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julho 31, 2005
Capitulo IX - Os Simbolos da Nouvelle Vague - Gilles Deleuze
Os seus escritos sobre semiótica, sociologia, e claro, sobre cinema, influenciaram imenso a forma de pensar cinema e de fazer critica de cinema no pós-guerra. Não teve um papel tão pessoal como Bazin ou Lehnardt junto dos jovens autores, mas mesmo assim o trabalho como críticos primeiro, e mais tarde como realizadores, muito deve ao trabalho teórico de Deleuze.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:01 PM
Verão Quente - Colin Farrell

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:22 AM
julho 30, 2005
Capitulo IX - Os Simbolos da Nouvelle Vague - Henri Langlois
Impossível não referir o pai da Cinematheque. Como já dissemos antes, teria sido difícil haver Nouvelle Vague se não tivesse existido Henri Langlois, e com ele o seu arquivo imenso de filmes que fizeram da Cinematheque Française, o verdadeiro templo de adoração dos cinéfilos. Se os Cahiers foram o local de prática, a Cinematheque de Langlois foi o local de estudo. O seu papel é tão mais importante, quando pensarmos que toda a “Politica dos Autores” e todo o estilo de cada um dos jovens autores, começou a ganhar contornos nas sessões que marcaram gerações.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:59 PM
Capitulo IX - Os Simbolos da Nouvelle Vague - Henri Langlois
Impossível não referir o pai da Cinematheque. Como já dissemos antes, teria sido difícil haver Nouvelle Vague se não tivesse existido Henri Langlois, e com ele o seu arquivo imenso de filmes que fizeram da Cinematheque Française, o verdadeiro templo de adoração dos cinéfilos. Se os Cahiers foram o local de prática, a Cinematheque de Langlois foi o local de estudo. O seu papel é tão mais importante, quando pensarmos que toda a “Politica dos Autores” e todo o estilo de cada um dos jovens autores, começou a ganhar contornos nas sessões que marcaram gerações.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:59 PM
Capitulo IX - Os Simbolos da Nouvelle Vague - Henri Langlois
Impossível não referir o pai da Cinematheque. Como já dissemos antes, teria sido difícil haver Nouvelle Vague se não tivesse existido Henri Langlois, e com ele o seu arquivo imenso de filmes que fizeram da Cinematheque Française, o verdadeiro templo de adoração dos cinéfilos. Se os Cahiers foram o local de prática, a Cinematheque de Langlois foi o local de estudo. O seu papel é tão mais importante, quando pensarmos que toda a “Politica dos Autores” e todo o estilo de cada um dos jovens autores, começou a ganhar contornos nas sessões que marcaram gerações.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:59 PM
Verão Quente - Rachel MacAdams

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:10 AM | Comentários (1)
julho 29, 2005
Capitulo IX - Os Simbolos da Nouvelle Vague - Roger Leenhardt
Influente crítico dos anos 30 e 40, foi um dos nomes que mais influenciou o pensamento de Bazin, e por arrasto praticamente, dos seus pupilos. Começou por escrever no L´Esprit, e fundou com dois dos cineastas autores dos anos 40, Jean Cocteau e Robert Bresson, o Objectif 49, um clube de discussão de cinema. O seu manifesto “À bas Ford! Vive Wyller!” demonstrou a sua paixão pelo cinema de autor – apesar de se ter percebido mais tarde que o próprio Ford era um verdadeiro autor, e não apenas um produto do sistema e do pouco amado género que era o western – e os seus documentários e mais tarde, os seus trabalhos de ficção, apesar de não terem tido sucesso, são um espelho do seu pensamento sobre como fazer cinema de autor.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:57 PM
Verão Quente - Virgine Ledoyan

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:08 AM | Comentários (1)
julho 28, 2005
Capitulo IX - Os Simbolos da Nouvelle Vague - Alexander Astruc
O seu manifesto Le Camera Stylo foi premonitório do que se seguiria. Mais do que isso, soube acender o rastilho dentro da cabeça de Truffaut e companheiros, e abriu as comportas para a verdadeira inundação que seria a Nouvelle Vague. Astruc foi um pensador de cinema, critica, mas acima de tudo um apaixonado pelo cinema de autor, e pelas novas linguagem do cinema que começavam a ser exploradas no pós-Guerra, mas ás quais se dava ainda pouco valor. Como realizador nunca conheceu sucesso, mas como teórico foi um dos “pais espirituais” do movimento.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:54 PM
Verão Quente - Julliane Moore

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:00 AM
julho 27, 2005
Capitulo IX - Os Simbolos da Nouvelle Vague - Jacques Doniol-Volcroize
É verdade que não foi apenas um dos “pais” do movimento. Chegou mesmo a integrá-lo, nas suas experiências como realizador na década de 60. Mas seria sem dúvida alguma o seu papel como director dos Cahiers, entre 51 e 64 – a sua época áurea – que ajudaria a definir posições junto dos jovens autores que se preparavam para “explodir”, enquanto ainda escreviam artigos corrosivos ou apaixonados (dependia sobre o que escreviam está claro). Doniol-Volcroize foi sempre um baluarte de segurança para os críticos e realizadores da Nouvelle Vague, e a sua figura quase paternal, fez dele uma peça nuclear do movimento.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:53 PM
Verão Quente - Leele Sobieski

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:58 AM | Comentários (3)
julho 26, 2005
Capitulo IX - Os Simbolos da Nouvelle Vague - Andre Bazin
Seria impossível escrever sobre a Nouvelle Vague sem falar neste nome. Verdadeiro “pai” do movimento, não só por ter dirigido durante quase uma década os Cahiers du Cinema, o primeiro local de divulgação dos trabalhos – então abordagens criticas – dos “jovens turcos”, mas também por todo o seu trabalho como critico e pensador de cinema. Não só a sua abordagem ao cinema era feita com extrema sensibilidade, como os seus livros mais teóricos como “Quil Est Le Cinema?” ou os seus trabalhos de investigação sobre realizadores como Renoir e Wells, se tornaram verdadeiros livros de cabeceira para todos os amantes de cinema. Bazin representa perfeitamente a transição do cinema francês, dos dias de glória de Renoir, Vigo, Clair e Gance do pós 1º Guerra, para o cinema arrojado que a Nouvelle Vague vai apresentar, já após a sua morte. Não chegou a ver nenhum dos filmes que os seus pupilos criaram, mas a sua marca está em cada um deles.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:50 PM
Verão Quente - Mischa Bartson

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:51 AM | Comentários (1)
Filmes Que Marcaram a História - Nouvelle Vague : O Ópusculo de Uma Era que Já Foi
Existe uma clara tentação de tentar encontrar neste filme, paralelismos com o movimento homónimo do título do filme. Mas este Nouvelle Vague é mais Godard do que propriamente a Nouvelle Vague.
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“Les chooses, non le mots!”
No seu período pós-1968, Jean-Luc Godard afastou-se do movimento no seu todo – Truffaut, Chabrol, Rohmer e Rivette sempre se pareceram mais uns com os outros do que com Resnais ou Godard – e decidiu trilhar o seu caminho no universo cinematográfico. Primeiro abraçou o cinema-manifesto, defendendo os ideais de esquerda, o maoismo sempre popular entre os jovens do Maio de 68. Depois alinhou no pensamento de Dziga Vertov e do kino-pravda, o cinema verité. Ainda passou pela televisão no final dos anos 70, e em plena década de 80 estava no pleno da sua forma, da sua forma de fazer cinema.
O filme Nouvelle Vague é o culminar dessa metamorfose. A desconstrução da narrativa, a valorização do cinema mudo através do uso do silêncio e do som não-sincrónico, da mesma forma como foi explorado pelos autores europeus após a chegada do sonoro. Godard não conta necessariamente uma história. Não há aqui um argumento no sentido tradicional do termo, com personagens estruturadas, com uma narrativa a ser desenvolvida. O que Godard faz – e que já tinha ensaiado de certa forma em Le Mépris, onde também não há verdadeiramente uma história – é utilizar uma suposta história, uma suposta mulher, e utiliza-a como pretexto para explorar a própria condição humana.
E aqui o nome da personagem - Helena - não é ingénuo. É claramente criado aqui um paralelismo com duas Helenas de verdadeira perdição: a Helena literária de Homero, e a Helena cinematográfica de Renoir.

Nouvelle Vague é acima de tudo um filme intelectual, um filme sobre o conceito de Humanidade, das relações humanas e da própria condição do Ser Humano. Frases profundas de autores célebres, pensamentos pertinentes sobre o amor, a vida e a perdição, são essa a verdadeira base do filme, o ponto central que Godard explora. Para o realizador as personagens são mosaicos de um pensamento, onde cada peça encaixa de forma estranha mas profunda, com as restantes.
Não encontramos aqui interpretações – até porque o cinema de Godard no pós-68 deixa de ser um cinema de actores – de destaque. Mas a presença de Alain Delon, um dos rostos máximos da Nouvelle Vague, confunde. Afinal, este filme é ou não o opúsculo de uma era?
Existe de facto essa tentação. Até porque há muitos traços defendidos pelos autores da Nouvelle Vague que vamos encontrando ao longo do filme. Mas a poesia do movimento agora está mais presente nos filmes de Wim Wenders do que propriamente na obra de Godard. Olhar para a Nouvelle Vague como um movimento uno, nos nossos dias como em 1990, é algo arriscado. Talvez este não seja de facto o filme que fecha um ciclo. Talvez esse ciclo nunca se feche, enquanto houver cinema de autor, cinema artístico. Ou talvez esse ciclo se tenha fechado há muito, ainda antes de todos terem reparado que a Nouvelle Vague, como inicialmente tinha sido idealizada, há muito que era apenas um sonho. Este não é o opúsculo da Nouvelle Vague. É o fechar da página por Godard. E é nessa pessoalização do movimento que encontramos a diferença fulcral na percepção da essência deste filme.
Godard não é a Nouvelle Vague, mas a Nouvelle Vague também é Godard.
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O Melhor - A presença de Delon.
O Pior - A confusão de toda a narrativa
Curiosidade - Entre Je Vous Salut Marie e Histoires du Cinema, Godard assina o opusculo da Nouvelle Vague. O mesmo é dizer, entre um filme desafiador e um filme nostálgico, encontramos uma era intemporal.
Realização - Jean-Luc Godard
Elenco - Alain Delon, Domiziana Giordano, ...
Classificação - m/12
Duração - 90 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:10 AM
julho 25, 2005
Capitulo VIII - As outras Nouvelle Vagues
Se é verdade que foram movimentos como o Neo-Realismo italiano ou o cinema noir norte-americano que acabariam por provocar, mais tarde ou mais cedo, o nascimento da Nouvelle Vague francesa, também é verdade que foram estes trabalhos de nomes como Godard, Resnais, Chabrol ou Truffaut, que iriam potenciar o desenvolvimento do cinema no resto do mundo.

Rainer Werner Fassbinder
Se exceptuarmos a produção de Hollywood – que em 1968 atravessava a sua maior crise de sempre, com a reformulação por completo da produção cinematográfica, como resultado do fim da era dos estúdios e do aparecimento dos estudantes de cinema da UCLA, os chamados movie-brats, ou seja, os primeiros cineastas-cinéfilos norte-americanos – de Bollywood e do cinema oriental, onde a produção de cinema de autor já era há muito uma realidade, especialmente no Japão, todo o resto do mundo vivia dias difíceis no que ao panorama cinematográfico dizia respeito.
A falta de uma indústria desenvolvida – na Europa só a França, e em menor escala a Itália e Inglaterra tinham indústria cinematográfica – havia poucos meios de criar, divulgar e produzir cinema. Habitualmente eram autores independentes como Bergman na Suécia, Bardem em Espanha ou Buñuel, aqui e ali, que produziam cinema de forma constante. Todos os outros vivam numa eterna incerteza. Em Itália, com o final do Neo-Realismo – que tal como a Nouvelle Vague se dividiu em “realismos pessoais” – abriu-se um vácuo que seria progressivamente preenchido por jovens autores como Frederico Fellini, Dino Risi ou Michelangelo Antonioni. Mas isso era muito pouco. Como o era em quase todos os outros países do mundo.

Glauber Rocha
Por isso o exemplo da Nouvelle Vague acabou por se revelar decisivo. Produzir filmes de forma independente, com poucos meios mas com muita imaginação e vontade, passou a ser a palavra de ordem, no Brasil, na Polónia, em Hong-Kong ou no México. O chamado world cinema percebeu que à falta de uma indústria altamente desenvolvida como a norte-americana, era preciso apostar numa produção independente, de filmes criados por autores (a ausência da figura do produtor-patrão revelou-se fundamental para estes movimentos), capazes de explorar não só a linguagem cinematográfica, como adequá-la à realidade de cada país.
É essa a base das escolas de “Cinema Novo” que despontaram, a partir de meados dos anos 60, um pouco por todo o mundo.
Desde o exemplo brasileiro, com os filmes de Paulo e Glauber Rocha, filmes de uma força e de uma profundidade dramática absolutamente notáveis, aliados quase a um despojamento visual surpreendente, até ao cinema novo alemão, mais pessoal e introspectivo numa Alemanha ainda a tentar encontrar-se, após a indefinição que foi o aparecimento do fantasma chamado Muro de Berlim, é fácil perceber o impacto da Nouvelle Vague. E não era só nesses países. Era um pouco por todo o lado. Na Polónia e na Checoslováquia, nem mesmo a opressão dos regimes comunistas impediram autores como Polanski ou Forman de começaram a desenvolver os mesmos métodos que Godard e Truffaut tinham explorado em França. E se na Península Ibérica os regimes fascistas deixavam de mãos atadas os cineastas, no pós-75, timidamente é certo, foram surgindo diversos autores, tanto portugueses (César Monteiro, António Pedro-Vasconcelos, Fernando Lopes) como espanhóis (Pedro Almodovar, Bigas Lunas), capazes de trazer um pouco de ar fresco ao cinema que se fazia para cá dos Pirinéus.

Pedro Almodovar
Rapidamente, todos os países começaram a conhecer o desenvolvimento do cinema de autor. Bélgica, Holanda, países nórdicos, Grécia, Jugoslávia, Senegal, China ou Irão são apenas exemplos de um movimento que iria para sempre mudar a forma de se fazer cinema. Na ausência de indústrias nacionais, o cinema de cada um destes países era feito à volta de nomes, habitualmente jovens, com arrojo e vontade de ir mais além. O público continuava a encher as salas que exibiam produções norte-americanas, mas a oferta cinematográfica tinha mudado. Agora havia o outro lado da moeda. Poucos foram os que tiveram realmente sucesso junto do público. Tirando nomes mais recentes como Almodôvar em Espanha, Fassbinder na Alemanha, Kusturica na Jugoslávia ou Zhang Zimou na China, poucos foram de facto os autores que se tornaram consensuais. Mas o grande triunfo deste movimento, que consagrou o cinema definitivamente como arte, e não apenas como um produto industrial, foi de facto, ter existido. E continuar a existir.
Próximo Capitulo - Os Simbolos - Andre Bazin
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:45 PM | Comentários (1)
Verão Quente - Johnny Depp

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:50 AM | Comentários (3)
Hollywood em piloto automático
Depois de mais de um ano sem parar, o Hollywood vai tirar umas breves férias. Uma viagem por essa Europa fora, uma sessão já marcada na Cinematheque de Paris e a descoberta do bom cinema que se faz no Velho Continente são as desculpas mais lógicas do mundo.
Mas o Hollywood não vai parar, como nunca parou. Aliás, o facto da época noticiosa estar claramente em baixa (não há uma noticia digna desse nome há vários dias), faz com que esta pausa chegue no momento certo.
Em regime de pré-publicação ficam até dia 15 de Agosto, data do regresso, as rubricas especiais de Verão, desde o Especial Nouvelle Vague até ao popular Verão Quente.
Quanto ás noticias e novidades do mundo da sétima arte, ficarão em suspense nos próximos dias, mas serão recuperadas com o meu regresso. Até lá qualquer um dos excelentes blogs de cinema que pautam a cineblogosfera nacional, serão certamente suficientes para matar a curiosidade dos leitores deste espaço.
Dia 15 a máquina volta a entrar em máxima força, com novidades previstas e o selo de qualidade habitual.
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:58 AM | Comentários (4)
julho 24, 2005
Amstrong no cinema
O corredor norte-americano Lance Amstrong prepara-se para fazer história, ao vencer pela sétima vez consecutiva o Tour de France, a prova rainha do ciclismo internacional.
Será a sua última participação mas o nome de Amstrong não desaparecerá tão cedo. Um filme sobre a vida do ciclista que sobreviveu a uma luta contra o cancro para se tornar no mais bem sucedido ciclista de sempre, está em preparação.
O próprio Amstrong tem uma palavra a dizer na produção e já afirmou que gostava de ver Matt Damon a interpretá-lo. Resta saber se o projecto vai em frente.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:30 PM | Comentários (1)
Verão Quente - Hilary Swank

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:49 AM | Comentários (1)
Filmes Que Marcaram a História - Pierrot le Fou : Quando a Nouvelle Vague Se Resume a Um Filme
Se algum dia, alguém perguntar se a Nouvelle Vague é definível num só filme, respondam não. Estariam a mentir, mas poupar-se-iam ao trabalho de explicar como Pierrot le Fou é de facto esse filme que resume dentro de si todo o espírito de um movimento marcante para a história do cinema, da arte, e do próprio homem.
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“Je ma apelle Ferdinand ! ”Afinal, não há ali nada de Truffaut, de Chabrol, Resnais, Rivette ou Rohmer, e eles também são a Nouvelle Vague. Mas todo o Godard está lá, tudo o que ele ensaiou, atinge aqui o seu ponto de perfeição. E tudo o que a Nouvelle Vague defendia, ainda na redacção dos Cahiers, é aqui aplicado de forma exemplar e magistral.
Para ajudar podem dizer que aqui também andam dois mitos da Nouvelle Vague que dão pelo nome de Belmondo – quem o viu em A Bout de Soufle percebe como é delicioso vê-lo neste filme – e Karina, num tom anárquico e delicioso. Aliás, não é deles um dos momentos mais deliciosos da história do cinema, quando Karina, falando sozinha, se vê interpelada por Belmondo que lhe pergunta com quem fala, ao que ela responde surpreendida “Com os espectadores!”.

