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outubro 31, 2005
Hollywood Acusado de Plágio - Direito de Resposta
É uma acusão demasiado grave para ficar sem resposta. O direito de resposta é, aliás, um direito que assiste a todos os cidadãos injustamente difamados. Foi o que aconteceu comigo, director do Hollywood, por um blogger que apreciava bastante, Rui Luis Lima, autor do blog A Paixão do Cinema.
Devem recordar-se que, aquando da estreia do documentário Inside Deep Troath, o Hollywood publicou um artigo de opinião - inaugurando as quartas-feiras opinativas por cá - sobre se a Pornografia seria cinema. Dias antes, o Rui Luis Lima escreveu exactamente um artigo sobre esse mesmo tema - como muitas revistas, sites e blogs certamente - que eu li, gostei e recomendei no Hollywood, algo que não é muito usual, mas que, naquele caso, era merecido. Ficou prometido para dias depois a opinião do Hollywood sobre o tema, já avisado estavam que era em muito semelhante, até porque havia influências comuns na maneira de pensar do Rui Luis e minhas. E assim, dias depois, nasceu o artigo de opinião "Será a Pornografia Cinema?".
Em que consiste esta infame acusação?
Diz no seu blog o Rui Luis Lima que o trabalho de "copista" foi muito bem feito. Para que não restem dúvidas, aqui fica o artigo dele.
Onde ele vê copismo eu vejo o mesmo tópico, a mesma questão mas, absolutamente, desenvolvimentos diferentes. Onde ele se esforça por falar do filme original, eu dedico mais tempo à própria questão de genero. Não existe uma frase, uma única expressão semelhante. Basta ler e comparar. A única situação comum, a questão "será a pornografia um género cinematográfico?" foi a questão da semana em várias publicações e Rui Lima não é proprietário dela. Tenho seguido o trabalho de Rui Lima com atenção mas de uma coisa ele pode ter a certeza:o Hollywood não necessita de inspirações e, muito menos, de plagiar o trabalho dos outro.
Infelizmente o Hollywood já foi muitas vezes plagiado por outros blogs. Não sou cego, tenho olhos de ver. Mas nunca me incomodei muito, não por não ser grave, mas porque não achei que valia a pena o trabalho. E por saber o que é o plágio, sinto-me duplamente injustiçado nesta acusação.
O Hollywood é um dos blogs mais visitados de Portugal. Tem milhares de visitas por dia há ano e meio e nunca plagiou nenhum texto. Não seria agora que iria começar. Não o foi! Acusar o Hollywood de plágio é indigno de qualquer um e poder-se-ia esperar de qalquer um mas nunca do Rui Luis Lima. Faze-lo publicamente, sem qualquer percepção do sentimento de honra de um individuo, sem qualquer pré-aviso, é manifestamente cobarde. Comportamentos destes num espaço que devia ser de pluralismo e de amizade nunca poderão ser bem vindos. O Hollywood tem os seus admiradores e os seus detractores. Mas ambos reconhecem o valor e a honestidade deste espaço. Quando se coloca em causa a honra sem provas - Rui Lima não apresentou nenhuma, nem mesmo uma simples frase - abre-se a porta para os mais vis comportamentos. Há alguns meses noticiei um blog que se divertia a gozar com este espaço. Agora, infelizmene, sou obrigado a defender a honra deste espaço de ataques sem sentido, vindos de alguém que admirava sinceramente.
Pela última vez, o Hollywood não alinha em plágios. Nunca o fez nem nunca o fará. E não pode deixar passar acusões deste calibre. Insultos deste género apenas nos deixam ver que, é triste mas é verdade, infelizmente, nem todos são o que parecem ser!
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:52 PM | Comentários (18)
Antevisão - Jarhead
Não é um filme de guerra. É um filme sobre a guerra. Sobre o impacto que ela tem num pelotão em plena Guerra do Golfo. Não esperem batalhas, cenas de um heroismo nunca antes visto. Neste pelotão não há herois, só homens vulgares. Para eles, estar ali não significa nada. E este é um filme sobre a monotonia de se ser soldado.

O novo filme de Sam Mendes estreia na próxima sexta-feira nos Estados Unidos mas muito pouca gente sabe o que esperar. O critico David Poland, um dos mais respeitados criticos de cinema norte-americano, arrasa o filme de alto a baixo. Outro dos grandes nomes da critica americana, Emmanuel Levy, pelo contrário, exalta a coragem de Mendes em fazer um filme de guerra nada convencional. Em que ficamos?
O facto é que desde há muito que uma nuvem de incerteza paira sobre Jarhead. O livro escrito por Anthony "Swoff" Sworfford, marine norte-americano estacionado no Iraque durante a Guerra do Golfo, foi um sucesso de vendas e a história pareceu interessante o suficiente para conseguir convencer Mendes a voltar á realização, depois do fracasso que foi Road to Perdition. A verdade é que o jovem realizador inglês, depois do sucesso de American Beauty, não esperava uma reacção tão negativa ao seu trabalho seguinte, e desde então tem-se mantido afastado de Hollywood. Será que este seu regresso segue as linhas do seu primeiro filme, um trabalho de grande imaginação e irreverência, ou terão ficado sequelas da eperiência falhada que foi o filme de gangster com Tom Hanks, o mais improvável dos assassinos a sangue frio, a liderar o elenco?

A história de Jarhead é bem diferente da que encontramos nos outros filmes de guerra que têm feito o mosaico da sociedade norte-americana dos últimos trinta anos. Semelhanças com Deer Hunter, Apocalipse Now, Platoon ou The Thin Red Line não devem surgir ao longo do filme. Aqui há mais um sentimento herdado directamente de Full Metal Jacket, mas com uma visão menos negra e mais divertida do que é ser um marine. O próprio titulo - alusivo ao corte raso dos soldados norte-americanos - indica que não estamos diante de uma história convencional. Seguimos o soldado Swoof, um jovem acabdo de chegar ao Iraque. Não interessa aqui a sua posição sobre legitimidade da guerra, dos mortos inocentes, das baixas entre os colegas ou nada que se lhe pareça. Em Swoof há uma imensa despreocupação por tudo á sua volta. E é para explorar esse vazio que existe nos soldados durante uma guerra - não as suas preocupações ou sentimentos sobre a guerra - que vive a suprema ironia de Mendes. Entre o dia a dia, a monotonia das mesmas caras e das mesmas paisagens, vão-se criando laços de amizade no pelotão, vivem-se situações embaraçosas, mas nunca se vive como um soldado. Ou, pelo menos, como o soldado que o cinema idealizou e que todos nós nos fartamos de ver, filme atrás de filme, onde só muda o actor. A personagem, essa é sempre a mesma.

No elenco deste Jarhead destaca-se Jake Gyllenhal. O jovem actor está a ter o ano da sua vida. Para além de viver o protagonista do filme é ainda parte do elenco de Brokeback Mountain e Proof, dois titulos interessantes e a seguir com atenção. Com o seu ar masculo, o corte de cabelo á tropa, e uma imensa frieza, Gyllenhal consegue viver bem a sua personagem, com um enorme á vontade, e isso é meio caminho andado para seguir o espirito do Swoof original. Já á sua volta vive um imenso pelotão de figuras e figurões onde há o eterno instrutor durão - neste caso vivido com estilo pelo recém-oscarizado Jamie Foxx - o amigo insperável de Swoff - mais um papel inesquecivel de Peter Saasgard ao que se pensa - e um grupo de competentes actores, prontos a viver estes quase "não-soldados".
E a comandá-los está o talentoso Mendes, que continua a ser demasiado irreverente para muitos. Dono de uma ironia mordaz, o britânico encontra neste palco de guerra bem actual, a base perfeita para desenvolver uma teoria sobre o nada, com todo o peso simbólico que isso acarreta.

Uma das cenas mais faladas do filme centra-se á volta de um grupo de soldados que decide ir ver um filme pornográfico. O entretenimento está garantido, mas, a meio da projecção, um dos recrutas descobre na actriz, a sua mulher. Poland critica a falta de emotividade da cena. Talvez a essência de Jarhead esteja nisso mesmo. Nem tudo tem de ser emotivo apenas porque o cinema assim o tem feito nos últimos 100 anos. Há momentos em que os sentimentos, sejam eles de compaixão, amizade, diversão, desaparecem num burraco. Fica um vazio. O vazio que uma bala deixa no corpo de um soldado. O vazio que uma retirada em pleno campo de batalha deixa na alma de um homem. O vazio que Sam Mendes nos quer mostrar em Jarhead.
O QUE SE DIZ
"Jarhead presta tributo a uma unidade militares, neste caso os snippers dos Marines, ao mostrar que o espirito de equipa e a natureza do grupo, ao mesmo tempo que nunca neglegencia as especificidades de cada um dos soldados."Emmanuel Levy.com
"Jarhead é o Seinfeld da temporada...um filme sobre nada!"David Poland - The Hot Button
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:25 PM | Comentários (0)
O Jovem Lecter
Depois do sucesso de The Silence of the Lambs, têm surgido uma série de filmes sobre a personagem interpretada originalmente por Anthony Hopkins. No entanto, Red Dragon e Hanniball estiveram muito longe do sucesso do filme original. Agora surge mais uma quarta adaptação da tenebrosa personagem.
Em Behind the Mask : The Young Hanniball, tenta-se voltar atrás no tempo e perceber-se as origem do assassino mais popular dos últimos anos. Para viver a personagem que gosta de comer censores com um pouco de Chianti, foi escolhido o jovem francês Gaspard Ulliel.
Rhys Ifans, Kevin McKidd, Richard Brake e Gong Li completam o elenco do filme dirigido por Peter Webber. O filme, que será narrada pelo próprio Hopkins, estreia em Maio de 2006.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:23 PM | Comentários (0)
Gerard Depardieu diz adeus
Um dos maiores actores europeus de sempre está pronto para se despedir do mundo do cinema. Gerard Depardieu tem vindo a interpretar nas últimas quatro décadas papeis inesqueciveis, tendo talvez atingido o ponto mais alto da sua carreira com Cyrano de Bergerac. Agora, aos 56 anos diz que está na hora de parar.
O seu último filme foi Michou d´Auber mas foram seis os filmes que protagonizou no último ano. Previsto estava o seu regresso á divertida aldeia dos irredutiveis gauleses, mas parece que os produtores de Asterix vão ter de encontrar um novo Obelix.
Depardieu despede-se assim, mas muitos acreditam que será um "até já" e não o irredutivel adeus à profissão que o celebrizou nos quatro cantos do mundo.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:16 PM | Comentários (1)
Lord of War - Não há arma que lhe valha!
O que é suposto apanhar neste Lord of War? Um documentário sobre o tráfico de armas nos últimos vinte anos, narrados de forma maçadora e sem qualquer sentido cinematográfico, ou o drama inexistente de uma personagem que se pedia mais trabalhada, mas que, percebe-se, não tem história suficiente para ser digna de um filme. De qualquer das formas, Lord of War (diz-se War Lord) é um dos fracassos do ano!
Filme de ![]()

O filme começa. A apresentação, muito imaginativa, leva-nos a seguir o percurso que faz uma bala, desde o seu "nascimento" até ao momento em que se ajola no crânio de uma qualquer criança num qualquer país da África subsariana. Já aqui temos uma ideia do que vai sair. Uma serie de lugares comuns, cheios de ideias politicamente correctas sobre o mal que as armas causam no mundo, que os vilões são, não só os grandes ditadores, mas os grandes paises mundiais. Tudo isso se confirma com o texto que surge no final do filme. Ora, se o que se antevia ao inicio é o que é escarrapachado no ecrã quando o filme termina, a ideia que se tem do que ficou pelo meio nunca pode ser atraente. Ou melhor, poder podia. Só que neste caso, definitivamete não o é.
Talvez o grande defeito do filme comece no primeiro plano após o genérico. De forma muito cuidadosa (e pretenciosa) Andrew Nichol lá filma balas muito arrumadnhas no chã de um qualquer país em guerra, e encontramos depois Yuri Orlov. Qual anfitrião de um show televisivo, ele apresenta-se e apresenta o filme. Será o nosso narrador durante toda a duração da longa-metragem, qual documentário National Geographic. Há narradores e narradores. Morgan Freeman em Shawshank Redemption ou Million Dollar Baby é o exemplo de como se deve utilizar um narrador num filme. Neste filme, Nicholas Cage, consegue o oposto. Mostra tudo o que não se deve fazer. Texto superfulo, narrativa que deveria ser explorada em imagens é reduzida a meia dúzia de frases, imagens que dispensavam mil palavras, são substituidas por uma verborreia verbal incontrolável. Nichol pensa certamente que o seu público não é dos mais inteligentes, porque tem clara dificuldade em acreditar que o negócio de tráfico de armas, uma paixão por uma mulher deslumbrante ou o vicio da droga, tem de ser algo explicado por um narrador. É nesse paternalismo, bastante irritante, que o filme se vai movendo. O que está em causa, nem é a vida de Yuri Orlov, pouquissimo interessante e ainda menos recomendável (va lá, pensamos nós, ao menos ele não vende ao Bin Laden).
É o comportamente dúbio que Nichol tem para com o negócio de armas, o verdadeiro protagonista do filme.

Por um lado, Nichol apresenta o lado fascinante e sedutor deste tipo de vida. Apesar da figura de Orlov - interpretada com os habituais tiques de Nicholas Cage, que é de longe, o melhor que o filme tem para oferecer - ficamos imediatamente com a ideia de que não há nada sedutor e atraente no tráfico de armas .Mas o realizador-argumentista lá demora o seu tempo a perceber isso, e utiliza um pouco a imagem do frágil irmão mais novo (pessimo desempenho de um actor que ainda não provou que o é verdadeiramente, Jared Leto) para servir de escape. Pelo meio temos o conflito entre traficantes - com um final brutal visualmente, mas patético narrativamente - e uma serie de lugares-comuns que o humor de Cage vai colmatando com algum estilo, que nunca encontramos no guiã. As persoangens são as mais superfulas possiveis (Leto, Moynahan, Holm, Hawke) e é o próprio Cage que se limita a transportar cá para fora a ideia turbulenta que tem de Orlov. Pena não ter tido um guião mais interessante. A sua presença na Libéria, no meio do ditador local e do seu filho desvairado, não acrescenta absolutamente nada aquele que devia ser o tema em foco. Para além de algumas frases politicamente correctas e alguns dados estatisticos, mais maçadores que o orçamento de Estado, não encontramos a mensagem profunda que se esperava contra o tráfico de armas. Nem contra, nem a favor, nem nada. E hoje em da um filme sem mensagem que se quer fazer passar por um filme cheio de mensagens, é um logro. É assim o cinema existencialista de Gus Van Sant (quem descobrir alguma mensagem na sua última trilogia faça o favor de o comunicar á redação) e é assim esta aventura no universo das kalashnikovs e afins. Há alguns sinais do compromisso politico que existe á volta do negócio, da brutalidade do tráfico de armas nas populações (a melhor cena do filme é quando uma jovem pergunta a Orlov se o seu braço volta a crescer), mas estão tão escondidos, e feitos com tão pouca mestria, que chega a meter dó.
No final de contas, Lord of War é um falhanço em toda a linha porque não ter qualquer ironia e sarcasmo que se aproveite, e porque falha em enterter, aquele que certamente seria o seu segundo objectivo, por pura incompetência daqueles que deliniaram o projecto final de um filme do qual se esperava bem mais.
Classificação - ![]()
O Melhor - O desempenho de Nicholas Cage. Apesar de estar longe da sua melhor forma, continua a ser um dos actores mais versáteis e talentosos do cinema norte-americano.
O Pior - O estilo narrativo adoptado e a falta completa de ideais e de ideias.
Curiosidade - O filme é baseado numa personagem veridica que ainda hoje trafica armas pelo mundo, causando milhares de mortos todos os anos. Mas curiosamente, no final do filme, a culpa atribuida aos governos dos cinco maiores paises, quase que desculpa as duas horas de filme a que assistimos.
Site Oficial - www.lordofwarthemovie.com
Realizador - Andrew Nichol
Elenco - Nicholas Cage, Ian Holm, Jared Leto, ...
Produtora - Lions GateDuração - 122 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:50 AM | Comentários (13)
outubro 30, 2005
Novidades de elencos
Delirious é o novo filme de Tom DiCillo e conta com um elenco muito interessante. Steve Buscemi, Alisson Lohman e Michael Pitt estão juntos neste filmes sobre um fotógrafo (Buscemi) que quer tirar a melhor foto da sua carreira. Pelo caminho vai encontrar um sem abrigo (Pitt) e uma actriz celebre, e juntos vão entrar numa relação de amor-ódio a três. O filme tem estreia agendada para Dezembro do próximo ano.
Johnny Depp vai ser a estrela da adaptação de Shantaram. O filme conta a história de um viciado em heroina que acaba por se tornar médico num bairro de lata na India, e que por amor, se vai juntar a uma causa: a guerra do Afeganistão. O argumento vai ser escrito por Eric Roth, depois da primeira adaptação por parte do autor do livro, Gregory David Roberts, não ter convencido os estúdios.
Depois de Clive Owen e Julliane Moore terem sido confirmados no elenco de Children of Men, agora foi a vez de Chewitel Ejiofor juntar-se á equipa do novo filme de Alfonso Cuaron. Ejiofor vai ver o lider de um bando de rebeldes pronto a raptar o primeiro bebé nascido em vinte anos, bebé esse que é protegido por Clive Owen.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:19 AM | Comentários (1)
Aquelas frases...
"Liberty Valance taking liberties with the liberty of the press?"

