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agosto 25, 2005

Opinião - Nas Ruas da Amargura!

Tudo começou com Jaws. Ou terá sido antes? Pouco importa. A verdade é que o genero que Hollywood tinha por intocável, parece ter entrado num beco sem saida. O cinema de acção já não é o que era. Hoje vive nas ruas da amargura. Haverá saida à vista?
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Não foi apenas o brutal fracasso de bilheteia de The Island que despoletou esta súbita análise ao genero cinematográfico favorito dos norte-americanos. Este ano houve outros exemplos de algo esá a mudar. Elekra abriu mal o ano. Mr and Mrs Smith só sobreviveu graças á polémica do triangulo amoro Brad Pitt-Jennifer Anniston-Angelina Jolie. Stealth e Sahara fracassaram por completo e os próximos projectos do genero dificilmente darão a volta ao problema. O medo apoderou-se dos grandes estúdios. Se até Michael Bay fracassa, se o cinema cheio de explosões, humor de consumo instantâneo e frases feitas nas bocas dos actores de sempre já não chegam para levar os americanos ao cinema, então o alarme tem de soar. E bem alto!
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The Island é o mais recente exemplo da crise porque passa o cinema de acção.

A verdade é que esta súbita crise no cinema de acção - e que é real por muito que alguns tentem disfarçá-la com análises conjunturais que são boas para os leigos mas que não chegam para explicar todo o problema - já há muito se anunciava.
Repetir sempre a mesma fórmula, as mesmas histórias, as mesmas falas, os mesmos protagonistas (e actores também) já há muito dava sinal de saturação. Não eram só as sucessivas sequelas dos mesmos filmes. Era a própria ideia de cinema de acção que os grandes estúdios colaram de imediato ao termo blockbuster, aproveitando essa conjuntura para explorar ao máximo a imagem do cinema de acção. A fórmula de sucesso, que incluia sempre um nome de um actor com grande sucesso junto do público (maioritariamente masculino, e dentro desse, o publico entre os 15 e os 35) a uma história pouco complexa e de fácil concretização, especialmente desde a banalização do CGI, resultou durante trinta anos. Mas agora o cenário é diferente.
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Fosse Arnold, Bruce, Mel, Silvester ou Harrisson. Os filmes de acção sempre cultivaram o heroi altamente masculinizado.

Se nos anos 70 se explorou as primeiras facetas do cinema de acção - numa época em que os estudios permitiram tudo - nos anos 80 confirmou-se o modelo do heroi altamente masculinizado (Arnold Schwarzenegger, Silvester Stallone, Kurt Russell e mais tarde Harrisson Ford, Bruce Willis ou Mel Gibson) e as histórias, habitualmente criadas á volta de personagens que suportavam sequelas atrás de sequelas (Mad Max, Die Hard, Lethal Weppon, Rambo, Terminator, Tango and Cash), mantiveram sempre os mesmos moldes, também inspiradas pelo fenomeno paralelo que sempre foi James Bond, mas também pelo que já se fazia na televisão e que, com a chegada em massa do CGI ao cinema, se tornou barato e prático, e, mais do que isso, atractivo ao público, sedente de sangue, explosões, mulheres sensuais e herois num mundo conturbado.
Mas hoje o mundo é diferente. A Guerra Fria acabou, os herois são outros e o cinema de acção nunca conseguiu adaptar-se a essa mudança.
Mesmo assim conseguiu aguentar-se bem durante uma década, graças ao trabalho de produtores como Jerry Bruckheimer e Joel Silver, capazes sempre de descortinar o que o público queria ver.
Armageddon, The Rock, Con Air, Pearl Harbour, Bad Boys e - num tom diferente, e por isso com direito a uma abordagem especial - Matrix, revelavam que apesar de ferido, o cinema de acção tinha toda as condições de se manter de pé.
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A decada de 90 corou Nicholas Cage e Jerry Bruckheimer como verdadeiros reis do cinema de acção. Eram os dias de glória do cinema de acção, com filmes como Con Air.

Mas os sinais que foram dados ao longos dos tempos foram constantemente ignorados. Hoje o público já não vai ao cinema como ia há meia década atrás. A televisão, os videos piratas da internet e, acima de tudo, a banalização do dvd, roubaram muitos espectadores das salas. Mais do que isso, o público hoje mostra um interesse por diferentes abordagens de uma narrativa. Filmes misticos ou de universos imaginários (Lord of the Rings, Harry Potter) ou comédias mais leves parecem ganhar cada vez mais terreno. E a banalização na televisão de um estilo muito próprio de series, de acção mas numa abordagem mais cientifica e humana (CSI, 24, Lost) do que propriamente repetindo os mesmos cliches dos bons e maus, das fugas e expçosões, contribuiu ainda mais para isolar um cinema de acção que não tem sabido perceber esta metamorfose do público.
E se The Island (para utilizar o exemplo mais recente) é o espelho dessa situação, a pergunta fica: porque é que ainda se gastam milhões de dólares em filmes cujo público já praticamente não existe?
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O modelo de series como CSI ou 24 cativou o público do cinema de acção e mostrou-lhe uma diferente abordagem do genero. O resultado é o sucesso que está à vista de todos.

