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setembro 17, 2005
Rupofobia - A Tragicomédia do dia a dia
Em tom extremamente delicado, é-nos apresentado o universo que pauta o ritmo de Rupofobia. Filmado com grande sobriedade, com um trabalho fotográfico a preto e branco exemplar, Rupofobia é uma curta-metragem que vale a pena ver. Por tudo
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O titulo é originalissimo e dá desde logo a ideia do que vamos encontrar. Uma história, um happening, sui generis, baseado numa história popular, e que é o leit motiv para que o cineasta Telmo Martins explore um universo claustrofóbico, onde uma personagem central vive um pequeno drama. Drama para o personagem, comédia para o público. Um pouco como nos habituou o cinema mudo norte-americano (e aqui as semelhanças são assombrosas com o cinema de Keaton essencialmente), e que neste caso funciona na perfeição na curta duração de 15 minutos. Tempo que chega e sobra para esta comédia grega em três actos, cada qual desenhado de forma brilhante na introdução à história (e ao personagem, já que ambos se confudem) e o seu desenvolvimento e conclusão. O drama vai dando lugar á comédia, o sorriso à gargalhada, tudo isso sempre sobre o espectro, quase mimico, do actor Alvaro Faria.

Um verdadeiro one-man show que traz uma aura espantosa ao filme. Não é só toda a sua simplicidade, toda a sua simplicidade. Ele é Harry Langdon, ele é Jacques Tati, ele é Buster Keaton, ele é todo o actor que não precisa de recorrer a gritos, a explosões. Ele é a definição perfeita do under-acting, aqui levada até ás últimas consequências de forma sublime. E se Álvaro Faria é a batuta que conduz a orquestra, mas tem um sólido apoio de uma equipa que não é exuberante porque não é preciso. Aqui é preciso competência e ela existe! E entre esse grupo está Luis Dias, que ao viver o cliente que ao concordar com a politica da casa, acaba por se colocar no extremo oposto do personagem principal. Não funciona como uma nemesis mas sim como o gatilho que despoleta a acção final. E daí a sua importância fulcral para o desenrolar da narrativa.

Se eram precisas mais provas (para aqueles que têm acompanhado a sua evolução) de que Telmo Martins é um cineasta feito, Rupofobia está aqui para tirar as duvidas. Comédia non-sense em tom sóbrio, com uma banda sonora e fotografia exemplares, Rupofobia é um universo do dia a dia, e por isso, muito simples. E é nessa simplicidade que acenta uma das grandes virtudes do filme, e do seu autor. Como a personagem de Álvaro Faria pensa (e melhor o faz), para quê complicar o que, com uma gargalhada, pode ser bem mais simples?
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O Melhor - O desempenho memorável de Álvaro Faria, uma pérola escondida do cinema nacional.
O Pior - Percebe-se que com um pouco mais de meios, o filme poderia ser ainda melhor.
Site Oficial - www.rupofobia.web.pt
Realização - Telmo Martins
Elenco - Álvaro Faria, Luís Dias, João Morgado, Ana Gonçalves
Produtora - Universidade da Beira Interior - Cybercentro da Covilhã
Duração - 15 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às setembro 17, 2005 08:24 PM
Comentários
Pois bem.. Confesso que ate me sinto ligeiramente mal ao ver um comentário meu entre comentários de pessoas realmente entendidas no assunto! Mas, mesmo assim, não posso deixar passar esta oportunidade, até porque posso n ser uma especialista no assunto, mas conheço bem este "moçoilo" que realizou "Rupofobia"... Sei dos seus sonhos, das suas lutas, das vitórias (graças a Deus), da sua força!!
Adorei a curta metragem por todos os motivos e mais algum...
Para ti meu mano querido fica a minha salva de palmas pelo magnífico filme, pela tua força e empenho e por seres sempre o mano que adoro!!!
Publicado por: A mana babada às setembro 19, 2005 01:10 AM