in The Man Who Shoot Liberty Valance
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:24 AM | Comentários (0)
outubro 29, 2005
Brad "Jesse James" Pitt
Continua em filmagens o novo filme de Brad Pitt, o western The Assassination of Jesse James by The Coward Robert Ford. O filme, como o titulo bem explicita, conta a história da morte do famoso pistoleiro Jesse James, morto á traição por um dos membros do seu bando. No filme Pitt é Jesse James e Casey Affleck será Robert Ford. O filme é dirigido por Andrew Dominik.
Entretanto a actriz Angelina Jolie, abandonou as filmagens do filme animado Beowful, quando o seu colega Ray Winstone comentou com a imprensa que Jolie e Brad Pitt tinham já dado o nó. Jolie terá voado para junto de Pitt e ameaça só voltar ás rodagens do novo trabalho de animação de Robert Zemeckis, quando Wisntone pedir publicamente desculpa.
Cliquem na imagem de Brad Pitt para consultar a restante galeria das filmagens.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:17 AM | Comentários (1)
Lohan junta-se a Bobby
O novo filme de Emilio Estevez vê a cada semana que passa o seu elenco a ficar cada vez mais completo. Apesar de nenhum actor ter sido ainda escalado para viver a personagem que dá o titulo ao filme - Robert "Bobby" Kennedy - a verdade é que esta semana três novos actores se juntaram ao elenco.
Entre eles o destaque vai claramente para Lindsay Lohan. A problemática "teen-queen" tinha pedido que olhassem para ela como uma actriz séria e a resposta parece ter sido imediata. Depois de ter rodado o novo Altman, A Prairie Home Companion, a actriz de 18 anos vai viver uma jovem que casa com um rapaz que quer assim evitar ir para a guerra do Vietname, mas que acaba por se apaixonar pelo irmão do seu novo marido. Esta é apenas uma das várias histórias que vão percorrer os corredores do hotel onde Robert Kennedy está instalado no seu último dia de vida.
Quem também se juntou ao elenco foram Shia La Beouf e Brian Geraghty que também está no elenco de Jarhead.
Bobby tem estreia agendada para o próximo ano e conta já com Anthony Hopkins, Demi Moore, Elijah Wood, Sharon Stone e ainda Emilio Estevez que também dirige o filme.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:36 AM | Comentários (0)
outubro 28, 2005
Oscarwatcing - Vencer sem campanha?
A grande noticia que chega esta semana do universo oscarwatching centra-se à volta do desejo expresso de Joaquin Phoenix em não fazer qualquer tipo de campanha à volta da sua mais que certa nomeação ao óscar de Melhor Actor. O actor confessou já que não tem qualquer desejo em fazer sessões com os membros da imprensa estrangeira em Hollywood e com alguns dos lobies da Academia, e que depois das habituais conferências de imprensa aquando da estreia - a 30 de Novembro - de Walk the Line, mas ninguém o vai ver a publicitar o seu trabalho.
Espera-se que o estúdio o faça por ele - a Fox tem uma forte campanha apostada á volta deste filme - e quanto á sua colega de filme e também provável nomeada, Reese Whiterspoon, espera-se igualmente uma campanha feroz. mas com a corrida de melhor actor cada vez mais complexa, a questão central é se é possivel triunfar sem apostar numa campanha forte, como aconteceu no ano passado com Jamie Foxx.

Num artigo para a FoxNews, Roger Friedman fala ainda do facto dos outros dois grandes favoritos ao óscar - Philiph Seymour-Hoffman e David Straiharn, não serem nomes muito conhecidos do público, e também não estarem dispostos a entrar em campanhas ferozes. Além do mais ambos vêm de filmes pequenos, tendo em conta as grandes produções do ano que começam agora a chegar ás salas, e por isso as suas próprias produtoras não têm grande espaço de manobra.
Mas se Phoenix parece estar certo (e Hoffman também, apesar de haver quem duvide do seu real potencial junto da comunidade actores, que é quem nomeia os cinco finalistas). a verdade é que a corrida está totalmente aberta. Tanto Ralph Fiennes como Viggo Mortensen, Johnny Depp, Tommy Lee Jones ou Cilian Murphy apresentam-se como representantes de filmes de pequeno orçamento que correm o risco de serem potenciais nomeaveis. E contra eles estarão os actores em destaque nos filmes do ano, tais como Eric Bana, Jake Gyllenhal, Russell Crowe, Heath Ledger, Colin Farrell e o próprio Phoenix. Será que no final o peso da campanha publicitária que já se sabe que os grandes estúdios vão fazer para promover os seus actores poderá fazer a diferença em relação aos potenciais nomeados vindos de filmes de pequena projecção? Ou, pelo contrário, será o carisma que cada um colecciona dentro do grupo de actores que faz parte dos quadros da Academia que fará a diferença? O lado para que pender a balança determinará sempre o alinhamento dos nomeados, que poderá ser totalmente diferente num caso ou noutro. Tirando aqui o exemplo de Johnny Depp e Russel Crowe, a maioria destes nomes são vistos como, ou muito jovens (Bana, Gyllenhall, Ledger, Phoenix, Murphy), ou muito fora do padrão preferido da Academia (Mortensen, Fiennes, Lee Jones, Seymour-Hoffman, Straiharn). Parecendo que não, isso poderá fazer muita diferença no final de contas. E recusar-se a fazer publicidade poderá ser um grande risco para qualquer actor, mesmo para o principal favorito.

Esta semana também estiveram em destaque as nomeações para os primeiros prémios independentes do ano. Por serem organizações independentes, o seu impacto junto da Academia ou da imprensa estrangeira de Hollywood é muito reduzido. Mas estas nomeações servem para confirmar nomes e deitar outros por terra. Nos BIFA ficou confirmado o potencial de três filmes: Mrs Henderson Presents, The Libertine e The Constant Gardener. Dos três, talvez só o primeiro consiga discutir as categorias principais, mas para os actores dos outros dois filmes isto são claramente boas noticias. Já em relação aos Gotham Awards, nota positiva para o filme Crash que continua a ser falado, apesar da estreia ter já quase meio ano, e para a confirmação de Brokeback Mountain, Capote, A History of Violence e Good Night and Good Luck. como os filmes que mais provavelmente vão conquistar os prémios da critica este ano.

E por falar em outros prémios, em destaque estive igualmente o National Board of Review. Apesar de ser uma das mais antigas instituições a atribuir prémios, e por se ter afirmado como aquela que abre, oficialmente, a temporada, o National Board of Review (ou NBR) sempre foi misterioso por nunca realmente ninguém conhecer os seus membros. Não era uma organização de criticos, produtores ou elementos de qualquer sindicato. E esta semana a polémica estalou com alguns antigos membros do NBR a acusarem a associação de ser uma organização sem qualquer sentido, apenas com o intuito de proteger interesses pessoais. Uma polémica que promete continuar até porque os grandes rivais do NBR - as associações de criticos especializados - vão aproveitar-se certamente desta polémica para deixar bem vincado o seu habitual "ódio" em relação aos prémios do National Board of Review.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:11 PM | Comentários (0)
Libertine e Mrs Henderson Presents dominam nomeados aos BIFA
Os prémios de cinema independente britânica lançaram hoje - tal como os seus congeneres de Nova Iorque - os nomeados aos prémios dos melhores do ano. Duas produções inglesas que se prevê que tenham algum impacto nos EUA - Mrs Henderson Presents e The Libertine - lideram a corrida com oito nomeações cada. Logo atrás vêm The Constant Gardener, filme dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles mas de produção britânica, e A Cock & Bull Story.

Mrs Henderson´s Presents é uma das grandes promessas do ano. Apoiado pela máquina publicitária dos irmãos Weinstein e com forte apelo da critica britânica, o filme conta com uma Judi Dench em grande forma. A actriz foi nomeada - é uma das favoritas ao óscar - e a ela juntam-se na categoria de melhor actriz, Natasha Richardson (Asylum), Emily Watson (Wah-Wah), Joan Allen (Yes) e Rachel Weisz (The Constante Gardener).
Jonnhy Depp está em destaque também ao liderar o elenco de The Libertine, filme também da nova companhia dos irmãos Weinstein, e que lhe pode valer a terceira nomeação consecutiva ao óscar. O actor é favorito para vencer a categoria de melhor actor mas tem forte concorrência por parte de Ralph Fiennes (The Constant Gardener) e Bob Hoskins (Mrs Hendersons Presents). Para além destes surgem nomeados Chiwetel Ejiofor (Kinky Boots) e Matthew MacFayden (In My Father´s Den).
Fernando Meirelles, Stephen Frears, Michael Winterbottom, Neil Marshall e Laurence Dunmore são os cinco concorrentes ao prémio de melhor realizador.
Destaque ainda para os cinco filmes estrangeirs escolhidos pelo juri dos BIFA. Crash, Der Untergang, Broken Flowers, The Woodsman e Sequestro Express.
Os BIFA anunciam os vencedores a 30 de Novembro e vão aproveitar para homenagear na cerimónia de entrega dos prémios a jovem Keira Knightley e ainda a actriz Tilda Swinton.
NOMEADOS
MELHOR FILME
A Cock & Bull Story
The Constant Gardener
The Descent
The Libertine
Mrs Henderson Presents
MELHOR ACTOR
Ralph Fiennes – The Constant Gardener
Matthew MacFadyen – In My Father’s Den
Chiwetel Ejiofor – Kinky Boots
Johnny Depp – The Libertine
Bob Hoskins – Mrs Henderson Presents
MELHOR ACTRIZ
Natasha Richardson – Asylum
Rachel Weisz – The Constant Gardener
Judi Dench – Mrs Henderson Presents
Emily Watson – Wah-Wah
Joan Allen - Yes
MELHOR ACTOR/ACTRIZ SECUNDÁRIOS
Rob Brydon – A Cock & Bull Story
Bill Nighy – The Constant Gardener
Rosamund Pike – The Libertine
Tom Hollander – The Libertine
Kelly Reilly – Mrs Henderson Presents
MELHOR PROMESSA
Thelma Barlow – Mrs Henderson Presents
Alex Nathan Etel – Millions
Emily Barclay – In My Father’s Den
Samina Awan – Love + Hate
Rupert Friend – The Libertine
MELHOR REALIZADOR
Michael Winterbottom – A Cock & Bull Story
Fernando Meirelles – The Constant Gardener
Neil Marshall – The Descent
Laurence Dunmore – The Libertine
Stephen Frears – Mrs Henderson Presents
MELHOR ARGUMENTO
Martin Hardy – A Cock & Bull Story
Jeffrey Caine – The Constant Gardener
Geoff Dean & Tim Firth – Kinky Boots
Frank Cotrell Boyce – Millions
Martin Sherman – Mrs Henderson Presents
MELHOR ESTREIA DE UM REALIZADOR
Annie Griffin – Festival
Julian Jarrold – Kinky Boots
Laurence Dunmore – The Libertine
Gaby Dellal – On A Clear Day
Richard E Grant – Wah-Wah
MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Broken Flowers
Crash
Downfall
Sequestro Express
The Woodsman
MELHOR DOCUMENTÁRIO BRITÂNICO
Andrew & Jeremy Get Married
Black Sun
Liberace of Baghdad
McLibel
Sisters In Law
MELHOR TRABALHO TÉCNICO
Peter Christelis - ( Montagem) – A Cock & Bull Story
César Charlone - (Fotografia) – The Constant Gardener
Jon Harris - (Montagem) – The Descent
Sandy Powell - (Guarda-Roupa) – Mrs Henderson Presents
Ben van Os - (Direção Artistica) – The Libertine
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:51 PM | Comentários (0)
Nomeados aos Gotham Awards
Começa a temporada de nomeados aos diversos prémios que de Novembro a Março vão discorrer sobre o que de melhor se fez em cinema no ano de 2005. E cabe aos Gotham Awards abrir a temporada com algumas surpresas e outras confirmações.
Brokeback Mountain, Capote, A History of Violence, Keane e Me And You And Everyone We Know são os cincos trabalhos nomeados para melhor filme. Surpresa na ausência de Good Night and Good Luck. e confirmação no potencial de Capote para competir com titulos já consagrados como os filmes de Ang Lee e David Cronenberg.
Para o prémio de melhor elenco (os Gotham Awards não atribuem prémios individuais aos actores), estão nomeados Crash, Good Night and Good Luck., Brokeback Mountain, Nine Lives e The Squid and the Whale.
Uma diferença deste prémio para os restantes é a sua aposta em valorizar os primeiros trabalhos de jovens autores. Daí as categorias de melhor perfomance de estreia e melhor estreia como realizador. No primeiro caso os nomes eleitos foram Terrence Howard (Hustle and Flow), Amy Adams (Junebug), Joseph Gordon Levit (Misterius Skin), Damien Lewis (Keane) e Camilla Belle (The Balad of Jack and Rose).
Os melhores realizadores estreantes escolhidos pelo juri foram Beneth Miller (Capote), Phil Morrison (Junebug), Andrew Wagner (The Talent Given Us), Alice Wu (Given Face) e Miranda July (Me And You and Everyone We Know).
Os vencedores dos Gotham serão conhecidos a 30 de Novembro numa cerimónia em Nova Iorque, onde também será homenageado o actor Matt Dillon com um prémio de carreira.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:32 PM | Comentários (1)
outubro 27, 2005
Novo poster de The New World
O filme está em pós-produção há já algumas semanas, mas a publicidade a The New World continua em grande forma. Esta semana a New Line lançou mais um poster oficial do novo filme de Terrence Malick.
Colin Farrell, Christian Bale, Christopher Plummer e Q´Orianka Kilcher protagonizam este verdadeiro choque de civilização no desbravar do Novo Mundo nos inicios do século XVI. A história de amor entre John Smith e Pocahontas serve de pano de fundo para o carismático realizador texano voltar a explorar a relação entre o individuo e a atmosfera que o rodeia. O perfeccionismo de Malick já fez mesmo com que o filme visse a sua estreia adiada num mês, periodo em que o realizador se dedica na sala de edição a aperfeiçoar cada plano do filme.
The New World estreia em Dezembro.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:02 PM | Comentários (0)
Boorman filma Adriano
Hollywood volta a visitar a Roma Antiga depois do sucesso de The Gladiator. Desta vez o filme não será um épico histórico mas sim um drama centrado à volta do imperador Adriano, conhecido filósofo e suspeito de pedófilia que usou o manto imperial romano durante 21 anos.
A vida de Adriano foi já adaptada por Marguerite Yourcenar no seu célebre Memoirs of Hadrian, e será esse o titulo do filme dirigido por John Boorman. No elenco estão já confirmados os nomes dos actores espanhois António Banderas e Paz Vega. O filme seguirá a troca de correspondência entre o Imperador e o seu sobrinho Marco Aurélio (o velho Imperador do épico de Ridley Scott) e os dramas da vida de Adriano, uma das personagens mais ilustres e misteriosas do seu tempo.
O filme será rodado em Marrocos e na Sérvia e deverá estrear no final do próximo ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:22 AM | Comentários (0)
outubro 26, 2005
Opinião - Quando os mestres falharam!
Durante a década de 40 e 50 foram vários os realizadores que chegaram do nada e conquistaram imediatamente o respeito de todos em Hollywood. Eram jovens dinâmicos, capazes de fugir ao academismo de alguns directores da época, e que durante mais de vinte anos encantaram tudo e todos. Mas, chegados aos anos 60, todos eles falharam. Terá sido um sinal dos tempos, demasiada ambição dos próprios cineastas? Ou algo que parecia destinado a acontecer?

Charlton Heston e Sophia Loren em El Cid
Quando os anos 60 começam Hollywood está longe dos anos de glória que tinha vindo a viver nas quatro décadas anteriores. Muitos dos seus nomes mais ilustres tinham deixado a indústria. Uns, como John Ford, Frank Capra ou Fritz Lang, tinham entendido que a sua hora tinha passado. Calmamente, sem grande alarido, retiraram-se da produção cinematográfica, vivendo à sombra das suas imensas glórias do passado. Outros, menos afortunados por não poderem ter escolhido o seu próprio destino, acabariam por morrer, deixando a indústria orfã. É nesse leque que vamos encontrar muitos dos produtores da época, os chamados moguls de Hollywood. Louis B. Mayer, ou Harry Cohn eram exemplos de verdadeiras instituições de Hollywood que na entrada da nova década deixavam a indústria mais pobre. E pior que isso, sem qualquer sinal de orientação para o futuro!

John Huston em The Cardinal
Sem os grandes nomes de outrora, irá caber aos jovens cineastas dos anos 40 e 50 a afirmarem-se definitivamente como os grandes nomes da indústria. Durante quase vinte anos a ascensão dos jovens autores - idolatrados pelos Cahiers du Cinema em França, mas até então olhados com alguma suspeição pela indústria - fez-se com base em filmes muito sóbrios e que detinham uma clara marca de autor. John Houston, Otto Preminger e Nicholas Ray eram os homens do cinema noir. Anthonny Man tinha ajudado a revitalizar o western. E todos eles tinham vivido na sombra dos nomes maiores durante muito tempo, demasiado tempo. Se exceptuarmos John Houston e George Stevens, já detentores de óscares, todos esses realizadores queriam mais que o reconhecimento da critica - que tinham. Queriam que a indústria finalmente os abraçasse como um deles. E já tinham percebido que não seriam com os filmes que andavam a fazer até então que esse reconhecimento chegaria. Não seria um Jonnhy Guittar, um Naked Spurs ou um Laura a premiar esses autores. Tinha de ser algo mais espectacular, ao estilo da poderosa indústria que ainda era Hollywood.

Ben-Hur
E o exemplo chegou em 1959. Com alguns dos grandes realizadores já prontos a bater com a porta, e com a televisão a ganhar cada vez mais espectadores ao cinema, William Wyller teve luz verde para apostar tudo num épico de dimensões gigantescas. O filme parecia ter tudo para ser um fracasso. Falta de um grande nome a liderar o elenco, produção altamente dispendiosa, um realizador pouco habituado a épicos históricos. Mas no final resultou. Ben-Hur - assim se chamava o filme - foi um marco na história do cinema. Bateu todos os recordes de bilheteira, confirmou Charlton Heston como uma das estrelas do cinema norte-americano, e pulverizou a concorrência nos prémios de final de ano. Isso numa altura em que esses autores continuavam a trabalhar em filmes mais pessoais. Só nesse ano Preminger fez Anatomy of a Murder, Nicholas Ray tinha acabado The Savage Inocents e nem eles, nem os seus colegas autores conseguiu algum reconhecimento. Foi talvez então que, quer esses autores quer os estúdios, perceberam que talvez o futuro pertencesse áqueles que conseguissem seguir da melhor maneira a fórmula de sucesso de Ben-Hur. Foi então que os novos directores dos grandes estúdios - aqueles que tinham vindo substituir os grandes nomes que começavam a tornar-se apenas eco na memória de alguns - começaram a antecipar o seu próprio fim. Nos dez anos seguintes não haveria um único estúdio norte-americano que depositasse milhões de dólares na produção de épicos históricos. E para realizar, na ausência dos gigantes do passado, foram contratados aqueles que eram os cineastas do presente, e que se queria, os do futuro. Uma combinação aparentemente sedutora, mas que viria a revelar falta para a indústria e para o cinema norte-americano.

