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agosto 24, 2005
Stompanato
Os amantes do cinema certamente conhecem este nome. Um nome que nunca foi actor ou inspirou qualquer filme. Um nome sim, de um mafioso de origem italiano que nos anos 40 fez furor ao casar com a sex-bomb Lana Turner e que acabou morto pela filha desta, quando tentava, mais uma vez, agredir a actriz.
Agora o cinema reinventa-se dentro de si mesmo. E a crise brutal de criatividade que Hollywood vive vai sendo compensada com a revalorização das suas próprias histórias.
Talvez por isso para o ano possamos ver Catherina Zeta-Jones como Lana Turner e Keannu Reeves como Johnny Stompanato, num filme dirigido por Adrian Lynn.
A história já se conhece, o casting parece longe de ser perfeito. Fico o aviso. De agora em diante, qualquer simples episódio da vida de Hollywood pode dar um filme de... Hollywood.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às agosto 24, 2005 02:53 PM
Comentários
Vcs que são os "entendedores", façam melhor. Mexam seus traseiros gordos de poltrona quadrada. Seus nerds. Com certeza vcs não fariam melhor. Criticar é facil. Julgar a atuação dos outros é mais facil ainda. Vão procurar algo util pra fazerem, oras!
Publicado por: Adm às junho 21, 2006 07:10 PM
João,
Quanto ao título do filme tens razão ... é 25th Hour! Apesar do argumento ser anterior aos acontecimentos está presente no filme um tom de nostalgia que foi influenciado pelo 11 de Setembro.
Ninguém pode prever o futuro criativo de Shyamalan! Mas aproveito para utilizar as tuas palavras e referir que só 5 filmes maus dele de seguida impediriam-me de ir ver um filme dele!
Abraço e desejos de melhores dias na Sétima Arte...
Publicado por: Ricardo às agosto 25, 2005 09:50 PM
Ricardo: gostei dessa definição sobre as cores. É mais ou menos aquilo que também acho. Só me parece que ele não sabe (ou ainda não conseguiu) utilizar este estilo com a mestria de outras situações.
Já agora, creio que estavas a falar do The 25th Hour do Spike Lee, não? Excelente filme, mas não o achei um sucedâneo do 11 de Setembro, até porque o argumento é anterior. Só a sequência com as ruínas do Ground Zero visíveis pela janela é que chamam a atenção para isso. Mais que tudo isso, acho o The 25th Hour um filme de amor a NY. E aí funciona muito bem.
Em relação ao Shyamalan, o que dizes não muda muito aquilo que referi. O Shyamalan tem um estilo e uma linguagem muito próprios que repete em todos os filmes. Depois tem também o talento que faz a diferença entre cada filme. Só temo que o talento não lhe chegue e que um dia se esgote, porque isso acontece com todos os "autores".
Publicado por: João André às agosto 25, 2005 07:00 PM
Miguel e João,
Vou intrometer-me na vossa discussão! O Shyamalan tem um estilo, estilo esse que não precisa de ser reinventado, só explorado noutros campos. Terei sido só eu que achei que "The Village", em parceria com o "The last hour", foi o melhor filme que retratou o 11 de Setembro e o medo que se instalou nos norte americanos? E isso foi tudo feito duma forma muito original e muito subtil. Mesmo o Unbreakable, que foi o mais desvalorizado dos seus filmes mas que eu acho melhor que o Signs, reinventa o olhar do cinema sobre os comics duma forma muito criativa. O estilo é sempre o mesmo, a mensagem é que muda e de forma tão subtil que só uma mente criativa o conseguiria.
Quanto ao Tim Burton concordo que o Planeta dos Macacos foi uma desilusão. Já esta nova fase não diria que é má, mas Tim Burton também reinventou-se. Deixou de pencilar o negro com cores e passou a colocar o seu lado perverso por cima da cor. Talvez esteja um pouco conservador agora (o conceito de família) mas não perdeu aquela abordagem original com que encara os argumentos, sejam ou não originais.
Abraço(s),
Publicado por: Ricardo às agosto 25, 2005 05:41 PM
Tens razão em relação aos argumentos originais do Burton, mas acho que, pelo menos o Big Fish, funciona como um bom exemplo da sua criatividade. Só que esse é um filme de amor-ódio claro. Gosto de Charlie mas não o coloco claramente ao mesmo nivel que as obras-primas dele, e que são várias.
