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agosto 15, 2005

Charlie and the Chocolate Factory - O lado obscuro das fábulas

O que é mais inquietante em Charlie and the Chocolate Factory não é Willy Wonka e a desconstrução que Johnny Depp faz de um universo surreal e apaixonante. É a forma como Tim Burton parece transformar em ouro todo o que toca.
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Roald Dahl é um dos maiores nomes da literatura britânica, um verdadeiro autor de fábulas que, curiosamente, esteve ligado ao mundo do cinema pelo seu casamento com a actriz oscarizada Patricia Neal. Mas é a sua obra apaixonante que nos interessa, e dentro dela o mágico Charlie and the Chocolate Factory. É fácil perceber porque é que o autor não gostou da primeira adaptação do filme, na altura com Gene Wilder a fazer de Willy Wonka. É também fácil adivinhar que, se estivesse vivo, seria dificil ao autor não se ter rendido ao trabalho de Tim Burton que, mantendo-se fiel á história, soube transformar o filme num verdadeiro tratado do que é o "burtonianismo", seja lá o que isso for na realidade.
Se o universo dos primeiros Batmans, mas, acima de tudo, de Edward Schissorhands e Sleepy Hollow - inquestionavelmente a sua obra-prima de eleição - já denotavam toda a influência do expressionismo alemão na forma de Burton encarar o filme, então - e sabendo nós que essa influência está bem presente neste filme, acima de tudo nos decors a la Gabinete do Doutor Caligari - é ainda mais fascinante ver o reverso da medalha. O Burton surrealista, imaginativo, e sempre surpreendente.
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Charlie and the Chocolate Factory é uma obra dificil de adaptar ao cinema, sem dar grandes concessões ao universo CGI que o realizador pessoalmente não gosta. Mas mesmo assim Burton conseguiu dar a volta. Num set real, com chocolate incluido, Burton deu largas á sua imaginação e abriu as portas do mundo mágico e perturbado de Willy Wonka, que é, não só a personagem de Dahl, mas também uma desconstrução do próprio Burton. Uma personagem espantosa e ao mesmo tempo fascinante. É impossivel não ficar encantado com o seu constante fascinio por si mesmo e pelo seu mundo, ou pelo seu ar trapalhão. É essa a luz que nos vai guiando pelo universo do chocolate, dos Umpa-Loompas, uma das magnificas criações da mente de Burton, e da solidão. Solidão de Wonka, bem representada no contraste entre os personagens e o espaço, explorada a todos os niveis, especialmente no contraposto com a familia pobre, mas perfeita, do jovem Charlie. É nessa relação complementar, entre o jovem apaixonado pelo mundo de Wonka, mas, ao mesmo tempo, com altos valores e uma fortissima ligação á familia, e o solitário e genial chocolateiro, que se forma a energia do filme. Todos os episódios que se vão desenrolando pelo meio, com a sucessiva eliminação das irritantes crianças, servem apenas para reduzir o espaço, deixando no final a evidência da inevitabilidade. Só Charlie poderia suceder a Willy, porque ambos desejam e buscam a essência do outro. O mundo de liberdade e a estabilidade financeira num lado. A forte presença de um nucleo familiar do outro.
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Mas como sempre, em Burton é fundamental a abordagem da narrativa mas também os seus interpretes. Desde Pee-Wee que isso é claramente notório e assume-se definitivamente na colaboração que o realizador tem vindo a manter com Johnny Depp desde 1990, e que se salda por quatro obras-primas realizadas em conjunto. Se fosse preciso voltar ao baú de lembranças dos trabalhos que Burton e Depp fizeram em conjunto, haveria certamente um que nos traria directamente a este Charlie. Ed Wood claro está. Os maneirismos do actor na sua encarnação do pior realizador da história funcionam já como a ante-camara deste Willy Wonka, que muitos viram o clone de Michael Jackson, mas que na verdade é uma personagem complexa e obscura que só um actor no mundo poderia encarnar. E esse actor é sem dúvida Depp, um dos cinco nomes essenciais da sua geração que volta aqui, com todo o seu maneirismo e preciosismo, a transformar-se e a criar um universo á sua volta, onde tudo funciona de acordo com a sua batuta. E é natural que, sendo Depp o maestro da orquestra, os nomes que o rodeiam tenham de estar em clara sintonia com o genial actor. E aí começa a perceber-se a insistência do actor em trazer, para viver a personagem de Charlie, o seu parceiro de Finding Neverland, o jovem e talentoso Freddie Highmore. E de facto o jovem actor tem um futuro brilhante á sua frente, conseguindo um desempenho brilhante, que não só traz outra profundidade á história, como ajuda também Burton e Depp, cada qual á sua maneira, a brilhar.
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Os castigos e recompensas destinados a cada uma das cinco crianças, abrem a porta para o lado negro do universo de fábulas que Burton explora aqui magistralmente. O autor não é apenas um contador de histórias, com a moralidade e o final feliz que lhes são inerentes. Burton prefere explorar os aspectos mais sombrios e obscuros das histórias de encantar. E é esse o ponto mais interessante neste filme, a forma como Burton volta ao seu mundo - onde se afastou claramente nos seus dois últimos trabalhos, o magistral Big Fish e o incompreendido Planet of the Apes - entrando, ao mesmo tempo, num universo infantil, que está na verdade, bem longe de o ser. E é isso que ajuda a tornar este filme um dos mais interessantes e bem conseguidos, da sua longa e notável carreira como realizador.