É dificil encontrar generos que tenham acabado na história do cinema. Há dois exemplos gritantes mas que têm uma justificação própria. O Western, talvez a maior invenção - a par do Jazz - da cultura norte-americana, viu o seu modelo saturar-se ao máximo com o fim dos grandes estúdios. Dos movie-brats ninguém estava disposto a fazer o que já tinha sido feito mil vezes. E o Western Spaghetti de Leone apenas ridicularizava essa ideia de que tudo já tinha sido feito no Oeste Selvagem e que tinha chegado a hora do fim. Clint Eastwood e Kevin Costner têm-se esforçado por negar essa ideia mas a verdade é que o público do western já não existe, se exceptuarmos os saudosistas de um genero glorioso.
Já o genero musical, passou por um mau bocado durante várias décadas, ele que foi um dos grandes generos entre os anos 30 e 50. Mas recentemente, aproveitando novas leituras do genero, alguns estúdios têm-se dedicado a ressuscitar um modelo, actualizando-o. Chicago, consagrado pela Academia, e Moulin Rouge, surgem como exemplos gritantes dessa mudança que tem este ano, em The Producers e Memoirs of Gueisha, dois exemplos dessa mudança.
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Tal como o cinema de acção, também o musical passou por um mau bocado. Mas soube dar a volta. Será que o cinema de acção conseguirá fazer o mesmo?

Então, o que espera afinal o cinema de acção?
Dificilmente este é um genero que encontrará o mesmo futuro do western. Ainda há muito publico jovem a ver os mais diversos filmes de acção para se poder dizer que este é um genero morto e enterrado. Mas as mudanças de gostos e mentalidades estão aí, à vista de todos. Os estúdios de Hollywood vão ter de se adaptar a essa realidade. A acção psicologica, a abordagem mais suave, mais virada para as personagens e para a profundidade da história, e menos para os efeitos especiais e explosões, parece ser o caminho do futuro. Hoje um filme como The Island dificilmente encontrará sucessores dignos desse nome. Já LA Confidential, Training Day, Phone Booth, apenas para citar os exemplos mais prestigiantes do que também pode ser acção sem ser, apenas e só, movimento e explosão, são os exemplos do futuro. No entanto não nos enganemos. O cinema de Michael Bay continuará aí. Só que os seus dias de glória acabaram!

Miguel Lourenço Pereira

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às agosto 25, 2005 05:36 AM

Comentários

que mau...?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????>............................................................................................................................................................................................................................................................................................................valeu

Publicado por: votereza às agosto 24, 2006 09:29 PM

Tens toda a razão Miguel...Joãozinho...ai ai!! k menino mal comportado...loOOl...pronto...tds temos direito a opinioes...ms va la...sê menos insultuoso...

Cumps

Publicado por: Jorge Lestre às agosto 27, 2005 02:02 AM

João André, o facto é q Gladiador foi um sucesso de crítica (tendo até chegado aos óscares) e de público o que abriu as portas a uma enxurrada de épicos como Troia, King Artur, Alexandre, Kingdom of Heaven que estiveram longe do mesmo sucesso, tanto na critica como na bilheteira.

No entanto quando citei Gladiador foi como paralelismo à Fantasia. O Senhor dos Aneis e Harry Potter foram bem sucedidos e por isso já aí vem As Crónicas de Narnia, Eragon está em produção e uma série de livros (uns mais desconhecidos do que outros) já foram comprados para ser adaptados. Por isso julgo que o caminho seja a saturação. Mas claro q posso estar enganado.

Publicado por: Léccio às agosto 26, 2005 07:52 PM

Concordo contigo Leccio quando falas dos orçamentos deste tipo de filmes. Mas o problema nem sempre é o orçamento do filme em si, já que a utilização do CGI até ajudou a poupar bastante dinheiro em adereços e extras. O problema é o dinheiro que é gasto (em proporções loucas) nas campanhas de marketing. Hoje é fácil encontrar muitos filmes que gastam mais em marketing do que no próprio filme. E depois, quando as receitas não compensam, lembram-se sempre do que o filme custou, mas poucos são os que falam nos gastos na publicidade ao filme. Basta ver um filme, que nem é de acção e nem custou muito dinheiro que foi o Cinderella Man. Os gastos da produtora com a publicidade foram imensos e o filme foi um fracasso de bilheteira, mas se não tivessem gasto tanto dinheiro em publicitar o filme, Cinderella Man não teria sido um fracasso.
São esses os grandes problemas dos estúdios (tal como a pirataria que ambos referimos), problemas esses que parecem estar longe de uma solução.

Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às agosto 26, 2005 03:16 PM

Lécio, o épico não se gastou com o Gladiador. O épico gastou-se há muito tempo. O Gladiador foi apenas um fenómeno isolado (e que, apesar de interessante, não percebi porque razão suscitou tanto louvor da crítica). Seria o mesmo que dizer que o Imperdoável ou o Danças com lobos foram os últimos westerns. A verdade é que são filmes que aparecem de vez em quando, já depois do fim do género.

Golfinho, o Carpenter, creio que vai além da acção. Aliás, eu não dou muito pelas sequências de acção dos filmes dele. O grande mérito dele é a forma como vai criando um ambiente carregado e opressivo antes da acção. A mestria está no suspense, não das situações, mas das personagens.

Publicado por: João André às agosto 26, 2005 11:52 AM

O problema com esse tipo particular de cinema de acção que referes no artigo (podias ter mencionado tb o flop de XXX 2) são os orçamentos gigantescos que tornam dificil que o filme dê lucro. Porque o mercado continua lá (ainda que por serem mais jovens com mais acesso á pirataria).

Se os estúdios olhassem mais para 24, Alias, The Shield veriam como é possível fazer acção com orçamentos modestos. Claro que tb n vê-mos aí perseguições automóveis como o Michael Bay costuma fazer, mas n se pode ter tudo.

Em relação á fantasia, julgo que seja um género que rapidamente se vai gastar (tal é a quantidade de projectos em desenvolvimento), tal como o épico se gastou depois de Gladiator.

Publicado por: Léccio às agosto 26, 2005 11:01 AM

Miguel, não sou grande "expert", aceito o que leio aqui. Mas para mim, acção é "Carpenter". Por favor, não se riam de mim :)

Um abraço.

Publicado por: Golfinho às agosto 25, 2005 11:56 PM

Talvez tenham sido influenciados por isso sim. Mas a questão é mais simples. Esta tematica esta na moda, dissertar sobre o cinema de acção. E estas conclusões, estes exemplos, esta evolução é baseada em factos, que não permitem interpretações tão variadas quanto isso. Por isso, de uma maneira ou de outra, é natural que muitos artigos em qualquer lado, cheguem exactamente ao mesmo sitio, passando mais ou menos pelas mesma formulas. Vou ler o artigo que referes para comparar.

Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às agosto 25, 2005 07:20 PM

Então deve ter sido o do Y que se baseou no que referes. É que a semelhança vai mais longe que apenas nas conclusões, vai mesmo na forma como as razões apontadas estão enunciadas e nos nomes que são referidos.

Publicado por: João André às agosto 25, 2005 04:40 PM

Por acaso não li o citado artigo do Y. Acredito que seja um belissimo artigo mas não me serviu de inspiração. Li sim um artigo no Hollywood Reporter há coisa de um mês que já se debruçava sobre isso, a propósito do The Island e do Mr and Mrs Smith. Quando vi o filme (e isso está mencionado já na critica) do Bay decidi que era a altura de voltar a escrever artigos de opinião e que este era uma boa premissa. Agora se tem algumas semelhanças com o do Y é natural, o que eu digo não é novidade para ninguém nem dificil de perceber.
E obrigado pela correção, vem sempre a jeito!

Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às agosto 25, 2005 04:27 PM

Já sei que não me dás crédito nenhum e que para ti a minha opinião não vale absolutamente nada (deve ser por que não sou dos que se ajoelha perante o teu trabalho, antes o critica se não gosta - o que normalmente sucede), mas também por isso não faz diferença comentar com críticas.

Neste caso fica uma apenas: quando se tem a ideia de escrever um artigo após ler algo num jornal (suplemento Y do Público de sexta feira passada), é sempre de bom tom citá-lo. Por outro lado, mesmo quando isso não é feito, escrever um artigo é mais que simplesmente adicionar nomes e mais umas linhas ao original. Até tens muita razão no que dizes aqui, mas a forma como foste a reboque do supracitado artigo sem o mencionar cai mal.

PS - não se escreve "exceptuar-mos", escreve-se "exceptuarmos". Ai esse português, vê lá se tens mais atenção (já que tens tanta no resto).

Publicado por: João André às agosto 25, 2005 03:29 PM

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