiros dias do sonoro, com o cinema sonoro defendido pelos teóricos europeus. No entanto a cisão entre o cinema europeu e norte-americano tornou-se clara. A linguagem universal que era o mudo tinha chegado ao fim e mesmo dentro da Europa, e depois de algumas experiências falhadas , cada país seguiu o seu próprio rumo. O sonoro tinha dado uma volta de 180º na indústria cinematográfica.
O som abre as portas ao cinema espectáculo
O cinema mudo era, em primeiro lugar, um cinema muito ligado à visão pessoal dos autores, especialmente no continente europeu. Nos Estados Unidos os estúdios tinham produções próprias para o grande público, habitualmente comédias, mas mesmo assim eram os grandes realizadores que escolhiam as modas. E o cinema era mais intimista e experimental do que se pode supor. Com o advento do sonoro deu-se o primeiro passo para a afirmação total do cinema espectáculo. O som, ao dar vida às personagens e ao ambiente que as rodeiam, libertam o público da complexidade das cenas dos grandes autores do mudo. As comédias e musicais tornam-se nas grandes armas dos estúdios, e os grandes sucessos de bilheteira da época. Durante quase uma década, após o nascimento do sonoro a qualidade dos filmes diminuiu em termos do cinema como arte, mas o cinema indústria proliferou. O espectáculo passou a ser a primeira grande preocupação das grandes produtores. Filmes como King Kong ou Broadway Melody encarnavam na perfeição esse espírito de uma quase extravagância visual e sonora. Os grandes filmes e os grandes actores passaram a ser aqueles que mais tocavam as multidões. Mesmo durante o complicado período que se seguiu à crise de 1929 as pessoas continuaram a ir regularmente ao cinema .
Com os novos géneros cinematográficos que o sonoro proporcionou criou-se igualmente uma nova identidade ao cinema norte-americano. O público sabia que se queria ver espectáculo tinha um certo tipo de filmes para ver, enquanto que se preferisse uma outra viagem pelo universo cinematográfico havia outras escolhas. Na Europa o cinema espectáculo nunca conheceu o mesmo sucesso do modelo norte-americano. O cinema de autor era extremamente popular junto das elites que nunca se preocuparam em experimentarem um cinema mais popular. O público continuava a ver cinema europeu, especialmente até ao período que marcou o início da 2º Guerra Mundial mas depois foi-se rendendo às produções norte-americanas. Poucas foram as tentativas na Europa de aproveitar o cinema como uma indústria espectáculo principalmente porque o “velho continente” era ainda o bastião dos defensores do cinema sonoro, não sincronizado na sua totalidade.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:45 PM
Del Toro confirma Che
O actor Benicio del Toro confirmou à Empire que se vai reunir com Steven Soderbergh para começar a preparar a produção de Che.
O filme irá pegar na personagem de Ernesto Guevarra - este ano interpretado brilhantemente por Gael Garcia Bernal no aclamado Diarios de Motocicleta - já como guerrilheiro em Cuba ao lado de Fidel Castro.
O projecto, que originalmente estava nas mãos de Terence Malick, será o próximo de Soderbergh devendo estrear em 2006´.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:21 PM | Comentários (2)
O Que Estreia Por Cá - Olhem que dança outra vez...
Dez anos depois de dançarem descalços em cima de um palco, John Travolta e Uma Thurman voltam a perder a cabeça e a dançar diante das camaras. Be Cool é a sequela de Get Shortly e promete ser um dos filmes com mais estilo nas salas portugueses em 2005...

Be Cool é dirigido por F. Gary Gray, autor de The Italian Job, volta a pegar em Chili Palmer e transporta-o agora para o mundo das empresas discográficas. O personagem vivido por Travolta vai tentar convencer a editora independente, Uma Thurman, a ser sua parceira no mundo da música. Mas as suas relações com os artistas mais promissores da editora, e todo o mundo, ou melhor, sub-mundo, da música norte-americana, vai provar ser um osso muito duro de roer. Destaque acima de tudo para o elenco do filme que conta ainda com Harvey Keitel, Bernie Mac, Danny de Vitto, Andre 3000 e Christine Millian.
Um filme acima de tudo muito cool.

Uma semana com 7 estreias nas salas de cinema.
Spanlgish é mais uma comédia de James L. Brooks, um dos realizadores mais bem sucedidos dos últimos 20 anos. Reune um elenco interessantissimo - Adam Sandler, Tea Leoni, Paz Vega e Cloris Leachamn - numa história com alguma actualidade, sobre as diferenças entre a comunidade hispânica e anglo-saxónica num pais cada vez mais virado para o convivio de diferentes comunidades. O titulo é extremamente original e espelha o espirito do filme.

Bride or Brejudice traz a Portugal os olhos mais bonitos do cinema mundial. Recentemente eleita a mulher mais bela do mundo, Aishwaray Ray dá vida e emoção a este filme indiano dirigido por Gurinder Chadha, a autora de Bend it Like Beckham. Um filme que vem do pais número um de produção cinematográfica e que explora os aspectos mais divertidos da comunidade indiana, aliados com o exotismo e sensualidade da sua "noiva" de excelência.

Control é um filme de acção com elenco extremamente interessante que começa em Ray Liotta e acaba em Willem Dafoe. Um filme de dois realizadores, Tim Hunter e Jonathan Baker, que fala sobre as experiências cientificas feitas num homem que depois fica fora do controlo, exactamente o oposto do que se pretendia no arranque do projecto.

Darkness é um filme de terror assinado por Jaume Balagueró e retrata a vida de uma familia na sua nova casa, uma casa com um passado muito pouco recomendável. De notar a presença de Anna Paquin, uma das meninas prodigios do inicio dos anos 90 que lentamente vem recuperando a sua carreira.

800 Balas é um filme espanhol, produzido pela TVE, um filme que vive da imagem do cinema, de uma memória que teima em não perecer apesar do tempo não perdoar. Um filme de Álex de la Iglesia.

O cinema iraniano é um dos mais proliferos e apaixonantes do cinema asiático. Este ano chega a Portugal Talaye Sorkh, filme de Jafar Panahi escrito por Abbas Kiarostami, ou seja, a nata do cinema iraniano. A história veridica que inspira este filme marca também um ponto de ordem na forma de olhar para os espaços mais profundas de uma ásia islâmica em mutação.

Arahan é mais um filme de acção sul-coreano a chegar ás salas de cinema nacionais. Um filme cheio de dinâmica, pautado pelo habitual trabalho de fotografia e direcção de actores que fizeram de Hong Kong a nova capital do cinema oriental.

O Hollywood Recomenda - Nem que seja para relaxar um pouco...Be Cool deve ser a dose certa para se passar um bom bocado.
O Hollywood Desaconselha - Control...repete todos os cliches do genero, recheado de violencia gratuita e com uma história pouco desenvolvida. Pedia-se melhor. Esperava-se melhor de um projecto com Ray Liotta e Willem Dafoe.
PS - Por motivos técnicos e de forma extraordinária, as estreias são públicadas hoje e não na quarta-feira como é hábito. Este problema também irá afectar a publicação das reviews de Birth e The Assassination of Richard Nixon bem como a publicação diário da rúbrica biográfica Sedutoras de Inverno. Um problema que espero resolver em breve. Até lá o Hollywood tentará manter o ritmo diário de publicações. Obrigado pela vossa compreensão.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:43 AM | Comentários (2)
março 30, 2005
Novidades de uma semana
Depois de uma semana de ausência - merecidas férias - em que os posts publicados diariamente no Hollywood foram escritos com alguma antecedência, chega a altura de recuperar as mais importantes noticias da última semana.
M. NIGHT SHYAMALAN tem novo filme. Depois de decidir trocar os estúdios Disney pela Warner Bros., o realizador mais promissor da actualidade já tem um novo filme na manga. Trata-se de Lady in Water, a história de um porteiro de um edificio que encontra na piscina do condominio uma ninfa dos mares. Uma mudança radical na filmografia de Shyamalan ou a continuação de uma trajectória ascendente? A resposta será conhecida a 21 de Julho de 2006, data de estreia do filme. Bryce Dallas Howard e Paul Giamatti serão as estrelas do elenco.
TARANTINO não desarma. Depois de recuperar Travolta, Pam Grier e David Carradine, o realizador pulp já decidiu quem quer "ressuscitar" no seu próximo filme: nada mais nada menos que um trio composto por Bruce Willis, Silvester Stalone e Arnold Schwazeneger. O filme é Inglorious Bastards, poderá ter mais do que um capitulo, e passa-se na segunda guerra mundial.
CLIVE OWEN pode mesmo ser o novo James Bond. O IESB avançou a noticia de que o talentoso actor britânico foi o nome escolhido para suceder a Pierce Brosnan como 007. Como todos os nomes adiantados até agora, isto não deixa de ser apenas um rumor mas Owen foi sempre um dos actores mais falados para o papel.
PAUL THOMAS ANDERSON, um dos meninos-bonitos da realização em Hollywood pode ter, segundo o site Aint it Cool News, um novo projecto. O sucessor de Punch Drunk Love será Oil!, um filme inspirado no livro homónimo de um vencedor de um Pulitzer em 1927 de nome Upton Sinclair. O filme irá abordar os meandros da indústria petrolifera e a confirmar-se o projecto, será o primeiro que PTA surgirá apenas como realizador.
Resta-me pedir desculpa pela ausência e falta de actualizações. Em relação a um problema com a caixa de comentários que tem impedido os visitantes de comentar os textos sobre a História do Cinema e as biografias publicadas, esse mesmo problema esteve relaccionado com o Weblog.Pt mas aparentemente está corrigido. Por isso comentem à vontade.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:16 PM | Comentários (2)
A composição sonora para o cinema
Com o sonoro chegaram os diálogos e os efeitos sonoros. Mas a música tinha estado sempre lá.
Desde 1907 que os realizadores pediam a compositores que criassem pautas especiais para os seus filmes, apesar de, na generalidade, caber aos pianistas dos teatros locais, a ideia para a música que iria colorir o filme. Com os anos 30 vieram também as bandas-sonoras, criadas pela primeira vez especialmente para acompanharem o filme, não cena a cena, mas nos momentos em que era realmente importante. Hollywood foi roubar alguns dos maiores compositores da Broadway como Max Steiner e Alfred Newman enquanto que na Europa os grandes compositores eram transpostos para o cinema. Eisenstein encomendou a partitura de Alexander Nevksi a Prokofiev, à época um dos maiores compositores do mundo. Com a aplicação, a partir de 1937-1940 do modelo multi-track, tornou-se possível associar a banda-sonora ao diálogo como pano de fundo.
A partir daí os estúdios nunca mais descuraram o aspecto musical da concepção de um filme. Nasceram os gabinetes de música nas grandes companhias que produziam anualmente dezenas de novas bandas-sonoras para os filmes que estreavam em catadupa. Algumas reciclavam temas clássicos, outras inspiravam-se em êxitos dos anos 20 e 30 como aconteceu com o mítico As Time Goes By que Max Steiner utilizou para reforçar o “amor” entre Ingrid Bergman e Humphrey Bogart em Casablanca. Até ao final da década de 60 seria este o modelo a vigorar não só em Hollywood como em qualquer lado que se fizesse cinema. Só com The Graduate é que começa uma nova etapa da composição sonora para o cinema como o uso de músicas pop, um modelo que hoje é cada vez mais popular.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:44 PM
março 29, 2005
A evolução técnica dos filmes falados
Depois de uns primeiros anos em que a magia do som escondeu alguns problemas técnicos que assombravam os modelos da Vitaphone, tinha chegado a altura das produtoras encontrarem outras formas de levarem até ao público os populares filmes falados, os populares talkies.
Foi então que foram aperfeiçoados os modelos já existentes da RCA mas também abriram-se as portas para uma nova forma de trazer o som ao cinema. Esta evolução foi igualmente acompanhada do regresso em força da música ao cinema. Os realizadores tinham percebido que os filmes não podiam ser exclusivamente falados, era preciso imprimir-lhe alguma carga dramática. Numa forma quase reminiscente dos velhos dias do cinema mudo, a escolha recaiu sobre as partituras de música clássica. Foi assim que nesta altura os grandes compositores da época começaram a escrever música para o cinema.
Os equipamentos utilizados
Em 1930 o som era um sucesso mas a situação era caótica. Havia mais de 200 sistemas diferentes de som no mercado. Nenhum deles era perfeito variando nos defeitos. Uns falhavam na sincronia, outros gastavam demasiado o disco e havia aqueles que falhavam na exibição da película. Foi por essa altura que a RCA começou a trabalhar num modelo que eliminasse o problema da exibição em separado do filme e do som. Associados com a Westinghouse, os técnicos começaram a trablhar num sistema de som-em-filme ou som óptico. Ou seja, o som era directamente aplicado na película sem intermediários. Este método provou ser extremamente eficaz. A qualidade do som aumentava claramente, já não havia o risco de não haver sincronia porque o suporte era o mesmo tanto para o som como para a imagem e ainda por cima era fácil de utilizar.
Em 1934 os principais estúdios utilizavam este modelo. Alguns eram excepção. A Fox mantinha ainda fiel ao seu modelo de Photophone, modelo esse que tinha sido aperfeiçoado para níveis aceitáveis. Os estúdios mais pequenos, sem orçamento para apostar no modelo da RCA vivam ainda do sistema de densidade variável, ou espelho oscilográfico, da General Electric.
Esta variedade de elementos manteve-se até 1940 altura em que os estúdios Disney deram um passo em frente na criação de um sistema base para a difusão de som. Em vez de dividir o som em dois equipamentos distintos (projector e fonógrafo) como acontecera no início do sonoro, e inspirado no modelo RCA (que tinha já tentado em 1937 uma experiência do género), os estúdios de Walt Disney apostaram num sistema de som óptico multi-canal. Dessa forma era possível ter na mesma película sons diferentes ao mesmo tempo. A música, efeitos sonoros e os diálogos podiam agora surgir em simultâneo, no que provou ser uma das maiores revoluções técnicas à época. O primeiro filme que punha em prática esta teoria foi Fantasia que rapidamente se tornou num objecto de estudo por parte dos restantes técnicos de som. Não tardava nada para que todos os estúdios copiassem o modelo de Disney (que tinha começado a sua carreira graças ao sonoro) e acabassem com todas as limitações até então conhecidas. Mais tarde, nos anos 50, o som no cinema daria passos rumo aos modelos actuais, apostando em num sistema estereofónico que privilegiava a sobreposição de vários registros na banda sonora auxiliados pela colocação de várias colunas na sala, aumentando a sensação de realidade do “espectador-ouvinte”. Um modelo que resulta igualmente da criação do Cinemascope e que se tornará no modelo de destaque nos anos subsequentes.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:42 PM
Sedutora de Inverno : Natasha Henstridge - O Canadá é já ali...
Uma actriz de uma beleza incomparável. Uma sex-symbol de um país onde a paz e a harmonia são a nota dominante. Um valor por explorar verdadeiramente pelas produtoras de Hollywood...

