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setembro 17, 2005

Entrevista - Telmo Martins "Existem coisas no cinema que não se podem nem conseguem explicar!"

É um dos jovens valores do cinema português. Já foi premiado em diversos festivais de cinema nacionais e assume-se desde já como um nome a ter em conta para o futuro. O seu mais recente trabalho, Rupofobia, estreou na passada quinta-feira nas salas nacionais como complemente da exibição do filme Um Rio... Sobre isso e sobre muito mais, Telmo Martins aceitou falar com o Hollywood.

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Telmo Martins na ante-estreia de Rupofobia no Rivoli

Que dizer de um jovem que aos 27 anos é presença assidua em todos os festivais de cinema nacionais, tendo já inclusive recebido prémios pelo seu trabalho?
Este ano é Rupofobia o seu novo trabalho que já tem passaporte para os Festivais de Ovar e Montpllier. Com exibição garantida no circuito comercial, abrem-se novas portas para este jovem autor, natural de Vale de Cambra, que é também designer multimédia premiado internacionalmente. Por ser um nome em clara ascensão, impunha-se que falassemos não só de Rupofobia mas de todo o panorama cinematográfico nacional. A palavra é de Telmo Martins.


Hollywood - Ao ver-mos Rupofobia, ficamos com a ideia que o filme se movimenta no universo do cinema mudo, o mesmo espaço que nos mostrou Keaton, Chaplin, Langdon e Tati. Foi essa a principal inspiração desta curta metragem?

Telmo Martins - Não posso dizer que tenha sido a principal inspiração, para dizer a verdade acho que a principal inspiração foi a memória do meu avô, nos momentos em que me contava a anedota que o filme teve como suporte.
No entanto, um filme faz-se também durante a rodagem...as várias abordagens ao argumento vão-se criando, vão evoluindo com o trabalho dos actores, do director de fotografia e do que o realizador sente no momento de dizer "ACÇÃO". Claro que o universo das referências como Keaton, Chaplin, Langdon e Tati estão presentes no filme, mas este universo apareceu de forma natural, sem ter sido planeado.
Existem coisas no cinema que não se podem nem conseguem explicar...apenas se sentem.


O filme explora a inquietação de um empregado de balcão de um café quando confrontado com uma obsessão pela higiene do seu patrão. Apesar do desempenho do actor Alvaro Faria ter sido em tom de comédia, a verdade é que a sua personagem está a viver um pequeno drama. Foi fácil conseguir essa dupla abordagem à mesma situação?

Desde o início da escrita do guião, foi principal objectivo não cair na comédia fácil, num sketch ou num cliché. Não queríamos um filme em que os espectadores sorrissem cinquenta vezes, mas sim um filme em que os espectadores rissem com gargalhadas duas ou três vezes.
Claro que a estória é também um drama, o drama de um empregado de balcão que se sujeita a ser vítima, o que só acontece na vida real quando o permitimos.
Não foi fácil conseguir esta dualidade, mas era um objectivo primordial, e como tal, foi feito o esforço necessário por parte de todos os intervenientes no filme para consegui-lo.

Para um bom filme é imprescindível bons actores, são eles que nos arrancam das cadeiras e nos puxam para o universo e “realidade” do filme.

Quais foram as principais dificuldades com que a produção se deparou na rodagem de Rupofobia?

Tempo e dinheiro…como sempre.

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Álvaro Faria, a trave-mestra de Rupofobia

O desempenho de Alvaro Faria é muitissimo bem conseguido. Acredita que ter um leque de grandes actores é só por si meio caminho para o sucesso de um filme, ou o cinema é mais do que isso?

É mais de meio caminho. Para um bom filme é imprescindível bons actores, são eles que nos arrancam das cadeiras e nos puxam para o universo e “realidade” do filme. Claro que existem muitos outros factores de grande importância para que um filme resulte, a realização, a fotografia, o som e até os figurinos e espaços são de grande importância. Todos eles “falam” e comunicam com o espectador, têm que estar no universo da estória e dos actores.

A ideia originalissima (e o titulo acrescento) ajuda a perceber um pouco que vamos testemunhar um momento praticamente non-sense. No entanto é tudo feito com imensa sobriedade. Porquê esse contraste entre o que está a acontecer e a forma como o público testemunha esse happening?

A ideia é mesmo essa. A vida acaba sempre por ser non-sense, as contrariedades, aquilo a que nós chamamos sorte ou destino, o amor o ódio…tudo isso é non-sense, mas é o que nos faz sorrir ou chorar, e no fim, o que torna a vida divertida.
O contraste é mesmo esse...é a minha maneira de ver as coisas, e a maneira de as viver. Mesmo no pior, existe sempre motivo para sorrir e seguir em frente.


Quais são para si os pontos altos da produção Rupofobia?

Relembrar uma pessoa de quem gostava muito.


O filme tem legitimas ambições a concorrer a diversos festivais. Sente que tem aqui um trabalho que pode de facto conquistar prémios, ou este é para si mais um passo na sua evolução como argumentista e realizador profissional?

São as duas coisas.

Telmo Martins - "É preciso mais vontade dos jovens autores"
Rupofobia - Tragicomédia do dia a dia

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às setembro 17, 2005 07:22 PM

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