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abril 11, 2005

Spanglish - Como o humor conta uma história séria

James L. Brooks é um daqueles realizadores que sabe gerir bem o seu tempo. Nos últimos vinte anos fez cinco filmes. Cada qual verdadeiramente fascinante. Este último não foge à regra. Num mundo confuso com a sua própria identidade, há ainda quem faça tudo para preservar os seus valores...
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Spanglish é um filme que engana à primeira vista. Para muitos que decidem o que ver pelos trailers que vão antecipando a estreia do filme, este Spanglish não era mais que uma simples comédia de costumes com alguns gags interessantes. Sem qualquer substância que servisse de base a todos os momentos cómicos. Felizmente há filmes - ainda - que não se resumem aos trailers. Este é um desses - felizes - casos.
Spanglish é mais um filme de valores e de questões, do que propriamente uma comédia. O humor é apenas o veiculo escolhido por Brooks para contar uma história. Uma história que marca muito do que está a acontecer neste momento nos Estados Unidos, um país cada vez mais hispanizado, mas onde os hispanicos mais depressa assimilam a cultura local do que mantêm - salvo em guetos localizados - a sua cultura de origem. Este filme fala sobre raizes. Sobre cultura. Sobre valores. Sobre ideias. E sobre a deturpação de tudo isso.
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Brooks divide o filme em três actos e espalha as suas personagens de acordo com a forma como quer contar a sua história. Temos o lado definitivamente pró-cultura americano, uma cultura de imediatismo, de dinheiro e valores superficieis, sem limites e regras. É o lado de Tea Leoni, uma actriz extremamente expressiva e de um talento notável. E é também o lado de Shelbie Bruce, a pequena Cristina. Do outro lado da barricada temos Paz Vega, a bela e talentosa actriz espanhola que dá vida a Flor, uma jovem mexicana que é forçada a atravessar a fronteira para poder criar a sua filha depois de ter sido abandonada pelo marido. Mas mesmo vivendo nos EUA, ela não se deixa impressionar pela cultura local, mantendo-se fiel á sua cultura de origem. Pelo meio, numa especie de limbo de indecisões anda a mais interessante - e mais bem interpretada - personagem do filme. O dono da casa, cozinheiro reputada, interpretado por Adam Sandler de uma forma excelente, é o elo de ligação entre os dois lados. É o que vive numa margem mas sonha com a outra. É o que faz a ponte entre o que é e o que devia ser. E no final, é também o que mais perde com tudo o que se passa. Por nunca ter decidido de que lado ficar, passeando por entre as duas margens numa suprema indecisão.
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Sem desvendar muito do filme - não é apanágio do Hollywood tirar esse prazer aos cinéfilos que por aqui passam - fica a ideia de que, apesar de alguns dos leit motiv não estarem tão bem enquadrados no filme como poderiam estar - há também uma ou outra personagem que pedia bem mais empenho na concepção do argumento - o resultado final é bastante agradável. Spanglish é um filme enternecedor porque é um filme sobre o futuro. E também sobre o passado. Ou melhor, sobre um futuro com os olhos sempre presentes no passado. A narração, todos os motivos porque a história se vai desenrolando, apontam forçasamente para uma ideia de futuro. Um futuro onde as diferentes culturas se mantenham lado a lado, sem que uma engula a outra. Um futuro onde os valores de cada cultura sejam respeitados dentro e fora dela. Um futuro onde as pessoas sintam que não há nada global. Não há nada generalizado. Há muitas especificidades que têm de ser respeitadas. E é a fusão de tudo isso, o tal spanglish de que o titulo fala, que permanece, do principio ao fim, na ideia base do filme. É essa a ideia base, curiosamente, da personagem de Sandler. Mas ele estava demasiado avançado para o seu tempo. E como esta é uma história para se projector no futuro, ainda vamos ter de esperar alguns anos para ver-mos esta realidade tornar-se real.

Classificação - Spanglish.gifSpanglish.gifSpanglish.gif

O Melhor - A ideia por detrás do filme é realmente muito bem conseguida. A história é bem desenvolvida, mas a ideia base é fundamental para fazer deste, um dos filmes mais interessantes do momento.

O Pior - Muitas vezes as ideias por detrás dos motivos apresentados por Flor, a personagem da belissima Paz Vega, não pegam tão bem como deveria acontecer.

Curiosidade - Apesar de ter apenas uma fala é impossivel não reconhecer Thomas Haden Church como o agente imobiliário que cativa Tea Leoni. Um reflexo ainda de uma carreira que não tinha arrancado graças ao boom da sua performance como Jack em Sideways.

Site Oficial - www.sonypictures.com/movies/spanglish

Realizador - James L. Brooks
Elenco - Adam Sandler, Paz Vega, Tea Leoni, ...
Produtora - Columbia Pictures
Duração - 130 m
Classificação - m/12

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às abril 11, 2005 12:51 AM

Comentários

O filme é tudo que foi dito sem tirar nem pôr!
Obrigada pela dica!
Maninha

Publicado por: Maninha às abril 21, 2005 09:12 AM