Pela sua beleza e porte não é dificil perceber que a carreira de Natasha Henstridge começou nas passerelles.
A agora actriz nasceu a 15 de Agosto de 1974 no Canada. Depois de uma infância perfeitamente normal, saiu de casa aos 14 anos para tentar a sua sorte como modelo em Paris. Teve grande sucesso após um curto periodo de experimentação por várias casas e acabou por se consagrar como uma das mais conceituadas modelos da passerelle parisiense. Aos 15 anos já era capa da Comsopolitan e aos 16 já fazia diversos anuncios publicitários. Parecia estar destinada ao sucesso como modelo, mas o glamour do cinema falou mais alto.
O seu primeiro papel no cinema chegaria com 21 anos no filme de ficção cientifica Species. A sua beleza terá sido a principal razão porque foi escolhida para o papel, mas a sua performance não foi tão má como muitos julgaram possivel. E foi o inicio de uma carreira de uma década.

Maximum Risk marcou a sua segunda passagem por Hollywood onde os papeis que lhe surgiam encaixavam bem no esteriótipo de loira com medidas generosas. Se Henstridge queria ser uma actriz a serio, este certamente não era o caminho. Como não foi fazer a sequela de Species, considerada uma das piores de sempre no genero. O filme viva do corpo nu da actriz, algo que nunca é lisongeiro para qualquer filme, mesmo que a actriz seja Henstridge. Sendo assim, em 1998 a sua carreira estava na mó de baixo. Bella Dona marcou a sua estreia no cinema brasileiro mas o filme acabou por ser um fracasso. Seguir-se-iam papeis em filmes como Dog Park e A Better Way to Dye. E quando todos pensavam que a sua carreira estava condenada a desaparecer, eis que surge The Whole Nine Yards, uma divertidissima comédia com Bruce Willis no principal papel que recuperou o nome de Henstridge junto do público e dos produtores de Hollywood. Um volte face que poderia ter sido aproveitado. Mas que acabou por não ser.

Depois de ter sido votada a mulher mais bela do mundo e de ter feito vários ensaios para inumeras revistas, Henstridge deixou-se cair de novo em pequenas produções. Bounce, Second Skin e Riders não fizeram muito pela sua carreira. Tal como a sequela, também ela uma desilusão, de The Whole Nine Yards, agora com o titulo de The Whole Ten Yards. E para complicar o cenário há ainda Species III, o filme em que o corpo, mais do que o talento, volta a ser cabeça de cartaz. Para quem augura uma carreira de sucesso a Henstridge, o que é perfeitamente concebivel, um cenário marcado por este genero de produções não é bem o mais adequado. Mas quem sabe? Talvez se escreva direito por linhas tortas.
Próxima Sedutora de Inverno - Nicole Kidman
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:58 AM | Comentários (1)
março 28, 2005
O filme falado vs filme sonoro
The Jazz Singer apenas fica na memória por ter aberto a caixa de Pandora em que se tornou o cinema sonoro. Trinta anos de mudo tinham chegado ao fim e de forma muito polémica.
Durante os anos anteriores, tanto nos Estados Unidos como na Europa, o cinema mudo tinha atingido um nível de altíssima qualidade. Quer o surrealismo alemão, quer os épicos americanos, quer os filmes experimentalistas franceses e soviéticos conquistavam a crítica e o público graças ao poder enorme que os grandes realizadores de então – Abel Gance, Ernst Lubitsch, Murnau, D. W. Griffith – tinham em criarem universos fantásticos. A montagem era vista à altura como a base da linguagem cinematográfica e era à sua volta que os filmes eram construídos e aperfeiçoados. Em 1925 o soviético Serguei Eisenstein faz do Couraçado Potemkin um perfeito exercício de construção fílmica com base na montagem. O filme foi um sucesso e personificou tudo o que o cinema mudo tinha alcançado. Muitos dos realizadores, principalmente na Europa, achavam agora que o cinema era digno de ser visto como arte. O período experimental de técnicas dos primeiros anos do século, entregue a engenheiros e cientistas tinha dado lugar a uma nova era entregue nas mãos de criativos e artistas. E de repente tudo desaparece.
O desempenho dos actores, marcado sempre por uma notável pantomina, é substituída por vozes estridentes, muitas delas sem a mesma intensidade dramática que se exigiria. A solenidade de uma cena desaparece com o advento do sonoro. O som do choro substitui a imagem da actriz em sofrimento com todo o aparato típico do filme mudo. Era uma realidade que terminava e outra que dava os primeiros passos. E como era natural muitos estavam contra. Aliás, a maior parte das pessoas via no sonoro uma moda passageira. Mas quando os “talkies” provaram ser um imenso sucesso a situação mudou de figura. Um conjunto de proeminentes realizadores europeus preparou-se inicialmente para boicotar o sonoro. Aliás, até 1930 foram feitos pouquíssimos filmes falados na Europa (algo a que não é alheia a falta de condições técnicas). O seu grande receio era de que o sonoro surgisse na sua forma mais sincrónica, limitando-se a imitar a imagem. Para alguns realizadores como René Clair, Dziga Vertov, Serguei Eisenstein e mesmo o iniciante Alfred Hitchcock, o sonoro deveria surgir como mais um apoio à montagem e não como uma nova linguagem em si. A defesa de uma abordagem contrapuntual do uso do som nos filmes manter-se-ia o grande cavalo de batalha dos cineastas europeus. Estes cineastas defendiam o que chamavam de cinema sonoro. Muito bem, diziam eles, o som chegou e deve ser encarado como uma ferramenta útil nas mãos do artista, nós, os realizadores. Mas nada mais do que isso. Nada de destacar o som acima de todas as coisas. A montagem continua a ser o ponto central de um filme. Não o som!
Uma ideia que era defendida na Europa mas que mostraria ter pouco futuro. As modas da América ditavam outras danças. O sincronismo absoluto tinha sido um sucesso no virar dos anos 20 e a consagração de Broadway Melody, o primeiro grande musical da história, na segunda gala dos Óscares mostrava que a tendência era de que o filme falado de forma sincrónica tinha vindo para ficar. Rapidamente os realizadores apostaram em géneros que beneficiasse o cinema falado em detrimento do cinema sonoro. Musicais, comédias cheias de gags, filmes de gangster, westerns e os filmes animados tornaram-se nos géneros dominantes. Mesmo o drama abandonou o seu carácter introspectivo dos grandes filmes da década de 20 e transformou-se num conjunto de interpretações muito faladas e pouco sentidas. O importante era que o público pudesse ver que Greta Garbo ou Clark Gable estavam a dizer exactamente o que eles estavam a ouvir.
O cinema sonoro fazia a apologia da gestão dos recursos sonoros. Um realizador devia utilizar a banda sonora com ponderação, tal como os diálogos e os efeitos sonoros. Nada de simplismos sem razões de ser. E durante algum tempo assim foi. Na Europa claro. O som tinha chegado em 1928 com a exibição em Londres, Paris e Berlim de The Jazz Singer mas a produção dos primeiros filmes europeus com som só mesmo no ano seguinte. E mesmo assim eram poucos os exemplares. Os estúdios não tinham ainda os equipamentos utilizados na América e por isso a maior parte das produtoras continuou a apostar, e com sucesso diga-se, em filmes mudos. Uma realidade que muda a partir de 1930 e que transforma por completo o cinema europeu. Apesar dos grandes autores se manterem fiéis ao conceito de cinema sonoro (os casos franceses e soviéticos foram os mais paradigmáticos), a verdade é que 90% dos filmes que eram exibidos no “velho continente” chegavam de Hollywood. E rapidamente o filme falado conquistou também a Europa. A linguagem universal do filme mudo tinha acabado. O inglês afirmava-se como língua mundial. Hollywood tinha vencido.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:40 PM | Comentários (1)
Sedutora de Inverno : Naomi Watts - Uma loira fatal...
Apesar de ter uma carreira já quase com duas décadas, só muito recentemente é que o mundo do cinema se rendeu ao talento desta bela britânica. Um talento que começou a despontar num filme cujo titulo ainda anda na boca do mundo...

Não, Naomi Watts não é lésbica, por muito estranho que isso possa parecer a meio mundo depois do seu explosivo desempenho em Mullolhand Drive. Mas também não é nenhuma rookie já que o seu primeiro papel no cinema data de 1986.
Mas tudo começou um pouco antes, a 28 de Setembro de 1968 numa vila do Sussex no sul de Inglaterra. Foi esse o dia que viu Naomi Watts chegar ao mundo, o primeiro marco numa vida até agora notável.
Apesar de ter nascido nas terras de sua majestade, a verdade é que desde muito nova foi viver para a Australia. Aí começou uma carreira de modelo ainda muito jovem, chegando facilmente á representação, primeiro em anuncios, e com 16 anos, num filme australiano de nome For Love Alone. Watts acabou por pertencer a uma geração de talentosos australianos onde pontificiva também Nicole Kidman que acabou por se tornar na sua melhor amiga depois de ambas terem partilhado um taxi após um casting a um anuncio de bikinis. Uma amizade que ainda hoje perdura. Em 1991 trabalhou com Kidman em Flirting e no ano seguinte iria dividir o ecrãn com outra jovem estrela australiana, Russell Crowe, em Brides of Christ.

Na Austrália Naomi Watts já era uma estrela com apenas vinte cinco anos de idade. Fez diversos filmes para a indústria local, incluindo exitos como Wide Sargasso Sea, Gross Misconduct ou Tank Girl. Mas a verdade é que eram pequenas produções de uma indústria fértil mas sem grande expressão. Por isso, sempre que podia, Watts tentava audições em Hollywood. E foi num desses dias que a sua sorte mudou. David Lynch ficou impressionado com o seu enorme talento e beleza que não teve dúvidas em escolhe-la para o papel principal do seu mais confuso e aclamado filme até hoje, Mullolhand Drive. O filme foi um sucesso retumbante na critica e todos se renderam ao talento de Naomi Watts. Nem a enorme polémica pelas suas cenas de amor lésbico com Laura Harding atrapalharam na sua consagração nos Estados Unidos. E logo numa das suas primeiras tentativas. Estava provado que ali havia actriz com A grande.

A fama que granjeou no filme de Lynch começou a dar dividendos no ano
seguinte quando foi escolhida por Gore Verbinski para protagonizar o hit de terror de 2002, The Ring. O filme teve um grande sucesso de bilheteira alargando a fama de Watts para outro genero de público. O ano seguinte provou ser ainda mais bem sucedido quando Watts fez parte de um triangulo dramático ao lado de Benicio del Toro e Sean Penn em 21 Grams, o aclamado filme de Alejandro Inarritu. Por esse brilhante desempenho Watts conquistou a sua primeira nomeação ao óscar, tendo no entanto sido derrotado pela sul-africana Charlize Theron. Injustamente para muitos.
Depois de ter feito Ned Kelly nesse mesmo ano, Watts voltou a ter muito trabalho em 2004 com excelentes desempenhos em filmes como We Don´t Live Here Anymore, Ring 2, I Heart Huckebees ou The Assassination of Richard Nixon.

