« maio 2005 | Entrada | julho 2005 »
junho 30, 2005
E começam as filmagens...
De The Da Vinci Code que na próxima semana dará inicio a um periodo de filmagens que irá extender-se até ao final do Verão. Ron Howard e a sua equipa - onde Tom Hanks, Audrey Tatou, Jean Reno e Ian McKellan são cabeças de cartaz - vão filmar no museu do Louvre, local central das aventuras de Robert Langdon, a personagem-fetiche de Dan Brown. A equipa não poderá filmar na igreja de Saint Sulpice já que o arcebispado de Paris não deu a necessária autorização.

De Inside Man, o novo de Spike Lee que volta ao universo nova-iorquino, desta vez acompanhado de um elenco de luxo composto por Denzel Washington, Julia Roberts, Clive Owen e Christopher Plummer. Uma história poderosissima, pautada pelo estilo sempre cool de Spike Lee, que promete ser dos filmes mais interessantes do próximo ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:29 PM | Comentários (3)
Verão Quente - Eva Mendes

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:45 AM | Comentários (2)
Capitulo III : Escola Artistica - Os adversários, quem são?
Não há movimento artístico que não tenha apoiantes. E a Nouvelle Vague teve-os. Os autores que eles recuperaram, os críticos como Astruc ou Bazin, que perceberam que ali estava o futuro. Mas os seus grandes entusiastas acabariam por vir depois, já o conceito inicial da Nouvelle Vague estava meio enterrado. Seriam os cinéfilos que se apaixonaram por Truffaut, Chabrol e Godard, como estes se tinham apaixonado por Gance, Renoir e Vertov. Mas a escola artistica teve também os seus rivais.

Das produtoras francesas (os cineastas independentes sempre foram atacados pelos estúdios), dos distribuidores, dos críticos rivais dos Cahiers, especialmente os críticos de esquerda, dos argumentistas aos cineastas contemporâneos, a Nouvelle Vague só recebeu ataques. E mesmo o público, apesar de nunca ter sido um inimigo desta escola, não a amou como deveria, deixando muitas vezes as salas vazias, contribuindo assim para a sua progressiva queda.
Entre todos estes, os ataques foram muitos, constantes, e espaçados no tempo por fases. Numa primeira etapa, ainda a Nouvelle Vague estava nos escritórios dos Cahiers, os jovens críticos eram inimigos ferozes dos argumentistas e realizadores franceses do chamado Cinema de Tradição de Qualidade. Era a época da “política dos autores” e dos manifestos de Truffaut. Depois, nos finais da década de 50, e com a ascensão no meio destes jovens, veio o lógico confronto de ideias com os restantes críticos. A ideologia no cinema, desculpa para atacar as diferentes percepções da construção cinematográfica, colocou Sadoul, o historiador “oficial” do cinema francês e o líder da facção de críticos de esquerda, contra os jovens críticos. Por fim, e a partir do momento em que os críticos se tornaram realizadores, os objectivos mantiveram-se os mesmos, mas os inimigos mudaram de cara. Agora, com o repentino sucesso da Nouvelle Vague, eram as produtoras e distribuidoras – afectadas directamente pelo sucesso surpresa destas pequenas produções – que mais atacavam os jovens. Os críticos também não desarmaram, o público foi abandonando as salas, e o sonho foi-se desvanecendo.

Alain Resnais foi o único cineasta da Nouvelle Vague que nunca foi criticado
Partindo numa análise cronológica, é fácil entender que os manifestos de Truffaut abriram as hostilidades contra quem fazia cinema em França, à época. Noutras publicações que não os Cahiers – nomeadamente a Positif e o Arts – os argumentistas como Jeanson e Aurenche – atacam ferozmente os jovens críticos, acusando-os de inexperiência e presunção, habituais nos jovens lobos com muita ambição e pouco talento. Será uma crítica sem grande impacto na evolução da Nouvelle Vague, mas um primeiro indício do que viria a acontecer com o passar dos anos. Aqueles que a Nouvelle Vague ultrapassasse – como Belmondo nos primeiros e inesquecíveis minutos de A Bout de Soufle – iriam fazer tudo para os ultrapassar de novo. E se tal não fosse possível, pelo menos, ao menos que provocassem um despiste aparatoso.
Com os restantes críticos, o debate era inevitável, e apesar do ponto a que chegaram algumas discussões – sempre o “caso Fuller” na linha da frente– era um debate necessário para definir posições. Os críticos da Nouvelle Vague eram tão extremistas como os críticos que se lhes opunham, e o confronto era inevitável. Confronto dentro dos Cahiers, entre os Hitchcock-Hawksianos e os Mac-Mahonianos, e confrontos entre as publicações. Na base da maior parte destas disputas intelectuais estava a forma como o francês olhava para o cinema americano. O neo-realismo italiano, o cinema soviético, as obras de arte de Bergman eram consensuais dos dois lados da barricada. Mesmo o próprio cinema francês, tão contestado nos Cahiers, também não era amado nas restantes publicações. Mas o cinema americano criava cisões, guerras e feridas difíceis de sanar. O confronto entre o cinema de estúdios e as produções dos autores, entre o cinema de Houston e o cinema de Hawks, mas acima de tudo, na forma como se aborda o cinema. Críticos como Sadoul preferiam um cinema militante, um cinema anti-sistema, um cinema como o de Mann, Houston ou Lang. Mas nos Cahiers a paixão pelo cinema de critica social não encontrava eco na militância politica. E o amor que nutriam por Ray, Loosey e, acima de tudo, por Samuel Fuller, era criticado por tudo e por todos. Especialmente por Sadoul, que conotava o realizador norte-americano com a extrema-direita. Dizer que Fuller é de extrema-direita era irrelevante . Mas chegou para despoletar um dos grandes conflitos da época.
Próximo Capitulo - "O Caso Fuller"
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:29 AM
junho 29, 2005
O Que Estreia Por Cá - O meu melhor amigo é um coelho gigante!
Em 2001 surgiu um rapaz extremamente perturbado, que tinha uma incontrolável sede de destruição. Dizia ser obrigado por um gigante coelho que o seguia para todo o lado. Alguém acreditou nele? Talvez sim, talvez não. Quem quiser tirar as teimas pode aproveitar agora. Chegou o Director´s Cut de Donnie Darko...

Richard Kelly chegou, viu e venceu. O seu Donnie Darko tornou-se rapidamente um verdadeiro filme de culto. Convenceu criticos e espectadores, lançou a carreira do jovem Jake Gyllenhal - que tem em 2005 um dos melhores anos da sua carreira (Brockeback Mountain e Jarhead vêm aí) - e tornou-se num marco do cinema fantástico.
Donnie Darko é um filme perturbador, um filme esquizofrénico, irreverente e incrompeensivel em certos momentos. É um filme cheio de imaginação, mas uma imaginação retorcida e explorada até ao limite do negro. Alucinações, morte, destruição - tudo sobre as ordens de um coelho gigante (ainda se lembra do coelho gigante amigo, o Harvey?).
Querem mais? Richard Kelly oferece mais 20 minutos ao filme original. O terror voltou ás salas nacionais. E em grande estilo.

Entre dois gigantes blockbusters, esta semana tem algumas estreias, mas poucos destaques.
Madagascar é a principal aposta da Dreamworks no capitulo do cinema de animação neste inicio de ano. Os mesmos autores de Shrek procuram agora repetir a fórmula no mundo animal, com a viagem imposta de um grupo de animais do zoo para a ilha de Madagascar em pleno Indico. Será aí que os animais da cidade vão perceber o que é ser, de facto, um animal. A versão portuguesa tem a vantagem das vozes serem dobradas, entre outros, pelos Gato Fedorento.

O poder que o Aparteihd ainda tem na memória da África do Sul é explorado ao máximo em Country of My Skull.
Samuel L. Jackson e Juliette Binoche vivem este drama de um povo, que mais de dez anos depois da liberdade, continua muito marcado pelas feridas da divisão entre brancos e negros. A direcção é de John Boorman.

Return to Sender recupera o terror que muitos americanos têm de uma das suas leis mais sui generis: a pena de morte. Uma condenada espera pela hora da morte, enquanto que um seu amigo procura a todo custo provar a sua inocência. Com Connie Nielsen e Aidan Quinn e dirigido por Billy August, este é mais um thriller intenso a estrear por cá.

L'Empire des Loups aposta no modelo de histórias cruzadas, agora no universo parisiense. Uma mulher está a perder-se em alucinações. Um homem está encarregado de resolver um horrendo crime. Um policia implacável vai surgir como a chave da questão e unir o que parecia demasiado surreal para ser verdade. Chris Nahon dirige um filme que conta com Jean Reno no principal papel.

Reinas é um delicado filme sobre uma realidade cada vez mais problemática em terras de Espanha: o casamento homossexual. Seis mulheres, do mais alto nivel, passeiam-se por Madrid, orgulhosas dos seus filhos. Sentem-se no ponto mais alto da sua vida. Mas quando descobrirem que os seus filhos vão ser os protagonistas do primeiro casamento homossexual em Espanha, tudo poderá mudar de figura. Direcção de Manuel Gómez Pereira.

O Hollywood Recomenda - Se em 2001 era bom, em 2005 tudo indica que pode vir a saber ainda melhor. Donnie Darko saiu da cabeça de Richard Kelly mas agora é das nossas cabeças que aquelas imagens não se conseguem soltar.
O Hollywood Desaconselha - O tema, imensamente batido, já foi tratado das melhores e das piores formas. Duvida-se muito que Return to Sender seja uma boa abordagem da problemática da pena de morte.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:33 AM | Comentários (9)
Verão Quente - Sophie Marceau

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:45 AM | Comentários (2)
E sequelas...
Se os remakes são falta de imaginação, as sequelas passam pela utilização, em muitos casos até à exaustão, de uma fórmula de sucesso. E os próximos anos têm imensas sequelas na calha. É mais barato apostar no que é garantido do que arriscar no que é novo, devem pensar os produtores. Senão vejamos.
X-Men 3, Hellboy 2, Spiderman 3, e os sucessores de Batman, Sin City e Superman vão marcar as sequelas do universo da adaptação de comics. Mas as sequelas não se ficam por aqui.
Elizabeth terá direito a um segundo filme, depois do imenso sucesso em 1998 do filme "original". A hipótese de um Gladiator II continua a fervilhar na cabeça de Ridley Scott, que procura apenas um pretexto e um elenco interessante para avançar com o projecto (sem Russel Crowe).
Quentin Tarantino está mesmo a pensar em fazer uma prequela (uma sequela inversa) de Pulp Fiction e Reservoir Dogs de seu nome Vega Brothers. E de sequelas percebe ele. Kill Bill v.2 encostou ás cordas o primeiro filme da "Noiva".
No capitulo da animação não só Shrek 3 está previsto, como o filme do Gato das Botas está em pré-produção, explorando ao máximo o franchise da saga.
E que dizer de mais um Jurasik Park, mais um Basic Instint, Mission Impossible ou um quarto Die-Hard?
E o problema não é exclusivo do cinema americano. Em França pensa-se num terceiro Asterix e Les Poupées Russes é a sequela anunciada de L´auberge espagnole.
E tudo isto sem esquecer os já anunciados próximos Harry Potter, James Bond, Resident Evil, XxX, Pirates of the Caribean ou o último cpitulo das viagens de Lars von Trier pela "sua" América.
É caso para chegar á conclusão de que os estúdios não brincam em serviço. Precavendo insucessos financeiros das novidades, há que apostar em sucessos já testados. Ou será que o feitiço se pode virar contra o feiticeiro?
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:27 AM | Comentários (3)
Remakes...
Cada vez mais se fala que a imaginação está esgotada no universo cinematográfico. Todos os anos surgem vários filmes que desmentem esta teoria é certo, mas, invariavelmente, todos os anos os estúdios gastam rios de dinheiro em produzir novas versões de filmes já feitos. Os chamados remakes.
Ora para o próximo ano e meio estão já agendados uma serie de remakes de clássicos.
Há uma adaptação do mitico Sleuth, filme original de Joseph Manckiewicz que conta com o melhor papel das vidas de Lawrence Olivier e Michael Caine, na calha. Há o remake-adaptado que Scorsese vai fazer de um dos grandes sucessos do cinema oriental dos últimos anos, de seu nome The Departed, e que conta no elenco com Matt Damon, Jack Nicholson e Leonardo di Caprio.
Dois clássicos da década de 70, Caligula e Don´t Look Now também já têm remakes marcados para os próximos dias, e há sempre a hipótese de Michael Bay avançar com o remake de The Birds, como Gus van Sant fez com Psycho.
Sabendo que Superman Returns não é bem um remake mas anda lá perto, que Batman Begins fez o mesmo com o Batman de Burton e há um projecto para fazer um remake de Beyond a Reasonable Doubt de Fritz Lang, ficamos conversados.
Falta de imaginação pode não haver, mas preguiça para criar algo de novo é uma doença que cada vez mais atacou os estúdios norte-americanos.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:26 AM
Capitulo III : Escola Artistica - Divulgar nos Cahiers
É natural que muitos confundam a Nouvelle Vague e os Cahiers du Cinema. Perfeitamente natural. Apesar da redacção da revista de cinema mais célebre de todo o mundo não ser, à época, composta apenas pelos jovens que iriam dar origem a este movimento, eram eles os seus nomes mais sonantes. E, desde os primeiros momentos, foi este o seu suporte de eleição para divulgar a forma como viam o cinema.

