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maio 31, 2005
The Upside of Anger - Dona de casa desesperada
Anda para aí uma notável serie cujo titulo é Desperate Housewives. Mas por muito divertida que seja, não é nesta serie que vemos as verdadeiras agruras e dificuldades de uma dona de casa. Para isso é preciso ir ao cinema - esse templo mágico - e deliciar-mo-nos com The Upside of Anger. E com Joan Allen claro...
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Mike Binder constroi aqui um belissimo trabalho cinematográfico, extremamente competente em termos visuais e sonoros, mas, acima de todas as coisas, poderosissimo em termos de interpretação.
Aliás, o próprio Binder faz parte desse notável elenco que não deixa o filme adormecer em momento algum.
A história é interessante, mas só se for colocada no tom certo. A história de uma mulher, abandonada pelo marido e com quatro filhas para criar, que se vê confrontada com um mundo de infelicidade, tornando-se azeda, alcoolica e odiada pelas filhas, tanto pode dar a origem a um grande filme, como a uma simples historieta banal. Felizmente que The Upside of Anger vai pelo primeiro caminho. E não é só porque o argumento está muito bem delineado. Não só a estrutura é sólida e consistente, como o desenvolvimento das personagens está bem conseguido. O filme não cai no erro de ser um filme para Joan Allen. É o filme de Joan Allen. Mas também é para todos os outros elementos da história que, de uma forma ou de outra, têm o seu espaço. Mais do que todos, Kevin Costner. Um pouco menos, as quatro filhas da personagem principal. Mas no final, o retrato familiar, muito matriarcal neste caso, é perfeito.

Mas falemos de interpretações, que é o ponto alto do filme, a sua mais valia, e o que o aproxima a outros grandes sucessos do cinema independente dos últimos anos.
Já conhecida de todos por desempenhos memoráveis como em The Contender - justissima nomeação ao óscar - Joan Allen continua a mostrar que é uma actriz poderosissima, capaz de verdadeiros momentos de explosão que só as eleitas conseguem alcançar. O filme é praticamente todo dela, desde o primeiro ao último plano. A sua evolução como personagem é sublime, a sua mudança de tom, de forma subtil e descontrolada, de situação em situação, é arrepiante. Lembrando um pouco Annette Benning, o seu desempenho é uma luz dentro do filme. Será dificil aguentar esta performance até ao óscar, mas aqui está uma primeirissima candidata a actriz do ano.
Para os cinéfilos, dá um especial prazer em reencontrar Kevin Costner. Um dos grandes talentos da sua geração, andou perdido na última decada entre sonhos megalomanos e projectos falhados. Mas o seu talento é inquestionavel, e está bem presente ao longo do filme.
Algumas das melhores cenas são aquelas em que a sua quimica com Allen é perfeita. O momento em que explode em cena, é tambem o momento em que nos lembramos que neste filme há uma presença masculina, até então ridicularizada na personagem de Binder, insultada na personagem ausente do marido de Allen, e apagada na figura de Costner. Há ali uma verdadeira mudança na velocidade do filme. E isso torna-o ainda mais arrebatador.

Para além deste duo impecável, o filme conta ainda com um interessantissimo leque de secundários. Em primeiro lugar, Mike Binder destaca-se, não só atrás da camara, como em frente dela. A sua personagem é hilariante, mas ele ajuda a consolidá-la. A sua cena à mesa, em casa de Allen, é brilhante, não só pelo mimo visual que o Binder realizador nos oferece, como pela divertida performance do Binder actor.
Mas atenção. Este é um filme de mulheres. E por isso o leque secundário é dominado por jovens, belas e talentosas actrizes, que ajudam a compor o modelo familiar completamente disfuncional.
Entre as jovens actrizes, destaca-se claramente Erika Christensen. Não só pela sua beleza escultural, mas também pela grande mestria como está em cena. Um talento verdadeiramente promissor, a todos os niveis.
Mas as suas "irmãs" também não lhe ficam muito atrás. Tirando o caso de Alisson Witt, aquela que menos presença tem na história, tanto Evan Rachel Wood como Keri Russell dominam bem as suas personagens, lidam bem com os seus problemas, e, dão uma outra aura ao filme. Ajudando-o a tornar-se mais humano, e por isso, mais fascinante.
A forma como o filme começa dá-nos já uma ideia do seu final. Mas não nos dá o quadro completo. Esse, vamo-lo construindo aos poucos. Momento a momento vamo-nos apercebendo de todos os conflitos interiores que moldam as personagens do filme. Alguns, nunca os saberemos por completo. Mas a vida é assim. Ninguém sabe tudo. Há sempre algo a esconder. E The Upside of Anger é um filme humano. Com humor, com drama, com ironia. Mas com coração, com uma mensagem, com um final diferente do que se esperaria mas, por isso, mais contundente. E é um dos grandes filmes deste ano.
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O Melhor - Sem duvida alguma o memorável desempenho de Joan Allen. Uma grande actriz num grande papel, com uma performance notável.
O Pior - Talvez a passagem do tempo, que não é feita com a mesma subtileza que deveria ter. No mesmo espaço de tempo que Alicia Witt casa e tem um filho, engravidando de novo, ainda anda Evan Rachel Wood a fazer o mesmo trabalho. E não há datas que marquem a passagem de um ano de forma clara.
Curiosidade - A bela Erika Christensen tem 22 anos. Keri Russell conta já com 28. Mas Erika é mais velha do que ela no filme. A prova de que os castings não se prendem a pequenos pormenores.
Site Oficial - www.upsideofanger.com
Realizador - Mike Binder
Elenco - Joan Allen, Kevin Costner, Erika Christensen, ...
Produtora - New Line Cinema
Duração - 118 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às maio 31, 2005 12:21 AM