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setembro 30, 2005
Meio século de um mito!

Faz hoje cinquenta anos precisamente que o Porsche de James Dean não evitou a colisão com um outro veiculo provocando a morte do actor e do seu mecânico, que o acompanhava até Salinas onde Dean iria participar numa prova de automobilismo.
O actor tinha apenas três filmes feitos e deles, só Rebel Without a Cause tinha estreado. Mas o momento da morte de Dean deu lugar ao mito. O "Live fast, die young and have an handsome corps" imortalizou o actor-simbolo da geração que assumiu a adolescência como a turbulenta fase intermédia entre a infância e a idade adulta. Brando era muito duro, Clift muito certinho e Newman ainda não tinha chegado. Acabou por ser Dean o porta-estandarte da mesma geração que depois iria criar o rock and roll e o flower power. Jimmy Dean morreu e por isso se fez mito. Era necessário que o jovem actor cumprisse a sua máxima para conquistar um lugar na história. E tudo isto se passou há precisamente meio século.
Cinquenta anos sem o actor. Cinquenta anos com o mito!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:39 PM | Comentários (1)
O preço do silicone
A New Line Cinema está a preparar a primeira comédia sobre o tema controverso dos implantes de silicone. O filme irá contar a história de uma mulher que, insatisfeita com os seus seios, decide implementar silicone. O que ela não sabia é que essa decisão irá acabar por arruinar a vida do marido.
O filme, cujo o titulo será Boob Job, tem argumento de Michael Markowitz e deverá ser lançado no próximo ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:24 PM | Comentários (0)
Batman Ataca
Ainda o processo está no laboratório da Warner Bros, e já se começam a discutir os possiveis nomes para o próximo Batman, filme que irá contar de novo com Christopher Nolan na cadeira de realizador, e com Christian Bale como o Homem-Morcego.
O sempre fiável Batman-on-Film assegura que os produtores da Warner estão em dúvida entre dois titulos para a próxima aventura do Cavaleiro das Trevas: Batman Attacks ou Batman Strikes. Ambos os titulos têm a mesma tradução para português (Batman Ataca) e dão desde já a ideia de um filme com bastante mais acção que o anterior Batman Begins, que mais não foi do que um recomeçar da estaca 0.
O Joker deverá ser o vilão central do novo filme mais, apesar de todos os rumores, ainda não há actor contratado. Certo é que Bale, Caine, Holmes, Oldman e Freeman estarão de volta.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:05 PM | Comentários (3)
setembro 29, 2005
Semana decisiva para Casino Royale
Com as filmagens previstas para o próximo mês de Dezembro, urge encontrar o sucessor de Pierce Brosnan como 007. Enquanto Martin Campbell ultima os preparativos da realização de Casino Royale (até hoje o filme maldito da franquia), e Paul Haggis reescreve o guião, a produtora prepara-se para escolher o próximo Bond. Segundo a revista Variety há quatro candidatos ao papel, depois de meses e meses de testes, polémicas e falsos-nomes lançados para a praça pública.
O mais bem cotado parece ser Daniel Craig, actor já com alguma experiência e que está neste momento a rodar Munich, filme de Steven Spielberg. Também Goran Visjnic é conhecido do público pelo seu desempenho em E.R., mas será talvez o candidato com menos hipóteses. Isto porque Casino Royale é o primeiro livro da saga 007 e como tal os produtores querem voltar ao principio, com um Bond mais novo. É aí que entram os outros dois nomes, Henry Cavill e Sam Worthington.
Os testes ocorrerão esta semana e em Outubro já deverá haver fumo branco sobre qual será o próximo 007. Apostas aceitam-se!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:01 PM | Comentários (3)
setembro 28, 2005
O Que Estreia Por Cá - Finalmente o futebol chega ao cinema!
Muitos ainda se devem lembrar de Victory, a incursão de John Houston no mundo do futebol, mas de uma forma quase surreal para a época. Depois disso já se tentou fazer muito cinema com o futebol por premissa, mas nunca ninguém conseguiu explorar o jogo e todo o seu potencial. Com o primeiro filme de uma trilogia patrocinada pela FIFA, Goal! promete vir preencher um vazio no coração de muitos amantes do "desporto-rei"...

Goal! é dirigido por Danny Cannon e foi, desde o inicio, um projecto problemático. Houve troca de realizadores, indecisões na história a explorar, problemas nas filmagens de cenas nas arenas britânicas, e durante algum tempo pensou-se mesmo que o projecto não iria continuar. Mas continuou. E esta semana estreia por todo o mundo, abrindo assim o mundo de futebol á gigante indústria cinematográfia. Alessandro Nivola ficou com o papel que esteve para ser de Diego Luna, e encarna o jovem Santiago Munez, um mexicano que atravesou aos dez anos a fronteira para os EUA, e que descobre no futebol a única forma de triunfar na vida. É aí que é descoberto por um olheiro de um clube britânico (neste caso o Newscaslte United) e de repente a sua vida dá uma volta e 180º. E é a sua aprendizagem ao futebol europeu, e sua afirmação como um verdadeiro prodigio. Tudo isto com imagens reais de encontros, intercaladas com filmagens nos vários palcos britânicos. E para o próximo filme está prevista a transferência milionária para o Real Madrid, sendo que o terceiro filme se desenrolará no Mundial da Alemanha, jogando o jovem pela selecção do México.
Cinematograficmente pode não ser uma maravilha, mas o facto de, finalmente, o futebol encontrar o seu espaço junto dos outros desportos (maioritariamente os desportos americanos), é de louvar. E com uma constelação de estrelas reais do mundo da bola no filme, uma visita a Goal! é obrigatória para qualquer amante de futebol, em todos os cantos do mundo.

Semana recheada de estreias, são sete os outros filmes que chegam ás salas portuguesas.
The Brothers Grimm marca o regresso de Terry Gilliam, um realizador talentoso mas mal-amado e constantemente perseguido pelo infortunio. O filme conta as aventuras dos dois irmãos, que andam de aldeia em aldeia a inventar monstros e criaturas fantásticas que prometem destruir, sob pagamento dos aldeões. A vida corre-lhes bem até que encontram uma verdadeira bruxa, e aí a aventura entra noutra dimensão. Universo fantástico das histórias do Grimm transportado aqui para o grande ecrãn por Gilliam com um elenco de luxo, que conta com Heath Ledger, Matt Damon e Monica Belluci.

40 Year Old Virgin foi um dos fenómenos de Verão nos Estados Unidos. Uma comédia ligeira sobre um homem que chegou aos 40 anos sem qualquer experiência sexual no curriculo e que procura inverter a tendência. Destaque para o desempenho de Steve Carrell, uma das estrelas do programa The Daily Show, neste filme dirigido por Judd Apatov.

La Demoiselle de Honour traz de volta um dos miticos da Nouvelle Vague, o realizador Claude Chabrol. Sem nunca fugir ao seu estilo que deve imenso a Alfred Hitchcock e Fritz Lang, neste filme, Chabrol adapta Ruth Rendell numa história de obsessão amorosa e paixão intensa. No elenco estão Laura Smet e Benoit Magimel.

Absolon é mais um filme de acção com um argumento rebuscado, pouco original e escrito mesmo à medida de Christopher Lambert, o actor principal do filme de David Barto. Um filme ambientado num futuro próximo onde o mundo está à beira da destruição graças a uma nova doença, cuja cura não é completamente eficaz e ainda por cima só existe em plantas raras na zona tropical do planeta. Abre-se então a caça ao antidoto. Uma caça que pode ter proporções fatais.

Trespassing é um thriller de terror que também repete a fórmula da casa assassina, onde quem entra não volta a sair. O filme é dirigido por James Merendino e que conta com Daniel Gillies e Estella Warren como jovens esudantes de sociologia á procura de provas sobre a formação do mitos humanos.

Wanted é assinado por Brad Mirman e conta com o "gigante" Gerard Depardieu à frente de um elenco que conta ainda com Harvey Keitel e Johnny Halliday. O filme versa entre a comédia e o policial, com situações hilariantes vividas por um gang francès que tentava fazer o golpe perfeito em Chicago. Só que tudo corre mal e no final, o gang é perseguido por tudo e por todos.

One Missed Call recupera o esirito do cinema de terror japones, cada vez mais em voga no circuito europeu. Takashi Miike repete aqui a fórmula de The Ring, mas em vez de uma cassete assassina temos uma chamada de telemóvel que antecipa a morte das pessoas. O resto já se sabe, segue os cliches do genero gore, do qual Miike é um dos artesões de renome.

O Hollywood Recomenda - Se é amante de futebol, vale a pena ver Goal! Caso contrário vale sempre a pena espreitar o que andam a fazer Claude Chabrol e Terry Gilliam, dois génios na arte de realizar.
O Hollywood Desaconselha - É um genero que tem cada vez menos adeptos, e que está a perder a sua identidade. O cinema de acção futurista e catastrófico que encontra em Absolom o eco de dias de glória passados já não merece uma visita.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:33 AM | Comentários (4)
Será a Pornografia Cinema?
Mesmo trinta anos depois, Deep Throath continua a causar polémica e discussão. O filme porno que saltou para a ribalta e tirou a pornografia para fora do gueto onde há muito estava escondida, foi agora revisitado por um documentário. E trouxe de novo a pergunta: será que a pornografia é um género cinematográfico?

Quantos generos de Cinema conhecem? Bem, há o drama, a comédia, o western, o épico, o biopic, o filme de acção/aventura, o musical, o cinema de terror, o cinema noir e o cinema de ficção cientifica. E pouco mais. Sem esquecer que cada um desses generos tem os seus sub-generos (lá estarão o cinema gore, a comédia romântica ou existencial, o melodrama, o musical aquático, etc...). Encaixará o cinema pornográfico numa definição de genero? Acredito que não, isto apesar de ser natural que uma indústria que movimenta milhões anualmente, como é a indústria porno, tenha sabido, ao longo dos anos, retirar caracteristicas dos diversos generos, adaptando-os à sua própria realidade.
E se desde sempre se tentou estabelecer a distinção entre o erotismo e a pornografia, mais gritante essa diferença se encontra no Cinema. O erotismo não tem genero, é omnipresente. Está no cinema de Hitchcock, de Fellini, de Wilder e tantos outros magos. Está em To Catch a Thief como está em La Dolce Vitta ou em Some Like it Hot. Era traço corrente do Cinema de serie B, marcou para sempre mitos como Jane Russell, Marilyn Monroe ou Elizabeth Taylor. Enfim, pautou-se sempre por uma adequação da linguagem e do desejo sexual a histórias do dia a dia. E foi omnipresente no cinema do passado, mesmo durante os dias do polémico Código Hayes, como ainda é hoje. Os corpos estão cada vez mais expostos, mas é a forma como são tratados, com a gentileza de um cavalheiro, neste caso o cineasta, que nos permite olharmos uma cena de Leaving Las Vegas ou de Eyes Wide Shut, sem sentirmos qualquer constrangimento. Afinal tudo ali é tratado com naturalidade, e, mais do que isso, com um sentido poético do próprio ser humano, do seu corpo, e da sua sexualidade.