Aliás – exceptuando um ou outro momento, especialmente o celebre caso de Samuel Fuller – os directores originais da revista, André Bazin e Jacques Doniel-Volcroize, eram vistos como os patronos destes jovens lobos, ansiosos por mostrar o seu valor no complexo mundo do cinema.
André Bazin, notável pensador e cinéfilo francês, de quem Jean-Luc Godard disse uma vez ter sido “o maior de todos os críticos de cinema”, fundou a revista em 1951, juntamente com outros críticos da sua geração. Mas cedo as portas da redacção da revista de capa amarela, como também era conhecida, se abriram aos jovens cinéfilos que lotavam diariamente a Cinemateca, e que queriam ter uma palavra a dizer sobre a sua grande paixão, a 7º Arte.

Andre Bazin
Desde sempre que Bazin foi – até à sua morte a 11 de Novembro de 1958 – o coordenador de todo o projecto. As suas criticas eram as mais respeitadas, por todos os amantes de cinema em França, e não poucas vezes foi ele o mediador entre os jovens lobos e outros críticos do panorama cinematográfico francês, como Georges Sadoul. Ao seu lado na direcção estava Jacques-Doniel Volcroize, critico talentoso e com aspiração a realizador, que apesar de ser dez anos mais velho que a Nouvelle Vague, cedo percebeu que era aquela a sua geração.
E depois houve os outros. E que outros!
Não fosse François Truffaut um dos maiores críticos de cinema de sempre. Não fosse Jean-Luc Godard autor de frases fantásticas, tão carregadas de paixão como de sentido. Não estivesse lá a poesia de Jacques Rivette, a análise clínica de Eric Rohmer, ou o dedo subtil de Claude Chabrol, e não teria havido Cahiers, como não teria havido Nouvelle Vague.
Muitos outros críticos por lá passaram. Alguns, de costas voltadas para o grupo dos Hitchcock-Hawksianos, mais tarde iriam tentar desforrar-se da geração da Nouvelle Vague, tomando controlo da revista, roubando-lhe assim o seu último bastião, o seu porto de abrigo. Mas durante dez anos, a verdade é que foi ali que se escreveu de forma sublime sobre cinema. Foi nas páginas da revista que se recuperaram nomes grandes como Otto Preminger, Alfred Hitchcock, Fritz Lang, Howard Hawks ou Jean Renoir, em longas dissertações ou entrevistas. Foi ali que Truffaut publicou os seus manifestos, onde Godard ensaiava a sua paixão pelo cinema. Foi ali que o “caso Samuel Fuller” começou, numa guerra temível entre Truffaut e Sadoul, não só a propósito de Fuller, mas, na verdade, a propósito dos ideais desta nova geração de cinéfilos, que seriam mais tarde associados – sem qualquer sentido – a Charles de Gaulle e à renovação que a França viveu no pós-58, e que tanto incomodava a critica contestatária. A essência dos Cahiers, era de discutir cinema. Mas durante esses 10 anos, sentiu-se cinema, para além de se ter escrito – e muito – sobre ele.

Claude Chabrol e Jean-Luc Godard
Mais tarde, a morte de Bazin – primeiro – e a passagem dos jovens críticos a realizadores, abrandou o ritmo da revista. Uma critica que Henri Langlois faria mais tarde, numa entrevista a Eric Rohmer e Michael Mardore, para o número 135 da revista, em 1962. O director da Cinemateca já na altura antevia o que aconteceria alguns anos depois ao dizer que “O vosso (da Nouvelle Vague) drama foi terem perdido Bazin, terem perdido Truffaut, “o vosso critico”…o vosso erro, foi ter abandonado os jornais. Era preciso produzir e continuar jornalista.”
Sem o porto de abrigo que eram os Cahiers tudo foi diferente. Numa primeira fase, em que a direcção alternou entre Doniel-Volcroiz, Eric Rohmer ou Jacques Rivette. Durante esse período continuou-se a escrever sobre os autores, sobre o cinema americano, sobre a crise do cinema francês, e, acima de tudo, sobre a Nouvelle Vague. Os críticos escreviam sobre os seus colegas realizadores de forma entusiástica, clamando obra-prima, sempre que um novo filme de um membro do grupo saí-a da forja. Mas mesmo isso foi passando com o tempo. Os críticos da primeira fase foram saindo. Começaram a surgir novos nomes, menos ligados ao espírito inicial, já contagiados pelo cinema que irrompia do nada, e tomava de assalto o coração dos cinéfilos. Mas mesmo esses não aguentariam muito.

Daniel Filipachi em entrevista
O Maio de 68 iria, como em tudo, reforçar clivagens. Godard corta relações com Truffaut. Resnais e Rohmer afastam-se das lides e voltam-se para a televisão. E em 1969, Daniel Filipachhi tenta um golpe de estado na redacção. Golpe falhado, Filipachi é expulso, e com ele saem muitos dos críticos que tinham ficado. A revista fecha, e quando é reaberta, está na mão dos maoistas, veneradores de Godard – pelo menos até ao final da sua “fase Vertov”. Depois de acusada como revista de direita na década de 50, os anos 70 foram marcados por um extremismo de militância que afastou dela, todos os que inicialmente lá tinham colaborado. No final dos anos 70 a situação ameniza-se. Alguns veteranos voltam, pontualmente, mas já nada era como dantes. O espírito dos Cahiers há muito que tinha desaparecido, um pouco ao mesmo tempo que o espírito pioneiro da Nouvelle Vague se banalizava, até perder todo o sentido.
Próximo Capitulo - Os adversários, quem são?
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:18 AM
junho 28, 2005
Kong, the King
Peter Jackson não brinca propriamente em serviço e criou tal expectativa sobre o primeiro trailer de King Kong, que este até teve direito a um teaser sobre o próprio trailer, algo praticamente inédito.
Mas depois de muita espera e especulação, eis que chega finalmente o trailer de King Kong, o remake de Jackson ao grande sucesso de 1933, e o sucessor de The Return of the King na filmografia do aclamado realizador, que até começou a carreira no universo gore.
Com Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody e um gigante macaco digital que até aos dinossauros mete medo, esta é uma das grandes apostas para o Inverno de 2005.
O trailer pode ser visto aqui.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:24 PM | Comentários (1)
Verão Quente - Halle Berry

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:37 AM | Comentários (2)
Poster de The Island
Com um trailer muitissimo bem conseguido e um elenco de luxo (Djimon Hounson, Sean Bean e Steve Buscemi a secundar Ewan e Scarlett), talvez o único problema de The Island seja mesmo Michael Bay.
O projecto é arrojado, a ideia interessante, mas resta saber o que vai prevalecer. Se a ideia e o talento de Ewan McGregor e Scarlett Johansson, ou se a tentação de Michael Bay para explodir à minima coisa. Até lá - o filme estreia a 18 de Agosto por cá - fica a expectativa. E mais um poster.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:52 AM | Comentários (4)
Capitulo III : Escola Artistica - Os Manifestos Base : O que escreveu Truffaut
Um pouco filho de Le Camera Stylo, François Truffaut cedo percebe que o mundo do cinema atravessava um período de fortes mudanças. O conflito entre o cinema como indústria e o cinema como arte era cada vez mais evidente.

François Truffaut
O sistema privilegiava o sistema de produção, no caso francês, com filmes de grande orçamento, adaptações de sucessos literários, filmes sem alma nem coragem. Filmes de argumentistas, falsos-adaptadores de obras maiores. Do outro lado estavam homens, autores, capazes de ter uma ideia original, ou de fazer uma adaptação fidedigna, sem grandes orçamentos mas com imensa vontade de olhar para o futuro.
Talvez por isso, surja como algo natural, o texto que se tornaria no verdadeiro manifesto da Nouvelle Vague. Escrito pelo maior dos jovens críticos, onde as luzes estão apontadas para os erros, mas também, para as soluções. Une Certaine Tendence du Cinema Français é uma sucessão de frases de uma violência absolutamente poética. Com a alma ferida, qual cinéfilo órfão, Truffaut não perdoa, nem por um breve instante, o cinema produzido em França pelo sistema, um cinema que se auto-intitulava de realismo-psicológico, mas que “nada tem, nem de realismo, nem de psicologia.”
Ao longo do texto, publicado nos Cahiers du Cinema em 1954, fazendo imediatamente do jovem critico, um alvo a abater pelo sistema, e um pioneiro arrojado para os jovens da Nouvelle Vague, Truffaut critica o que chama de “processo de equivalência” das falsas-adaptações dos argumentistas da época – os já citados Jean Aurenche, Pierre Bost, Jacques Sigurd, Henri Jeanson, … - e lança daí as bases para provar que há uma outra forma, muito mais acertada, de se criar cinema. E criar porque, para Truffaut, o cinema é antes de mais, arte. E por isso, quem cria filmes, é seguramente um autor. Uma ideia que vai desenvolver no ano seguinte, também nos Cahiers, no seu texto Ali Baba et La Politique dês Auteurs.

Pepe le Moko
Se Une Certaine Tendance du Cinema Français é uma fortíssima critica à forma de se fazer cinema em França – e Truffaut, que há época teria já visto mais de dois mil filmes, ele que ainda não tinha 22 anos, era o homem certo para falar do cinema do passado, mas também do cinema do presente – a verdade é que o texto é muito mais do que isso. Este ataque, é não só um apontar directamente o dedo a quem faz mal, mas também, lançar luzes sobre quem faz bem. E por isso, surge de forma naturalmente, um ano depois – em Abril de 1955 – o seu segundo manifesto, aquele que mais marcará a Nouvelle Vague, por ser no fundo a sua essência.