Esta é verdadeiramente a súmula da Nouvelle Vague, numa altura onde muitos pensavam que tudo estava perdido. O cinema de autor tinha entrado em crise após anos de glória, e aos críticos Godard responde assim. Com magia! Tudo o que estava nos seus filmes anteriores está aqui. Jogos de cor com filtros que espelham estados de alma. Narração descontinua e desconstruida por completo. Experiências sonoras que vão desde momento de puro cinema mudo até experiências avant garde. Uso de legendas, de subtítulos, de travellings longos e poéticos. A presença, sempre fundamental, da banda-sonora. E, como não podia faltar, a homenagem ao cinema, desta vez representado por Samuel Fuller que define o cinema em meia dúzia de palavras, enquanto Godard o definirá em meia dúzia de planos ao longo do filme.
Godard não mede esforços na composição de Pierrot le Fou. Este é sem dúvida o seu filme mais experimental, iconoclasta e anárquico. E por isso tudo é um filme genial. Um filme que não só faz o elogio do cinema, como também mostra que a relação da 7º Arte com as restantes (literatura, pintura, música ou mesmo banda-desenhada) é algo perfeitamente natural e recomendável. A poesia não está apenas nas imagens. Está nas palavras, nos actos e nas emoções que o filme transborda. É difícil imaginar um filme tão solto e tão dinâmico numa época em que o cinema do sistema voltava a atacar em força, e onde os autores começavam a perder força.

Talvez também por isso este filme seja um verdadeiro marco histórico. O surrealismo das aventuras das personagens, do seu próprio final, de alguns momentos no decorrer da narração – o episódio do homem que ouve algo que só ele e nós conseguimos ouvir é dos maiores momentos da história da Nouvelle Vague, pela sua naturalidade, simplismo e, ao mesmo tempo, pela sua irreverência e genialidade – fazem deste filme, realmente o filme que resume dentro de si o espírito da Nouvelle Vague.
Está lá tudo, e na verdade falta imensa coisa. O que falta não importa porque não pertence a este barco. De facto, a Nouvelle Vague poderia ser uma verdadeira armada, onde cada autor, com a sua linguagem e concepção própria do cinema, teria o seu barco. Se tal tivesse acontecido, não restariam dúvidas que o barco de Jean-Luc Godard seria colorido, teria colunas de som capazes de misturar o som das ondas com o dos motores do navio e com o próprio silêncio. Seria um barco onde a tripulação seria composta de homens indecisos e mulheres de rosto belo. Seria um barco onde as velas seriam remendadas com o corpo de uma ninfa dos mares. Se esse barco tivesse existido, chamar-se-ia Pierrot le Fou!
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O Melhor - A anarquia que reina do primeiro ao último minuto.
O Pior - O filme ter de acabar.
Curiosidade - Neste filme Godard explora toda a sua linguagem á exaustão, recuperando fórmulas de A Bout de Soufle e de todos os seus filmes seguintes.
Realizador - Jean-Luc Godard
Elenco - Jean-Paul Belmondo, Ana Karina, ...
Duração - 110 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:40 AM
julho 23, 2005
A Good Woman - Quando o cinismo nos faz sentir bem
Um dos maiores e mais polémicos escritores de sempre, Oscar Wilde, pautava as suas criações pelo cinismo e arrogância habitual em alguns escritores da época vitoriana. O seu Leque de Lay Wintermere afinal é mais do que isso. Consegue ser transformado num feel-good movie.
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Não nos vamos debruçar sobre a notável adaptação que Ernst Lubitsch fez, ainda nos dias do mudo, a este brilhante livro de Wilde, um dos mais irreverentes escritores de sempre.
Neste A Good Woman - que é na verdade o subtitulo do livro de Wilde - estamos a meio caminho do universo do escritor, e, ao mesmo tempo, de um universo que lhe parece imensamente distante. Wilde nunca foi amigo de happy-endings a la Hollywood. Era demasiado cinico e mundano para isso. Mas a verdade é que o realizador Mike Barker consegue transformar o livro do escritor irlandês em algo diferente, na forma, mas mantendo traços no seu conteudo.
Ou seja, aqui encontramos um filme não apenas critico da sociedade, mas um filme sobre uma relação amorosa que é ameaçada pela própria sociedade, pelas suas manias de escandalos e boatos. Não é a elite britânica (aqui transformada numa elite mista, com membros dos dois lados do Atlântico) o ponto central do filme. Ela está lá, como coro grego, como ponto de partida, para explorar o que se segue. Mas, curiosamente, é nos cliches da linguagem wildiana que encontramos alguns dos melhroes momentos de um filme, que é extremamente competente sem nunca passar disso mesmo.

Com um argumento poderoso mas subtilmente modificado para abrir portas á história de amor e desamor, ás intrigas e aos romances imaginários, Mike Barker tem a felicidade de contar com um elenco que o supera, levando um pouco mais alto a fasquia do filme. Se não fossem por eles, certamente que o filme se iria perder em lugares comuns e cair no abismo da monotonia. Mas isso não acontece, já que sempre que entram em cena os seus principais actores (e destaco aqui o trio Johansson-Hunt-Wilkinson), o filme ganha nova chama.
Helen Hunt, muito desaparecida depois do seu óscar de 1997, volta a mostrar sobriedade e engenho, que a consagram como uma das mais interessantes actrizes da sua geração. Já Scarlett Johansson, é, como sempre, a luz do filme. Não tanto pela sua interpretação, já que o papel não lhe exigia muito. Mas a sua presença fisica, a sua luz, a sua própria beleza, são quase como uma alavanca do próprio filme. Mas mesmo assim quem dá um verdadeiro show de interpretação é Tom Wilkinson. Actor da velha escola britânica, e um dos mais competentes actores secundários do momento, Wilkinson tem um desempenho extraodinário, um dos melhore do ano transacto.

Resumindo, A Good Woman não é bem uma adaptação literária, nem se assume claramente como um filme. Anda a navegar lá pelo meio, a tentar encontrar-se, e a tentar encontrar um porto de abrigo. Mas se Barker não parece ser o capitão certo para levar a embarcação a bom porto, já os seus marinheiros souberam criar uma aura tal, que no final, é com um sorriso que se sai da sala de cinema, esse templo moderno de todos nós.
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O Melhor - O desempenho de Wilkinson e a presença de Johansson.
O Pior - A indefinição constante entre seguir o livro e explorar a linguagem cinematográfica.
Curiosidade - Esta é a quarta adaptação ao cinema de Lady Wintermere´s Fan. A terceira obra mais adaptada de sempre na filmografia de Wilde, logo atrás de The Portrait of Dorian Gray e The Importance of Being Ernest.
Realizador - Mike Barker
Elenco - Helen Hunt, Scarlett Johansson, Tom Wilkinson, ...
Produtora - Beyond Movies
Duração - 93 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:58 PM | Comentários (3)
Enciclopédia de Cenas Lésbicas?
Dica interessante que nos chega do voraz Zombie. Surgiu na internet uma enciclopédia cinematográfica dedicada, exclusivamente, a cenas de sexo lésbico- não em filmes da especialidade - mas sim, em filmes mainstream.
Desde Henry and June ao mais recente Alfie, sem esquecer as series televisivas como Ally McBeall ou o já mitico Mulholand Drive, esta completissima enciclopédia inclui informações sobre os filmes, fotografias disponiveis e a disponibilidade de pesquisar alguns titulos totalmente desconhecidos.
Para os apreciadores do genero, aqui fica o link.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:18 PM | Comentários (1)
Capitulo VII - E para onde foram as outras Nouvelle Vagues?
Eric Rohmer, nunca tinha conhecido verdadeiro sucesso como realizador nos anos áureos da Nouvelle Vague. Mas a partir dos anos 70, quando a confusão à volta do que era realmente o cinema de autor começava a acalmar, os seus trabalhos passaram a ser valorizados.

É dessa época Le Genou de Claire, Pauline a la Plage ou L´Amour Apré Midi, a sua trilogia de obras-primas, que ajudaram a estabelecer o seu nome como um dos grandes realizadores pós-Nouvelle Vague, ele que durante a Nouvelle Vague propriamente dita, da qual foi fundador e entusiasta, nunca conheceu verdadeiro sucesso. O seu cinema, muito prosaico e intimista, é hoje tido como dos mais consensuais junto da crítica de cinema, e filmes mais recentes como La Belle Noiseuse ou L´Anglaise et le Duc, são verdadeiras pérolas do cinema europeu contemporâneo.

Alain Resnais
Entre os outros autores da Nouvelle Vague, o futuro não foi tão simpático.
De Resnais pouco se ouviu falar no pós-anos 60. Ele continua a trabalhar, de forma tão prolifera como anteriormente, mas os seus trabalhos passaram a ser vistos por cada vez menos pessoas, e as suas explorações num cinema de vanguarda e intimista, nunca foram bem aceites fora do seu grupo de admiradores confesso. Já Chabrol conheceu no virar dos anos 60 para a década de 70 um período extremamente prolífero. No entanto, após Le Boucher, é difícil encontrar grandes sucessos com a sua assinatura. A televisão e o circuito alternativo passaram a ser os seus locais de paragem, tal como acontecerá com outros realizadores contemporâneos. Rivette ainda filma, mas já ninguém se parece apaixonar pelos seus filmes como se apaixonaram por Paris Nous Appartient. E se Jean Rouch e Chris Marker se mantiveram igual a si mesmos, já Pierre Kast, Marcel Camus, Philippe de Broca ou Michel Drach nunca voltarão a conhecer o mesmo sucesso que tinham tido entre 59 e 68, acabando por se render ou a produções televisivas, ou ao cinema comercial, ou então, a projectos falhados de forma consecutiva, já que tornava-se cada vez mais notório que o público tinha definitivamente virado as costas a esta forma de criar cinema.
Mas e se a Nouvelle Vague se dividiu em Nouvelle Vagues, durante os anos subsequentes, a verdade – e talvez isto seja um dos pontos mais importantes deste movimento – é que a Nouvelle Vague deu o mote para o desenvolvimento, nos quatro cantos do mundo, de novas formas de fazer cinema. Cinema de autor, cinema-arte, cinema-verdade, cinema-directo, cinema alternativo. Tudo isto foi chegando ao resto do mundo, graças ao trabalho pioneiro destes nomes marcantes na história do cinema.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:40 PM
Verão Quente - Elisha Cuthbert

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:47 AM | Comentários (4)
julho 22, 2005
Robert Altman designa sucessor
Uma noticia já com alguns dias mas que tem a curiosidade de marcar uma passagem de testemunha como poucas vezes vemos no mundo do cinema.
O consagrado realizador Robert Altman, autor de sucessos estrondosos como M.A.S.H ou Gosford Park, está doente e a idade avançada tem impedido o veterano realizador de completar as filmagens do seu novo filme, Prairie Home Companion.
Por isso, e com a benção do realizador, os estudios sondaram Paul Thomas Andersson, confesso admirador de Altman, a juntar-se ao veterano realizador nos últimos meses de rodagem, dividindo os créditos da direcção do filme. PTA - que prepara um novo filme, o primeiro com argumento adaptado - aceitou e vai dirigir um elenco recheado de estrelas, que vão de Meryl Streep, Woody Harrelson, Kevin Kline, John C. Reilly, Virginia Madsen e (surpresa das surpresas) Lindsay Lohan.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:03 PM | Comentários (3)
Espaços a visitar
Aqui fica mais um espaço que o Hollywood recomenda como ponto de visita dos seus leitores.
Um cineblog agradável, concebido com um propósito iminentemente jornalistico e que é a continuação de um projecto pioneiro na cineblogosfera, do qual também tomei parte e que dava pelo nome de Pipoca Blog.
Este espaço tem o interessante titulo de Take2 e pertence ao conjunto de weblogs desenvolvidos pelo curso de Jornalismo da Universidade do Porto. É um local onde pontificam as noticias, mas onde as estreias semanais, as reviews de filmes e alguns textos mais contemplativos sobre o cinema também têm lugar.
Leccio Rocha coordena de forma competente o blog, ele, um notório amante do cinema pipoca e de terror, que fez parte do trio fundador do PipocaBlog. Com ele trabalham Duarte SousaDias, um cinéfilo completo, e ainda David Pinto, que trabalha numa dimensão mais "pop".
Com uma estrutura que apresenta semelhanças com este espaço - o que é natural visto a base de trabalho ser a mesma - e com pessoas competentes e capazes a liderar o navio, é mais do que natural que este seja um dos cineblogs a visitar com regularidade.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:55 PM | Comentários (2)
Verão Quente - Alisson Hannigan

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:46 AM | Comentários (1)
Filmes Que Marcaram a História - Le Mépris : O Corpo
Imaginar uma Odisseia feita por Godard (ou seria por Lang?) é um dos grandes atractivos deste filme. Afinal, Godard sempre manifestara vontade de fazer um filme sobre cinema, e é isso que aqui encontramos.
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“Je te goûte quand tu me touche !!”
Uma debate sobre cinema, sobre os vários pontos de vistas que circulam à volta do cinema. O realizador autor – Fritz Lang numa belíssima homenagem – e a sua concepção do cinema arte. O argumentista, autor frustrado mas que entre o dinheiro e a arte, se mantém de alguma forma hesitante. O produtor, o irascível e todo poderoso produtor, que não tem problemas em transformar um filme para dele retirar um cêntimo a mais. E o público. Ou seja, o restante elenco e nós próprios que assistimos a esta discussão, tentando imaginar como seria a Odisseia feita por cada uma destas três personagens. Godard dá-nos essa liberdade, mas não é isso que interessa. Poderia ser, e daria certamente tema para muitas outras análises ao filme que marca o período de glória da Nouvelle Vague.
Mas Le Mepris é acima de tudo Brigitte Bardot. Não como foi Et Dieu Crea La Femme, porque aí havia um efeito surpresa e quase uma juvenilidade na jovem actriz, que o distingue de imediato deste filme. Em Le Mepris Bardot e o seu corpo são a luz que se acende à nossa frente e nos guia até ao seu final. Ao contrário de Karina, que é primeiro actriz e depois mulher, aqui temos uma mulher que é primeiro mulher e depois actriz. Quando o seu corpo perde vida, também o filme deixa de ter qualquer razão de existir. E aí só sobra o mar, a natureza, as outras criações de Deus, bem mais imperfeitas do que o corpo de uma mulher, da forma como Godard nos apresenta.

Apesar de não ser um filme exibicionista – como o é de uma forma natural Vivre Sa Vie – este é o filme mais sexual de toda a Nouvelle Vague. Despido ou vestido, o corpo de Bardot assim o exige. Todos os seus movimentos, todas as suas insinuações, todos os seus jogos, os seus olhares, são mais sexuais do que os próprios filmes eróticos, que grassavam no mercado negro. Há algo em Bardot – como havia em Marilyn, em Kim Novak, em Elizabeth Taylor – que transborda sexualidade, erotismo, e que condiciona desde logo um filme. É impensável fazer um tratado sobre a mulher com Bardot. Com ela faz-se sim, um tratado sobre o objecto sexual que é a mulher. Por muito machista e petulante que isso possa parecer, é exactamente o que Godard faz. Todo o desprezo que pauta a personagem de Bardot ao longo do filme – e que nunca é explicado a não ser por um beicinho que nos leva imediatamente de volta ao tratado sobre o corpo que é realmente a base do filme – não é absolutamente nada. Não há aqui o drama de Karina em Vivre sa Vie, ou a sua interrogação em Une Femme Est Une Femme, nem mesmo o ar perdido de Jean Seberg em A Bout de Soufle. O que aqui há, é uma das mulheres mais belas do mundo, naqueles dias, que desfila para Godard – como Novak desfilou para Hitchcock e Marilyn para Wilder – e que é a alavanca de uma história sobre cinema, sobre como se faz cinema.