A sua beleza estonteante e talento inquestionável fizeram dela uma das mais pretendidas actrizes de Hollywood. Muitos apostam que nos próximos anos a sua consagração será definitiva. Entrar em King Kong, o filme de Peter Jackson pós-Lord of the Rings pode ajudar, e muitos esperam que o seu nome se torna oscarizável com o passar dos anos. É que é raro aparecer assim de repente um talento tão grande como o que a bela anglo-australiana tem vindo a demonstrar nos últimos anos.
Próxima Sedutora de Inverno - Natasha Henstridge
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:13 AM | Comentários (5)
março 27, 2005
O momento chave do sonoro
A 6 de Outubro de 1927 o mundo acordou de pernas para o ar. Em Nova Iorque tinha acabado de estrear The Jazz Singer. O filme, em termos cinematográficos não era uma obra-prima. Mas não tinha sido por isso que a sala tinha enchido.
A publicidade da Warner Bros alertava para o nascimento do primeiro filme falado. Não era verdade mas ninguém sabia isso. Todos foram ver o actor russo Al Jonson, pintado de negro, cantar e encantar. A sua voz ouvia-se bem como a da banda que o acompanhava. E apesar de algumas passagens ainda mudas, o público sabia que a partir daí tudo seria diferente. O cinema mudo tinha os dias contados.
The Jazz Singer e a chegada do sonoro
A grande curiosidade à volta do nascimento do sonoro é o facto da sua origem ter apenas acontecido porque Jack Warner estava com problemas financeiros . Então, pensou ele, a única forma de levar as pessoas a verem os seus filmes era se ele apostasse em algo completamente novo. A escolha recaiu sobre o cinema sonoro, uma ideia que a Warner tinha vindo a acompanhar há já algum tempo mas à qual nunca tinha dado grande atenção. Curioso porque foi uma questão financeira que impediu o sonoro de entrar no início do século nos filmes e foi uma questão financeira que veio acabar com esse atraso de 30 anos. Do filme The Jazz Singer pouco reza a história. Só a imagem do russo Al Jonson pintado de negro a dançar e a cantar ficou na memória. O filme foi o maior sucesso do ano e foi galardoado com um Óscar especial, o primeiro. E só não foi eleito o melhor filme pelo facto dos grandes produtores rivais da Warner acharem que seria concorrência desleal.
Curiosamente os primeiros três anos de transição foram complexos. O sonoro era a tendência mas ainda teve de coexistir com o cinema mudo. Algumas razões lógicas levaram a essa situação. A primeira foi a de que a maior parte das pessoas via no sonoro uma moda passageira. O próprio Jack Warner disse-o numa entrevista em 1927. Por isso os estúdios estavam renitentes e queriam a confirmação do público ao impacto do filme falado. Tiveram-na rapidamente! Pôs-se então um segundo problema. Nem todos os estúdios tinham equipamentos adequados para criar filmes com som. A maior parte das companhias assinou um protocolo para adquirir o popular modelo Vitaphone. Só a RKO e a Fox usavam o modelo que tinham vindo a desenvolver nos anos anteriores. Até 1933 esses seriam os modelos que singrariam e só as posteriores inovações técnicas ditaram que todos os estúdios utilizassem os mesmos aparelhos. Ao mesmo tempo poucas eram as pessoas que estavam preparadas para lidar com este enigma que era o som. Assim, o técnico de som tornou-se numa das figuras mais importantes do plateau, superiorizando-se por vezes a realizadores que não mostravam ter conhecimentos técnicos suficientes para entender a importância da gravação sonora. As próprias filmagens passaram a ser diferentes. Era preciso esconder microfones pelo set e o silêncio – algo nunca imaginado no tempo do cinema mudo – passou a ser a palavra de ordem .
Durante três anos os estúdios dedicaram-se a fazer filmes sonoros. A Paramount foi a primeira companhia a conseguir um filme 100% falado, em 1928. No ano seguinte todos os seus filmes eram 100% falados. A MGM e a Fox acabaram 1928 com vários filmes semi-falados, mas apostaram na re-filmagem de filmes mudos que ganharam som. Poucos são hoje os exemplares sobreviventes dessas aventuras.
A Warner, pioneira, e a RKO foram os primeiros a deixar o cinema mudo mas ainda demoraram algum tempo em abandonar o fantasma do cinema semi-falado. Só em 1930 é que 99% das produções cinematográficas era totalmente falado. Mas enganem-se aqueles que pensam que a qualidade era a melhor. Esses anos ficariam exactamente marcados por terem sido bastante negativos para os amantes de cinema. A perfeição do cinema mudo foi posta de lado. Agora qualquer filme que tivesse som era um sucesso. As produções começaram a ser niveladas por baixo e foram usados todos os truques e efeitos possíveis para agradar a um público cada vez mais sedento de novos e novos sons. Foi preciso entrar-mos nos anos 30 para os avanços técnicos trazerem finalmente uma qualidade sonora considerável e, ao mesmo tempo, os estúdios perceberem que estava na altura de voltarem a apostar em cinema de qualidade.
A implementação do sonoro não causou apenas três anos de muitos e barulhentos filmes. Levou ao desemprego milhares de pessoas. A sua maioria eram os músicos de orquestras ou os pianistas que coloriam as exibições dos filmes mudos. Em várias cidades havia mendigos com um cartaz pendurado que apenas dizia “Ruined by the talkies!”. Ao mesmo tempo houve grandes actores que foram deixados de lado pelo simples facto da sua voz não ter condições para singrar no novo mundo. Alguns deles eram mesmo ícones do cinema da época como Lilian Gish, Gloria Swanson ou Douglas Fairbanks. Emil Jannings, considerado à época como o maior actor do mundo, voltou para a Alemanha com o advento do sonoro temendo que o seu sotaque destruísse a sua carreira. De facto o fim do mudo significou o final de uma linguagem universal. O cinema tornava-se mais nacional, mais regional. As grandes co-produções tinham os dias contados e os actores tinham mais dificuldades em afirmarem-se em países estrangeiros. A própria Hollywood nunca esqueceu este seu período. Billy Wilder homenagearia os astros do mudo em Sunset Boulevard de 1950, com Gloria Swanson e Joseph von Stenberg, dois dos maiores nomes do período mudo, como estrelas e em 1952 Gene Kelly e Stanley Donen fazem uma homenagem a estes tempos de transição no notável musical Singin in the Rain. Tal como o filme tão sugestivamente demonstrava tinham chegado novos dias para o cinema.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:38 PM | Comentários (1)
Sedutora de Inverno : Monica Belluci - O Nome da Tentação...
É uma das maiores sex-symbols do mundo. A sua beleza parece querer ofuscar qualquer papel que faça. Mas poucos terão conseguido esquecer a violência emocional que marcou os seus filmes mais celebres...

Esta sensual italiana nasceu em Citta di Castello no distrito de Umbria a 30 de Setembro de 1964. A sua aldeia era bastante pobre mas mesmo assim Monica Belluci conseguiu ter dinheiro suficiente para estudar direito em Perugia. Foi aí que começou a fazer trabalhos como modelo, utilizando a sua figura voluptuosa e escultural para juntar dinheiro de forma a poder pagar os estudos. A sua carreira como modelo começou em Itália mas em 1988 já estava em Paris a trabalhar com a elite do meio. O sucesso nas passerelles foi tremendo, tendo sido colocada praticamente ao mesmo nivel que as top-models da época. Com 26 anos decidiu arriscar uma carreira como actriz, apesar de não ter qualquer formação. O filme que a lançou foi Briganti. Durante dois anos a bela Monica faria filmes em Itália até Francis Ford Copolla ter ficado impressionado com a sua sensualidade, escolhendo-a para viver uma vampira no seu Bram Stokers Dracula. A estrondosa italiana chegava assim a Hollywood.

Depois desta sua primeira passagem pelo cinema norte-americano, Monica Belluci voltou à Europa onde dividiu a sua carreira nas passarelles por prestações em filmes franceses e italianos. Em 1996 atingiu um dos pontos mais altos da sua carreira em L´Apartment, filme pelo qual recebeu uma nomeação para melhor actriz nos Cesares. A consagração como actriz tinha chegado finalmente. Ao longo do resto da década Belluci continuou a fazer filmes entre Itália e França, com titulos de algum sucesso como Come mi vuoi, Stressati ou Méditerranées. Por essa altura já tinha começado uma relação com Vincent Cassell, o menino bonito do cinema francês com quem viria a casar em 1999 e do qual já tem uma filha, para além de vários projectos em conjunto.

Com o novo milénio chegou de novo a fama, primeiro sob a forma de várias capas de revista onde posou sem qualquer preconceito, e depois com alguns papeis de destaque. O primeiro seria num filme do italiano Giuseppe Tornattore em Malena. Um papel extremamente tocante e sensual que lhe valeu o aplauso da critica e do público. Depois foi escolhida para viver a mitica Cleopatra no segundo filme de aventuras de Asterix e Obelix. E depois houve ainda as presenças no cinema americano, em Tears from the Sun, e em Matrix Reloaded e Revolutions.

Mas seriam dois papeis que acabariam por moldar a sua imagem. Papeis tocantes e extremamente violentos que a confirmaram como uma actriz de valor. O primeiro tinha chegado em 2002 num filme dirigido e interpretado pelo marido. Irreversible foi tido como um dos filmes choque do ano, especialmente pelos primeiros quinze minutos em que Belluci é violada selvaticamente. O segundo aconteceu já em 2004 no polémico filme de Mel Gibson, The Passion of the Christ onde viveu uma pungente Maria Madalena, dando assim corpo ao pecado humano.
Com todos estes papeis de destaque já ficou mais do que provado que Belluci não é só uma cara bonita e um corpo de arromba. É também uma das mais interessantes actrizes do velho continente.
Próxima Sedutora de Inverno - Naomi Watts
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:05 AM
março 26, 2005
Técnicas utilizadas para introduzir som nos filmes
Desde a criação dos primeiros modelos de projecção que houve sempre ensejo em deixar um lugar próprio para a difusão do som. As experiências iniciais que remontavam aos finais do século XIX utilizavam uma técnica que faria escola durante bastante tempo.
Um projector estava associado a um fonógrafo que projectava o som ao mesmo tempo que a imagem saía do mesmo projector. Isso implicava, claro está, uma perfeita sincronia entre o que se via e o que se ouvia, o que nem sempre era possível. Foi esse o maior pesadelo do Quinetoscópio de Thomas Edison. Na sua primeira versão a sincronia não foi alcançada com sucesso e da segunda tentativa, já em 1913, essa sincronia não durava mais do que 12 segundos em diálogos contínuos. Por isso o problema desde o início foi a da utilização de uma técnica que privilegiasse a total sincronia entre som e imagem. O público não estava interessado na música ou nos efeitos sonoros. Queria era confirmar se o movimento dos lábios dos actores correspondia ao som que estavam a ouvir. E se houve dois ou três casos no início do século que conseguiram essa sincronia (falhando noutros pontos) a verdade é que só a partir da metade da década de 10 é que esse efeito foi plenamente alcançado.
O modelo enunciado pelo cientista Edward Wente, conhecido como o espelho oscilográfico, foi um dos mais avançados do seu tempo.
Tecnicamente consistia na projecção do som para uma lenta através do íman do áudio. Essa lente recebe a fonte de luz reflectida no espelho oscilográfico e por sua vez envia-a para um pincel de luz que a projecta, à fonte de luz, na trilha sonora, criando-se assim o registo sonoro. A mais valia deste método era a lâmina oscilante desenhada por Wente.
A RCA , em parceria com a General Electric, desenvolveu entre 1922 e 1923 a gravação do som na película na película de imagem para que ela ocupasse apenas 1,5 mm da borda do filme de 35 mm. Dessa forma era possível manter no mesmo suporte físico um espaço conjugado de som e imagem. No entanto o Photophone, que viria a revelar-se o grande rival do Movietone, tinha um problema que se iria manter em todos os sistemas até 1933. Existia apenas uma pista de trilha única na película. Logo só se poderia ouvir um som de cada vez sob o risco de se perder a qualidade, já de si frágil. Diálogos, efeitos e música não podiam coexistir. O problema seria resolvido igualmente pela RCA com a criação de diferentes canais na película. O que é curioso é que seria esse problema que fez do cinema um espaço onde a voz tinha mais protagonismo do que qualquer outro efeito sonoro. Só filmes de autor experimentalistas negaram essa realidade optando por uma inversão dos valores sonoros. Algo que, como se sabe, não encontrou o eco pretendido.
Estas foram as duas principais técnicas à época. No entanto a estreia do sonoro junto do grande público aconteceria sob os auspícios de um outro modelo, mais imperfeito talvez e menos duradouro, mas que faria história.
O modelo Vitaphone
O modelo Vitaphone foi desenhado inicialmente nas fábricas da General Electric e comprado em 1925 pelo presidente da Warner Brothers, Sam Warner. Durante o ano o projecto foi desenvolvido nos estúdios da Vitaphone Company, recém-formada com subsídios da Warner, e estreou-se pela primeira vez com o filme Don Juan, ao permitir a substituição da orquestra de fundo por uma banda-sonora própria ao filme. Antes disso o Vitaphone tinha já “dado” som a inúmeras curtas-metragens.
Fisicamente o projector era enorme e extremamente desajeitado e sincronizava o filme a um disco de 78 rotações. A sua frequência rondava os 4300 Hz mas os discos gastavam-se rapidamente. Este método tornou-se extremamente popular em Hollywood. No entanto era um sistema que estava longe de ser perfeito. Tinha uma baixa qualidade de amplificação, o disco fazia imenso barulho e havia a iminente possibilidade do disco riscar, cortando assim o sincronismo entre som e imagem. Mesmo assim a Fox aproveitou-se das técnicas da General Electric e importou-as para o Movietone, enquanto que a RCA continuava fiel ao seu método, o Photophone.
O Vitaphone estreou-se em Nova Iorque com a exibição de Don Juan, mas, tecnicamente, o primeiro filme sonoro seria apenas exibido em 1927. A verdade é que o filme era pontualmente falado, sendo que o problema da trilha única tinha feito com que a música fosse o elemento de destaque. Mas só a possibilidade de ouvir Al Jonson criou uma aura de magia à volta do filme. A Warner, em plena falência técnica, recuperou com este lance de sorte. O público rendeu-se ao sonoro e nada mais seria como dantes.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:36 PM
Sedutora de Inverno : Minnie Driver - A fleuma britânica
Uma das mais interessantes actrizes da sua geração, especializou-se à muito em suaves e emotivos desempenhos secundários. Mas muitos acreditam que o seu valor é tal que o protagonismo pode estar já ao virar da esquina...