Em Ali Baba et La Politique dês Auteurs o enfoque é dado aos autores, os verdadeiros artesões dessa arte que é o cinema. Partindo da análise crítica a Ali Baba, filme de Jacques Becker com o conhecido actor Fernandel no principal papel, Truffaut passa à defesa da “política de autores”. Nesta dissertação, e partindo na ideia de Giraudoux, que há muito defendia “Não existem obras, só existem autores”, o jovem critico valoriza o trabalho do artista na concepção do filme. É a ele que devem ser imputados todos os méritos ou deméritos, no sentido que, desde o momento em que a ideia começa a fervilhar na sua mente, até ao dia da exibição ao público, todo o trabalho leva a sua marca. Sem interferências de produtores, distribuidores, argumentistas, externos à realidade do que é pensar e fazer um filme. E assim, Truffaut lança as bases do que viria ser a própria realização da Nouvelle Vague. Um processo extremamente pessoal – basta olhar para os argumentos de Godard, Resnais e Truffaut para ver ali, cunhada em todos os frames, a sua marca bem vincada. Um processo verdadeiramente artístico.
Próximo Capitulo : Divulgar nos Cahiers
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:04 AM
Candidatos a Joker
Ainda agora estreou Batman Begins e já começam os rumores sobre o segundo filme do Homem-Morcego sob a direcção de Chris Nolan.
O projecto, que deverá estrear em 2007, irá apresentar, ao que tudo indica, dois novos personagens à trama. O principal, já "anunciado" no final de Batman Begins é Joker. Ora essa foi a mesma personagem que abriu a saga, no filme de Tim Burton. Interpretado à época, de forma exuberante, por Jack Nicholson, este torna-se agora num dos papeis mais apetecidos do universo cinematográfico.
E entre os candidatos têm sido já vários os nomes apontados.
Depois de se ter falado em Crispin Glover, Lachy Hulme e até mesmo em Mark Hammil, agora são dois os nomes centrais de todos os rumores: Paul Bettany e Sean Penn.
O primeiro está em alta - vai agora começar a gravar The Da Vinci Code - mas tem poucas semelhanças fisicas com a personagem. Quanto a Penn, seria uma escolha acertada, já que seguia o espirito da personagem, enquanto mantinha o casting do próximo filme bastante "estrelado". No entanto o facto de poder vir a representar o papel que foi inicialmente do seu amigo Jack Nicholson pode levar Penn a recusar a oferta. Mas tudo indica que seja ele o favorito de Nolan.
Quanto ao segundo vilão, que provavelmente surgirá em segundo plano, é Harvey Dent, que em Batman Forever foi vivido por Tommy Lee Jones. Ainda não houve nomes lançados para viver essa personagem, bem como se começam a desenhar rumores sobre a "sucessora" de Katie Holmes como presença feminina no próximo filme.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:17 AM | Comentários (1)
junho 27, 2005
Verão Quente - Gael Garcia Bernal

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:39 AM | Comentários (1)
Capitulo III : Escola Artistica - Os Manifestos Base : La Camera Stylo
Num notável artigo de Michael Marie, percebemos o porquê do conceito de escola artística aliado ao movimento da Nouvelle Vague. Este movimento tem uma base programática, com base nos manifestos de Astruc e Truffaut. Tem um conjunto de inspirações, primeiras obras e artistas facilmente assimiláveis. Tem um teórico base – Bazin - e um texto chave – Un Certaine Tendence du Cinema Français. Tem adversários, suporte de divulgação – os Cahiers – e um conjunto de obras que os consagram como uma nova corrente. Vale a pena falar um pouco sobre tudo isto.
Para muitos a Nouvelle Vague, ou pelo menos o seu espírito inicial, define-se bem em três textos, belíssimos textos, publicados não só nos Cahiers, mas também no L´Écran Française. Textos que exploram as falhas do panorama cinematográfico da época, mas que, muito mais importante que isso, lançam luzes para o futuro. Estes verdadeiros avisos à navegação, estes faróis inamovíveis, esta análise critica da forma como se faz e como se olha para o cinema, dá imediatamente a ideia de que algo se está a passar. Ninguém se atreveria a pensar ainda numa Nouvelle Vague – apesar de Godard dizer mais tarde que todos os jovens lobos já se preparavam para se tornar mais do que simples críticos – mas ela começava a desenhar-se, não timidamente, mas de forma assumidamente alternativa e original.

Alexander Astruc
O primeiro destes manifestos é da autoria de Alexander Astruc. Mais velho que a geração de Truffaut ou Godard, Astruc será visto como um S. João Baptista do movimento da Nouvelle Vague. É ele que dará os primeiros passos, que levantará as primeiras questões, e que dará as primeiras luzes. Para muito o seu La Camera Stylo é o documento inicial da Nouvelle Vague. Para outros, é um pré-inicio. A Nouvelle Vague já está ali sem estar. Até porque Astruc será mais tarde, curiosamente, afastado da ribalta pelos mesmos jovens que ajudou a lançar. Curiosidades da vida.
Mas, de qualquer forma, La Camera Stylo é um texto fundamental à sua época. Estamos no ano da abertura da Cinemateca, da revitalização do Festival de Cannes, ano fundamental para a definição do cinema francês. Neste trabalho memorável e verdadeiramente futurista, Astruc delimita bem a análise da realidade cinematográfica a um antes e um depois. Um antes, onde a própria vanguarda “era já uma retaguarda”. Um depois onde se procura alargar o próprio conceito de cinema, para algo bem mais vasto do que a transição de imagens numa fita. Astruc detecta essa mudança, não só pela evolução técnica da época que permitiriam que autores dessem largas à sua imaginação - “Descartes fechar-se-ia no seu quarto com uma câmara de 16 mm e película, e escreveria o Discurso do Método em filme, uma vez que só o cinema o poderia exprimir convenientemente” - mas também nas obras que estariam a marcar esse período de transição na linguagem cinematográfica.

Les Quatrecents Coups é um exemplo de um filme inspirado no pensamento de Astruc
E falando-se de cinema, tem-se de falar da linguagem cinematográfica, um conceito que evoluiu desde o período mudo até hoje, mas que nunca soube ser consensual. O que é cinema passa pelo que é a linguagem do cinema. Qual o verbo, o sujeito, o complemento directo desta complexa gramática? Astruc deslindra nas obras de Orson Wells e Jean Renoir uma capacidade de descobrir todos os truques desta linguagem. Algo extremamente importante, especialmente se tivermos em conta que será a jovem Nouvelle Vague, muito influenciada por este texto – e que no fundo, o complementará, fazendo dele quase uma profecia – a partir para uma profunda reformulação da gramática cinematográfica. Afinal, não foi Godard que se vangloriou de ter acabado com o raccord ?
Próximo Capitulo : Os Manifestos Base - Une Certaine Tendance du Cinema Française
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:18 AM | Comentários (3)
junho 26, 2005
A Paixão do Cinema
Durante muito tempo houve um espaço de encantar, um espaço chamado Paixões e Desejos. Um lugar onde o cinema é lei, onde a poesia das imagens e a genialidade dos autores tinha o seu altar. Um lugar onde o Rui Luis Lima e a Paula Lima nos encantavam com os seus belissimos textos sobre cinema.
Esse lugar não desapareceu. Ainda lá está, só que agora, sob um novo nome. A paixão é a mesma, o talento também. O nome da toca é que é diferente. Agora é a Paixão do Cinema. Vale a pena passar por lá, se não para ler verdadeiras pérolas, pelo menos, para dizer olá à gralha e ao esquilo.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:36 PM
Capitulo II : As inspirações - Os teóricos de Cinema
Apesar de tudo, a inspiração da Nouvelle Vague não veio apenas dos filmes. Esses foram certamente a sua cartilha, a sua bíblia. Mas os jovens também beneficiaram dos úteis ensinamentos dos grandes teóricos da época.

Andre Bazin
Filósofos, antropólogos ou amantes de cinema, amantes, críticos e teóricos, nomes que ajudaram a perceber como definir a linguagem do cinema. Todos eles com contribuições fundamentais para definir a teoria de cinema que esteve por trás desta corrente.
Acima deles todos – pelo seu papel nos Cahiers – estava André Bazin. Mais do que director da revista que alguém um dia chamou de “Bíblia dos cinéfilos”, Bazin era acima de tudo um grande crítico de cinema e um teórico da linguagem cinematográfica. A sua análise aos filmes não se limitavam em falar do conteúdo ou de pequenos pormenores de produção e realização. Bazin sempre se preocupou com toda a concepção do produto artístico que para ele era um filme. E vendo o realizador como o verdadeiro autor, foi sempre à volta do ideal de liberdade da sua produção artística, que Bazin se bateu. Os seus escritos, a par dos ensinamentos de Gilles Deleuze, Alexander Astruc ou Edgar Morin – todos eles nomes fundamentais para a definição do cinema como uma arte com linguagem muito própria – foram fulcrais para criar bases de compreensão e análise nos jovens críticos de então. E, mais do que isso, para compreender as múltiplas faces do que era o cinema. Só assim se poderia defini-lo, com exactidão, como uma 7º Arte.

Gilles Deleuze
Mas para além de Bazin, Deleuze ou Morin, foram igualmente importante o debate filosófico que se vivia na época. Debate entre Sartre e Camus, debate das ideias antropológicas de Levi-Strauss – essencial para perceber a revolução cultural que se desenhava – debate do próprio conceito de civilização ocidental. Um debate constante em França e que, naturalmente, se alastrava muitas vezes para o campo do cinema. O que obrigava os jovens cinéfilos a estarem atentos, a perceberem o que se passava à sua volta. Debate que os ajudou a formar uma verdadeira consciência crítica, e que também está por detrás da base do ideal dos autores cinematográficos e da própria produção artística da Nouvelle Vague, que apesar de “explodir” verdadeiramente em 1959, vai começando a ter, a meio dos anos 50, as primeiras provas do seu real valor e impacto futuro.
Próximo Capitulo - Escola Artistica: Os Manifestos Base
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:34 AM | Comentários (1)
Verão Quente - Jennifer Esposito

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:54 AM | Comentários (1)
Novidades em Elizabeth: The Golden Age
Pode ser uma das mais interessantes noticias deste Verão.
Apesar de sequelas de filmes históricas sejam uma raridade - e alcancem muito pouco sucesso - é conhecida a vontada de Shekhar Kapur em assinar a continuação do seu maior sucesso, o notável Elizabeth.
Cate Blanchett, que assina o desempenho de uma vida nesse filme biográfico da ascensão da rainha Isabel I de Inglaterra ao trono, estará de regresso ao filme. Quem parece estar pronto a acompanhá-la, substituindo Joseph Fiennes como interesse romântico da rainha, é Clive Owen.
O notável actor britânico irá viver Walter Raleigh, nobre, amante da rainha e um dos primeiros exploradores do continente americano. O filme irá concentrar-se na era de ouro do reino de Isabel - marcado pelas guerras com Espanha e com a rainha Maria da Escócia, acção que se desenrolará dez anos após o final de Elizabeth.
Michael Hirst vai escrever o argumento mas será dificil prever quando o filme chegará ás salas de cinema. Isto porque a agenda de Blanchett e Owen está bastante preenchida para os próximos tempos. Curioso será ver também se Geoffrey Rush e Joseph Fiennes estarão de volta, já que as suas personagens ainda eram vivas neste periodo.
De qualquer forma, este é um projecto claramente a ter em atenção.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:59 AM | Comentários (1)
Batman - Por detrás da máscara, o medo!
Sombrio e inesquecivel. Christopher Nolan pesquisou bem nos meandros da personagem criada por Bob Kane, há mais de meio século, e desencantou um Batman profundamente perturbado e perturbador. Colocou um elenco de sonho à sua volta, fez de Gotham uma cidade em tons realistas, e construiu um dos melhores filmes baseados em herois de banda desenhada feitos até hoje.
Filme de ![]()
![]()
![]()
![]()

O medo. Acima de tudo, o medo.
Christopher Nolan fez um trabalho de pesquisa notável. Uma pesquisa sobre a personagem mitica do Cavaleiro das Trevas - não apenas na sua versão original de Bob Kane, mas também das variações aplicadas por autores como Frank Miller - mas também sobre a profundidade da psique humana. E foi lá, qual fantasma escondido e retorcido, que o talentoso realizador de Memento encontrou a matéria prima para o seu heroi, que está longe de ser visto como um heroi no termo consensual do termo. Há em Bruce Wayne - ou no seu alter-ego - algo profundamente negro. Nisso há enormes semelhanças entre esta personagem e a de Anakin Skywalker em Star Wars. A comparação é incontornável. Marcados pelo passado, escondendo os seus sentimentos de tudo e de tudos, deixando-se corroer pela raiva, pela vingança e pela dor. A única diferença - talvez não a única mas a mais significativa - é que Anakin se deixa derrotar pelo tal "lado negro". Bruce Wayne aprofunda o seu próprio medo, e transforma-o a seu favor.

