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agosto 22, 2005
The Island - Até podem fugir, mas já não se podem esconder
Este momento tinha de chegar. The Island servirá como marco histórico. O filme de acção como Hollywood tem cultivado nos últimos vinte anos parece cada vez mais ter os seus dias contados. E nem é preciso atribuir culpas.
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Porque terá sido The Island o maior falhanço de bilheteira do ano?
Culpas já foram distribuidas por todos os que estiveram envolvidos no projecto. A Dreamworks disparou sobre os actores e director do filme. Bay, que apresenta aqui a sua sexta longa-metragem, queixou-se do marketing e dos actores. E no final, queixaram-se os espectadores do resultado apresentado, boicotando como nunca se tinha visto um filme de acção de Verão, cuja designação de blockbuster parecia ser à prova de bala.
Sinal dos tempos! Hoje o cinema de acção nos EUA vai obviamente passar por uma metamorfose (que analisaremos noutro artigo) e este filme ameaça tornar-se no ponto de viragem. Porque, convenhamos, é fácil chegar a meio de The Island com a sensação de deja vu constante, com uma gritante falta de imaginação que passa, não só pela cópia de ideias de outros filmes (é fácil encontrar em The Island referências a Star Wars, I Robot ou The Forgotten por exemplo), mas pela falta de coragem para fazer algo de novo, menos espalhafatoso e com maior profundidade.

A história em si funciona como bom ponto de partida. Uma cidade onde habitam todos os humanos que terão sobrevivido a uma contaminação global, é gerida de forma quase robótica, desde o vestuário às rotinas diárias. O contacto fisico é proibido e quem questionar a autoridade tem um destino pouco agradável. Só algo faz as pessoas acreditarem no futuro: a ilha, o último local paradisiaco para onde são enviados os afortunados vencedores da lotaria. Tudo parecia estar bem (e até aqui também o filme vai bem, talvez por ir com uma calma que depois desaparece) até alguém questionar o ambiente que o rodeia, dando inicio a uma sucessão de eventos que vão mudar a forma como o mundo olha para eles.
Uma premissa promissora mas mal aproveitada em todos os aspectos. Argumento fraco, sem substância (salvam-se as personagens de Steve Buscemi, Djimon Hounson e uma surpresa que Ewan McGregor reserva lá mais para a frente, mas agora com óculos) e que faz com que o filme seja feito como tantos outros. Com correrias sem fim, explosões sem limites e com uma interminável ingenuidade. Afinal, até quando é que Bay achava que as pessoas iriam continuar a aplaudir as mesmas cenas, de filme para filme?

Apesar da critica aos actores, é dificil atribuir-lhes culpas no resultado final do filme. De Ewan McGregor, já se sabe, é um multi-facetado que tanto "explode" em filmes indie, como faz comédias românticas, musicais ou filmes de acção. O seu charme é o vector da sua personagem, mas falha em contagiar todo o ambiente à sua volta. Já Scarlett Johansson, de quem já proclamámos mil e uma maravilhas, percebe-se bem que este não é o seu universo. Scarlett está claramente talhada para papeis de pendor dramático em filmes de outro calibre. Não tem a aptência para este tipo de filmes como tem, por exemplo, Uma Thurman. Mesmo assim a sua beleza natural (que é maior a cada filme que passa) e a sua presença, que mesmo assim faz a diferença, são mais valias ao filme. Tal como são os desempenhos, pequenos mas bem conseguidos de Djimon Hounson e Steve Buscemi. Já Sean Bean continua com problemas em encontrar-se após o seu papel como Boromir em Lord of the Rings.

Bay começou com Bad Boys uma forma de filmar que, acompanhado da visão de Jerry Bruckheimer, tem feito escola nesta última década. O cinema de acção estava em claro crescendo desde meados dos anos 80 e foi com os seus filmes que se tornaram verdadeiros veiculos de massas. Mas nada dura para sempre. Bay diz não perceber o porquê do seu primeiro falhanço. O problema passa, não tanto pelo filme em si, mas pela essência do genero. Não há eternidades no cinema. Não digo que o cinema de acção vá acabar, isso seria presumir algo de forma demasiada inocente. Mas com as repercursões que The Island pode ter (no próprio futuro da Dreamworks como Heaven´s Gate teve na United Artists), levarão certamente a uma reflexão bem mais profunda.
Classificação - ![]()
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O Melhor - A ideia original prometia algo muito melhor.
O Pior - As constantes fugas e explosões. Há outra forma de fazer cinema de acção. Bay é que não o sabe.
Curiosidade - Este foi o primeiro projecto que Bay realizou a solo. O mesmo será dizer, sem Jerry Bruckheimer. Curiosamente o falhanço do filme pode passar pela divisão de uma das mais aclamadas duplas de Hollywood da última década.
Site Oficial - www.theisland-themovie.com
Realizador - Michael Bay
Elenco - Ewan McGregor, Scarlett Johansson, Sean Bean, ...
Produtora - Dreamworks
Classificação - m/12
Duração - 136 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às agosto 22, 2005 02:59 PM
Comentários
Ops... uma pequena correção, no meu comentário sobre o filme "The Island" ("A Ilha", aqui no Brasil).
Ao invés de "Eu fui um dos muitos que viu esse filme em DVD", deveria ter escrito: "Eu fui um dos muitos que viram esse filme em DVD", ok?
Só não vi o filme no cinema por ter acreditado nas críticas ruins publicadas em parte da mídia. Porém, um dia, lendo a sinopse do filme no site de humor chamadado ZeroZen (www.zerozen.com.br), gostei da história, e depois gostei mais ainda do filme.
Recomendo! Principalmente para aqueles que são a favor da clonagem humana.
Publicado por: Guilherme às julho 10, 2006 04:25 PM
Tentei comentar seu artigo sobre o filme "Charlie and the Chocolate Factory", mas o link não está funcionando. Por isso, coloco aqui meu comentário:
Detestei essa refilmagem (aqui no Brasil, chamada de "A Fantástica Fábrica de Chocolate". Não chega nem aos pés do filme original, principalmente o desempenho de Depp, como um homossexual tresloucado, dizendo que até ele é "comível", como um chocolate, só que em algumas sociedades preconceituosas, isso não é bem visto...
Faça-me o favor... Executivos da Disney: chega de mensagens subliminares na mente de nossas crianças, ok? Já chega o desenho do Rei Leão, em que o Leão rebola como uma leoa... chega a dar nojo!
Publicado por: Guilherme às julho 10, 2006 04:19 PM
Achei injusto o comentário sobre esse filme. Eu fui um dos muitos que viu esse filme em DVD, e gostaram. Indiquei esse filme pra parentes e amigos, e todos gostaram. Tem ação e romance na dose certa, e Ewan McGregor mostra que é um excelente ator, interpretando com sucesso dois personagens com personalidades completamente distintas, apesar de um ser o clone do outro.
Duas estrelas é muito pouco.
Publicado por: Guilherme às julho 10, 2006 04:11 PM
Eu acho que a malta que faz os trailers ajuda a estragar a experiencia do espectador... imagina um trailer onde apenas se faça referencia ao contaminaçao, aos sobreviventes e a lotaria. Quando fossemos ver o filme teriamos aquele imenso plot twist de que afinal a ilha nao existe e por ai... Diz-me la se nao iamos sair do cinema com uma sensaçao completamente diferente? A malta de hollywood e burra... nem sei como conseguem fazer dinheiro! :)
Publicado por: Bitaite às agosto 26, 2005 11:50 AM
grande foto.
Publicado por: DJ Platina às agosto 23, 2005 06:35 PM