Minnie Driver nasceu em Londres, a 31 de Janeiro de 1970. Teve uma infância absolutamente normal e depois de ter representado em várias peças escolares, percebeu que tinha vocação para ser actriz. Por isso começou a estudar artes dramáticas antes de completar 18 anos. Aos 20 anos conseguia o seu primeiro papel diante das camaras. Foi em God on the Rocks, um telefilme britânico. No entanto só três anos depois o seu nome voltaria a surgir num elenco. A razão? Os estudos que decidiu continuar de forma paralela á sua carreira de actriz. E assim foi de novo na televisão, desta feita numa mini-serie, que Minnie Driver voltou a representar. Nesse ano faria ainda um telefilme de relativo sucesso, Royal Celebration, e nos dois anos seguintes continuaria a trabalhar exclusivamente na televisão, ora em telefilmes ora em series televisivas.

A chegada em definitivo ao cinema ocorreu em 1996 com um papel em Big Night, filme de Stanley Tucci e Campbell Scott. Nesse mesmo ano entraria em Sleepers, ao lado de um elenco recheado de nomes sonantes, para explodir verdadeiramente em 1997 numa serie de papeis que ajudariam a sua carreira a saltar para uma nova etapa. O primeiro foi em Grosse Pointe Blank, ao lado de Jon Cusack. Seguiu-se ainda Baggage. Mas seria o filme de Gus van Sant, Good Will Hunting que a catapultaria para a fama. O seu desempenho extremamente sólido e emotivo ao lado de Matt Damon valeram-lhe o aplauso da critica e do público. A partir de agora, Minnie Driver era um nome levado a sério.
Aproveitando a onda, o final dos anos 90 revelou-se bastante positivo para a sua carreira. Papeis em filmes como Hard Rain, The Governess - o seu primeiro papel como protagonista - e An Ideal Husband confirmaram o seu proclamado talento.

Em 2000 chegou um dos seus melhores papeis, ao lado de David Duchovny no filme Return to Me. Um sólido desempenho que fazia antever uma década de sucesso. O que não chegou a acontecer. Os papeis não chegavam, os projectos não tinham o sucesso esperado. A pouco e pouco o seu nome foi-se com o vento tão rapidamente como tinha chegado. Mas a eclética actriz não tinha ainda desistido. Depois de participações menores em filmes como Elle Enchanted ou Hope Springs chegou a hipótese de desempenhar aquele que viria a ser o melhor desempenho da sua carreira. Em Phantom of the Opera ela é Carlotta, a diva perfeita num desempenho secundário verdadeiramente arrebatador, um dos melhores papeis secundários de 2004.
Com o seu sucesso em Phantom of the Opera, esperam-se agora melhores dias para a sua agitada carreira. Dias que correspondam ás melodiosas notas que toca ocasionalmente na sua guitarra num qualquer clube de jazz por esse mundo fora.
Próxima Sedutora de Inverno - Monica Belluci
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:31 AM
março 25, 2005
As evoluções técnicas
O som e a imagem fundem-se finalmente em 1927. A partir desse momento caminharão inevitavelmente de mãos dadas. Mas esse foi um processo que pecou por ter chegado com quase trinta anos de atraso.
A técnica dos primeiros cineastas permitia já no século XIX construir um filme sonoro mas os imperativos financeiros atrasaram o processo. Curiosamente foi preciso a Warner Bros. estar à beira da falência para se recuperar o espírito do sonoro. Só que na altura muitos foram os que achavam que o som estava a mais, esquecidos de que nos primeiros dias do cinema a ausência do som tinha existido apenas por questões financeiras. Realmente seria curioso ver como teria sido a história do cinema se a aplicação do som tivesse, desde o primeiro instante, estado lado a lado com a criação dos filmes. Seria o cinema diferente do que é hoje? Muito provavelmente. Seria melhor ou pior? Nunca o saberemos. Entretanto, durante essas três décadas de cinema mudo por vontade própria dos grandes produtores de cinema, houve sempre um conjunto de técnicos que não deixaram de deitar mão à obra, com o intuito de dar som à imagem. Custasse o que custasse!
As primeiras experiências
O início da gravação de sons remonta ao último quarto do século XIX, mais precisamente em 1877, altura em que nasceu o fonógrafo. Em 1878 quer Alexander Bell quer Alexander Blake tentam criar dispositivos que fotografem as variações do som. Contudo nenhum deles focou a problemática da reprodução do mesmo som. Com o nascimento, também em finais do século, do cinematográfico dos irmãos Lumieré e do Quinetoscópio de Thomas Edison, renasce a vontade de criar um aparelho que unisse som e imagem. O aparelho de Edison, que inspiraria os irmãos franceses, foi o primeiro que conseguiu de facto projectar som e imagem ao mesmo tempo. Este aparelho fundia dois elementos distintos. Um que tratava a imagem que era o Quinetografo e um outro que trabalhava o som, o Quinetofonógrafo. No entanto o projecto encontrou diversas dificuldades levando a que Edison apostasse num modelo mais simples, o Quinetofone, aparelho que conjugava imagem e música ao mesmo tempo. No entanto a falta de sincronia tornou o invento pouco popular. Mais tarde, em 1913 a sua invenção vai ser aperfeiçoada, e encontrará algum sucesso junto do público. No entanto o facto do sincronismo começar a falhar a partir dos 10-12 segundos de fala contínua fez com que o projecto fosse deixado de lado.
Entretanto em França tiveram lugar importantes experiências entre o final do século XIX e o princípio do Século XX. Em 1902, Leon Gaumont fez uma exibição pública do seu Cronofone, um sistema de exibição que unia o projector a dois fonógrafos através de cabos que tinham o objectivo de garantir o sincronismo total entre som e imagem. O sistema teve sucesso na Europa e foi exportado para os Estados Unidos mas problemas ao nível da duração da sincronização, bem como dos sons não amplificados que não ecoavam pelo auditório, levaram a ideia que fosse abandonada . No entanto já em 1891 o francês Marey registou a patente do Fonoscópio, quatro anos antes da primeira exibição dos Lumieré. E em 1899 Auguste Baron apresentou o seu filme sonoro e encontrou bastante sucesso junto da elite parisiense. No entanto a ideia não vingou por falta de apoios. No primeiro ano do novo século o alemão Ernst Ruhmer anunciava a criação do Fotografofone, um aparelho dispositivos que conseguia gravar e reproduzir som em película. O mesmo conseguirá Eugen Lauste três anos depois provando que o som e a imagem eram perfeitamente conciliáveis. Mais tarde, já em 1907, Lee deForest pegou no trabalho de Laustes e desenvolveu-o através da aplicação de uma válvula electrónica, o tríodo, que tinha como função amplificar os sinais electrónicos. Apesar da sua nova invenção ter sido um sucesso no campo das comunicações, a verdade é que não foi aproveitado pela comunidade cinematográfica.
Por esta altura o cinema mudo imperava. Todas as experiências com som eram experimentais e feitas à margem do grande público. Depois dos primeiros anos do século os espectadores não voltariam a ouvir som em filmes até 1927. Mesmo assim as experiências continuaram, apostando em abordagens diversas a uma questão que já estava resolvida. Aliás o som conseguido pelos Lumieré em 1907 era mais perfeito do que aquele que os modelos Vitaphone e Movietone iriam demonstrar no final dos anos 20. Assim, em 1914 Edward Wente inventa um novo sistema de gravação de som através do uso de um espelho oscilográfico, conseguindo uma sincronia perfeita. Apesar de ter provado estar certo, o seu modelo foi abandonado em 1922. Curiosamente seria recuperado em 1926 e estaria na base do Movietone, o modelo que a Fox apresentou com concorrente ao popular e “pioneiro” Vitaphone.
Nos anos seguintes outros métodos foram testados. J.T. Tykociner demonstrou ser possível criar um sistema que ao empregar um arco de mercúrio modulado para registar e uma photocell para detectar e produzir o som, era de facto possível criar a simbiose entre som e imagem. No entanto poucos modelos seriam tão inovadores como o Tri-Ergon, criado em 1918 por uma tripla de engenheiros alemães – Hans Vogt, Joseph Engel e Joseph Massolle – que pela primeira vez possibilitou a gravação de som no próprio filme. O sistema funcionava com a transformação de ondas mecânicas em ondas eléctricas, que, por sua vez, se transformavam em ondas de luz que eram registadas na película por um processo fotográfico. Este sistema foi adquirido pela Fox em 1926 para adicionar música aos filmes . Por fim, em 1920 Theodere Case, engenheiro da General Electric, conclui o desenvolvimento de um registador fotográfico para telégrafo de sinais de rádio. Este sistema foi acompanhado de perto pela Fox que via neste modelo uma importante base para o futuro. Assim seria. Não só inspiraria o Movietone de 1928 como seria igualmente a base do trabalho desenvolvido pela RCA.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:33 PM | Comentários (1)
Sedutora de Inverno : Milla Jovovich - Uma beleza sem igual
É uma das mulheres mais belas do mundo, disso ninguém parece ter dúvidas. Talvez a representante perfeita da beleza do leste da Europa. Com uma carreira dividida entre os dois lados do Atlântico, poucos são aqueles que lhe conseguem ficar indiferentes...

Milla Jovovich é única. Nasceu em Kiev, capital da Ucrânia quando esta ainda era parte da União Soviética, a 17 de Dezembro de 1975. Com uma beleza muito precoce, foi aos 9 anos que começou a sua carreira como modelo. Estavamos em 1984. Com doze anos estreou-se no cinema. Já vivia fora da União Soviética e o filme tinha contornos eróticos, antecipando a sua estreia como actriz principal.
O que viria a acontecer em 1991. A URSS tinha acabado e Milla vivia agora em França. Foi escolhida à primeira para suceder a Brooke Shields no papel principal de uma jovem abandonada com o irmão numa lagoa deserta. A sua beleza ainda de adolescente era contagiante e por iso The Return to the Blue Lagoon foi um sucesso. Os seus belos olhos e cabelos tornaram-na imediatamente numa lolita europeia. Tinha apenas 16 anos.

Depois deste seu primeiro sucesso, Milla Jovovich dedicou-se à sua carreira como modelo em França. Tornou-se assim numa das caras - e corpos - mais requisitados do momento, deixando pouco espaço para uma carreira cinematográfica levada ao seu expoente máximo. Talvez isso seja justificativo de seis anos ausente de grandes papeis, se deixar-mos de lado pontuais aparições em filmes como Chaplin ou Dazzed and Confused.
Seria em 1996, já com 21 anos de idade, que Milla voltaria a encantar tudo e todos. O filme era o hilariante 5th Element, onde um elenco de luxo com Bruce Willis à cabeça, davam as voltas para salvar o planeta Terra da destruição total. O seu divertido e sensual papel valeram-lhe múltiplos aplausos. E o filme serviria também para começar uma relação, que acabaria em casamento, com o realizador francês Luc Besson.