A arte da ilusão explora o medo de forma súbtil
Longe do maneirismo de Schumacher e do surrealismo de Burton, há uma sobriedade assustadora neste Batman Begins. Não só Gotham perdeu o seu sentido de cidade única - tem traços muito comuns ás cidades dos anos 50 do norte dos Estados Unidos - como todaa atmosfera está mais huamana. Não humana no sentido de bondade. Humana no sentido em que explora os cantos mais negros do Ser Humano, a sua podridão moral que tanto pode passar pelo crime e pela corrupção, como pelo fanatismo. E é contra isso que existe uma especie de ideal - apagado no inicio, na medida em que o nosso (anti) heroi está a meio da sua descida aos infernos - de justiça, de dignidade, que cria um sopro de luz na escuridão, muitissimo bem trabalhada pelo trabalho de fotografia do filme.

Onde tudo começou. O peso de um acontecimento.
Nese plano, um dos pontos fortes do filme, é o olho clinico de Nolan. A camara - bem como o trabalho de fotografia e de montagem, essenciais nesta dimensão - tanto desce aos infernos com Wayne, como também é iludida com o universo misterioso de Ras Al Guhl, como acompanha a criação de Batman, e a transformação do próprio Bruce Wayne em algo maior que ele mesmo, um verdadeiro simbolo de esperança. Nolan era de facto o homem certo para dirigir este filme (depois de se ter falado em Daren Aranofsky e Clint Eastwood, dois registos completamente opostos), e fe-lo com imensa mestria.

Engenhocas mais modernas e realistas, mas igualmente espantosas.
Muito do crédito desta revitalização da serie, é sem dúvida dele.
O restante crédito - com todo o respeito para os argumentistas e para a equipa técnica - tem de ir para o notavél elenco de actores.
Com tanta oferta era natural que nem todos tivessem o mesmo protagonismo. Percebeu-se logo que Ken Watanabe e Morgan Freeman seriam elementos puramente de suporte, comparados com personagens nucleares como as interpretadas - genialmente - por Michael Caine ou Gary Oldman (esse mestre na composição de personagens).
Pelo meio também passam por lá - com imenso estilo - Tom Wilkinson, Cilian Murphy e acima de tudo, Liam Neeson, cada vez mais, um actor fundamental.
E depois há o par romântico - aqui o romântico abordado de forma minima, e extremamente acertada - que está no oposto. Já se começa a ver que Katie Holmes ainda não é menina para estas andanças. Tudo bem que é bonita e tem presença fisica, mas falta-lhe a profundidade de uma actriz em explosão. É o ponto mais fraco do elenco. Ao contrário de Bale. Depois de American Psycho, o jovem actor volta a mostrar todo o seu imenso talento, numa construção realista de Bruce Wayne, e, acima de tudo, extremamente credivel. Com um filme já se confirmou como o melhor Batman, superando facilmente Keaton, Kilmer e Clooney.

Ele voa para nos proteger ou para brincar com o nosso medo?
Filmado com grande á vontade - apesar das espectaculares cenas de acção - e com um argumento credivel e excepcionalmente bem articulado, Batman Begins é um dos bons filmes do ano. Para além de ser claramente um blockbuster, consegue ser algo mais. Consegue recuperar a imagem de Batman, lança as bases para uma saga que se adivinha de sucesso (a antevisão do próximo Joker é interessante, já que será dificil superar Nicholson), e mostra que ainda é possivel adaptar herois de bandas-desenhada de maneira diferente ao que Sam Raimi, Joss Whedon e afins têm feito nos últimos anos. Fica a dica!
Classificação - ![]()
![]()
![]()
![]()
O Melhor - A realização súbtil de Nolan e os desempenhos de Oldman, Caine e Bale.
O Pior - A falta de presença de Katie Holmes. Falta-lhe o espirito de femme fatale de uma Kim Basinger, Michelle Pfeifer, Nicole Kidman ou Uma Thurman.
Curiosidade - O Batmobile é um carro bem real. Vai estar durante todo o ano nos circuitos de provas de F1 para publicitar o filme, e no final do ano, a edição em especial em dvd que está a ser preparada.
Site Oficial - www.batmanbegins.com/
Realizador - Christopher Nolan
Elenco - Christian Bale, Michale Caine, Liam Neeson, ...
Produtora - Warner Bros
Duração - 134 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:27 AM | Comentários (4)
junho 25, 2005
Verão Quente - Jaime King

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:34 AM | Comentários (4)
Capitulo II : As inspirações - Os Hitchcock-Hawksianos
É curioso que o termo Nouvelle Vague tenha sido originalmente criada para designar a juventude dos anos 50. O termo cinematográfico que melhor define os jovens membros desta escola é outro. Eles são, antes de mais, os Hitchcock-Hawksianos.


E são-no porque é simplesmente na obra destes dois notáveis realizadores-autores – Alfred Hitchcock e Howard Hawks – onde eles vão buscar inspiração sobre a forma como se deve dirigir um filme, sob como se deve construir uma história. Sob como se deve dirigir actores. É toda a obra de Hawks – que vai desde o espantoso Scarface até Rio Bravo – e de Hitchcock – na sua fase americana mais do que na sua fase inglesa – que encanta os então jovens críticos dos Cahiers. E, no entanto, estes eram autores esquecidos em Hollywood. Os seus filmes eram verdadeiros sucessos de bilheteira – Hitchcock foi sempre dos realizadores mais rentáveis dos anos 40 e 50 – mas a critica norte-americana nunca percebeu as suas subtilezas na forma como construir a mise-en-scene, como explorar os espaços de câmara, os diferentes ângulos de uma narrativa. Talvez por isso nunca tenham recebido Óscares ou prémios do género. Pouco importa!

Deste lado do continente os amantes de cinema estavam bem mais atentos. Devoravam os filmes destes autores como um esfomeado devora o seu primeiro alimento em dias. Catalogar Vertigo, Rio Bravo, Shadow of a Doubt como menos de uma obra-prima era verdadeira blasfémia. Foi Truffaut, ao entrevistar Hitchcock , que conseguiu que lhe fosse atribuído o titulo – hoje repetido até à exaustão – de “mestre do suspense”. Conceitos como “MacGuffin”, desconhecidos de todos, passaram a ser palavras de código para os jovens autores. E seria exactamente na valorização da chamada “Politica dos Autores” – idealizada por Astruc e Truffaut – que estes nomes seriam vistos como fundamentais. Fazer um filme à Hitchcock significava ocupar o espaço com precisão, colocar a câmara no sítio certo, surpreender o público, criar uma narrativa consistente e dinâmica, e, acima de tudo, entender que a escuridão da sala de cinema é uma poderosa arma para o realizador. E fazer filmes à Hawks? Aí seria a sua paixão pelo humanismo das personagens, pelo jogo de emoções , mas também pelo jogo do espaço, o jogo do campo-contra-campo, dos grandes planos, conceitos que, a pouco e pouco, passaram a ter lugar de honra na cartilha dos jovens realizadores.

Alfred Hitchcock
Apesar de Ray, Mann, Fuller, Rossellini, Renoir, Ophuls, Vertov ou mesmo Rouch e Cocteau, estes dois nomes ajudaram a moldar o “espírito da Nouvelle Vague”. Foram eles que ajudaram a perceber a base da chamada “Politica de Autores” que confirma o realizador como autor moral de um filme. Foram eles que potenciaram a divisão dos Cahiers entre os MacMahonianos e os jovens da Nouvelle Vague, que tomaram para si o epíteto de Hitchcock-Hawksianos. Foram eles que abriram as portas para um cinema onde a forma se reveste de grande importância, mas onde o conteúdo não é esquecido.
Truffaut filmará sempre a pensar como Hitchcock faria aquela cena. Quando isso acontece, não é preciso dizer muito mais.
Próximo Capitulo - Os teóricos do Cinema
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:27 AM
Primeiras imagens de A Tale of Deceives
Aqui estão as primeiras imagens de A Tale of Deceives.
Como antevisão do trailer - com estreia marcada para muito breve - estas são os primeiros screenshots da curta de estreia da LP Produções. As imagens ajudam a revelar um pouco do enredo - mais do que o próprio trailer, que terá um tom mais misterioso - e servem também para manter as expectativas em alta. A estreia de A Tale of Deceives está agendada para meados de Julho.



Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:43 AM | Comentários (6)
junho 24, 2005
Verão Quente - Charlize Theron

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:28 AM | Comentários (1)
Capitulo II : As Inspirações - A Cinemateca Francesa
Não houve influência maior. Aliás, seria praticamente impossível imaginar a Nouvelle Vague sem este verdadeiro templo de cinema. Um templo venerado e adorado por todos os jovens da época. Um templo que lhes ensinou todas as escrituras, desde os evangelhos oficiais – Renoir, Rossellini, Welles – aos escritos apócrifos – Fuller, Ray. Templo que seria profanado na quente primavera de 68, uma época onde o pouco que havia de Nouvelle Vague se começou a desmontar. Peça por peça.

Dirigida por Henri Langlois – um dos “pais espirituais” da Nouvelle Vague – a Cinemateca Francesa surgia na continuação da ideia dos cineclubes, ideia essa que Louis Delluc – um dos primeiros realizadores avant-garde franceses – colocara em prática em 1921. É nos meados dos anos 30 que Henri Langlois começa a deitar mãos à obra para recuperar o espírito dos cineclubes, que tinha decaído com a chegada do sonoro à Europa. Mas só com a libertação de Paris é que os cineclubes florescem, aproveitando para recuperar “o tempo perdido” com os anos da ocupação. É nessa época que Langlois – que tinha conseguido manter toda a sua colecção durante a ocupação – criará a Cinemateca. Em 1948 abre as portas, abrindo assim um verdadeiro novo mundo aos muitos cinéfilos que já passavam horas nos pequenos cineclubes de Paris. Entre eles estavam os veteranos André Bazin, Alexander Astruc ou Jacques-Doniel Volcroize, mas essencialmente os jovens lobos. Truffaut vivia literalmente na Cinemateca, ele que tinha tido uma triste infância – que recuperará mais tarde no seu primeiro filme – vendo mais de três filmes por dia. Godard junta-se a ele. Também lá estão Rivette, Chabrol, Resnais, Marker, e tantos outros. E o que viam eles?

