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março 25, 2005
As evoluções técnicas
O som e a imagem fundem-se finalmente em 1927. A partir desse momento caminharão inevitavelmente de mãos dadas. Mas esse foi um processo que pecou por ter chegado com quase trinta anos de atraso.
A técnica dos primeiros cineastas permitia já no século XIX construir um filme sonoro mas os imperativos financeiros atrasaram o processo. Curiosamente foi preciso a Warner Bros. estar à beira da falência para se recuperar o espírito do sonoro. Só que na altura muitos foram os que achavam que o som estava a mais, esquecidos de que nos primeiros dias do cinema a ausência do som tinha existido apenas por questões financeiras. Realmente seria curioso ver como teria sido a história do cinema se a aplicação do som tivesse, desde o primeiro instante, estado lado a lado com a criação dos filmes. Seria o cinema diferente do que é hoje? Muito provavelmente. Seria melhor ou pior? Nunca o saberemos. Entretanto, durante essas três décadas de cinema mudo por vontade própria dos grandes produtores de cinema, houve sempre um conjunto de técnicos que não deixaram de deitar mão à obra, com o intuito de dar som à imagem. Custasse o que custasse!
As primeiras experiências
O início da gravação de sons remonta ao último quarto do século XIX, mais precisamente em 1877, altura em que nasceu o fonógrafo. Em 1878 quer Alexander Bell quer Alexander Blake tentam criar dispositivos que fotografem as variações do som. Contudo nenhum deles focou a problemática da reprodução do mesmo som. Com o nascimento, também em finais do século, do cinematográfico dos irmãos Lumieré e do Quinetoscópio de Thomas Edison, renasce a vontade de criar um aparelho que unisse som e imagem. O aparelho de Edison, que inspiraria os irmãos franceses, foi o primeiro que conseguiu de facto projectar som e imagem ao mesmo tempo. Este aparelho fundia dois elementos distintos. Um que tratava a imagem que era o Quinetografo e um outro que trabalhava o som, o Quinetofonógrafo. No entanto o projecto encontrou diversas dificuldades levando a que Edison apostasse num modelo mais simples, o Quinetofone, aparelho que conjugava imagem e música ao mesmo tempo. No entanto a falta de sincronia tornou o invento pouco popular. Mais tarde, em 1913 a sua invenção vai ser aperfeiçoada, e encontrará algum sucesso junto do público. No entanto o facto do sincronismo começar a falhar a partir dos 10-12 segundos de fala contínua fez com que o projecto fosse deixado de lado.
Entretanto em França tiveram lugar importantes experiências entre o final do século XIX e o princípio do Século XX. Em 1902, Leon Gaumont fez uma exibição pública do seu Cronofone, um sistema de exibição que unia o projector a dois fonógrafos através de cabos que tinham o objectivo de garantir o sincronismo total entre som e imagem. O sistema teve sucesso na Europa e foi exportado para os Estados Unidos mas problemas ao nível da duração da sincronização, bem como dos sons não amplificados que não ecoavam pelo auditório, levaram a ideia que fosse abandonada . No entanto já em 1891 o francês Marey registou a patente do Fonoscópio, quatro anos antes da primeira exibição dos Lumieré. E em 1899 Auguste Baron apresentou o seu filme sonoro e encontrou bastante sucesso junto da elite parisiense. No entanto a ideia não vingou por falta de apoios. No primeiro ano do novo século o alemão Ernst Ruhmer anunciava a criação do Fotografofone, um aparelho dispositivos que conseguia gravar e reproduzir som em película. O mesmo conseguirá Eugen Lauste três anos depois provando que o som e a imagem eram perfeitamente conciliáveis. Mais tarde, já em 1907, Lee deForest pegou no trabalho de Laustes e desenvolveu-o através da aplicação de uma válvula electrónica, o tríodo, que tinha como função amplificar os sinais electrónicos. Apesar da sua nova invenção ter sido um sucesso no campo das comunicações, a verdade é que não foi aproveitado pela comunidade cinematográfica.
Por esta altura o cinema mudo imperava. Todas as experiências com som eram experimentais e feitas à margem do grande público. Depois dos primeiros anos do século os espectadores não voltariam a ouvir som em filmes até 1927. Mesmo assim as experiências continuaram, apostando em abordagens diversas a uma questão que já estava resolvida. Aliás o som conseguido pelos Lumieré em 1907 era mais perfeito do que aquele que os modelos Vitaphone e Movietone iriam demonstrar no final dos anos 20. Assim, em 1914 Edward Wente inventa um novo sistema de gravação de som através do uso de um espelho oscilográfico, conseguindo uma sincronia perfeita. Apesar de ter provado estar certo, o seu modelo foi abandonado em 1922. Curiosamente seria recuperado em 1926 e estaria na base do Movietone, o modelo que a Fox apresentou com concorrente ao popular e “pioneiro” Vitaphone.
Nos anos seguintes outros métodos foram testados. J.T. Tykociner demonstrou ser possível criar um sistema que ao empregar um arco de mercúrio modulado para registar e uma photocell para detectar e produzir o som, era de facto possível criar a simbiose entre som e imagem. No entanto poucos modelos seriam tão inovadores como o Tri-Ergon, criado em 1918 por uma tripla de engenheiros alemães – Hans Vogt, Joseph Engel e Joseph Massolle – que pela primeira vez possibilitou a gravação de som no próprio filme. O sistema funcionava com a transformação de ondas mecânicas em ondas eléctricas, que, por sua vez, se transformavam em ondas de luz que eram registadas na película por um processo fotográfico. Este sistema foi adquirido pela Fox em 1926 para adicionar música aos filmes . Por fim, em 1920 Theodere Case, engenheiro da General Electric, conclui o desenvolvimento de um registador fotográfico para telégrafo de sinais de rádio. Este sistema foi acompanhado de perto pela Fox que via neste modelo uma importante base para o futuro. Assim seria. Não só inspiraria o Movietone de 1928 como seria igualmente a base do trabalho desenvolvido pela RCA.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às março 25, 2005 09:33 PM
Comentários
Acho que este artigo esta muito bem elaborado porque a historia do cinema nao e qualquer um que a sabe mas voces fizeram um exelente trabalho e por isso merecem todo o meu apoio.
Diogo
Publicado por: diogo às maio 23, 2005 12:20 PM