O que, genialmente, o realizador faz, é unir as suas duas grandes paixões. A sétima arte e a mulher. Não foi o regresso a casa de Ulisses feito a pensar numa mulher? Não é a disputa entre Jack Palance e Michel Picolli originada por meia dúzia de olhares e uma meia hora suspeita com uma mulher? Não é o beicinho da assistente de Palance um dos momentos mais eróticos da filmografia godardiana? E não é a luz natural do Mediterrâneo a única que pode almejar a cobrir o corpo de Bardot? O que Godard encena com Le Mepris, é uma verdadeira obra-prima visual, não só pela forma como a faz, mas também, e pela primeira vez em Godard, por quem a compõem. Se Bardot é também a Nouvelle Vague, por tudo o que representa, o que aqui faz Godard é prestar vassalagem ao mito BB!
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O Melhor - Se descobrimos Bardot e o seu corpo escultural em Et Dieux Crea La Femme, é aqui que o vemos em todo o seu esplendor.
O Pior - Algumas falhas narrativas que Godard não assume por completo e se tornam um pouco perdidas no desenrolar do próprio filme.
Curiosidade - Este filme marca o final dos anos de glória da Nouvelle Vague. Haverá ainda Pierrot le Fou, mas a verdade é que o sucesso dos jovens criticos-autores terá aqui o último momento de glória.
Realizador - Jean-Luc Godard
Elenco - Brigitte Bardot, Michel Picolli, Fritz Lang, ...
Duração - 103 mClassificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:18 AM
julho 21, 2005
Capitulo VII - O Espirito de Truffaut
Se Godard virou à esquerda, a tentação seria dizer que Truffaut estancou na direita. Mas isso é falso, já que, ao contrário de Jean-Luc, o autor François nunca juntou cinema e politica. Juntou cinema e literatura. E fez cineliteratura durante alguns bons anos, explorando romances norte-americanos e europeus, enquanto criava obras pessoais e extremamente bem conseguidas.

François Truffaut
Se Godard é irreverente, explosivo, pretensioso e surpreendente, Truffaut é clássico, metódico e extremamente humano. Após o final “não oficial” da Nouvelle Vague, o realizador dividiu-se entre obras-primas como Deux Anglaise et Le Continent , La Marrie Etait en Noir ou La Syrene du Mississipi, com filmes extremamente pessoais como L´Enfant Sauvage ou La Nuit Americaine, onde iria conhecer a consagração que mais nenhum colega iria almejar. Depois de ter sido o único cineasta da Nouvelle Vague premiado em Cannes, agora era o único autor da Nouvelle Vague com um Óscar na mão. Para os indefectíveis isto era a traição suprema.
Para Truffaut era o reconhecimento do seu trabalho como autor, não só de filmes-arte, como também de filmes-arte com sucesso junto, tanto do público como da crítica. No fundo, era colocá-lo no mesmo patamar que Renoir, Hawks e Hitchcock, os seus mestres. Até à data da sua morte, em 1984, Truffaut continuou a trabalhar, a tentar fazer o “seu tipo de cinema”. Nem sempre apreciado por todos, a verdade é que o realizador se manteve fiel a si próprio, até ao final!
Próximo Capitulo - E as outras Nouvelle Vagues?
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:37 PM
Verão Quente - Brittany Murphy

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:44 AM | Comentários (2)
julho 20, 2005
O Que Estreia Por Cá - Damas e cavalheiros
Julho aproxima-se do fim. Com a grande parte dos blockbusters de Verão já nas salas, o mês abre assim espaço para uma oferta mais reduzida e também, mais diversificada. E abre as portas ao universo de Oscar Wilde, com a inevitável Scarlett Johansson a esconder as chaves desse mundo, como só ela sabe fazer...

A Good Woman é a adaptação de Mike Barker ao livro O Leque de Lady Wintermere da autoria do polémico Oscar Wilde.
O filme acompanha a história de uma mulher, interpretada por Helen Hunt de regresso ao grande ecrãn, que parte para Itália em busca de um lugar ao sol na mais alta roda social europeia. Aí conhecerá o casal modelo, onde pontifica a bela Scarlett, e deixa-se conquistar pelo veterano Tom Wilkinson. Mas como isto é Wilde nada é o que parece e muitas surpresas se escondem onde menos se espera. E é essa premissa, a juntar ao belissimo trio de actores principais, que abre as portas para um serão verdadeiramente apetecivel.

Apenas mais duas estreias nas salas portuguesas esta semana.
Monster In Law marca, acima de tudo, o regresso de Jane Fonda ao grande ecrãn. A comédia não cativa, Jennifer Lopez continua longe de saber representar (espera-se Unfinished Life para confirmar ou desmintir esta ideia) e o regresso de uma actriz histórica de Hollywood sabe a pouco, muito pouco.

Quando os filmes de animação de Hollywood, da industria japonesa ou mesmo de França e arredores invadem as salas nacionais, fica a sempre a pergunta: onde para o cinema de animação ibérico? O Sonho de Uma Noite de São João quer responder presente e afirmar definitivamente a animação ibérica no espaço europeu. Mas a verdade é que o termo de comparação é inevitável, e aí é indesmentivel o grande atraso que ainda se vive por cá.

O Hollywood Recomenda - Não só por ter Scarlett Johansson - a actriz do momento - mas por ser adaptada de uma obra de Wilde, e de marcar o regresso de Helen Hunt, a verdade é que o destaque da semana é mesmo A Good Woman.
O Hollywood Desaconselha - A oferta não é muita, mas Monster In Law está longe de ser cativante.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:30 PM
Verão Quente - Naomi Watts

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:42 AM
julho 19, 2005
Capitulo VII - Para onde vai Godard?
No pós-Maio de 68 tornou-se claro que tinha chegado a hora de cada um seguir o seu caminho. E assim foi. “A Nouvelle Vague acabou. Viva as Nouvelle Vagues!” parecia ser a ideia dominante. E não só as diferentes correntes que cada autor francês procurou desenvolver, mas também a explosão dos “cinema novos” derivados da Nouvelle Vague em países tão distintos como o Brasil, a Alemanha, Itália ou Polónia. Mesmo sem o sucesso inicialmente desejado em França, a verdade é que a semente estava lançada. Nada voltaria a ser como dantes.

Jean-Luc Godard
A discussão entre Godard e Truffaut marcou o fim da Nouvelle Vague francesa.
É uma presunção e não um facto, mas parece por demais evidente que após o Festival de Cannes de 1968, onde os jovens cineastas tomaram conta do Festival, sem entenderem muito bem o que se passava nas ruas de Paris, levando mesmo a confusões entre Godard e Milos Forman, na altura a maior promessa do cinema da Europa de Leste, que nada voltaria a ser como dantes.
Jean-Luc Godard decidiu comprometer-se de imediato com o cinema vincadamente de esquerda. Abertamente maoista, Godard dedicou-se entre 68 e meados da década de 80 à exploração do cinema-verdade, seguindo o exemplo do que tinha feito Dziga Vertov na União Soviética dos anos 20. Aliás, o facto do próprio irmão de Vertov trabalhar agora como seu assistente, não deixa grande margens para dúvidas sobre a forma como Godard iria passar a fazer filmes. E se o jovem realizador nunca mais voltará a ter um ritmo de êxitos infernal como conheceu nos anos 60, também é verdade que os seus trabalhos experimentais nos anos 70, a sua entrada no meio televisivo, e os seus filmes mais polémicos dos anos 80, onde o destaque terá de ir forçosamente para Je Vous Salut Marie, são marcos da história do cinema e devem ser vistos como tal. Aliás, não foi por acaso Godard que decidiu traçar o elogio fúnebre da Nouvelle Vague ao assinar um filme homónimo em 1990, trinta anos após ter espantado meio mundo com o seu A Bout de Soufle? Personagem amada e odiada, Godard dedicar-se-ia também a uma constante valorização do “que é o cinema”, não só através de textos, ensaios e filmes, mas também em projectos como Histoires du Cinema, onde toda a sua paixão pela 7º Arte, e pelos diversos ramos ligados a essa tal 7º Arte, são explorados com muito talento e extrema devoção.
Próximo Capitulo - O espirito de Truffaut
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:33 PM
Verão Quente - Alicia Silverstone

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:40 AM | Comentários (1)
julho 18, 2005
Verão Quente - Russell Crowe

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:48 AM | Comentários (1)
Filmes Que Marcaram a História : Vivre Sa Vie - A Paixão de Jean-Luc
De Godard dissemos que é um apaixonado das mulheres. Sem o conhecermos, acreditamos também que era imensamente apaixonado por uma mulher, de nome Anna Karina. Porquê tal ideia? Basta ver Vivre Sa Vie.
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“Je suis malheureuse, je suis responsable !”
Ver o seu inicio – onde apenas a face, independentemente de onde é vista – de Karina importa. Basta seguir a história desta mulher, que ao contrário da mulher de Une Femme Est Une Femme, vive claramente um drama, um drama sem solução, sem outro caminho que não seja a perdição, e depois, a morte!
Vivre Sa Vie é considerado por muitos como a obra-prima de Godard. É de facto um dos seus filmes mais poderosos, por ser dos filmes mais despojados de efeitos, de jogos e de experiências. Um filme profundamente iconoclasta, mas extremamente sóbrio. Apesar da nudez feminina, não há aqui a exploração do corpo da mulher como haverá com Bardot em Le Mepris. Apesar do final da personagem principal, não há aqui uma tendência para a dramatização da vida. Tudo é feito com naturalismo, como se a água do rio corresse para o mar, calmamente, sabendo que lá chegando, se perderia na imensidão do oceano, mas, mesmo assim, não se importante, continuando a sua longa viagem.

O que mais impressiona neste filme – tirando mais um grande desempenho de Karina, talvez o mais bem conseguido de toda a sua carreira – é o despojamento de Godard. Filmar o início do filme, durante cinco longos e apaixonantes minutos, apenas e só as costas das suas personagens, esquecendo por momento a sua paixão pelo rosto humano, é assustador e ao mesmo tempo belo. E se, mesmo assim, há aqui e ali uma brincadeira com o som e com a imagem, a verdade é que este filme apresenta mais traços com um filme de Truffaut, pela sua sobriedade, do que qualquer outro filme godardiano. O que mostra também que a anarquia, o experimentalismo do realizador têm um contra-ponto. E que esse mesmo contra-ponto é igualmente desafiante das normas e dos padrões da época. E por conseguinte, por ser um próprio desafio ao cinema em si, o filme ganha contornos fascinantes.
A paixão com que Godard filma o resto de Karina é a mesma com que Dreyer filma a sua Jean D´Arc. É a mesma devoção do amante e também do realizador. E se Le Mépris é um filme de corpos. Se Une Femme Est Une Femme é um filme de casais, este filme é essencialmente um tratado, uma análise sob o poder do rosto de uma mulher. Um ensaio experimental e ao mesmo tempo sóbrio. Um ensaio cheio de uma beleza quase soturna, a que o regresso ao preto-e-branco acentua claramente.

Mais uma vez em Godard não é a narrativa a alavanca do filme. Aqui a história da jovem prostituta que quer finalmente ser alguém, mas que anda a reboque de um universo que não controla, é secundária. É a forma como se conta a história que importa. É como acompanhamos Karina na sua primeira experiência, e nas restantes, e no momento em que ama, e em que explora o seu próprio interior. Nos momentos em que ri e nas horas em que sofre. Não é o seu final que importa. É a forma como ele é mostrado, de forma despodorada e seca, como se estivesse escrito que seria assim, desde o primeiro instante. Não há piedade, não há justiça. Há apenas o decorrer natural das coisas. Quem é Nana, porque sofre, porque quer fugir? Isso não interessa. O que interessa é que dela se extraiu uma história. Do rosto dela se compuseram imagens. E de tudo isso nasceu um filme. O final abrupto da história quer dizer isso mesmo. Ela viveu a sua vida, a sua vida acabou, não há motivo para o filme continuar. Fechem as cortinas, ela morreu, mas o cinema está mais vivo do que nunca.
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O Melhor - A forma como Godard filma Anna Karina.
O Pior - Alguns elementos da narrativa surgem soltos de ordem, o que compromete a narrativa.
Curiosidade - Este será o segundo filme que o casal Karina-Godard faz em conjunto num total de seis obras.
Realizador - Jean-Luc Godard
Elenco - Anna Karina, Sady Rebot, ...
Duração - 83 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:22 AM | Comentários (2)
julho 17, 2005
Capitulo VI - Godard e Truffaut sobrevivem
Se Rivette ainda faz La Religiouse em 1966, e se Demy se vira para o musical mais comercial, com o sucesso que se conhece nos seus dois exemplos mais felizes – Les Parapluies de Cherbourg e Les Demoiselles de Rochefort – a verdade é que até 1968, a Nouvelle Vague irá subsistir, junto do grande público, nos filmes de Godard e Truffaut.

La Religiouse
Não que esses filmes sejam os melhores da época no que diz respeito aos trabalhos que os autores da Nouvelle Vague continuaram a desenvolver, quer na televisão, quer num circuito alternativo e independente. Mas estes foram os únicos cineastas que puderam continuar a dizer presente, e a ombrear com os filmes da indústria e os filmes estrangeiros – especialmente de Hollywood – que inundavam as salas de cinema à época. E se já vimos que Truffaut se tornou cauteloso, financiando mais filmes do que propriamente realizando, mesmo assim há neste período um belíssimo ensaio cinematográfico em Fahrenheit 451, que prova que Truffaut vive.
Já Godard continua igual a si próprio. O seu Le Petit Soldat, que tanta polémica tinha criado pelo seu pendor anti-guerra – e na altura o fantasma da Guerra da Árgelia estava ainda bem presente – continua a explorar a sua paixão por tudo o que é cinema, paixão essa que Band À Part, Une Femmes Est Marrié e, acima de tudo, Pierrot le Fou, vão confirmar por completo. Para Godard o cinema não é só som, é também mudo. Para Godard a cor tanto pode ser vermelha, como azul, como verde. A luz preferencialmente natural, pode criar múltiplas ilusões. E o discurso não tem de estar preso a nada. É a imagem que comanda o filme, é o espírito de iniciativa do autor que dá o mote, não palavras atadas a uma folha de papel. Tudo isto está reunido em Pierrot le Fou, manifestamente a obra que fecha a Nouvelle Vague, como foi inicialmente apresentada.

Jean-Luc Godard
A partir de 1966 a Nouvelle Vague irá desmultiplicar-se. Cada um dos autores, no espaço que tanto varia entre o cinema de ficção, o documentário, a curta-metragem ou os tele-filmes, vai tentar explorar a sua própria linguagem. E se até 1968 há uma espécie de negação do final do movimento como algo uno, a verdade é que a polémica em Cannes, o Maio de 68 em Paris, o ”golpe de estado” na redacção dos Cahiers e a cisão definitiva entre Truffaut e Godard, levando este último em busca de um cinema-verité, como Vertov tinha ensaiado quarenta anos antes, vão dar o mote para o correr do pano do movimento mais ambicioso e mais importante do cinema no pós-decada de 50.
Próximo Capitulo - Para onde foi Godard?
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:28 PM
Verão Quente - Eva Longoria

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:38 AM | Comentários (3)
julho 16, 2005
Verão Quente - Penelope Cruz

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:37 AM | Comentários (2)
Filmes Que Marcaram a História : L´Anne Dernier a Marienbad - A Poesia da Morte e da Vida
Alain Resnais já tinha chegado ao céu com o seu primeiro filme, dois anos antes. Já se tinha assumido como o mais artístico e introspectivo elemento da Nouvelle Vague. Por isso, era mais ou menos acente que o seu segundo filme segui-se o mesmo rumo do primeiro. Mas poucos estavam preparados para uma experiência tão sublime como a que o realizador oferece nesta viagem a um mundo alternativo, um mundo onde vivos e mortos, onde passado e presente, caminham lado a lado, em constante reflexão.
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“Ça ce n’est pas important !”
Seria igualmente difícil encontrar um inicio de texto cinematográfico – uma definição de filme que certamente agradaria a Resnais – mais belo que o de Hiroxima Mon Amour. Mas mais uma vez o realizador surpreende-nos ao apresentar uma visita guiada aos corredores do soturno e misterioso castelo de Marienbad, sob uma aura de morte e de contemplação do ser humano.
L´Anné Dernie a Marienbad é um jogo de ilusões. Um palco de confrontos morais e humanos. O pretexto para mais uma deambulação sobre a essência do comportamento do ser humano. Com uma clara influência do pensamento freudiano, as personagens que caminham, soturnas, silenciosas, pelos corredores do castelo, falando de tudo sem falar de nada, são como peças misteriosas de um sonho sem solução. Como mais tarde fará – numa outra perspectiva é certo, mas com algumas semelhanças em termos narrativos – David Lynch, aqui a história é sempre um elemento confuso, dificilmente decifrável, e uma desculpa para ensaiar, explorar e imaginar.

