« Verão Quente - Jessica Alba | Entrada | Poster final de A Tale of Deceives »
junho 23, 2005
Crash - Raças ou pessoas?
No melting pot intenso que é Los Angeles, encontramos de tudo. A pergunta que Paul Haggis deixa no ar, é na verdade, o que encontramos nas ruas da cidade dos anjos? Serão raças, ou serão pessoas?
Filme de ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()

Latinos, negros, iranianos, brancos? Serão esses os habitantes do mundo, os habitantes de Los Angeles? Ou será que pelas ruas da cidade caminham pessoas como Graham Waters, Farhad ou Ria. Pessoas sem cor, sem raça, apenas pessoas.
Paul Haggis - argumentista genial, um dos melhores da actualidade, o que confirma em pleno com este filme - debruça-se sobre esta miscelânea de culturas e raças em Los Angeles, que funciona, no fundo, como o micro-cosmos da América. E quem diz América, diz o mundo. Basta olhar para os mais recentes acontecimentos em Carcavelos para percebermos que estes problemas andam aí e não vale a pena meter a cabeça debaixo da areia.
Crash não é um filme racista, nem um filme anti-racismo. É um filme honesto, onirico e com um forte sentido de esperança num futuro melhor. Aqui não há racismo, na forma como é entendida pelo grande público, ou seja, o racismo do negro pelo branco. Aqui todos podem ser racistas, desde o Procurador Geral da cidade, aos agentes policiais, aos prórprios habitantes das comunidades minoritárias negra, hispânica e até mesmo asiática e árabe. Aqui o problema não é o racismo. São as pessoas e a maneira como elas se inter-relacionam.

Era impossivel contar esta história, debruçar-se sobre este problema, sem o fazer da forma como Haggis engedrou. Uma sucessão de histórias cruzadas, todas inter-ligadas de forma subtil, engenhosa e extremamente coerente, dão o mote para esta viagem nos confins do ser humano. Um argumento sem falhas - com alguns toques cinematográficos habitualmente americanos, como as habituais coincidências e o espirito de redenção final - e uma direcção fabulosa, se tivermos em consideração que este é o primeiro filme de Haggis atrás das camaras. E a juntar a tudo isto, há ainda um elenco muito variado, e, sem excepção, extremamente competente.
Don Cheadle mostra que está num momento espantoso da sua carreira, com um desempenho subtil e muito interessante. Matt Dillon e Sandra Bullock dão sinais positivos em carreiras que estavam completamente estagnadas. Brendan Fraser e Ryan Philiphe safam-se bastante bem em papeis contraditórios com eles mesmos. E Thandie Newton e Jennifer Esposito são mulheres de garra, mas, sem nunca deixarem de ser mulheres, o que no cinema norte-americano de hoje é cada vez mais dificil encontrar. E por fim, a personagem mais elaborada é mesmo a do rapper Ludacris, que consegue superar com distinção o desafio de, em muitas das cenas, ser ele o motor dos acontecimentos.

O trabalho técnico da equipa de Haggis é também de grande nivel, em especial a fotografia e a banda sonora que pauta o ritmo do filme. Sem grandes espaços para brilhar, os actores encarnam personagens que, mais do que nos espantarem com rasgos de interpretação, nos deixam a pensar, verdadeiramente, nas relações humanas dos dias de hoje. Fica-nos a ideia de que o racimo pode desaparecer, no momento em que todos quiserem que ele desapareça. E não falo apenas naqueles que são acusados de racismo. No filme seria fácil identificar Matt Dillon, Ludacris ou o assessor de Brendan Fraser como racistas. Mas na verdade, todos são racistas. Todos somos racistas.

Ao criar quotas que favorecem as minorias, estamos a ser racistas. Ao criar guettos, fisicos e culturais, estamos a ser racistas. A MTV a adoptar uma politica de "niggers with attitude" e a vende-la aos brancos dos suburbios, está a praticar racismo. O Bloco de Esquerda ao defender todas as minorias do mundo, está a praticar racismo. Eu a escrever uma critica em que, mesmo defendendo que o mundo deve ser composto por pessoas e não raças, só pelo facto de me passar pela cabeça a ideia - que também fica no filme - que o crime continua a ser presença activa nas comunidades minoritárias, estou a ser racista. Todos somos racistas. É esse o alerta de Haggis. É nisso que ficamos a pensar. É esse a "colisão" que confunde o nosso pensamento. É esse o primeiro mérito, do melhor filme de 2005 até agora.
Classificação - ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
O Melhor - O argumento de Paul Haggis, e a forma realista como ele filma a história.
O Pior - O sentido de redenção, apesar de encaixar no estilo poético do filme, entra em contraste com o espirito do que realmente se passa. Não é um final realista, é um final desejável.
Curiosidade - Depois de ter perdido o óscar de melhor argumento adaptado no ano passado, agora Paul Haggis surge como o grande candidato a vencer o óscar de melhor argumento original. As voltas que Hollywood dá.
Site Oficial - www.crashfilm.com/
Realizador - Paul Haggis
Elenco - Don Cheadle, Sandra Bullock, Matt Dillon, ...
Produtora - Lions Gate
Classificação - m/12
Duração - 113 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às junho 23, 2005 06:30 PM
Comentários
Magestral. paul haggis...mais uma vez. Uma história e argumento sem senão. Um elenco perfeito. Don Cheadle no melhor momento da sua carreira. Sandra Bullock...confesso k ñ sou grande fã das suas últimas escolhas, mas aqui temos actriz. Tb uma nota para Matt Dillon; fora dos seus habituais registos; sem dúvida k ñ deixa nd a desejar. o resto do elenco está ao mais alto nível. o filme assim o exigia. Esta é uma inteligentíssima forma de mostrar k tds nós temos capacidade de bons e maus actos, pois estes são sentimentos inerentes á existência humana. simplesmente *****
Publicado por: márcia m. às julho 7, 2005 08:34 PM
tENHO K VER. hOJE NAO POD SER PORQUE FUI VER O bTAMAN (ANALISE NO MEU BLOG)
;)
Publicado por: André Batista às junho 23, 2005 07:53 PM