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setembro 10, 2005

Cinderella Man - Capra, segundo Howard

Depois da visão crua da vida e do boxe que Eastwood pintou de forma subtil mas brilhante, chegou a vez de Howard descer ao universo dos ringues para pregar um evangelho que não é seu. Ron Howard segue os ensinamentos do mestre Capra, neste drama intenso e com um tremendo coração.
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Os "cinderella man" foram o material que Frank Capra moldou ao longo de quase vinte anos de realização. Mesmo quando eles já estavam completamente fora de moda, o mitico realizador, muito provavelmente o maior entre os gigantes, continuava a acreditar neles. Só que o público norte-americano tinha-os já trocado pelos jovens rebelde e pelos herois sem causas. E durante anos, salvo raras excepções, esses herois ficaram adormecidos. Mas não esquecidos. E calhou que fosse um contemporâneo dessa era, de homens vulgares (os miticos John Does) e ideias nobres, o barro sob o qual Ron Howard moldou o seu melhor filme de sempre. Cinderella Man é o titulo acertado, não só por ser realmente a alcunha do pugilista James J. Bradock, mas porque encara um espirito, uma forma de fazer cinema, da qual Frank Capra se tornou o Messias, e quem o imitasse, o seu profeta. Howard aqui traz muito do seu cinema, especialmente na sua forma um tanto académica de filmar, de alternar os planos, dos campo-contra campos, da forma como o trabalho técnico se alia ao desempenho dos actores. Mas o coração do filme, esse, é directamente inspirado em filmes como Mr Deeds Goes to Town ou Mr Smith Goes To Washington. E se não refiro It´s a Wonderful Life, a maior obra prima da história do cinema, é para não exagerar nas comparações que se poderiam criar.
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Cinderella Man não está claramente à altura de nenhum desses filmes. Mas, se exceptuarmos Million Dollar Baby (comparação injusta é certo), este é sem dúvida o melhor filme de boxe alguma vez feito, batendo aos pontos a crueza do universo scorsesiano de Raging Bull ou de Rocky, até ao ano transacto, o único filme de boxe a ser galardoado pela Academia. Se Cinderella Man é assim tão bom, não quer dizer que seja do melhor que há. Tem pontos baixos, falhas, como é habitual no cinema de Howard, que apesar de não comprometer muito tem sempre um tom mainstream que ás vezes o impede de voar. E tem claramente um gigantesco erro de casting em Renée Zellweger, que continua a não convencer ninguém dos seus talentos como actriz, apesar do óscar e dos milhões que vai cobrando por filme. Provavelmente Cinderella Man não será, fechadas as contas, o melhor filme de 2005. Num ano em que há The Constant Gardener, Good Night and Good Luck, Brockback Mountain, Crash, Munich e tantos outros filmes que prometem mais do que as estrelas, é dificil dizer-se, assim de antemão, que aqui está um serio candidato ao titulo. Faltará ao filme mais momentos biggers than life, faltará um contra-ponto decente a Crowe, e talvez, um tom um pouco mais cru nos episódios em Hooverville, onde, por instantes, o New Deal pudesse ser questionado como Ford fez em The Grapes of Wrath.
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Como sempre Russell Crowe mostra ser a escolha perfeita para o papel (ele que nunca deve ter tido um papel que não lhe acentasse como uma luva), demonstrando porque é, a par de Hanks, Depp, Penn, Washington e Fiennes, um dos maiores actores do mundo. O heroi capriano está lá, no seu olhar profundo e cada vez mais humano. Na pose, no sentimento e numa das cenas mais duras e belas que certamente iremos ver este ano e nos próximos, quando Bradock é obrigado a pedir esmola junto da comissão de boxe. Um momento magnifico onde todo o heroismo se torna real, porque é humano como nunca o foi. Aí Crowe é mais o Fonda de The Grapes, do que o Cooper e Stewart dos Mr. de Capra. O que torna a sua performance ainda mais completa. E no ringue, o seu olhar, a sua pose transforma-se e é mais Jack La Motta, ofuscando mesmo um qualquer Robert de Niro. E também, continuando a mostrar todo o seu gigantesco talento, está Paul Giamatti, num desempenho memorável, cheio de vida, de garra, verdadeiramente truculento e irónico. Giamatti é soberbo em todas as cenas do filme, e afirma-se cada vez mais como um serio candidato a melhor performance secundária do ano.
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Fábula pintada em diversos tons, conforme o cenário que alterna entre o ringue e o dia a dia, e a luta pela sobrevivência, de uma familia em plena Grande Depressão, com uma clara inspiração na obra de Capra e com um suave perfume de Ron Howard, que assina aqui o seu maior trabalho, e com um trabalho técnico extremamente competente, Cinderella Man supera todas as expectativas. Ficamos a perguntar-nos o porquê do falhanço nas bilheteiras (o que aconteceu ao público americano que ignora um all american movie?), e mais, fica a dúvida. O material está todo lá. Resta saber se o sucesso na Europa e as óptimas criticas serão suficientes para aguentar o filme até Janeiro. Se Bradock venceu, contra todas as expectativas, é natural que Howard também possa sonhar. Mesmo que a vida nem sempre seja uma fábula.

Classificação - cinderella!.gifcinderella!.gifcinderella!.gifcinderella!.gifmeia_estrela.gif

O Melhor - O desempenho inesquecivel de Paul Giamatti, e a garra com que são filmadas as cenas de boxe, capazes de deixar os espectadores vibrarem com o combate como se estivessem no ringue.