São mais uma vez os artifícios narrativos utilizados – o jogo de campo contracampo, os travellings sobre os jardins e sobre os corredores do castelo, a desconstrução da narrativa – que pautam o ritmo do filme. Um ritmo aparentemente morno, sem grande sentido de explosão e sem grandes mudanças – ao contrário de Hiroxima, onde havia, pelo menos, três momentos distintos na narrativa do filme – mas que só ajuda a perseguir a ideia inicial de Resnais. A de ir mais além na busca de uma resposta para o insulovel. Resnais não é pragmático. É um sonhador. Não é analítico. É contemplativo. Não procura nada forçosamente. Deixa-se levar. E com ele arrasta consigo a câmara, em jogos sublimes de contrastes e introspecções, e com ela traz também o público, que facilmente se deixa apanhar na sua teia, elaborada calmamente e sem despertar suspeitas.

O que se passou realmente no ano passado em Marienbad? A certa altura o que se torna perceptível é imperceptível, incompreendido, imperceptível. O real não interessa. É tudo uma ilusão, uma viagem sem sentido. Talvez não se tenha passado nada e tudo isto tenha sido apenas um sonho. Ou talvez tenha acontecido tudo e nós simplesmente não nos lembramos de nada. Será tudo falso como se parece fazer crer? Ou o que é genuíno já se tornou de tal forma corrente que já cheira a falso?
O silêncio, os longos e misteriosos corredores, as pessoas sem nome e sem cara, os jardins, o quarto, o mistério. A imaginação, a memória, o esquecimento. Afinal, o que se passou no ano passado em Marienbad? Só aquela dimensão perdida no tempo e no espaço, a dimensão a que não damos nome por, nós próprios, já nos termos esquecido que ela existe. Só ela tem a resposta. Ela e a mágica câmara de filmar de Resnais. Mais ninguém!
Classificação - 



O Melhor - Os travellings que percorrem todo o espaço dando-lhe uma aura de maior misticismo e profundidade dramática.
O Pior - A incapacidade dos actores de se soltarem das amarras que lhes foram entregues.
Curiosidade - Este foi o primeiro trabalho de Resnais sem Marker. E foi igualmente o seu ultimo sucesso junto da critica e do publico. Um momento marcante na vida do realizador.
Realizador - Alain Resnais
Elenco - Delphine Serig, Giorgio Albertazi, ...
Duração - 94 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:25 AM
julho 15, 2005
Capitulo VI - O Fim do Sonho
Os primeiros anos tinham sido de festa. Os últimos seriam de tristeza. A partir de 1963 o público divorcia-se definitivamente dos jovens autores, rendendo-se por completo ao cinema produzido pelo sistema. Os distribuidores começam a impor as suas condições aos cineastas, e os que resistem acabam por ver as suas obras confinadas aos cine-clubes. As produtoras voltam a assumir o papel de destaque na produção dos filmes e o cinema da Nouvelle Vague vai-se desmembrando em pequenas tendências, cada qual com um autor como porta-estandarte. O Maio de 68 deu o golpe de misericórdia num doente já em estado terminal.

Eric Rohmer
Quem imaginaria que a Nouvelle Vague passaria dos céus aos infernos em tão pouco tempo. De facto, o movimento conheceu uma estreia fulgurante mas nunca conseguiu verdadeiramente manter-se no topo. As suas pequenas produções independentes davam lucro, mas as receitas de bilheteira eram muito inferiores aos filmes da indústria. O público começava cada vez a torcer o nariz ao cinema de autor, e eram cada vez mais os cinéfilos e os intelectuais que compunham o pouco público que iam visitando os filmes da Nouvelle Vague.
Cedo os distribuidores perceberam que chegara a hora da desforra. Desde o primeiro momento que a Nouvelle Vague era um ataque directo ao seu poder no seio da indústria. O sucesso inicial dos primeiros filmes dos jovens lobos tinha deixado desarmados muitos dos distribuidores, que não tinham outra opção senão exibi-los. Com o desinteresse progressivo do grande público, a desculpa que eles precisavam tinha finalmente caído do céu. Rapidamente começaram a exigir dos jovens autores o que exigiam dos filmes da chamada Tradição de Qualidade. Supervisão do argumento, decisão sobre o final, opinião na escolha do elenco, sugestão de estrelas para cada filme, lucros nos resultados de bilheteira. Ou seja, tudo o que ia contra o espírito da “Politica de Autores”, que tão afincadamente os jovens tinham defendido alguns anos atrás.

Claude Chabrol
No início, como era natural, a maior parte dos cineastas bateu o pé. Uns conseguiram sobreviver à margem do sistema. Ou porque tinham dinheiro para investir por conta própria e podiam dar-se ao luxo de correr riscos (Truffaut), ou porque já tinham o seu nome plenamente consagrado, o que lhes dava certas liberdades no panorama cinematográfico da altura (Godard). Mas a grande maioria viu-se confinada a exibir os seus filmes para uma diminuta audiência. Das grandes salas da Gaumont, os filmes de autores como Chabrol ou Rivette passaram para os cine-clubes de Paris e da província, onde poucos realmente podiam apreciar verdadeiramente as suas obras. Sem orçamento para contrariar o sistema, pontualmente, alguns destes realizadores faziam filmes mais comerciais, para conseguir dinheiro para produções mais pessoais . Outros encontraram refugio na televisão. O meio começava a expandir-se junto do grande público e os filmes criados para a televisão eram claramente uma realidade na França dos anos 60. Para lá rumaram Rohmer, Chabrol e Resnais, em busca de melhores dias para voltarem a criar o cinema de autor que tanto defenderam. Para Rohmer o seu período áureo chegaria nos anos 70. Para Chabrol haveria uma momentânea redenção no virar da década, mas muito pouco para quem prometia tanto. Também Doniol-Volcroize foi “obrigado” a procurar novos rumos para o seu trabalho, isto enquanto nomes como Rouch, Marker e Resnais afastam-se definitivamente de um cinema consensual na busca de agradar ao grande público, sem fugir a um conceito artístico, acabando por procurar explorar de diversas formas a linguagem cinematográfica, em tons mais modernistas (ou até mesmo classicistas) e mais virados para o conceito de cinema-verité.
Próximo Capitulo - Truffaut e Godard sobrevivem
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:19 PM
Verão Quente - Eliza Dushku

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:34 AM | Comentários (1)
julho 14, 2005
E lá se chegou aos 50000
Com o rebuliço dos primeiros dias de férias e a habitual confusão na pré-produção de mais um filme, passou-me por completo. Mas a verdade é que o Hollywood superou a barreira dos 50000 visitantes. A isto juntam-se mais de 1100 posts e 1200 comentários e ainda um lugar no top50 do Weblog.Pt como um dos blogs mais lidos em Portugal.
Para quem tem um ano e três meses parecem-me números interessantes. Digo eu!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:22 PM | Comentários (7)
Verão Quente - Jennifer Lopez

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:33 AM | Comentários (2)
Filmes Que Marcaram a História : Jules et Jim - Entre Livros e Filmes
A paixão de François Truffaut pela literatura só é superada pelo seu imenso amor pelo cinema. Dessa paixão, desse dupla paixão, nasceu uma forma de fazer cinema muito própria do jovem autor francês. E entre todos os exemplos de cine-livros que Truffaut criou – se exceptuarmos Deux Anglaises et le Continent, um filme muito similar a este onde apenas se passa de dois homens para um mulher, para uma relação de duas mulheres e um homem – Jules et Jim é um dos exemplos máximos.
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“Elle est une aparition!”
O filme retrata não só um verdadeiro menage a trois no início do século, como é, ao mesmo tempo, um filme sobre amizade, amor e dúvidas à volta da própria existência humana, numa altura – a afamada Belle Époque e o pós-guerra – em que essa temática estava sobre a mesa. Jules et Jim não é apenas um filme. É primeiro um livro. E o filme respeita isso totalmente. A narração em off da história, desde o primeiro ao último minuto de película mostra claramente que Truffaut quer ser o mais fiel à literatura quando faz cinema. Mas por vezes, são as imagens e os seus jogos que potenciam o diálogo, a narrativa off, o texto literário. E é nesse jogo de cumplicidade entre literatura e cinema que o filme flúi, de forma extremamente natural, e completamente cativante.
O trunfo central de Jules et Jim é essa habilidade de conjugar duas linguagens que apesar de serem diferentes, sempre conviveram desde que o cinema de ficção surge, na primeira década do século XX. Sem aborrecer, sem se perder em apontamentos de exagero literário, e, acima de tudo, sem perder de vista a ideia de que, o que estamos a ver é na realidade um filme, Truffaut molda um trabalho de precisão, extremamente sólido, mas ao mesmo tempo, com verdadeiros rasgos de imaginação.

A pauta sonora composta por George Deleure – um dos maiores compositores da história do cinema e um dos nomes obrigatórios para os autores da Nouvelle Vague – acentua o dramatismo da narrativa literária, mas, ao mesmo tempo, explora ou ajuda a explorar a dimensão cinematográfica de Jules et Jim. Os próprios desempenhos assombrosos de Jeanne Moreau, Henri Serre e Óscar Werner – um dos maiores actores do cinema europeu – não são apenas desempenhos de actores, elementos de um filme, mas também a encarnação viva e de cariz literário das personagens do próprio livro. Quando alguém adapta um livro ao cinema, há a tentação de fazer pequenas alterações para tornar a obra menos literária e mais cinematográfica. Isso passa pelo argumento, pela produção, pelo próprio casting, e acaba irremediavelmente na própria construção do filme pelo realizador. Ora foi exactamente isso que Truffaut criticou no cinema de Tradição de Qualidade francês e é exactamente isso que o realizador não faz em Jules et Jim. Há filme mas acima de tudo há muito do livro no trabalho final. Um trabalho de fidelização a la Truffaut.

Jules et Jim surge diferente de Les Quatrecents Coups e Tirez sur Le Pianist. Mais denso, mais ousado, mais imaginativo e mais irreverente, este é o filme que prova que o cinema realmente nunca mais será como dantes. Pode dizer-se que é a resposta de Truffaut a Godard e ao seu A Bout de Soufle como Smile foi a resposta dos Beach Boys ao Sargent Peppers dos Beatles. Comparar a música e o cinema é sempre arriscado, mas neste caso serve para mostrar que, na busca de novas linguagens, de novos caminhos, novas áreas a explorar, diferentes autores podem perseguir o mesmo objectivo por diferentes estradas. Truffaut assume aqui qual a estrada que vai percorrer. Um caminho mais classicista, mais humanista, com alguma irreverência sim, mas sempre fiel ao cinema clássico que aprendeu a amar, desde sempre.
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O Melhor - O desempenho do trio de actores principais.
O Pior - Alguma monotonia na narrativa que poderia ter sido explorada de outra forma através da utilização de outros recursos visuais.
Curiosidade - Oskar Werner voltará a trabalhar com François Truffaut em Fareneith 514, enquanto que Jeanne Moureau fará um cameo em Une Femme Est Une Femme para publicitar este mesmo filme.
Realizador - François Truffaut
Elenco - Jeanne Moreau, Oskar Werner, Henri Serre, ...
Duração - 103 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:15 AM | Comentários (1)
julho 13, 2005
O Que Estreia Por Cá - Um ano depois, um novo Cristo
Depois de 2004 ter ficado inapelavelmente marcado pela polémica obra de Mel Gibson, The Passion of the Christ, em 2005 Jesus Cristo volta a descer à terra. Agora sobre a direcção de Phil Saville e apenas no ponto de vista de S. João...

The Gospel of John marca a primeira abordagem de Phil Saville ao universo biblico. Ele que prepara agora o mesmo filme sob a vida de Cristo, mas sob a perspectiva dos outros evangelistas.
E a grande novidade desta adaptação é mesmo essa, a de restringir a narrativa à visão de um dos evangelhos, em vez de, como se tem feito, misturar os evengelhos com outros textos para conseguir um resultado final mais completo, mas, ao mesmo tempo, com mais imprecisões.
Neste caso a história não surge como novidade. Narrada por Christopher Plummer, o filme acompanha mais um Jsus Cristo (depois de Jim Caviezel agora há Henry Ian Cusick como Cristo) o filme não tem o signo das grandes produções mas teve uma estreia positiva no festival de cinema de Toronto. Veremos quais as diferenças e semelhanças com uma das histórias que mais fascinou o universo cinematográfico mas que até hoje falhou em ter uma adaptação majestosa.

Quatro estreias marcam esta semana.
Ondsakan foi nomeado em 2003 ao óscar de melhor filme estrangeiro. Filme sueco, Ondsaken fala das escolas e das hierarquias que existem e que limitam, dia após dia, a liberdade daqueles que encontram aqui uma última oportunidade para singrar na vida. Dirigido por Mikael Håfström.

Dio com Parolle Mie é uma divertidissima comédia italiana, bem adequada aos dias de Verão. Uma jovem termina o seu namoro e decide partir para férias com a sua sobrinha de 14 anos. O que ela não sabe é que o desejo da sobrinha é perder a virgindade...com o seu ex-namorado. O realizador é Danielle Luchetti e o filme conta com Stefania Montorsi, Giampaolo Morelli e Martina Merlino.

The Mask foi um filme extremamente popular em meados dos anos 90, ajudando a consagrar Jim Carrey como actor non-sense (antes de Trumam Show e das obras-primas que se seguiram) e lançou Cameron Diaz como sex-bomb. Bem, a Máscara voltou, agora sem estrelas, sem imaginação e com o titulo The Son of the Mask. Semelhanças entre os dois filmes são pura coincidência.

Que dizer de Boogeyman, mais um horror-movie que repete fórmulas mais do que gastas sempre na busca de um nicho de mercado que parece insaciável. Está lá Sam Raimi a produzir, Stephen T. Kay a realizar e mais um conjunto de jovens actores a dar vida a uma história que dá a ideia ser adaptada pela enésima vez.

O Hollywood Recomenda - A divertida e bem disposta comédia italiana que dá pelo nome de Dio com Parolle Mie. Porque a Europa tem excelente cinema.
O Hollywood Desaconselha - Entre The Son of the Mask e Boogeyman é dificil decidir o que desaconselhar. Ficam os dois!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:26 PM | Comentários (1)
Verão Quente - Jennifer Garner

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:30 AM | Comentários (1)
Capitulo V : Os últimos grandes êxitos
Com Truffaut a agir com mais precaução como produtor independente, para além de argumentista e cineasta, seria difícil imaginar o sucesso de Jules et Jim, filme de 1962 que é também uma das obras mais notáveis da época.

Jules et Jim
Filme de época – o primeiro filme de época feito pelos jovens cineastas, que sempre manifestaram uma predilecção pelo “agora” – este retrato de um tridente amoroso de contornos trágicos no início do século, traria ao mundo alguns dos momentos mais espantosos do cinema da Nouvelle Vague. Dizer que Jules et Jim é poesia visual é dizer verdadeiramente pouco. Com desempenhos notáveis de Jeanne Moureau e Óscar Werner – que voltaria a trabalhar com Truffaut anos mais tarde – o filme proporcionaria a Truffaut mais um grande sucesso, voltando a mostrar o vigor da Nouvelle Vague.

Claude Chabrol
Quem também conseguiu explorar bem este período de ouro do movimento foi Claude Chabrol. Entre 1960 e 1963 o realizador vai assinar três filmes notáveis, extremamente bem conseguidos, todos eles capazes de resumir um pouco o espírito de Chabrol, muito influenciado pelo cinema hitchcockiano, sempre com marcas de suspense, tendo como pano de fundo a província francesa. Les Bonnes Femmes, Les Godelureaux e Ophelia são marcos do cinema dessa época, ajudando a consagrar desde logo o jovem cineasta como um dos mais prolíferos daqueles dias.
Já Alain Resnais, que como sabemos sempre manteve um estilo muito peculiar, volta a criar um belíssimo ensaio sobre o passado, a morte e o esquecimento, no complexo e intrigante L´anné dernier à Marienbad. Filme extremamente poético, onde a paisagem, o jogo de espelhos e os habituais travellings fazem a diferença, L´anné dernier à Marienbad coleccionou vitórias nos certames desse ano, confirmando Resnais como um realizador de excepção. Talvez por isso, o desastre de Muriel ou Les Temps du Retour, em 1963, fosse premonitório do descalabro que se seguiria.

