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abril 10, 2005
The Asssasination of Richard Nixon - O lado negro da vida
Antes de se ver este filme é essencial ver um dos maiores trabalhos cinematográficos da história, Mr Smith Goes To Washington. Apesar das diferenças, estes filmes são as duas faces da mesma moeda, o american way of life. Calhou a Niels Muller apresentar a face mais negra...
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Em Mr Smith, o realizador Frank Capra construia a história à volta de uma personagem extremamente lirica - o nome Jefferson Smith é exemplificativo - que acreditava piamente no american way of life, nos valores bases da Constituição Americana. Mas quando entrava no Senado norte-americano o jovem percebi que estes valores não tinham saído do papel. Todos eram corruptos, todos trabalhavam para eles mesmos ou para alguém que não o povo. E perante esse cenário, ele decide tomar uma acção que vise mostrar ao mundo que ainda havia americanos puros. Claro que estamos em 1939 e apesar do susto que isto causou na sociedade americana há um happy-ending. Talvez porque isto seja ficção. Talvez por estarmos nas vésperas da 2º Guerra Mundial. Mas aí, apesar de tudo, o american way of life foi questionado, mas prevaleceu. Neste The Assassination of Richard Nixon, por ser uma história veridica - e a realidade é sempre mais crua do que qualquer ficção, exactamente por ser real - a questão volta-se a colocar. E quando o filme acaba não há a menor dúvida no ar. O american way of life está podre. Há muito tempo.

Neste interessantissimo filme do estreante Niels Muller ficamos com uma imagem impecável da América da década de 70 onde todos se preocupam apenas consigo próprios. Os valores, a moral, tudo foi esquecido. O que importa é ganhar dinheiro, ter um emprego. Mesmo que isso implique que seres humanos se rebaixem diante de oportunistas endinheirados. E no meio de tudo este meio de degradação, onde mesmo as pessoas com bom coração - Don Cheadle e Naomi Watts num papel que nunca é bem explicado - se deixam levar, surge um homem, um Jefferson Smith mais sombrio, mais real. Surge Sam Bicke, interpretado de forma absolutamente espantosa por Sean Penn, que continua a confirmar o porquê de ser um dos grandes actores da actualidade.
Penn consegue - num espantoso over-acting, estilo onde ele é um dos maiores dos últimos vinte anos - dar vida a esta personagem tão amargurada, tão desiludida com o mundo à sua volta, mas, ao mesmo tempo, tão esperançada em que algo mude. Daí a sua relação espiritual com o movimento dos Black Phanters e o notável conceito de zebra. Daí a sua insistência em negar o negócio de família ou o estilo do patrão. Daí o seu crescente ódio contra o mundo que o rodeia. Um ódio que o acabará por destruir.

Com um estilo muito solto, uma narrativa sólida e bem desenhada e um conjunto de boas interpretações, com Penn a dar show, o que mais impressiona no filme é a facilidade que se cria em colar a podridão do sistema com a figura de Richard Nixon. Um dos presidentes mais polémicos do século, Nixon já foi reabilitado historicamente por Oliver Stone, mas aqui aparece exposto em toda a sua crueza, em toda a sua podridão. E sem dizer uma palavra. É todo um mundo que, admirado pela sua forma de estar ter tanto sucesso, o acaba por ver como um modelo, um modelo negro, mas extremamente eficaz.
E é essa visão pessimista que pauta todos os movimentos do filme. Um filme que não sai da mediania apesar de tudo, mas mesmo assim é um hábil instrumento para medir a podridão de um país que controla todo o mundo. O que era válido nos anos 70, é válido hoje. O que Jefferson Smith sonhava nos anos 30 ainda hoje é desejado por todos. Sejam eles americanos ou não. Porque todos temos algo de Sam Bicke.
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O Melhor - A notável performance de Sean Penn. O seu Sam Bicke é sombrio mas cativante. No final fica a sensação de todos partilharmos a sua dor, e portanto, de todos partilharmos a sua iniciativa.
O Pior - A personagem de Naomi Watts nunca se encaixa bem na história, ao contrário do que acontece com a de Don Cheadle. Fica a ideia de que podia ter sido muito mais desenvolvido este aspecto do guião.
Curiosidade - O bigode é uma marca de Sean Penn. Já foram vários os papeis que o levaram a usá-lo. Um dos mais famosos foi com Dead Men Walking, filme que lhe valeu a sua primeira nomeação ao óscar. Curiosamente, há uma verdadeira antitese nas personagens de então e de agora.
Site Oficial - www.assassinationrichardnixon.com
Realizador - Niels Muller
Elenco - Sean Penn, Don Cheadle, Naomi Watts, ...
Produtora - ThinkFilm
Duração - 98 minutos
Classificação - m/16
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às abril 10, 2005 12:55 AM
Comentários
Concordo com a tua crítica ao filme. Os actores secundários estão sem profundidade e sem complexidade. O filme vale por Sean Penn e pouco mais...
http://filhodo25deabril.blogspot.com/2005/03/373-sala-de-cinema-assassination-of.html
Publicado por: Ricardo às abril 12, 2005 05:08 PM