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julho 19, 2005
Capitulo VII - Para onde vai Godard?
No pós-Maio de 68 tornou-se claro que tinha chegado a hora de cada um seguir o seu caminho. E assim foi. “A Nouvelle Vague acabou. Viva as Nouvelle Vagues!” parecia ser a ideia dominante. E não só as diferentes correntes que cada autor francês procurou desenvolver, mas também a explosão dos “cinema novos” derivados da Nouvelle Vague em países tão distintos como o Brasil, a Alemanha, Itália ou Polónia. Mesmo sem o sucesso inicialmente desejado em França, a verdade é que a semente estava lançada. Nada voltaria a ser como dantes.

Jean-Luc Godard
A discussão entre Godard e Truffaut marcou o fim da Nouvelle Vague francesa.
É uma presunção e não um facto, mas parece por demais evidente que após o Festival de Cannes de 1968, onde os jovens cineastas tomaram conta do Festival, sem entenderem muito bem o que se passava nas ruas de Paris, levando mesmo a confusões entre Godard e Milos Forman, na altura a maior promessa do cinema da Europa de Leste, que nada voltaria a ser como dantes.
Jean-Luc Godard decidiu comprometer-se de imediato com o cinema vincadamente de esquerda. Abertamente maoista, Godard dedicou-se entre 68 e meados da década de 80 à exploração do cinema-verdade, seguindo o exemplo do que tinha feito Dziga Vertov na União Soviética dos anos 20. Aliás, o facto do próprio irmão de Vertov trabalhar agora como seu assistente, não deixa grande margens para dúvidas sobre a forma como Godard iria passar a fazer filmes. E se o jovem realizador nunca mais voltará a ter um ritmo de êxitos infernal como conheceu nos anos 60, também é verdade que os seus trabalhos experimentais nos anos 70, a sua entrada no meio televisivo, e os seus filmes mais polémicos dos anos 80, onde o destaque terá de ir forçosamente para Je Vous Salut Marie, são marcos da história do cinema e devem ser vistos como tal. Aliás, não foi por acaso Godard que decidiu traçar o elogio fúnebre da Nouvelle Vague ao assinar um filme homónimo em 1990, trinta anos após ter espantado meio mundo com o seu A Bout de Soufle? Personagem amada e odiada, Godard dedicar-se-ia também a uma constante valorização do “que é o cinema”, não só através de textos, ensaios e filmes, mas também em projectos como Histoires du Cinema, onde toda a sua paixão pela 7º Arte, e pelos diversos ramos ligados a essa tal 7º Arte, são explorados com muito talento e extrema devoção.
Próximo Capitulo - O espirito de Truffaut
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às julho 19, 2005 03:33 PM