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julho 09, 2005
War of the Worlds - Sem génio, sem magia, sem o outro lado da galáxia...
Se o traço humano de Spielberg não se desvanece, nem nos momentos mais intensos e hollywoodescos desta adaptação da obra de H. G. Wells, a verdade é que no resultado final, pouco sobra para que War of the Worlds faça jus ao titulo de grande filme.
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O cinema catástrofe teve o seu primeiro ponto alto na decada de 70 com filmes como Towering Inferno. Mas a verdade é que nos últimos anos tem-se assistido a uma tendência para voltar a este genero, agora explorado ao máximo com efeitos especiais. Foram os Armageddons, os Independence Days e os Days After Tomorrow que criaram o precedente que é continuado por este War of the Worlds. Curiosamente foi no final dos anos 70 que Spielberg pela primeira vez se aventurou pelo universo dos extra-terrestres. Apesar de estar longe de figurar entre os seus maiores filmes, Close Encounters of the Third Kind abria as portas para a obra-prima que seria E.T. Por isso, quando Spielberg decidiu voltar ao mesmo tema, a presença alienigena na Terra - tema esse explorado na perfeição cinematográfia por M. Night Shyamalan em Signs - a expectativa era muita. Afinal era uma temática interessante, com um mestre a manobrar a história. Mas o resultado final é por demais negativo para pensar-mos nas boas indicações que tinham sido dadas.

Há planos geniais em War of the Worlds. A cena na cave, onde a um assustado Tom Cruise e uma aterrorizada Dakota Fanning, se junta um genial Tim Robbins, tem planos dignos do grande cineasta que é Spielberg. Trabalho de camara notável, capaz de tirar o folego a qualquer um. Mas estes são momentos raros num filme com um ritmo trepidante, mas que não foi nunca levado ao extremo. Se os primeiros momentos do filme até são bons para uma introdução, e se o inicio do ataque é bem conseguido, se bem que algo exagerado, a verdade é que a repetição de planos, sempre com o mesmo significado e portanto, sem grande profundidade para a narrativa, cansa. Tal como essa banalização dos tripodes - exagerada (os efeitos de luzes seriam bem mais interessantes) - também o espirito do filme passa um pouco ao lado.
É certo que o tema nuclear deste filme - e também de muita da filmografia spielberguiana - tem a sua raiz na familia. E aqui o que vamos seguindo é um pai que nunca foi verdadeiramente pai dos seus dois filhos, e que numa situação de cataclismo se redescobre como homem, como progenitor, e assim se altera por completo. Apesar de ser nota corrente a ideia de que um acontecimento dramático pode mudar uma pessoa, esperava-se mais do genio de Spielberg do que recorrer ao velhinho cliché da familia que passa por tudo o que é do pior (se repararem a personagem de Cruise acaba por estar sempre no sitio errado á hora errada) e que no final descobre que se adora. Sendo esse o motor da história - a que se junta uma fuga sem sentido e nunca devidamente explorada (comparem este sentimento de desolação com a obra-prima que é The Pianist), dá-se o mote para um resultado final decepcionante.

Além do mais, o primeiro indicador do que se vai passar chega pela voz de Morgan Freeman. Ao sabermos que é preciso recorrer a um narrador que dê o mote e conclua mais tarde a história, para explicar em breves segundos o que se torna imperceptivel ao longo do filme, percebemos que algo falhou na concepção deste filme. O seu calcanhar de Aquiles é esse. Nunca se percebe de onde, para quê e quando realmente chegaram os invasores. Como também não se percebe quais os seus pontos fortes, falhas e razões do súbito declineo, durante o filme. É impossivel manobrar uma história sem explicitar as suas bases e nisso o falhanço é absoluto. Fanning grita, Chatwain revolta-se e Cruise assusta-se, mas nunca se percebe bem o porquê. Há quem utilize o 11 de Setembro e a evocação do terror do momento, do "Ninguém percebe o que se está a passar!" para justificar esta construção. Mas se essa fosse a abordagem, legimita e lógica, então o final nunca poderia ter sido o escolhido, já que há uma clara concessão ao que é fácil, algo que já tinha acontecido em A.I e Minority Report.

Se o argumento acumula imensas falhas, se a banda-sonora e o trabalho fotográfico são de bom nivel, já em relação ao elenco temos elementos opostos. No lado positivo está claramente Tim Robbins. A sua entrada dá ao filme o que ele nunca teve. Diálogos com sentido, com profundidade, enfim, uma personagem longe de ser plana. O oposto de Tom Cruise, que aqui continua a estar longe de ser o actor que prometia. O olhar assustado não chega, especialmente se comparar-mos a sua evolução que é tão superficial que até assusta. Mais uma vez aqui olhamos para The Pianist e para Adrien Brody, e percebemos a razão de um ter sido galardoado com um óscar e do outro ser apenas uma estrela, e não um actor de grande nivel.
Quem tem grande nivel e promete ser uma estrela cintilante no futuro - se não lhe acontecer o que acontece á maioria das actrizes precoces (Shirley Temple, Drew Barrymore, Anna Paquin, Tatum O´Neil) é Dakota Fanning. A sua personagem é realista, emotiva e com uma verdadeira alma. E a diferença entre ela e Chatwin, que vive o seu irmão, é que Dakota explora ao máximo as potencialidades da jovem Rachel. E é por isso a melhor actriz do filme.