L´Anne Dernier Á Marienbad
Aproveitando a boleia dos cineastas, Jacques Doniel-Volcroize, Jean Rouch ou Jacques Demy, começavam a ter bastante sucesso junto da crítica e do público. Era a época da afirmação do “gaulismo” em França, com o qual, estranhamente (ou talvez não), a Nouvelle Vague foi imediatamente associada. E como se previa, uma associação tão publicitada, como aconteceu com a imprensa da época, teria as suas consequências quando o gaulismo começou a ruir, naquele mítico ano de 68. Mas por estranho que pareça, a Nouvelle Vague começou a cair muito antes disso. Estávamos em 1963. Godard tinha feito Le Mépris, que apesar de tudo, não foi o sucesso que se esperava, tendo em conta que por lá andava Bardot. Resnais tropeça pela primeira vez na sua carreira e Truffaut passa o ano em claro. Era a vingança do sistema!
Capitulo VI - O Fim do Sonho
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:05 AM
Scott no activo
Depois de não ter tido o sucesso esperado com Kingdom of Heaven, o realizador Ridley Scott pode estar prestes a retomar dois dos filmes que mais sucesso lhe deram.
Na promoção do filme The Island, o actor Djimon Hounson, que vive Juba em Gladiator, reconheceu que os estúdios estão a desenvolver possiveis argumentos para uma sequela do grande campeão dos óscares em 2000. No entanto a história não terá Russell Crowe e isso assusta ainda alguns dos executivos que temem um filme sem o mesmo impacto que o original.
Também os produtores de Alien continuam a preparar o próximo filme sobre o periogo alienigena e como sempre, o nome mais falado para retoamr a direcção é Ridley Scott, que aparentemente tem mostrado algum interesse no desenvolvimento dos argumentos à volta de mais um episódio que poderá contar de novo com Sigourney Weaver.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:32 AM
Sunset Boulevard outra vez
Uma semana após a nossa reflexão sobre os remakes, eis que Hollywood nos volta a surpreender. Desta vez calha a Sunset Boulevard, possivelmente um dos maiores filmes de sempre, ser o titulo com um remake agendado para as salas de cinema em 2006.
O filme terá inspiração não apenas no filme de Wilder mas também na peça de Andrew Lloyd Webber. O elenco contará com Ewan McGregor a revisitar William Holden e Glenn Close como Norma Desmond, o papel que imortalizou Gloria Swanson.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:28 AM
julho 12, 2005
Verão Quente - Lindsay Lohan

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:25 AM | Comentários (6)
11 de Setembro no cinema
Não surpreende ninguém que o 11 de Setembro possa vir a tornar-se, tal como a Guerra do Vietname, num dos temas mais badalados pela indústria cinematográfica. E tal como a guerra no sudeste asiático, os estúdios preferem deixar passar algum tempo para não brincar com as emoções dos sempre conservadores norte-americanos.
Mas com cinco anos passados parece que chegou a altura do cinema visitar a história, mais propriamente, o dia 11/09. E quem se destaca na linha da frente é mesmo Oliver Stone.
Depois do seu projecto sobre Margaret Tatcher (com Meryl Streep) ter sido adiado, o realizador que mais trabalhou sobre as feridas norte-americanas no Vietname, prepara a primeira abordagem ao ataque terrorista a Nova Iorque. Contando uma história de sobreviventes claro. Nicholas Cage deve liderar o elenco deste projecto sem titulo mas que parece já ter um rival. A Columbia também prepara um filme baseada no livro 102, escrito por dois jornalistas sobre os momentos cruciais do atentado ao World Trade Center.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:49 AM | Comentários (1)
Filmes Que Marcaram a História : Une Femme Est Une Femme - Tratado Sobre as Mulheres
Dentro de Jean-Luc Godard há múltiplas facetas que correspondem directamente a diferentes perspectivas que o realizador tem sobre o cinema. Há um Godard contemplativo, um Godard anárquico, um Godard vertoviano. Mas, acima de tudo, há um Godard com uma imensa paixão pela mulher.
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“Ques que cet ça ? Comédie ou drame ? C´est comme les femmes. Personne ne sauvais pas !”
Pela sua essência, pelo seu rosto, pelo seu corpo, pelas suas características chaves, que torna ainda mais rica a sua filmografia. E se Vivre Sa Vie é um filme belíssimo sobre uma mulher, este Une Femme Est Unne Femme é um filme sobre as mulheres. A figura de Ana Karina – a primeira vez que a actriz “explode” verdadeiramente – é um elemento representativo da comunidade feminina da França de 61. É irreverente, é sensual, é divertida, é obstinada. Sabe que quer algo, mas não parece saber muito bem o quê e como lá chegará.
A maternidade é apenas uma desculpa que Godard utiliza para passar à acção. Esta é a sua primeira comédia. Pessoalmente, e apesar de todo o valor da restante filmografia, esta é também a sua obra-prima. Não por ser uma comédia como houve poucas. Não por ter um elenco absolutamente notável, com três verdadeiros ícones da Nouvelle Vague: Karina, Belmondo e Brialy. Mas sim pela genialidade com que Godard brinca com o conceito de filme. O jogo de palavras com os títulos de livros é de um brilhantismo a toda a prova. A narração da história, dentro da história – algo que culminará em Pierrot le Fou – é de uma simplicidade estonteante. Mas é a riqueza de planos, a concepção do espaço (e este é o primeiro filme de Godard filmado essencialmente em estúdio) que apesar de ser interior é filmado como se fosse exterior, ou seja, com uma liberdade de movimento fabuloso. Basta olhar para Brialy a andar de bicicleta dentro de casa, que rapidamente se percebe o recado de Godard. O local onde se filma é menos importante das ideias que se tem para o valorizar ao máximo.

Filme sem falhas, este foi a também o primeiro filme de Godard a cores, algo que o divertirá imenso, graças ás suas imensas potencialidades – que mais uma vez irá explorar por completo nos filmes seguintes – e também o único filme em que Godard dá um pequeno tom de musical, um género onde não irá caminhar, por considerar que é demasiado leve para as suas experiências dentro da gramática do cinema, a sua verdadeira paixão. Aliás, um dos tons essenciais deste filme é o de servir de palco para as primeiras experiências do realizador a todos os níveis. Actores a falar directamente com o público, jogos de cor e de som, elogio do cinema da Nouvelle Vague dentro do próprio filme, uso de inter-titulos na história numa clara alusão à sua paixão pelo mudo, são elementos fundamentais na obra de Godard, e conhecem aqui a luz do dia.

Filme de um sensualismo extremamente natural , é a mulher que é o ponto central da história. E a mulher é Karina. O filme não é feito à volta de Belmondo ou Brialy. É feito sob a perspectiva de uma mulher, esse estranho animal para os homens, que a desejam mas não entendem, e num ritmo extremamente feminino. Mas sempre a la Godard. Não é um filme profundamente reflexivo como será Vivre sa Vie ou Le Mepris. Ainda não é um filme anárquico como Pierrot le Fou ou Band À Part. É acima de tudo um filme que fala de amor, das relações de um casal (e o ponto de comparação com o casal vizinho de Brialy e Karina é soberbo), e do desejo – ou melhor, dos desejos – e do capricho de uma só mulher. Ou melhor, de todas as mulheres. Pelo menos, como as imagina Godard.
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O Melhor - Ana Karina, a sua magia e a forma como a camara se apaixona por ela.
O Pior - O habitual umbiguismo da Nouvelle Vague.
Curiosidade - Les Caribiners esteve para ser a segunda longa de Godard. Mas acabou por ser censurada, estreando apenas dois anos depois, fazendo deste filme, a sua segunda obra divulgada.
Realizador - Jean-Luc Godard
Elenco - Ana Karina, Jean-Claude Brialy, Jean-Paul Belmondo, ...
Duração - 85 mClassificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:33 AM
julho 11, 2005
Verão Quente - Hayden Christensen

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:47 AM | Comentários (1)
Capitulo V : Os dias de glória - O umbiguismo, Rivette, Truffaut e claro, Godard
Se Godard se tinha estreado em grande, que dizer de Jacques Rivette, outros dos críticos dos Cahiers que se decide a passar à realização e embarca no espírito dos cineastas-cinéfilos...

Jacques Rivette
Em 1960 o seu filme de estreia, Paris Nous Appartient, é um sucesso estrondoso, um dos maiores do ano, e afirma de imediato Rivette com um dos grandes talentos da Nouvelle Vague, especialmente pela forma desprendida como conta história, e como filmes os espaços abertos de Paris, em planos riquíssimos de pormenores subtis, muitos deles captados de forma magistral dos telhados da cidade. Rivette juntava-se assim a Chabrol, Godard, Resnais e Truffaut.

Em 1961 assistiu-se ao afirmar de uma nova tendência desta Nouvelle Vague. Apesar de terem praticamente abandonado os Cahiers, para se dedicarem à realização, a verdade é que, pontualmente, os críticos Truffaut, Godard, Chabrol, Rohmer e Chabrol voltavam à redacção da revista. Mas agora escreviam, não só sobre os cineastas-autores que apreciavam, mas também sobre eles próprios. Era vulgar ver Godard a elogiar Truffaut, Rohmer a dizer bem de Chabrol, ou todos a reverenciar Resnais. Mais, nos próprios filmes destes jovens autores, há constantes referências aos filmes dos colegas. Godard por exemplo, só em Une Femme Est Une Femme, a sua obra-prima maior e o seu segundo filme, faz a apologia de dois filmes de Truffaut. O recém-estreado Tirez Sur Le Pianist, e Jules et Jim, que estava a ser rodado na altura, contando com um cameo de Jeanne Moureau. Além do mais, o próprio Godard fazia publicidade a ele mesmo, ao referir por várias vezes nesse mesmo filme, e curiosamente pela personagem interpretada por Belmondo, o seu filme de estreia, nada mais nada menos que A Bout de Soufle.

Esta tendência “umbiguista”, muito semelhante a uma espécie de “Escola do Elogio Mutuo” que Portugal conheceu no campo literário dos meados do século XIX, foi rapidamente criticada. Não pelo facto de se referirem aos filmes, mas sim por faze-lo sempre de forma tendenciosa. De facto, a Truffaut não valeu de nada os elogios de Godard ao seu Tirez Sur Le Pianist. O filme – uma homenagem ao cinema noir – seria um desastre completo – o primeiro filme da Nouvelle Vague a sê-lo de facto – e causaria profundas mudanças na forma como Truffaut abordaria a partir de então, a criação cinematográfica. Este acabou por ser o primeiro aviso, numa época de vacas gordas. Truffaut, astuto, percebeu-o. A partir de então vai escolher cuidadosamente os seus projectos, dividindo-os entre as comédias de cariz mais comercial, como foi a saga de Antoine Doinel, que irá retomar no ano seguinte, entre filmes mais pessoais, que irá desenvolver no final da década de 60 e nos anos 70, e na adaptação literária de várias obras norte-americanas, que resultarão em filme como La Syrene du Mississipi.

Quem parecia imparável era mesmo Jean-Luc Godard. Depois do sucesso de A Bout de Soufle e de Une Femme Est Une Femme – que traz à ribalta outras das caras-icone da Nouvelle Vague, Anna Karina – consegue com Vivre Sa Vie, impor-se como um cineasta de eleição. Neste filme, visualmente arrojado e já com alguns traços experimentais, anunciando o que se seguiria, Godard quebra regras e convenções e proclama o seu amor pelo rosto da mulher, marca central deste filme, e de muitos dos seguintes. Rosto esse que seria encarnado habitualmente por Karina, agora sua mulher, mas também por B.B. no inesquecível Le Mépris. Esse acabaria por marcar o opúsculo dos dias de glória da Nouvelle Vague, juntando vários elementos desta escola num só filme, no que viria a tornar-se num dos títulos chave da época.
Próximo Capitulo - Os Últimos grandes êxitos
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:23 AM | Comentários (1)
julho 10, 2005
Verão Quente - Michelle Trachtenberg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:24 AM | Comentários (1)
Filmes Que Marcaram a História : A Bout de Soufle - Grito de liberdade
Talvez o pior que possa acontecer a alguém é ver A Bout de Soufle hoje. Este é um filme – que apesar de todos os seus traços de genialidade e rebeldia, que anunciavam já o Godard que todos conhecemos – que devia ter sido visto em 1960, e apenas aí.Porquê esta afirmação quase blasfema?
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“Je ne sais pas!”
Porque tudo o que o filme representa, tudo o que filme traz, é revolucionário. E nunca se olha da mesma forma para um filme na altura do seu lançamento e quarenta e cinco anos depois. Se A Bout de Soufle é um tratado sobre liberdade, sobre o amor, sobre a irreverência humana e sobre Paris – e essencialmente um tratado sobre a Paris que ninguém conhecia – na época, o filme era muito mais do que isso. Era um marco histórico. Era um grito explosivo, um assinalar definitivo da presença da Nouvelle Vague no mundo do cinema. Era o afirmar do anti-heroi, das heroínas traiçoeiras e hesitantes. Era a apologia dos espaços abertos, da luz natural, dos pequenos pormenores do dia a dia. Era um verdadeiro grito de liberdade do cinema.

Talvez a própria concepção de A Bout de Soufle seja a base de tudo isso. Escrito por Truffaut, que se inspirou num fait-divers que tinha lido à pressa num jornal a caminho de Cannes, o filme nunca teve um guião definitivo. Godard escrevia de manhã as cenas que iria rodar à tarde, mantendo em suspenso tudo e todos, dando um toque verdadeiramente genuíno a toda a história. E apesar da história, em A Bout de Soufle é ela que importa? Importa-nos realmente saber se Jean Seberg ama Belmondo ou se este vai chegar a Roma? Já sabemos as respostas antes sequer que elas se formulem na cabeça das personagens. Aqui – como na maior parte dos filmes de Godard – não é o argumento, a narrativa que conta. É a forma como se lá chega. É que plano é usado, que efeitos o realizador aplica a cada cena. Importa mais o momento – um dos momentos únicos na história do cinema – em que Seberg surge, em plenos Campos Elisios, a vender o New York Herald Tribune, do que saber se Belmondo é um ladrão sem escrúpulos e que vai acabar por ser apanhado. Não há moralismos em Godard. Há poesia na forma como ele apresenta Belmondo, nos primeiros cinco minutos mais trepidantes da história do cinema. Há garra, emoção, no mesmo plano onde as personagens descansam sobre uma cama e se perguntam sobre a sua própria existência. Há janelas abertas, sempre a impelir a câmara a voar para as ruas, para o mundo que se passeia lá por fora, um mundo muito maior e mais complexo do que uma pequena história de um gangster malandro, mas com bom coração.

E depois há o traço de cinéfilo, que Godard manterá sempre nos seus filmes, o traço de homenagem ao cinema. O gesto de Belmondo, qual Humphrey Bogart em tons francês. A cara de Seberg, que nos leva imediatamente para o universo de Preminger. E todo o ritmo, toda a paisagem, toda a dança entre a noite e o dia, entre as ruas e os pequenos apartamentos, que são um claro piscar de olhos ao cinema noir de série B, que tanto era cara à Nouvelle Vague.
Hoje ver A Bout de Soufle já não é a mesma coisa. Não há a frescura da primeira vez.
Hoje não se vê um objecto revolucionário, um objecto contra o sistema. Hoje vê-se um filme do sistema. Um filme de culto, um marco da história, um filme premiado, eleito e tudo o mais. A magia inicial perdeu-se. O que nos resta? Os planos, a música inesquecível, os desempenhos, os travelling pelos Campos Elisios, enfim, tudo aquilo que fazem com que o filme seja, acima de tudo, cinema!
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O Melhor - O ritmo trepidante.
O Pior - Não ser um filme intemporal.
Curiosidade - Truffaut escreveu A Bout de Soufle para Godard, depois de ter lido um caso semelhante no comboio que apanhou para o Festival de Cannes de 59.
Realizador - Jean-Luc Godard
Elenco - Jean Paul Belmondo, Jean Seberg, ...
Duração - 87 m
Elenco - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:09 AM
julho 09, 2005
Verão Quente - Shannon Elizabeth

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:21 AM | Comentários (2)
War of the Worlds - Sem génio, sem magia, sem o outro lado da galáxia...
Se o traço humano de Spielberg não se desvanece, nem nos momentos mais intensos e hollywoodescos desta adaptação da obra de H. G. Wells, a verdade é que no resultado final, pouco sobra para que War of the Worlds faça jus ao titulo de grande filme.
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O cinema catástrofe teve o seu primeiro ponto alto na decada de 70 com filmes como Towering Inferno. Mas a verdade é que nos últimos anos tem-se assistido a uma tendência para voltar a este genero, agora explorado ao máximo com efeitos especiais. Foram os Armageddons, os Independence Days e os Days After Tomorrow que criaram o precedente que é continuado por este War of the Worlds. Curiosamente foi no final dos anos 70 que Spielberg pela primeira vez se aventurou pelo universo dos extra-terrestres. Apesar de estar longe de figurar entre os seus maiores filmes, Close Encounters of the Third Kind abria as portas para a obra-prima que seria E.T. Por isso, quando Spielberg decidiu voltar ao mesmo tema, a presença alienigena na Terra - tema esse explorado na perfeição cinematográfia por M. Night Shyamalan em Signs - a expectativa era muita. Afinal era uma temática interessante, com um mestre a manobrar a história. Mas o resultado final é por demais negativo para pensar-mos nas boas indicações que tinham sido dadas.