Já com o cinema pornográfico isso torna-se impossível de conseguir. Falo em cinema pornográfico, não porque concordo com a definição, mas para estabelecer o ponto de comparação. Aqui é o choque, é a carnalidade do acto em si que é explorada até ao limite. A linguagem choque é dominante, não só para escandalizar, mas sim porque esta é a base deste genero de filmes. O sexo, apenas e só. Sem narrativa digna desse nome, sem desempenhos, sem trabalho técnico. Apenas o sexo. O sexo masculino, o sexo feminino, o sexo a um, dois, tres, dez. E quando um filme é explorado tendo por premissa algo tão redutor como o acto sexual (enquanto que o erotismo, presente no Cinema, explora algo bem mais profundo: a sexualidade).
Que a pornografia é uma industria isso é inegável. Uma industria ancestral, que vem desde o primeiro baralho de cartas ou postais de mulheres nuas, já lá vão tempos imemoriais. E mesmo em pelicula, já se fazem filmes pornograficos desde a era do mudo, tendo sido na altura - estavamos nós nos anos 20 - a Suécia, um dos paraisos do cinema pornográfico mundial (e de sensualidade e desejo também percebem os suecos, ou pelo menos um que dá pelo nome de Ingmar Bergman e que marcou os cinéfilos de todo o mundo com o seu Summermed Monika, traduzido por cá sugestivamente como Mónica e o Desejo). E se a industria pornográfico continuou durante anos e anos, com algumas futuras estrelas mainstream a passarem por lá nos seus primeiros anos (ainda hoje é assim a julgar pela quantidade de oferta desses filmes que circulam pela internet com nomes aparentemente insuspeitos), foi sempre num circuito reduzido e bem underground. E se com o final do Código Hayes se ia perceber que a nudez deixava de ser "pecado" para Hollywood - sendo que The Valley of Dolls e Barbarella trataram imediatamente de o confirmar de imediato - a verdade é que a pornografia ainda não era tolerada.

Até ao dia em que o New York Times publicou um artigo sobre um tal filme pornográfico que dava pelo nome de Deep Throath. O filme, de um tal Gerard Damiano, lançou um país, já de si cheio de convulsões internas, em plena discussão. Todos queriam ver a história de uma jovem cujo o problema era ter o clitoris na garganta. Uma premissa tão fútil como o próprio cinema pornográfico, mas já se sabe, proibir é atrair, e assim o filme tornou-se num brutal sucesso de bilheteira, ajudado aqui e ali pelo comportamento "ultra-condervador" da administração Nixon (que acabaria por cair, ironia das ironias, por causa de uma outra "garganta-funda"). O filme tornou-se um elemento de culto, criou uma era na industria pornográfica (há claramente um antes e um depois Deep Throath no meio) e trouxe a pornografia para a rua. Para os clubes de video (o video foi provavelmente o meio fulcral para a difusão do cinema pornografico ao nivel a que se encontra hoje), para salas especializadas (mas cada vez mais e em cada vez mais sitios) e para o conhecimento de todos.

Mas passe o sucesso que fez Deep Throath - um filme lastimável por sinal - isso faz da pornografia, Cinema? Não precisamos de ser moralistas. Não se discute aqui a natureza do acto sexual, nem a forma como é filmado, com som editado posteriormente porque, já se sabe, durante as filmagens, cabe ao realizador das as indicações aos seus "actores". Para isso basta explorar o brilhante universo que Paul Thomas Anderson criou na sua obra-prima, Boogie Nights. O que se questiona é se o acto (ou os actos, já que nos lembramos de Vincent Gallo e do seu Brown Bunny num instante). É a necessidade de se filmar que está em causa. A necessidade de levar até ao limite o cinema choque que é a exibição integral, sem qualquer pudor, do "coitus". Como se criticam os "snuff-movies", um genero assustador e cada vez mais presente, também não se pode criticar a pornografia? A verdade é que este é o genero que mais aberto está à exploração de um universo de "Home Made Movies". Será isso Cinema? Poderá isso ser integrado no leque de trabalhos que compõem a 7º Arte? Será que há realmente um genero cinematográfico chamado pornografia? A resposta não está em mim, está na própria 7º Arte.

Se o Cinema nos mostrou que a insinuação do desejo pode ser muito mais interessante do que a exibição ou demonstração do mesmo em acto, então mais claro fica que a pornografia está muito longe de poder ser considerada como elemento da 7º Arte. Não será a personagem de Marilyn Monroe em Seven Years Itch a perfeita encarnação da sexualidade, e do desejo? Não o será muito mais que qualquer cena de qualquer filme pornográfico da história? Até porque o sexo é algo pessoal, sempre foi visto dessa forma. Ninguém precisa de ver para saber o que é, como é e com quem é. Quando Elizabeth Taylor e Paul Newman terminam Cat on a Hot Thin Roof com a porta do quarto a fechar-se, todos nós sabemos o que vai acontecer. Por muito que o queiramos, não precisamos de ver mais nada. E isso meus amigos, isso é Cinema!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:38 AM | Comentários (7)
setembro 27, 2005
Trailer de Match Point
Woody Allen trocou Nova Iorque por Londres, e a julgar pelo que se falou do filme em Cannes, a troca de ares fez bem ao autor nova-iorquino. Match Point é um drama certeiro (Allen andava pelas comédias há mais de uma década) e que conta com a nova musa do realizador, Scarlett Johansson, no papel de uma jovem que seduz o novo namorado da irmã, o jovem sem escrupulos interpretado por Jonathan Rhys-Meyers, outro nome a ter em conta em terras de sua Majestado. Junta-se a isso o humor corrosivo de Allen, os desempenhos de Emily Mortimer e Brian Cox e o regresso a uma atmosfera mais negra do realizador, e temos em mãos uma pérola preciosa com estreia marcada para o dia de Natal nos Estados Unidos. Por cá teremos de esperar um pouco mais para ver o filme. Ate lá vale a pena espreitar o este novo trailer.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:31 AM | Comentários (1)
Red Eye - O Que nos Leva a Fazer o Medo?
O que mais impressiona em Red Eye é a solidez à volta da qual o filme é construido. Não há planos ou diálogos a mais. Há um enorme tacto na abordagem a uma história que poderia ter sido filmada de diversas maneiras. No entanto, era dificil que alguma fosse tão interessante como esta. E assim, aos 66 anos, Wes Craven assina o melhor filme da sua vida.
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Depois de se ter dedicado ao cinema de terror, nas suas múltiplas abordagens, ora mais horror como em A Nightmare on Elm Street (um dos piores filmes da década de 80, mas não tão mau como os seus sucessores), ora numa vertente mais kitsh - a dose tripla de Scream - a verdade é que Craven conseguiu juntar mais de trinta anos de experiência a uma base sólida de thrillers de Serie B feitos desde dias imemoriais em Hollywood, para orquestrar um filme extremamente inteligente e sóbrio.
Admirado por muitos, e indiscutivelmente um dos grandes nomes do cinema de terror das últimas duas décadas, Craven transforma-se neste Red Eye claramente. Nele há menos do cineasta que aterrorizou pequenos e graúdos, e há mais de um autor que conhece bem a origem do thriller norte-americano, na sua génese nos pequenos filmes de Serie B, e que explora essa realidade em diversos niveis. E isso acaba por fazer uma história inverosimel, quiça mesmo desinteressante, num filme captivante, sóbrio mas também extremamente brutal. Só que a brutalidade - tirando aqui e ali uma ou outra cena espantosa de violência visual - está aqui no subconsciente, no sofrimente da personagem central do filme, que se vê ameaçada, não só na sua integridade fisica mas também na dos que mais ama. E é essa dúvida que se coloca à sua volta que é explorada insistentemente ao longo do filme - deixando sempre espaços abertos para pequenas sub-plots mas que nada acrescentam - se bem que também não distraem - e que na verdade é a sua trave mestra.

Um jogo do gato e do rato - com dois actores a cumprirem (e a excederem mesmo) tudo o que se lhe pedia deles. Um jogo cruel, mas aberto a pontos de viragem nas alturas mais improváveis. E um jogo acente no medo. O omnipresente medo que começa na alusão ao medo da morte (será puro acaso que a jovem Lisa venha de um funeral?), e que passa por todos os outros pesadelos da personagem - o medo de voar, o medo da violação (cena do quarto de banho sempre a roçar um erotismo visceral, o medo de perder o pai, o medo de sacrificar inocentes) - brilhantemente explorados pelo executor, a assombração bem real de que é Jack Rippner, numa interpretação extremamente bem conseguida (a lembrar Christian Bale em American Psycho) de uma rising star. É no seu olhar, primeiro sedutor (é preciso criar o ambiente de um engano antes de o por em prática), depois assustador pela naturalidade com que está disposto a levar avante os seus planos (se bem que aqui Craven é súbtil ao criar tremores, nervosismo na sua personagem...afinal os vilões também são humanos), que se encontra a origem do medo que atormenta Liza. E é nela que vemos o reflexo desse medo, também no olhar, inicialmente quase em tom virginal e inocente, mas um tom que é rapidamente desmascarado por uma cicatriz que se vai revelar decisiva no ponto decisivo da narrativa (e aqui também a transformação de Rachel McAdams, que não nos fartamos de dizer, é um dos grandes nomes do futuro, é fabulosa). São dois excelentes desempenhos, de sofrimento e revolta no caso de McAdams, de frieza e quase despero no final, de Murphy, que sustentam a narrativa sólida montada por Craven, e que transformam o filme numa realidade humana (basta imaginar o surrealismo de Flightplan, o filme também passado em aviões que Jodie Foster acabou de estrear para perceber a diferença de nivel), e por conseguinte, em algo muito mais intenso e profundo.