Henri Langlois
Langlois cedo percebeu a importância do que criara. Decidiu então programar a Cinemateca para verdadeiramente mostrar todo o cinema. Mas um cinema não de entretenimento e meramente comercial. Para isso haviam todas as outras salas de Paris. Era cinema-arte, cinema de vanguarda, cinema original. Sem o saber – porque o termo ainda não estava definido – Langlois criou o primeiro templo para os amantes do cinema de autor.
O director da Cinemateca planeava sessões duplas onde alternava um filme mudo com um filme sonoro, um western com uma comédia, um drama com um épico. E assim mostrava um pouco de tudo. E com o cinema do passado abria as portas para o cinema do futuro. Assim os jovens aspirantes a realizadores trocaram as aulas do Institut dês Haut Études Cinématographiques, por dias e dias pregados nas cadeiras da Cinemateca .

Citizen Kane estreou-se na Cinemateca, muito depois da sua data original
A valorização que fez do cinema mudo, junto de jovens que já tinham nascido na era dos talkies, tornou-se fundamental na compreensão da arte cinematográfica para os jovens cinéfilos. O mais influenciado por esta realidade terá sido Jean-Luc Godard, que em toda a sua obra percebe que pode haver cinema sem som, sem som síncrono, sem qualquer fronteira. E explorará essa realidade de múltiplas formas, sendo que Pierrot le Fou é o melhor exemplo disso.
Entre filmes proibidos, filmes de países que alguns jovens nem sabiam que faziam cinema – os primeiros Kurusawas, Ozus e Mizoguchis foram vistos na Cinemateca – filmes de vanguarda, documentais, de animação ou de ficção, os jovens, sentados nas cadeiras na frente ou mesmo no duro chão das salas, contemplavam extasiados a arte cinematográfica no seu esplendor. E foi aí que aprenderam a amar o cinema. E seria esse amor que os tornaria, primeiro, críticos acérrimos do cinema como arte, e depois, realizadores de um cinema sem fronteiras.

Na Cinemateca Truffaut verá mais de 2000 filmes antes dos 25 anos
Sem a Cinemateca não teria havido Nouvelle Vague. Sem Langlois não haveria Godard. Sem o cinema de todo o mundo não se faria cinema para todo o mundo. E por isso, quando em 1968, o governo francês tentou exonerar Langlois, as fileiras cerraram-se. Por um momento os cinéfilos estavam todos do mesmo lado da barricada. E o “caso Langlois” despoletou o que se seguiria. Estávamos em Maio de 68, curiosamente, no ponto de chegada da Nouvelle Vague original.
Próximo Capitulo - Os Hitchock-Hawksianos
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:21 AM | Comentários (2)
Poster final de A Tale of Deceives
Aqui está finalmente, o último poster oficial de A Tale of Deceives, a primeira curta-metragem produzida pela LP Produções e realizada por Miguel Lourenço Pereira.
O primeiro trailer da curta estará online na próxima semana, altura em que serão divulgadas também as primeiras imagens do filme. Filme esse que tem estreia agendada para meados de Julho. O adiamento deveu-se a problemas respeitantes à banda sonora original, já que na impossibilidade de apresentar uma banda sonora que não da autoria da LP Produções, levou a um adiamento de um mês para tratar da composição da nova partitura sonora da curta de quinze minutos.
Até lá, é esperar e ir dando uma vista de olhos nas novidades, aqui no Hollywood.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:56 AM | Comentários (1)
junho 23, 2005
Crash - Raças ou pessoas?
No melting pot intenso que é Los Angeles, encontramos de tudo. A pergunta que Paul Haggis deixa no ar, é na verdade, o que encontramos nas ruas da cidade dos anjos? Serão raças, ou serão pessoas?
Filme de ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()

Latinos, negros, iranianos, brancos? Serão esses os habitantes do mundo, os habitantes de Los Angeles? Ou será que pelas ruas da cidade caminham pessoas como Graham Waters, Farhad ou Ria. Pessoas sem cor, sem raça, apenas pessoas.
Paul Haggis - argumentista genial, um dos melhores da actualidade, o que confirma em pleno com este filme - debruça-se sobre esta miscelânea de culturas e raças em Los Angeles, que funciona, no fundo, como o micro-cosmos da América. E quem diz América, diz o mundo. Basta olhar para os mais recentes acontecimentos em Carcavelos para percebermos que estes problemas andam aí e não vale a pena meter a cabeça debaixo da areia.
Crash não é um filme racista, nem um filme anti-racismo. É um filme honesto, onirico e com um forte sentido de esperança num futuro melhor. Aqui não há racismo, na forma como é entendida pelo grande público, ou seja, o racismo do negro pelo branco. Aqui todos podem ser racistas, desde o Procurador Geral da cidade, aos agentes policiais, aos prórprios habitantes das comunidades minoritárias negra, hispânica e até mesmo asiática e árabe. Aqui o problema não é o racismo. São as pessoas e a maneira como elas se inter-relacionam.

Era impossivel contar esta história, debruçar-se sobre este problema, sem o fazer da forma como Haggis engedrou. Uma sucessão de histórias cruzadas, todas inter-ligadas de forma subtil, engenhosa e extremamente coerente, dão o mote para esta viagem nos confins do ser humano. Um argumento sem falhas - com alguns toques cinematográficos habitualmente americanos, como as habituais coincidências e o espirito de redenção final - e uma direcção fabulosa, se tivermos em consideração que este é o primeiro filme de Haggis atrás das camaras. E a juntar a tudo isto, há ainda um elenco muito variado, e, sem excepção, extremamente competente.
Don Cheadle mostra que está num momento espantoso da sua carreira, com um desempenho subtil e muito interessante. Matt Dillon e Sandra Bullock dão sinais positivos em carreiras que estavam completamente estagnadas. Brendan Fraser e Ryan Philiphe safam-se bastante bem em papeis contraditórios com eles mesmos. E Thandie Newton e Jennifer Esposito são mulheres de garra, mas, sem nunca deixarem de ser mulheres, o que no cinema norte-americano de hoje é cada vez mais dificil encontrar. E por fim, a personagem mais elaborada é mesmo a do rapper Ludacris, que consegue superar com distinção o desafio de, em muitas das cenas, ser ele o motor dos acontecimentos.

O trabalho técnico da equipa de Haggis é também de grande nivel, em especial a fotografia e a banda sonora que pauta o ritmo do filme. Sem grandes espaços para brilhar, os actores encarnam personagens que, mais do que nos espantarem com rasgos de interpretação, nos deixam a pensar, verdadeiramente, nas relações humanas dos dias de hoje. Fica-nos a ideia de que o racimo pode desaparecer, no momento em que todos quiserem que ele desapareça. E não falo apenas naqueles que são acusados de racismo. No filme seria fácil identificar Matt Dillon, Ludacris ou o assessor de Brendan Fraser como racistas. Mas na verdade, todos são racistas. Todos somos racistas.

Ao criar quotas que favorecem as minorias, estamos a ser racistas. Ao criar guettos, fisicos e culturais, estamos a ser racistas. A MTV a adoptar uma politica de "niggers with attitude" e a vende-la aos brancos dos suburbios, está a praticar racismo. O Bloco de Esquerda ao defender todas as minorias do mundo, está a praticar racismo. Eu a escrever uma critica em que, mesmo defendendo que o mundo deve ser composto por pessoas e não raças, só pelo facto de me passar pela cabeça a ideia - que também fica no filme - que o crime continua a ser presença activa nas comunidades minoritárias, estou a ser racista. Todos somos racistas. É esse o alerta de Haggis. É nisso que ficamos a pensar. É esse a "colisão" que confunde o nosso pensamento. É esse o primeiro mérito, do melhor filme de 2005 até agora.
Classificação - ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
O Melhor - O argumento de Paul Haggis, e a forma realista como ele filma a história.
O Pior - O sentido de redenção, apesar de encaixar no estilo poético do filme, entra em contraste com o espirito do que realmente se passa. Não é um final realista, é um final desejável.
Curiosidade - Depois de ter perdido o óscar de melhor argumento adaptado no ano passado, agora Paul Haggis surge como o grande candidato a vencer o óscar de melhor argumento original. As voltas que Hollywood dá.
Site Oficial - www.crashfilm.com/
Realizador - Paul Haggis
Elenco - Don Cheadle, Sandra Bullock, Matt Dillon, ...
Produtora - Lions Gate
Classificação - m/12
Duração - 113 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:30 PM | Comentários (2)
Verão Quente - Jessica Alba

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:25 AM | Comentários (2)
Capitulo I : Antes de Tudo Acontecer - Em Hollywood há Cinema e "Cinema"
Apesar do cinema europeu estar a viver uma boa fase – e de, não podemos esquecer, na Ásia e na América do Sul o cinema começar a crescer a olhos vistos – era na América, e mais propriamente em Hollywood, que o cinema estava em casa.

Samuel Fuller
No entanto, Hollywood sempre habitou os cinéfilos a dois tipos de cinema. Por um lado, o cinema de entretenimento puro. Era para esses filmes que os grandes orçamentos das majors eram direccionados. Se nos anos 30 o musical, o western e a screwball comedy tinham dominado o panorama, a verdade é que o cinema do pós-guerra trouxe uma realidade diferente. Apesar de continuarem a ser produzidos anualmente grandes títulos – grandes mais em orçamento do que em qualidade – e de ser hábito da Academia de Hollywood – agora consagrada como a instituição número um do mundo do cinema – premiá-los ano após ano, a verdade é que começava a desenhar-se lentamente, uma nova forma de explorar o cinema.
Claro que o corte nunca foi muito radical – exceptuando alguns realizadores que viriam a revelar-se marcantes para a Nouvelle Vague – mas era um corte substancial se pensarmos no que realmente fazia dinheiro à época. Uma dessas correntes, que se começa a afirmar nos anos 40 e atinge o seu apogeu nos anos 50 é a escola do cinema noir. Influenciado pelos filmes de gangsters e pelo cinema de série B dos anos 30 e 40, este cinema noir tinha-se tornado respeitável, ao ponto de realizadores consagrados como Fritz Lang, se juntarem a novatos como John Houston ou Nicholas Ray. Um cinema muito sóbrio, contido e extremamente intenso que seria alvo de imensa adoração na sede dos Cahiers. Godard diria que Nick Ray era “o cinema ” e dedicaria A Bout de Soufle à Monagran Pictures, uma produtora de filmes de série B. Truffaut faria Tirez Sur le Piannist como homenagem ao cinema noir dessa época.

Nicholas Ray
Para além do noir, também o cinema de critica social começava a conquistar o seu espaço. Filmes que abordavam habitualmente inadaptados sociais, e que usavam essa premissa para fazerem uma profunda reflexão sobre os EUA e sobre o que é ser americano. Aqui o nome maior é sem dúvida Samuel Fuller, o realizador norte-americano que mais ficaria ligado à Nouvelle Vague, por diversos motivos. Não só pelo seu trabalho como autor de filmes como Park Row, Pickup on South Street ou Shock Corridor, mas também pela correspondência que trocava com os jovens realizadores franceses. Curiosamente seria Fuller o motivo principal de discórdia entre Sadoul, e os críticos comunistas, e os jovens-lobos encabeçados por Truffaut, ainda nos dias dos Cahiers. Uma dica preciosa para perceber o que viria depois nos trabalhos da Nouvelle Vague.

