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maio 22, 2005
CORTA - José António Fundo em entrevista
É um dos organizadores do CORTA e aceitou falar com o Hollywood sobre a 2º Edição deste interessante festival de curtas-metragens que terminou ontem no Porto.
José António Fundo em discurso directo...

Entre o rebuliço das últimas horas de um Festival que tem encantado quem o visitou, José António Fundo teve a amabilidade de dispensar uns minutos ao Hollywood para conversar um pouco sobre como correu esta segunda edição do Festival de Curtas-Metragens do Porto, e qual os projectos futuros do certame.
Hollywood - Qual o balanço desta segunda edição do Corta?
José António Fundo - Eu faço um balanço bastante positivo. Este ano tivemos muito mais público, uma cobertura mediática muito superior, e acho que em termos de qualidade de sessões competitivas e dos eventos paralelos houve uma grande evolução. Por isso o balanço só pode ser positivo. Mas também acho que o CORTA pode ainda crescer e melhorar!
Este é um festival que respira juventude. A organização é muito jovem, os próprios autores divulgados neste certame estão também a dar os primeiros passos. Este é um espirito para manter?
Sim claro. Faz parte do nosso projecto e é um dos aspectos fundamentais do conceito do CORTA. Manter a ligação com os jovens quer no trabalho com os jovens de cursos de audiovisual, tanto em Portugal como no estrangeiro, quer no apoio aos jovens autores, mesmo que surjam fora do âmbito das escolas. Por isso este é um espirito claramente para continuar, até porque é também uma das razões fundamentais do apoio do ICAM ao nosso projecto.
Com a generalização da produção artistica em video, faltava claramente um espaço que divulgasse este trabalho. Sente que o CORTA cumpre essa função?
Foi essa uma das razões pelas quais construimos o CORTA. Não sei se cumprimos totalmente essa função, ainda. Mas espera que no futuro possamos faze-lo, e sobretudo incentivar que outros festivais surjam e o façam também, porque isto é importante que aconteça noutros locais no país, especialmente no interior. Por isso espero que no futuro hajam muitos festivais como o CORTA. Que incentivem a divulgação das novas linguagem do audiovisual. E também que incentivem à criação de escolas e cursos, mesmo ao nivel do ensino secundário, para que de futuro possamos ter um cinema melhor, uma televisão melhor, uma comunicação audiovisual mais justa e mais honesta.
Sente que entre os jovens criadores que o Festival vai divulgando há já nomes que no futuro se possam vir a tornar como referências nesta área?
Sinto. Já percebi que há de facto pessoas, autores, que têm muita qualidade. Só precisam de algum apoio. Infelizmente também sei que estes autores que têm mais potencial, têm um apelo enorme do ensino estrangeiro e brevemente trocarão Portugal por paises como os Estados Unidos, Alemanha, França ou Reino Unido. E eventualmente poderemos perder essas pessoas. Por isso é importante que o CORTA fomentasse a divulgação dos cursos na área do audiovisual para que estes valores não fujam para o estrangeiro. Mas temos bastante gente interessante, algumas das quais já com filmes no CORTA e noutros eventos cinematográficos.
A divulgação de trabalhos feitos no estrangeiro tem conquistado o público português?
Acho que sim. É fundamental abrir fronteiras. É uma globalização pela positiva. No futuro deseja poder mostrar mais coisas de paises do 3º Mundo, de zonas esquecidas mas onde há certamente gente a produzir e a produzir coisas com qualidade. E acho até que há uma enorme curiosidade pelas trocas, e isso é o lado positivo da globalização. Em Portugal há uma procura imensa por linguagens diferentes e por cinematografias diferentes da nossa. O que é preciso é que essa procura não se sobrevalorize e não se sobreponha ao que se faz por cá.
Por falar em Portugal. A oferta de filmes portugueses no CORTA era vasta e variada, mas ficou um pouco aquem dos trabalhos produzidos no estrangeiro. Acredita que este é meramente um erro de casting na selecção deste ano do concurso ou Portugal está atrasado em relação a outros paises na produção de video-arte?