Red Eye é o nome que se dá aos vôos nocturnos que atravessam os diferentes estados dos Estados Unidos. É um vôo desagradável, turbulento por vezes, um vôo que quase funciona como contraponto das estradas nocturnas dos velhos clássicos policiais de Chandler e Hammett. A noite, sempre presente na filmografia de Craven (podemos mesmo dizer que é um dos mestres na utilização do universo crepuscular) presencia esta história de coragem e medo, este duelo de David e Golias. E como o cinema será sempre o cinema, e Hollywood será sempre Hollywood, não há nada como esperar por uma vitória fácil de David. Mesmo contra todas as expectativas. E este Red Eye funciona também ele como um David se o comparar-mos com outros filmes do genero. E também neste caso, fica a ideia de que o confronto foi ganho, contra todas as probabilidades.
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O Melhor - A dupla de actores que transforma esta história em algo convincente e extremamente humano. Estamos claramente na presença de duas rising stars, sendo que Rachel McAdams dá os primeiros passos como actriz de talento acima de média, enquanto que este ano Cilian Murphy arrisca-se a ser nomeado a alguns prémios pelo seu desempenho em Breakfast on Pluto, um filme bastante interessante.
O Pior - Se exceptuarmos a improbabilidade da narrativa (afinal isto é Serie B a la Hollywood com tudo o que tem de bom...e de mau) sentimo-nos um pouco defraudados na acção final. Depois de mais de uma hora de grande intensidade emocional, os últimos minutos trocam-nos um pouco as voltas na transformação da história num duelo pessoal pouco convincente.
Curiosidade - Como tem vindo a ser hábito, Wes Craven não só dirige o filme. Também entra como figurante, seguindo o exemplo de tantos realizadores que um dia lembraram-se de que o que Alfred Hitchock fez (por necessidade) tinha piada.
Site Oficial - www.redeye-themovie.com
Realizador - Wes Craven
Elenco - Rachel McAdams, Cilian Murphy, Brian Cox, ...
Produtora - Dreamworks
Duração - 85m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:35 AM | Comentários (1)
setembro 26, 2005
Espaços a Visitar
É um weblog de cinema que se assume diferente de todos os outros. Por não ter estrelas, por não ter paciência para os criticos, por simplesmente versar sobre os gostos pessoais de um grupo de amigos que tem uma paixão conjunta: o cinema, seja lá o que isso for.
Tem como titulo o nome de um filme de Truffautt, uma técnica de filmagem que fez história, e traz uma irreverência e uma naturalidade aos blogs que escrevem sobre cinema, que nunca é demais louvar. Chama-se Noite Americana e é escrito por uma equipa composta por Rui Branco, Paulo Narigão Reis, Luis Filipe Borges, Domingos Miguel e Alexandre Borges. E vale claramente uma (ou mais) visitas. Onde? Aqui.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:39 PM | Comentários (0)
She Hate Me - Três vezes Spike
O titulo desta critica não tem muito a ver com a classificação final de She Hate Me. A verdade é que Spike Lee desdobrou-se numa tripla dimensão, que é a razão dos melhores mas também dos piores momentos deste seu filme. Porque quem quer contar três histórias, arrisca-se a não conseguir contar nenhuma.
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Tentem fazer um filme sobre mulheres lésbicas que anseiam engravidar e que para isso encontram um "garanhão" negro (e nesse aspecto Lee tem sempre cuidado em valorizar os atributos do homem negro) que precisa de dinheiro para manter um estilo de vida de altissima qualidade. Agora tentem fazer um filme sobre os escandalos financeiros que têm devastado os Estados Unidos nos últimos anos. E para terminar, façam também um filme em tons caprianos, onde a dignidade do homem negro (ou afro-americano como lá se prefere dizer) é posta em causa injustamente. Dose não é? Agora tentem fazer, não três filmes, mas só um. Impossivel?
Bem, Spike Lee achou que não. E daí sai este She Hate Me, filme que data do ano passado (o que se percebe bem na hostilização ao Partido Repúblicano, afinal, era ano de eleições) e vive na eterna ambiguidade. Isto porque não se percebendo bem qual a premissa central da história, e sabendo nós que contar três histórias tão distintas, e ligadas apenas de forma súbtil, e algo forçada admite-se, fica no final uma sensação de vazio. Mas essa é uma sensação final, porque ao longo do filme, história a história, percebemos que andou ali a mão de um realizador talentoso, irreverente, que sabe fazer cinema nos Estados Unidos sem fazer cinema de Hollywood (quantos poderão dizer isso? Allen, Jarmush, Payne, Sofia Copolla, Anderson, Shyamalan??) e que sente que ali histórias que têm de ser contadas. Mesmo em sacrificio de uma sensação final de harmonia, que nunca acontecesse (mesmo que Anthony Mackie se tenha esforçado imenso para o conseguir).

Vamos então por partes. O filme abre com a problemática das grandes fraudes finaceiras em companhias farmaceuticas, uma indústria que mexe com milhões em todo o mundo e cujas contas estão longe de ser muito claras. Aqui Lee não perdoa na forma como condena o comportamento da indústria, e mais, explora aqui o sacrificio individual de um empregado consciencioso (e não um empregado qualquer, um vice-presidente) para benificiar as cúpulas, corruptas até ao tutano. Surge aqui a imagem do jovem sacrificado, que depois vai abrir caminho á exploração das restantes histórias. Mas com o filme a voltar no final a este ponto, sentimos que se andou demasiadas vezes aos circulos confundindo-se sempre as coisas. Se por um lado a exploração do negro na sociedade americana é algo a que estamos habituados a ver em Lee, e aqui a dimensão capriana do discurso final e das suas atitudes, relativamente a esse caso, são paradigmáticas do que tem vindo a desenvolver desde sempre, a verdade é que só isso acaba por ser muito pouco. Não é o nucleo do filme quando deveria ter sido.
Neste She Hate Me, o enfoque é dado ás aventuras sexuais do jovem (de quem a sociedade não sabe se condenar ou exultar pela sua coragem, que se confunde com libertinagem, especialmente se tivermos em conta o final, muito ao jeito de um menage a trois que é mais uma brincadeira do realizador do que algo que deva ser levado a serio) de quem há pouco tinhamos estado a ver como Cristo cruxificado da indústria farmaceutica. E é neste emaranhado de situações que o filme se perde como filme. Mas, curiosamente, é nesta história que encontramos os melhores momentos de She Hates Me. Momentos de representação, onde Anthony Mackie se assume como uma clara rising-star, momentos de humor (umas vezes troçando das lésbicas, outras vezes troçando do ideal machista) e com direitos a pequenos episódios dentro da história, como a incursão de uma familia da Máfia (com John Turturro no seu 12º filme com Lee a conseguir um momento delicioso ao imitiar Marlon Brando em The Godfather) sob a desculpa de acrescentar ao leque de mulheres, a bela e sensual Monica Belluci.

E se de desempeho é dificil falar, porque o filme é Mackie, Mackie, Mackie e só depois vêm os outros (ou outras neste caso), não é demais exaltar a forma como o jovem actor, que se estreou em 8 Mile e que passou por Million Dollar Baby, se vai transformando ao longo do filme, sendo ele o único elo entre as três histórias. Para um realizador como Spike Lee, que já trabalhou com todas as pérolas negras do cinema, exceptuando Morgan Freeman, é interessante ver a escolha que fez para liderar o seu elenco. Porque Mackie é mesmo um nome a seguir. Mas não é o único. Depois do seu agradável desempenho em Ray no ano passado, pudemos confirmar que Kerry Washington é realmente uma actriz de calibre, capaz de aliar a sensualidade a momentos de forte carga dramática. E apesar de haver outros nomes ilustres no elenco (Woody Harrellson, Ossie Davies, Ellen Barkin, John Turturro, Monica Belluci), é o conjunto de desempenhos, e os pequenos gags das sessões de "fertilização" que acabam por funcionar melhor.

Depois de um 25th Hour, era dificil fazer algo muito melhor, não fosse essa uma das mais brilhantes pérolas cinematográficas dos últimos anos. Mas esperava-se um pouco mais deste She Hate Me. Esperavas-e, acima de tudo, clarividência para escolher uma história e explorá-la. Além do mais, o filme tem ainda uma quarta história, que não é bem uma história, é mais um ajuste de contas. Os sucessivos episódios sobre Watergate, e o brilhante e original genérico inicial, denotam desde logo que Spike Lee não perdeu mais uma oportunidade para alfinetar a América. Ou pelo menos a América que, segundo ele, continua a não tratar os negros (ou afro-americanos) da forma como eles merecem. Uma América personificada por Bush. Uma América desconstruida por Lee.
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O Melhor - Talvez por estar fora do contexto do filme, a cena genial em que John Turturro revisita um dos momentos mágicos de Marlon Brando em The Godfather, é genial. Uma amostra do brilhante actor que é Turturro no filme do amigo de sempre.
O Pior - As cenas em que Mackie engravida o leque de mulheres lésbicas que lhe batem á porta até estavam a correr bem, mas utilizar imagens animadas para explorar a concepção real, foi uma ideia infeliz.
Curiosidade - Com este She Hate Me, a colaboração entre Spike Lee e John Turturro chega á dúzia de filmes. Uma colaboração que teve inicio nos anos 80 e que desde aí para cá tem sido constante.
Site Oficial - www.sonyclassics.com/shehateme
Realizador - Spike Lee
Elenco - Antohny Mackie, Kerry Washington, John Turturro, ...
Produtora - Sony Pictures
Duração - 138 mClassificação - m/16
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:51 AM | Comentários (1)
setembro 25, 2005
Wedding Crashers - Humor em estado puro!
Fica sempre mal a um critico dizer bem de um filme feito para as massas. Especialmente quando é um filme que vive do humor fácil e de situações nem sempre bem exploradas. Mas sejamos irreverentes. Wedding Crashers corre o risco de ser a melhor comédia do ano.
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Estamos a falar de um dos maiores sucessos de bilheteira do mercado norte-americano (e longe vão os dias em que era fácil conquistar-se o box office). Wedding Crashers, filme assinado por David Dobkin, realizador sem nada de que se possa orgulhar no curriculum, é uma comédia hilariante. A todos os niveis. Não só na exploração da premissa inicial (um achado, com direito a twist), mas também na exploração do leque de actores que vão fazendo do filme, um imenso festival de gargalhadas. Umas mais fáceis do que outras, concedo, mas todas elas enquadradas bem no desenvolvimento da narrativa. E se esta é uma história com algumas pontas soltas (é a sensação com que ficamos sempre em filmes do genero), o que por vezes deixa os espectadores mais atentos a tentarem calcular todas as hipóteses reais ou imaginárias que a história poderia ter seguido, também é verdade que é uma ideia original e com muito mais do que parece à primeira vista.

No entanto era fácil perceber que um filme apenas e só sobre "wedding crashers" esgotar-se-ia em meia hora. Afinal a originalidade, quando não tem uma profundidade significativa, corre o risco de se esgotar facilmente. E aqui Dobkin percebeu o que tinha entre mãos e soube alternar, por duas vezes, o registo do filme. No entanto fê-lo de tal forma que nunca há um sentimento de perda. Da explosão humoristica com que o filme abre (e um dos grandes problemas das comédias recentes é demorarem muito a arrancar), à passagem pela comédia romântica (mas nunca sem tirar os olhos de situações e gags imperdiveis (a cena de jantar na casa dos Cleary, o jogo "pouco" amigável de futebol americano, a noite de Jeremy) para passar igualmente por uma fase de humor verdadeiramente negro (e aqui está uma das maiores pérolas do filme, mas que não deve ser revelada), o filme passeia por registos diferentes mas que se completam. E assim temos filme. Nada é levado até à exaustão, até à saturação. Tudo é feito com conta, peso e medida. Não há aqui a originalidade de um Big Lebowski (essa obra-prima dos Coen), mas há muito mais interesse em seguir este filme do que ver, por exemplo, uma comédia multi-consagrada como Something About Mary.

E como sempre, no universo da comédia, o essencial é o trabalho de actores. Aqui, os actores sobrepõem-se a tudo e todos. Talvez seja isso que torna a comédia um genero menor para muitos. Mas quando um actor é bom, esta arena é perfeita para si. E o exemplo mais flagrante desta ideia dá pelo nome de Vince Vaughn. Este actor fabuloso (já o digo há muito, desde o longinquo Psyco, onde Gus van Sant copiou, plano a plano, o original do mestre Hithcock), rouba todas as cenas em que entra, independentemente de quem contracena com ele. Não é só o seu aspecto fisico (detalhe quase sempre essencial neste universo) que lhe dá um carisma especial, é o estilo de humor e a forma como o transmite (já em Be Cool e Old School tinha sido assombro), que fazem dele, talvez a par de Jim Carrey, Bill Murray, Johnny Depp (quando lhe dá para isso) um dos maiores comediantes do mundo. E pena é que o seu parceiro seja Owen Wilson. Não que o actor não se saia mal, para a personagem que tem em mãos, mas é claro, há muito tempo, que nem Owen nem o irmão Luke têm estaleca para se tornarem grandes actores. A inexpressividade de Owen Wilson ao longo do filme é uma contradição quase gritante com a performance de Vaughn. E no final fazem-se as contas. E o resultado dá uma vitória esmagadora a Vaughn.
Quem também dá um ar de sua graça é Christopher Walken. Não fosse ele um verdadeiro mito, é fácil entender o porquê da escolha de Walken para um papel sem qualquer profundidade dramática ou relevância. É que ele é, Christopher Walken, independentemente do papel que faça. E o filme ganha com o seu olhar frio, a sua voz rouca e o sorriso mordaz. Á sua medida, ele também é brilhante.
E para arrumar o leque de actores, que polvinha (e bem) o filme, há que dizer que em Rachel MacAdams não está só uma menina bonita (muito, por sinal). Está uma actriz com talento e que corre sérios riscos de ofuscar depressa muitas das teenage-drama queens que a imprensa norte-americana adora publicitar. Atenção a este nome!