Há planos geniais em War of the Worlds. A cena na cave, onde a um assustado Tom Cruise e uma aterrorizada Dakota Fanning, se junta um genial Tim Robbins, tem planos dignos do grande cineasta que é Spielberg. Trabalho de camara notável, capaz de tirar o folego a qualquer um. Mas estes são momentos raros num filme com um ritmo trepidante, mas que não foi nunca levado ao extremo. Se os primeiros momentos do filme até são bons para uma introdução, e se o inicio do ataque é bem conseguido, se bem que algo exagerado, a verdade é que a repetição de planos, sempre com o mesmo significado e portanto, sem grande profundidade para a narrativa, cansa. Tal como essa banalização dos tripodes - exagerada (os efeitos de luzes seriam bem mais interessantes) - também o espirito do filme passa um pouco ao lado.
É certo que o tema nuclear deste filme - e também de muita da filmografia spielberguiana - tem a sua raiz na familia. E aqui o que vamos seguindo é um pai que nunca foi verdadeiramente pai dos seus dois filhos, e que numa situação de cataclismo se redescobre como homem, como progenitor, e assim se altera por completo. Apesar de ser nota corrente a ideia de que um acontecimento dramático pode mudar uma pessoa, esperava-se mais do genio de Spielberg do que recorrer ao velhinho cliché da familia que passa por tudo o que é do pior (se repararem a personagem de Cruise acaba por estar sempre no sitio errado á hora errada) e que no final descobre que se adora. Sendo esse o motor da história - a que se junta uma fuga sem sentido e nunca devidamente explorada (comparem este sentimento de desolação com a obra-prima que é The Pianist), dá-se o mote para um resultado final decepcionante.

Além do mais, o primeiro indicador do que se vai passar chega pela voz de Morgan Freeman. Ao sabermos que é preciso recorrer a um narrador que dê o mote e conclua mais tarde a história, para explicar em breves segundos o que se torna imperceptivel ao longo do filme, percebemos que algo falhou na concepção deste filme. O seu calcanhar de Aquiles é esse. Nunca se percebe de onde, para quê e quando realmente chegaram os invasores. Como também não se percebe quais os seus pontos fortes, falhas e razões do súbito declineo, durante o filme. É impossivel manobrar uma história sem explicitar as suas bases e nisso o falhanço é absoluto. Fanning grita, Chatwain revolta-se e Cruise assusta-se, mas nunca se percebe bem o porquê. Há quem utilize o 11 de Setembro e a evocação do terror do momento, do "Ninguém percebe o que se está a passar!" para justificar esta construção. Mas se essa fosse a abordagem, legimita e lógica, então o final nunca poderia ter sido o escolhido, já que há uma clara concessão ao que é fácil, algo que já tinha acontecido em A.I e Minority Report.

Se o argumento acumula imensas falhas, se a banda-sonora e o trabalho fotográfico são de bom nivel, já em relação ao elenco temos elementos opostos. No lado positivo está claramente Tim Robbins. A sua entrada dá ao filme o que ele nunca teve. Diálogos com sentido, com profundidade, enfim, uma personagem longe de ser plana. O oposto de Tom Cruise, que aqui continua a estar longe de ser o actor que prometia. O olhar assustado não chega, especialmente se comparar-mos a sua evolução que é tão superficial que até assusta. Mais uma vez aqui olhamos para The Pianist e para Adrien Brody, e percebemos a razão de um ter sido galardoado com um óscar e do outro ser apenas uma estrela, e não um actor de grande nivel.
Quem tem grande nivel e promete ser uma estrela cintilante no futuro - se não lhe acontecer o que acontece á maioria das actrizes precoces (Shirley Temple, Drew Barrymore, Anna Paquin, Tatum O´Neil) é Dakota Fanning. A sua personagem é realista, emotiva e com uma verdadeira alma. E a diferença entre ela e Chatwin, que vive o seu irmão, é que Dakota explora ao máximo as potencialidades da jovem Rachel. E é por isso a melhor actriz do filme.

Rodado com um gigantesco orçamento sob o designio de blockbuster do ano, War of the Worlds consegue saber a muito pouco. Há alguns planos dignos de serem considerados de cinema de qualidade, e a acção está bem construida, se bem que mal explorada. Mas mesmo assim esperava-se muito mais de Spielberg. Mas a verdade é que o realizador é capaz do melhor e do menos bom nesta área. E War of the Worlds pode juntar-se aos Jaws e Jurrassik Parks da sua filmografia, sucessos comerciais mas sem grande substracto cinematográfico. Espera-se que Vengance no final do ano se junte à outra coluna da sua obra, onde estão obras-primas como Saving Private Ryan, E.T. ou Schindler´s List. Desta guerra dos mundos, que não chega nunca a ser uma guerra, mas um extreminio como diz a personagem de Robbins, com um twist surreal (não pela sua essência mas como é explorado), ficam poucas saudades. E para planos geniais de catástrofe e fugas, The Day After Tomorrow continua a imperar.
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O Melhor - A cena na cave onde Spielberg confirma ser um génio.
O Pior - As brutais falhas na concepção da história e no seu desenvolvimento.
Curiosidade - Depois de Drew Barrymore ser uma das estrelas de E.T., agora cabe o mesmo papel a Dakota Fanning. Confirma-se a tendência de Spielberg trabalhar com jovens prodigios, esperando-se que a jovem actriz não siga os exemplos da jovem herdeira do clã Barrymore.
Site Oficial - www.waroftheworlds.com
Realizador - Steven Spielberg
Elenco - Tom Cruise, Dakota Fanning, Tim Robbins, ...
Produtora - Dreamworks
Duração - 116 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:01 AM | Comentários (7)
Capitulo V : Os dias de glória - Chega Godard
Depois do estrondoso sucesso que a Nouvelle Vague conheceu no seu ano de “estreia”, o revolucionário movimento cinematográfico e artístico iria conhecer dias de glória. Anualmente os vários realizadores do movimento mostravam ao mundo os seus novos trabalhos, fazendo filmes a um ritmo alucinante. Parecia que o sonho de Rivette se iria finalmente cumprir. O que não veio a acontecer. Mas entre 1959 e 1963, a Nouvelle Vague estava nas nuvens.

A Bout de Soufle
Trazer o cinema dos estúdios abafados para as ruas. Nunca Paris e a província, foram filmados com tamanha liberdade. Abandonar as adaptações literárias pesadas e adoptar pequenos fait-divers como ponto de partido, ou explorar mesmo a mais fértil imaginação dos novos autores, era uma das palavras de ordem. Trocar os actores do sistema por uma nova vaga de nomes que iriam dar corpo ao espírito da Nouvelle Vague. Revalorizar o papel do corpo humano, da face, do olhar, da expressividade física, na forma de compor uma imagem. Valorizar cada vez o papel da banda sonora, não como acompanhamento do filme mas, essencialmente, como complemento da própria narrativa. Explorar as diversas linguagens do cinema, os planos-sequência, os travellings, o cinema directo.

Jean-Luc Godard
Tudo isto chegou em 1959 com os primeiros filmes da Nouvelle Vague. Até lá, poucos eram os autores que o faziam já. E esses, tinham sido elogiados durante anos, nas páginas dos Cahiers, por aqueles que agora os “imitavam”, questionando assim o próprio sistema.
E se o ano 0 da Nouvelle Vague tinha sido um sucesso absoluto, os anos seguintes viriam a revelar-se bastante prolíferos. Tudo isto seria explorado até ao limite, levando, no final, a múltiplos caminhos que cada realizador se dedicaria a aprofundar ao longo da sua carreira.
O público tinha ficado agradavelmente surpreendido com a frescura de filmes como Les Quatrecents Coups, Les Cousins ou Hiroxima Mon Amour, e quando, no ano seguinte, os mesmos autores voltam à carga, agora acompanhados pelo talento irreverente de um Jean-Luc Godard, as salas voltam a encher-se. É verdade que em números bastante inferiores aos sucessos comerciais da época, e também é verdade que muitos filmes não saíam do circuito urbano. Mas mesmo assim era um primeiro passo positivo.
Estamos portanto em 1960, ressaca do sucesso inicial, quando surge Godard e com ele A Bout de Soufle. Escrito por François Truffaut, curiosamente, este filme é um dos ícones da Nouvelle Vague. Por transmitir exactamente tudo o que foi dito acima. Nunca Paris fora filmada desta forma por ninguém. Nunca uma história, tão simples e mundana, pareceu ser criada com tanta humanidade. Notavam-se claramente as influências de Fuller e Ray no filme, mas também de Houston e do seu Asphalt Jungle ou de Preminger e do notável Bonjour Tristesse.

A Bout de Soufle
De qualquer forma, A Bout de Soufle é um marco. Não é só o ponto de partida da filmografia “godardiana”, como é também a prova de que um filme da Nouvelle Vague era não só um filme artístico, como também, um filme de sucesso.
Apesar de ter sido ostracizado em Cannes, e nos demais certames, A Bout de Soufle foi claramente um sucesso. Não só confirmou o talento de Jean Seberg , como apresentou ao mundo Jean Paul Belmondo, que a par de Jean Pierre Leaud, seria um dos ícones do movimento. Só mesmo George Sadoul, que até tinha abraçado com entusiasmo a nova vaga de cineastas, se mostrava ainda de pé atrás com o estilo irreverente, iconoclasta e completamente inovador do cinema de Godard. Mas mesmo esse se iria render mais tarde aos talentos do cineasta, aquando da estreia de Vivre sa Vie.
Próximo Capitulo : Os dias de glória - Os primeiros sucessos
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:39 AM
julho 08, 2005
Eastwood em Iwo Jima
Depois de dois filmes absolutamente geniais, Clint Eastwood vai mudar de registo e prepara-se para se aventurar nas praias de Iwo Jima num épico bélico. O filme tem como base a mitica batalha do Pacifico que virou as contas da guerra entre os Estados Unidos e o Japão e que terminou imortalizada pela imagem de quatro soldados a hastearem a bandeiras na praia.
Com argumento a ser escrito por Paul Haggis, o elenco do filme começa a ficar composto. Amante do realismo, Eastwood só quis jovens que tivessem realmente a idade dos combatentes e por isso os nomes escolhidos - Ryan Philiphe, Adam Bech e Jess Bradford - espelham bem a politica do realizador.
Flags of Our Fathers estreia em 2006 e traz um Eastwood nunca visto. A expectativa está em alta.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:56 PM
Verão Quente - Cameron Diaz

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:15 AM | Comentários (2)
Filmes Que Marcaram a História : Hiroxima Mon Amour - O Peso da Memória
É difícil decidir o que nos espanta mais nesta longa-metragem de estreia de Alain Resnais. Se o início, quase em registo documental, que nos dá talvez o retrato mais cru e mais realista (com todos os problemas que o termo traz à baila), do que realmente se passou em Hiroxima quando Washington decidiu que uma bomba (ou duas) resolveria o problema bicudo que dava pelo nome de guerra do Pacífico...
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“Tu na rien vu a Hiroxima!”
Poderia ser isso, ou poderia ser, por outro lado, o magnifico texto – pura poesia em tons de prosa – que Margarite Duras oferece a Resnais, para que este coloque palavras, frases, sentimentos, emoções tão poderosas, e, ao mesmo tempo, tão humanas, na boca dos seus dois actores. Não que Emmanuelle Riva e Eji Okado sejam actores fabulosos, porque dificilmente encontramos outros filmes que corroborem essa tese. Mas neste filme eles apresentam-se de forma sublime, tanto como actores, esses homens e mulheres capazes de falsear o mais puro dos sentimentos fazendo-o parecer mais realista do que a própria realidade, mas essencialmente, como peças no tabuleiro de xadrez que é este maravilhoso conto sobre a memória humana.

E esse é o ponto central de Hiroxima Mon Amour. Como já o tinha sido antes para Resnais e continuará a sê-lo, muitos anos depois. É a sensação de dor, de sacrifício, de perda que pauta o ritmo do filme. “Tu na rien vu a Hiroxima” é verdade. Mas é mentira! Ela viu-o, não em Hiroxima, mas na longínqua Nevers. Ele não o sabia, ninguém o sabia, mas as atrocidades da guerra não têm um local de peregrinação. Estão em todo o lado, estão em todos os que a vivem, de uma maneira ou de outra. Resnais pega no ícone do final da guerra, a arrasada Hiroxima, e mostra que não foi só aí que se sofreu. A memória humana é capaz de voltar para trás no tempo, mesmo quando mais custa, e lembrar-se do que sempre quis esquecer.
E não é por acaso que é Resnais o mestre deste estilo de narrativa, extremamente humana e pessoal, introspectiva e analítica da alma humana. O seu estilo, a sua forma de filmar, a sua concepção de mise-en-scene, dão a Resnais os trunfos necessários para vencer esta partida. E os seus travellings – momentos de poesia verdadeiramente inesquecíveis, de quem Godard dirá que é tudo uma questão de “moral”. Moral sim, a moral de cada um, de quem filma e de quem vê, de quem respira cinema e o escreve de forma subtil mas engenhosa, e daqueles que contemplam, qual Mona Lisa, admirados com toda a sua simplicidade, e, ao mesmo tempo, genialidade.

Da história de Hiroxima Mon Amour há muito pouco a dizer. Há muito, é certo, mas não é expressável por palavras. Só pelos sons e imagens que escrevem o filme. Do trabalho dos actores, entre o sofrimento do passado e a tentativa – infrutífera, vã – de viver o presente esquecendo que se viveu para trás, pouco há a dizer. Há muito, mas o que importa está lá, na película. E de Resnais? De Resnais encarregou-se o tempo, a história, a arte de contar que ele foi – e ainda é – um dos maiores magos da concepção cinematográfica. A sua linguagem é a poesia em filme. O seu estilo, é a do pintor preserverante e genial. A sua marca, são os filmes que fez. E entre eles, nenhum se compara a este tratado sobre a dor, o amor, o sofrimento, e o passado dos homens.
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O Melhor - Os travellings e o trio formado por Marker-Duras-Resnais que orienta todo o filme.
O Pior - Alguma indefinição na parte central do filme, onde ele quase que foge das mãos de Resnais, mas que no entanto segura-o com segurança.
Curiosidade - Esta seria a única vez que Resnais colaboraria com Marguerite Duras e Chris Marker em conjunto. A primeira foi parceira nos trabalhos seguintes, dando dicas e ideias de explorar o literário que há no cinema. O primeiro foi seu parceiro desde a primeira hora, mas na década de 60 decidiu seguir o seu caminho, com La Jetté e Sans Soleil a serem os pontos mais altos da sua filmografia.
Realizador - Alain Resnais
Elenco - Emmanuelle Riva, Eji Okada, ...
Classificação - m/12
Duração - 90 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:30 AM
julho 07, 2005
Verão Quente - Laetitia Casta

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:14 AM | Comentários (2)
Capitulo IV : A Explosão - Resnais em Hiroxima
Mas apesar do seu estrondoso sucesso, Truffaut foi apenas o primeiro dos jovens cineastas a brilhar. Aliás, não foi bem o primeiro, já que Le Beau Serge de Claude Chabrol tinha estreado no final de 1958. Mas acabaria por ser o sucesso do filme de Truffaut a revalorizar o próprio filme de estreia de Chabrol junto do público e da crítica, que receberam de braços abertos os trabalhos dos jovens autores.

Claude Chabrol
O próprio Chabrol tinha já realizado dois filmes nesse ano, À Double Tour e essencialmente Les Cousins, um belíssimo trabalho capaz de ofuscar muitos dos títulos maiores do movimento.
A verdade é que o público acorreu ás salas para ver os filmes, nunca no mesmo número dos filmes da “indústria”, mas de uma forma que poucos previram. E a critica, desde Sadoul até aos jornais generalistas de Paris e da província, aplaudiram o novo estilo, extremamente fresco e inovador, que estes jovens pareciam ter.

No mesmo ano, Alain Resnais volta à carga, desta vez com a sua primeira longa-metragem. O seu notável trabalho desenvolvido nos anos 50 teria agora continuação numa profunda longa-metragem, escrita a meias com a escritora (e também autora de filmes, como o prova Índia) Marguerite Duras, que se tornaria rapidamente num dos ícones do movimento, e, seguramente, num dos filmes mais belos da história do cinema. Hiroxima Mon Amour era tudo o que os filmes anteriores de Resnais tinham e muito mais. Um filme sobre a memória, sobre o esquecimento, sobre o passado, sobre a dor e o amor, tendo como cenário a cidade japonesa de Hiroxima, onde dois amantes relembram os dias tristes da guerra, não só no Japão mas também no norte de França.