The Fall of the Roman Empire
Foram os insuspeitos Nicholas Ray e Anthony Mann a começar esta verdadeira hecatombe. Em 1961, Ray apresenta ao mundo King of Kings, a história do Novo Testamento com um H. B. Warner a encarnar a figura de Jesus Cristo. O filme fracassou em toda a linha, tanto junto do público com da critica, e abriu um perigoso precedente para o futuro. Estava dado o primeiro sinal que havia uma certa incompatibilidade entre autores e este genero cinematográfico. No mesmo ano Mann, até então conhecido pelos seus westerns irreverentes, tenta imitar o sucesso de Ben-Hur recrutando a sua estrela cintilante, Charlton Heston, juntando-lhe a grande actriz europeia da época, Sophia Loren. O filme era a história do campeão espanhol, El Cid, e tal como se anunciava, também aqui ninguém conseguiu discernir o minimo traço de Mann atrás da camara. Os realizadores escondiam a sua técnica por detrás de cenários e vestuários sumptuosos, e de batalhas bem encenadas mas sem grande profundidade dramática. E quando todos pensavam que os estúdios - e com isto a Allied Artists e a MGM ficaram financeiramente em sarilhos - eis que no ano seguinte o britanico David Lean recupera o sucesso do genero épico com Lawrence of Arabia. A esperança voltou e nos quatro anos seguintes seriam meia dúzia de grandes produções, que se viriam a revelar também, grandes falhanços.
O insuspeito Joseph L. Manckiewicz realiza para a Fox no ano seguinte Cleopatra. O filme será o maior desastre até então e nem a vida agitada do novo casal da moda em Hollywood - Richard Burton e Elizabeth Taylor - conseguiu levar o público a ver a história da última faraó do Egipto. Ainda nesse ano Nicholas Ray repete o fracasso de dois anos antes com 55 Days at Peking. O filme conta com Heston, mas na altura já se tinha percebido que só ele não era garante de sucesso. O fracasso foi inevitável. Tal como a aposta de Preminger no genero com o filme The Cardinal, onde Antonhy Quinn vive um pouco convincente Papa. E se os fracassos desse ano não foram suficientes, ainda havia mais. Anthonny Mann consegue o seu segundo fracasso consecutivo com The Fall of the Roman Empire. John Houston - o mais aclamado e galardoado dos cineastas em acção - tenta a sua versão de um épico com The Bible. O resultado será o maior fracasso da sua longa carreira. O próprio George Stevens decide apostar no épico religioso com The Greatest Story Ever Told, mas o sucesso também não lhe bateu á porta. E por fim até o insuspeito Carol Reed tenta com The Agony and the Ecstasye, combater a corrente. Sem sucesso.

Elizabeth Taylor em Cleopatra
Pior do que tudo isto foram as consequências que todos estes filmes deixaram. Se exceptuarmos Cleopatra, são realmente todos eles filmes menores. A principal razão está no facto de, tal como nos primeiros épicos falhados de 61, o estilo do cinema de autor ter desaparecido por detrás da ideia de épico. O elencos fabulosos e o nome ilustre do realizador eram insuficientes para captivar o público a seguir longas histórias, normalmente contadas sem grande alma. E mesmo quando filmes como The Longest Day ou How The West Was Won, sem serem grandes sucessos, provaram que era possivel fazer filmes de grande orçamento com resposta positiva do público e da indústria, ficou patente que nenhum destes realizadores o conseguiria fazer. Para muitos deles isto significaria o final das suas carreiras. Manckiewicz estava já demasiado velho, mas ainda viveria para fazer o brilhante Sleuth. Mas pouco mais. Nicholas Ray e Anthonny Mann, nomes tão idolatrados como promissores, nunca mais conseguiriam trabalhar. Mesmo Stevens ou Preminger acabaram por ver muitas das portas fechadas. E deste grupo só mesmo John Huston se salvou, voltando ao estilo de cinema onde se sentia melhor, dando ainda, nos vinte anos seguintes, obras maravilhosas ao mundo. Mas a verdade é que a ambição cega destes realizadores seria, na maior parte dos casos, o seu próprio fim. Mas eles não cairiam sozinhos. Hollywood caía com eles!

Anthonny Mann
Qualquer grande estúdio tinha apostado tudo nesta nova tendência do cinema épico. E todos eles falharam. Mais do que isso, todos eles contrairam dividas enormes. Sem a orientação brilhante dos seus antigos directores de produção, estudios como a Fox, a MGM, a Warner Bros, a Paramount ou a Columbia entraram em grave crise financeira. Nem os outros filmes que produziam serviam para equilibrar a balança. Até porque o cenário era de mudança, ou não estivessemos nós na década de 60. O público cada vez mais preferia a televisão ao cinema, as ideias começavam a esgotar-se entre os autores do chamado cinema de serie B, até então fulcral para manter a balança financeira dos estúdios em alta, e o desaparecimento das grandes estrelas (James Stewart, Cary Grant, Bette Davies, o eclipsar de Katherine Hepburn) e dos grandes realizadores da era dourada, tinha criado um vazio entre o público e a indústria. Os novos nomes não convenciam ninguém, os novos filmes não captivavam, a indústria estava oficialmente em colapso. A pouco e pouco, os grandes conglomerados económicos foram comprando os outrora majestosos estúdios. A Sony adquiriu a Columbia, a Time comprou a Warner, e todos os restantes tiveram de vender grandes percentagens das suas quotas para sobreviver. E sobreviver como? O genero épico entraria em hibernação, até The Gladiator, mas mesmo aí, voltaria a mostrar-se amaldiçoado para aqueles que nele viriam a apostar, revelando-se um verdadeiro genero maldito.
Mas a questão continuava a ser, como sobreviver! A resposta estava curiosamente, bem perto de Hollywood. Foi nessa altura, quando os nomes dos respeitados autores ficaram manchados para sempre, que da Universidade da California - não só, mas também - começam a chegar novos realizadores. Cresceram com o cinema, não só o dos grandes estúdios mas essencialmente com o filme noir das sessões da tarde, e têm um estilo muito próprio, muito intimista. São os jovens Mavericks, que saltaram directamente da escola para a linha da frente de Hollywood. Para recuperar uma década perdida, para a salvar de si própria!
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:01 PM | Comentários (1)
Primeiro poster de Munich
Os fãs já desesperavam e começaram mesmo a correr rumores de que Munich não estaria pronto a tempo da sua estreia no dia de Natal. Hoje a Universal tentou provar o contrário ao divulgar o primeiro poster oficial do filme, abrindo assim a campanha de marketing ao próximo trabalho de Steven Spielberg.
Munich - que conta com Eric Bana no papel principal - conta a história de um agente da Mossad, os serviços secretos judaicos, que parte em perseguição dos homens que perpetraram o atentado terrorista que em Setembro matou vários elementos da equipa olimpica israelita nos Jogos Olimpicos de Munique.
O filme tem ainda no elenco o recém-empossado Bond, Daniel Craig, e ainda Geoffrey Rush e Mathieu Kassovitz. As filmagens ainda não terminaram mas tudo indica que o filme conseguirá mesmo estrear no próximo dia 25 de Dezembro, afirmando-se desde já como um dos mais fortes candidatos aos prémios de final de ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:54 PM | Comentários (3)
O Que Estreia Por Cá - Entre os ursos!
Timothy Tredwell acreditava que os animais deviam ser defendidos a todo o custo. Juntamente com a sua mulher, foi viver no meio de uma comunidade de ursos no Alasca, afirmando-se como um defensor incansável dos direitos dos ursos "grizzlies". Este documentário fala da sua vida e morte, ás mãos daqueles que jurou proteger a todo o custo...

Werner Herzog sentiu que a vida de Tredwell era digna de um documentário. Aproveitando filmagens do próprio explorador, Herzog começou a montar um trabalho que é essencialmente um documentário sobre o amor e devoção de um homem a uma causa. A trágica morte de Tredwell ás mãos dos ursos grizzlies que ele tanto protegia, dá um sentido dramático à narrativa, mas o que conta aqui essencialmente é a relação entre o Homem e a Natureza Selvagem, e a relação de amor que pode existir entre o ser humano e os animais mais selvagens. O próprio Tredwell não gostaria certamente que a sua morte contestasse essa ideia. Herzog percebeu isso e em vez de filmar apenas esse ponto vista trágico, debruçou-se essencialmente sobre a sua vida no meio selvagem, os sacrificios feitos em prole da defesa de animais praticamente em via de extinção, e como o amor de um casal se fortalece quando ambos lutam por uma causa como esta.
Grizzly Man teve uma excelente recepção nos EUA - tendo sido eclipsado por outro documentário sobre animais, o imperdivel The March of the Emperor - e é certamente um dos documentários mais interessantes de 2005.

Há mais cinco estreias nas salas nacionais esta semana.
Lord of War é o retrato real da vida do russo Uri Orlov, traficante de armas que nos anos 70 foi perseguido pela CIA enquanto traficava armas para o continente africano. O filme é dirigido por Andrew Nicholas e conta com Nicholas Cage, Jared Leto, Ethan Hawke e Bridgit Monaghan no elenco. O filme é mais sobre a moralidade, ou a falta dela, da guerra e do tráfico de armas, do que propriamente um filme de perseguição. Destaque para Nicholas Cage em mais um papel frenético.

Depois de The Mask of Zorro chega The Legend of Zorro. Os actores Antonio Banderas e Catherine Zeta-Jones estão de regresso para defender os fracos e oprimidos da Califórnia numa aventura mais explosiva que no primeiro filme, faltando-lhe essencialmente o dramatismo e o efeito surpresa do primeiro. Martin Campbell regressa na direção das aventuras do heroi mascarado.

Depois do sucesso nas curtas-metragens, a dupla Wallace and Gromit está de regresso, agora no universo das longas de animação. A Aardman mostra aqui toda a sua criatividade neste The Curse of the Were-Rabit, o filme animado de maior sucesso do ano, e recupera uma personagem que já faz parte do imaginário dos espectadores de filmes de animação. Nick Park e Steve Box dirigem as aventuras desta dupla irresistivel.

Depois de Alice ter sido um murro no estomago do cinema português, eis que chega O Crime do Padre Amaro, e tudo parece voltar a querer ser o mesmo. Pegando por base no livro de Eça de Queiróz, mas trabalhando numa adaptação extremamente livre e altamente actualizada do padre pecador, Carlos Coelho da Silva tenta trazer erotismo, acção e humor a uma história eminentemente dramática. Para captar o público o filme consegue um dos melhores elencos secundários de sempre do cinema português, a saber: Rui Unas, João Lagarto, Nicolau Breyner, José Wallenstein, Lurdes Norberto, Ivo Canelas, Ricardo Pereira, Rui de Carvalho, Rogério Samora, Nuno Mello, Pedro Granger e Anna Bustorff. Os nomes principais do filmes são Soraia Chaves e Jorge Currula, dois estreantes.

Il Se Marrient et Eurent Beaucoup des Enfants é o novo filme de Yvan Attal sobre o eterno confilto de casados e solteiros. Dois casais amigos, pais de filhos, invejam a vida de solteiro de um dos membros do "grupo" que formam há muitos anos. Mas esse eterno solteirão quer exactamente o oposto, uma sólida e feliz vida matrimonial. Filme com Emmanuelle Seigner, Charlotte Gainsbourgh e o próprio Yvan Attal.

O Hollywood Recomenda - O papel dos documentários no circuito comercial tem vindo a ganhar importância de há alguns anos para cá. É um fenómeno ainda pouco conhecido, mas filmes como este The Grizlly Man podem acordar o público para a realidade do "outro cinema".
O Hollywood Desaconselha - Apesar de O Crime do Padre Amaro parecer um filme algo suspeito, mais em tons de tele-filme do que propriamente de um produto para o cinema, não há nenhuma estreia esta semana que mereça algum tom de desaprovação. Bom cinema!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:28 AM | Comentários (3)
Bond vs Terrorismo
O livro original de Casino Royale colocava o recém-empossado agente secreto 007 a lutar contra um vilão, Le Chiffre, no pano de fundo habitual dos primeiros livros da saga, a Guerra Fria.
O problema é que a Guerra Fria acabou há quinze anos atrás e o guião de Paul Haggis reformulou alguns aspectos que encontramos no livro de Ian Fleming. Agora, Le Chiffre, é um dos elementos de uma rede terrorista que se tornará na nova nemésis de Bond. O agente secreto vinha lutando há vários filmes contra vilões isolados, na impossibilidade de definir um inimigo permanente, mas o novo filme promete contrariar essa tendência. Herdeiro directo da famosa S.P.E.C.T.R.E, esta nova organização terrorista não se vai limitar a aparecer no próximo filme de 007. Os produtores garantem que a ameaça terrorista é de tal forma real que Bond vai ter de os confrontar por diversas vezes.
Casino Royale vai começar a ser filmado em Praga no próximo mês de Janeiro e deverá estrear no final do próximo ano. Martin Campbell dirige o filme que marcará a estreia de Daniel Craig como novo 007.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:05 AM | Comentários (0)
outubro 25, 2005
Poster de Transamerica
Ela acabou de vencer o Emmy para melhor desempenho numa serie televisiva de comédia. Agora, Felicity Huffman quer mais!
A actriz que se celebrizou em Desperate Housewives, é uma das mais sérias candidatas ao prémio de actriz do ano, pelo seu desempenho de um transexual no polémico filme Transamerica.
Huffman é Bree, um homem que decidiu ser mulher, e que é forçada a confrontar-se com o seu passado quando descobre que tem um filho de 18 anos. Depois de o libertar da prisão, Bree e Tony - o filho - embarcam numa viagem pela América, que vai servir também para tentar perceber melhor o passado e o presente de ambas as personagens.
O filme é dirigido por Duncan Tucker e é uma das mais fortes apostas da nova Weinstein Co. para a temporada de prémios que se avizinha. O filme estreia em Dezembro nos Estados Unidos, a tempo de "atacar" os primeiros prémios do ano. Este é o primeiro poster oficial do filme.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:42 PM | Comentários (0)
outubro 24, 2005
Antevisão - The Constant Gardener
John Le Carré escreveu sobre a presença inglesa em África. Fernando Meirelles decidiu filmar o continente negro na sua essência, deixando do lado os ideiais colonizadores europeus. A junção de ambos os planos é um magnifico tratado de amor. Por uma mulher, por uma causa, por um continente...

Um dos mais brilhantes escritores da actualidade, John Le Carré fez questão de acomapanhar de perto a rodagem da adaptação de um dos seus maiores romances ao cinema. No final insistiu que esta adaptação está perto da perfeição e que o trabalho de realização e do elenco superou todas as suas expectativas. E aparantemente não foi só o escritor que ficou maravilhado. A critica apaixonou-se por The Constant Gardener em toda a sua essência. Pelo argumento fielmente adaptado do livro para o cinema, pelo trabalho de realização de Meirelles - com a ajuda de uma notável equipa técnica que soube captar a verdadeira essência do continente negro - mas em especial pelo desempenho da sua dupla de actores principais, Ralph Fiennes e Rachel Weisz.
The Constant Gardener conseguiu ainda passar o teste do público, aguentando-se bem no Box Office nas primeiras semanas de exibição, apesar da estreia inicial ter estado reduzida a poucas salas. E a critica não poupou elogios a este thriller politico que também é uma história de amor e devoção. A classificação de 81% no site Rotten Tomatoes indica isso mesmo, uma opinião praticamente generalizada que estamos diante de um dos filmes do ano. E temos todas as razões para acreditar.

Em The Constant Gardener encontramos um casal britânico a viver no Quénia. Ele é diplomata, um ser passivo que tem uma imensa paixão por jardinagem e pouqissima preocupação com o que se passa á sua volta. Já a sua mulher - com quem ele casou antes de partir e de quem sabe muito pouco - é uma activista apaixonada que descobre nesta sua nova casa uma causa pela qual acredita que deve lutar. Á medida que a sua contestação aumenta, e a sua relação com um médico local se torna mais próxima, todos acreditam que Justin Quayle, o jovem diplomata, vai intervir. Mas ele deixa-se ficar, passivamente a cuidar do seu jardim. Até ao dia em que alguém assassina misteriosamente a sua mulher. A partir daí assistimos a uma espantosa transformação do pacifico jardineiro numa verdadeira máquina de fazer justiça, pronto a vingar o destino da mulher, apesar de desconhecer por completo o mundo em que ela tinha entrado e aqueles que atentaram contra a sua vida.