A capacidade de desdobramento do filme só tem igual à qualidade das cenas (nem é preciso falar-mos em "piadas", já que aqui as cenas valem pelo seu todo) de humor do filme. A montagem inicial é muitissimo bem conseguida, a banda sonora não acrescenta nada de novo mas também não é um ponto negativo, e a exploração dos cenários está bem conseguida. Competente a quase todos os niveis, e com um desempenho memorável de um candidato (improvável, mas justo) ao Globo de Ouro de comédia, Wedding Crashers funciona a todos os niveis. Funciona como comédia, funciona como feel-good movie, funciona como consciencializador (ás vezes pareceu-me ver na personagem de Wilson um pouco do Grant em None But the Lonely Hearth), e funciona como cinema divertitemento. Por muito que custe ao cinema intelectualizado, um não poderá nunca viver sem o outro. E neste caso, Wedding Crashers é um filme que vale bem todos os segundos!
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O Melhor - Não é dificil sair-se de Wedding Crashers com a certeza de que Vince Vaughn é um actor fabuloso, e cujo o futuro deve ser levado mais a sério. Esperemos é que dali não saia mais um Ben Stiller.
O Pior - A noticia de que o filme já tem sequela. Pela forma como o filme acaba é dificil imaginar que há ainda espaços a explorar nesta história. O estudio arrisca-se assim a tornar uma brilhante comédia numa sucessão de filmes, cuja qualidade promete decair a olhos vistos.
Curiosidade - Owen Wilson confessou a dificuldade que teve em conseguir filmar a cena em que é "forçado" a apalpar os seios de Jane Seymour. Acontece que a ex-Bond Girl era uma das mulheres de sonho do jovem Wilson, e ter de a confrontar em carne e osso, e em tal situação, parece não ter sido nada fácil para o actor.
Site Oficial - www.weddingcrashersmovie.com
Realizador - David Dobkin
Elenco - Owen Wilson, Vince Vaughn, Rachel McAdams, ...
Produtora - New Line Cinema
Duração - 119 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:57 PM | Comentários (2)
Será a Pornografia Um Género Cinematográfico?
Não resisti a colocar um link para esta excelente dissertação do Rui Luis Lima, um brilhante ensaista e apaixonado de cinema que regularmente nos brinda com excelentes textos no blog A Paixão do Cinema. A propósito da estreia do documentário Inside Deep Troaht,o Rui pergunta-se se a Pornografia é um género cinematográfico. A ideia dele está aqui. O Hollywood promete escrever sobre este assunto lá mais para o fim da semana.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:42 PM | Comentários (1)
Primeiras imagens da rodagem de Munich
O site Latino Review conseguiu um pacote com as primeiras imagens das filmagens de Munich, o novo filme de Steven Spielberg. As imagens foram tiradas em Paris, por um fotógrafo amador local, e dão as primeiras indicações sobre algumas das cenas do filme que se desenrolarão na capital francesa. Em destaque está Eric Bana, o fio condutor da narrativa que desenvolve a caça ao homem que foi posta em marcha pelo governo israelita após os atentados terroristas de Munique em 1972.
O filme está ainda em filmagens e muitos duvidem que esteja pronto a tempo de estrear a 31 de Dezembro, data prevista da estreia nos EUA e prazo limite para que Munich se torne elegivel aos mais badalados prémios do ano.
Cliquem na imagem para aceder á galeria.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:34 PM | Comentários (0)
setembro 24, 2005
O regresso de Copolla
Os mais novos já se habituaram a associar o nome a Sofia, a mais jovem cineasta da familia. Mas desta vez quem está de regresso (até porque Sofia ainda anda com Marie Antoinette nas mãos) é mesmo Francis Ford Copolla, o chefe de uma das familias reais do cinema norte-americano. Depois do filme The Rainmaker de 1997 o realizador afastou-se das camaras, mas agora parece estar a preparar um verdadeiro come-back.
Copolla quer adaptar e realizar Youth Without Yout, obra do romeno Mircea Eliade que conta as aventuras de um jovem professor que, antes da 2º Guerra Mundial, se vê confrontado com um evento sombrio que o obriga a fugir pela Europa. O filme ainda não tem datas, elenco ou elementos de produção. Mas vale pela noticia do regresso de um dos grandes mitos do cinema.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:06 PM | Comentários (3)
setembro 23, 2005
Posters internacionais
Não é só nos EUA que o mercado de poster se tornou quase numa pedra basilar da indústria cinematográfica. Para manter o espirito da globalização capitalista, que também acontece no mundo do cinema, os estúdios criam posters especiais para alguns dos paises onde vão divulgar os seus filmes. Esta semana temos exemplo disso com os posters alemães de Elizabethtown, Hustle and Flow (destaque para o desempenho de Terence Howard), e ainda para os posters de Harry Potter and the Goblet of Fire e Unfinished Life. Tudo filmes com estreia marcada até ao final do ano, nos Estados Unidos e provavelmente também por cá.




Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:28 PM | Comentários (0)
Os trailers da Columbia
A Columbia Pictures divulgou uma lista de trailers dos seus trunfos para o final de ano. Memoirs of a Gueisha, All the Kings Men, Rent e Fun With Dick and Jane são a grande aposta dos estúdios para conquistar o box office (e prémios) no final deste ano.
Memoirs of a Gueisha é um filme de Rob Marshall e conta a aprendizagem de uma jovem japonesa na arte de ser uma gueisha, nos anos que antecederam a 2º Guerra Mundial. Tem Zhang Zyhi, Michelle Yeoh, Gong Li e Ken Watanabe no elenco.
All the King´s Men é um remake de Steven Zaillian de um dos maiores êxitos de sempre do estúdio e retrata a ascensão e queda de um politico que começou por ser um representante fiel do povo para acabar por se tornar num corrupto como o estado do Louisiana nunca viu. Sean Penn lidera o elenco de estrelas que tem ainda Jude Law, Kate Winslet, Anthonhy Hopkins, Patricia Clarkson, Mark Ruffallo e James Gandolfini.
Fun With Dick and Jane é uma comédia ao bom velho estilo de Jim Carrey, que aqui se junta com Tea Leoni para viver um casal que, depois do despedimento do marido, tem de encontrar maneira de se sustentar. E eles insistem em faze-lo numa constante diversão.
Por fim Rent é um musical urbano que tem em Rosario Dawson o seu nome mais cintilante.
Todos os filmes têm o seu mais recente trailer colocado aqui.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:59 AM | Comentários (1)
setembro 22, 2005
Ford em caça ao homem
Volta ao universo de acção Harrisson Ford depois de algum tempo longe do estilo que o celebrizou em plena década de 80. Desta vez o popular actor viverá os dias que se seguiram ao assassinato do presidente Abraham Linclon. A sua missão é chefiar um batalhão que irá perseguir John Wilkes Booth, o assassino do presidente norte-americano. O filme de época promete ser um misto de acção e licção histórica. O veterano actor pode ter visto assim adiado o seu regresso á personagem de Indiana Jones com o inicio para os próximos meses da produção deste Manhunt.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:46 PM | Comentários (2)
Poster de The Family Stone
E que poster, pensando que este é um filme com legitimas ambições em Hollywood este ano.
Thomas Bezucha roda esta comédia à volta de uma familia, e das relações que nela existem, tendo como vértice a mãe (personagem vivida por Diane Keaton), e o seu ódio pela noiva do filho.
O filme conta, para além de Keaton, com Rachel MacAdams, Luke Wilson, Sarah Jessica Parker, Craig T. Nelson e Claire Danes. A estreia está marcada para Novembro e este é um dos nomes a ter em conta para a próxima edição dos Globos de Ouro.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:26 PM | Comentários (0)
setembro 21, 2005
O Que Estreia Por Cá - O regresso do irreverente
Ele é um dos mais aclamados realizadores norte-americanos dos últimos vinte anos, e com toda a razão. Um amante de Nova Iorque, mas acima de tudo, um amante da verdade, capaz de tudo para desmarcarar qualquer situação, Spike Lee está de regresso com mais um filme polémico. Como não podia deixar de ser...

Depois do fabuloso The 25th Hour (o melhor filme sobre o 11 de Setembro, sem ser sobre o 11 de Setembro), e com uma carreira recheada de grandes obras, o realizador negro mais activo e bem sucedido de Hollywood volta ao seu melhor. O filme é She Hate Me e aborda uma dupla polémica, que nisto de frontalidade Lee não é para brincadeiras. Por um lado há a denúncia da corrupção existente nas grandes empresas norte-americanas, e na forma como os denunciadores são silenciados. E por outro lado, Lee explora a situação polémica da gravidez por aluguer, uma arma preciosa da comunidade lésbica que se aproveita dessa situação para contornar a lei e assim poder ter filhos. O filme anda entre a comédia e o drama, como já vimos em Summer of Sam por exemplo, e conta com um excelente elenco onde Anthony Mackie, Kerry Washington, Monica Belluci, Ossie Davies e Woody Harrelsson funcionam como cabeças de cartaz.

Semana com direito a mais três estreias nas salas nacionais.
The Dukes of Hazzard segue a nova moda de Hollywood: adaptar series televisivas para o cinema a ver se pega. Mas ter Johnny Knoxville, Sean William Scott e a estreia de uma, cada vez mais voluptuosa e despedida, Jessica Simpson, não é um bom cartaz de visita. Nos EUA o filme teve o seu sucesso. Na Europa deverá passar ao lado já que este trabalho de Jay Chandrasekhar é para consumo caseiro!

20 Centimetros chega-nos de Espanha e fala sobre a problemática dos homens que querem ser mulheres mas não o podem ser, por terem no meio, os tais 20 centimetros a que o titulo alude. E por isso, sonhar parece ser a única solução. Filme de Ramon Salazar.

É o documentário que mais furor fez no inicio do ano nos Estados Unidos, recuperando o impacto gigantesco que um filme porno softcore causou na administração Nixon e numa América que se dividiu entre a curiosidade e a moralidade. Trinta anos depois o documentário Inside Deep Troath volta a experimentar a sensação de Linda Lovelace e da polémica que o filme criou.