Por fim – e apesar do cinema de Hollywood ser muito mais vasto, complexo e fascinante do que estes autores – o fundamental da filmografia norte-americana estava, para os jovens da Nouvelle Vague, reduzido a dois nomes: Howard Hawks e Alfred Hitchcock. Seriam eles uma das suas principais influências, e seria graças a eles que a sua obra seria recuperada e colocada no seu devido lugar. No Olimpo do cinema.
Próximo Capitulo - Inspirações: A Cinemateca Francesa
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:17 AM | Comentários (1)
junho 22, 2005
Verão Quente - Scarlett Johansson

E assim começa o Verão Quente!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:22 AM
Capitulo : Antes de Tudo Acontecer - O Cinema de Autor na Europa
Apesar de dominar o cinema europeu à época, não era só em Itália que se fazia cinema de altíssima qualidade.

Ingmar Bergman
Na Suécia, e depois de um longo período que marcou os primeiros filmes de Victor Sjostrom, e o lançamento de estrelas como Garbo e Bergman, o cinema voltava a estar em alta. Tudo graças ao trabalho de um único cineasta de seu nome Ingmar Bergman. Misturando um pouco do cinema neo-realista, com alguma imaginação e muito talento, Bergman construiu uma realidade impar nos seus filmes, tornando-se referência obrigatória para qualquer cinéfilo europeu da época – algo que ainda hoje se mantém. Aliás, não é por acaso que uma das fotos mais presentes em toda a filmografia da Nouvelle Vague, é a de Harriet Andersson em Sammaren med Monika.

Em Espanha e Portugal o cinema vivia atado pelo regime fascista que dominava os dois países ibéricos. Se em Portugal este foi o período áureo da comédia ligeira, habitualmente dirigida por Arthur Duarte, em Espanha foi o nome de Juan António Bardem que pontificou. Realizador crítico da sociedade espanhola à época, é ainda hoje visto por muitos como o maior nome da história do cinema espanhol . Por essa época andava também um apátrida Luís Buñuel a explorar as múltiplas realidades que encontrava. Após a sua fase mais de vanguarda, Buñuel iria passar do 8 ao 80, voltando depois ao 8 numa série de filmes completamente diferentes dos seus antecessores. Mesmo assim era ainda um nome imensamente respeitado pelos cinéfilos da época, incluindo a escola da Nouvelle Vague.

Luis Buñuel
E se o cinema soviético tinha estado em alta nos anos 20 e 30 com nomes fundamentais como são Dziga Vertov e Serguei Eisenstein, a verdade é que no pós-guerra houve um apagamento do cinema de leste, isto apesar da crítica comunista – em França dirigida por Georges Sadoul, um dos grandes “inimigos” da Nouvelle Vague – exultar sempre que um filme russo chegava ao outro lado da fronteira que dividia o continente. Mas eram filmes completamente comprometidos com o regime soviético, não tendo por isso a liberdade artística que Eisenstein e Vertov conseguiriam imprimir, apesar de tudo, nas suas obras maiores.
Por fim havia ainda o cinema britânico.
Confundido na maior parte dos casos com o cinema norte-americano – naturalmente já que partilhavam realizadores, actores e ideias – o cinema inglês do pós-guerra conheceu uma fase de forte critica social. Os realizadores voltaram-se para as classes proletárias que começavam a prosperar, após os difíceis anos da Depressão e da guerra, quer em documentários – John Grierson – quer em filmes de ficção – Lyndsay Anderson. Já em meados dos anos 50 “explodiu” a chamada escola dos Angry Young Men, inspirada em obras teatrais como Look Back in Anger de John Osborne, e filmada por jovens lobos como John Schlessinger e Tony Richardson. O Free Cinema britânico aprendia a conhecer-se aos poucos, mas a verdade é que o fantasma do cinema americano não lhe dava grande margem de manobra.
Próximo Capitulo - Em Hollywood havia Cinema e "Cinema"
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:06 AM | Comentários (1)
O Que Estreia Por Cá - Ele vem das trevas
Depois de Joel Schumacher ter quase arruinado a carreira de Batman no cinema, eis que Christopher Nolan decidiu recuperar o Cavaleiro das Trevas. Mais sombrio que nunca, o Homem-Morcego regressa, e com um elenco de luxo a acompanhá-lo pelas ruas de Gotham City...

Está aberta a época dos blockbusters. Aliás, Mr and Mrs Smith já tinham aberto as hostilidades por cá, mas é a partir de agora que os filmes de grande orçamento vão tomar de assalto as bilheteiras. Batman Begins, o regresso do Homem-Morcego ao cinema, agora no corpo de Christian Bale e sob a direcção de Christopher Nolan, vai tentar não só tomar de assalto o box-office - a ter um ano em baixa - e ao mesmo tempo reconquistar os fãs da saga, bastante desiludidos com os dois últimos filmes à volta de uma das mais miticas personagens de banda desenhada do universo norte-americano.
O filme ignora todos os outros feitos até hoje - incluindo o espantoso Batman de Tim Burton - e decide voltar ao início e contar tudo de novo. A aprendizagem de Bruce Wayne, o seu desencanto com Gotham, a criação do seu alter-ego, o seu combate contra o crime em Gotham, mas também consigo mesmo, e o seu primeiro amor.
Para tantas aventuras num só filme, a Warner não mediu esforços. Contratou um dos mais espantosos elencos dos últimos anos para que cada segundo do filme fosse emotivo e retumbante. Michael Caine, Morgan Freeman, Liam Neeson, Ken Watanabe, Katie Holmes, Gary Oldman, Cilian Murphy ou Tom Wilkinson são alguns exemplos do nivel desta super-produção.
Dinheiro parece que é algo que o filme não tem problemas, em gastar e em arrecadar. A conquista da critica e do público prometem ser a meta. Até porque já há sequelas na forja, e convém não repetir o erro de George Lucas na sua segunda incursão pelo mundo Star Wars, falhando o primeiro filme. Mas a promessa está feita. Batman Begins está aqui para deixar Spiderman e X-Men para trás. Promessa de Homem Morcego.

Mais três estreias por cá neste início de Verão.
Crash é um dos mais aclamados filmes do ano. Com um elenco espantoso, onde pontificam Don Cheadle e Matt Dillon, com escrita e realização de Paul Haggis (que se estreia nas lides de director após ter escrito sucessos como Million Dollar Baby), este é um projecto arrebatador. A critica não lhe poupou elogios, o público gostou, e se o espirito se mantiver, pode ser um filme a ter em atenção lá para o final do ano. O Hollywood vai confirmar tudo isto na ante-estreia de Crash na próxima quarta-feira.

Submerged é mais um filme com Steven Seagal. A presença do reconhecido actor de action-flicks é indicativo do que se pode encontrar neste filme de Antony Hickox. Ex-presidiários, mercenários e terroristas são a premissa para mais uma violenta incursão de Seagal nas salas de cinema.

Baseado num livro de George Simenon, este filme da cineasta francesa Cedric Kahn, traz de novo o genero de suspense ao cinema francês, de onde andava arredado desde que Chabrol o deixou de explorar em pleno. Feux Rouges é pois um trabalho interessante no genero de suspense em França, e mais uma estreia europeia por cá.

O Hollywood Recomenda - Depois de escrever um argumento como MDB, e de ter a critica norte-americana aos seus pés, Paul Haggis é um dos homens do momento. O seu filme de estreia, Crash, é um filme obrigatório de se ver.
O Hollywood Desaconselha - Por muito injustos que sejamos com os admiradores do genero e com o próprio actor, começa a ser nota corrente que os filmes com Steven Seagal são deveras, a evitar.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:17 AM | Comentários (1)
junho 21, 2005
Capitulo I : Antes de Tudo Acontecer - Em Itália há Neo-Realismo
A verdade é que a França já não era o ponto avançado do cinema europeu. Tinha-o o sido nas duas primeiras décadas do século, mas cedo perdera esse papel, primeiro para o cinema expressionista alemão - filmado nos espantosos estúdios da UFA e primeiro grande explorador do chamado cinema de vanguarda através do expressionismo de Murnau, von Stroheim e Lang - e depois para o cinema-verdade da União Soviética, que rapidamente tinha percebido o importante papel da montagem na construção fílmica. E se nos anos 30 a França tinha voltado a ser o principal produtor cinematográfico da Europa, no pós-guerra esse título pertencia à Itália.

Frederico Fellini, Vittorio de Sicca e Roberto Rossellini
Desde 1914, data do belíssimo e tão esquecido Cabiria de Giovani Pastrone, que o cinema italiano se tinha dedicado à criação de épicos espectaculares, os chamados peplum . E assim foi até aos anos 30, altura em que o regime fascista mandou construiu os estúdios da Cinecittá para rivalizar com os estúdios de Hollywood. Por essa época o cinema italiano, altamente censurado, vivia de comédias apelidadas de Telefones Brancos, pelo falso-ambiente de sumptuosidade com que eram criados, muito ao estilo das produções da MGM.
Como reacção directa a este género de cinema, no final da 2º Guerra Mundial começaram a surgir diversos cineastas que queriam, acima de tudo, exprimir o impacto que a guerra e o regime fascista tinha tido no povo italiano. Os filmes passariam a filmar as ruas, os campos, as praias, em vez de filmarem palácios e casas luxuosas. E filmariam os camponeses, os pescadores, os desempregados, no lugar da burguesia. Essa corrente ganhou imediatamente o epíteto de Neo-Realismo, tal era a força e crueza das imagens que contavam a história de gente pobre, humilde, mas honrada, que sofria ainda com a Guerra, com a pobreza, com o Sistema.

Estúdios Cinecittá
Em muitos dos casos os filmes nem actores profissionais tinham. Eram pescadores ou camponeses locais que acabavam por ser contratados para dar um maior realismo à própria história. Ao contrário do que viria a acontecer no final dos anos 50, em que actrizes como Sophia Loren, Gina Lollobrigida ou Cláudia Cardinalli podiam viver pobres pescadoras ou operárias, nestes filmes a realidade imperava. E por isso não havia o glamour das estrelas de cinema. Havia a crueza de actores que na verdade não o eram. Os seus autores estavam naturalmente ligados ao Partido Comunista italiano – a maior força politica à época – e tinham começado a entrar em contacto uns com os outros nas revistas Cinema e Bianco e Nero, que estão para o cinema italiano como a Positif ou os Cahiers estão para o cinema francês.

Il Ladro di Bicla
Nomes como Roberto Rossellini, Vittorio de Sica, Luchino Visconti ou Alessandro Blasetti deram origem a uma das escolas mais marcantes da história do cinema. O seu estilo influenciou não só o resto da produção europeia da época, como viria a influenciar mais tarde o cinema norte-americano, e, claro está, a escola da Nouvelle Vague. As obras mais marcantes deste movimento – Quattro Passi Fra la Nuvole, Ossessione, Ladro di Bicla, Paisá, Stromboli, La Terra Trema, e, acima de tudo, Germânia Anno Zero e Roma Cittá Aperta – tornaram-se parte de qualquer filmografia obrigatória, e eram objecto de culto por parte da juventude da Nouvelle Vague, que tinha mesmo em Rossellini um dos seus maiores mentores.