O Pior - O desempenho de Renée Zellweger. Definitivamente a actriz tarda em convencer e continua a ser um erro de casting onde quer que entre.

Curiosidade - A actriz Rosemarie de Witt, que encarna a personagem Sara, mulher da personagem de Paddy Considine, é neta de James J. Bradock. A jovem é filha da única filha do pugilista, Rosemary que no filme é encarnada pela jovem Ariel Waller.

Site Oficial - www.cinderellamanmovie.com

Realizador - Ron Howard
Elenco - Russell Crowe, Renée Zellweger, Paul Giamatti, ...
Produtora - Universal
Classificação - m/12
Duração - 144 m

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às setembro 10, 2005 12:40 AM

Comentários

Sou um apaixonado da modalidade e sou um praticante de competição! E o q tenho a dizer sobre o filme é q é mais a historia sobre o se passou na vida deste homem do q propriamente sobre o seu desempenho como pugilista. Adoro o actor e sinceramente acho q esteve bastante bem...

Publicado por: Miguel às agosto 15, 2006 01:56 AM

Sou um apaixonado da modalidade e sou um praticante de competição! E o q tenho a dizer sobre o filme é q é mais a historia sobre o se passou na vida deste homem do q propriamente sobre o seu desempenho como pugilista. Adoro o actor e sinceramente acho q esteve bastante bem...

Publicado por: Miguel às agosto 15, 2006 01:56 AM

Sou um apaixonado da modalidade e sou um praticante de competição! E o q tenho a dizer sobre o filme é q é mais a historia sobre o se passou na vida deste homem do q propriamente sobre o seu desempenho como pugilista. Adoro o actor e sinceramente acho q esteve bastante bem...

Publicado por: Miguel às agosto 15, 2006 01:55 AM

Sou um apaixonado da modalidade e sou um praticante de competição! E o q tenho a dizer sobre o filme é q é mais a historia sobre o se passou na vida deste homem do q propriamente sobre o seu desempenho como pugilista. Adoro o actor e sinceramente acho q esteve bastante bem...

Publicado por: Miguel às agosto 15, 2006 01:55 AM

Sou um apaixonado da modalidade e sou um praticante de competição! E o q tenho a dizer sobre o filme é q é mais a historia sobre o se passou na vida deste homem do q propriamente sobre o seu desempenho como pugilista. Adoro o actor e sinceramente acho q esteve bastante bem...

Publicado por: Miguel às agosto 15, 2006 01:54 AM

um filme realmente muito bom.

Publicado por: maik às abril 2, 2006 01:02 PM

Sem dúvidas o filme é excelente. Mostra um pouco da luta da vida, o poder de se provocar mudanças, mostrando que a melhora de vida é possível, ao contrário do que é pregado ideologicamente no mundo capitalista. Em adendo, o filme mostra uma história real, o que dá mais ênfase à mensagem de garra e esperança que o filme passa para os expectadores.

Publicado por: Pedro Filho às setembro 30, 2005 07:20 AM

Um muito grande filme. Sem dúvida. Mas discordo quando dizes que ele, quando comparado com os filmes sobre o boxe, é melhor que o Raging Bull. As temáticas são diferentes, e a própria concepção estética varia entre as duas obras. Para além disso, não consegui evitar, enquanto via Cinderella Man, a comparação das cenas de pugilismo deste com o filme de Scorsese. A maneira como elas são filmadas é muito parecida, o que mostra que Howard se inspirou, e bem, na obra do realizador italiano. Por exemplo, o modo como ele mostra os planos subjectivos, com a desfocagem da câmara. O modo como a câmara viaja no ringue. Para além, claro, dos intertítulos iguais que dizem qual é o combate. Já agora, concordo que seria injusta a comparação com o MDB, visto este ser uma obra à parte.
De resto, Russell Crowe está neste momento nos píncaros. É gigantesco, e merece o Óscar para melhor actor. Já a Renée tb vai muito bem. Permite-me discordar contigo. Ia desconfiado pois já tinha lido que ela ia mal no filme. Fazia de esposa estereotipada, de poucas falas, etc. Acho injusto. Ela faz o papel de esposa americana, que tenta ser forte. Que não quer que os filhos a vejam chorar. E vai bem na minha opinião. Além de que os seus olhos azuis são um bonito contraponto ao olhar, também azulado, de Russell Crowe. Os miúdos também vão bem.
De resto, que mais dizer? A montagem está muito mas mesmo muito bem conseguida. Além de que a composição estética o uso da cor principalmente, está muito bem feito. Cores fortes nos momentos de fausto e alegria. Cores cinzentas e mortas na maior parte do filme, na época de depressão.
ROn Howard está a realizar o código da vinci. Agora estou com mais espernça que seja bom. Pena sincera tenho que o actor que eu achava mellhor para o papel de Langdon não o faça: Russell Crowe.
Abraço e continuação de bom trabalho!!!!

Publicado por: Duarte Sousadias às setembro 15, 2005 06:24 PM

Pelo menos alguém gostou do filme...pelas críticas anteriores que li pensei que fosse o pior filme do ano!!

Publicado por: Jorge às setembro 10, 2005 05:54 PM

Um dos melhores filmes do ano não haja duvidas disso!

Publicado por: André Batista às setembro 10, 2005 03:13 PM

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