O Hollywood Recomenda - É sempre obrigatória a visita a qualquer obra de um cineasta do valor de Spike Lee. E She Hate Me promete bastante.
O Hollywood Desaconselha - Nem é preciso dizer mas The Dukes of Hazzard tresanda muito a marketing e pouco a cinema.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:38 AM | Comentários (1)
setembro 20, 2005
Verão Quente - Scarlett Johansson

E assim acaba o Verão Quente!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:44 PM | Comentários (6)
Oscarwatching 2005 - Fim das previsões de Setembro
Bem, quinze dias depois, as primeiras previsões do Hollywood sobre a temporada de prémios que se avizinha chegam ao fim. O mais natural é que na próxima rodada, em Novembro, tudo seja diferente. É a lei de Hollywood onde nada é o que parece e onde tudo parece ter o seu momento. Vivemos, neste mês de Setembro, dias de glória para filmes, realizadores e actores, mas tudo pode mudar, e até ao dia das nomeações, as dúvidas irão continuar na mente de todos.
Quem serão os eleitos? Uma dúvida que tentamos desvendar, agora, como sempre, recorrendo ao máximo de informação possivel que nos chega dos Estados Unidos, bem como da pesquisa e do vasto conhecimento sobre a história das estatuetas douradas.
Segue-se a lista do número de nomeações por filme, nestas previsões, e marcamos encontro para o dia 15 de Novembro, data da segunda e penúltima ronda de antevisão dos nomeados aos óscares da Academia.
Nomeações
11 - Memoirs of a Gueisha
9 - The New World
7 - Jarhead, Brokeback Mountain
5 - Good Night and Good Luck. , Walk the Line, Munich
4 - Mrs Henderson´s Presents
3 - King Kong, All the Kings Men
2 - Capote, The Constant Gardener, Star Wars III, Cinderella Man, Sin City
1 - Charlie and the Chocolate Factory, War of the Worlds, The Three Burrials of Melquiades Estrada, North Country, Elizabethtown, In Her Shoes, The Family Stone, Transamerica

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:05 PM | Comentários (2)
Oscarwatching2005 - Previsões - Filme
O prémio mais cobiçado por todos os cineastas (mesmo que muitos o neguem). É a coroação máxima de um filme, de uma carreira, de um ano recheado de candidatos onde só um poderá vencer. Suceder a uma obra-prima é sempre dificil, por isso a pressão sobre quem irá suceder a Million Dollar Baby será imensa!





Munich parte como favorito. Isto apesar do filme ainda estar em rodagem, de ninguém ter visto imagens ou trechos da história. Então porquê tanto favoritismo? A razão é simples. Steven Spielberg. O cineasta tem tudo preparado para repetir o sucesso de Schindler´s List. O tema volta a mexer com a comunidade judaica (maioria na Academia), mete ao barulho a polémica do terrorismo, estreia no final de ano e tem uma máquina de publicidade a trabalhar para trazer o máximo de estatuetas para casa. O filme não tem um grande elenco e a história nem tem a mesma profundidade que o campeão de 93, mas para já, vai naturalmente á frente.
Jarhead também tem todos os condimentos para estar nos finalistas. Um filme de guerra que é mais sobre o dia a dia de um regimento norte-americano na Guerra do Golfo do que propriamente sobre a guerra, com um realizador talentoso, o apoio dos estúdios e um excelente elenco. Quem já o viu diz que é material para óscar em estado puro e por isso, é hoje visto como um favorito natural.
Memoirs of a Gueisha é um drama em terras orientais, passado nas vésperas do irromper da 2º Guerra Mundial num Japão onde as gueishas ainda eram uma realidade. Rob Marshall volta á carga depois da vitória do seu Chicago em 2002, mas um elenco exclusivamente asiático pode não cair no goto da Academia. No entanto a narrativa e o trabalho de Marshall e da sua equipa pode chegar para a nomeação. E a Columbia apoia o filme a 100%.
Good Night and Good Luck. é sempre uma escolha arriscada, mas a verdade é que o filme pintado em tons de documentário a preto e branco que Clooney construiu com devoção tem estado em alta e é a grande aposta da Warner para este. O filme tanto pode funcionar como parecer demasiado intelectual e militante para a Academia. Mas promete ser um dos melhores trabalhos do ano!
Depois de vencer o Leão de Ouro, de ter conquistado a critica e de ter colocado de lado o tabu homossexual, pelo menos para já (a Academia sabe ser muito conservadora), Brokeback Mountain afirma-se como um dos grandes filmes do ano. Com um elenco notável e um trabalho técnico e de realização muito bom, o filme naturalmente encontra-se na linha da frente. Mas o problema da relação homossexual que orienta o filme pode ser demais para a Academia, que pode, pura e simplesmente, reservar-lhe o mesmo tratamento que teve The Passion of the Christ. Mas até Dezembro, se exceptuarmos esse pequeno grande detalhe, é um claro favorito.
OUTROS CANDIDATOS
Walk the Line - Se estas previsões fossem feitas daqui a duas semanas, seria dificil não colocar Walk the Line no top5. O filme tem recebido grandes criticas, especialmente centradas no desempenho da sua dupla de actores, e o sucesso de bilheteira é o que falta para confirmar todo o potencial que a história da vida de Johnny Cash parece ter. E na hora H, o filme pode mesmo transformar-se num favorito.
The New World - Outro filme que pode tornar-se um sério candidato a chegar aos cinco eleitos é o trabalho que Terrence Malick fez sobre o choque de culturas entre nativos e colonos, como pano de fundo da conhecida história de amor da india Pocahontas e do oficial John Smith. Um filme que tem tudo para resultar!
Mrs Henderson´s Presents - É a aposta do irmãos Weinstein, o que sempre algo para levar em linha de conta. O filme de Frears acenta no notável trabalho dos seus actores, e com uma história simples e a campanha aguerrida dos seus produtores, pode tornar-se num osso duro de roer.
Cinderella Man - É dificil desistir deste filme quando ele tem tudo o que é preciso para ser nomeado. Excelente desempenhos, realização e trabalho técnico. E óptimas criticas. O que falta? O apoio do público. O filme falhou no box-office e pode ter comprometido as suas aspirações. No entanto a Universal vai lançar agora uma edição em dvd e o filme vai voltar aos cinemas. Pode ser que isso ajude a inverter uma tendência claramente injusta.
The Constant Gardener - A critica apaixonou-se pelo filme de Fernando Meirelles e rendeu-se ao desempenho de Ralph Fiennes. Contra todas as expectativas, o público também gostou e de repente este pequeno filme torna-se candidato. Mas talvez seja demasiado pequeno para os padrões da Academia. Porque se não for, é um candidato mais que natural.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:00 PM | Comentários (3)
setembro 19, 2005
Verão Quente - Diane Kruger

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:47 PM | Comentários (0)
Oscarwatching2005 - Previsões - Realizador
É sempre dificil suceder-se ao melhor realizador vivo, mas alguém terá de o fazer. Spielberg ataca o terceiro óscar mas não está sozinho. Há uma lista infindável de potenciais vencedores. É só escolher.





Steven Spielberg está ansioso por igualar Frank Capra na lista dos realizadores com três óscares da Academia. A produção de Munich foi feita a pensar exclusivamente na próxima temporada de prémios e a estreia tardia do filme confirma essa ideia. Que pode ter o seu lado positivo e negativo. Quanto a Spielberg, que é um dos maiores realizadores de sempre sem dúvida alguma, um terceiro óscar é possivel mas não é seguramente uma probabilidade tão forte quanto se pensa. Nestes casos a Academia pode achar que há outros nomes na lista, em espera, e mesmo premiando o filme, Spielberg pode ver acontecer o oposto do que sucedeu em 1998 quando venceu mas Saving Private Ryan não!
Sam Mendes é um dos meninos dourados de Hollywood e o seu sucesso em American Beauty confirmou-o como um dos mais talentosos realizadores no activo. Mas desde aí houve Road to Perdition, um tropeção que o cineasta procura compensar com Jarhead. O filme é completamente oscarizável e com ele, também Mendes. Mas um segundo óscar em tão pouco tempo também é uma aposta arriscada.
Depois de ter falhado a primeira nomeação com o aclamado Sense and Sensibility, e de ter sido derrotado por Soderbergh, no ano da sua estreia entre os nomeados com Crounching Tigger, Hidden Dragon, esta pode ser a terceira tentativa de Ang Lee para conquistar um óscar. Não será fácil já que, apesar de todo o louvor da critica ao seu trabalho em Brokeback Mountain, o filme parece ter demasiados contras para a Academia. Mas mesmo que o filme não seja nomeado, há grandes possibilidades do seu nome ser um dos cinco finalistas.
Os actores-realizadores são um fenómeno de sucesso em Hollywood, de Warren Beatty a Robert Redford, de Clint Eastwood a Kevin Costner. Este ano há dois nomes nessa categoria, mas um deles pode levar vantagem. George Clooney assina em Good Night and Good Luck. uma carta de amor ao pai, ao jornalismo, e á integridade humana. O filme tem tido grande aceitação, esteve por pouco para triunfar em Veneza, e é a grande aposta da Warner Bros este ano. Clooney é talentoso (quem viu Confessions of a Dangerous Mind sabe do que falo), é popular e um fortissimo candidato.
Habitualmente há um realizador, cujo filme não está entre o top5, que acaba nomeado. Terrence Malick pode ser esse homem se The New World não conseguir uma nomeação para Melhor Filme (nomeações técnicas estão praticamente asseguradas). O texano já viu os seus dois ultimos filmes - Days of Heaven e The Thin Red Line - nomeados, mas só conquistou uma nomeação pelo último. Pelo seu prestigio e talento, seria normal vê-lo entre os finalistas.
OUTROS CANDIDATOS
Rob Marshall (Memoirs of a Gueisha) - Perdeu um óscar que parecia certo em 2002 e não vai querer que o mesmo se repita. E a Academia pode ser sensivel a isso. Dizem-se maravilhas do seu trabalho em Memoirs of a Gueisha, mas no seu caso, será a critica e o sucesso do filme a ditarem o seu futuro.
James Mangold (Walk the Line) - A cada dia que passa fala-se cada vez mais - e melhor - de Walk the Line. E muito se deverá a este homem que tem em Taylor Hackford um exemplo que quererá certamente seguir.
Tommy Lee Jones (The Three Burrials of Melquiades Estrada) - Se a fórmula de actor-realizador falhar com Clooney, há sempre Tommy Lee Jones. O seu filme foi aclamado em Cannes e tem agora um sólido apoio da Sony Pictures. Por isso, pode bem ser uma surpresa de final de ano.
Stephen Frears (Mrs Henderson´s Presents) - Mais um realizador respeitado em Hollywood que tem aqui um trabalho que lhe pode garantir uma nomeação. No entanto, tal como Mangold, o sucesso de Mrs Henderson´s Presents será decisivo para a sua candidatura.
Fernando Meirelles (The Constant Gardener) - A sua nomeação pelo fabuloso Cidade de Deus foi surpresa. Uma segunda por The Constant Gardener seria uma confirmação. Do talento e olho deste brasileiro que descobriu um Quénia negro e transformou-o no cenário de uma história espantosa. O sucesso nas bilheteiras e na critica podem vir a ajudar na hora H.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:46 PM | Comentários (6)
setembro 18, 2005
Verão Quente - Mark Whalberg

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:43 PM | Comentários (1)
Oscarwatching2005 - Previsões - Actor
Depois de Jamie Foxx ter saído da última edição dos óscares com a estatueta dourada pelo desempenho de um verdadeiro mito norte-americano, Ray Charles, este ano também temos um sem número de actores a viverem personagens reais. E um deles até canta!





