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junho 26, 2005
Batman - Por detrás da máscara, o medo!
Sombrio e inesquecivel. Christopher Nolan pesquisou bem nos meandros da personagem criada por Bob Kane, há mais de meio século, e desencantou um Batman profundamente perturbado e perturbador. Colocou um elenco de sonho à sua volta, fez de Gotham uma cidade em tons realistas, e construiu um dos melhores filmes baseados em herois de banda desenhada feitos até hoje.
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O medo. Acima de tudo, o medo.
Christopher Nolan fez um trabalho de pesquisa notável. Uma pesquisa sobre a personagem mitica do Cavaleiro das Trevas - não apenas na sua versão original de Bob Kane, mas também das variações aplicadas por autores como Frank Miller - mas também sobre a profundidade da psique humana. E foi lá, qual fantasma escondido e retorcido, que o talentoso realizador de Memento encontrou a matéria prima para o seu heroi, que está longe de ser visto como um heroi no termo consensual do termo. Há em Bruce Wayne - ou no seu alter-ego - algo profundamente negro. Nisso há enormes semelhanças entre esta personagem e a de Anakin Skywalker em Star Wars. A comparação é incontornável. Marcados pelo passado, escondendo os seus sentimentos de tudo e de tudos, deixando-se corroer pela raiva, pela vingança e pela dor. A única diferença - talvez não a única mas a mais significativa - é que Anakin se deixa derrotar pelo tal "lado negro". Bruce Wayne aprofunda o seu próprio medo, e transforma-o a seu favor.

A arte da ilusão explora o medo de forma súbtil
Longe do maneirismo de Schumacher e do surrealismo de Burton, há uma sobriedade assustadora neste Batman Begins. Não só Gotham perdeu o seu sentido de cidade única - tem traços muito comuns ás cidades dos anos 50 do norte dos Estados Unidos - como todaa atmosfera está mais huamana. Não humana no sentido de bondade. Humana no sentido em que explora os cantos mais negros do Ser Humano, a sua podridão moral que tanto pode passar pelo crime e pela corrupção, como pelo fanatismo. E é contra isso que existe uma especie de ideal - apagado no inicio, na medida em que o nosso (anti) heroi está a meio da sua descida aos infernos - de justiça, de dignidade, que cria um sopro de luz na escuridão, muitissimo bem trabalhada pelo trabalho de fotografia do filme.

Onde tudo começou. O peso de um acontecimento.
Nese plano, um dos pontos fortes do filme, é o olho clinico de Nolan. A camara - bem como o trabalho de fotografia e de montagem, essenciais nesta dimensão - tanto desce aos infernos com Wayne, como também é iludida com o universo misterioso de Ras Al Guhl, como acompanha a criação de Batman, e a transformação do próprio Bruce Wayne em algo maior que ele mesmo, um verdadeiro simbolo de esperança. Nolan era de facto o homem certo para dirigir este filme (depois de se ter falado em Daren Aranofsky e Clint Eastwood, dois registos completamente opostos), e fe-lo com imensa mestria.

Engenhocas mais modernas e realistas, mas igualmente espantosas.
Muito do crédito desta revitalização da serie, é sem dúvida dele.
O restante crédito - com todo o respeito para os argumentistas e para a equipa técnica - tem de ir para o notavél elenco de actores.
Com tanta oferta era natural que nem todos tivessem o mesmo protagonismo. Percebeu-se logo que Ken Watanabe e Morgan Freeman seriam elementos puramente de suporte, comparados com personagens nucleares como as interpretadas - genialmente - por Michael Caine ou Gary Oldman (esse mestre na composição de personagens).
Pelo meio também passam por lá - com imenso estilo - Tom Wilkinson, Cilian Murphy e acima de tudo, Liam Neeson, cada vez mais, um actor fundamental.
E depois há o par romântico - aqui o romântico abordado de forma minima, e extremamente acertada - que está no oposto. Já se começa a ver que Katie Holmes ainda não é menina para estas andanças. Tudo bem que é bonita e tem presença fisica, mas falta-lhe a profundidade de uma actriz em explosão. É o ponto mais fraco do elenco. Ao contrário de Bale. Depois de American Psycho, o jovem actor volta a mostrar todo o seu imenso talento, numa construção realista de Bruce Wayne, e, acima de tudo, extremamente credivel. Com um filme já se confirmou como o melhor Batman, superando facilmente Keaton, Kilmer e Clooney.

Ele voa para nos proteger ou para brincar com o nosso medo?
Filmado com grande á vontade - apesar das espectaculares cenas de acção - e com um argumento credivel e excepcionalmente bem articulado, Batman Begins é um dos bons filmes do ano. Para além de ser claramente um blockbuster, consegue ser algo mais. Consegue recuperar a imagem de Batman, lança as bases para uma saga que se adivinha de sucesso (a antevisão do próximo Joker é interessante, já que será dificil superar Nicholson), e mostra que ainda é possivel adaptar herois de bandas-desenhada de maneira diferente ao que Sam Raimi, Joss Whedon e afins têm feito nos últimos anos. Fica a dica!
Classificação - ![]()
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O Melhor - A realização súbtil de Nolan e os desempenhos de Oldman, Caine e Bale.
O Pior - A falta de presença de Katie Holmes. Falta-lhe o espirito de femme fatale de uma Kim Basinger, Michelle Pfeifer, Nicole Kidman ou Uma Thurman.
Curiosidade - O Batmobile é um carro bem real. Vai estar durante todo o ano nos circuitos de provas de F1 para publicitar o filme, e no final do ano, a edição em especial em dvd que está a ser preparada.
Site Oficial - www.batmanbegins.com/
Realizador - Christopher Nolan
Elenco - Christian Bale, Michale Caine, Liam Neeson, ...
Produtora - Warner Bros
Duração - 134 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às junho 26, 2005 12:27 AM
Comentários
Sensacional, o filme é algo assustador e ao mesmo tempo grandioso...
Inspira em quem assiste a sensação da grandeza, da possibilidade de algo além do simples e rotineiro viver por viver.
Ficou em mim a sensação de fazer as mesmas coisas que faço, mas de maneira diferente,
valorizada e com a promessa de um resultado melhor...é como dizer: "O meu futuro está intacto".
Publicado por: David Cheong às julho 5, 2005 07:22 AM
Viva,
Só agora vi o filme e não podia estar mais de acordo com a tua crítica! Em todos os aspectos...
O filme não é perfeito mas é de longe uma adaptação bem pensada e muito corajosa. Até porque é extremamente anti comercial...
Concordo com o Sam Raimi mas Joss Whedon? Não lhe conheço adaptações de BD mas já viste a curta série de TV Firefly que vai ser filme (Serenity)? Ele tem potencial...
http://filhodo25deabril.blogspot.com/2005/07/478-sala-de-cinema-batman-begins.html
Abraço,
Publicado por: Ricardo às julho 3, 2005 09:26 PM
Ainda gostava de saber que herois da banda desenhada é q o Joss Whedon adaptou ao cinema nos últimos anos... Só agora está a trabalhar na adaptação de Wonder Woman.
Publicado por: Léccio às julho 1, 2005 11:14 AM
Não dá para mais que um 5/10.
Embora considere que seja um inicio interessante para uma nova lufada de Batman, mas para agora ainda não é um grande filme. Vamos esperar para ver.
cumps
Publicado por: Manuel Barros às junho 29, 2005 10:13 PM