O filme resulta num contraste imenso entre o corpo diplomático britânico, com todos os seus maneirismos, e a vida cruel de um país que teima em se libertar do espartilho que parece ter agrilhoado um continente inteiro. E onde um realizador europeu teria focado o primeiro aspecto, o brasileiro Meirelles aposta forte no segundo. E ganha essa aposta. Como se previa pela sua experiência em Cidade de Deus, o cineasta brasileiro não tem medo de filmar a realidade mais cruel, desde que o faça com um profundo sentido estético. Era isso que encontravamos no grande sucesso recente do cinema brasileiro, e é isso que podemos ver neste The Constant Gardener. Mas se o seu trabalho é elogiado por tudo e por todos, que dizer do seu leque de actores.
Do fabuloso Ralph Fiennes - indiscutivelmente o melhor actor britânico da sua geração - já se disse de tudo. Que este é o seu maior papel (ele que tem tantos bons papeis que é dificil escolher), que é uma transformação espantosa de um under-acting tão habitual nele para uma personagem completamente oposta á do inicio do filme. Um desempenho cativante, brilhantemente conseguido, e que pode mesmo vir a valer a Fiennes a nomeação ao óscar, uma nomeação que cada vez peca por tardia, tal como a pequena estatueta dourada.
Também Rachel Weisz não escapou aos muitos elogios da imprensa internacional. A jovem actriz britânica, até aqui dividida entre comédias e filmes de cariz imintentemente comercial, sabe explorar na savana africana toda a sua profundidade como actriz dramática, dando um tom mais sensual e mais feminino a uma história de vingança extremamente masculinizada. Weisz é uma das surpresas do ano e confirma aqui as boas indicações que vinha deixando nos últimos anos.
Também Bill Nighty e Danny Houston oferecem sólidos e interessantes desempenhos secundários no filme, ajudando a fortalecer a base da narrativa que é sem dúvida alguma a transformação da personagem interpretada por Fiennes, num autêntico tour de force.

Mais do que um mero trilher politico - como foi por exemplo The Tailor of Panama, outro romance de Le Carré recentemente adaptado ao cinema - este The Constant Gardener sabe enquadrar a história no espaço. Não há aqui nada enfiado a murro e pontapé. Há uma sólida preparação de toda a equipa na realidade que se vive no Quénia e em muitos dos paises do Terceiro Mundo, que torna o retrato do filme extremamente realista e credivel. Não estamos aqui apenas a ver também uma história de amor post-mortem. Estamos a seguir uma personagem - a de Fiennes - que, enquanto procura vingar a morte da mulher, descobre um Continente que desconhecia por completo. E essa descoberta é também feita pelo espectador, lado a lado com a personagem. E se o fascinio de África não tem fim, então esse é sem dúvida um gigantesco trunfo deste The Constant Gardener. Um trunfo aliado a muitos outros ases que o filme guarda no bolso, e que fazem dele certamente, um dos filmes obrigatórios de 2005.
O QUE SE DIZ
"Este é sem dúvida um dos filmes do ano!"Roger Ebert - Chigado Tribune
"The Constant Gardener é uma genial mistura de suspense, com perfume do Terceiro Mundo, e uma história de partir o coração, para todas as idades."
Kitt Bowen - Hollywood.com
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:55 PM | Comentários (1)
Encontrado realizador para The Life of Pi
Depois de M. Night Shyamalan e Alfonso Cuarón terem trocado a adaptação ao cinema do best-seller de Yann Mortel por projectos pessoais (Lady in Water e Children of Men respectivamente) a Variety avança a noticia de que a Fox encontrou finalmente o homem que vai dirigir The Life of Pi.
Trata-se do consagrado cineasta francês Jean Pierre Jeunet, autor de sucessos como Delicatessen, Amelie ou Un Long Dimanche de Fiançailles, que se prepara aqui por mais uma tentativa de brilhar em Hollywood, depois de Alien Ressurection.
O filme contará a história de um jovem de 16 anos que viaja da India para o Canadá num barco que transporta animais para um zoo. Quando o navio naufraga o rapaz sobrevive, juntamente apenas com uma hiena, uma zebra e um tigre. E é nesta nova companhia que o jovem vai tentar prosseguir a viagem. O filme começará a ser rodado em 2006 e a estreia deverá ocorrer no ano seguinte.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:38 PM | Comentários (0)
outubro 23, 2005
Aquelas frases...
"I was born when she kissed me, I died when she left me...and I lived a few weeks while she loved me!"

in In a Lonely Place
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:09 AM | Comentários (0)
outubro 22, 2005
Novas imagens de Goblet of Fire
Com a Pottermania a continuar a encantar miudos e graúdos um pouco por todo o mundo com a venda das versões traduzidas de Harry Potter and the Half-Blood Prince, vale a pena recordar que este ano há mais um Potter versão cinema a estrear. Trata-se do quarto filme, Harry Potter and the Goblet of Fire. Neste quarto capitulo de aventuras, o jovem feiticeiro é escolhido para entrar no mitico torneio do Cálice Sagrado, torneio esse que reune os melhores alunos de três escolas de magia europeias. Ao longo do torneio Harry voltará a envolver-se em inumeras aventuras, superando-as com a ajuda dos seus amigos. Mas no final terá uma surpresa reservada: Aquele Cujo Nome Não Deve Ser Prenunciado está de regresso!
O trio habitual composto por Daniel Radclift, Emma Watson e Rupert Grint está de regresso e o grande atractivo do filme será ver Ralph Fiennes encarnar Voldemort, o vilão do universo criado por J.K. Rowling. O filme - dirigido por Mike Newell - estreia a 18 de Novembro. Cliquem na jovem Ginny Weasley para aceder á galeria que tem novas imagens do filme.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:40 PM | Comentários (1)
outubro 21, 2005
Oscarwatching Semanal
Começa esta semana uma nova rúbrica semanal no Hollywood. Todas as semanas, as sextas feiras servirão para fazer actualizações sobre a corrida aos óscares deste ano. E para primeira edição, novidades não faltam!
All the King´s Men está fora da corrida. Depois de ter sido apontado, durante mais de meio ano, como um dos mais sérios candidatos a conquistar os prémios de final de ano, o filme não vai competir em 2005. A Sony Pictures decidiu adiar a estreia do remake do grande sucesso de 1949 para 2006. A data é ainda incerta e ninguém soube ainda explicar o porquê da decisão. Rumores indicam que o filme não estaria pronto a tempo de estrear, e que por isso, a Sony achou melhor dar mais tempo a Steven Zaillian de preparar o filme para atacar os prémios no próximo ano. Mas os especialistas em "oscarwatching" como Kristopher Tapley parecem ter poucas dúvidas. A luta fratricidade entre All the King´s Men e Memoirs of a Gueisha podia prejudicar mais, do que benificiar a Columbia-Sony Pictures. Assim, por uma questão estratégica, os estúdios preferiram apoiar a 100% o filme de Rob Marshall em 2005, deixando as portas abertas para o filme de Steven Zaillian no ano que vem.
Quem fica a perder com tudo isto é Sean Penn, que apesar das dúvidas que se levantaram á volta do filme, era tido pela grande maioria dos especialistas como um fortissimo candidato ao óscar de melhor actor, prémio que já tinha conquistado em 2003.

O filme que mais destaque tem conseguido esta semana é sem dúvida North Country. A estreia nos Estados Unidos foi mais bem sucedida do que muitos analistas previam, e a critica, apesar de dividida, não tem duvidas em louvar o trabalho de Charlize Theron. A segunda nomeação ao óscar parece estar mais do que garantida, e o sucesso do filme tem levantado igualmente uma vaga de apoio pela jovem realizadora Niki Caro, autora do também aplaudido Whale Rider.

Entretanto The Family Stone e The White Contessa viram a sua data de estreia nos Estados Unidos alterada. The Family Stone é cada vez mais visto como a genuina comédia do ano, e a mudança da estreia de Novembro para Dezembro indica que os produtores estão a apostar forte no filme. Também Diane Keaton pode benificiar com esta mudança, confirmando-se como uma das actrizes mais cotadas do ano. Também o leque de secundários que conta com Craig T. Nelson, Sarah Jessica Parker e Rachel McAdams tem recebido alguns aplausos, o que, dependendo directamente do sucesso do filme, pode vir a ter repercursões quando os nomeados e os prémios começarem a sair.
Já The White Contessa continua a ser uma verdadeira incógnita. Ralph Fiennes já teve imenso destaque com o seu papel em The Constant Gardener, mas quem já viu os screenings do filme garante que ainda está melhor como um diplomata britânico cego, que trava amizade com uma refugiada condessa russa, na China dos anos 20. No entanto o filme de James Ivory é de tal forma desconhecido que não existe ainda uma ideia á volta da trama e da forma como o filme se irá desenrolar. As informações começarão a chegar lá para o final do mês, e aí se verá se o filme tem realmente potencial para ir "até ao fim".

Entretanto começam a sair os primeiros anuncios For Your Consideration. Depois do primeiro filme a apostar, bem cedo, na campanha de publicidade, ter sido o indie Junebug, agora chegou a vez dos pesos pesados do ano começarem a dar um ar de sua graça nas páginas da revista do Screen Actor´s Guild. Memoirs of a Gueisha, Brokeback Mountain, In Her Shoes e Cinderella Man abrem assim a temporada de campanha.




Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:26 PM | Comentários (0)
Novidades de casting
Imelda Staunton conseguiu um bilhete para Hogwarts. A actriz inglesa, recentemente nomeada ao óscar pelo seu desempenho em Vera Drake, irá entrar no quinto filme da saga Harry Potter, The Order of Phoenix, encarnando a professora Dolores Umbridge, nomeada pelo Mistério da Magia para o cargo de Alta Inquisidora da escola de magia mais popular do mundo. O filme continuará as aventuras de Harry Potter e companhia, que continuarão a ser vividos pela tripla de actores iniciais - Daniel Radclifft, Rupert Grint e Emma Watson - e será dirigido por David Yeates. A estreia nos cinema acontecerá em Junho de 2007. Já no próximo mês de Novembro estreia o quarto filme da serie, Harry Potter and the Goblet of Fire.

Viggo Mortensen vai voltar a filmar em Espanha. O actor, fluente em espanhol, estreou-se em 1997 no cinema espanhol com o filme La Pistola de Mi Hermano, e agora está de regresso para protagonizar Teresa. O filme é da autoria de Ray Loriga (que dirigiu Mortensen em La Pistola de Mi Hermano) e conta ainda com Paz Vega no papel principal. A actriz irá encarnar a santa Teresa de Ávila, que, em pleno século XVI reclamava falar directamente com Deus, tendo tornado-se rapidamente numa das figuras da Igreja Católica da época, ainda a contas com a reforma protestante. No elenco estão também Leonor Watling e Victoria Abril. O filme começa a ser rodado a 21 de Novembro e estreia no próximo festival de San Sebastian.

David Hasselloff está oficialmente de regresso. O actor televisivo mais popular da televisão norte-americana dos anos 80 e 90 voltará a viver o primeiro papel que o projectou para a fama, Michael Knight. Tudo isto porque Hasselloff conseguiu em tribunal os direitos de Knight Rider, uma das series televisivas mais populares de sempre, e agora prepara-se para a adaptar ao cinema. O filme seguirá o espirito inicial da serie, com a personagem principal - vivida pelo actor - e o seu filho a guiarem dois carros falantes, no eterno combate pela justiça. Anthony Daniels voltará a viver a mitica voz de KIT, o carro mais pulp da história da tv.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:28 PM | Comentários (1)
Espaços a visitar
Cada vez mais o cinema conquista um espaço significativo na Internet falada em português. E isso não acontece apenas com os cineblogs e sites portugueses. O Brasil, esse imenso país, está definitivamente rendido á 7º Arte e é natural que, semana após semana, aparecem cada vez mais espaços próprios dedicados ao mundo do cinema.
Um desses espaços mais recentes é o site CineNews. Com apenas um mês de vida, Diego Almeida conseguiu construir um espaço espantoso, com um design atractivo e uma regularidade informativa ao nivel dos melhores espaços de cinema brasileiros.
No CineNews encontramos um pouco de tudo. Estreias, criticas, entrevistas, secções dedicadas á antevisão dos próximos filmes a estrear por terras brasileiras, sem esquecer antevisões dos prémios de final de ano, com destaque óbvio para a próxima edição dos óscares. Tudo isto feito pela pena talentosa de Diego Almeida, que conta com a preciosa ajuda do seu "Reporter Hollywood" que traz ainda mais glamour ao seu espaço.
Nascido para competir com os grandes sites brasileiros como o Omelete ou o Cineminha, o CineNews é definitivamente um espaço onde podemos encontrar tudo o que queremos saber sobre cinema, e com o bónus de ser construido na lingua de Camões.
O link para o site encontra-se aqui. E vale bem a pena uma visita!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:34 AM | Comentários (1)
outubro 20, 2005
Novo Leque de trailers
Derailed conta com Clive Owen e Jennifer Anniston nos principais papeis. Ambos vivem um casal que por acidente se encontra num comboio. A sexy mulher consegue seduzir o homem de negócios e ambos acabam num motel. Mas aí são atacados por um homem. Owen é espancado, Anniston é violada e ambos são roubados, começando a sofrer chantagem por parte do misterioso assaltante. É a partir daí que ambos decidem encetar a sua vingança. O filme estreia a 11 de Novembro nos EUA e conta com Mike Hafstrom a dirigir e Vincent Cassell como vilão, ele que parece ter-se colado a este tipo de papeis em Hollywood.

Breakfast on Pluto´s é o regresso do cineasta Neil Jordan á sua Irlanda natal. Desta vez seguimos um jovem, Cillian Murphy, que no inicio dos anos 70 troca Dublin por Londres. Aí entra em contacto com a comunidade irlandesa, trabalha de dia e vive como travesti á noite para conseguir dinheiro para sobreviver. Mas o fantasma do IRA continua a pairar sobre a sua cabeça e a pouco e pouco a memória da mãe que o abandonou e que ele procurava na capital inglesa é substituida pela ideia de viver os loucos anos 70 á sua maneira. Liam Neeson, Stephen Rea e Brendan Gleason completam o elenco.

Tommy Lee Jones segue o exemplo de Clint Eastwood e recupera o espirito do oeste norte-americano num filme dramático e extremamente belo. The Three Burials of Melquiades Estrada segue a vida de dois guardas entre a longa fronteira que separa o México e os Estados Unidos. Uma vida marcada de dor, de tentativas de ultrapassar a lei, e de um enorme sentimento de perda. Para além de Tommy Lee Jones - galardoado em Cannes pelo seu desempenho - o filme tem ainda Barry Pepper no elenco. Jones dirige a pelicula que tem estreia agendada para o final do ano nos Estados Unidos.

Cliquem nas imagens para ver os trailers.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:05 PM | Comentários (2)
Novas imagens de Dead Man´s Chest
Depois do realizador Gore Verbinski e da actriz Keira Knightley confirmarem que a rodagem dupla de Pirates of the Caribean - dois e três - está a revelar-se um verdadeiro caos, eis que para acalmar os fãs chegue uma nova galeria de imagens exclusivas de Orlando Bloom e Knightley.
O próximo episódio da serie de aventuras estreará no próximo Verão e tem como titulo Dead Man´s Chest, e continua a seguir o irreverente Captain Jack Sparrow e a sua dupla de amigos, pelas águas das Caraibas em busca de tesouros miticos e boas garrafas de rum. Ainda não há qualquer confirmação da presença de Keith Richards para viver a personagem vivida por Depp - que lhe valeu mesmo a sua primeira nomeação ao óscar. A galeria de imagens pode ser vista aqui.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:43 PM | Comentários (1)
outubro 19, 2005
Opinião - O Cinema e as Cidades
Muitas vezes o Cinema torna-se algo "bigger than life". Muitas vezes não basta ter um sólido argumento e um leque de actores fantásticos para dar magia a um filme. O espaço, a dimensão onde a história se desenrola, é fundamental para sentirmos a verdadeira magia cinematográfica. É por isso que é fácil ver que o Cinema está apaixonado. Pelo Monument Valley de Ford, pelo deserto de Lean, mas acima de tudo, o Cinema está apaixonado pelas cidades.

Numa entrevista recente, Marcos Martins, o realizador de Alice, comentava que em França os emigrantes vinham ter com ele dizendo que a Lisboa que ele retrata é muito mais realista do que todas as outras que até agora tinham encontrad em filmes nacionais, porque esta era "a Lisboa de onde eles fugiram".
De facto, para além de toda a história de obsessão, dor e perda que molda o fabuloso Alice, a verdade é que a exploração do espaço é vital na composição da história. Lisboa é apresentada no seu tom mais negro, escuro, rodeado de chuva e nevoeiro, longe dos dias solarengos a que estamos habituados. Há na escuridão da CREL, do Marquês, do Rossio, um verdadeiro reflexo de como é a capital portuguesa no dia a dia. E é com mestria que a camara de Marcos Martins consegue capturar esse realismo urbano. Um pouco como a Los Angeles de L.A. Confidential ou de Training Day, filmes crueis para a Cidade dos Anjos. Aí não temos o minimo vislumbre das belas praias que são - muito graças á popularidade da serie televisiva Baywatch - um dos ex-libris da cidade. Pelo contrario, encontramos as zonas mais degradadas, tanto nos anos 40 como agora. E se L.A. Confidential é o espelho do universo de Raymond Chandler, que cria nos seus livros - onde The Big Sleep funciona na perfeição com exemplo - uma antitese da Los Angeles que se conhece. Em Training Day vemos a cidade no seu tom mais urbano, mais cru. E se nos esforçarmos, podemos encontrar em Grand Canyon, a obra mais capriana de Lawrence Kasdan, onde estão lá os lados mais negros e mais solarengos de L.A., mas desta vez pintados com um sinal de esperança.

E há cidades que foram - e são - amadas das maneiras mais diversas. Tomemos Roma por exemplo. A capital italiana, ainda hoje, desdobra-se em duas cidades completamente diferentes sob o olhar dos dois maiores realizadores italianos de sempre: Roberto Rossellini e Frederico Fellini.
A Roma de Rossellini é a de Roma Cita Aperta. Uma cidade popular, corajosa, longe dos dias de glória (porque sim, também há essas "Romas" de estúdios de eras passadas), mas com uma enorme vontade de viver, de combater, de ultrapassar os problemas do a dia. O sol cansa, o ar pesa, as ruas são pequenas e cobertas da mesma sujidade dos seus habitantes. É uma cidade triste mas pronta a encarar o futuro de pé. Que futuro? Qualquer que ele seja, o que importa é viver.
Já a Roma de Fellini, exposta em algumas das cenas mais fabulosas de La Dolce Vita, mas essencialmente no filme Roma, é uma cidade luminosa, cheia de luz, de dia e de noite. O ambiente é de alegria, a vida foi feita para ser vivida, de dia ou de noite. Trânsito intumpido ás 2 da manhã, avenidas longas e iluminadas, pessoas na rua vestindo-se exemplarmente, esta cidade já tem todos os traços de um centro cosmopolita e de vanguarda. Qual das duas será verdadeira? Ambas o são, na sua era e ainda hoje. Porque uma cidade é capaz de se desmultiplicar em muitas outras, dependendo dos olhos que para ela olham. E onde Rossellini via dor e coragem, Fellini via um vazio interior colmatado por uma enorme extravanganza exterior.