Roma, Cittá Aperta
Mais tarde, já em plena década de 50, o neo-realismo esfumou-se num realismo critico, tendo cada autor direccionado os seus filmes para uma vertente mais pessoal. Visconti dedicou-se ao drama humano, Rossellini explorou as diferentes realidades que a Europa vivia, e o jovem Fellini começou a ironizar sobre o seu próprio país.
De qualquer forma, este é provavelmente um dos movimentos mais importantes da história do cinema. Faz a ponte entre o cinema dos anos 30, o cinema ainda inspirado tanto no expressionismo alemão como no cinema soviético, para o cinema dos anos 60, o cinema novo francês, mas também brasileiro, polaco ou alemão.
Próximo Capitulo - O Cinema de Autor na Europa
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:26 PM
Mr and Mrs Smith - Briga de casal
Recuperando a herença de diversos filmes, que, de certa forta, já tinham dado passos neste sentido, Mr and Mrs Smith é um blockbuster de Verão com muita acção e humor, e uma dupla que respira sexo por todos os poros. O filme ideal para o inicio do Verão.
Filme de ![]()
![]()
![]()

Doug Liman percebe de filmes de acção (é ele o director das aventuras de James Bourne) e percebe de humor (foi o impulsionador da popular serie televisiva O.C.). É por isso uma escolha competente para realizador deste Mr and Mrs Smith.
Mas o genero de filmes onde a briga entre casais é o ponto de partida já vem de trás, dos dias de ouro da screwball comedy. Há, não só, o filme homónimo de Alfred Hitchcock, com a inesquecivel Carole Lombard, mas também outros exemplos como The Awful Truth de McCarey ou Adam´s Rib de Cuckor. Mais recentemente, Danny de Vitto em War of the Roses e John Houston em Prizzis Honour, fizeram o que este filme explora. Mas apesar de muito competente, nunca Liman esteve, nem de longe nem de perto, ao nivel destes autores. Mesmo se pensarmos apenas nos dois filmes mais recentes, não há aqui o humor negro de War of the Roses, nem a sagacidade de Prizzis Honour. Há muita acção a computador, sem dúvida, há um humor muito inteligente e bem conseguido. Mas falta muito mais para fazer deste, um bom filme. No entanto, por outro lado, este é um filme de entertenimento, concebido como tal. E nesse campo, cumpre as expectativas, mesmo com algumas falhas de percurso. E é nessa dupla dimensão que se percebem as diferenças deste filme para todos os restantes citados, que exploraram a mesma realidade, mas com um impacto e qualidade muitissimo superior.

Com a competência de Liman já referida, e toda a panóplia de efeitos especiais, resta falar um pouco do elenco e do argumento. Se a história poderia ter algum interesse à partida, nota-se que houve ali falhas e que há demasiado pontas soltas no desenvolvimento narrativo. Não é uma vulgar briga de casais, mas não consegue soltar-se nunca disso, prejudicando qualquer aventura noutra dimensão. É pena porque a premissa, com um primeiro plano interessantissimo, prometia.
Quanto aos actores é sempre dificil de dizer, num filme de acção como este, se houve representações dignas desse nome. Brad Pitt e Angelina Jolie (apesar do óscar da última) não são actores de grande nivel. São estrelas de Hollywood, são sex-symbols, mas actore de gabarito ainda não se pode dizer que sejam. Pitt tanto faz Se7en e Meet Joe Black como The Mexicana ou Troy, onde parece que tudo o que há de actor dentro dele desaparece. Este filme pertence mais ao segundo grupo que ao primeiro. Já Jolie, sempre demasiado presa ao seu estatuto de icone sexual, nunca consegue soltar laivos de representação realmente convincentes. Tem o olhar e o corpo que dominam a cena, mas falta-lhe a profundidade dramática, que se exige a um actor. Mas, mesmo assim, no capitulo humoristico do filme - o melhor que o filme tem - ambos saem-se bem, talvez exactamente por parecerem muito ocos no resto do seu trabalho como actores. Por lá também anda Vince Vaughn, esse sim, um cómico extremamente interessante e de grande valor, que continua a afirmar-se - a par de Will Ferrel, Adam Sandler, Ben Stiler e Owen Wilson - como um dos mais interessantes comediantes da sua geração.

Resumindo um pouco, esperar mais do que umas gargalhadas e alguns momentos de bom entertenimento deste Mr and Mrs Smith, é esperar de mais. Procurar um filme de acção competente com gags excelentes, é sem dúvida a escolha certa. Sem nunca passar a barreira da mediania, sem nunca deslumbrar, este é um filme que não compromete, que assume as suas falhas, que explora as suas virtudes, e que, acima de tudo, transpira uma sexualidade tremenda. E com a chegada do Verão, ás vezes basta isso para despertar um clique em qualquer espectador.
Classificação - ![]()
![]()
![]()
O Melhor - O humor truculento, tanto das personagens principais do filme, como também, e inevitavelmente (era para isso que ele lá estava) de Vince Vaughn.
O Pior - As falhas no diálogo e as incoerências que vão aparecendo.
Curiosidade - Depois de Bogart e Bacall em To Have and Have Not. De Burton e Taylor em Cleopatra. Depois de tantos outros casais que se conheceram nos sets de filmes, eis que Angelina Jolie e Brad Pitt parecem terem entrado nesse grupo. A acompanhar com curiosidade digna de voyeur, mais um affair a la Hollywood.
Site Oficial - www.mrandmrssmithmovie.com
Realizador - Doug Liman
Elenco - Angelina Jolie, Brad Pitt, Vince Vaughn, ...
Produtora - Fox
Classificação - m/12
Duração - 120 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:40 AM
Verão Quente é novo espaço
O Verão convida a praia, a roupas reduzidas, a música de dança, a descanso. Ou seja, convida um pouco ao superficialismo da própria condição humana. O Hollywood também decidiu aderir ao espirito de Verão, estação que agora começa e que termina a 21 de Setembro. Até lá, a um ritmo que se prevê diário, será publicada uma foto, sem qualquer comentário, de uma actriz ou actor, que nos reporte para a estação que vivemos. Claro que serão fotos sensuais, ousadas, algumas a roçar o erotismo mesmo. Mas com o bom gosto que nos é reconhecido.
Porque o cinema não é só a tela, é todo o universo que se move à sua volta. E porque os corpos, os olhares, o sexo, também é parte fundamental do cinema, adivinha-se aqui um Verão muito quente.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:16 AM
junho 20, 2005
Capitulo I : Antes de Tudo Acontecer - O Sistema de Tradição de Qualidade
O cinema de autor estava marginalizado na produção cinematográfica francesa. Eram os estúdios e os distribuidores que controlavam o grosso da criação de filmes. O sistema, apelidade de Tradição de Qualidade, marcava de forma vincada, o outro lado da barricada.

Claude Autant-Lara
O cinema francês tinha os seus autores, como os Estados Unidos ou a Itália – os dois países em alta à época em termos de qualidade cinematográfica – mas também tinha um grande problema, no ponto de vista dos jovens críticos.
O chamado cinema de tradição francesa, a que alguns acrescentaram o adjectivo – que chegou a tornar-se irónico - de “qualidade”. Esse cinema era feito com base em grandes produções, habitualmente inspirado nas obras maiores da literatura francesa, especialmente na prolífera literatura realista e romântica do Século XIX. Eram filmes que não faziam, na maior parte dos casos, jus ao livro que queriam adaptar, muito por culpa dos argumentistas, à época tão ou mais importantes que os próprios realizadores.
Contra estes iriam insurgir-se primeiro Alexander Astruc, e mais tarde François Truffaut.

Mas lá iremos. A verdade é que os filmes escritos por Jean Aurenche, Henry Jeanson e Pierre Bost, e realizados na sua maioria por nomes como Claude Autant-Lara, Jean Delannnoy e Rene Clement, apesar de serem sucessos junto do público – e foram-no sempre mais que os próprios trabalhos dos autores da Nouvelle Vague – eram vistos como uma traição ao que devia ser o cinema. Eram filmes sem inspiração, sem coragem, sem precisão, e sem talento. Filmes como Le Diable aux Corps , que Truffaut usaria mais tarde para expor a sua teoria sobre este cinema de argumentistas, no seu texto obrigatório de 1953 – quando ainda ninguém imaginava possível uma Nouvelle Vague, que já se começava a desenhar - Une Certaine Tendence de le Cinema Française.
OS OUTROS, NO MEIO DO LIMBO
E por fim, para tornar ainda mais complexo o cenário, havia o cinema que se encontrava a meio caminho de cada um dos lados da barricada. Filmes de autores – e a maior parte eram já vistos como tal – que apresentavam um imenso potencial, mas que precisavam de se consolidar na sua forma como abordavam o cinema. Era nesse espaço que estavam nomes como Roger Vadim – que ajudou a despoletar o cinema da Nouvelle Vague com o seu Et Dieu Créa la Femme – Jean Cocteau, Jacques Tati e Jacques Becker. Nomes que, de uma forma ou de outra, mostraram ser possível explorar diversos caminhos. Caminhos que só acabariam por ser explorados mais tarde, mas essenciais para mostrar que o cinema francês não era preto e branco. E seria desse cinzento, se bem que ainda ténue, que resultaria o movimento da Nouvelle Vague.

Brigitte Bardot em Et Dieu Creá La Femme
Próximo Capitulo - Em Itália há Neo-Realismo
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:17 PM
Di Caprio brutalmente esfaqueado
Uma noticia bastante preocupante para os admiradores de Leonardo di Caprio. Na noite passado o actor foi esfaqueado na face por uma mulher, que utlizou uma garrafa de cerveja partida.
O actor foi levado para o hospital onde recebeu doze pontos na cara, tendo se salvo por pouco de uma morte imediata. DiCaprio estava numa festa em Hollywood e à saída foi atacado por uma mulher que tinha sido convidada a sair por várias vezes, e que acabou por escolher o jovem actor como alvo da sua furia.
Resta saber se os ferimentos poderão, de alguma forma desfigurar a figura de DiCaprio. Já em 1961 Montgomery Clift, tido à época como um dos homens mais belos do mundo, envolveu-se num acidente, ficando com a cara bastante desfigurada, no que acabou por ser o primeiro passo para o fim abrupto da sua carreira.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:52 PM
Cinderella Man em queda...
Depois de ter sido apontado como um dos grandes favoritos à corrida aos óscares, a verdade é que a Universal anda de cabeça perdida à volta de Cinderella Man.
O filme tinha todos os ingredientes de sucesso - realizador, elenco, história - mas a verdade é que o público virou as costas ao filme. Apenas 34 milhões de dólares em duas semanas, faz com que o filme esteja muitissimo longe dos numeros esperados pela produtora. Batido pelos blockbusters de Verão, Cinderella Man pode ter visto as suas esperanças arruinadas, isto apesar de uma critica bastante positiva.
Resta saber se os resultados na Europa, uma forte campanha de marketing, uma boa edição em Dvd, e ainda o papel da critica lá mais para o fim do ano, podem salvar um candidato à beira do precipicio.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:10 AM
junho 19, 2005
Parte I : Antes de tudo acontecer - O Cinema à Época
Apesar de ter alterado a forma como se fazia cinema, a Nouvelle Vague foi extremamente inspirada pelo cinema que se fazia na época. Inspiração que chegava não apenas de Hollywood, mas também das escolas de cinema europeias, do neo-realismo italiano aos clássicos maiores do cinema francês, sem esquecer o trabalho de Bergman ou de Vertov e Eisenstein. Para compreender a Nouvelle Vague, deve-se primeiro tentar partir à procura do mundo cinematográfico da época.

Jean Renoir
O CINEMA EM FRANCÊS
OS AUTORES
Para a Nouvelle Vague o cinema francês vivia num limbo. De um lado do precipício estavam os históricos cineastas que estes jovens tinham aprendido a amar ao longo dos anos. Os mestres do mudo, onde pontificava Abel Gance, rodeado de nomes como Jean Vigo, René Clair, Max Ophuls e, acima de todos os outros, o nome de Jean Renoir.
Filmes como Napoleon , L´Atalante , Boudou Sauvé dês Eux ou La Regle du Jeu , prendiam desde o primeiro instante o imaginário destes jovens, que iam descobrindo, pouco a pouco, as pérolas do seu cinema, nas apinhadas salas da Cinemateca Francesa, onde Henri Langlois contribuía para o nascimento da primeira geração de verdadeiro cinéfilos.

