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junho 19, 2005

Parte I : Antes de tudo acontecer - O Cinema à Época

Apesar de ter alterado a forma como se fazia cinema, a Nouvelle Vague foi extremamente inspirada pelo cinema que se fazia na época. Inspiração que chegava não apenas de Hollywood, mas também das escolas de cinema europeias, do neo-realismo italiano aos clássicos maiores do cinema francês, sem esquecer o trabalho de Bergman ou de Vertov e Eisenstein. Para compreender a Nouvelle Vague, deve-se primeiro tentar partir à procura do mundo cinematográfico da época.
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Jean Renoir

O CINEMA EM FRANCÊS

OS AUTORES

Para a Nouvelle Vague o cinema francês vivia num limbo. De um lado do precipício estavam os históricos cineastas que estes jovens tinham aprendido a amar ao longo dos anos. Os mestres do mudo, onde pontificava Abel Gance, rodeado de nomes como Jean Vigo, René Clair, Max Ophuls e, acima de todos os outros, o nome de Jean Renoir.
Filmes como Napoleon , L´Atalante , Boudou Sauvé dês Eux ou La Regle du Jeu , prendiam desde o primeiro instante o imaginário destes jovens, que iam descobrindo, pouco a pouco, as pérolas do seu cinema, nas apinhadas salas da Cinemateca Francesa, onde Henri Langlois contribuía para o nascimento da primeira geração de verdadeiro cinéfilos.
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Jean Vigo

A imaginação destes autores – sim porque estes nomes eram autores para estes jovens, e não meros realizadores às ordens de um qualquer regime ou produtora – a forma como exploravam a câmara, como inventavam cena atrás de cena com um ritmo fresco, inovador e extremamente apelativo, tornaram-nos desde logo, alvos de imensa admiração. A eles se veio a juntar mais tarde Robert Bresson, talvez o único cineasta francês pós-Renoir que, para os jovens da Nouvelle Vague, sabia adaptar correctamente um livro ao cinema, algo que começava a ser um lugar comum nos filmes franceses, pela negativa. Em filmes como Les Dames du Bois de Boulogne ou Journal de un Curé de Campagne , verdadeiras obras-primas visuais e morais, Bresson impressiona pela naturalidade como pega na câmara e consegue transmitir com realismo, histórias por vezes extrapoladas da realidade, bem para dentro do espírito humano. Já na altura em que os jovens cinéfilos se tinham transformado em jovens críticos, Bresson cria Un Condamné à Morte c´est Echapé, filme poderosíssimo que conquistou de imediato estes jovens sonhadores, que o tinham, inclusive, como um dos maiores realizadores de sempre. E era-o sem dúvida!
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Robert Bresson

Mas era Renoir, Jean Renoir, aquele que os jovens da Nouvelle Vague mais amavam. E Renoir era um verdadeiro paradigma do cinema francês à época. Era claramente o mais talentoso de todos os realizadores no activo. Tinha começado a trabalhar ainda na era do cinema mudo, onde alcançara bastante prestigio, prestigio esse que nos anos 30 conheceu altos e baixos, saltando entre obras-primas como La Regle du Jeu ou La Bette Humaine, para fracassos como Madame Bovary . A sua passagem pelo cinema norte-americano foi mal recebida em França, apesar da qualidade indiscutível de This Land is Mine . No pós-guerra Renoir regressa a França, mas encontra um país onde poucos ainda apreciam a sua obra. Filmes como Eléna et les Hommes ou Le Carrose D´Or, são vistos por poucos e apreciados ainda por menos. Mas entre esses estavam Truffaut, Chabrol, Godard, Resnais ou Rivette, os jovens lobos que começavam a dar cartas no meio da crítica cinematográfico, sempre apadrinhados por André Bazin, confesso admirador da obra a que os jovens apelidavam humildemente de “mestre”.


Próximo Capitulo - O Cinema de Tradição de Qualidade em França

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às junho 19, 2005 11:06 PM

Comentários

Gustavo, eu também comecei a conhecer profundamente a Nouvelle Vague há pouco. Tinha visto vários filmes e tinha uma noção histórica do movimento, mas longe da profundidade que explorei no último mês, dedicando-me a compor este ensaio que considero, que apesar de poder ser explorado ainda de forma mais profunda, está bastante completo.
Obrigado Gabriel pelas tuas palavras, são sempre um grande elogio vindo do grande blogger que és.
um abraço aos meus dois "irmãos" do Brasil.

Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às junho 20, 2005 12:58 AM

Gostaria de ter comentado o post anterior, mas os comentários infelizmente não apareciam.
Conheço pouco da Nouvelle Vague, e é claro que um cinéfilo que se preze deve corrigir isto. Uma matéria indispensável.

Publicado por: Gustavo H. Razera às junho 19, 2005 10:26 PM

Fantástico texto Miguel, estou arrebato e ansioso para o nova postagem.

Publicado por: Gabriel Carneiro às junho 19, 2005 09:21 PM