Outro exemplo bem caracteristico desta paixão que o cinema tem pelas cidades, é inevitavelmente Nova Iorque. A Nova Iorque de Woody Allen. A de Scorsese. A de Spike Lee. A de tantos outros que ajudaram a pintar de multiplas cores uma cidade que muitos insistem em ver como a capital não oficial do Mundo. E se nos filmes de Allen passeamos pelas zonas mais intelectuais e urbanas da Big Aple, já no universo de Lee e de Scorsese, somos atirados para os subúrbios, para os bairros mais tradicionais, de italianos e de negros respectivamente. A Litle Italy de Scorsese - que é tão semelhante, mas ao mesmo tempo, tão diferente da de Copolla e Leone - traz tudo o que há mais de podre nas ruas nova-iorquinas. No entanto são personagens que fascinam, que são também parte da identidade da urbe. E o amor que Scorsese - um homem das ruas mais escuras de Nova Iorque - sente por elas, é proporcional ao amor e respeito que Lee tem pelo Mundo de Brooklyn, onde cresceu e onde, desde sempre, o bairro funciona como um monumento de orgulho da comunidade negra. Mais uma vez temos visões diferentes sobre os mesmos espaços. Do existencialismo humoristico de Allen em Central Park, á rudeza e o pecado de Scorsese nas ruas de má fama da cidade, sem esquecer a visão mais perfeita de Nova Iorque no pós-11 de Setembro que chega pelas mãos de Lee em The 25th Hour, temos um leque de declarações de amor a um lugar onde vivem mais de 10 milhões de pessoas. Onde a magia se confunde com a rotina do dia a dia, criando só por si, um universo fascinante.

E quem fala de Lisboa, Los Angeles, Roma, Nova Iorque pode falar de inumeras outras cidades. Há a Estocolmo de Bergman, a Berlim de Win Wenders, a Tóquio de Ozu, a Barcelona de Almodovar...Tantas outras cidades, tantas outras histórias, tantos outros nomes, sempre a mesma paixão. Percorrer os Campos Elisios antes e depois de ver A Bout de Soufle não é a mesma coisa. Godard abriu as ruas de Paris ao mundo com o seu filme de estreia e tornou a cidade das Luzes algo completamente diferente do centro romântico que os estúdios de Hollywood há décadas tentavam recriar sem sucesso. A corrente neo-realista do cinema inglês de Griershom fez de Londres não o centro económico e cultural de Inglaterra, mas ajudou a mostrar a rudeza dos seus bairros mais populares, mais tarde explorados brilhantemente por Hitchcock em Frenzy, por Lewis Gilbert no Alfie original ou mais tarde por Mike Leigh e Stephen Frears, os nomes mais ilustres da nova (que já não é assim tão nova) escola de cinema britânico. E claro, o Porto de Manoel de Oliveira. Esse Porto que vai desde Douro Faiva Flunial até Porto da Minha Infância, a recolha de olhares de um amante de uma cidade que foi o berço do cinema em Portugal, mas que ficará imortalizada no olhar único deste homem, ainda hoje visto como intocável como mestre do cinema português.

Porque o cinema ama as cidades, não quer dizer que as tenha de retratar da forma mais bela possivel. Há quem o faça, e há quem prefire explorar os pontos negativos da cidade, os cantos mais escondidos, os rostos que se confundem na multidão do dia a dia, mas que também têm uma história para contar. Cada cidade é um mistério para cada um de nós. Ninguém vive o mesmo espaço da mesma forma. O "Will Always Have Paris" de Casablanca é um mito. A Paris de Bogart não é a mesma de Bergman. Como também não é a mesma de tantos outros que por lá passaram e se apaixonaram. Nova Iorque é uma cidade composta por milhões de pequenas cidades dentro de si. Cidades pessoais, cidades de cada um. Cidades que através de alguns dos seus habitantes mais ilustres ganharam vida na tela. O que é Tóquio? A cidade de Ozu ou a de Copolla? E o Rio de Janeiro das novelas e o da Cidade de Deus é o mesmo espaço, a mesma vida, os mesmos cariocas, a mesma cidade?
Uma cidade é uma cidade. É um local de peregrinação diária, um local de paixões. Todos nós amamos uma cidade, mesmo que não seja a nossa. O Cinema, ama-las todas!
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:37 PM | Comentários (1)
Sharon descruza pernas outra vez?
Nas entrevistas feitas a Sharon Stone nos últimos meses, desde que a actriz confirmou que retomaria o papel que a celebrizou, Catherine Trammell, em Basic Instint 2: Risk Addiciton, houve uma pergunta que esteve sempre presente: iria ou não Stone voltar a descruzar as pernas para o mundo ver?
A actriz, autora em 1992 de uma das cenas mais eróticas e marcantes da história do cinema contemporâneo, nunca deu uma resposta definitiva, deixando todas as hipóteses em aberto. E agora surgiu uma imagem do filme - que tem estreia agendada para Março - que volta a levantar a questão. As semelhanças com a outra celebre cena existem, a posição é a mesma, será que o resultado final repetirá a fórmula de sucesso do primeiro filme? Ou será tudo mera especulação para trazer público para ver um filme que, à partida, não mobilizaria muitos espectadores? Mais uma vez a questão irá ficar sem resposta. Mas a imagem serve para abrir o apetite, e também para recordar uma outra imagem, de há treze anos atrás.


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:22 PM | Comentários (2)
O Que Estreia Por Cá - Humor puramente europeu!
Passaram-se cinco anos e Xavier está de volta a Paris. Conseguiu ser escritor mas a vida amorosa não lhe corre bem. Eis que o reencontro com os seus velhos amigos de Erasmus, entre Londres e São Petersburgo lhe vai proporcionar encontrar o amor da sua vida.
Passaram três anos do imenso sucesso que foi L´Auberge Espagnole. O humor atravessa o continente europeu e continua a mostrar que é possivel fazer bom cinema no Velho Continente sem imitar o que se faz nos outros cantos do mundo...

Em 2002 a comédia L´Auberge Espagnole foi um retumbante sucesso em todo o continente europeu. O filme do até então praticamente desconhecido Cédric Klapish era fresco, divertido e tinha algo a dizer ao jovem espectador europeu, certamente farto dos filmes de universidades e de um ensino completamente diferente do que se pratica na Europa. Além do mais serviu para lançar e confirmar uma série de jovens actores talentosos, de Roman Duris a Audrey Tatou, sem esquecer Cecille de France ou Kelly Reilly.
Passados três anos chega a sequela. A ideia é pegar nas personagens - com Xavier, personagem vivida pelo sempre espantoso Roman Duris - já formadas e a tentar encontrar o seu rumo na vida. Seguimos então este jovem escritor na sua busca pelo amor perfeito. E tudo parece correr mal até que uma impensável reunião do velho grupo de Erasmus do albergue em Barcelona proporciona a Xavier o encontro da mulher da sua vida, no meio das bonecas russas.
Les Poupés Rousses marca o regresso em estilo, não só do elenco, hoje já completamente afirmado no panorama cinematográfico europeu, mas também de Klapsih que entre um e outro filme, apenas fez Ni Pour Ni Contre. Um filme que promete seguir o espirito do seu antecessor, com um humor mais irónico e mordaz. É da idade...

Estreiam esta semana mais cinco filmes no circuito comercial.
The Longest Yard é o remake homónimo do filme que no inicio da década de 70 consagrou Burt Reynolds. O actor volta agora, num papel secundário, já que quem lidera a equipa de futebol americano de uma prisão de alta-segurança é Adam Sandler. O actor volta á comédia fisica, seguindo um pouco o seu registo de inicio de carreira, e o filme é dirigido por Peter Seagal.

The Long Weekend é mais uma comédia de Verão acabada de chegar de Hollywood com o sexo como tema central. Um jovem empresário tem de criar uma campanha publicitária em dois dias, sob a pena de ser despedido, mas o irmão está decidido a arranjar-lhe uma namorada e tudo se complica. Chris Klein, Brendan Fehr e Paul Campbell estão no elenco. Pat Holden dirige.

The Amytville Horror é outro remake de um sucesso do cinema de terror de 1979. Um casal muda-se para a sua casa de sonhos sem saber que esta é amaldiçoada pelos fantasmas dos mortos de um massacre ali cometido no ano anterior. Repetição de uma fórmula de sucesso há vinte e cinco anos atrás com Ryan Reynolds e Melissa George no elenco.

Qi Jian é um brilhante épico histórico, e uma co-produção de três dos grandes potentados do cinema asiático - China, Coreia do Sul e Hong Kong. O filme, inspirado na lenda dos Sete Samurais, viaja até ao século XVII, altura em que sete guerreiros, vindos de pontos diferentes da China, se unem para impedir a destruição do último reduto de resistência ao novo governo imperial. Filme de Tsui Hark com Leon Lai e Donnie Yen.

Anthonny Zimmer estreou em Portugal com o 6º Festival de Cinema Francês e conta com Yvan Antall e Sophie Marceau, dois nomes maiores do cinema francês, nos principais papeis desta história de detectives e ladrões, onde a troca de identidades e uma paixão obsessiva servem de mote para uma aventura alucinante, jogada de forma eximia por um criminoso da alta roda.

O Hollywood Recomenda - O cinema europeu não está de boa saude, mas aqui e ali há indicações do contrário. L´Auberge Espagnole provou ser uma dessas há três anos e tudo indica que o seu sucessor, Les Poupées Rousses venha a seguir o mesmo caminho.
O Hollywood Desaconselha - O universo dos remakes continua a mostrar o pior que a indústria de Hollywood tem. Tanto The Longest Yard como The Amytiville Horror são marcos do cinema dos anos 70 e não mereciam remakes deste nivel.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:44 PM | Comentários (10)
outubro 18, 2005
Rumores
Depois de confirmado o novo James Bond, começam a surgir os primeiros rumores sobre as eventuais Bond Girls. No fim de semana os nomes mais falados eram Jessica Alba e Cecille de France, mas com o arrancar da nova semana a noticia é que os estúdios não vão poupar esforços para terem Angelina Jolie no elenco. Jolie, que até já trabalhou com Craig em Tomb Rider: The Cradlle of Life, seguiria a mais recente politica dos produtores da saga que preferem contar com estrelas de renome (Sophie Marceau, Halle Berry) para atrairem o público masculino, em vez de as "criarem" como era a imagem de marca da saga Bond desde os seus primórdios. Mas como as filmagens começam apenas em Janeiro, até lá, muitos mais nomes serão falados para integrar o elenco de Casino Royale.
Um outro projecto também esperado - e eternamente adiado - é o de Indiana Jones IV. O filme já foi anunciado e adiado diversas vezes, o guião alterado, e George Lucas e Steven Spielberg continuam a tentar encaixar na sua agenda a quarta aventura de Indy. Harrisson Ford já confirmou que volta ao papel, e Sean Connery poderá estar também de regresso. Em relação ao interesse amoroso de Indiana, nos últimos dias chegou a noticia que a chinesa Michelle Yeoh está disposta a ficar com o papel. Yeoh que é uma das muitas gueishas em Memoirs of a Gueisha, filme produzido por Spielberg, terá confessado ao realizador a sua vontade em conquistar o papel, e assim segue na linha da frente para um elenco ainda indefinido, muito por culpa da própria indecisão á volta do projecto.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:40 PM | Comentários (1)
outubro 17, 2005
Antevisão - Good Night and Good Luck.
É o segundo filme do galã convertido em realizador, George Clooney. E que filme! Os criticos elogiam a coragem com que Clooney descorre na sua defesa ao mundo do jornalismo durante o complexo periodo da "Caça ás Bruxas". Good Night and Good Luck. , filmado em tom de documentário, é mais do que um filme. É uma carta de amor de Clooney. Ao jornalismo. Ao cinema. Ao seu pai!

E o filme mais amado pela critica neste final de ano. Um amor que está para lá das fronteiras norte-americanas, como ficou bem provada a dupla vitória no Festival de Veneza, onde só faltou o Leão de Ouro para juntar aos prémios ganhos pela dupla de argumentistas, composta pelo próprio Clooney e Grant Heslov, e para o actor David Straiharn.
Filmado a preto e branco, em registo praticamente documental, o filme segue a equipa de produção See It Now, na sua demanda por expor a campanha denunciadora que o senador Joseph McCarthy vinha a comandar contra os nucleos comunistas nos Estados Unidos. Foi o periodo conhecido como Caça ás Bruxas, onde muitos comunistas, mas mais do que isso, muitos não-comunistas, foram denunciados pelo comité do senador, impedidos de trabalhar, presos e totalmente colocados de lado pela sociedade norte-americana. É nessa altura que esta equipa de produção, fiel ao ideal jornalistico, decide expor a campanha de McCarthy em directo, num programa que ficaria para a história. Não só representaria o principio do fim do senador, mas acabaria por ser o golpe fatal para o próprio programa, entretanto completamente marcado junto do "establishement" norte-americano. Criando um claro paralelismo com o que se passa nos dias de hoje, George Clooney faz aqui uma verdadeira evocação do que deve ser o jornalismo, e como este deve funcionar em dias onde a verdade deixa de ser algo garantido a priori. O filme segue a equipa de produção, desde o pivot e figura central da narrativa, o jornalista - que se tornaria um icone - Edward Murrow, mas também toda a equipa de produção, incluindo o produtor Fred Friendly, que Clooney fez questão de interpretar.

Apesar de ser um filme com um pequeno orçamento, a Warner Indepedent - uma subsidiária da Warner Bros - aposta forte em Good Night and Good Luck. (o titulo está ligado á frase de despedida de Murrow no final de cada programa), para este ano. E com razão.
O filme ainda não estreou nas salas de cinema, e por isso é dificil antever a reacção que o público poderá ter de um filme já classificado por alguns como demasiado "Intimista" ou "elitista" para o povo norte-americano. Mas ter 97% de criticas positivas no site Rotten Tomatoes é algo a que muitos poucos filmes, em toda a história do cinema, podem clamar ter conseguido. E se um filme conseguiu impressionar criticos tão heterogéneos da mesma forma (até agora só existem 3 criticas negativas ao filme), então a pespectiva para já é que o sucesso de bilheteira se venha a tornar uma realidade.
Um feito para um filme que é uma aposta pessoal de risco por parte de Clooney. Depois da sua excelente estreia como realizador em Confessions of a Dangerous Mind (outra aventura no universo do entertenimento), apostar em algo como Good Night and Good Luck. teria os seus riscos. Mais, Clooney não quis que mais ninguém, a não ser o próprio Joseph McCarthy, surgissem no grande ecrãn. Por isso as imagens de arquivo da mitica edição do See It Now completam o filme. Realidade e ficção juntas numa aventura que ainda tem tempo para criticar a politica das empresas jornalisticas da época em proibirem o casamento entre membros da mesma equipa, e que surge como um retrato mais duro e realista do universo jornalistico do que filmes como All the President´s Men, Network ou The Insider. Há aqui um sentido de realismo, mas pintado em tons românticos. Murrow era o idolo do pai de George Clooney, também ele um jornalista e pivot, que desde sempre ensinou ao filho os principios básicos do jornalismo. Talvez por isso o argumento alterne entre o facto, que foi a edição do See it Now com o senado McCarthy, com o romantismo da figura de Murrow, retratada aqui como o pioneiro do jornalismo televisivo nos Estados Unidos.

E para dar vida a Murrow, a opinião é unânime. Clooney não poderia ter feito uma escolha melhor. Vindo do universo da Broadway e sem grande história em Hollywood, David Straiharn encarna com uma frieza e uma simplicidade avassaladoras a sua personagem, e funciona claramente como motor do filme. A critica já falou em prémios, em nomeação aos Globos e aos óscares, e a verdade é que a Copa Volpi em Veneza foi um bom sinal. Mas Straiharn tem aqui, acima de tudo, a possibilidade de mostrar todo o seu valor num projecto credivel em cinema, algo que nunca conseguiu em quase vinte anos de carreira.
Aliás, outro dos grandes trunfos deste Good Night and Good Luck. acaba por ser o seu elenco. O leque é imenso e as escolhas parecem todas perfeitas. Como produtor do programa, e paladino da verdade, está George Clooney, num despojamento das suas habituais personagens como galã (mas isso, Clooney faz ainda melhor em Syriana). Sóbrio, imerso na sua personagem, Clooney apaga-se para deixar brilhar tudo á sua volta, numa clara demonstração de amor pela sua obra.
Como "casal-segredo" da equipa de produção encontramos Patricia Clarkson e Robert Downey Jnr, dois actores altamente subavaliados que aqui provam ter uma quimica que, apesar de secundária, traz profundidade dramática á narrativa. E claro, por lá também passeiam Jeff Daniels e Frank Langella, para não falar de Joseph McCarthy, em versão de arquivo.