Filmado com extrema sensibilidade, com um tom quase documental no primeiro quarto de hora (influência directa do trabalho de Chris Marker, parceiro inseparável de Resnais então) e com dois desempenhos que se integram no filme como dedos numa luva, Hiroxima Mon Amour rapidamente foi aclamado por tudo e por todos. A Nouvelle Vague manifestava-se de uma outra forma – Resnais foi sempre o mais introspectivo de todos os realizadores, o mais distante do movimento –mas com igual sucesso.
Esta era claramente a prova que faltava. O sucesso total dos primeiros trabalhos, tanto de Truffaut, como de Chabrol e também de Resnais, acabariam por escancarar todas as portas que teimavam em ficar fechadas. No final de 1959 a Nouvelle Vague estava em “estado de graça”. Ficaria assim até 1963. Até lá, nada mais parecia importar!
Próximo Capitulo - Os dias de glória : Chega Godard
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:25 AM | Comentários (2)
julho 06, 2005
Império Cinéfilo II
Pessoalmente considero o Império Cinéfilo um dos maiores blogs de cinema mundiais. Sem qualquer desprimor para todos os outros, a verdade é que este espaço conquistou-me desde o primeiro instante que o visitei. E claro, o talento, devoção e sentido de actualidade do seu criador, o Gustavo Razera, ajuda imenso a criar um espaço único.
Não é um blog ao estilo do Hollywood. É mais reflexivo, pensa mais sobre os filmes, sobre acontecimentos importantes para a industria cinematográfica. E tem o OscarWatching mais bem feito em português, uma verdadeira inspiração para todos os outros blogs - que como este - se divertem a prever os vencedores das estatuetas douradas.
Serve isto para dizer que o Gustavo mudou de casa. O Império Cinéfilo transferiu-se para uma nova e mais confortável morada, uma segunda parte como o próprio indica, mas que não perde nada dos momentos de glória do original. É sim uma porta aberta para o futuro. O Império Cinéfilo não morreu. Agora está aqui!
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Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:20 PM | Comentários (1)
Verão Quente - Natalie Portman

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:10 PM | Comentários (1)
O Que Estreia Por Cá - A familia de Steven, os ET´s de Tom
É indubitavelmente uma das estreias mais aguardados do ano.Dirigida por um dos maiores realizadores em activdade, com a estrela que dá pelo nome de Tom Cruise a comandar um elenco, também ele interessante, esta adaptação da obra de H.G. Wells, War of the Worlds promete trazer um Spielberg nunca visto...

A familia, torna-se, cada vez mais, o elemento fulcral da filmografia de Spielberg. Longe vão os dias de Duel e de Jaws, ou do cientista que abandona os seus para acompanhar os extra-terrestres em Brief Encounters of the 3rd Degree. Hoje é o peso familiar que pauta o ritmo do talentoso e veterano realizador. E aqui neste filme não são tantos os extra-terrestres e a sua invasão do planeta Terra - carregado de efeitos especiais como não viamos em Spielberg desde Jurassik Park - mas é mais como a situação é vivida por uma all-american family. Cruise é o pai divorciado que passa o fim-de-semana com os filhos, e que durante os dias da temivel guerra terá de ser o que nunca soube ser, um bom pai.
Se o actor Cruise vai ressuscitar depois de anos verdadeiramente letargicos, essa é uma das duvidas do filme. Outra será ver como o realizador vai lidar com os Et´s. Até porque o melhor filme de Et´s alguma vez feito - excluindo o próprio ET que é menos um filme de extra-terrestres e mais um filme, lá está, familiar - chama-se Signs, e aí, como é seu apanágio, Shyamalan deixa tudo para o fim. Será que Spielberg vai manter-nos em suspenso muito tempo?

Poucos filmes serão capazes de ombrear no box-office com este blockbuster, e talvez por isso, há apenas mais três estreias por cá.
A Lot Like Love abre a temporada de comédias românticas de Verão, e traz de novo Ashton Kutcher, um dos actores mais mal-amados de Hollywood. Os estúdios continuam a insistir - neste caso ao lado da bela e talentosa Amanda Peet - no jovem actor, mas a fórmula teima em não pegar. Este filme, sobre a amizade que se torna amor, é dirigido por Nigel Cole.

Aaltra é um road-movie diferente de tudo o que já se viu. Neste caso os realizadores belgas Benoît Delépine e Gustave Kervern apostaram num humor original, mas nada fácil. Dois vizinhos, nada amigos, sofrem um acidente e ficam paralisados da cintura para baixo. Decidem então, cada um por sua conta, ir até à Finlândia, procurar uma indemnização pelo seu acidente. Mas acabarão por ter de fazer a viagem juntos e assim descobrirem coisas que nunca imaginaram.

Crime Perfeito traz Alexandro de la Iglesia, realizador de culto que por cá estreou este ano 800 Balas, de novo ao universo de comédia negra. Quando um homem é morto, uma empregado começa a chantagiar aquele que mais tinha a lucrar com a sua morte: o homem que queria o seu lugar.

O Hollywood Recomenda - É dificil perceber onde acaba o blockbuster e onde começa a magia spielberguiana em War of the Worlds. O talento do realizador em confronto contra o dinheiro e as megas produções de Hollywood já produziu grandes resultados e abordagens extremamente negativas. Resta saber em que lado da barricada irá cair este filme.
O Hollywood Desaconselha - Nõ é nada de pessoal, mas desde Dude Where´s My Car e o That 70´s Show que já mais de meio mundo percebeu que Kutscher não sabe representar. Então porquê insistir nele ano após ano?
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:44 PM | Comentários (1)
Elencos em perspectiva
Se a adaptação da serie Dallas for mesmo em frente, então o papel de J.R. tornar-se-á, automaticamente, um dos mais requisitados do meio, não fosse ele um icone da televisão dos anos 80. Mas a verdade é que o papel pode até já ter dono. John Travolta parece ser o nome escolhido pela produção deste filme - dirigido por Robert Luketic, o mesmo de Legally Blonde - segundo o site ComingSoon.net, inspirado em declarações do próprio num programa televisivo. Resta confirmar, em primeiro lugar, se haverá mesmo um Dallas em filme.

Para o próximo Batman continuam a surgir nomes. Para o papel de Joker a novidade na lista de eventuais sucessores a Jack Nicholson, é o francês Vincent Cassell, que cada vez mais empresta o seu talento a produções de Hollywood. Já um outro rumor - provavelmente sem qualquer fonto credivel - indicava Justin Timberlake como forte candidato a viver Harvey Dent. Hoje surgiu também o primeiro nome para a sucessora de Katie Holmes, como interesse romântico de Bruce Wayne. Trata-se de Isla Fisher, que estreia agora o seu mais recente filme, The Wedding Crashers. Segundo o site Joblo, a actriz é o primeiro nome a ser equacionado pela Warner para entrar no próximo filme do Homem-Morcego. Longe vão os dias em que as mulheres de Batman tinham o glamout de nomes como Kim Basinger, Michelle Pfeiffer ou Nicole Kidman.

Entretanto - e enquanto Steven Spielberg filma a todo o gás em Malta para ter o seu Vengance (nome aparentemente provisório) pronto a tempo dos próximos óscares - outros realizadores começam a preparar os seu próximos trabalhos.
É o caso dos irmãos Coen, que neste momento dirigem uma peça de teatro por terras londrinas. A verdade é que o próximo filme destes talentosos realizadores parece voltar a ter George Clooney no principal papel. O actor propôs aos Coen a realização de Hail Caeser, o filme que completasse uma especie de trilogia, depois de Oh Brother Were Are Thou e Intorable Cruelty, os dois projectos anteriores desta equipa.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:04 PM
Filmes Que Marcaram a História : Les Quatrecents Coups - A Juventude do Cinema
Este é o primeiro grande filme da Nouvelle Vague. Um verdadeiro marco histórico, se tivermos em consideração que este seria apenas o primeiro passo de um dos movimentos mais importantes da história do cinema.
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“Ma Mère est mort!”
Les Quatrecents Coups é uma obra genial. Fica desde já acente que a estreia como realizador de longas-metragens de François Truffaut não poderia ter corrido melhor. Não só o realizador vai colocar em prática tudo o que tinha antes defendido como critico de cinema e defensor de um cinema de autor, como o faz com uma sensibilidade e um tacto espantoso para quem se estreia na realização. Este é claramente um filme auto-biográfico, ninguém tem dúvidas disso, e talvez seja esse toque pessoal que torne este filme tão tocante. O jovem Antoine Doinel (numa performance soberba de Jean Pierre Leaud, a sua melhor enquanto Doinel), é alguém com que nos identificamos rapidamente. A “família feliz” que está longe de ser feliz, com um pai alienado da vida e uma mãe demasiado ambiciosa para a vida que tem, deixa o jovem Doinel quase asfixiado. Ele precisa de ser livre.

Mas, e neste ponto Truffaut é corrosivo ao abalar por completo duas grandes instituições da sociedade francesa (a família e a escola), também não é na escola que o jovem vai encontrar um espaço onde se adaptar. A escola de Truffaut é a escola de Jean Vigo em Zeron en Conduite (com que o filme partilha alguns planos em jeito de homenagem). É uma escola atrasada, uma escola castradora. Truffaut vinga-se aqui claramente dos dias mais difíceis da sua infância, e ao trazer Doinel para as ruas, para os espaços abertos – longe do cubículo que é a sua casa e da lúgubre escola – dá também uma força e vitalidade ao filme, que ajuda e muito a desenvolver a tenção dramática. O cinema, sempre o cinema, marca também a sua presença, como local de escape, como local onde o sonho e as primeiras paixões (a foto de Harriet Anderson), são ainda inocentes e belas. Como autor que é, Truffaut faz de Les Quatrecents Coups (traduzido lamentavelmente por 400 Golpes quando o que a expressão quer realmente dizer é “Trinta por Malinha”), uma verdadeira poesia visual. Para isso usa uma série de travellings, de planos picados e contra-picados, e experimenta também o uso da câmara em movimento, fundamental para dar maior dinâmica à narrativa.

O abandono, o desencanto, a desilusão, o desenquadramento, são as marcas dominantes da primeira metade do filme. Ao contrário dos minutos finais, onde a esperança, a liberdade e o futuro dão uma reviravolta total ao filme. Um piscar de olhos ao cinema da época talvez, com um Truffaut critico ao sistema – educacional, mas que também podia ser o sistema da indústria cinematográfica – e só o cinema nos permite estas comparações – e um desencanto com a família, talvez aqueles de quem Truffaut esperaria mais. Mas, num rasgo de génio, Les Quatrecents Coups é mais sobre a esperança e sobre o futuro do que propriamente sobre o passado.

Num dos mais brilhantes planos finais da história do cinema, Truffaut deixa a porta aberta para o que se seguiria. Num piscar de olhos ao próprio movimento a que dá inicio, Truffaut não fecha Les Quatrecents Coups. Deixa-o em aberto, para mostrar que este era só o primeiro passo. O resto estava para vir. E o resto, era a Nouvelle Vague.
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O Melhor - A ideia genial e a camara nas mãos de Truffaut que passa de "melhor critico de cinema francês" para "um dos maiores realizadores europeus de sempre". Uma evolução digna de registo.
O Pior - Em alguns momentos nota-se uma inexperiência, que Truffaut vai colmatar com o passar dos anos.
Curiosidade - Vários planos do filme foram filmados tendo por inspiração directa Zero en Conduite de Jean Vigo. Descubram quais!
Realizador - François Truffaut
Elenco - Jean Pierre Leaud, Claire Murier, Albert Remy, ...
Produtora - Le Carrose D´Or
Classificação - m/12
Duração - 94 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:11 PM
julho 05, 2005
Verão Quente - Monica Belluci

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:06 AM | Comentários (4)
Capitulo IV : A Explosão - O efeito "Le Quatrecents Coups"
Se houvesse uma data para o nascimento da Nouvelle Vague, enquanto forma de criar cinema, ela teria de ser 1959. Não que antes os primeiros projectos dos jovens cineastas não tivessem dado todas as pistas para o que viria a seguir. Não que o trabalho nos Cahiers não apontasse já para isto. Mas foi neste ano que os múltiplos talentos viram finalmente os seus trabalhos revolucionar por completo a forma de pensar e fazer cinema.

Jean Cocteau, François Truffaut, Jean Pierre Leaud e Edward G. Robinson em Cannes
Truffaut sempre foi dos mais irrequietos membros da Nouvelle Vague.
Tinha produzido, escrito e realizado alguns trabalhos nos anos anteriores. Mas a sua primeira longa-metragem de verdadeiro impacto chegaria em 1959. Era uma obra profundamente pessoal, sobre um jovem (que se chamava Antoine Doinel mas que podia (e era) ser François Truffaut), desadaptado de uma família problemática, desenquadrado do sistema de ensino francês, que encontrava no cinema e na rua, a escapatória para a sua existência. Tinha sido um pouco esta a vida de Truffaut, até este ser resgatado por Bazin para o cinema, e talvez por isso tenham sido poucos os filmes que tivessem exprimido tão bem a poesia da história para imagens. Brilhantemente escrito, notavelmente filmado e com um desempenho inesquecível de Jean Pierre Leaud – ele que para além de ser extremamente parecido fisicamente com Truffaut, iria começar aqui um caminho de glória, tornando-se numa das estrelas da Nouvelle Vague – este filme deu o pontapé de saída para a explosão da Nouvelle Vague.

Do filme falaremos mais adiante, mas a verdade é que Le Quatrecents Coups teve um papel importantíssimo para a afirmação da Nouvelle Vague como movimento artístico. Truffaut tinha uma relação conflituosa com o Festival de Cannes. Já o tinha criticado muitas vezes nos seus textos impiedosos dos dias dos Cahiers, e tinha sido mesmo proibido de lá entrar como jornalista no ano anterior. Por isso, quando Jean Cocteau seleccionou o filme para representar a França, isso significou uma dupla vitória pessoal para Truffaut. Por um lado desforrava-se de Cannes e do que o Festival representava, habituado que estava a seleccionar para competição os habituais filmes com a “Tradição de Qualidade” que ele tanto criticava. E por outro lado, significou que, pela primeira vez, um filme da Nouvelle Vague teria impacto mundial, ao desfilar de igual para igual, com qualquer outro filme, na Croisette. Era a afirmação do jovem cinema de autor independente que dava aqui o seu primeiro passo. A verdade é que o filme não venceu a ambicionada Palma de Ouro. A vitória iria para Orfeu Negro, filme de Marcel Camus rodado no Brasil. Mas receberia uma menção honrosa por parte do júri do certame, e consolidaria desde logo o nome de Truffaut no meio da produção cinematográfica francesa. A verdade é que nunca nenhum filme da Nouvelle Vague venceria em Cannes (Truffaut acabaria por vencer um Óscar, mais tarde, com La Nuite Americaine), mas pouco importava. Era a ideia subjacente ao movimento que recebia um sinal de aprovação. Isso sim é que era necessário.

Truffaut e Leaud
Eventualmente Le Quatrecents Coups tornou-se num êxito estrondoso. Superou em muito os custos do filme, permitindo a Truffaut encher os cofres da sua jovem produtora, dinheiro esse que iria usar não para si, mas para financiar os trabalhos dos seus camaradas. No final do ano, Le Quatrecents Coups tinha conquistado a nomeação ao Óscar de Melhor Argumento Original – algo verdadeiramente inesperado para tudo e todos – e estava no topo das listas de filmes do ano. Factos interessantes, mas que não são nada comparados com o real impacto que o filme teria nos anos seguintes, pela sua forma solta de filmar. Pela revalorização dos espaços abertos – que tão bem seria explorada por Godard – pela recuperação de imagens-mito do cinema como a foto de Harriet Anderson pelo jovem Doinel, sem esquecer as semelhanças claras com Zero de Conduite, uma clara homenagem a Jean Vigo. Explorar a linguagem cinematográfica do futuro, sempre homenageando o melhor do passado, parecia ser esta a mensagem de Truffaut.
Proximo Capitulo : A Explosão - Resnais em Hiroxima
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:12 AM
julho 04, 2005
O trailer de A Tale of Deceives
Depois de algum tempo de espera, eis que chega finalmente o trailer de A Tale of Deceives, o primeiro filme realizado por mim e produzido pela LP Produções.
O trailer traz um pouco do universo desta curta-metragem, mas não revela a história, mantendo assim o suspense para a exibição do filme na net, que ocorrerá em meados do mês se tudo correr como planeado.
Peço desculpa pela má qualidade da imagem, mas fazer um trabalho para cinema e depois colocá-lo na net implica uma redução drástica da qualidade, à qual somos alheios como é óbvio.
Aproveito também para agradecer ao Luis Paulo Dobreira, administrador do CineTuga, sem o qual teria sido mais dificil trazer-vos esta antevisão do A Tale of Deceives.
Desfrutem então do trailer que podem ver aqui.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:39 PM | Comentários (17)
Atenção a Walk the Line
Pode vir a revelar-se uma das grandes estreias de 2005. Pelo menos a imprensa norte-americana já deixou de ter palavras para descrever o imenso potencial que a biografia do mitico cantor e compositor country, Johnny Cash, parece ter, nas mãos do realizador James Mangold.
Também Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon estão na linha da frente quando se fala de melhores performances do ano. Isto num drama pungente, emotivo e recheado de música. Espera-se mais um tom dramático como se encontrou em Bird de Eastwood do que propriamente um filme apenas em ritmo biográfico como vimos em Ray. Mas de qualquer forma, este é sem duvida um nome a reter. Fica aqui o primeiro poster do filme.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:53 AM
Verão Quente - Orlando Bloom

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:40 AM | Comentários (3)
Capitulo III : Escola Artistica - Godard, Truffaut, Rivette e Rohmer experimentam
Resnais não é o único que começa a trabalhar entes de 1959, apesar de ser o autor mais prolífero. Entre 1955 e 1958 tanto Godard, como também Truffaut, Rivette e mesmo Rohmer, rodam uma série de curtas-metragens bastante interessantes, que funcionam essencialmente como testes para o que se seguirá.

