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julho 23, 2005

Capitulo VII - E para onde foram as outras Nouvelle Vagues?

Eric Rohmer, nunca tinha conhecido verdadeiro sucesso como realizador nos anos áureos da Nouvelle Vague. Mas a partir dos anos 70, quando a confusão à volta do que era realmente o cinema de autor começava a acalmar, os seus trabalhos passaram a ser valorizados.
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É dessa época Le Genou de Claire, Pauline a la Plage ou L´Amour Apré Midi, a sua trilogia de obras-primas, que ajudaram a estabelecer o seu nome como um dos grandes realizadores pós-Nouvelle Vague, ele que durante a Nouvelle Vague propriamente dita, da qual foi fundador e entusiasta, nunca conheceu verdadeiro sucesso. O seu cinema, muito prosaico e intimista, é hoje tido como dos mais consensuais junto da crítica de cinema, e filmes mais recentes como La Belle Noiseuse ou L´Anglaise et le Duc, são verdadeiras pérolas do cinema europeu contemporâneo.
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Alain Resnais

Entre os outros autores da Nouvelle Vague, o futuro não foi tão simpático.
De Resnais pouco se ouviu falar no pós-anos 60. Ele continua a trabalhar, de forma tão prolifera como anteriormente, mas os seus trabalhos passaram a ser vistos por cada vez menos pessoas, e as suas explorações num cinema de vanguarda e intimista, nunca foram bem aceites fora do seu grupo de admiradores confesso. Já Chabrol conheceu no virar dos anos 60 para a década de 70 um período extremamente prolífero. No entanto, após Le Boucher, é difícil encontrar grandes sucessos com a sua assinatura. A televisão e o circuito alternativo passaram a ser os seus locais de paragem, tal como acontecerá com outros realizadores contemporâneos. Rivette ainda filma, mas já ninguém se parece apaixonar pelos seus filmes como se apaixonaram por Paris Nous Appartient. E se Jean Rouch e Chris Marker se mantiveram igual a si mesmos, já Pierre Kast, Marcel Camus, Philippe de Broca ou Michel Drach nunca voltarão a conhecer o mesmo sucesso que tinham tido entre 59 e 68, acabando por se render ou a produções televisivas, ou ao cinema comercial, ou então, a projectos falhados de forma consecutiva, já que tornava-se cada vez mais notório que o público tinha definitivamente virado as costas a esta forma de criar cinema.
Mas e se a Nouvelle Vague se dividiu em Nouvelle Vagues, durante os anos subsequentes, a verdade – e talvez isto seja um dos pontos mais importantes deste movimento – é que a Nouvelle Vague deu o mote para o desenvolvimento, nos quatro cantos do mundo, de novas formas de fazer cinema. Cinema de autor, cinema-arte, cinema-verdade, cinema-directo, cinema alternativo. Tudo isto foi chegando ao resto do mundo, graças ao trabalho pioneiro destes nomes marcantes na história do cinema.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às julho 23, 2005 03:40 PM