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às agosto 25, 2005 04:29 PM
Miguel, eu não disse que o Shyamalan não seria interessante, apenas que não é assim tão criativo como o querem fazer parecer. As histórias andam sempre em volta de uma personagem ancorada no real, outra no fantástico e uma terceira que faz a ponte. Pelo meio vai semeando twists (que, para dizer a verdade, começam a cansar). Isso não significa que não é interessante, bem pelo contrário. Continuo a gostar dos filmes dele. Só digo que não é um realizador que explore a criatividade, antes fica num mundo que criou (que é interessante e original em si mesmo) e não sai dali, antes o explorando constantemente. Isso não deve ser visto como um ataque, neste caso até deve ser visto como um elogio, pela capacidade que ele tem de ser interessante sem ser muito criativo.
Quanto ao Burton, apenas uma referência: ele nunca filmou um argumento dele. Filmou apenas dois filmes que partiam de histórias, não do argumento em si mesmo. Por isso mesmo era interessante, porque recriava o universo a partir da imaginação de outros. Nos últimos 3 filmes não o vi fazer isso. Mas claro que, quando sair o próximo filme, vou a correr para o cinema. Até ele estragar 5 filmes em sequência não vou desistir. Até porque quandop estraga algo, sai sempre melhor que aquilo que qualquer tarefeiro seria capaz de fazer.
Publicado por: João André às agosto 25, 2005 03:18 PM
Ó João, então o Shyamalan não é criativo? Lá porque trabalha sempre no mesmo genero isso nao impede que, dentro do mesmo, explore a criatividade. Uma coisa é sabermos que um filme do Shyamalan vai ter um ou mais twists. Outra coisa é a forma como ele lá chega. E aí, a obra dele é das mais ricas se falar-mos de jovens autores norte-americanos.
E o Burton continua a ser um dos maiores genios do cinema mundial. Mesmo que tenha recentemente trabalhado em argumentos que nao sao dele, a forma como ele brinca com essas histórias é brutal. O Hitchock nao trabalhava muito com argumentos originais, ao contrario do Billy Wilder, mas, cada um á sua forma, era geniais e extremamente criativos.
E em relação ao elenco do filme, é claro que é barato e vai levar os fãs do costume ao cinema, mas está muito aquém do esperado. Realmente para ver filmes sobre aquela era, não há nada melhor como rever o LA Confidential ou esperar pelo Black Dahlia.
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às agosto 25, 2005 01:50 PM
Quanto ao Shyamalan, não me parece que tenha assim tanta criatividade. Ele basicamente está sempre de volta do mesmo filme. O que tem, isso sim, é muito talento para reinventar a mesma história. Um pouco como Woody Allen faz.
Já o Tim Burton não me parece que ainda ande pela criatividade. O Big Fish é, para mim, um filme brutalmente sobrevalorizado e só tangencialmente Burtoniano. O Planeta dos Macacos é o pior filme que Burton já fez (bom, talvez o do Pee-Wee...) e este último, o Charlie e a Fábrica de Chocolate, é fraquinho e não demonstra nenhuma imaginação em especial. Para quem só conhece o filme, pode impressionar, é verdade. Só que o mais antigo, o Willy Wonka and the Chocolate Factory, já coloca todo o imaginário por lá, o Burton não inventa nada. Apenas se limita a acrescentar uma infância e um pai para Wonka (fraquinhos, muito fraquinhos), coisa que está farto de repetir nos seus filmes (a figura do pai ausente) e dar mais umas cenas de dança aos Oompa-Loompas. A única verdadeira novidade são os números de dança, mas isso não torna o filme num prodígio de criatividade, longe disso.
Publicado por: João André às agosto 25, 2005 01:25 PM
Caro Miguel
Concordo consigo, agora que percebi as diferenças registadas.
Mas a sociedade de consumo dita leis, mesmo em Hollywood. Não se procura "reanimar" cenas antigas procurando actores com parecenças. Se o sistema é assim, e parece ser mesmo, vamos lá a transformar Lana Turner numa "gaja boa comó milho" e o Johny num "boneco" mesmo que de actor pouco tenha.
Além do preço que custa à produção. Esta dupla será muito mais barata que outra, mais adequada, decerto, e que garantiria mais qualidade.
Escolhas...
Um abraço.
