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maio 14, 2005
A Love Song For Bobby Long - Um conto de inadaptados
Este é acima de tudo um filme belo. Belo pela paisagem natural de Nova Orleães e arredores. Belo pelos rostos que a camara filma tão delicadamente. E belo pela história que vamos descobrindo à medida que o filme se vai desenrolando diante dos nossos olhos...
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Há algo neste filme que é verdadeiramente belo. Mesmo que este não seja um grande filme - porque não o é, há algo que falta para o filme chegar a esse patamar - sai-se da sala com a convição de que se viu algo quase poético. Talvez a inspiração literária do argumento, talvez a paisagem natural do filme, talvez o rosto de Scarlett Johansson, tenham algo a ver com isso.
Shainne Gabbel sai-se bem no manuseamento da camara que parece, desde o primeiro instante, amar todos os que por diante dela passam. O generico inicial - que depois funciona em forma de looping como generico final, agora com os olhos postos no futuro - mostra-nos um John Travolta (que papelão!) a desfilar por Nova Orleães. É aí que os dois pontos altos do filme pela primeira vez se juntam. Acho que a capital do Missouri nunca foi mostrada de forma tão poética. E nunca John Travolta soube encarnar com tanta garra e determinação um papel dramático como neste filme. Se ele não tivesse sido o perfeito Bobby Long, este filme não teria sido nada.

Travolta é sublime na transformação que imprime ao seu personagem. O amargurado Bobby Long, outrora um homem verdadeiramente bigger than life, como nos diz Gabriel Match a certa altura, desistiu de viver e espera agora pacientemente a morte, entre conversas sobre um livro que parece não querer avançar - e que seria a sua consagração póstuma - e um (ou vários) copos de whisky na mão. Mas se no inicio é facil detestar Bobby Long, como o titulo o indica, no final queremos também escrever-lhe uma canção de amor. Começamos a percebe-lo. Começas a saber que há um motivo por detrás da história. Começamos a ver que o arrogante e dramático Bobby Long não é ninguém sem o que o rodeia. E automaticamente, começamos também a amá-lo. Não lamentamos a sua perda, ela tinha que acontecer, isso já nós sabiamos. Lamentamos que ela tenha chegado tão cedo, porque Purslane ainda tinha muito que aprender e nós também.

Também é fácil de amar Scarlett Johansson (aliás, neste filme é fácil amar toda a gente, porque a amargura interior de todas as personagens faz com que elas se tornem frageis e emotivas, e por isso, dignas do nosso amor). Aliás é sempre fácil amar esta bela e talentosa actriz. Mas aqui mais porque é ela quem vai operar o verdadeiro milagre da transformação de Bobby Long. É o furacão que chega e deita a casa de pernas para o ar, que lhe dá um ar digno, e que dá uma razão de viver a quem nela vivia. A Lawson - tambem interpretado em grande nivel pelo pouco conhecido Gabriel Match - e essencialmente a Bobby, que vê nela acima de tudo a redenção, e que faz dela - ainda sem saber o que o futuro lhe esperava - a sua herdeira. Mas é a face - e o corpo não o podemos ignorar - de Scarlett que mais irradia quando está em cena. É ela a descer pelos campos de Nova Orleães que nos deixam boquiabertos. É a sua simplicidade, a sua preserverança e independência que nos fazem sentir a sua chama interior. E é essa chama que a certa altura vai pegar no filme e ajuda-lo a subir, degrau por degrau, tal como se estivessemos a amparar o próprio Bobby.

Filmado com uma notável composição sonora e uma fotografia e direcção artisticas notáveis, este filme é tecnicamente um prazer de se ver. O argumento tem algumas falhas, falta-lhe profundidade em alguns pontos, é certo. O constante explorar do fantasma da mãe de Pursy é natural, mas a certa altura torna-se verdadeiramente obsessivo. A forma como - apesar de todas as suas falhas como mãe e pessoa - ela é descrita como um ser quase perfeito, falha em encaixar na profundidade dramática da história. Mas mesmo assim o filme tem poucos pontos baixos. O rimto é pausado, tranquilo e acima de tudo, bem feito. É um filme pequeno na forma, mas grande no seu conteudo. Um dos bons exemplos de um cinema mais indie e menos comercial, um caminho cada vez mais amado pelos cinéfilos contemporâneos.
Classificação - ![]()
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O Melhor - O desempenho do leque de actores, onde John Travolta faz o seu melhor papel de sempre (sim, melhor que em Pulp Fiction) e Scarlett Johansson continua a provar porque é uma referência aos 20 anos. E o próprio Gabriel Match prova todo o seu valor e é um nome a seguir.
O Pior - O filme tem uma clara falta de ambição que tanto funciona como virtude - e funciona por toda a sua simplicidade - como em alguns momentos funciona como contrapartida. Na cena em que Scarlett é apanhada desprevenida por Match, um filme mais ambicioso teria sido mais ousado na cena (ninguém está naquela pose no próprio quarto ao vestir-se). Neste filme há cenas como esta em que se podia ter ido mais além.
Curiosidade - As sucessivas referências literárias ajudam a pautar o ritmo do filme. O próprio Bobby Long surge aqui como um resumo de uma serie de autores ditos sulistas, que pelas suas caracteristicas de alcoolicos, de homens com passado para esquecer, ajudam no fundo a representar o espirito de um mundo muito próprio dentro dos EUA.
Site Oficial- www.lionsgatefilms.com/profile/lovesong.php
Realizador - Shaine Gabbel
Elenco - John Travolta, Scarlett Johansson, Gabriel Match, ...
Produtora - Lions Gate
Duração - 120 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às maio 14, 2005 12:25 AM