Uma parceira que seria retomada em 1999. Pelo meio tinha ficado He Got Game e a capa de centenas de revistas que continuavam a insistir na ideia de que Milla Jovovich era das mais belas mulheres do mundo. Talvez por isso Besson a tenha visto como a Jeanne D´Arc perfeita. O filme The Messanger : The Story of Jeanne D´Arc não foi o sucesso pretendido, talvez por ter revolucionado a vida da heroina francesa, mas a sua encarnação da guerreira foi absolutamente notável. Para além de bela, Milla provava ser talentosa. Seguir-se-iam pequenos papeis em filmes como The Million Dollar Hotel, a experiência cinematográfica de Bono e Win Wenders, The Claim e Dummy.

Mas se hoje Milla Jovovich tornou-se extremamente popular junto de um público mais novo, isso deve-se essencialmente ao seu trabalho em Resident Evil, filme de acção inspirado num dos mais populares videojogos dos anos 90. Em ambos os filmes - o primeiro de 2002, o segundo de 2004 - Milla faz as cenas de duplos e encanta com todo o seu charme e estilo. Com tudo isto ficou pouco espaço para desenvolver um estilo de representação mais dramático, algo que não parece que vá acontecer nos próximos tempos tende em conta que a actriz pretende seguir com esta sua vertente mais de action-woman durante alguns anos. Resta saber se algum dia a verdadeira actriz que está dentro de Milla Jovovich, realmente verá a luz do dia.
Próxima Sedutora de Inverno : Minnie Driver
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:46 AM | Comentários (4)
março 24, 2005
O som nos filmes mudos
Como já se disse o mudo não implicava o silencio. Aliás, raríssimas eram as vezes em que um filme era exibido em silêncio total absoluto. Desde sempre que o som esteve presente no cinema, mesmo no mudo. Só que, por uma razão ou por outra, nunca tomou a preponderância que era esperada
Os primeiros projectores inventados por Thomas Edison traziam já a possibilidade de exibir som e imagem em movimento de forma simultânea. Muitos dos primeiros filmes exibidos na exposição de Paris de 1900 eram de facto sonoros. Mas os elevados custos que implicava a instalação de aparelhos sonoros nas salas e nos estúdios adiou por um quarto de século o sonoro.
Mesmo assim o som esteve sempre presente. As exibições eram acompanhadas por um pianista (nas estreias dos filmes em grandes cinemas havia mesmo uma orquestra completa) e havia mesmo salas que atraíam o público por terem atrás da tela pessoas a dar voz aos momentos mais emocionantes dos filmes. O diálogo na altura era subvalorizado (havia ainda uma relação amor-ódio com o teatro) e os realizadores do mudo tinham apostado acima de tudo nas expressões faciais como elementos transmissores de ideias, emoções ou estados de alma. Só em casos extremos é que recorriam ao diálogo. E nesses casos utilizavam subtítulos. No entanto, a ileteracia de muitos dos espectadores era um factor a ter em conta. Por isso, quanto menos subtítulos o filme tivesse, melhor era para os estúdios.
A música que acompanhava a exibição dos filmes era sempre música bastante erudita. Por vezes os realizadores recomendavam uma determinada partitura mas era o pianista (ou orquestra) quem habitualmente escolhia o que interpretar. Ao contrário da rádio, que apostava em efeitos sonoros para ilustrar as rádio novelas e o teatro radiofónico, no cinema cabia apenas à música criar uma atmosfera envolvente ao filme. Os diálogos e os efeitos sonoros eram subvalorizados e as grandes correntes artísticas da época (Abel Gance, René Clair em França e Dziga Vertov e Serguei Eisenstein na União Soviética) afirmavam mesmo preferir assim, já que tinham mais margem de manobra na abordagem às narrativas filmicas.
No entanto, apesar da desconfiança dos artistas e das reticências dos homens de negócios, durante os vinte e cinco anos que mediram as últimas exibições experimentais de filmes sonoros e a afirmação dos “talkies”, as experiências foram continuando.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:32 PM
Sedutora de Inverno : Lucy Liu - Do Oriente com amor...
É a actriz oriental de maior sucesso nos Estados Unidos. Já brilhou na televisão e no cinema, e quando se pensa em cinema de acção, o seu nome acaba sempre por vir á baila. Talvez por ter o dom de nos deixar de olhos em bico...

Lucy Liu nasceu no bairro de Queens em Nova Iorque, a 2 de Dezembro de 1968. Filha de imigrantes chineses que tinham procurado Nova Iorque para relançar as suas vidas, Lucy Liu teve uma infancia dificil mas bem sucedida. Aos 20 anos começou a estudar para ser actriz, isto depois de ter saltado entre algumas universidades na busca do curso certo para o seu futuro. Foi então que tentou ir para Los Angeles procurar um lugar ao sol. Enquanto servia á mesa, Liu procurava papeis em filmes, mas acabaria por ser a televisão a abrir-lhe as portas. Estreou-se em Beverly Hills 90210, em 1990, e depois surgiu ainda em NYPD Blue, ER e X-Files. A sua estreia no cinema ocorreria no entanto apenas em 1996, num pequeno papel no filme Jerry Maguire. E depois de alguns papeis secundários, onde a sua origem era mais requisitada que o seu talento, foi na serie televisiva Ally McBeal, que Lucy Liu viu definitivamente o seu valor consagrado.

Entre o dilema de se manter fiel ás suas raizes - a razão de muitos dos papeis que conquistou - e tentar explorar um universo para lá do ar de beldade asiática, Lucy Liu tentou controlar a sua carreira o melhor que pode. E o cinema começava a tornar-se cada vez mais uma opção a seguir. Payback e Play it Till the Bone mostraram-se como as primeiras hipóteses a sério de representar em Hollywood, enquanto que Shangai Noon a colocava lado a lado com um icone da comunidade asiática nos Estados Unidos, o actor Jackie Chan. Seria no entanto ao lado de outras duas beldades, Cameron Diaz e Drew Barrymore, que Lucy Liu conquistaria o grande público. O filme foi Charlies Angels e de imediato a actriz se tornou numa das action figures preferidas dos estúdios, pelo seu carisma, porte atlético e beleza exótica.

Depois de Ballistc, Chyper ou a sequela de Charlies Angels terem tentado apostar nessa sua imagem, surgiu Quentin Tarantino e tudo mudou. Pelo meio tinha ficado uma pequena participação em Chicago, o vencedor do óscar em 2002. Mas seria ao serviço de QT em Kill Bill, que Lucy Liu passaria a uma nova etapa da sua carreira. No papel de O-Ren Ishi, a jovem actriz surpreendeu tudo e todos pela sua versatilidade e intensidade dramática. A cena fiel, num duelo inesquecivel com Uma Thurman, mostraram uma actriz até então desconhecida do grande público. Talvez por isso ela seja hoje uma figura altamente requisitada em Hollywood tendo já um sem número de projectos para os próximos anos.
Próxima Sedutora de Inverno - Milla Jovovich
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:26 AM | Comentários (1)
março 23, 2005
O Cinema Mudo
Sobre a génese do cinema há diferentes teorias. Uns atribuem ao trabalho de Thomas Edison nos finais do século XIX os primeiros passos do cinema. Outros falam das experiências do francês Meliès e do inglês G. A Smith como a verdadeira origem do cinema. A história no entanto apontou o espírito empreendedor dos irmãos Louis e Auguste Lumieré como a base de todas as experiências cinematográficas que se lhe seguiram. A verdade é que com o novo século chegava também uma nova forma de entretenimento.
O cinema ainda não era bem cinema – era ainda cinematógrafo dos Lumieré ou o quinetoscópio de Edison – mas já encantava tudo e todos. Durante quase trinta anos o cinema tornou-se na maior indústria de massas, e, pasme-se, numa das maiores artes do novo século. E fê-lo sem o recorrer ao som. Não que os filmes fossem, qual uma igreja em estado de oração interior, apologistas do silêncio. As exibições em teatros, óperas ou feiras dos primeiros filmes eram acompanhadas invariavelmente de música de fundo, habitualmente da autoria de um pianista que aplicava a sua própria visão das cenas do filme às teclas do piano. Logo, ver um filme em salas diferentes implicaria sempre ouvir um acompanhamento sonoro diferente. Ao longo do tempo os próprios sons do piano foram-se padronizando, (todos sabiam que ao ouvir determinado acorde estavam perante o vilão) atirando para o chão a teoria de que o mudo era silêncio. Não o era nem nunca o foi. Como Alfred Hitchcock disse um dia “Os filmes mudos eram perfeitos. Só lhes faltava o som sair da boca das personagens.” E o som tinha de facto o seu papel no cinema mudo!
A indústria cinematográfica
Os primeiros anos do cinema foram um palco de múltiplas experiências, tanto na Europa como nos Estados Unidos. No “Velho Continente” o cinema tinha ganho um impulso graças ao espírito empreendedor dos irmãos Lumieré. Mais produtores do que propriamente realizadores, foram eles que fizeram com que, para além das massas, também as elites europeias cedo tivessem um contacto próximo com esta nova arte. Realizadores como Meliès produziam à época em Paris obras verdadeiramente inovadoras, explorando todas as potencialidades que esta nova invenção oferecia. O uso do cinematoscópio era no entanto algo que viria a revelar-se bastante subaproveitado. Na verdade a invenção dos Lumieré incluía já a possibilidade de utilizar som e imagem, de forma sincrónica. Mas os custos que o processo implicava tinham levado a maior parte dos realizadores (nem todos já que há exemplos de filmes sonoros nesse período) a deixarem de lado a ideia, apostando acima de tudo em três aspectos que marcaram o início do cinema europeu: a direcção de actores, o trabalho de câmara e a manipulação das cenas através da montagem. Começava então a Belle Époque do cinema europeu.
Nos Estados Unidos, e apesar da aplicação de algumas das mentes mais inovadoras da época, o cinema começou por ser um divertimento de feita. Os Nickelodeons popularizaram o cinema entre as massas. A vaga de inventos que marcou a primeira década do século trouxe inúmeras experiências cinematográficas às salas de exibição norte-americanas mas em 1912 dá-se a primeira grande revolução do cinema americano. O domínio, quase castrador, que a Motion Picture Association impunha ao mundo do cinema, tinha acabado. Agora todos eram livres de seguir o seu caminho. Hollywood tinha acabado de nascer. Rapidamente começaram a nascer variadas produtoras, começando uma dinastia que apenas terminaria na década de 60. O sistema de estúdios, como foi mais tarde chamado, era altamente hierarquizado. Nos primeiros dez anos nasceram mais de cinquenta companhias cinematográficas, que, por falta de verbas ou desencanto com o cinema, foram desaparecendo tão depressa como apareceram. Algumas foram-se fundindo até que no início dos anos vinte havia um conjunto de grandes produtoras (MGM, Warner Brothers, Paramount, RKO e Fox) que controlava a produção e distribuição dos filmes. Pelo meio o cinema americano tinha assistido a emergência de um autor, D. W. Grifitth, que soubera como ninguém levar o cinema ao público, sendo um dos pais do Star System de Hollywood. Filmes como Intolerance ou Birth of a Nation ficariam para sempre como os maiores marcos do cinema mudo norte-americano.
Com a emergência, tanto nos Estados Unidos como na Europa, de estúdios, começava igualmente a adivinhar-se a transformação do próprio cinema. Se até aos anos 20 a concepção de um filme era visto como a criação de uma obra de arte, a politica dos estúdios veio alterar um pouco a situação. Adoptando os modelos de Henry Ford de produção em série, os estúdios colocaram os números à frente dos artistas. Os filmes teriam de ser baratos e sucessos de bilheteira. Isso obrigou muitos artistas a trabalhar longe dos estúdios ou então, como outros fizeram, a criar uma relação especial entre a figura do produtor e do director.
A verdade é que o cinema era agora tanto arte como indústria.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:29 PM | Comentários (6)
O Que Estreia Por Cá - Atenção que ele quer matar o Presidente
Sean Penn é um dos grandes actores do cinema. Ninguém o duvida. E a verdade é que está numa grande fase da sua carreira. Depois do óscar, da consagraçaão pessoal, vem mais um trabalho negro, bem ao seu estilo. Nixon que tenha cuidado, ele vem aí...