Rodado com um gigantesco orçamento sob o designio de blockbuster do ano, War of the Worlds consegue saber a muito pouco. Há alguns planos dignos de serem considerados de cinema de qualidade, e a acção está bem construida, se bem que mal explorada. Mas mesmo assim esperava-se muito mais de Spielberg. Mas a verdade é que o realizador é capaz do melhor e do menos bom nesta área. E War of the Worlds pode juntar-se aos Jaws e Jurrassik Parks da sua filmografia, sucessos comerciais mas sem grande substracto cinematográfico. Espera-se que Vengance no final do ano se junte à outra coluna da sua obra, onde estão obras-primas como Saving Private Ryan, E.T. ou Schindler´s List. Desta guerra dos mundos, que não chega nunca a ser uma guerra, mas um extreminio como diz a personagem de Robbins, com um twist surreal (não pela sua essência mas como é explorado), ficam poucas saudades. E para planos geniais de catástrofe e fugas, The Day After Tomorrow continua a imperar.
Classificação - ![]()
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O Melhor - A cena na cave onde Spielberg confirma ser um génio.
O Pior - As brutais falhas na concepção da história e no seu desenvolvimento.
Curiosidade - Depois de Drew Barrymore ser uma das estrelas de E.T., agora cabe o mesmo papel a Dakota Fanning. Confirma-se a tendência de Spielberg trabalhar com jovens prodigios, esperando-se que a jovem actriz não siga os exemplos da jovem herdeira do clã Barrymore.
Site Oficial - www.waroftheworlds.com
Realizador - Steven Spielberg
Elenco - Tom Cruise, Dakota Fanning, Tim Robbins, ...
Produtora - Dreamworks
Duração - 116 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às julho 9, 2005 04:01 AM
Comentários
Um Spielberg menor, sem dúvida, mas não me decepcionei tanto quanto você.
Publicado por: Gustavo H. Razera às julho 10, 2005 02:31 AM
Não é um grande filme, mas também não é tão mau para apenas merecer 2 estrelinhas. Acho que há por aí uma estrela perdida por desilusão, ò Miguel. :P
Confesso que esperava muito mais desta "Guerra dos Mundos", que não passa, como disse e bem, de um extremínio.
Penso que Spielberg quis criar uma metáfora, ao jeito do Shyamalan, ficando bastante atrás. Aliás, as semelhanças com "Signs" abundam em toda a fita. A temática da família, a cave, a cobertura televisiva e até a existência de um ponto fraco nos exrtraterrestres fizeram-me lembrar constantemente a obra-prima do realizador indiano...
Publicado por: Viriato às julho 9, 2005 10:53 PM
No geral concordo com o que dizes embora no meu blog tenha dado 7/10, ou seja 3 estrelinhas e meia :D
Acho que quando te referes a filmes de verão, falas nos grandes títulos e blockbusters, e sim acho que Sin City, é melhor que WAR OF THE WORLDS. Agora se for a falar de filmes estreados em época de verão, para mim Crash, é sem duvida o grande filme, e possivelmente, do ano.
Cumprimentos
Publicado por: Manuel Barros às julho 9, 2005 09:57 PM
Manuel - Concordo com a fotografia notável do filme, especialmente quando a escuridão acentua o contraste entre "eles" e "nós". Não estou a dizer que este seja um mau filme. A nota de 2 estrelas por cá simplesmente é associada a desilusões. E War of the Worlds tinha potencial para ser, não um grande filme, mas um filme agradável. Falha em sê-lo.
Leccio - Eu li a entrevista do Spielberg e pensei nisso quando escrevi a review. Mas trata-se do maior contador de histórias do cinema actual, e sinceramente esperava dele algumas luzes. No E.T. e no Close Encounters elas existem, e não é por isso que os filmes ficam a perder. Percebe que as vezes o desconhecido (nao saber quem nos ataca, nem de onde ou porquê) sej apelativo, e mesmo mais assusatador. Repare-se que poucas vezes se usa a expressão alien ao longo do filme. É sempre "eles". Essa abordagem do Spielberg tem toda a sua legitimidade mas pessoalmente esperava muito mais dele, e na minha opinião o filme sai-a valorizado se fosse feito numa outra perspectiva. E claro que o filme tem os seus méritos (planos, fuga inicial, cena da cave, Dakota Fanning, fotografia, banda-sonora) mas mesmo assim decepciona e nem num top15 do melhor de Spielberg consegue entrar. E Sin City continu a ser o grande filme do Verão!
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às julho 9, 2005 09:44 PM
O Steven Spielberg assaltou-me e levou-me 3 euros e 70 cent.
Publicado por: Bruxo às julho 9, 2005 04:08 PM
É uma análise legítima ainda que não concorde. Não é nem de perto um dos melhores de Spielberg mas tem os seus méritos. Em relação ao não se saber nada sobre os invasores (quem sao, de onde vem, o q querem) não foi algo que o cineasta e o argumentista não tenham conseguido transmitir mas sim algo que Spielberg em entrevista reproduzida no Y quis fazer.
Publicado por: Léccio às julho 9, 2005 03:48 PM
Seria de esperar algo mais, mas acaba por ter momentos bastante interessantes, seja pela capacidade de Spielberg, ou por alguns momentos fotográficos.
De resto não é um grande filme, mas também não é mau.
cumprimentos. Concordo em pleno com a referencia à cena da cave ;)
cumps.
Publicado por: Manuel Barros às julho 9, 2005 01:08 PM