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março 27, 2005
O momento chave do sonoro
A 6 de Outubro de 1927 o mundo acordou de pernas para o ar. Em Nova Iorque tinha acabado de estrear The Jazz Singer. O filme, em termos cinematográficos não era uma obra-prima. Mas não tinha sido por isso que a sala tinha enchido.
A publicidade da Warner Bros alertava para o nascimento do primeiro filme falado. Não era verdade mas ninguém sabia isso. Todos foram ver o actor russo Al Jonson, pintado de negro, cantar e encantar. A sua voz ouvia-se bem como a da banda que o acompanhava. E apesar de algumas passagens ainda mudas, o público sabia que a partir daí tudo seria diferente. O cinema mudo tinha os dias contados.
The Jazz Singer e a chegada do sonoro
A grande curiosidade à volta do nascimento do sonoro é o facto da sua origem ter apenas acontecido porque Jack Warner estava com problemas financeiros . Então, pensou ele, a única forma de levar as pessoas a verem os seus filmes era se ele apostasse em algo completamente novo. A escolha recaiu sobre o cinema sonoro, uma ideia que a Warner tinha vindo a acompanhar há já algum tempo mas à qual nunca tinha dado grande atenção. Curioso porque foi uma questão financeira que impediu o sonoro de entrar no início do século nos filmes e foi uma questão financeira que veio acabar com esse atraso de 30 anos. Do filme The Jazz Singer pouco reza a história. Só a imagem do russo Al Jonson pintado de negro a dançar e a cantar ficou na memória. O filme foi o maior sucesso do ano e foi galardoado com um Óscar especial, o primeiro. E só não foi eleito o melhor filme pelo facto dos grandes produtores rivais da Warner acharem que seria concorrência desleal.
Curiosamente os primeiros três anos de transição foram complexos. O sonoro era a tendência mas ainda teve de coexistir com o cinema mudo. Algumas razões lógicas levaram a essa situação. A primeira foi a de que a maior parte das pessoas via no sonoro uma moda passageira. O próprio Jack Warner disse-o numa entrevista em 1927. Por isso os estúdios estavam renitentes e queriam a confirmação do público ao impacto do filme falado. Tiveram-na rapidamente! Pôs-se então um segundo problema. Nem todos os estúdios tinham equipamentos adequados para criar filmes com som. A maior parte das companhias assinou um protocolo para adquirir o popular modelo Vitaphone. Só a RKO e a Fox usavam o modelo que tinham vindo a desenvolver nos anos anteriores. Até 1933 esses seriam os modelos que singrariam e só as posteriores inovações técnicas ditaram que todos os estúdios utilizassem os mesmos aparelhos. Ao mesmo tempo poucas eram as pessoas que estavam preparadas para lidar com este enigma que era o som. Assim, o técnico de som tornou-se numa das figuras mais importantes do plateau, superiorizando-se por vezes a realizadores que não mostravam ter conhecimentos técnicos suficientes para entender a importância da gravação sonora. As próprias filmagens passaram a ser diferentes. Era preciso esconder microfones pelo set e o silêncio – algo nunca imaginado no tempo do cinema mudo – passou a ser a palavra de ordem .
Durante três anos os estúdios dedicaram-se a fazer filmes sonoros. A Paramount foi a primeira companhia a conseguir um filme 100% falado, em 1928. No ano seguinte todos os seus filmes eram 100% falados. A MGM e a Fox acabaram 1928 com vários filmes semi-falados, mas apostaram na re-filmagem de filmes mudos que ganharam som. Poucos são hoje os exemplares sobreviventes dessas aventuras.
A Warner, pioneira, e a RKO foram os primeiros a deixar o cinema mudo mas ainda demoraram algum tempo em abandonar o fantasma do cinema semi-falado. Só em 1930 é que 99% das produções cinematográficas era totalmente falado. Mas enganem-se aqueles que pensam que a qualidade era a melhor. Esses anos ficariam exactamente marcados por terem sido bastante negativos para os amantes de cinema. A perfeição do cinema mudo foi posta de lado. Agora qualquer filme que tivesse som era um sucesso. As produções começaram a ser niveladas por baixo e foram usados todos os truques e efeitos possíveis para agradar a um público cada vez mais sedento de novos e novos sons. Foi preciso entrar-mos nos anos 30 para os avanços técnicos trazerem finalmente uma qualidade sonora considerável e, ao mesmo tempo, os estúdios perceberem que estava na altura de voltarem a apostar em cinema de qualidade.
A implementação do sonoro não causou apenas três anos de muitos e barulhentos filmes. Levou ao desemprego milhares de pessoas. A sua maioria eram os músicos de orquestras ou os pianistas que coloriam as exibições dos filmes mudos. Em várias cidades havia mendigos com um cartaz pendurado que apenas dizia “Ruined by the talkies!”. Ao mesmo tempo houve grandes actores que foram deixados de lado pelo simples facto da sua voz não ter condições para singrar no novo mundo. Alguns deles eram mesmo ícones do cinema da época como Lilian Gish, Gloria Swanson ou Douglas Fairbanks. Emil Jannings, considerado à época como o maior actor do mundo, voltou para a Alemanha com o advento do sonoro temendo que o seu sotaque destruísse a sua carreira. De facto o fim do mudo significou o final de uma linguagem universal. O cinema tornava-se mais nacional, mais regional. As grandes co-produções tinham os dias contados e os actores tinham mais dificuldades em afirmarem-se em países estrangeiros. A própria Hollywood nunca esqueceu este seu período. Billy Wilder homenagearia os astros do mudo em Sunset Boulevard de 1950, com Gloria Swanson e Joseph von Stenberg, dois dos maiores nomes do período mudo, como estrelas e em 1952 Gene Kelly e Stanley Donen fazem uma homenagem a estes tempos de transição no notável musical Singin in the Rain. Tal como o filme tão sugestivamente demonstrava tinham chegado novos dias para o cinema.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às março 27, 2005 09:38 PM
Comentários
Quero comprar esse filme com legenda em protuguês, pois estou há muitos anos atrás dele e não conseguia saber o nome, e agora que sei não consigo comprar. Por favor, me ajudem a adiquirir esse filme aqui no Brasil, ou ainda, onde alugar a fita em São Paulo Capital, zona Oeste. No aguardo, com muita esperança, Simone
Publicado por: Simone Ajala às março 31, 2005 08:08 PM