Good Night and Good Luck. pode ser mais do que simplesmente o "queridinho da critica" de 2005, como Sideways foi no ano passado. Pode ajudar a passar uma imagem mais séria do mundo do jornalismo, e criar um importante paralelismo com o que se passa hoje nos Estados Unidos. Apesar de ser um filme para mexer com a consciência interna, quem conhece essa página negra da história norte-americana percebe a importância deste filme. Não só a sua importância como cinema, mas também como um falso-documentário sobre o papel da imprensa e a sua relação com o poder. E para aqueles que olham para o cinema apenas na sua vertente de entertenimento, Good Night and Good Luck. também pode ter algumas surpresas na manga. O tom sóbrio e imaginativo são captivantes, e não há grandes dúvidas de que aqui está um dos mais sérios candidatos a filme do ano, quando as contas se fizerem, lá para Janeiro. E nós por cá, continuamos á espera da definição de uma data de estreia, algo que pode esta para breve.
O QUE SE DIZ
"Um capitulo vital da história de meados do século, ganha vida de forma conscisa, com intimidade e uma clara marca artistica."Variety
"O filme de George Clooney sobre o pivto da CBS Edward Murrow não podia ser mais apaixonado, um ensaio sobre o poder, a verdade e a responsabilidade."New York Times
"Good Night and Good Luck não podia ser menos sui generis, menos out...ou mais captivante."Los Angeles Times
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:57 PM | Comentários (0)
Poster de King Kong
A New Line Cinema lançou mais um poster para King Kong, o remake que Peter Jackson tem preparado para estrear a 14 de Dezembro, e que recupera um dos titulos mais emblemáticos e sonantes da história do cinema.
Kong, que já vai na sua terceira adaptação, tem Jack Black, Adrien Brody, Naomi Watts e Andy Serkis no elenco e está a meio caminho entre o filme de acção e o drama humano, onde, desta vez, a personagem mais explorada é um gigante gorila que habita uma ilha no meio do Pacífico.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:30 PM | Comentários (0)
Justiça "Clintiana"
O mundo já conhecia a expressão "justiça salomónica". A partir de agora, o mundo do cinema saberá o que é a "justiça clintiana". Tudo isto porque Clint Eastwood volta a mostrar que é algo mais do que simplesmente um dos maiores realizadores de sempre.
Aquando das filmagens de Flags of Our Fathers, que entra agora na sua fase final, o realizador recebeu um pedido muito especial de Shintaro Ishiara, o presidente da câmara de Tóquio, também ele argumentista. Ishiara pedia a Eastwood que respeitasse a memória dos jovens soldados japoneses mortos em Iwo Jima, evitando fazer do seu novo filme mais um filme de acção onde os herois são sempre os americanos, e os japoneses vestem apenas o fato de vilões.
Clint prometeu e cumpriu.A dobrar!
Agora que Flags of Our Fathers está perto do final, o realizador vai voltar a filmar tudo sobre a batalha de Iwo Jima, mas deste vez, sob a perspectiva dos soldados japoneses que acabariam derrotados numa das mais sangrentas batalhas da 2º Guerra Mundial. O filme tem o titulo provisório Lamps Before the Wind e não terá argumento de Paul Haggis - ocupado com a sua segunda longa-metragem - mas de Iris Yamashita, que colaborou com Haggis no argumento de Flags.
Lamps Before the Wind começará a ser rodado em Fevereiro, e ambos os filmes estrearão em simultâneo no final de 2006.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:02 PM | Comentários (8)
outubro 16, 2005
Aquelas frases...
"My name is for my friends!"

in Lawrence of Arabia
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:56 AM | Comentários (0)
outubro 15, 2005
Newton Howard substitui Shore
Peter Jackson tem praticamente tudo pronto para a estreia do seu próximo filme, King Kong. Só faltava acertar o detalhe final da banda-sonora. Mas o que parecia um mero pormenor, pode mudar por completo a apreciação ao filme. Jackson não gostou da banda-sonora de Howard Shore e substituiu o compositor por James Newton Howard.
Shore, que tinha colaborado com Jackson na trilogia Lord of the Rings, sai assim do ambicioso projecto de cineasta australiano, mas Jackson garante que foi uma saida amigável. Resta saber até que ponto a diferença entre a banda-sonora de Shore e a de Newton Howard pode contribuir para o impacto final do filme.
King Kong estreia a 14 de Dezembro.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 04:01 PM | Comentários (0)
Stone em épico americano
Depois dos filmes sobre o Vietname - que lhe valeram dois óscares - e os biopics dos eternos Presidentes-rivais, JFK e Nixon, o realizador Oliver Stone parece ter-se rendido ao genero épico. E nem o falhanço de Alexander parece servir de freio às suas ambições.
O próximo projecto do realizador - que também prepara um filme sobre o 11 de Setembro - pode ser Son of the Morning Star, segundo o site FilmForce. O filme, um trhiller politico ambientado nos EUA da segunda metade do Século XIX, mas pintado em tons de épico histórico, narra a última missão da 7º Cavalaria, e do seu comandante, o legendário George Custer, rumo à derrota na batalha de Little Big Horn. O filme debruçar-se-ia não só em Custer - como as muitas adaptações anteriores feitas a esta história - mas em todo o ambiente politico que se vivia na época em que o país ainda sarava as feridas da Guerra Civil.
Não é aliás a primeira vez que Stone se prepara para filmar o fim de Custer. O projecto Marching to Valhalla nunca se concretizou, mas então, como agora, o homem que Stone quis que desse vida ao malogrado general era o mesmo: Brad Pitt.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:51 PM | Comentários (1)
outubro 14, 2005
Poster de All the Kings Men
A Sony Pictures divulgou o primeiro poster de All the Kings Men, o remake de Steve Zaillian ao grande sucesso de Robert Rossen que arrecadou várias estatuetas em 1949.
Sean Penn é o cabeça de cartaz do filme, reencarnado a personagem "Boss" Will Starke, um idealista politico local que consegue conquistar as massas com as suas promessas de igualdade, mas que, chegando ao poder, se torna num dos politicos mais duros e corruptos do sul dos Estados Unidos.
A acompanhar Penn estão Jude Law, Kate Winslet, Patricia Clarkson, James Gandolfini, Mark Ruffalo e Sir Anthony Hopkins. O filme estreia em Dezembro nos Estados Unidos e deverá chegar a Portugal em Fevereiro do próximo ano.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:57 PM | Comentários (2)
Craig é 007 - Oficial
O Hollywood tinha anunciado na passada quarta-feira que Daniel Craig seria o próximo James Bond. A noticia confirmou-se hoje com o anúncio oficial, numa conferência de imprensa dada em Londres. Craig tem contracto para três filmes e mostrou-se extremamente satisfeito por se tornar no sexto actor a viver James Bond.
Martin Campbell também aproveitou a conferência para confirmar outros dois rumores: não haverá nem Q, nem Miss Moneypenny no próximo filme, já que este deve servir para recomeçar tudo de novo. Ou seja, em Casino Royale Bond acabou de entrar para os serviços secretos e o filme contará a sua primeira missão.
As filmagens arrancam em Janeiro.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:33 PM | Comentários (0)
outubro 13, 2005
Poster internacional de Black Dahlia
Depois do sucesso da adaptação de L.A. Confidential, o escritor James Ellroy prepara-se para ver outra das suas obras adaptadas ao cinema. Seguindo o espirito do cinema noir, com uma viagem atribulada pelos anos 40 em Los Angeles onde dois policias tentam descobrir o assasino de uma jovem misteriosa, Black Dahlia marca o regresso em estilo do realizador Brian De Palma.
O filme conta com Scarlett Johansson, Hilary Swank, Aron Eckhart e Josh Hartnett nos principais papeis e segue este caso real, nunca resolvido, que marcou o pós-guerra na Cidade dos Anjos, abrindo as portas a imensa especulação. Ellroy não gostou muito do elenco mas deu a benção ao filme que acabou de ser rodado na Roménia.
Hoje a Universal divulgou o primeiro poster do filme, curiosamente, dirigido ao público francês, até porque o que está previsto é que este thriller estreie no próximo Festival de Cannes em Maio.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:27 PM | Comentários (0)
outubro 12, 2005
Opinião - As seis vidas de Bond
Quando nasceu, poucos lhe davam crédito. Hoje 007 é um número de código universal. Simbolo de charme, beleza, sedução, humor e acção, o agente secreto criado por Sir Ian Fleming já viveu múltiplas transformações. Com a escolha de Daniel Craig, Bond prepara-se para viver de novo. Pela sexta vez!

"Bond, James Bond!"
Uma frase simples, mas única. Em toda a história do cinema há poucas frases que identifiquem imediatamente as personagens. E nenhuma é tão universal como esta simples frase de introdução que passou da cabeça de sir Ian Fleming para o papel, e daí, imortalizando-se, para a tela num aparentemente obscuro Dr. No, já lá vão quarenta e três anos. Nessa altura, este tal de James Bond era vivido por um semi-obscuro escocês de nome Sean Connery. Uma surpresa para quem conhecesse a inspiração do autor, que sempre tinha pensado em Cary Grant e David Niven, dois gentlemans britânicos, para viveram o seu herói no cinema. Mas a idade já pesava em ambos e o projecto não era tão promissor como hoje nos parece. E assim a personagem rejuvenesceu sob a forma de Connery, o actor que até tinha de usar um capachinho para completar a imagem de um agente secreto charmoso, irresistivel ás mulheres, e extremamente talentoso. Uma imagem que Ian Fleming gostava que fosse a dele. A inspiração de Bond vem da sua própria experiência como agente dos serviços secretos britânicos, quando Fleming trabalhava como jornalista na União Soviética. Foi aí que o autor tomou contacto com o conturbado mundo da espionagem da Guerra Fria, e foi essa a inspiração para os muitos livros que iria escrever á volta deste enigmático 007.

Na altura muito pouca gente dava algo pela adaptação de Dr. No ao cinema. O cinema de acção não era ainda um genero muito popular, e os corpos sedutores das que viriam a ser conhecidas como Bond Girls, eram um teste à ainda apertada censura moral. Mas o filme foi um retumbante sucesso e desenhou o futuro do cinema de acção. Nos anos subsequentes, não havia filme ou serie de acção que não imitasse a essência dos filmes de James Bond. E mesmo a paródia que foi Casino Royale - curiosamente o titulo utilizado pelos seus produtores para o próximo filme da saga - criou seguidores, no sentido de haver filmes a parodiarem outros filmes. E nem é preciso dize-lo, porque já todos se lembraram de Austin Powers.
E o que a principio parecia um projecto arriscado, tornou-se rapidamente numa franchise bilionária. Os filmes foram-se sucedendo, as aventuras pareciam sempre iguais e sempre diferentes - durante muitos anos os rivais da Spectre monopolizaram o confronto com Bond, mas mesmo aí o leque de vilões foi-se alargando - e para além das beldades, das cenas de acção, das engenhocas e do charme, resumido perfeitamente no habitual pedido do "vodka martini...shaked, not stirred!", criou-se um culto à volta da personagem. O que se arrastou também a uma devoção pelo actor, que desde 1962 dava vida a 007. E quando Sean Connery se recusou a reaparecer na serie, a experiência com George Lazenby em On Her Majesty Secret Service - com directa alusão a Portugal - foi tão traumática (apesar deste ser sem dúvida o argumento mais profundo de todos os 20 já feitos), que Connery voltaria ainda mais uma vez, em 1971 com Diamonds Are Forever, e em 1983, num filme não oficial, com Never Say Never Again. O seu Bond ainda hoje é considerado, de longe, como o mais completo. Ao inegável charme e talento do escocês, ficou marcada a imagem de marca do agente, que os actores que se seguiram acabaram por tentar copiar.

Roger Moore acabou por ser o senhor que se seguiu, já que a hipótese de um regresso de Lazenby foi imediatamente posta de parte. O inglês (curiosamente o primeiro inglês a viver o agente) trouxe um pouco mais de sarcasmo e frieza ao personagem, perdendo em poder de sedução. O que com Connery parecia natural, com Moore soava a algo forçado. E mesmo que tenha sido mais competente nas cenas de acção, que se iam proliferando de filme para filme, tendo direito a ir até ao Espaço em Moonraker ou a navegar debaixo de água, a verdade é que nenhum dos seus sete filmes conseguiu o prestigio de Goldfinger, o filme que em 1964 tinha imortalizado Bond e Connery. Os sete filmes de Moore, entre 1973 e 1985, ajudaram a consolidar o nome do agente secreto, mas falharam em trazer algo de novo. A serie tinha agora concorrência de outros agentes e nomes do universo de acção, que nos anos 80 se tornaram na isca perfeita dos estúdios para conseguirem montar verdadeiros sucessos de box-office. O mundo tinha mudado e poucos pareciam agora render-se ao charme de um heroi charmoso, aparentemente frágil fisicamente mas multi-talentoso. Agora imperavam os homens cheios de músculo e capazes das maiores acrobacias. Talvez por isso a escolha em Timothy Dalton, um actor do teatro britânico, tenha sido infeliz pela falta de timing. Dalton era um nome competente e que seguia o espirito da saga, mas já nem as engenhocas do mitico Q (tão fascinante como Bond é o universo que o rodeia) ou os corpos cada vez mais despedidos (mas nunca totalmente, e aí Bond mantem o "nivel" em comparação com outros filmes) das Bond Girls.

Se a ideia era manter o espirito inicial da saga, era também preciso saber inovar. Em 1996 a Guerra Fria tinha acabado, a Rússia reorganizava-se e o Mundo parecia viver em segurança. Para quê um agente secreto desactualizado? Os inimigos do futuro pareciam outros, e mulheres bonitas já não eram garante de sucesso a nenhum filme, pela simples razão de estarem em todos. Foi talvez aí que se deu o ponto fulcral da saga. Pierce Brosnan, o quinta actor a viver a personagem, percebeu que se mudam os tempos e com ele, também as vontades, e adaptou o seu Bond ao novo mundo, sem nunca perder o espirito inicial. Goldeneye foi um sucesso e, sete anos depois, 007 voltava e em estilo. A partir daí os filmes foram perdendo alguma qualidade, mas Brosnan era capaz do melhor e do melhor ainda em cada um deles, combinando o charme de Connery com o espirito de acção de Moore. Estamos a ser injustos! Brosnan montou o seu Bond também a partir do seu enorme talento - que ficou definitivamente provado em The Thomas Crown Affair - e por isso manteve a saga viva, quando todos acreditavam que a personagem estava por um fio.
Talvez por sempre ter tido um notável timing, Brosnan tenha desabafado que gostava de ser o actor que iria "matar" Bond. A personagem não se podia eternizar, dizia ele. Já ninguém acredita em rejuvenescimentos milagrosos. A relação com Monneypenny já não convence ninguém, as bond-girls parecem cada vez mais descontextualizadas, e o futuro podia passar por tirar mais a acção e trabalhar mais na trama. Os produtores não gostaram de ouvir Brosnan, especialmente após o enorme sucesso de bilheteira que foi Die Another Day, e o irlandês foi forçado a sair, ficando apenas com cinco filmes como 007.

É aí que chegamos. Bond já teve cinco vidas, umas maiores que outras, umas com maior impacto que as outras. Goldfinger continua a ser o filme mais amado, Connery o "tal" Bond que todos querem ser, Lazenby o Bond maldito, Moore o Bond mais frio, Dalton o Bond desactualizado e Brosnan continuará a ser visto como aquele que soube ressuscitar a personagem, voltando a traze-la aos seus melhores dias.
A questão que está por detrás dos próximos filmes, é saber se James Bond são os martinis, as armas e engenhocas, as mulheres, os carros, as perseguições, os duelos finais e as frases fortes, ou, se há algo mais por detrás disso. Escolher como próximo filme aquele que, curiosamente, foi o primeiro dos livros a ser escrito, e que é, também, o mais cerebral de todos eles, pode ser uma pista importante. Ter o talentoso Paul Haggis como argumentista também. A questão no entanto passa também pelo sucessor de Bond. A Daniel Craig, caso se confirme que ele é o nome escolhido, cabe a pesada tarefa de continuar o trabalho de Brosnan, junto do grande público, mas, ao mesmo tempo, adaptar-se a este novo Bond que se espera. Um Bond mais inteligente, mais culto, mais enigmático, e menos action-man. Para ver filmes de acção, hoje temos dezenas de personagens. Para vermos um universo altamente complexo e intrigante, onde acção, erotismo, humor e drama estão intimamente ligados, só temos verdadeiramente um. É por isso que James Bond é único. E será por isso que a sexta vida de 007 será tão esperada como todas as outras que a antecederam. Porque Bond será sempre ele mesmo, James Bond!
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:45 PM | Comentários (1)
O Que Estreia Por Cá - O Estranho Mundo do Mestre Miyazaki
Não fosse o Japão um país com uma cultura milenar e fascinante, e estariamos nós a perguntarmo-nos de onde saltam as ideias dos filmes de Hayo Miyazaki. Mas é nessa cultura oriental, de onde tantos mestres do cinema de animação já foram beber, que este realizador consegue encontrar inspiração para dar vida a histórias, desenhadas cm o traço da perfeição. Howl´s Moving Castle não é diferente dos seus antecessores. Tal como eles, é um filme que irradia magia...

Depois de Princess Mononoke e Spirited Away (A Viagem de Chihiro), o genial artista e realizador japonês traz mais uma incursão ao universo fantástico dos contos tradicionais do Japão. Um universo que fascina pela sua simplicidade, beleza, mas também pelo duplo contraste que cria, com a cultura ocidental, mas também com os produtos animados que estamos habituados a receber da terra do sol nascente, seja a Manga ou a sua versão mais hardcore denominada Hentai. Aqui temos cinema de animação que, à primeira vista, parece dirigido á mente simples e natural dos mais novos. Mas a complexidade narrativa e a beleza do traço, fazem deste um filme para todas as idades.
A história centra-se á volta de Sophie, uma jovem igual a tantas outras, que é transformada numa velha de 90 anos pela Bruxa do Desperdicio. A sua paixão pelo feiticeiro Howl irão fazer com que este a abrigue no seu mágico castelo, onde a jovem vai descobrir os seus novos companheiros de viagem, mostrando ao poderoso feiticeiro todo o seu valor, e também, todo o seu amor.
Miyazaki foi homenageado em Veneza pela sua obra e quem já viu este Howl´s Moving Castle não se coibe de o classificar como mais uma maravilha do cinema de animação japonês. O filme corre o risco de seguir o sucesso do seu antecessor, Spirited Away, falando-se já em nomeação ao óscar. Mas talvez para o homem que diz que as pessoas não deviam ver filmes, por lhes roubar minutos preciosos no mundo real, o mais importante será os corações que este filme consiga captivar. Corações de todas as idades, prontos a emergir no mágico mundo de aventuras do artista a quem muitos tratam humildemente por Mestre.