Joaquin Phoenix já foi nomeado ao óscar de melhor actor secundário. Este ano é mais que certo que vai ser nomeado pela sua encarnação de Johnny Cash em Walk the Line. Num papel dramático, que inclui momentos em que Phoenix realmente canta, a vitória já parece certa para muitos. Pode não ser tão fácil assim, mas será dificil para a caminhada de Phoenix.
Outro nome que parece ser consensual é o de Philiph Seymour-Hoffman. Actor indie de grande sucesso, em Capote parece conseguir um passaporte para a cerimónia ao viver o jornalista e escritor Truman Capote numa viagem por um universo sórdido e ficticio que também contribui para desconstruir a sua própria personagem. É um dos trabalhos mais interessantes do ano.
David Strathairn é outro nome vindo de um universo indie que tem conquistado aplausos, sendo mesmo o detentor da Copa Volpi do último Festival de Veneza. Ao viver o jornalista Edward Murrow num duelo com o polémico senador McCarthy no drama Good Night and Good Luck. de George Clooney, as hipóteses de ser nomeado são fortissimas, mas há sempre o perigo de o filme não convencer a Academia. E aí, as coisas podem complicar-se!
Ralph Fiennes tem sido dos actores mais vangloriados até ao momento. E com razão. O britânico é um dos maiores actores do mundo e há muito que lhe é devido um óscar. A critica e o público apaixonaram-se pelo seu papel em The Constant Gardener e por isso, uma nomeação parece mais que justa. Mas cuidado. No ano passado apenas um actor foi nomeado sem que o seu filme tivesse sido igualmente nomeado. E com Munich e Jarhead praticamente confirmados, pode haver tendência para o preterir perante Eric Bana ou Jake Gyllenhal.
A critica não poupa elogios, Veneze caiu a seus pés e Toronto seguiu-lhe o exemplo. Se os tabus não o impedirem, então é natural que Heath Ledger esteja nos cinco nomeados graças ao seu papel em Brokeback Mountain. No entanto, tal como Fiennes e Strathairn, se o filme ficar de fora, as suas hipóteses também diminuem!
OUTROS CANDIDATOS
Tommy Lee Jones (The Three Burrials of Melquiades Estrada) - Se Strathairn venceu Veneza, Tommy Lee Jones venceu em Cannes. Seguindo o exemplo do amigo Clint Eastwood, o actor é dirigido por ele mesmo num filme espantoso que fez furor em Cannes e Toronto. Agora com a Sony como distribuidor e com estreia no final do ano, as hipóteses do actor aumentam muitissimo, sendo claramente um favorito.
Eric Bana (Munich) - Provou em Troy ser um excelente actor. Spielberg fez dele o cabeça de cartaz de Munich e se o filme tiver o sucesso que se prevê o seu nome torna-se incontornável. Mas isso só não chega. É quem Liam Neeson ficou de fora, mesmo apesar do filme ser Schindler´s List. E a concorrência é fortissima.
Jake Gyllenhall (Jarhead) - Tal como Bana, se Jarhead conseguir o impacto e as nomeações previstas, então o seu nome torna-se automaticamente num forte candidato. Mas é dificil repetir o feito de Jamie Foxx, e uma nomeação como secundário em Brokeback Mountain parece mais provável que uma escolha como principal em Jarhead.
Cillian Murphy (Breakfast on Pluto) - Um dos actores ingleses em clara ascensão. O seu papel como travesti no filme de Neil Jordan, Breakfast in Pluto tem convencido toda a gente, e se não fosse pela concorrência fortissima e pelo facto deste ser, apesar de tudo, um filme pequeno, as suas hipóteses seriam bem maiores.
George Clooney (Syriana) - A ideia de que 2005 é o ano de George Clooney já começou a correr. Não só pelo seu papel como produtor/realizador/escritor/interprete de Good Night and Good Luck., mas também pela sua notável transformação fisica em Syriana. Clooney poderia ser o primeiro nome a receber cinco nomeações na mesma edição. Mas isso é improvável e o sucesso de Good Night and Good Luck. pode matar as suas aspirações em Syriana, e vice-versa.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:11 PM | Comentários (1)
setembro 17, 2005
Rupofobia - A Tragicomédia do dia a dia
Em tom extremamente delicado, é-nos apresentado o universo que pauta o ritmo de Rupofobia. Filmado com grande sobriedade, com um trabalho fotográfico a preto e branco exemplar, Rupofobia é uma curta-metragem que vale a pena ver. Por tudo
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O titulo é originalissimo e dá desde logo a ideia do que vamos encontrar. Uma história, um happening, sui generis, baseado numa história popular, e que é o leit motiv para que o cineasta Telmo Martins explore um universo claustrofóbico, onde uma personagem central vive um pequeno drama. Drama para o personagem, comédia para o público. Um pouco como nos habituou o cinema mudo norte-americano (e aqui as semelhanças são assombrosas com o cinema de Keaton essencialmente), e que neste caso funciona na perfeição na curta duração de 15 minutos. Tempo que chega e sobra para esta comédia grega em três actos, cada qual desenhado de forma brilhante na introdução à história (e ao personagem, já que ambos se confudem) e o seu desenvolvimento e conclusão. O drama vai dando lugar á comédia, o sorriso à gargalhada, tudo isso sempre sobre o espectro, quase mimico, do actor Alvaro Faria.

Um verdadeiro one-man show que traz uma aura espantosa ao filme. Não é só toda a sua simplicidade, toda a sua simplicidade. Ele é Harry Langdon, ele é Jacques Tati, ele é Buster Keaton, ele é todo o actor que não precisa de recorrer a gritos, a explosões. Ele é a definição perfeita do under-acting, aqui levada até ás últimas consequências de forma sublime. E se Álvaro Faria é a batuta que conduz a orquestra, mas tem um sólido apoio de uma equipa que não é exuberante porque não é preciso. Aqui é preciso competência e ela existe! E entre esse grupo está Luis Dias, que ao viver o cliente que ao concordar com a politica da casa, acaba por se colocar no extremo oposto do personagem principal. Não funciona como uma nemesis mas sim como o gatilho que despoleta a acção final. E daí a sua importância fulcral para o desenrolar da narrativa.

Se eram precisas mais provas (para aqueles que têm acompanhado a sua evolução) de que Telmo Martins é um cineasta feito, Rupofobia está aqui para tirar as duvidas. Comédia non-sense em tom sóbrio, com uma banda sonora e fotografia exemplares, Rupofobia é um universo do dia a dia, e por isso, muito simples. E é nessa simplicidade que acenta uma das grandes virtudes do filme, e do seu autor. Como a personagem de Álvaro Faria pensa (e melhor o faz), para quê complicar o que, com uma gargalhada, pode ser bem mais simples?
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O Melhor - O desempenho memorável de Álvaro Faria, uma pérola escondida do cinema nacional.
O Pior - Percebe-se que com um pouco mais de meios, o filme poderia ser ainda melhor.
Site Oficial - www.rupofobia.web.pt
Realização - Telmo Martins
Elenco - Álvaro Faria, Luís Dias, João Morgado, Ana Gonçalves
Produtora - Universidade da Beira Interior - Cybercentro da Covilhã
Duração - 15 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:24 PM | Comentários (1)
Entrevista II Parte - Telmo Martins "É preciso mais vontade dos jovens autores!"
Portugal continua a ser conhecido por esse mundo fora como o país de Manoel de Oliveira e pouco mais. Uma ideia que espelha bem a realidade do cinema nacional. E como sempre, cabe ás gerações do futuro inverterem a tendência. Porque a "Nouvelle Vague" nunca chegou a Portugal, continuamos à espera que as jovens promessas como Telmo Martins, sejam o futuro do cinema português.
É complicado ser-se um jovem autor em Portugal?
Tudo é complicado em Portugal...mas no meu ponto de vista, e como um amigo meu dizia, “azeite em água mais tarde ou mais cedo vem à superfície”. Trabalhando com garra, vontade e crença tudo se consegue…há quem não goste, mas recomendo “O Alquimista”...é muito parecido comigo.
O problema com os jovens realizadores nacionais começa na formação
profissional ou quando entram no mercado de trabalho?
Para uma boa casa se manter em pé, e não cair com uma ligeira brisa ou com um terramoto, são necessários bons alicerces. Portanto penso que o problema começa na formação, e depois com uma ligeira brisa do mercado, a casa cai.
Mas o principal problema reside no facto de as pessoas ficarem sentadas à espera que algo suceda. É preciso trabalhar…muito, para se conseguir chegar lá.
O cinema é uma mistura de muitas coisas!
Há uma certa ideia de que em Portugal se faz o mesmo filme todos os anos, anos a fio. Normalmente é cinema de autor para autor ver, deixando uma grande fatia do público do lado de fora. Sente que a falta de uma indústria cinematográfica forte é o principal problema do cinema português?
O cinema é uma mistura de muitas coisas, cinema de autor, cinema entretenimento, cinema seca e cinema divertido. Tem que existir um pouco de tudo. Quando existe muito só de uma coisa a balança fica desequilibrada.
Acho que em Portugal também é preciso cinema entretenimento, é este cinema que vai fazer com que os portugueses acreditem no cinema nacional, e se disponibilizem a ver os outros tipos.
Gosto muito de bom cinema, mas na verdade, existem muitos dias em que não me apetece nada ver um filme “para a cabeça”, mas sim ver um bom filme de acção, um bom thriller, ou uma boa comédia, que me faça esquecer o mau dia que passei.
O cinema de autor peca principalmente, por bater sempre no drama da vida, nos problemas e condição humana…bastam (pelo menos) as 18horas por dia em que estamos acordados e somos bombardeados por todos esses dramas e problemas.
Trabalhar em curtas-metragens é habitualmente um primeiro passo antes da chegada às longas-metragens. Em Portugal respeita-se o valor das curtas, ou continua a olhar-se para elas como um genero menor da produção cinematográfica?
Os espectadores começam a perceber e a gostar de verem curtas metragens. Está a deixar de ser um género menor.
De qualquer maneira, é um formato muito agradável, curto e directo…pelo menos deveriam ser assim.
Mas, claro que, se não é, deveria ser um primeiro passo para a longa metragem.

O Cibercentro da Covilhã tem vindo, aos poucos, a tornar-se conhecido por servir de base de trabalho a jovens autores. São precisos mais espaços como este pelo país, ou são os trabalhos do Cibercentro que precisam de mais divulgação?
É preciso mais vontade dos jovens autores. Com vontade de trabalhar, os jovens autores acabam sempre por conseguir um cybercentro ou outro espaço qualquer que os apoie e lhes dêem condições para trabalhar.
É um realizador premiado por alguns dos seus trabalhos anteriores e já teve presenças em festivais internacionais. Como é que os estrangeiros olham para o nosso cinema?
Muito honestamente, não sei...porem, parece-me que começam a acreditar e a dar-lhe algum valor.
Gosto de fazer filmes que relatem a parte boa da vida e não a má!
Se lhe fosse dado a escolher entre um óscar da Academia ou uma Palma de Ouro de Cannes, o que preferia. O reconhecimento na Europa, ou uma
experiência em Hollywood?
Os dois…
A realização tem futuro em Portugal? É algo que sinta que vai fazer para o resto da sua vida?
Ter futuro tem, agora pode ser um futuro mais ou menos presente.
Depende se esse futuro for mais ou menos presente, entretanto vou também trabalhando naquilo em que me estou a formar, Design Multimédia.
Como se define como realizador?
Gosto de fazer filmes que relatem a parte boa da vida e não a má. Gosto de proporcionar aos espectadores um bom momento de descontracção, em que na hora e meia em que vêm um filme se esqueçam dos seus problemas e saiam da sala com um sorriso nos lábios.
Partindo do principio que há nomes capazes de realizar com competência em Portugal, o que é que falta ao cinema português: actores, ideias ou produções ambiciosas?
Um pouco de tudo.
Telmo Marins - "Existem coisas no cinema que não se consegue e não se pode explicar!"
Rupofobia - Tragicomédia do dia a dia
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:11 PM | Comentários (0)
Entrevista - Telmo Martins "Existem coisas no cinema que não se podem nem conseguem explicar!"
É um dos jovens valores do cinema português. Já foi premiado em diversos festivais de cinema nacionais e assume-se desde já como um nome a ter em conta para o futuro. O seu mais recente trabalho, Rupofobia, estreou na passada quinta-feira nas salas nacionais como complemente da exibição do filme Um Rio... Sobre isso e sobre muito mais, Telmo Martins aceitou falar com o Hollywood.