Publicado por: ADias às agosto 25, 2005 12:15 PM
Léccio,
As modas pouco me dizem. Eu vivia apaixonado, na adolescência, com filmes do Tim Burton como o hoje pouco divulgado Beetlejuice! Apaixonei-me pela sua incursão na BD e pela sua nova versão do pinóquio (ou seria do Frankestein) no Eduardo mãos de tesoura.
A falta de imaginação e criatividade não tem nada a ver com a utilização de material de base já filmado ou escrito mas sim com a incapacidade de dar a volta a essa base e criar algo novo e original. Nesse ponto concordo que adaptar não é necessariamente mau, mas a verdade é que a crise é visível e a qualidade dos filmes tem descido abruptamente.
O casting neste caso, concordo, é muito mau!
Abraço,
P.S. Concordo com o Shaymalan!
Publicado por: Ricardo às agosto 25, 2005 11:44 AM
Se queriam o bom do Stompanato no écran, agarravam na tetralogia de James Ellroy (The black dahlia, the big unknown, l.a. confidential e white jazz) e adaptavam-na ao cinema...sempre seria mais fácil.
Aliás, já adaptaram (não muito mal) o L.A. Confidential...
Quanto ao casting, uma coisa é certa: desastre à vista...não havia necessidade, penso eu de que...
Publicado por: Hugo R. Alves às agosto 25, 2005 10:12 AM
Caro Ricardo o Tim Burton é um belo realizador, mas parece que é moda elogia-lo agora. Se formos a ver os seus mais recentes filmes temos um remake (Planeta dos Macacos) e duas adaptações de livros (Big Fish e Charlie and the Chocolate Factory).
No entanto isto só vem provar que é possível fazer bons filmes com material que não é original, seja ele um livro, um comic ou um caso da vida real. Vamos esperar para ver.
Quanto à criatividade nos grandes estúdios havia mais nomes a citar, como por exemplo M Night Shaymalan
Publicado por: Léccio às agosto 24, 2005 11:19 PM
Viva Miguel,
Keanu Reeves, após inúmeras oportunidades e algumas boas personagens que conseguiu interpretar, nunca conseguiu estar à altura da aposta que tem sido feita nele. Apesar de Tudo, Zeta Jones, sem ser uma grande actriz, consegue ser mais natural.
O pior é que para um amante de cinema como eu (e tu), estar constantemente a ser bombardeado pela falta de arrojo criativo dos estúdios, é um verdadeiro suplício. Por isso a crise é grande... excesso de meios e défice de ideias ...torna tudo caro mas intragável! Salva-se o Tim Burton (nos grandes estúdios) que parece ainda ter muita criatividade para dar e vender!
Abraço,
Publicado por: Ricardo às agosto 24, 2005 10:28 PM
Car ADias!
Claro que uma opinião é uma opinião mas eu pergunto-lhe se já viu algum filme com a Lana Turner ou se já viu em filme (documentário ou noticioso) o Johnny Stompanato. É que semelhanças fisicas entre as duas personagens e os dois actores são quase inexistentes. Zeta-Jones não tem nada a ver com Lana Turner (recomendo The Postman Always Ring Twice para confirmar) e Keannu Reeves, que tarde em se afirmar como actor a sério, não podia ser a escolha mais errada para o papel.
Mas como aqui não desejamos mal a nenhum projecto, espero que tenha o sucesso que merece. Só lamento a falta de imaginação de Hollywood e o cada vez mais desacertado casting que os estúdios fazem, colocando os nomes das vedetas á frente da essencia da propria personagem.
um abraço
Publicado por: Miguel Lourenço Pereira às agosto 24, 2005 05:56 PM
Caro Miguel
Uma opinião é o que é, vale o que vale e é um democrático exercício.
Gostava que fosse mais além, no seu parecer, quando diz que o "casting" está longe de ser perfeito. Mesmo que o perfeito não exista... ainda sobra algo numa escala de valores.
Um abraço.
Publicado por: ADias às agosto 24, 2005 05:43 PM
Casting perfeito sim... para o desastre. Zeta-Jones como Lana Turner? Keanu Reeves como... seja lá o que for, a sua entrada num filme tem sempre tendência a dar cabo do mesmo. E Adrian Lyne. Incrível, mas quem é que ainda lhe dá filmes para dirigir? Depois do Proposta Indecente ele deveria ser automaticamente banido sequer de falar de cinema... e só entraria numa sala porque fez o Jacob's Ladder.
Publicado por: João André às agosto 24, 2005 05:43 PM