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julho 11, 2005
Capitulo V : Os dias de glória - O umbiguismo, Rivette, Truffaut e claro, Godard
Se Godard se tinha estreado em grande, que dizer de Jacques Rivette, outros dos críticos dos Cahiers que se decide a passar à realização e embarca no espírito dos cineastas-cinéfilos...

Jacques Rivette
Em 1960 o seu filme de estreia, Paris Nous Appartient, é um sucesso estrondoso, um dos maiores do ano, e afirma de imediato Rivette com um dos grandes talentos da Nouvelle Vague, especialmente pela forma desprendida como conta história, e como filmes os espaços abertos de Paris, em planos riquíssimos de pormenores subtis, muitos deles captados de forma magistral dos telhados da cidade. Rivette juntava-se assim a Chabrol, Godard, Resnais e Truffaut.

Em 1961 assistiu-se ao afirmar de uma nova tendência desta Nouvelle Vague. Apesar de terem praticamente abandonado os Cahiers, para se dedicarem à realização, a verdade é que, pontualmente, os críticos Truffaut, Godard, Chabrol, Rohmer e Chabrol voltavam à redacção da revista. Mas agora escreviam, não só sobre os cineastas-autores que apreciavam, mas também sobre eles próprios. Era vulgar ver Godard a elogiar Truffaut, Rohmer a dizer bem de Chabrol, ou todos a reverenciar Resnais. Mais, nos próprios filmes destes jovens autores, há constantes referências aos filmes dos colegas. Godard por exemplo, só em Une Femme Est Une Femme, a sua obra-prima maior e o seu segundo filme, faz a apologia de dois filmes de Truffaut. O recém-estreado Tirez Sur Le Pianist, e Jules et Jim, que estava a ser rodado na altura, contando com um cameo de Jeanne Moureau. Além do mais, o próprio Godard fazia publicidade a ele mesmo, ao referir por várias vezes nesse mesmo filme, e curiosamente pela personagem interpretada por Belmondo, o seu filme de estreia, nada mais nada menos que A Bout de Soufle.

Esta tendência “umbiguista”, muito semelhante a uma espécie de “Escola do Elogio Mutuo” que Portugal conheceu no campo literário dos meados do século XIX, foi rapidamente criticada. Não pelo facto de se referirem aos filmes, mas sim por faze-lo sempre de forma tendenciosa. De facto, a Truffaut não valeu de nada os elogios de Godard ao seu Tirez Sur Le Pianist. O filme – uma homenagem ao cinema noir – seria um desastre completo – o primeiro filme da Nouvelle Vague a sê-lo de facto – e causaria profundas mudanças na forma como Truffaut abordaria a partir de então, a criação cinematográfica. Este acabou por ser o primeiro aviso, numa época de vacas gordas. Truffaut, astuto, percebeu-o. A partir de então vai escolher cuidadosamente os seus projectos, dividindo-os entre as comédias de cariz mais comercial, como foi a saga de Antoine Doinel, que irá retomar no ano seguinte, entre filmes mais pessoais, que irá desenvolver no final da década de 60 e nos anos 70, e na adaptação literária de várias obras norte-americanas, que resultarão em filme como La Syrene du Mississipi.

Quem parecia imparável era mesmo Jean-Luc Godard. Depois do sucesso de A Bout de Soufle e de Une Femme Est Une Femme – que traz à ribalta outras das caras-icone da Nouvelle Vague, Anna Karina – consegue com Vivre Sa Vie, impor-se como um cineasta de eleição. Neste filme, visualmente arrojado e já com alguns traços experimentais, anunciando o que se seguiria, Godard quebra regras e convenções e proclama o seu amor pelo rosto da mulher, marca central deste filme, e de muitos dos seguintes. Rosto esse que seria encarnado habitualmente por Karina, agora sua mulher, mas também por B.B. no inesquecível Le Mépris. Esse acabaria por marcar o opúsculo dos dias de glória da Nouvelle Vague, juntando vários elementos desta escola num só filme, no que viria a tornar-se num dos títulos chave da época.
Próximo Capitulo - Os Últimos grandes êxitos
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às julho 11, 2005 01:23 AM
Comentários
ehe, parabéns pelo trabalho e pela nota :)
Publicado por: Karin às julho 11, 2005 05:44 PM