Telmo Martins na ante-estreia de Rupofobia no Rivoli
Que dizer de um jovem que aos 27 anos é presença assidua em todos os festivais de cinema nacionais, tendo já inclusive recebido prémios pelo seu trabalho?
Este ano é Rupofobia o seu novo trabalho que já tem passaporte para os Festivais de Ovar e Montpllier. Com exibição garantida no circuito comercial, abrem-se novas portas para este jovem autor, natural de Vale de Cambra, que é também designer multimédia premiado internacionalmente. Por ser um nome em clara ascensão, impunha-se que falassemos não só de Rupofobia mas de todo o panorama cinematográfico nacional. A palavra é de Telmo Martins.
Hollywood - Ao ver-mos Rupofobia, ficamos com a ideia que o filme se movimenta no universo do cinema mudo, o mesmo espaço que nos mostrou Keaton, Chaplin, Langdon e Tati. Foi essa a principal inspiração desta curta metragem?
Telmo Martins - Não posso dizer que tenha sido a principal inspiração, para dizer a verdade acho que a principal inspiração foi a memória do meu avô, nos momentos em que me contava a anedota que o filme teve como suporte.
No entanto, um filme faz-se também durante a rodagem...as várias abordagens ao argumento vão-se criando, vão evoluindo com o trabalho dos actores, do director de fotografia e do que o realizador sente no momento de dizer "ACÇÃO". Claro que o universo das referências como Keaton, Chaplin, Langdon e Tati estão presentes no filme, mas este universo apareceu de forma natural, sem ter sido planeado.
Existem coisas no cinema que não se podem nem conseguem explicar...apenas se sentem.
O filme explora a inquietação de um empregado de balcão de um café quando confrontado com uma obsessão pela higiene do seu patrão. Apesar do desempenho do actor Alvaro Faria ter sido em tom de comédia, a verdade é que a sua personagem está a viver um pequeno drama. Foi fácil conseguir essa dupla abordagem à mesma situação?
Desde o início da escrita do guião, foi principal objectivo não cair na comédia fácil, num sketch ou num cliché. Não queríamos um filme em que os espectadores sorrissem cinquenta vezes, mas sim um filme em que os espectadores rissem com gargalhadas duas ou três vezes.
Claro que a estória é também um drama, o drama de um empregado de balcão que se sujeita a ser vítima, o que só acontece na vida real quando o permitimos.
Não foi fácil conseguir esta dualidade, mas era um objectivo primordial, e como tal, foi feito o esforço necessário por parte de todos os intervenientes no filme para consegui-lo.
Para um bom filme é imprescindível bons actores, são eles que nos arrancam das cadeiras e nos puxam para o universo e “realidade” do filme.
Quais foram as principais dificuldades com que a produção se deparou na rodagem de Rupofobia?
Tempo e dinheiro…como sempre.

Álvaro Faria, a trave-mestra de Rupofobia
O desempenho de Alvaro Faria é muitissimo bem conseguido. Acredita que ter um leque de grandes actores é só por si meio caminho para o sucesso de um filme, ou o cinema é mais do que isso?
É mais de meio caminho. Para um bom filme é imprescindível bons actores, são eles que nos arrancam das cadeiras e nos puxam para o universo e “realidade” do filme. Claro que existem muitos outros factores de grande importância para que um filme resulte, a realização, a fotografia, o som e até os figurinos e espaços são de grande importância. Todos eles “falam” e comunicam com o espectador, têm que estar no universo da estória e dos actores.
A ideia originalissima (e o titulo acrescento) ajuda a perceber um pouco que vamos testemunhar um momento praticamente non-sense. No entanto é tudo feito com imensa sobriedade. Porquê esse contraste entre o que está a acontecer e a forma como o público testemunha esse happening?
A ideia é mesmo essa. A vida acaba sempre por ser non-sense, as contrariedades, aquilo a que nós chamamos sorte ou destino, o amor o ódio…tudo isso é non-sense, mas é o que nos faz sorrir ou chorar, e no fim, o que torna a vida divertida.
O contraste é mesmo esse...é a minha maneira de ver as coisas, e a maneira de as viver. Mesmo no pior, existe sempre motivo para sorrir e seguir em frente.
Quais são para si os pontos altos da produção Rupofobia?
Relembrar uma pessoa de quem gostava muito.
O filme tem legitimas ambições a concorrer a diversos festivais. Sente que tem aqui um trabalho que pode de facto conquistar prémios, ou este é para si mais um passo na sua evolução como argumentista e realizador profissional?
São as duas coisas.
Telmo Martins - "É preciso mais vontade dos jovens autores"
Rupofobia - Tragicomédia do dia a dia
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:22 PM | Comentários (0)
Oscarwatching2005 - Previsões - Actriz
Curiosamente, pela primeira vez em muito tempo é no universo da comédia que estão as mais fortes candidatas a suceder a Hilary Swank. No entanto ainda é cedo para perceber quem é o ponei que vai à frente da corrida. Até porque este tanto pode ser um ano de estreantes, como podem confirmar a dobradinha de um talento em ascensão, vindo directamente da África do Sul.





Charlize Theron surpreendeu meio mundo ao despojar-se da sua beleza para viver a serial-killer Aillen Wournos no filme Monster. A transformação fisica ajudou, e o óscar foi pela primeira vez para a África do Sul. E agora pode ir outra vez. Num novo papel, em North Country, o tipico (e mais premiado modelo dos últimos anos) white trash girl, Charlize vai ser a primeira mulher a vencer um processo de abuso sexual no trabalho. A beleza agora está lá, o talento também, e por isso, as hipóteses de nomeação são esmagadoras.
Reese Whiterspoon é provavelmente o nome mais consensual até ao momento, entre criticos e público. Inicialmente pensava-se que o seu papel como June Cash no filme Walk the Line era secudário, mas a sua performance, que inclui cantorias, é avassalador ao lado de um também favorito Joaquin Phoenix. A nomeação por aqui também parece ser consensual e óbvia, e o globo de ouro de comédia pode ser o primeiro passo rumo à glória.
A veterania é um posto, mas o talento não tem idades, deve pensar Judi Dench que depois de um óscar algo polémico em Shakespeare in Love, ataca agora o prémio principal com o seu desempenho em Mrs Henderson´s Presents. Para os amantes de óscares a combinação parece fatal: actriz inglesa, veterana, já vencedora de um óscar de suporte, conhecida mundialmente...É dificil não ver Judi Dench como uma das favoritas.
Depois do duelo Hilary Swank-Annette Benning ter marcado os últimos anos, parece desenhar-se um novo confronto entre actrizes: Charlize Theron-Diane Keaton. A sul-africana venceu a favorita sentimental em 2003 e este ano pode voltar a faze-lo. Ou não! É essa a esperança da veterana e popular actriz que em The Family Stone volta a mostrar porque é uma das maiores actrizes da actualidade. E o segundo óscar não lhe ficava nada mal.
A quinta vaga é sempre uma caixinha de surpresas, especialmente num ano tão equilibrado como este. Quem será a nova Keisha-Castle Hughes ou Catalina Moreno? Dificil de prever. A critica no entanto já escolheu a sua favorita. Vinda do popular universo das Desperate Housewives, Felicity Huffman traz um desempenho convincente e memorável como um transexual em Transamerica. Se o tema não for demasiado chocante, esta é uma fortissima candidata a arrecadar alguns prémios, e assim, conseguir uma vaga das cinco disponiveis.
OUTRAS CANDIDATAS
Zhang Zyhi (Memoirs of a Gueisha) - É um facto, se o filme de Rob Marshall (recentemente escolhido por Tom O´Neil - o maior especialista em óscares do mundo - como um dos cinco favoritos à vitória) for realmente convincente, e se arrecadar um sem número de nomeações, então o mais natural é que a sua diva esteja entre as nomeadas. Mas como ainda ninguém viu o filme, o mistério mantem-se.
Joan Allen (The Upside of Anger) - Muitos podem ter-se esquecido dela, mas Allen continua na mente de muitos votantes. Não só pelo seu desempenho memorável em The Upside of Anger, mas por ser também uma das grandes actrizes ainda sem uma estatueta dourada. Os seus grandes problemas são mesmo a concorrência e o facto do filme ter saído muito (demasiado) cedo.
Keira Knightley (Pride and Prejudice) - Anda aí um buzz estranho à volta de Keira Knightley. Dizem que a menina bonita do cinema inglês consegue convencer tudo e todos nesta versão do livro de Jane Austen. Será que Knightley pode surpreender ou será tudo um mal entendido? Fica a dúvida.
Gwyneth Paltrow (Proof) - Outra vencedora de quem se fala que vai tentar a dobradinha é a senhora Chris Martin. No seu novo filme Proof (que esteve para ser lançado no ano passado), Gwyneth Paltrow convence critica e mesmo os mais cépticos que chegaram a dizer que ela era mesmo a pior vencedora de sempre de um óscar. Não é e este ano quer prová-lo!
Rachel Weisz (The Constant Gardener)- Imaginemos que The Constant Gardener realmente consegue superar tudo e todos e chegar em alta ás nomeações. O mais natural seria encontrarem espaço para o duo principal do filme. E assim sendo, Rachel Weisz, de quem se diz maravilhas, torna-se uma seria candidata. Muito séria mesmo!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:30 PM | Comentários (1)
Verão Quente - Pamela Anderson

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:10 AM | Comentários (1)
setembro 16, 2005
Oscarwatching2005 - Previsões - Actor Secundário
E depois da complexa lista de candidatas a suceder a Cate Blanchett, perfilam-se desde já os sucessores a Morgan Freeman. E também aqui há uma lista infindavel de candidatos. E mais uma vez, será o impacto dos filmes a decidir no final de contas, quem segue em frente e quem fica para trás.





