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setembro 17, 2005

Entrevista II Parte - Telmo Martins "É preciso mais vontade dos jovens autores!"

Portugal continua a ser conhecido por esse mundo fora como o país de Manoel de Oliveira e pouco mais. Uma ideia que espelha bem a realidade do cinema nacional. E como sempre, cabe ás gerações do futuro inverterem a tendência. Porque a "Nouvelle Vague" nunca chegou a Portugal, continuamos à espera que as jovens promessas como Telmo Martins, sejam o futuro do cinema português.

É complicado ser-se um jovem autor em Portugal?

Tudo é complicado em Portugal...mas no meu ponto de vista, e como um amigo meu dizia, “azeite em água mais tarde ou mais cedo vem à superfície”. Trabalhando com garra, vontade e crença tudo se consegue…há quem não goste, mas recomendo “O Alquimista”...é muito parecido comigo.

O problema com os jovens realizadores nacionais começa na formação
profissional ou quando entram no mercado de trabalho?

Para uma boa casa se manter em pé, e não cair com uma ligeira brisa ou com um terramoto, são necessários bons alicerces. Portanto penso que o problema começa na formação, e depois com uma ligeira brisa do mercado, a casa cai.
Mas o principal problema reside no facto de as pessoas ficarem sentadas à espera que algo suceda. É preciso trabalhar…muito, para se conseguir chegar lá.


O cinema é uma mistura de muitas coisas!


Há uma certa ideia de que em Portugal se faz o mesmo filme todos os anos, anos a fio. Normalmente é cinema de autor para autor ver, deixando uma grande fatia do público do lado de fora. Sente que a falta de uma indústria cinematográfica forte é o principal problema do cinema português?

O cinema é uma mistura de muitas coisas, cinema de autor, cinema entretenimento, cinema seca e cinema divertido. Tem que existir um pouco de tudo. Quando existe muito só de uma coisa a balança fica desequilibrada.
Acho que em Portugal também é preciso cinema entretenimento, é este cinema que vai fazer com que os portugueses acreditem no cinema nacional, e se disponibilizem a ver os outros tipos.
Gosto muito de bom cinema, mas na verdade, existem muitos dias em que não me apetece nada ver um filme “para a cabeça”, mas sim ver um bom filme de acção, um bom thriller, ou uma boa comédia, que me faça esquecer o mau dia que passei.
O cinema de autor peca principalmente, por bater sempre no drama da vida, nos problemas e condição humana…bastam (pelo menos) as 18horas por dia em que estamos acordados e somos bombardeados por todos esses dramas e problemas.

Trabalhar em curtas-metragens é habitualmente um primeiro passo antes da chegada às longas-metragens. Em Portugal respeita-se o valor das curtas, ou continua a olhar-se para elas como um genero menor da produção cinematográfica?

Os espectadores começam a perceber e a gostar de verem curtas metragens. Está a deixar de ser um género menor.
De qualquer maneira, é um formato muito agradável, curto e directo…pelo menos deveriam ser assim.
Mas, claro que, se não é, deveria ser um primeiro passo para a longa metragem.

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O Cibercentro da Covilhã tem vindo, aos poucos, a tornar-se conhecido por servir de base de trabalho a jovens autores. São precisos mais espaços como este pelo país, ou são os trabalhos do Cibercentro que precisam de mais divulgação?

É preciso mais vontade dos jovens autores. Com vontade de trabalhar, os jovens autores acabam sempre por conseguir um cybercentro ou outro espaço qualquer que os apoie e lhes dêem condições para trabalhar.

É um realizador premiado por alguns dos seus trabalhos anteriores e já teve presenças em festivais internacionais. Como é que os estrangeiros olham para o nosso cinema?

Muito honestamente, não sei...porem, parece-me que começam a acreditar e a dar-lhe algum valor.

Gosto de fazer filmes que relatem a parte boa da vida e não a má!

Se lhe fosse dado a escolher entre um óscar da Academia ou uma Palma de Ouro de Cannes, o que preferia. O reconhecimento na Europa, ou uma
experiência em Hollywood?

Os dois…

A realização tem futuro em Portugal? É algo que sinta que vai fazer para o resto da sua vida?

Ter futuro tem, agora pode ser um futuro mais ou menos presente.
Depende se esse futuro for mais ou menos presente, entretanto vou também trabalhando naquilo em que me estou a formar, Design Multimédia.


Como se define como realizador?

Gosto de fazer filmes que relatem a parte boa da vida e não a má. Gosto de proporcionar aos espectadores um bom momento de descontracção, em que na hora e meia em que vêm um filme se esqueçam dos seus problemas e saiam da sala com um sorriso nos lábios.

Partindo do principio que há nomes capazes de realizar com competência em Portugal, o que é que falta ao cinema português: actores, ideias ou produções ambiciosas?

Um pouco de tudo.

Telmo Marins - "Existem coisas no cinema que não se consegue e não se pode explicar!"
Rupofobia - Tragicomédia do dia a dia

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às setembro 17, 2005 08:11 PM

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