The Assassination of Richard Nixon marca a estreia na realização de Niels Muller. Uma estreia auspiciosa a julgar pelas excelentes reviews que o filme recebeu nos Estados Unidos. Mas isso também se deve, e para muitos isso é mesmo o principal, à notável encarnação que Sean Penn faz de Samuel J. Bicke, o homem que viu o sonho americano destruir-se aos seus pés e que viu na morte do presidente dos Estados Unidos a sua única hipótese de redenção. Um filme muito negro, a explorar os cantos mais escondidos da alma humana, mas que traz também uma mensagem de esperança. Mesmo quando vamos até ao fim do poço com Bicke, fica sempre a ideia que algum dia a vida terá de melhorar. O elenco do filme conta ainda com a bela Naomi Watts e com Don Cheadle, naquele que é talvez o maior ano da sua carreira. Um filme imperdível.

Mais quatro estreias esta semana nas salas de cinema em Portugal.
Birth é um filme que engana à primeira vista por parecer demasiado básico. Uma mulher acredita que o marido reencarnou num jovem de 10 anos e hesita se deva seguir com a sua vida ou ficar presa a uma recordação do passado. Mas a verdade é que a exploração desse dilema dá ao filme muito mais profundidade do que se pensaria. Resultado da sólida realização de Jonathan Glazer e do trabalho de Nicole Kidman, a diva do cinema mundial. Nota de destaque ainda para outro actor prodigio, o jovem Cameron Bright.

A Cara que Mereces marca a chegada as salas de mais um filme nacional. Da autoria de Miguel Gomes e com um elenco cheio de cameos de realizadores, argumentistas e amigos do director deste filme, este é um trabalho sobre um homem que não queria crescer. Ou melhor, sobre um homem que queria apagar a infância. Ou ainda sobre um homem que espelha bem a desilusão de uma geração quando entra na casa dos 30, onde a desaparece a cara que Deus deu e fica apenas a cara que cada um merece.

36 Quai des Orfèvres é um filme francês de acção que conta com o inigualável Gerard Depardieu aos comandos de um esquadrão de policia que tenta fazer todos os dias a vida negra a uma serie de individuos corruptos que assolam a vida parisiense. Mas quando um gang chega e destabiliza a vida na esquadra, e o futuro lugar de chefe fica prometido a quem o conseguir capturar, toda a amizade que até aí existia desaparece por completo. Filme de Olivier Marchal.

Babí Léto é uma agradável surpresa que chega da República Checa, um país com pouca expressão cinematográfica por cá. Vladimír Michálek decide falar sobre a morte de uma forma extremamente humoristica pondo lado a lado um casal de idosos, onde a mulher está a preparar-se para morrer e o homem teima em ficar por cá mais um pouco.

O Hollywood Recomenda - São dois dos maiores actores do momento e os seus novos trabalhos, apesar de não terem tido grande projecção na temporada de prémios, são interessantes o suficiente para valer uma visitia ao cinema. Birth e The Assassination of Richard Nixon são as recomendações da semana.
O Hollywood Desaconselha - Nada em particular. Não que a qualidade das estreias seja muito elevada. Mas não há nada que não mereça uma espreitadela na verdade.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:54 AM
Sedutora de Inverno : Liv Tyler - Aqueles lindos olhos...
Só em adolescente soube de quem era filha de facto. Foi eleita várias vezes a mulher mais bela á face do planeta. É dona de um olhar sem igual. Foi um elfo e tantas outras coisas. E continua a encantar tudo e todos...

Nasceu a 1 de Julho de 1977 em Nova Iorque, filha de Beebe Buell - conhecida playmate - e de pai desconhecido. Um desconhecido que acabou por se revelar ser na verdade uma grande estrela. Mas isso, ela só o soube mais tarde. Sempre desconfiou que o seu pai fosse um homem do rock, já que a sua mãe era conhecida do universo backsatage da década de 70. Mas só aos 12 anos começou a desconfiar que esse homem era Steven Tyler, o vocalista dos Aerosmith. As suas semelhanças com a filha deste levaram-na a questionar a mãe que confessou a verdade. E com 14 anos Liv tomou o nome do pai e começou a seguir as pisadas da mãe como modelo. E pouco depois surgia num videoclip da banda do pai, ao lado de outra jovem teen sensation, a sensual Alicia Silverstone.

Com 17 anos estreou-se finalmente no cinema no filme Silent Fall. A sua carreira arrancava em estilo.
Seria pela mão de Bernardo Bertolucci em Stealing Beauty que Liv Tyler daria nas vistas. O seu papel intenso e extremamente erótico valeu-lhe a aclamação da critica. Durante os cinco anos seguintes a sua carreira seria bastante animada. Papeis em filmes como Inventing the Abbotts , U Turn e acima de tudo, Armageddon, ajudaram-na a fazer dela uma actriz conhecida junto do público. Mas seria o seu papel como Arwen, no mega-sucesso Lord of the Rings que iria confirmar todo o seu talento.

Desde então para cá Liv Tyler tem feito pouco. Para além dos três episódios de Lord of the Rings que a consagraram como uma estrela, ajudando-a a ser eleita a mulher mais bela do mundo por mais do que uma vez, poucos foram os projectos onde o seu nome surgiu nos créditos finais. Excepções feitas a Jersey Girl, filme onde voltou a trabalhar com Ben Afleck, e Lonesome Jim. Por isso é natural que os seus muitos fãs estejam desejosos de a ver explodir em papeis tão intensos como o de Arwen Undumiel. Afinal com 28 anos, Liv Tyler pode muito bem afirmar-se como uma das mais bem sucedidas actrizes da sua geração.
Próxima Sedutora de Inverno - Lucy Liu
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:55 AM
março 22, 2005
A História do Cinema
Começa amanhã a ser publicado no Hollywood uma serie de textos sobre o cinema e a sua história. O primeiro bloco de artigos falará sobre a passagem do cinema mudo para o cinema sonoro, das mudanças que tudo isso implicou, e das potencialidades que esta inovação técnica trouxe. Uma primeira serie que será retomada mais tarde noutro conjunto de artigos cujo o objectivo é pintar um pouco melhor aquilo que é a história do cinema.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:23 PM | Comentários (1)
Sedutora de Inverno : Kate Becksinsale - Uma inglesa em Hollywood
Britânica de origem, americana de adopção. É em Hollywood que o seu talento tem sido mais apreciado. Mas muitos afirmam que o seu talento ainda está bem longe da sua beleza. Outros defendem-na como uma actriz com grande futuro. A duvida subsiste e só o tempo dará razão a uma das partes.

Foi a 27 de Julho de 1973 que Kate Beckinsale veio ao mundo. A capital britânica via assim nascer uma das actrizes mais aclamadas do momento. Mas já na altura a origem familiar - os pais são ambos actores - faziam já prever o rumo que a sua vida iria tomar alguns anos depois.
Menina prodigio na escola, vencedora de vários prémios para jovens autoras, ainda na adolescência começou a seguir a profissão ds pais. E foi assim, aos 18 anos, que se estreou no cinema com o filme One Against the Wind. Mesmo assim a jovem Beckinsale decidiu apostar primeiro na sua formação profissional, para só depois seguir a carreira como actriz. Assim, entre 1991 e 1994 fez apenas quatro filmes, um dos quais Much Ado About Nothing, a adaptação da peça de William Shakespeare por Kenneth Branagh. Foi o que valeu para um aplauso da critica, a que se seguiria um papel em Prince of Jutland. A carreira começava bem.

Em 1993 perante o dilema actriz-estudos, ela optou por seguir a profissão dos pais e deixou Oxford para se dedicar exculsivamente à representação. Fez televisão e teatro. Só depois chegaria o cinema. E o seu primeiro papel após esta importante decisão acabou por ser Haunted, filme em que ela se despe de todo e qualquer preconceito por vontade própria. Beckinsale queria tornar-se numa sex-symbol e este seria o primeiro passo. O primeiro de muitos que se seguiriam. Primeiro Shooting Fish e depois Brokdown Bowl. Mas seria em 2001, no filme Pearl Harbour, que o seu nome finalmente seria conhecido por todos.

Um papel á altura do filme que a ajudou a tornar numa actriz conhecida não só junto do grande público mas também em Hollywood. Serendipety, filmado nesse mesmo ano, e Underworld depois, confirmaram essa tendência. Pelo contrário, em Van Helsing, Kate Becksinale dá pouca alma á sua personagem, quase um antipoda de o que uma sex-symbol deve ser. Foi preciso encarnar uma das grandes bombas sexuais da história do cinema, a actriz Ava Gardner em The Aviator, para a sua carreira voltar a entrar em órbita. E agora espera-se para ver o que acontece no segundo Underworld, filme que lhe abriu as portas para um público adolescente mais alternativo. Com 32 anos, o futuro pode muito bem ser seu.
Próxima Sedutora de Inverno - Liv Tyler
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:59 AM
março 21, 2005
The Life Aquatic With Steve Zissou - O Graal está no fundo do Oceano...
Á primeira vista The Life Aquatic With Steve Zissou parece um filme um pouco ridiculo. Mas tal só acontece porque foi assim que Wes Anderson imaginou este universo sub-aquático de relações humanas, belas mas confusas, profundas mas nunca levadas ao limite.
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A ironia está constantemente presente ao longo do filme. O amor e a amizade também. A coragem, o medo, a vingança, o ódio, o desprezo...Todas as emoções humanas têm lugar neste filme. Porquê? Porque Wes Anderson joga com elas como poucos. Como? Porque Wes Anderson é um talento nato a explorar situações que à primeira vista parecem demasiado absurdas para serem levadas a serio. Mas não é preciso estar-se de fato e gravata para se ser levado a sério. Ás vezes basta uma frase, uma pose, uma atitude. Ou um filme como este.
Quando mergulhamos nas profundezas do ocenao nos planos finais do filme, somos invadidos por uma beleza visual que não é real. E no entanto é-o, pelo menos para aqueles que seguiram durante o filme a saga de vingança - que acabou por se tornar em tantas outras coisas - de Steve Zissou. O tubarão-jaguar é apenas irreal para aqueles que não acreditam. Para a tripulação ele é o culminar de uma serie de momentos de grande dramatismo, uns mais belos que outros. Mas todos eles marcantes.

Wes Anderson tem o condão de juntar poesia, teatro e romance na criação do guião deste filme. Algo que nem todos são capazes de fazer, e que a maior parte não tem coragem em arriscar. Mas arriscar é uma palavra chave na compreensão deste filme. Na ousadia dos planos - que realizador que apenas se quisesse levar a sério descreveria o seu navio de forma tão mirabolante como faz Anderson? - no tratamento da história e das suas personagens. E até mesmo na música, com um David Bowie traduzido para português, ao som da triste guitarra de Seu Jorge, que funciona aqui menos como actor e mais como encenador das diferentes fases do filme. É em Life Aquatic With Steve Zissou que percebemos que há o bem e o mal, o preto e o branco. Há Owen Wilson, a interpretar uma figura que quase roça o angelical, do primeiro momento em que surge até ao último instante em cena. E também há os terroristas filipinos a servirem de contraponto. Mas a beleza do filme é o enorme cinzento que fica no meio desta visão maniqueista. É a indefinição existencial de uma soberba Cate Blanchett. É a redenção de um presunçoso Jeff Goldblum, capaz do pior e do melhor. É a amargurada Anjelica Houston que se transforma num farol de esperança. É o inseguro Willem Dafoe, capaz de dar vida a alguns dos momentos mais belos do filme. E é também Bill Murray. E como descrever Murray? Tal como Zissou, Murray está em águas que domina bem, após anos e anos a navegar entre estreitos e conturbados mares. Tal como Zissou, afinal Murray também está capaz do seu melhor, apesar de muitos terem já vaticinado o seu fim. E é a amargura de um homem que nunca quis ser pai, mas que viveu sempre à volta de uma figura paternal - o seu companheiro Esteban - e que também foi ele próprio um pai, de forma inconsciente, para Dafoe, que ajuda a perceber o drama intenso que acompanha Steve Zissou nesta viagem.