Paul Giamatti é um dos maiores actores da actualidade, e disso poucos parecem ter dúvidas. Poucos, se exceptuar-mos os membros da Academia que há dois anos para cá se recusam a render-se ao seu talento. Este ano pode seguir o mesmo caminho, mas a esperança é que a primeira nomeação do actor aconteça mesmo pelo seu desempenho inesquecivel em Cinderella Man. O filme não teve muito sucesso é certo, mas esta performance merece uma estatueta dourada.
Geoffrey Rush é o oposto de Giamatti. A Academia parece adorar tudo o que o actor australiano faz, tendo-o já galardoado com um óscar e mais uma nomeação. Agora o actor entra no filme de Spielberg, Munich, e se o sucesso for o mesmo de Schindlers List, a nomeação pode acontecer. O principal problema, para além do sucesso do filme estar envolto em mistério, é a concorrência interna com Daniel Craig.
Outro talento em bruto que há vários anos para cá tem encantado tudo e todos com o seu talento, mas que acaba sempre esquecido pela Academia, é Peter Sarsgaard. Depois de Kinsey, Boy´s Dont Cry e Shattered Glass, o seu papel em Jarhead assume-se como a quarta tentativa do actor ser nomeado. Mas desta vez, face ao sucesso previsivel do filme, dificil será a nomeação não acontecer. A não ser que Chris Cooper e Jamie Foxx, os outros secundários do filme, atrapalhem a esperada nomeação.
Bob Hoskins é outro nome bastante popular entre a Academia, apesar de não ter sido ainda galardoado, mesmo no ano de Mona Lisa que lhe valeu quase todos os prémios, exceptuando o óscar. Este ano ele surge ao lado de Judi Dench em Mrs Henderson´s Presents e pode muito bom voltar à ribalta, se o filme for bem sucedido e se os irmãos Weinstein não tiverem perdido o toque de Midas que transforma todos os seus candidatos em nomeados certos.
A polémica do filme, e os votos divididos com os do seu papel principal em Jarhead são os grandes senãos da candidatura de Jake Gyllenhall pelo seu papel em Brokeback Mountain. Em principio a nomeação parece certa, mas é dificil prever se o conservadorismo dos votantes pode influenciar a decisão final.
OUTROS CANDIDATOS
Ken Watanabe (Memoirs of a Guisha) - O actor japonês já foi nomeado em Last Samurai e não surpreenderia ninguém uma segunda nomeação, se o filme de Rob Marshall tiver o sucesso que a Columbia tem prometido.
Ed Harris (A History of Violence) - É mais um daqueles desempenhos espantosos que só Ed Harris é capaz de conseguir. Juntando isso ás várias nomeações que já tem (o que faz acreditar que o óscar deve chegar, mais tarde ou mais cedo), e temos aqui um provável candidato à nomeação.
George Clooney (Good Night and Good Luck.) - Seria muito improvável uma quadrupla nomeação para quem quer que seja, mas George Clooney pode estar muito bem à beira de conseguir esse feito. Mas para isso tem de ser nomeado, e se nas restantes categorias onde está envolvido (argumento, realização, filme) isso parece natural, já aqui é preciso contar com a forte concorrência que o mais recente "autor" do cinema norte-americano vai encontrar.
Anthony Hopkins (Proof) - Esteve na primeira lista do Hollywood no ano transacto mas o seu desempenho em Alexander não esteve à sua altura. Este ano, quer com Proof quer com All the Kings Men, podemos assistir ao regresso de um verdadeiro gigante da arte de representação. E uma nomeação nunca é improvável.
Matt Dillon (Crash) - Falou-se muito, na altura da estreia, do papel de Dillon em Crash. No entanto todo o elenco está ao mais alto nivel o que pode comprometer a ambição de um actor apenas. Só que Dillon é um wonderboy de Hollywood que se perdeu e agora parece querer reencontrar-se. E a Academia adora essas histórias!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:10 PM | Comentários (7)
Robert Wise : 1914 - 2005
Faleceu ontem Robert Wise, um dos maiores nomes da era dourada de Hollywood.
O realizador começou a sua carreira nos anos quarenta como editor, tendo trabalhado em The Magnificent Ambersons, onde fez a montagem que Orson Welles amaldiçoaria como não sendo dele. Depois dedicou-se a realizar filmes, tendo começado com The Curse of the Cat People, filme que tentava já explorar o universo noir de ficção cientifica.
Wise venceu no entanto quatro óscares da Academia (dois como produtor e dois como realizador) graças a dois musicais que fariam história, já nos anos 60: West Side Story e The Sound of Music. O realizador terminou a sua carreira com Star Trek, em 1979, tendo depois apenas feito dois pequenos filmes antes da sua retirada definitiva.
Robert Wise faleceu ontem em Los Angeles, vitima de uma paragem cardiaca. Tinha 91 anos de idade!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:44 PM | Comentários (0)
Verão Quente - Claudia Vieira

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:13 AM | Comentários (678)
setembro 15, 2005
Verão Quente - Leonor Seixas

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:55 PM | Comentários (22)
Oscarwatching2005 - Previsões - Actriz Secundária
Chegamos então ás categorias mais populares e mais amadas pelo público, as categorias de interpretação. E o primeiro nome a sair do envelope é o da actriz secundária, e como as senhoras estão sempre em primeiro lugar, começamos por aí. E que luta que se antevê para 2005, não só entre várias rivais de filmes diferentes, como várias actrizes que disputam contra colegas do próprio filme. Há, pelo menos, três casos desses: Brokeback Mountain, Memoirs of a Gueisha e In Her Shoes. Mas já lá vamos. Para já ficam as cinco candidatas principais.





Shirley McLaine é provavelmente uma das maiores actrizes de sempre da história do cinema norte-americano. Já nomeado ao óscar mais de seis vezes, conquistou-o apenas numa ocasião, em Terms of Endearment. Este ano, como mãe de Cameron Diaz em In Her Shoes, a veterana actriz assume-se como uma das grandes favoritas do ano. O principal senão será a competição interna com Tony Collette, que também parece ter conquistado a critica com o seu desempenho.
Outra veterana é também Susan Sarandon. A actriz, que tem estado afastada dos grandes momentos há alguns anos atrás, está agora em destaque pelos eu desempenho mordaz em Elizabethtown, filme de Cameron Crowe. A performance é digna de elogios mas o principal problema pode revelar-se o suceso que o filme terá (ou não) no final do ano.
Se Memoirs of a Gueisha tiver o impacto previsto, então a nomeação da actriz Michelle Yeoh é mais do que provável. A veterano actriz chinesa interpreta a mentora da personagem principal do filme de Rob Marshall, interpretada por Zhang Zyhi, e tem-se destacado face à concorrência interna, ou o mesmo será dizer, face a Gong Li, outra eventual candidata.
Catherine Keener vem directamente do universo de Truman Capote para conquistar tudo e todos. A actriz que já foi vista em Being John Malkovich vive a esposa do polémico e turbulento escritor, interpretado magistralmente por Philiph Seymour-Hoffman, e o impacto do filme para já tem levado a quer o seu nome seja um dos mais mencionados do ano até ao momento. Resta saber se o filme manterá este apoio até Dezembro, ou se será um "one man show" de Hoffman.
A ultima vaga costuma habitualmente surpreender e este ano há várias candidatas a esse posto. Talvez a Academia se renda à naturalidade e sentido de representação de Q´Orianka Kilcher, a jovem que Terence Malick descobriu para viver a personagem Pocahontas no filme The New World. Mas o grande senão é este ser um filme mais artistico que interpretativo, o que poderá comprometer seriamente as suas aspirações, abrindo as portas a nomes como Maria Bello ou mesmo Scarlett Johansson.
OUTRAS CANDIDATAS
Maria Bello (A History of Violence) - Desde o festival de Cannes que se fala na profundidade e no notável desempenho desta jovem actriz no mais recente trabalho de Cronenberg. No entanto, a sua nomeação estará sempre ligada ao sucesso do filme.
Scarlett Johansson (Match Point) - Apesar de já ter em mãos uma serie de notáveis desempenhos, especialmente nos dois últimos anos, a Academia parece alérgica ao nome de Scarlett Johansson. Em Match Point, o drama de Woody Allen, há uma boa hipótese de reconciliação. E Allen é conhecido por "dar" óscares às actrizes que trabalham consigo. Que o digam Diane Keaton, Dianne Wiest e Mira Sorvino.
Michelle Williams/Anne Hathaway (Brokeback Mountain) - É dificil prever como é que a Academia vai reagir ao mais recente campeão de Veneza. A polémica tanto pode destruir as pretensões do filme (vide The Passion of Christ), como o apoio da critica pode leva-lo a sonhar bem alto. Presas a esse destino estão estas duas jovens promessas do cinema norte-americano, que vivem aqui as companheiras, reais mas não sentimentais, da dupla de cowboys apaixonados.
Frances McDormand (North County) - Já galardoada com um óscar da Academia, a actriz Frances McDormand tem-se especializado em papeis de suporte nos últimos anos. Em North County ela acompanha Charlize Theron na sua luta contra o assédio sexual de que a jovem foi vitima. Uma doença misteriosa e algumas lágrimas à mistura são sempre armas que conquistam a Academia.
Meryl Streep (Prime) - A rainha das nomeações volta à carga este ano. Depois de em Manchurian Candidate ter tido um dos melhores desempenhos do ano transacto, falhando no entanto a nomeação, este ano é em Prime, filme com Uma Thurman em destaque, que a actriz se apresenta na máxima força. Streep pode nem ser favorita, mas o seu nome é sempre de menção obrigatória.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:38 PM | Comentários (3)
Brokeback Mountain - Amor em três actos

Heath Ledger e Michelle Williams

Jake Gyllenhall e Anne Hathaway

Heath Ledger e Jake Gyllenhal
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:27 PM | Comentários (0)
Imagens de The New World
Depois do poster e do trailer, o novo filme de Terence Malick tem direito a uma nova galeria de imagens. O site DarkHorizons disponibilizou uma serie de imagens deste épico histórico, pintado em tons de drama e com o habitual perfeccionismo do realizador australiano. O filme conta a conhecida história de Pocachontas, a india que se apaixona por um colono britânico e que vê a sua vida mudar quando troca o Novo Mundo pelo reino britânico. O filme joga essencialmente com o choque de culturas que marcou a colonização do continente norte-americano.
O elenco é de respeito, com Colin Farrell, Christopher Plummer, Christian Bale, David Thewlis e Q´Orianka Kilcher nos principais papeis. A estreia nos EUA estava prevista para 1 de Novembro mas pode sofrer um adiamento devido a problemas na montagem final do filme. Para ver a galeria bastar carregar na imagem.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:20 PM | Comentários (0)
setembro 14, 2005
Oscarwatching 2005 - Previsões : Argumento Adaptado





Se a categoria de melhor argumento adaptado é habitualmente a mais equilibrada e competitiva, este ano parece fugir à regra, já que há muitos candidatos para apenas duas vagas. E deixar um filme de fora é arriscar o erro claramente. Mas como só cinco podem ser eleitos, as nossas primeiras apostas jogam no seguro.
Jarhead é a adaptação de um livro de grande sucesso sobre a vida de uma companhia norte-americana na 1º Guerra do Golfo. O argumento de William Broyles Jnr já foi aplaudido pelos poucos que viram o filme, e resta saber agora se o filme terá o impacto que muitos prevêm.
Brokeback Mountain é talvez o argumento mais poético do ano, uma verdadeira história de amor universal que já conquistou Veneza e que se prepara para partir ao ataque em todas as direcções. Só o tabu gay de Hollywood pode impedir que Larry McMurty e Diana Ossana consigam a nomeação.
The Constant Gardener já foi apelidada como uma das melhores adaptações de um livro ao cinema. Não por ser uma adaptação literal, mas por manter por completo o espirito do autor dentro de um registo que tem levado a que o filme seja já considerado como um dos melhores do ano. John Le Carré acompanhou as filmagens e está deliciada com o trabalho de Jeffrey Caine. Resta saber se não é o único.
Dan Futterman trabalhou afincadamente no argumento de Capote e pode agora ver os seus esforços recompensados. Afinal o filme tem conquistado a critica que já teve a possibilidade de o ver, e o guião que tem possibilitado um desempenho memorável de Philiph Seymour-Hoffman, dificilmente será esquecido na hora H.
Akiva Goldsmith já teve em mãos