Jean-Luc Godard
Godard faz o seu primeiro filme em 55. Chama-se Operation Beton, e é uma curta-metragem sobre a construção de uma barragem em França? Este, um filme de Jean-Luc Godard? Sim, parece estranho, mas isto era apenas o início. Ainda não havia um “estilo godard” como não havia um “estilo truffaut”. Seguir-se-iam Une Femme Coquette – sempre as mulheres nos filmes, nos títulos, na imaginação de Godard – e Tout Les Garçons s´appellent Patrick. Godard era então não só o crítico das “grandes frases” nos Cahiers, mas também um jovem realizador a explorar as diversas potencialidades da realização. E se entre todos os cineastas da Nouvelle Vague ele é o mais anárquico, o mais libertário, o mais exibicionista, o mais experimentalista, é porque, durante este período, Godard começou a perceber que o cinema é um todo que se pode desmultiplicar em pequenas peças. O som, a imagem, a montagem, a filmagem directa, o uso da cor, o papel da fotografia, os cenários interiores ou exteriores. Aqui começam a colocar-se as questões que durante os anos 60 Godard irá explorar ao limite, criando assim uma filmografia sem igual.
E quanto aos outros?

François Truffaut
Truffaut trabalha afincadamente como critico mas ainda encontra espaço para colocar em prática todo o seu talento como argumentista, realizador e produtor. Depois de ter trabalhado como assistente de realização com Roberto Rosselini, o jovem escreve o argumento de Les Sumares de Doniel Volcroize em 1958, faz de figurante para Rivette em Le Coup du Berger e realiza Une Visite (1955) e Les Mistons, filme de 1958 que antecederá a sua primeira grande obra. Curiosamente tanto neste como depois em Le Quatrecent Coups, o jovem realizador irá trabalhar com crianças, algo que até então no cinema francês só tinha encontrado verdadeiro eco em Zero en Conduite de Jean Vigo. Além do mais Truffaut cria a sua própria produtora – Les Films du Carrosse – em homenagem a Jean Renoir e ao seu Le Carrosse d´Or, e o seu casamento com Madeleine Morgenstein, filha de um dos maiores distribuidores de cinema francês, irá abrir-lhe as portas para divulgar mais tarde o seu trabalho, e os dos seus colegas já que ele será sempre o maior dos produtores da Nouvelle Vague, financiando mesmo vários filmes de Rohmer e Godard.
Mas o que importa reter é que já aqui, nestes primeiros trabalhos, se começa a desenhar a sinceridade e honestidade narrativa do realizador, mas também a sua paixão pelos clássicos, que se perceberá sempre pelos temas que aborda, e pela forma como conduz a história. Ao contrário de Godard, o jovem Truffaut não é um autor de experiências. É alguém que cedo encontrou o seu espaço, e será dentro dele que se movimentará ao longo da sua carreira, andando sempre entre a adaptação literária, as comédias dramáticas da saga Doinel, e alguns retratos históricos profundos, sempre com a sua marca habitual de admiração pelos mestres do cinema, pelas mulheres, e pela liberdade do autor.

Jean Rouch
Por sua vez Rivette também trabalha afincadamente. O realizador de Paris Nous Appartirent – o seu primeiro grande trabalho – passa a década de 50 entretido em várias curtas-metragens, das quais se destacam Le Quadrille (50), Le Divertissemente (52) e Le Coup de Berger (56), onde, num espírito bem de Nouvelle Vague, todos os actores e figurantes são colegas dos Cahiers, de Doniol-Volcroize a Truffaut passando por Godard e Rohmer.
Eric Rohmer que também começa a trabalhar como cineasta, fazendo em 1954 Berenice, seguindo-se filmes como La Sonate à Kreutz e Le Sague du Lion, primeiros trabalhos do autor de Pauline a la Plage, considerado como o mais bucólico e naturalista dos realizadores da Nouvelle Vague.
Por essa altura, e mesmo não sendo declaradamente elementos da Nouvelle Vague, os trabalhos de Jean Rouch em África (Les Maitres Foux de 1955 e todo o cinema-directo será uma das influências principais em Godard), de Agnés Varda, de Jean Cocteau, Jean Pierre Melville, de Roger Vadim (o seu Et Dieu Crie La Femme vai servir como um alarme para todos os cinéfilos franceses em 1955), são experiências que os jovens acompanham com entusiasmo, bebendo delas os ensinamentos necessários para se prepararem para o que se seguiria. Uma revolução. Uma explosão. A liberdade!
Próximo Capitulo - A Explosão
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:01 AM
julho 03, 2005
Verão Quente - Angelina Jolie

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:04 AM | Comentários (2)
Capitulo III : Escola Artistica - As primeiras obras - Alan Resnais
É do conhecimento geral que o ano 1 da Nouvelle Vague foi 1959. O ano de Les Quatrecents Coups em Cannes. O ano de Hiroxima Mon Amour, a consagração de Resnais. O ano que Godard começa a trabalhar em A Bout de Soufle. O ano em que Chabrol apresente Le Beau Serge. Mas antes disso já havia Nouvelle Vague. Em pequenos trabalhos, pequenos esboços de puro talento dos jovens autores, que dividiam os dias entre a Cinemateca, os escritórios dos Cahiers e as primeiras experiências no cinema.

Alan Resnais
Estas suas primeiras obras nunca chegaram ao circuito comercial, são na sua maioria curtas-metragens ou pequenos documentários, mas trazem já alguns elementos definidores da linguagem cinematográfica que mais tarde vão explorar em toda a medida nas suas longas-metragens.
Entre estas primeiras obras, há um cineasta que se destaca claramente. Alain Resnais nunca foi verdadeiramente um membro da Nouvelle Vague. Não cresceu nos Cahiers, não pertencia ao grupo dos Hitchcock-Hawksianos. Trabalhava mais no sector alternativo, mais numa dimensão de artista plástico, na fotografia, na arquitectura e na escultura. Resnais trabalhava nessa época com Chris Marker, primo da geração da Nouvelle Vague, que lhe vai abrir horizontes na área do documentário alternativo. Marker fará mais tarde La Jetté, Le Jolie Mai ou Sans Soleil e afastar-se-á bastante da corrente mainstream dos seus colegas cinéfilos. Mas a sua influência artística estará sempre presente na época áurea de Resnais, que vai desde Guernica a Le Dernier Anné a Marienbad.

Chris Marker
E mais. Estas curtas serão a base sobre a qual Resnais irá sempre trabalhar. Aliás – como dirá mais tarde Jacques Rivette na mesa redonda que os Cahiers promoveram a propósito da estreia de Hiroxima Mon Amour – não são as curtas que explicam o primeiro filme do realizador. É o primeiro filme do realizador que permite finalmente compreender o que Resnais queria contar com as suas curtas. E esses trabalhos de Resnais abrem em 1950 com Guernica. Belo trabalho de montagem, de jogo de luz, de fotografia, e, acima de tudo, carregado de ideias brilhantes sobre como contar o massacre de Guernica a partir da obra de Pablo Picasso. Pela primeira vez o realizador vai trabalhar o tema da memória, tema fundamental e obrigatório da filmografia de Resnais. E depois deste belíssimo trabalho visual – que antevê já o poeta visual que é Resnais, e que, muito por causa disso, será sempre amado por tudo e por todos – o realizador, que é claramente o primeiro grande autor da jovem geração, continua a experimentar a câmara e os jogos que esta proporciona – essencialmente o uso do travelling, do qual Resnais será sempre um dos maiores nomes, a par de Hitchcock ou Ford – na curta Tout la Memoire du Monde. Filme lindíssimo sobre a rotina da Biblioteca Nacional Francesa, que é mais um tratado sobre livros, sobre o livro, sobre o conhecimento humano, e sobre a recordação e a memória do ser humano.

Os seus trabalhos continuam a encantar tudo e todos. A Tout La Memoire du Monde seguem-se Les Statues Meurent Aussi, Bibliotheque National e Van Gogh. Mas será em 1955 que Resnais atingirá o seu ponto mais alto na sua fase de produção de curtas-metragens e documentários. Este é o ano de Nuit et Bruillard, documentário sobre os campos de concentração nazis durante a 2º Guerra Mundial. Mas este é acima de tudo o documentário da poesia visual, e de novo, do esquecimento, ou melhor, do não-esquecimento do passado. Os momentos em que o nevoeiro substitui os campos de concentração (não é preciso mostrar para falar sobre algo) potenciam alguns dos maiores momentos cinematográficos da década.
E Resnais continuará a crescer, a experimentar, antes do salto final que será Hiroxima mon Amour.
Próximo Capitulo - As primeiras obras : Godard, Truffaut, Rivette e Rohmer experimentam
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:50 AM | Comentários (1)
julho 02, 2005
Verão Quente - Drew Barrymore

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:59 AM | Comentários (4)
Capitulo III : Escola Artistica - Os temiveis distribuidores
A verdade é que na passagem de críticos para realizadores, os rivais da Nouvelle Vague foram-se alterando. Os críticos, antes ferozes rivais, hoje eram mais complacentes. O próprio Sadoul elogiou positivamente os primeiros trabalhos de Resnais, Godard e Truffaut. A critica generalista partilhou os primeiros anos de estados de graça da Nouvelle Vague. No início, enquanto tudo era rosas, os próprios cineastas e argumentistas “mainstream” mantiveram-se em segundo plano. Tudo isto mudaria a partir de meados dos anos 60, mas lá iremos.

A verdade é que a explosão da Nouvelle Vague abriu as portas a dois novos rivais de peso: os produtores e os distribuidores.
Para os jovens cineastas a liberdade era essencial. Liberdade de criar, de produzir, de executar. Liberdade de distribuir. Liberdades a mais para a época. Daí o seu carácter revolucionário. E daí os problemas que se seguiriam. Os primeiros trabalhos de Resnais, Godard, Chabrol ou Truffaut eram financiados por eles próprios, por vezes financiados entre eles, passando assim ao lado do sistema habitual de financiamento. Passando ao lado do peso dos sindicatos, poderosos e inimigos implacáveis. Passando ao lado das grandes produtoras. E depois de fazer o filme, havia que exibi-lo. E isso só acontecia, se cedessem aos distribuidores. Cedências financeiras, cedências artísticas. E isso eles não podiam tolerar. Corrompia toda a sua essência. E se essa era a sua esperança inicial, a verdade é que a realidade se mostrou bem mais cruel. Quando Jean-Charles Edeline, presidente da Federação Nacional de Cinema declara numa entrevista que “a festa acabou”, percebe-se finalmente que este é um rival demasiado poderoso para os jovens autores. A Nouvelle Vague vai progressivamente abandonar as salas comerciais para os circuitos alternativos.
E os que se vão progressivamente rendendo às exigências do mercado, vão aos poucos abandonando o ideal da Nouvelle Vague. A partir de meados dos anos 60, poucos são os filmes dos jovens autores que se revelam um sucesso. Nos anos 70 raros são os que chegam a ser exibidos em salas comerciais. Por aí começaria o princípio do fim da Nouvelle Vague. A sua coragem em atacar de frente tudo e todos – cineastas, críticos, produtores, distribuidores – foi resultando aos poucos. Mas a certa altura esbarrou contra um muro de betão. Um muro que não pode ser ultrapassado. Ficariam na história, fariam história, ajudariam a construir uma nova história. Mas naquele momento tinham perdido.
Próximo Capitulo - As primeiras obras
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:44 AM
julho 01, 2005
Um ano de CineTuga
É o maior e mais bem sucedido portal de cinema português. Aposta numa interactividade com os amantes de cinema nacionais, privilegia os primeiros trabalhos de jovens autores nacionais, e colecciona um admirável conjunto de criticas cinematográficas no simpático concurso "Critico do Mês". Tudo isto com uma altissima taxa de participação e fruto de um trabalho absolutamente notável de uma equipa competentissima, liderada pelo também jovem autor-cinematográfico Luis Paulo Dobreira.
Tudo isto porque o CineTuga faz hoje um ano. Um ano em que ultrapassou todos os limites e expectativas dos seus fundadores, e assumiu-se como um local obrigatório no espaço cinematográfico português. Para o futuro a ideia passa pela criação de um jornal e de uma produtora com o signo CineTuga. Projectos ambiciosos mas que vão bem no espirito desta talentosa equipa.
E o Hollywood presta-lhes a devida homenagem, ao aniversariante do dia.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:16 PM
Amanhã arranca o festival de Vila do Conde
Amanhã abre as portas o 13º Festival de Curtas-Metragens de Vila do Conde.
Dividido entre várias secções, entre as quais o espaço dedicado a primeiros trabalhos - Take One - e da exploração das múltiplas formas de criar arte audiovisual - Work in Progress - o festival tem também o seu espaço de competição, nacional e internacional. Vai igualmente haver um espaço dedicado à produção audiovisual japonesa.
Um espaço de convivio entre amantes e produtores de audiovisual, que vai na sua 13º edição, e que apresenta todas as condições para ser um sucesso retumbante.
O certame termina a 10 de Julho, e os filmes serão exibidos no Auditório Municipal de Vila do Conde.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:16 PM | Comentários (3)
Posters e mais posters
Como é habitual, começam a chegar os posters dos filmes com estreia agendada para o final do ano. Este inicio de Verão não se apresenta como excepção e por isso há algumas novidades bem interessantes.
The Constant Gardner tem a assinatura de Fernando Meirelles - o co-realizador de Cidade de Deus - e conta com Ralph Fiennes num contido papel de investigador, na obra homónima de John Le Caré.
V For Vendetta é um interessante filme da autoria de James McTeigue. Conta com Hugo Weaving e Natalie Portman no elenco e debruça-se sobre uma era em que os cidadãos se revoltam contra um totalitário estado que governa na "Old Albion".
Cinderella Man já estreou nos EUA - com os fracos resultados que se conhece - mas a campanha para compensar as perdas no resto do Mundo já começou. Daí mais um poster internacional para manter vivo o interesse no filme de Ron Howard com o inevitável Russell Crowe.
Elizabethtown marca o regresso de Cameron Crowe aos pequenos dramas. Com Kirsten Dunst e Orlando Bloom - dois actores ainda com muito para provar - o filme debruça-se sobre um romance numa cidade do sul dos Estados Unidos, entre duas pessoas que aparentemente nada têm a ver.




Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:44 PM | Comentários (1)
Verão Quente - Katie Holmes

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:54 AM | Comentários (4)
De Palma regressa aos Intocaveis
Depois de Antoine Fuqoa ter desistido do projecto, parece que caberá a Brian de Palma fazer a ansiada prequela de The Untouchables.
O filme de 1987 - que valeu a Sean Connery o seu único oscar - e que contava com Kevin Costner, Robert de Niro e Andy Garcia nos principais papeis - para além de Connery - foi um dos maiores sucessos à época. E por isso a ideia da prequela tenha sido algo que passeou sempre pela cabeça dos estúdios.
Contar a chegada de Malone a Chicago, e o seu primeiro encontro com um ascendente Al Capone é a premissa da história. Ainda não há elenco e só agora De Palma irá ocupar-se do projecto. Black Dahlia está praticamente pronto e um novo projecto precisa-se para um dos mais talentosos realizadores norte-americanos.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:59 AM
Capitulo III : Escola Artistica - "O Caso Fuller"
Considerado como um autor para Truffaut e seus parceiros. Considerado como radical por Sadoul – e até mesmo, em certa medida por Bazin, na única vez que o “mestre” não esteve totalmente ao lado dos “discípulos”. Começou assim o "Caso Fuller".

A polémica começou após a vitória de Fuller no Festival de Veneza com o seu Pick Up on South Street, que arrecadou o Leão de Bronze. Sadoul critica fortemente o filme “anti-comunista primário” e o seu realizador no Lettres Françaises. Depois desse filme, Bazin e Sadoul atacam ferozmente todos os filmes seguintes do realizador, começando com Hell and High Water e House of Bamboo.
E é aí que surge o jovem Truffaut, defendendo com unhas e dentes o talento, arrojo e brutalidade de Fuller. Mas é quando Park Row e Pick Up On South Street surgem mencionados na lista dos 67 filmes eleitos como os melhores para os Cahiers, desde 1937, que Sadoul se enfurece. O crítico escreve uma carta feroz aos directores dos Cahiers, Bazin e Doniel-Volcroize, que respondem apaziguadamente. Mas a crise estava estalada, na medida em que os jovens lobos saltam em defesa do autor Fuller.
O peso de Sadoul não era só o de ser o homem mais importante da crítica e estudo do cinema. Era também um peso político junto da Federação Francesas dos Cineclubes e da Associação Francesa de Critica de Cinema e Televisiva. O próprio assinava os textos como “historiador do cinema contemporâneo”, e entrar em guerra com ele, era algo que os directores dos Cahiers quiserem evitar a todo o custo. Mas foi esta “guerra” que ajudou a moldar o espírito combativo e independente dos jovens da Nouvelle Vague. E foi a sua fidelidade aos autores, por oposição ao militantismo politico – que só mudaria com o Maio de 68 – que os manteve unidos.
Próximo Capitulo - Os temiveis distribuidores
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:40 AM