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O Melhor - O desempenho memorável de Johnny Depp que continua a assumir-se como um dos maiores actores da actualidade. Espera-se a consagração com a estatueta dourada. Dificilmente será este ano, mas já não deve tarder.

O Pior - A superficialidade inerente ás relações entre pais e filhos, nos restantes jovens. Era algo a explorar até porque conseguiria-se certamente alguns momentos bem divertidos.

Curiosidade - Este é o quarto filme que envolve a dupla Burton-Depp. Depois de Edward Schissorhands, Ed Wood e Sleepy Hollow. E é também o segundo filme da dupla Depp-Highmore, logo a seguir a Finding Neverland. Por fim é a terceira vez que Burton trabalha com a mulher, Helena Bonham-Carter, logo depois de Planet of the Apes e Big Fish.

Site Oficial - www.chocolatefactorymovie.warnerbros.com

Realizador - Tim Burton
Elenco - Johnny Depp, Freddie Highmore, Helena Bonham-Carter, ...
Produtora - Warner Bros.
Duração - 115 m
Classificação - m/12

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às agosto 15, 2005 01:07 AM

Comentários

ta lindooooooo ele e muito lindo cara nao sei nem o que dizer na verdade beijux pra os fãx de jonh depp

Publicado por: talita às outubro 11, 2006 07:32 PM

Gosto muito do filme tanto que até comprei! A parte que eu mais gosto é quando Wily Wonka (Johnny Depp) fica bringando com o Maick Tv. A atuação de Johnny Depp no filme é ótimo! Acompanho os filmes de Johnny Depp! Sou uma fã numero 1 dele já assisti todos seus filmes! JOHNNY DEPP 1000% LINDO!!!!!!!!!!!!!!!

Publicado por: sabrina às setembro 11, 2006 01:38 PM

Greatings to you. Can you help me to find any more info?

forced sex movies

Publicado por: forced sex movies às junho 12, 2006 05:34 PM

Wellcome to the real world.

Publicado por: forced sex às junho 7, 2006 12:10 PM

chokapik...forte em chocolate!!!!!!!!!!!!!!!

Publicado por: chokapik às janeiro 12, 2006 02:28 PM

Adorei o filme

Publicado por: Papo-seco às agosto 16, 2005 06:36 PM

Miguel,é sempre um prazer passar aqui pelo blogue, mas fica uma sugestão: tu escreves bem, mas tens que ter cuidado com a acentuação. Tendo em conta a área em que estás, é sempre importante retocar a escrita. O "á" é ruído, tal como outras falhas.

Não é grave e é apenas uma sugestão de quem te lê com prazer. Desculpa e um abraço.

Publicado por: Crown às agosto 16, 2005 01:22 PM

Os Umpa-Loompa são claro uma criação do Dahl como tudo neste filme, exceptuando o passado do Willy Wonka. Mas a maneira genial como o realizador criou os personagens, como clones do mesmo actor, e pela forma como lhes deu vida, merece todo o crédito. E para mim - e para muitos - Burton atingiu o seu expoente máximo com o Sleepy Hollow. Mas claro que isso é sempre discutivel, como o é com a obra de qualquer realizador.
Em relação ao decor do Big Fish, isso está intimamente ligado com a forte componente expressionista que a obra de Burton tem, no seu todo e não apenas nos filmes citados.
um abraço

Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às agosto 16, 2005 12:24 AM

Deixa-me também discordar em dois pontos: primeiro Sleepy Hollow não é inquestionavelmente a obra prima de Burton; e segundo, desde quando é que os Umpa Loompas são uma criação do realizador?

Publicado por: dermot às agosto 15, 2005 06:54 PM

Viva Miguel,

Concordo com a tua análise em quase todos os aspectos. Só há um ponto que estou em desacordo e, logo, é o único que convém referir...

"E é esse o ponto mais interessante neste filme, a forma como Burton volta ao seu mundo - onde se afastou claramente nos seus dois últimos trabalhos, o magistral Big Fish e o incompreendido Planet of the Apes - entrando, ao mesmo tempo, num universo infantil, que está na verdade, bem longe de o ser."

Eu percebo o que queres dizer mas achei este filme (não nos cenários, claro está!) muito mais interligado com Big Fish do que com, por exemplo, Sleepy Hollow ou Ed Woods. Até de Edward Schissorhands só sobram as cenas com Christopher Lee (marginais no filme). Burton, talvez por ser agora pai, em vez de pincelar o negro com cor pincela agora a cor com negro. O centro é a família (até um conceito deveras conservador, algo que era inexistente no seu universo) e nestes pontos há uma continuidade muito mais forte com o magistral Big Fish.

Tenho pena que não hajam dois Tim Burton(s) em actividade: O excelente Burton pré Planeta dos Macacos e o igualmente excelente Burton pós Planeta dos Macacos... seria, sem dúvida, um festim para os cinéfilos.

Como nota final que representação de Depp foi aquela? O actor está a ficar imbatível! Mas pelos vistos os melhores actores não têem óscares...

Abraço,

Publicado por: Ricardo às agosto 15, 2005 12:51 PM

Filme fantastico, como Tim nos tem habituado, e a mais uma grande representaçao de Depp.

Publicado por: Pedro às agosto 15, 2005 12:24 PM

Excelente análise. Vai de encontro com mto do que achei do filme. É fabuloso, sem dúvida!

Publicado por: Lost in Space às agosto 15, 2005 12:15 PM

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