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julho 21, 2005
Capitulo VII - O Espirito de Truffaut
Se Godard virou à esquerda, a tentação seria dizer que Truffaut estancou na direita. Mas isso é falso, já que, ao contrário de Jean-Luc, o autor François nunca juntou cinema e politica. Juntou cinema e literatura. E fez cineliteratura durante alguns bons anos, explorando romances norte-americanos e europeus, enquanto criava obras pessoais e extremamente bem conseguidas.

François Truffaut
Se Godard é irreverente, explosivo, pretensioso e surpreendente, Truffaut é clássico, metódico e extremamente humano. Após o final “não oficial” da Nouvelle Vague, o realizador dividiu-se entre obras-primas como Deux Anglaise et Le Continent , La Marrie Etait en Noir ou La Syrene du Mississipi, com filmes extremamente pessoais como L´Enfant Sauvage ou La Nuit Americaine, onde iria conhecer a consagração que mais nenhum colega iria almejar. Depois de ter sido o único cineasta da Nouvelle Vague premiado em Cannes, agora era o único autor da Nouvelle Vague com um Óscar na mão. Para os indefectíveis isto era a traição suprema.
Para Truffaut era o reconhecimento do seu trabalho como autor, não só de filmes-arte, como também de filmes-arte com sucesso junto, tanto do público como da crítica. No fundo, era colocá-lo no mesmo patamar que Renoir, Hawks e Hitchcock, os seus mestres. Até à data da sua morte, em 1984, Truffaut continuou a trabalhar, a tentar fazer o “seu tipo de cinema”. Nem sempre apreciado por todos, a verdade é que o realizador se manteve fiel a si próprio, até ao final!
Próximo Capitulo - E as outras Nouvelle Vagues?
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às julho 21, 2005 03:37 PM