O importante neste filme não é tanto o argumento ou todos os artificios técnicos, com que Anderson brinca como uma criança traquinas. Este filme prova que o cinema é mais o binómio realizador-actor do que qualquer outra coisa. É a intensidade de Murray, uma intensidade interior que à superficie é facilmente confundida com um sarcasmo básico, que dá o mote para Anderson ir mais além. O tubarão-jaguar (mas interessará mesmo que ele exista ou não?) de Murray e de Anderson é como um Santo Graal dos oceanos. Não interessa o que é, como é e o que custa para lá chegar. O importante mesmo é chegar, ver, e entender a sua beleza. Na cena mais bela do filme - não, não falamos do cão abandonado da praia, da continência de Dafoe a Wilson num momento de triste despedida, nem mesmo da ironia genial que Anderson faz dos festivais de cinema da Europa - nada parece real. Nem o tubarão-jaguar, nem o submarino, nem o oceano, nem a sua tripulação. O real seria completamente despropositado aqui. Este é um filme para sonhar, não para viver. A poesia visual de Anderson, coroado no momento em que todos partilham o momento de emoção com Murray, é algo que poucos realizadores conseguem. Lembramo-nos de The Royal Teenembaums e fazemos um sorriso. Murray está vivo, Anderson está vivo. O cinema está vivo!
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O Melhor - Não é o maior actor vivo ou em actividade como já li em vários sitios. Também não é preciso cair no exagero absurdo. Mas Bill Murray confirma aqui que está num grande momento da sua carreira, que com Lost in Translation levou a lufada de ar fresco que precisava. Resta saber se a afirmação definitiva de Murray como actor de um humor non-sense contido é para continuar ou se é apenas uma fase.
O Pior - Alguns dos clichés do filme, apesar de criados com esse propósito, tornam-se exagerados ao máximo. Em alguns instantes pedia-se mais profundidade e menos superficialidade. Com isso o filme passaria certamente para um outro nivel.
Curiosidade - É o primeiro filme que Wes Anderson dirige ser ter Owen Wilson como parceiro no argumento. Mesmo assim, como tem sempre acontecido, Wilson faz parte do elenco. Quem também trabalha pela terceira vez consecutiva com Anderson é Bill Murray. E olhando para os três filmes que actor e realizador fizeram em conjunto, é fácil ver que Anderson é aquele que melhor consegue explorar o talento de Murray.
Site Oficial - lifeaquatic.movies.go.com/main.html
Realizador - Wes Anderson
Elenco - Bill Murray, Owen Wilson, Cate Blanchet, ...
Produtora - Touchstone Pictures
Classificação - m/12
Duração - 118 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:43 PM | Comentários (2)
Sedutora de Inverno : Julliane Moore - Beleza ruiva
É uma das mais talentosas actrizes do momento. Tem a carreira repleta de trabalhos absolutamente brilhantes, faltando a estatueta dourada como coroa de glória. Até esse dia chegar, o seu talento e a sua beleza são suficientes para nos mantermos fieis a cada filme que faça....

Nasceu a 3 de Dezembro de 1960 em Fayetteville, na Carolia do Norte. De ascendência escosesa, Julliane Moore sempre quis ser actriz e por isso foi estudar para Boston, onde se formou com 23 anos, em 1983. Depois disso mudou-se para Nova Iorque onde trabalhou durante anos a fio em peças de teatro na Broadway. Depois, em meados da década de 80, chegou a vez de passar pela televisão numa serie de telenovelas de horário nobre. Passando ainda pelos telefilmes, só com 30 anos se estreou no cinema. Foi no filme Tales from the Darkside: The Movie que se estreou. Durante a primeira parte dos anos 90 fez uma serie de papeis secundários em filmes como The Hand That Rocks the Cradle, The Gun in Betty Lou's Handbag ou The Fugitive. Foi na adaptação de Checkov, Vanya on 42nd Street, que pela primeira vez conseguiu explodir verdadeiramente. E em 1995, o ano seguinte, trabalhou pela primeira vez com Todd Haynes em Safe. A nomeação ao Indepedent Spirit confirmou todo o seu talento.

Na segunda metade da década a carreira correu melhor. Apesar de presenças em filmes como Jurassik Park II, foram em dramas que o seu talento se confirmou. Surviving Picasso é um exemplo mas o filme que fez com que a actriz ruiva explodisse de vez acabou por ser Boogie Nights, de Paul Thomas Anderson. A nomeação ao óscar indicou que finalmente Moore se começava a impor como actriz de pleno direito em Hollywood.
Até ao final da década as presenças em filmes como Big Lebowski ou Psycho ajudaram a manterem-na bem na ribalta. Em Magnolia a actriz foi brilhante mas acabou por ser num outro filme de 1999, The End of the Affair, que Moore conquistou a sua segunda nomeação ao óscar. E se o final dos anos 90 foi excelente, que dizer do inicio de um novo século?

Em 2001 Moore ficou com o papel que tinha dado o óscar a Jodie Foster em Hannibal. O filme não teve o mesmo impacto do primeiro mas mesmo assim confirmou-a como actriz para todos os generos. E em 2002 Julliane Moore fez história ao conseguir dupla nomeação ao óscar. Por uma performance secundária em The Hours, e pelo seu desempenho assombroso no seu segundo filme com Tom Haynes, Far From Heaven. O óscar de principal perderia para a sua colega em The Hours. O óscar secundário acabaria nas mãos de Marcia Gay Harden. E muitos clamaram por injustiça. Talvez por isso se pensa-se que The Forgotten poderia vir a ser o seu passaporte para a estatueta dourada. Mas o filme acabou por ser revelar um tremendo flop e Moore viu assim adiado o seu sonho. Agora com 45 anos, Moore prepara-se para mais uma fase prolifera da sua carreira com uma mão cheia de projectos para os próximos anos. A mais bela ruiva de Hollywood promete continuar em estilo. Nós estamos por cá para confirmar.
Próxima Sedutora de Inverno : Kate Beckinsale
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:22 AM | Comentários (5)
Primeiro trailer de The Island
É o novo filme de acção de Michael Bay, autor de filmes como The Rock e Pearl Harbour, e já tem trailer disponível.
Com Ewan McGregor e Scarlett Johansson nos principais papeis, The Island conta a história de um homem, aprisionado numa ilha, que acredita que todo o mundo está contra ele. Apenas confia numa mulher que parece ser diferente de todos os outros, e é com a sua ajuda que ele pretende sair do mundo claustrofóbico onde se encontra.
É o primeiro trabalho de Bay sem a colaboração de Jerry Bruckheimer e também o primeiro filme de acção de Scarlett Johansson que pode começar a mostrar o que será capaz de fazer em MI :3 ou Indy IV, caso se confirme a sua participação no filme de Spielberg.
Cliquem aqui para ver o primeiro trailer do filme.




Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:07 AM
março 20, 2005
Sedutoras de Inverno : Julia Roberts - Oh pretty woman!
Saltou para o estrelato com um divertido papel como prostituta. Venceu um óscar encarnando uma verdadeira mulher de armas. Pelo meio fez muita coisa, nuns casos melhor do que noutros. Recusou vários papeis que fariam história, mas nunca perdeu o sorriso que fez dela a actriz mais popular nos EUA.

Foi em 1967, mais precisamente a 28 de Outubro, que nasceu em Smyrna no estado da Geórgia. Em pequena sonhou em ser veterinária mas acabou por estudar jornalismo. Mas a vontade de ser actriz sempre esteve por lá, algures bem escondida, e despontou quando o sucesso que o seu irmão Eric estava a fazer em Hollywood lhe chegou aos ouvidos. Foi assim que decidiu, com 20 anos, partir para a Meca do Cinema e tentar assim a sua sorte.
Foi com dois filmes para adolescentes em 1988, Satisfaction e Mystic Pizza, que Roberts se lançou ás feras mas seria em 1990, com o seu papel de jovem prostituta nas ruas de LA em Pretty Woman que Roberts se tornaria um icone. Nomeada ao óscar, vencedora do Peoples Choice, saltou directamente para o lote de estrelas. Tinha começado a carreira em estilo.

Depois do seu primeiro sucesso em comédias românticas, Roberts apostou em papeis mais dramáticos. Filmes como Sleeping With the Enemy ou Pelican Brief foram exemplos disso, mas a verdade é que a sua participação em Hook e Prett-a-Porter continuaram a mostrar o seu outro lado. Por essa altura tinha já recusado o papel principal em Basic Instint por não querer surgir nua num filme. Sharon Stone agradeceria o brinde.
Apesar de ter feito excelentes papeis ao longo dos anos 90 como em Mary Reilly, Michael Collins e The Conspiracy Teory, a verdade é que foram as comédias românticas que lhes deram os maiores sucessos. Woody Allen apaixonou-se por ela em Everybody Says that I Love You e no ano seguinte o mega-sucesso My Best Friends Wedding confirmou-a como uma estrela. Até deu para recusar o papel principal em Shakespeare in Love. Paltrow ainda lhe deve estar a agradecer pelo óscar. Depois de em 1999 Roberts ter arrebentado a escala mais uma vez em Notting Hill, foi a procurar papeis dramáticos que a actriz encontrou a personagem que lhe daria o óscar esperado. Em Erin Brokovich ela supera-se cena após cena. A vitória é inquestionável e a confirmação de uma década de sucesso a todos os niveis estava carimbada.

A partir do óscar a sua carreira relaxou imenso. Começou a fazer filmes quase exclusivamente com o seu grupo de amigos que inclui Brad Pitt, George Clooney e Steven Soderbergh. Com Pitt fez The Mexican, com Clooney entrou em Full Frontal e Confessions of a Dangerous Mind, e com todos eles entrou nos dois filmes sobre o atribulado grupo de Danny Ocean. Pelo meio ainda teve tempo de entrar no espantoso Closer e agora, depois de ter dado á luz dois gemeos, pondera por uma pausa na sua bem sucedida carreira. Mas nada de muito tempo espera-se porque Julia Roberts é sempre um nome agradável de se ver em cartaz.
Próxima Sedutora de Inverno : Julliane Moore
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:49 PM | Comentários (2)
Novos trailers em movimento
Uma boa semana para os amantes de trailers com principal destaque para o novo filme de Spielberg, War of the Worlds, mas também para Sin City e Ice Age 2.
Em relação a War of the Worlds este é o segundo teaser trailer do filme de ficção cientifica que Spielberg está a rodar com Tom Cruise, e cuja estreia está agendada para o Verão. Um teaser que abre o apetite pela abordagem spielberguiana do conto de H.G. Wells que pode ser visto aqui.
Já em relação a Sin City, o filme pulp do ano, há um clip de 11 minutos do filme de Robert Rodriguez mas também novos trailers. A estreia está para breve e o filme deverá chegar cá antes do Verão.
Por fim Ice Age 2 continua a saga pós-glaciar de quatro simpáticos animais pré-históricos que agora vão ter de lidar com o novo mundo que saiu da era do gelo. Um filme para todas as idades e que promete ser um sucesso, a imaginar pelo trailer disponivel aqui.



Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:10 PM | Comentários (1)
março 19, 2005
Sedutora de Inverno : Jodie Foster - Uma estrela precoce...
Faz filmes desde os 2 anos. Um número de sorte já que tem dois óscares e duas fases bem distintas na sua carreira. Uma actriz multifacetada que tem andado desaparecida mas que já foi unanimemente considerada como a estrela mais cintilante da sua geração.

É realmente um caso à parte na indústria cinematográfica. Primeiro por não ser uma actriz com muitos papeis na carreira, sendo que normalmente trabalha como principal, recusando pequenas ofertas para servir de suporte a outros. E depois porque foi a mais bem sucedida prodigio do seu tempo, e passado uma década tornou-se na mais bem sucedida actriz da sua geração.
Nasceu a 19 de Novembro de 1962 em plena Los Angeles. A cidade que iria pautar a sua carreira desde bem cedo. Os pais sabiam que ela tinha uma boa relação com a camara e por isso desde os dois anos que fez pontuais aparições em filmes, destacando-se principalmente em anuncios televisivos. Aos 6 estreou-se numa serie televisiva, Mayberry R.F.D, e a partir daí nunca mais parou. Mas ao contrário de outras jovens pequenas actrizes, ela sempre deu mais importância à sua formação do que à sua carreira. Verdadeira menina prodigio, aos quatro anos já falava tanto inglês como francês, tendo sido sempre aluna de nota máxima ao longo dos seus estudos. Mas seria o cinema que lhe iria permitir explorar ao máximo a sua faceta mais criativa.
O primeiro grande salto na sua carreira chegaria em 1974. Então com doze anos foi convidada por Martin Scorsese - com quem já tinha trabalhado em Alice Doesnt Live Here Anymore - para fazer o papel de uma jovem prostituta em Taxi Driver. Foster aceitou o papel e convenceu tudo e todos conquistando a sua primeira nomeação ao óscar.

Com a carreira a ser gerida pela mãe e com um contracto assinado com os estúdios Dinsey, a Foster sobravam muitos papeis em filmes para os mais novos e poucas hipóteses de brilhar no universo dos adultos. Esteve perto de viver a personagem de princesa Leia em Star Wars mas Lucas optou por uma mulher mais velha. Apesar disso o filme Bugsy Malone, um gangster movie para jovens, acabou por ser revelar um sucesso mostrando todo o seu talento como jovem actriz. Em 1980 decidiu abrandar um pouco a sua carreira como actriz. Por um lado porque tinha ficado muito impressionada com a atitude de John Hinckley, o homem que tinha tentado assinar Reegan, que teria dito que o fazia por Foster, como a personagem de Robert de Niro em Taxi Driver. E por outro lado porque tinha chegado a hora de ir para Yale tirar o seu curso universitário, o que fez em cinco anos com distinção.
Mesmo assim ainda houve tempo para alguns papeis em filmes de menor impacto. Mas a partir de 1986, agora com 24 anos, Jodie Foster era uma mulher e estava disposta a ser uma actriz profissional.