Não há propriamente um atraso. Há uma distorção criada por um simples factor. Recebemos filmes de imensos paises e nenhum pais está tão representado como Portugal na competição. Há 25% de projectos portugueses na competição. Não há nenhum outro país que se aproxime sequer desses números. Este ano parece-me de facto que a qualidade da produção nacional foi inferior à do ano passado. Mas é uma questão meramente casual. A tendência é para melhorar, sempre. E o próprio festival precisa de crescer para atrair mais gente que produza neste país. Mais autores portugueses. Parece-me a mim que os autores estrangeiros são mais generosos e procuram mais oportunidades. Os autores portugueses são mais preguiçosos quando chega à fase de divulgação do seu material. Há certamente muito material com qualidade para exibir mas ele não aparece nos festivais certos. O CORTA é um espaço privilegiado para o video português, mas também é preciso que o CORTA procure estes autores. No futuro a tendência não é para aumentar o número de projectos nacionais mas procurar exibir produtos com mais qualidade. Porque ela existe!
Qual foi o filme que mais lhe encheu as medidas neste Festival?
Isso é uma pergunta muito complicada...Primeiro porque os filmes não estão tão presentes na minha memória como estão dos espectadores, porque a maior parte dos últimos vi-os na fase de pré-selecção. Devo realçar, por um lado, a enorme qualidade dos filmes polacos, que infelizmente não tiveram tanto público como mereceriam. Mas os filmes da Escola Nacional de Filmes de Lodz foram muito bons. E os filmes vencedores são de facto filmes de grande qualidade.
O Raging Bull é um deles, o Toz é um filme turco com bastante interesse. Acho que houve um filme português muito interessante, também premiado este ano, o Eu Descobri Portugal do Armando Coelho. Por outro lado há um filme que não foi premiado e que toda a gente manifestou um enorme carinho pelo filme que foi o The Sound of Silence. Pessoalmente gosto muito do Graveyad and the macaques. Gosto muito do cinema oriental.
Há igualmente duas propostas que posso realçar. Uma delas é o filme ChatNoir. É um filme com alguma originalidade, um filme de facto que retrata um aspecto muito particular da nossa forma de nos relaccionar-mos hoje. E também o filme Ewangelion Pierwsza, um filme polaco que tem uma imagem lindissima e que me deu um gosto imenso quando o vi pela primeira vez.
Qual é o futuro deste Festival?
Sinceramente não sei qual é o futuro deste Festival. O que eu desejo que seja o futuro deste Festival é que não seja maior em termos de tempo, não maior em termos de filmes exibidos, mas maior em termos de qualidade, em termos de influência no que diz vontade a produzir com qualidade em Portugal. Maior em termos de penetração nas escolas de formação superior do audiovisual.
Acho que o CORTA a breve prazo - dois, três anos - tem de ser um dos festivais de referência do video em Portugal. É este o nosso objectivo e temos que apostar muito nisso. E acho que o CORTA vai mesmo ser um festival que assumirá um lugar de relevo tão grande como a cidade do Porto assume no país. Somos a segunda maior cidade do país, temos que ter com certeza um Festival Internacional de Curtas-Metragens do Porto que seja um dos melhores do país e não há que fugir a essa responsabilidade. É esse o futuro do CORTA. Ser um dos maiores festivais de curtas-metragens do país.
O Hollywood aproveita para agradecer a José António Fundo e a toda a organização do CORTA pela grande competência e amabalidade com que fomos tratados durante a cobertura deste festival. Será certamente um espaço que tem o apoio total e inequivoco deste espaço de cinema, que apesar de americano no titulo, quer também ajudar a divulgar o que de melhor se faz por cá. E o CORTA é do melhor que Portugal tem em termos de festivais de cinema.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às maio 22, 2005 05:54 AM
Comentários
Sou escritor e tenho uma sinopse para mandar para José Antonio Fundo só nao sei com, poderia me dar essa informação.
Busco um Cineasta empreendedor para fazer este filme, buscotambém uma oportunidade de mostrar o meu trabalho.
Agradeço
Atenciosamente
Diogo Azevedo Dias
diogoadias@hotmail.com / (71)9605-1780/3379-226 /3379-938
Publicado por: Diogo Azevedo Dias às junho 16, 2005 11:04 PM