Jean Vigo
A imaginação destes autores – sim porque estes nomes eram autores para estes jovens, e não meros realizadores às ordens de um qualquer regime ou produtora – a forma como exploravam a câmara, como inventavam cena atrás de cena com um ritmo fresco, inovador e extremamente apelativo, tornaram-nos desde logo, alvos de imensa admiração. A eles se veio a juntar mais tarde Robert Bresson, talvez o único cineasta francês pós-Renoir que, para os jovens da Nouvelle Vague, sabia adaptar correctamente um livro ao cinema, algo que começava a ser um lugar comum nos filmes franceses, pela negativa. Em filmes como Les Dames du Bois de Boulogne ou Journal de un Curé de Campagne , verdadeiras obras-primas visuais e morais, Bresson impressiona pela naturalidade como pega na câmara e consegue transmitir com realismo, histórias por vezes extrapoladas da realidade, bem para dentro do espírito humano. Já na altura em que os jovens cinéfilos se tinham transformado em jovens críticos, Bresson cria Un Condamné à Morte c´est Echapé, filme poderosíssimo que conquistou de imediato estes jovens sonhadores, que o tinham, inclusive, como um dos maiores realizadores de sempre. E era-o sem dúvida!

Robert Bresson
Mas era Renoir, Jean Renoir, aquele que os jovens da Nouvelle Vague mais amavam. E Renoir era um verdadeiro paradigma do cinema francês à época. Era claramente o mais talentoso de todos os realizadores no activo. Tinha começado a trabalhar ainda na era do cinema mudo, onde alcançara bastante prestigio, prestigio esse que nos anos 30 conheceu altos e baixos, saltando entre obras-primas como La Regle du Jeu ou La Bette Humaine, para fracassos como Madame Bovary . A sua passagem pelo cinema norte-americano foi mal recebida em França, apesar da qualidade indiscutível de This Land is Mine . No pós-guerra Renoir regressa a França, mas encontra um país onde poucos ainda apreciam a sua obra. Filmes como Eléna et les Hommes ou Le Carrose D´Or, são vistos por poucos e apreciados ainda por menos. Mas entre esses estavam Truffaut, Chabrol, Godard, Resnais ou Rivette, os jovens lobos que começavam a dar cartas no meio da crítica cinematográfico, sempre apadrinhados por André Bazin, confesso admirador da obra a que os jovens apelidavam humildemente de “mestre”.
Próximo Capitulo - O Cinema de Tradição de Qualidade em França
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:06 PM | Comentários (3)
Elencos em movimento
As noticias sobre os elencos dos mais variados projectos não param de chegar.
Tim Robbins, que vamos ver proximamente em War of the Worlds, vai-se juntar ao jovem Derek Luke no filme Hot Stuff. O trhiller dirigido por Philiph Noyce vai desenrolar-se na África do Sul nos dias do apartheid, e contará uma história real de um jovem negro que se revolta contra o sistema segregador da administração branca. O filme será produzido pela Focus.

Também Alfonso Cuaron encontrou o segundo nome de destaque para o seu próximo projecto, Children of Men. Depois de ter assinado contracto com Clive Owen, o realizador mexicano vai contar agora com Julliane Moore no elenco do filme, cuja estreia está marcada para o próximo ano. Este é um filme de ficção-cientifca, em que Owen vive o guardião da primeira mulher a engravidar no planete Terra em vinte anos.

Por fim foi divulgado o elenco de First Man, o primeiro filme de Diane English, conhecida pelo seu trabalho televisivo na serie Murphy Brown.
Robert de Niro e Meryl Streep vão ser os cabeças de cartaz de um filme onde Streep será a primeira mulher a tornar-se Presidente da República, obrigando o marido, um poderoso magnata, a aprender a viver na sombra da esposa.
Os dois voltam a trabalhar juntos após Falling in Love, filme de relativo sucesso na década de 80.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:01 PM
junho 18, 2005
O Que é A Nouvelle Vague?
Um murro no estômago!
Esta é a mais inócua e vaga definição que se pode dar da Nouvelle Vague. Mas, realisticamente, é também uma das mais precisas. Por ser das mais sentidas, especialmente quando nos deparamos com o fenómeno num todo, e não a espaços, e quando percebemos a forma como esta corrente criou uma nova forma de olhar para o cinema.
Além do mais, muito mais que cinema ou poesia visual, a Nouvelle Vague é acima de tudo arte. O cinema como arte. A última grande corrente artística do Século XX. Corrente com direito a manifestos, inspirações, primeiras-obras, momentos de explosão e consagração. E momentos marcados por inúmeras obras-primas. Os primeiros minutos de A Bout de Soufle, os momentos finais de Le Quatrecent Coups, ou a mistura de reflexão, ficção, documentário de um filme como Hiroxima Mon Amour, não enganam ninguém. Aquilo era mesmo cinema-arte. Mas não deixava de ser por isso, um murro no estômago.
Mas, no estômago de quem? Quem encaixou o golpe da Nouvelle Vague? O público? Críticos? Realizadores e argumentistas da época? Produtores? Eles mesmos?

Sim, todos eles. A Nouvelle Vague, foi um pouco de tudo isto.
O público viu-se confrontado com um estilo de cinema completamente diferente do que conhecia, e amou-o desde o primeiro instante. Mais tarde, qual relação de amor à la Godard, iria abandoná-lo sem piedade. Mas lá iremos.
Os críticos também, porque, curiosamente, a própria geração vinha dos abafados escritórios dos Cahiers, onde não se respirava oxigénio. Respirava-se cinema. E foi assim que se fizeram, e foi aí que fizeram os seus primeiros ódios e paixões. E seria natural que essas relações continuassem, ano após ano, num confronto interno entre os amantes de cinema nas terras de Renoir, Gance e tantos outros mitos.
Quanto aos realizadores e argumentistas, nem se fala, já que a base do sucesso desta nova escola de cinema foi o de criticar a forma como se fazia cinema em França, “com qualidade”, mas sem alma e coração, e também, sem talento. Contra o sistema de produção de época, castrador de ideias e emoções, também se revoltaram os jovens da Nouvelle Vague, co-financiando os trabalhos dos amigos, em vez de se renderem aos grandes distribuidores franceses, aqueles que no início tentaram boicotar os seus filmes, os mesmos filmes que hoje são tidos como verdadeiras obras-primas.
E por fim, o confronto da Nouvelle Vague foi igualmente um confronto contra eles mesmos. Contra eles mesmos e entre eles mesmos. Não seria Godard o vinho e Truffaut o azeite? Não seria Rohmer água e Resnais o sal? Não seria curioso que gente tão diferente estivesse junta durante tanto tempo, apenas e só por amor ao cinema?
O amor ao cinema! O leit-motiv desta homenagem. O leit-motiv da Nouvelle Vague.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:00 PM | Comentários (1)
Universal e Hanks filmam Garganta Funda
Não é um remake do filme porno mais conhecido da história. A Universal e a Playtone - produtora de Tom Hanks - compraram os direitos da história de Mark Phelps, o "Garganta Funda" que ajudou a destituir o presidente Nixon, dando origem ao celebre caso Watergate.
Depois de já ter surgido de forma anónima - ninguém a não ser Woodward e Bernstein, sabiam quem ele era - no filme All the Presidents Men, agora o antigo director do FBI vai ter direito a uma filme biográfico, que se centrará obviamente no episódio que o celebrizou, trinta anos depois de ter acontecido.
Não se sabe ainda se Hanks pretende protagonizar ou dirigir o filme.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:56 PM
Espaços a Visitar
Aproveitamos o calor que grassa lá fora e a calma que reina num país ainda incapaz de se encontrar, para nos voltarmos para dentro, para a blogosfera, e recomendar a visita a dois excelentes blogs, curiosamente, ambos de cinema.
Começo pelo Eu Adoro Cinema. O seu autor, André Batista, tem desenvolvido desde Fevereiro um trabalho extremamente interessante, não só na cobertura noticiosa ao que se passa diariamente pelos meandros do cinema, como também no interessante exercicio de critica cinematográfica. Um espaço a visitar sem dúvida, se não pela informação que lá traz, pelo menos pelo talento do seu autor. Podem confirma-lo, aqui!
O outro espaço a divulgar é o Cine7. Dedicado em exclusivo à critica cinematográfica, o grande atractivo deste blog, para além do seu design e dos filmes que por lá passam, é a forma como é feito. Com um colaborador para cada dia da semana - a que se juntam algumas pérolas como é o nosso caro Miguel Baptista - este espaço espelha diferentes opinões sobre a mesma arte de uma forma harmoniosa. Ao Luis Mendonça, ao Fábio Guerreiro, ao Gonçalo Sá - já bem conhecido de todos por aqui - , ao Rui Silva, ao Bruno Sá e a Isabel Fernandes, aqui ficam os nossos agradecimentos por este belissimo serviço prestrado. E pelas grandes semelhanças que há entre estes autores e eu próprio - alguns estudam comunicação social, muitos têm livros e trabalhos sobre cinema prontos a divulgar - é natural que este seja um espaço de visita obrigatória, pelo menos para mim. E para vocês, aqui fica a recomendação. Dêm uma espreitadela aqui!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:53 AM | Comentários (3)
junho 17, 2005
ESPECIAL NOUVELLE VAGUE
No seguimento da homenagem do Hollywood à História do Cinema, o mês de Junho e Julho será marcado por uma especial homenagem ao cinema da Nouvelle Vague.
Mais do que uma corrente cinematográfica, esta verdadeira escola artistica de jovens autores franceses que ajudaram a revolucionar a forma como se fazia cinema, não apenas na Europa mas em todo o Mundo, merece que nos debrucemos um pouco sobre ela. Sobre as suas origens, sobre as inspirações, sobre os seus dias de glória, e também, sobre o seu legado.
Nas próximas semanas serão publicados diariamente textos sobre a Nouvelle Vague, e também criticas aos 10 filmes mais marcantes do movimento.
Porque o Hollywood sabe que o cinema não é apenas hoje, mas é, essencialmente, o ontem, aqui fica mais uma homenagem à história da 7º Arte.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:54 PM | Comentários (5)
Rush ajuda Spielberg
Depois dos problemas que teve com o guião de Indy4 e da agenda preenchida de Tom Cruise exigir que The War of the Worlds fosse filmada no inicio deste ano, Spielberg teve de deixar de lado o seu ambicioso filme sobre o ataque terrorista aos Jogos Olimpicos de 72.
Agora, com War of the Worlds à porta, Spielberg decidiu retomar o projecto, para apresentá-lo ainda no final deste ano ao público.
Entretanto a razia de actores que sairam de Vengance está a ser colmatada. Geoffrey Rush assinou contracto para ser o parceiro de Eric Bana no filme, ampliando assim o elenco de um projecto extremamente interessante. A temática, o realizador e a data de estreia, deixam possiveis indicações de que este pode ser um ano dourado para Spielberg.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:50 PM | Comentários (2)
24 em filme?
Depois de se ter afirmado como uma das mais dinâmicas e populares series norte-americanas, 24 pode tornar-se num filme.
A ideia pertence aos estúdios Fox que produzem a serie, e teria uma pré-data que anda à volta de 2007. O estúdio está a testar ideias sob como manter o espirito da serie - onde cada episodio dura uma hora em 24 episodios por temporada, completando assim o dia da acção em tempo real - e que ideias explorar.
Se o projecto avançar, será provável que Kiefer Sunderland se mantenha como Jack Bauer, o papel que ajudou a revitalizar a sua carreira, tornando-o agora num dos actores mais populares nos Estados Unidos.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:42 PM | Comentários (2)