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abril 22, 2005

The Interpreter - Faltou um último disparo

Sidney Pollack quis regressar ao activo com um thriller, daqueles bem ao genero dos filmes que o ajudaram a tornar-se como um dos realizadores mais interessantes dos últimos trinta anos. Infelizmente a Pollack faltou o sentido de tempo. The Interpreter seria um grande filme nos anos 70. Hoje é um filme sem ousadia...
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The Interpreter é acima de tudo um filme certinho. Não desilude mas também está longe de encantar. E esse é o seu calcanhar de aquiles. Há quem diga que os thrillers existem antes e depois de Se7en. Com esse filme, e com toda a ousadia de Fincher, encontramos o recuperar do thriller noir. A partir daí todos os filmes que não conseguissem surpreender como esse brilhante filme consegue, acabam sempre por saber um pouco a desilusão. Por isso é que talvez este The Interpreter tenha sido feito na época errada. Nos dias de The 3 Days of the Condor ou Chinatown, este filme teria feito estragos. Pela profundidade do argumento, pelo tipo de assuntos que tratava. Mas hoje já não consegue faze-lo com a mesma frescura. E mesmo a ideia de um filme-critica à ONU - porque é isso que ali encontramos apesar de tudo - é abordada de forma tão diplomática e tão invisivel que quase nem se nota. Tambem aí faltou alguma coragem.
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O ponto mais alto do filme acaba mesmo por ser a relação entre as personagens principais. E mesmo essa relação tem bastantes falhas no seu desenvolvimento dramático. Sean Penn e Nicole Kidman é que estão perfeitamente imaculados, o primeiro como um dectective descrente e desanimado, vivido num soberbo underacting à la Penn. A segunda como uma tradutora da ONU que é apanhada numa situação que não consegue controlar e que acaba por transforma-la, rebuscando os seus fantasmas mais antigos. O filme gira em torno de Kidman mas acaba por ser Penn quem tem os melhores momentos de interpretação. E isto tudo numa serie de cenas em que o elenco mais secundário - onde está o próprio Pollack - não deixa de mostrar toda a sua competência.
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Tecnicamente o filme tem poucas falhas. Talvez exagere nos planos de Nova Iorque, imitando um pouco o que Spike Lee tinha feito em The 25th Hour. Mas mesmo assim não compromete. É o final, e a falta de garra que o filme tem, que faz com que este acabe por se revelar um filme mediano. Mediano não no sentido perjorativo da palavra - que também existe. Mediano no sentido de se esperar mais de um filme de Pollack. Mediano no ambito da sua obra cinematográfica. Mediano no sentido de não ficar para a história como outros grandes thrillers dos últimos 30 anos. Mas mesmo assim, no panorama cinematográfico de inicio de ano é um filme interessante, e a ver.

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O Melhor - O duo de actores combinam bastante bem. Já se esperava que Penn e Kidman dessem um show de interpretação. Não chega a ser um show mas o nivel é altissimo, especialmente por parte de Penn, um dos grandes dos nossos dias.

O Pior - O final do filme. Esperava-se arrojo, esperava-se uma critica maior á ONU. Esperava-se muito mais.

Curiosidade - Fala-se em portugues no filme de Pollack. Isto porque uma das personagens, um continuo da ONU, é portugues e não sabe falar de outra forma. Proporciona á plateia nacional momentos de humor mas não prestigia muito a cultura portuguesa.

Site Oficial - www.theinterpretermovie.com

Realizador - Sidney Pollack
Elenco - Sean Penn, Nicole Kidman, Catherine Keener, ...
Produtora - UniversalDuração - 128 m
Classificação
- m/12

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às abril 22, 2005 04:20 PM