Semana com bastantes estreias, são seis os outros filmes que chegam ás salas portuguesas.
Depois do sucesso mundial do altamente sobrevalorizado Elephant, o cineasta Gus van Sant está de regresso com o seu retrato dos últimos e agonizantes dias de uma estrela de rock criada à imagem e semelhança de Kurt Cobain, o suicida vocalista dos Nirvana. O filme conta com Michael Pitt - mais pela sua semelhança fisica com Cobain do que pelo seu talento como actor - a liderar um elenco cheio de nomes conhecidos (Asia Argento, Lukas Haas). O filme em tom quase experimental - especialmente no que diz respeito à banda-sonora, teve uma recepção fria em Cannes - ao contrário dos anteriores trabalhos do cineasta - mas mesmo assim deverá agradar aos fãs do realizador.

Stealth foi mais um filme de acção fracassado neste verão norte-americano. Apesar de contar com dois nomes que estão em alta nos Estados Unidos, o oscarizado Jamie Foxx e a recentemente eleita "Mulher Mais Sexy do Mundo" pela revista Esquire, a jovem Jessica Biel, o filme sobre uma equipa de pilotos que se deparam com um espantoso mas problemático avião especial concebido pelo exército norte-americano, as reacções ao filme estiveram longe de ser as melhores. O filme foi dirigido por Rob Cohen.

Juntar Mark Whalberg, Andre Benjamin, Tyresse Gibson e John Singleton só podia dar nisto. Um filme de acção intenso, salpicado com tiras de humor mordaz e momentos de verdadeiro cinema. Four Brothers relata a história de vingança de quarto jovens inadaptados que decidem vingar a morte da mulher que os adoptou aos quatro, tornando-os em improváveis irmãos. Um filme com mais do que parece prometer!

Cronicas conta com John Leguizamo e Leonor Walting num retrato cru e intenso sobre o universo do jornalismo e da manipulação dos Mass Media no Equador. Uma equipa de reportagem de Miami procura desvendar o caso de um serial killer de crianças, mas a busca irá transformar o jornalista num vingador, abrindo-lhe as portas de um universo que nunca tinha imaginado. O filme é da autoria de Sebastian Cordero.

El Septimo Dia chega da vizinha Espanha e debruça-se sobre o ódio entre duas familias, ódio inexplicável até ao momento em que uma jovem de quinze anos decide perceber o que causou esta rivalidade entre a sua familia e a familia vizinha. Filme de Carlos Saura com José Garcia, Juan Diego e José Luis Gomez no elenco.

Depois de Z, o cineasta grego Costa-Gravas passou a ser referência obrigatória no panorama do cinema europeu. Agora, o realizador está de regresso, via França, com Le Couperet, filme que abriu o Festival do Cinema Francês em Lisboa. Um filme intenso sobre ambição protagonizado por José Garcia.

O Hollywood Recomenda - Uma visita ao universo espantoso de Hayo Miyazaki em Howl´s Moving Castle. Um filme para todos!
O Hollywood Desaconselha - Gus van Sant é provavelmente um dos realizadores de culto mais sobrevalorizados da história do cinema. Depois de Drugstore Cowboy, My Own Private Idaho, Gerry e Elephant, filmes de fraquissima qualidade mas com aceitação pela intelegentzia cinematográfica, este Last Days promete não trazer nada de novo ao estilo de um realizador que tem como melhor, curiosamente, aquele que menos aprecia: Good Will Hunting.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:13 PM | Comentários (2)
The name is Craig, Daniel Craig!
A espera parece ter chegado finalmente ao fim. Ainda não é oficial, mas todos os jornais britânicos indicam que os produtores da saga James Bond escolheram o actor inglês para suceder a Pierce Brosnan.
Daniel Craig, que já esteve em projectos de sucesso como Elizabeth e vai estar no próximo filme de Spielberg, Munich, é um nome relativamente desconhecido apesar dos seus 37 anos.
O actor bateu na meta outro dos nomes mais falados nos últimos meses, o jovem Henry Cavill. Terá sido mesmo a juventude do actor que fez com que acabasse preterido em relação a Craig que vai assinar um contracto para entrar nos próximos 3 James Bond, o primeiro dos quais, Casino Royale, começará a ser rodado no início de 2006 em Praga.
O guião foi reescrito por Paul Haggis e Martin Campbell estará na realização. Sem confirmação oficial continua ainda o nome do vilão, apesar de Gulshan Grover, um actor indiano, já ter indicado que teria sido ele a escolha. Quanto ás sempre populares bond-girls, também não há ainda quaisquer pistas.
A confirmação oficial da contratação de Craig - que assim se torna no sexto actor a encarnar o mitico 007 - deve ocorrer nos próximos dias.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:58 PM | Comentários (0)
outubro 11, 2005
Alice - A imensa dor da perda
O cinema português tem insistido, ano após ano, em virar aos costas ao seu público com apostas totalmente desenquadradas do panorama cinematográfico actual. De vez em quando lá aparece uma pequena pérola que nos faz pensar que ainda há esperança. Alice é mais do que uma simples pérola. É uma obra brutal, um filme que nos toca bem fundo. Nunca o cinema português foi tão puro!
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São poucos os filmes portugueses que fazem com que uma sessão da tarde num cinema qualquer se encontre praticamente cheia. Sinal dos tempos? Não. Alice não está aqui para mudar nada, nem para ressuscitar o cinema português - quando é que ele esteve realmente vivo? - nem para aproximar o público dos cineastas nacionais. Alice será um caso único. E isso faz do filme um objecto ainda mais pessoal e tocante. Uma sessão cheia sim. Uma sessão onde as lágrimas e a dor transpuseram o sofrimento da tela e tornaram-no real. Um sofrimento bem real, mas de certa forma assustadoramente distante. Um pouco como Million Dollar Baby. Um pouco como qualquer filme que nos faz encaixar um fortissimo soco no estomago, um filme que nos deixa, não só a pensar, mas, talvez mais importante que isso, a sentir. Quantos filmes portugueses poderão clamar os louros desta forma? Houve belissimos filmes de entertenimento e de autor em Portugal, mas nunca, nenhum deles, atingiu uma profundidade (de uma simplicidade enorme, na camara e na história) emocional tão grande como a obra de estreia de Marco Martins. Se o filme fosse americano (ou francês, ou espanhol, ou qualquer outra coisa que não "produto da casa"), certamente iria ser louvado até ao limite, falar-se-ia em prémios, em honras, em marco histórico e tudo o mais que se ouve inapelavemente, ano após ano, sempre que estreia aquele filme que conquista os supra-sumos da verdade que são os criticos de cinema. Mas, apesar da vitória em Cannes, este Alice nem sequer foi escolhido para representar Portugal nos óscares. Um erro craso, já que, conhecendo o público norte-americano, este Alice tinha realmente hipóteses de chegar mais longe que esse outro bom filme que é Noite Escura. Mas de Alice fala-se pouco e nunca se diz o essencial. Vagueia-se na mesma rotina de frases feitas, mas ao amâgo, ao interior profundo desta horrivel história transformada em belissimo filme, ainda nenhum parece ter chegado por completo!

Um autêntico tratado sobre a dor, o despero, mas também sobre a esperança!
É esta a primeira nota que se tira do filme de Marco Martins. Não é preciso ir muito longe, já que na primeira cena do filme, o olhar amargurado e vazio de Mário (que abismal performance de Nuno Lopes) diz tudo quando ouve Luisa a pedir-lhe que vá levar "um copo de leite quente" à filha do casal. Mas já não está lá ninguém. Alice desapareceu, levando ao desespero dos pais, um desespero que se vai agravando a cada frame de filme. Desespero que, em última análise, acabará por destruir por completo a vida do jovem casal, um casal como outro qualquer e que, de um momento para o outro, vê o mundo desabar-lhe a seus pés.
E é na forma como cada um encara a situação que o realizador explora a história. Num flashback podemos perceber a reacção inicial mais explosiva de Luisa (as melhores cenas de Beatriz Batarda), mas a verdade é que a sua personagem anda ao longo do filme num verdadeiro vazio enganador. A dor está lá, mas é imensamente interior, e o resultado final será o desespero absoluto. Mas é em Mário que o filme está centrado. É a sua busca diária, obsessiva, quase lunática mesmo, que nos ajuda a sentir o verdadeiro drama do desaparecimento da jovem Alice. A rotina, a repetição de movimentos, a esperança depositada na constante vigilância das ruas de Lisboa (e muito se tem falado nesta realidade cada vez mais presente do Big Brother que nos segue invariavelmente durante todos os dias, e na forma como Marco Martins explora isso com a sucessão de imagens de video de "gente vulgar") e a imensa dor, escondida numa cara que se vai transformando ligeiramente, mas de forma intensa e visceral.

A busca de Mário acaba por esbarrar nos problemas do mundo real, aqueles que todos conhecem mas que nenhum cineasta tinha explorado de forma tão seca. Alice desaparece e o que encontra um pai desesperado? A indiferença da pessoa nas ruas a quem ele distribui panfletos, a impotência das autoridades resumida numa única mas excelente cena na esquadra da policia, e a eterna descrença dos amigos. E se todos no inicio se propõem ajudar, permitindo a Mário montar uma rede de camaras de filmar por toda a cidade, á medida que o tempo passa, o seu problema já não é o problema deles. A consciência está salvaguardada, e mesmo se há alguns gestos verdadeiramente nobres, também não será aqui que Mário vai encontrar a sua tábua de salvação.
Alice é um filme de rotina que pode cansar (e fartar) o espectador mais habituado ao ritmo acelarado do cinema actual. Mas, acreditem, este ritmo (pautado por uma banda sonora fabulosa de Bernardo Sassetti) é essencial para que o filme funcione. A premissa em si poderia levar um realizador menos talentoso a arrumar o filme em muito menos tempo. Seria um erro brutal. Toda a repetição dos ritos (não é o homem um animal de ritos diários?), de lugares, de pessoas, de momentos, é necessário para reforçar a verdadeira dor que Mário sofre, a cada momento que passa. Com o filme a arrastar-se, com planos memoráveis e cenas fabulosas, vamos sentindo também a dor que marca o filme. E também é essa duração e esse ritmo que nos permitem apreciar em todo o seu esplendor o final. Um final irrevelável mas que entrará certamente para os anais da história como um dos mais belos do cinema português. Um momento de enorme dor, um soco em cheio, um momento em que até o mais seguro de si fica de boca aberta. Um momento tão simples mas, como sempre, tão pouco usual. E aí, com todo o seu sentido cru da realidade - e nisto Martins mostra uma maturidade imensa e um génio enorme - o realizador deixa-nos num sofimento ainda maior. O dia a dia, a vida, a nossa própria vida é escarrapachada no ecrãn, no meio da multidão, em dois olhares que se cruzam, num momento de uma beleza assustadora por ser também, um retrato perfeito da ideia de que a vida não faz qualquer sentido.

Tecnicamente o filme é espantoso, com momentos de ouro, desde os planos de Nuno Lopes a caminhar, pelo meio do trânsito à chuva, sem ignorar a belissima cena na piscina, entre tantas, tantas outras (as do teatro essencialmente). A banda-sonora, já o referimos, está no tom perfeito, e ajuda a entrar ainda mais no universo de sofrimento que vai pautando a narrativa. Argumento esse que é fabuloso, sem deixar pontas soltas. Há uma ideia central, uma busca que nos leva a pequenos sub-mundos, irrelevantes para a trama central mas com apontamentos excelentes, e acima de tudo, uma fixação brutal por uma personagem que não aparece, um nome sem corpo, sem voz, sem presença. Lembramo-nos logo dessa obra-prima que é Suddenly Last Summer (com o ausente e ambiguo Sebastian a levar Elizabeth Taylor e Katharine Hepburn, cada qual á sua maneira, a uma loucura que só Montgomery Clift consegue desvendar), e lembramo-nos que a ausência em sim é o drama. Não é tanto a busca infrutifera, os falsos-alarmes, o sofrimento e a dor. Tudo isso é o resultado directo dessa ausência nunca totalmente percebida, mas sempre sentida. Para além deste núcleo central da história, há ainda oportundiade para piscar o olho a essa nova obsessão da sociedade que é o eterno voyeurismo, a constante presença de camaras que captam tudo o que fazemos. Hoje já não há o respeito por uma das principais liberdades individuais. Estamos sempre a ser observados por alguém. Marco Martins explora esse tema sem nunca tirar os olhos do principal, mas mesmo assim da-nos a oportunidade de percebermos que hoje, o dificil é não estarmos a ser vistos por alguém e não o contrário.
Em relação ao elenco - recheado de grandes nomes, mas centrado numa figura - há pontos essenciais a referir. A camara apaixonou-se por Beatriz Batarda há muitos anos e continua a amá-la intensamente. O seu papel não é grande, e acaba mesmo por ir sendo ofuscado pelo personagem decadente mas apaixonante de Nuno Lopes. Mas a cada momento que Batarda entra em cena, não restam quaisquer dúvidas de que estamos na presença da melhor actriz portuguesa da actualidade. Quem também mostra todo o seu valor e credenciais é Miguel Guilherme, que apesar dos pouquissimos minutos em cena, traz um lado humano fortissimo que ajuda a contra-balançar com o desespero de Mário. Porque Alice é Mário, ou seja, o filme é todo desenhado à volta da personagem vivida na perfeição por Nuno Lopes. Desde o primeiro ao último plano do filme, ele é a nossa ligação com aquele mundo, é a personagem que amamos, ele acaba por ser cada um de nós reflectidos na tela. Ao ver Lopes lembro-me de uma outra personagem dramática, sempre em movimento, sempre em desespero: Adrien Brody na obra-prima de Polanski, The Pianist. Realidades diferentes, sim claro! Mas um imenso trabalho de composição do personagem, na sua quase total anulação perante o dramatismo da narrativa. Aqui o olhar, uma ou outra palavra, um esgar, são suficientes para pautar o ritmo da personagem, num perfeito under-acting que culmina numa cena fabulosa em que, de joelhos, o peso do mundo acaba mesmo por desabar sobre as costas de Mário, levando-o a repensar a própria existência, ou melhor, a sua não existência. Nuno Lopes é sublime em todos os instantes e afirma-se, definitivamente, como um dos maiores actores nacionais. E com o passar dos anos, restam poucas dúvidas que o trono acabará por lhe pertencer em exclusivo!

Não é dificil perceber que, apesar de toda a sua simplicidade e crueza, Alice é um dos melhores filmes portugueses dos últimos cinquenta anos. E não exagero, mesmo sabendo das pequenas pérolas que desde os anos áureos da comédia à portuguesa têm iluminado os amantes de cinema em Portugal. Alice é tudo o que uma obra-prima deveria ser. Uma história fabulosa, apesar de triste e inquetante. Um realizador com principios de uma "doença" que se chama genialidade. Um elenco espantoso alicerçado num dos melhores desempenhos de um actor em Portugal. Uma banda-sonora e fotografia inesqueciveis. E aquela sensação, aquela dor na barriga que nos dá a certeza de que é impossivel ficar indiferente a este filme. Se fosse norte-americano, se Nunes Lopes fosse um Sean Penn e Marco Martins um Spielberg, agora estava-se em falar em óscares. Cá não temos disso. Mas, para compensar, temos a certeza que Alice é um daqueles filmes que ficará para sempre na memória de quem o viu. E hoje, isso até vale mais que um óscar para um filme made in Portugal.
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O Melhor - Todo o filme, praticamente sem excepções, mas com destaques para o desempenho de Nuno Lopes e duas cenas irreveláveis mas avassaladoras.
O Pior - O beijo de Anna Bustorff a Nuno Lopes.
Curiosidade - Ver Alice é também a oportunidade de ver dois dos melhores profissionais na sua arte, a trabalharem juntos. Tal não seria grande novidade não fosse o laço que os une. O compositor Bernardo Sassetti é casado com Beatriz Batarda, e ambos esperavam um filho quando o filme começou a ser rodado. Talvez isso também tenha contribuido para adensar o clima familiar que rodeia o filme.
Site Oficial - www.madragoafilmes.pt/alice/
Realizador - Marco Martins
Elenco - Nuno Lopes, Beatriz Batarda, Miguel Guilherme, ...
Produtora - Madragoa Filmes
Duração - 103 minutos
Classificação - m/16
PS - O filme contou com a preciosa colaboração de Filomena Teixeira, mãe do jovem Rui Pedro, desaparecido quando tinha 11 anos, e que parece ter sido raptado por uma rede de pedófilia. Terá sido este o destino de Alice? O importante é não esquecer que este sofrimento é bem real. Milhares de crianças desaparecem por ano, deixando pais em estado de desespero. Por isso serve também esta critica para homenagear todos aqueles Mários e Luisas do nosso mundo.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:59 PM | Comentários (11)
Zodiac e Basic Instinct 2
São dois projectos altamente esperados para 2006. Um marca o regresso do realizador de culto, David Fincher, inactivo desde a estreia de Panic Room. O segundo representa o reencontro com o mitico descruzar de pernas de Sharon Stone em mais um Basic Instint.
Em Zodiac, Fincher opta pelo ritmo alucinante de um trailer baseado na história real de um serial-killer em San Francisco nos anos 70 que nunca foi capturado. No elenco contam-se nomes ilustres como Robert Downey Jnr, Jake Gyllenhall, Gary Oldman, Mark Ruffallo, Cloe Sevigny e Bijou Philips.
Quanto a Basic Instint, reencontramos a agora quarentona (47 anos) Sharon Stone mas não Paul Verhoven e Michael Douglas, realizador e protagonista do primeiro filme que já conta com treze anos. Nesta nova aventura da serial-killer Catherine Trammell, a acção desenrola-se em Inglaterra e o filme tem o subtitulo de Risk Addiction. Michael Caton-Jones dirige e ao lado da sensual Stone (que ainda não revelou se voltará ou não, a descruzar as pernas) está David Morrisey.