E depois de pequenos papeis, foi em 1988 que a hipótese chegou. O filme era The Acussed e ela partilhava o ecrãn com a então muito popular Kelly McGilis. O seu papel de jovem violada - e Foster nem objectou em mostrar a crueza da cena - impressionou meio mundo e valeu-lhe o seu primeiro óscar de melhor actriz. Curiosamente esteve quatro anos sem fazer um filme, e quando o voltou a fazer, ao viver Clarice Starling em The Silence of the Lambs, acabou por fazer história ao conseguir um segundo óscar, merecido mas assaz surpreendente. E assim em cinco anos - um pouco como aconteceu agora com Hilary Swank apesar deste não ter o mesmo passado que Foster - ela tornava-se na maior actriz de Hollywood.
No entanto a sua carreira acabou por não descolar ainda mais. Papeis em filmes como Somersby ou Maverick eram interessantes mas uns furos abaixo do que já tinha provado e os seus projectos Nell e Contact acabaram por não ter o impacto esperado.
Desgostosa, e rodeada de boatos sobre a sua homossexualidade, Foster foi-se afastando lentamente de Hollywood fazendo filmes de uma forma pontual como são os casos de Anna and the King, Panic Room ou Un Long Dimanche de Fiançailles.
Resta saber se Foster voltará a ocupar um trono que já foi seu. A idade não parece ser obstáculo e o talento também não. O que faltará?
Próxima Sedutora de Inverno : Julia Roberts
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:40 PM | Comentários (2)
Mais imagens de um reino dos ceus
Foram divulgadas uma serie de novas imagens de Kingdom of Heaven, o novo épico histórico de Ridley Scott.
Com Orlando Bloom como actor principal e cabeça de cartaz de um elenco recheado de grandes estrelas, o filme procura recuperar o espirito de peplum, adaptado agora ao mundo das cruzadas. Um filme cheio de acção, romance e drama, mais melodramático que Gladiator mas que promete ter mais alma que Alexander ou Troy.
Para ver o novo conjunto de imagens do filme, cliquem aqui.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:04 PM | Comentários (3)
março 18, 2005
Poster final de Batman Begins
Foi hoje divulgado o último poster de Batman Begins, o filme de Christopher Nolan que vai recuperar o espirito inicial do homem-morcego, contando a história de Bruce Wayne desde os primeiros dias.
Com Christian Bale como Batman, acompanhado por um elenco de luxo onde Michael Caine, Liam Neeson, Ken Watanbe, Katie Holmes e Gary Oldman têm um papel de destaque. O filme tem estreia agendada para o Verão nos Estados Unidos e deve chegar a Portugal em Agosto.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:00 PM | Comentários (1)
Sedutoras de Inverno : Jennifer Garner - A agente secreta
Dez anos de carreira que para muitos fãs de podiam resumir a um só papel. Ter estado numa das series mais populares dos últimos anos ajudou a criar a fama á sua volta, mas a sua carreira pode vir a ser muito mais do que apenas um papel...

Jennifer Garner nasceu a 17 de Abril de 1972 em Houston no Texas. No entanto foi junto ao Atlântico, em Charleston, que a pequena Jennifer cresceu. Durante nove anos estudou ballet e sempre mostrou ter aptidões artisticas o que levou a que cedo percebesse que tinha uma forte relação com o palco. Por isso, aos 20 anos, decidiu mudar de curso para representação. Seria o seu primeiro passo rumo a uma carreira de actriz. Estavamos em 1993. Depois de ter feito várias audições, foi na televisão que conseguiu os seus primeiros papeis. Só em 1997 chegaria a sua estreia no cinema. O filme chamava-se In Harm´s Way e seria o primeiro de 14 que viria a fazer. Mas a televisão seria sempre a sua coroa de glória e durante o final dos anos 90 apareceu numa serie de programas que a foram tornando cada vez mais popular.

Em 2000 teve o seu primeiro papel de destaque na divertida comédia Dude Where´s My Car, filme que acabou por ter imenso sucesso na bilheteira. Mas seria o ano seguinte o mais glorioso da sua carreia. Não por ter entrado no grande sucesso de bilheteira do ano, o filme Pearl Harbour, ou por ter sido eleita uma das mulheres mais sexys do cinema. Mas sim por ter ganho o papel de Sydney Bristow na serie Alias. Uma serie onde interpretava uma agente da CIA. Graças a este papel Garner tem sido nomeada há três anos sucessivos para os Emmys, Globos de Ouro e Screen Actors Guild, tendo vencido por uma vez os dois últimos. Na televisão ela tornava-se numa estrela com uma legião de fãs sem fim. Era a menina da moda!

Com o nome feito na televisão restava saber se a fórmula também tinha sucesso no grande ecrãn. Em 2002 a sua performance em Catch Me If You Can deu boas indicações. Mas foi o seu papel na serie televisiva que levou os produtores de Daredevil a escolhe-la para viver Elektra no filme. O sucesso não foi tão grande como se esperava junto do público e a critica arrasou o filme. Mesmo assim os produtores avançaram com um spin-off da personagem em filme. O desastre foi total levando a própria Garner a confessar ter sido o pior filme que já fizera alguma vez. Mas o seu desempenho na comédia romântica 13 Going on 30 recebeu algum aplauso o que deixa no ar a ideia de que ainda vamos ouvir falar bastante desta jovem actriz.
Próxima Sedutora de Inverno - Jodie Foster
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:02 AM
Beyond the Sea - Bobby merecia melhor...
Kevin Spacey prova com este filme três coisas. A primeira é a de que é um actor intemporal, capaz de dar vida a personagens datadas com a maior das naturalidades. A segunda é a de que a sua admiração por Bobby Darin e pela sua música é a alma do seu projecto. Infelizmente a terceira é que não há muito mais do que alma neste biopic...
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Depois de realizar Albino Alligator fico uma especie de vontade de voltar a ver Spacey atrás da camara. Já consagrado como actor, com performances magnificas numa mão cheia de filmes e já com dois óscares no bolso, era interessante voltar a vê-lo atrás da camara. E nesse aspecto ver Beyond the Sea é uma excelente experiência. O filme tem ideias brilhantes e muito bem aplicadas. E o toque suave da camara é feito de forma tão subtil como brilhante. O único problema é que na verdade, se formos realmente honestos, não há aqui nada para contar. Bobby Darin era um excelente interprete, um dos melhores da sua geração. Deu vida a algumas das mais emblemáticas canções de sempre. Mas não é personagem de filme. Falta-lhe muito para isso. Falta-lhe profundidade dramática, alma, momentos de emoção. Apesar de ter uma história aparentemente filmável - só muito tarde na vida descobre que a sua irmã é na verdade a sua mãe, esteve condenado à morte desde os 10 anos, viveu um dos mais badalados casamentos da sua época - ao ver o filme ficamos como uma ideia perfeitamente banal da sua personagem. O que é imensamente triste porque nota-se bastante o empenho e a alma de Spacey e de todos os que deram vida a um projecto já com 15 anos.

O filme é um falso biopic, na medida em que muitas das cenas, factos e personagens surgem de forma adulterada em relação à realidade. Isso é dito no final do filme. Deveria ter sido anunciado no início. O público não gosta de se sentir enganado, e quando vai ver um filme sobre Bobby Darin, acredita que é um filme sobre ele, sobre a sua vida e sobre o que se passou com ele. Ora se há cenas e momentos - que não são revelados por ninguém, o que torna tudo ainda mais confuso - que não são verdade, torna-se complicado distinguir o real do falso. Mas nem é por aí que o filme mais peca. É mesmo pela falta de substracto das personagens e da história. Sandra Dee - recentemente falecida - é uma personagem oca que muda de opinião de um minuto para o outro sem se perceber. E o próprio Darin - interpretado brilhantemente por Spacey - confunde-nos um pouco. Umas vezes balança para um lado outra vez atira-se para o outro. Em que é que ficamos?

Kevin Spacey é que está irrepreensivel. Atrás e em frente da camara. Se a sua realização é muito bem conseguida e com notáveis planos - a ideia de contar a história dentro de uma história é muito bem vista mas muito mal aproveitada (salva-se o plano do funeral talvez - já a sua performance é das melhores do ano. Apesar de ser dificil vê-lo igualzinho entre o Darin dos 20 e dos 37 anos, e não notar uma nota de falsidade no retrato do cantor, o seu desempenho é espantoso. Apesar de a personagem não ter alma, Spacey consegue dar-lhe uma. Algo que só um grande actor seria capaz sem dúvida alguma. E é ele o verdadeiro farol do filme. E quando canta, é como se um farol se acendesse sobre a sala. São poucos os actores que têm coragem de cantar - felizmente muitos desistem da ideia - mas ainda bem que Spacey decidiu cantar Beyond the Sea ou Mack the Knife. São temas brilhantes e interpretados ao nivel do próprio Darin.

Em relação ao outro elenco, a verdade é que o nivel é muito mais baixo. Tirando talvez Bob Hoskins num dos seus melhores desempenhos dos últimos anos, o resto pauta-se por uma mediania confrangedora. Mesmo John Goodman e Brenda Blethyn. E especialmente Kate Bosworth que não convence ninguém como Sandra Dee. Era preciso alguém com mais do que uma carinha bonita para este papel. A maior parte das cenas com Spacey perdem metade do encanto por ser ela a representar o papel. Fosse outra e talvez a chama tivesse sido bem mais intensa.

Com uma bela fotografia de Eduardo Serra e uma banda-sonora irrepreensivel, este biopic acaba por desiludir. Não há no fundo nada a que nos agarremos sem ser a música e a performance de Spacey. No final do filme Bobby Darin continua a não nos dizer nada para além do que já dizia. Ao contrário de Ray, em que passamos a ter uma profunda admiração pelo homem, como já tinhamos pelo músico, aqui isso não se sucede. E talvez o final seja a prova viva de tudo isto. Acabar o filme com um dueto musical entre o jovem Darin e o veterano Darin é o exemplo perfeito de falta de algo para contar. Um filme destes pedia um outro final. Mas se calhar um filme destes pedia um outro filme, completamente diferente.
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O Melhor - O genial Kevin Spacey. Só o rumor de Spacey abandonar o cinema de vez já assusta depois de voltarmos a ver neste filme que ele é um dos grandes nomes da actualidade.
O Pior - O facto de não haver história. O filme vai sendo remendado com situações da vida do cantor, mas na verdade nunca há uma história para contar.
Curiosidade - Bobby Darin foi nomeado ao óscar e perdeu de facto para Melvyn Douglas. A cena após a derrota foi filmada de acordo com os testemunhos de quem viu. Mais tarde Sandra Dee acrescentaria que a reacção, pelo que sabia, até tinha sido muito meiga comparada com a de outros derrotados. Dá que pensar depois de ver a cena. Como terão reagido outros grandes nomes da história do cinema após sairem derrotados da cerimónia?
Site Oficial - www.beyondtheseathemovie.com
Realizador - Kevin Spacey
Elenco - Kevin Spacey, Kate Bosworth, Bob Hoskins, ...
Produtora - Lions Gate
Classificação - m/12
Duração - 118 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:24 AM
março 17, 2005
Sedutoras de Inverno : Jennifer Connely - Uma filha da casa...
Por fazer filmes em Hollywood desde os seus quatorze anos, quase que já é vista como parte da mobilia É uma das mais talentosas actrizes da sua geração e a sua beleza encontra poucos rivais. Com um óscar no bolso, espera-se agora mais, muito mais desta menina-prodigio...

Nasceu a 12 de Dezembro de 1970 no estado de Nova Iorque. Cresceu em Manhanthan e aos 10 anos estreou-se como modelo. Depois passou aos anuncios televisivos e com 14 anos foi apresentada a Sergio Leone que viu nela a menina perfeita para o seu Once Upon a Time in America. Connelly acabaria assim por se estrear num dos mais bem conseguidos filmes dos anos 80. Depois do sucesso inicial passou para series televisivas voltando ao cinema pela mão do polémico realizador Dario Argento no filme Phenomena. Até ao final da década de 80 teria interessantes papeis em pequenas series e algum sucesso em filmes como Etoile e Some Girls. Voltaria a destacar-se em The Rocketeer, já em 1991. Era já vista como uma das mais promissoras actrizes da sua geração.

No inicio dos anos 90 os seus maiores papeis surgiram em Carreer Oportunities, The Hearth of Justice e Mullolhand Falls. Só em 1997 voltaria a destacar-se junto do grande público no sucesso de Alex Proyas, Dark City, o filme que foi visto como a grande inspiração por detrás do universo Matrix. O filme abriu-lhe as portas a outro tipo de papeis e assim em Wakening the Dead, mas principalmente no espantoso Requiem for a Dream, a jovem