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:25 PM | Comentários (0)
outubro 10, 2005
Antevisão - A History of Violence
Cronenberg sempre foi um cineasta de culto. As massas torciam o nariz ao ouvir o seu nome, que só por si já se podia estabelecer como elemento de comparação a titulos de obras suas. Mas desta vez o público - e a critica - rendeu-se por completo ao seu novo filme. Chama-se A History of Violence, é um retrato cru sobre um homem que é forçado a expor um passado que pensava bem enterrado e conta com um elenco de luxo!

O Hollywood abre aqui uma nova rúbrica. O espaço Antevisão passará a funcionar regularmente ás segundas-feiras. Todas as semanas será feita uma antevisão sobre os grandes titulos a estrearem em Portugal nos tempos mais próximos. Numa primeira fase, a Antevisão será composta por uma análise aos 20 titulos mais importantes a estrearem por cá entre Outubro e Fevereiro. O filme de David Cronenberg abre este novo espaço!
O mito David Croneberg começou a desenhar-se nos anos 70 e consolidou-se na década seguinte com três obras fundamentais: DeadZone, The Fly e DeadRingers. A partir daí deixou de existir qualquer dúvida sobre o enorme talento do canadiano em passear por universos alternativos e obscuros, retirando deles a dose certo de magia para criar verdadeiras obras miticas. E se nos anos 90 a carreira do realizador continuou a seguir os mesmos moldes, aventuras mais intimistas como Spider não conseguiram o eco que mereciam e podiam ter tido. Talvez por ser um realizador demasiado conotado com o universo fantástico, foram poucos os que acreditaram que Cronenberg fosse capaz de trasnformar um filme mainstream num verdadeiro sucesso.
Mas foi isso que aconteceu!
Com uns espantosos 87% de reviews positivas no Rotten Tomatoes e com resultados espantosos no box office (o maior sucesso de sempre do realizador), que fazem com que o filme ainda esteja no top10 com um lucro acumulado de mais de 15 milhões de dólares, A History of Violence tornou-se num fenómeno raro. Pela primeira vez Cronenberg é popular. Não só entre os criticos que não poupam elogios ao seu trabalho contido nos efeitos e na camara, mas extremamente intenso na acção e nas personagens que desenvolve, como entre o público que parece ter elegido este como um dos grandes sucessos de Outono deste 2005. Será por isso natural perguntarmo-nos o porquê deste surpreendente sucesso.
A History of Violence é a adaptação de uma comic book de sucesso de John Wagner e Vince Locke. O filme conta com uma duração de hora e meia - bem ao estilo do realizador - e leva-nos até a uma pequena vila no coração do estado do Indiana. É lá que encontramos Tom Stahl. O homem que parece o marido e o pai perfeitos, dono de um pequeno café local vai ser um dia colocado á prova, quando dois assaltantes decidem entrar no seu café, roubar e matar todas as testemunhas. Stahl vai reagir com uma frieza que ninguém conhecia, e com uma imensa habilidade, e o pacifista acabará por matar os assassinos, tornando-se no heroi da vila, que vê nele o exemplo de coragem e de moral a seguir. Daí até se tornar famoso é um saltinho, mas com a fama chega também o passado que Stahl sempre quis esconder, mesmo dos que mais amava. Um passado sombrio que poucos imaginavam ser possivel num homem daquele calibre. Um passado que pode destruir em segundos, o que ele levou uma vida a construir.

Para esta história Cronenberg apostou na direcção de actores. O realizador que já trabalhou com nomes como Christopher Walken, Jeremy Irons ou Ralph Fiennes, decidiu eleger como personagem principal Viggo Mortensen, que vai, aos poucos, tentando-se livrar da eterna imagem de Aragorn, o rei dos Homens na trilogia fantástica Lord of the Rings. E a escolha parece ter sido perfeita. Mortensen, um actor com provas dadas já antes do fenómeno tolkiano, gere as emoções na perfeição e a sua mestria é tal, que domina todas as cenas onde entra, do primeiro ao último instante. A critica não lhe poupou elogios e este pode ser mesmo o papel que o actor procurava para se afirmar definitivamente como um nome a respeitar.
Feliz foi também a escolha para viver Edie, a mulher de Tom e talvez a personagem mais fascinante do filme pela forma como é confrontada com a realidade de estar casada com um homem que desconhece por completo. A dificil tarefa foi entregue a Maria Bello, actriz do sucesso popular Coyote Bar, mas, mais importante que isso, de The Cooler, o filme que consagrou William H. Macy como actor principal. Se a critica e o público gostaram de Mortensen, que dizer de Bello. A actriz transforma-se por completo de uma parte para a outra do filme, expõe-se sem qualquer pudor, sofre as cenas mais violentas do filme e enfrenta-os com uma coragem estarrecedora e ajuda a contrabalançar o poder masculino que vai pautando o filme, e que surge nos papeis secundários de Ed Harris e William Hurt, dois nomes grandes que têm uma importante palavra a dizer ao longo da narrativa.

Depois de ter brilhado no último Festival de Cannes, A History of Violence tem tudo para se tornar num dos filmes do ano. Um argumento espantoso e já sobejamente conhecido dos amantes de banda-desenhada. A mão genial de Cronenberg na camara e um elenco que se apresenta ao seu melhor nivel. É sempre dificil imaginar como as grandes instituições da indústria de Hollywood, ou mesmo muitos dos criticos, irão olhar para este filme. Se tudo indica que tanto Mortensen como Bello estão na lista dos melhores do ano, poderá sempre haver a habitual tentação de fazer passar a imagem de que falta algo para coroar definitivamente o autor canadiano. Mas, mesmo assim, A History of Violence - que estreia por cá a 17 de Novembro - dificilmente escapará as listas dos melhores do ano de muitos amantes de cinema, um pouco por todo o mundo.
O QUE SE DIZ
"Um trihller que é uma obra-prima visceral. O último quebra-cabeças de Cronenberg é o feel-good e o feel-bad do ano!"New York Times
"Apesar da sua temática, "History" nunca perde de vista a ideia de não seguir o modelo a la Tarantino na forma como trata a violência."Los Angeles Times
"Não glorifica a violência, não a torna gratuita. É súbita e chocante!"Ebert and Roeper
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:46 PM | Comentários (0)
Jarhead e The New World com trailers
É o último de Jarhead e mais um para The New World.
O filme de Sam Mendes está pronto para estrear - que vai acontecer em meados de Novembro- e ameaça tornar-se num dos mais irreverentes e entusiasmantes filmes de final de ano. O filme segue o dia a dia de um pelotão norte-americano em plena Guerra do Golfo. O porquê da guerra, o dia a dia dos soldados, os comportamentos, o falso patriotismo, está tudo lá encarnado por um regimento que conta com Jake Gyllenhall, Peter Sasgaard, Jamie Foxx e Chris Cooper. Um filme que promete e cujo trailer final está aqui.
Já The New World é um projecto mais ousado artisiticamente, mas que tem conhecido alguns problemas na sala de edição, o que já levou ao adiamento por dois meses, da estreia do filme. Terrence Malick é um perfeccionista e isso nota-se a cada imagem do filme. O ambiente do Novo Mundo quando este ainda era um universo virgem, onde os colonos tomavam o primeiro contacto com os indigienas, gerou uma história de amor que ficou para a eternidade, mas, mais importante que isso, permitiu que o olho cirurgico e artistico de Malick se desdobrasse em desbravar esse universo nunca antes visto. Por tudo isso o filme é esperado com expectativa - estreia em fins de Dezembro - e o novo trailer lançado no site oficial do filme encontra-se aqui.


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 07:28 PM | Comentários (2)
outubro 09, 2005
Aquelas frases...
"Nobody is Perfect!"

in Some Like it Hot
O Hollywood inaugura assim, com a última frase da obra-prima de Billy Wilder, Some Like it Hot, a rúbrica especial de domingo, "Aquelas Frases"!
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:49 AM | Comentários (0)
outubro 08, 2005
Charlize em forma
O ano parece estar a correr bem para a actriz sul-africana que tem encantado corações (mesmo os mais criticos) desde que se afirmou definitivamente em Hollywood.
Este ano, a actriz está na lista das pré-candidatas ao óscar de melhor actriz pelo seu desempenho em North Country. A confirmar-se, essa será a sua segunda nomeação. A primeira foi em 2003 e valeu-lhe a vitória pelo aclamado Monster. Mas nem só de óscares vive a menina Theron. Brevemente estreará nos Estados Unidos Aeon Flux, adaptação da popular banda desenhada futurista, onde Theron vive a destemida heroina que tem como missão matar uma entidade governamental, mas que no processo acaba por questionar tudo o que fez ao longo da sua vida como membro de uma frente rebelde. O filme de Karyn Kusama promete muita acção, espectáculo e Charlize Theron já provou estar de corpo e alma no projecto. A estreia em Portugal deverá acontecer no inicio do próximo ano!

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:34 AM | Comentários (3)
Espaços a visitar
O cinema não vive só de Hollywood. Bem pelo contrário e é cada vez mais importante estar atento ao que se passa em outros cantos do mundo onde a 7º Arte também é uma paixão.
É isso que faz o Sérgio Lopes, o autor do CineAsia, o weblog que recomendamos este mês. Neste espaço de noticias, criticas e análise do actual estado do cinema asiático, os leitores vão poder encontrar uma secção de informação aenta e interessante sobre as correntes actuais do cinema que se faz no continente asiático, seja o cinema de paises como a India ou o Irão, ou então de zonas mais conhecidas do público português como o cinema japonês, chinês, coreano ou de Hong-Kong.
CineAsia não é só um espaço para os amantes do cinema asiático, mas uma visita obrigatória para todos os que gostam de estar informados sobre o que se vai passando com o cinema, independentemente de onde ele é feito.
Aqui têm o link para este excelente weblog.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:57 AM | Comentários (1)
outubro 07, 2005
Posters em destaque
São dois filmes a ter em atenção neste final de ano.
Match Point marca o regresso de Woody Allen ao drama, genero que já tinha ensaiado em Melinda and Melinda e que aqui explora com todo o seu humor negro que pautou os seus filmes dos anos 80 e que lhe valeram os maiores aplausos da sua carreira. Filmado em Londres, o filme conta com a nova diva de Woody, a actrz norte-americana Scarlett Johansson, ao lado da promessa britânica Jonathan Rhys-Meyers, numa história de traição, desenganos e amor. Emily Mortimer e Brian Cox completam o elenco de um filme que apaixonou quem o viu em Cannes no último Festival, e que estreia no final do ano nos Estados Unidos.
Perfeito oposto deste novo filme de Allen é The Producers, a adaptação ao cinema do bem sucedido musical da Broadway, que por sua vez se inspirava no filme homónimo de Mel Brooks de 1968. Nathan Lane e Mathew Broderick são dois produtores que planeiam criar o pior musical da história para poderem fugir com o dinheiro dos investidores após a primeira exibição. O filme tem ainda Uma Thurman no elenco e é dirigido por Susan Stroman, a mesma encenadora do espectáculo na Broadway. O filme estreia em Dezembro.


Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:56 PM | Comentários (2)
Goal! - Cartão Amarelo
A FIFA poderia ter pensado duas vezes antes de financiar este Goal! O filme é um sucedâneo de clichés do meio desportivo, sem alma, mas, pior que tudo, sem qualquer realismo. O futebol é deixado para segundo plano, e quando surge parece tão irrealista que chega a meter impressão. No fim fica a sensação de que esta é uma péssiam propaganda para o desporto-rei! E fica o aviso sob a forma de cartão amarelo. Para a próxima, o árbitro já tem preparado o vermelho.
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A ideia era louvável. Os fãs de futebol reclavam há muito um filme que fizesse justiça ao desporto-rei, ao que é mais jogado e apluadido em qualquer canto do mundo. Fartos de filmes de baseball, futebol americano, corridas de automóveis ou basquetebol, era necessário criar um filme-âncora para os futuros projectos que tivessem como objectivo juntar cinema e futebol num só. Mas Goal! ficou-se pela ideia. Apesar de ser um filme aprazivél, onde não há aquela vontade de se sair da sala de cinema, como acontece com tantos outros filmes, Goal! falha por completo em ser um retrato do meio futebolistico como a FIFA (e os adeptos) gostariam certamente que fosse.
Clichés, irrealismo, falhas brutais na narrativa, personagens deslocadas do real, tudo isso vai pautando o ritmo do filme. A ideia que fica é que o futebol está a mais. O filme podia perfeitamente ser sobre qualquer outro desporto e manter toda uma estrutura (que ameaça repetir-se nos próximos dois filmes da trilogia) tão vaga como esta, só podia dar mau resultado.

A história em si tem o seu quê de surrealismo, não no inicio (o filme até começa bem), mas como se vai desenvolvendo. As sucessivas oportunidades que o jovem Santiago Muñez tem para se redimir são irrealistas, e vão-se agravando. A relação com os colegas e equipa técnica, com a "namorada" que não podia faltar, sem esquecer a "vedeta" lá do sitio soam a falso em todos os instantes, e a personagem de Santiago, que até pode ser um bom exemplo para os jovens futebolistas de todo o mundo que caem de paraquedas no futebol europeu (por cá se trocassemos Los Angeles pelo Rio de Janeiro, encontrariamos muitos que conheceram a mesma situação), vai-se perdendo nesa sucessão de enganos. Sejamos justos. Kuno Becker, Alessandro Nivola e companhia não representam mal. Mas tirando Nivola, que compõe uma personagem com traços bem realistas - mas cujas sucessivas redenções parecem suspeitas - nenhum sai da mediania.
E o pior 
do filme acaba por ser mesmo o mundo do futebol jogado. Os lances são irrealistas, muito mal filmados, sem qualquer dramatismo ou emotividade. Vemos Santiago a fazer habilidades ao jeito de um Cristiano Ronaldo ou Ronaldinho, vemos uns remates feitos de forma disparatada, umas defesas e guarda-redes dignos de escalões amadores (e estamos a falar da Premier League) e, pelo meio, a aparição de algumas estrelas reais para tentar trazer ao filme aquilo que lhe falta mais: o realismo.
Sem isso Goal! é um fracasso em toda a linha, não como filme onde tem pontos positivos com certeza, mas como filme sobre futebol. A produção deveria repensar a forma como vai filmar os próximos dois capitulos pois, a repetirem-se as falhas de um primeiro filme, já não haverá desculpas possiveis. E o pior é que isso pode condenar futuros projectos sobre o mundo do futebol, projectos que poderiam ter mais sucesso e impacto que esta fraca aventura da Disney em terras de um universo que os norte-americanos definitivamente não conseguem entender.
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O Melhor - As cenas em que Santiago entra em campo. Com os estados britânicos cheios, a emoção desses momentos é itensa e realista. A excepção, se tivermos em linha de conta o resto do filme.
O Pior - A falta de sentido de realidade na execução das cenas de futebol jogado (ou treinado). Pedia-se muito mais. Afinal, os jogos de desportos americanos parecem bem mais realistas.
Curiosidade - A presença de estrelas como Shearer, Raul, Zidane, Beckahm e Erikson deveriam trazer glamour ao filme. Mas são tão pequenas e sem sentido (porque raio é que David Beckham, logo quem, vai ter com um jovem mexicano que tem 15 minutos como jogador profissional???) que não trazem nada de novo.
Site Oficial - www.goalthemovie.com
Realizador - Danny Cannon
Elenco - Kuno Becker, Alessandro Nivola, Stephen Dillane, ...
Produtora - Disney
Classificação - m/6
Duração -
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:42 AM | Comentários (7)
outubro 06, 2005
6º Festival do Cinema Francês
Arranca hoje - e continua até 3 de Novembro - o Festival de Cinema Francês. Um festival que vai na sua sexta edição, depois do promissor arranque em 2000, patrocinado pelo Instituto Franco-Português, com o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros Francês e do Ministério da Cultura português.
Durante um mês o certame irá decorrer em quatro cidades (Lisboa, Porto, Coimbra e Faro), com a exibição de 32 longas-metragens, a maior parte com estreia internacional.
Entre os filmes seleccionados para marcar presença nesta edição estão os sucessos La Marche de l’Empereur, Caché, Arsene Lupin, Le Couperet, Les Poupees Rousses, Kilometre Zero e Joyeux Nöel, o filme que a França apresenta como candidato aos óscares.
Paralelamente ao Festival a Cinemateca vai dedicar um ciclo especial à actriz francesa Fanny Ardant, enquanto que a 2: vai exibir uma serie de filmes franceses durante o periodo do festival e em Paris serão exibidas curtas-metragens portuguesas, para estreitar ainda mais os laços do cinema luso-francês.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:20 PM | Comentários (0)
40 Year Old Virgin - A ternura dos quarenta
Ao contrário de Wedding Crashers - o seu grande rival no box office este Verão - este 40 Year Old Virgin não consegue sair nunca da monotonia do ritmo inicial. Com uma premissa original, num país cada vez mais obcecado com o real valor da virgindade, o filme pedia claramente sucessivas mudanças de ritmo e não uma longa e monótona caminhada até um final perfeitamente desenquadrado.
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Desde que George Bush é Presidente dos Estados Unidos que o puritanismo tomou conta do país. Numa antitese perfeita dos dias de Clinton, agora o sexo é tratado como um instrumento demoniaco, e a presença de radicais conservadores e religosos na sociedade é cada vez maior e perigosa. Com jovens artistas como Britney Spears a defenderem publicamente - porque em privado são outras conversas - o valor da virgindade, ela tornou-se quase um mito.
E é a partir daí que se começa a olhar para este 40 Year Old Virgin. À partida temos um personagem desajeitado, cuja relação com o sexo sempre foi dúbia. É mais um querer e não poder no inicio, que se transforma numa quase aversão ao sexo oposto nuns dias, e num desejo incontrolável, noutros. E é aí que a noticia se espalha - afinal os homens conseguem ser tão viperinos como as mulheres - e a virgindade se torna num estigma que é preciso ser combatida a todo o custo. A partir daí vale tudo. Engates a mulheres embriagadas, prostitutas que afinal se revelam ser prostitutos, patroas ardentes de desejo...enfim, tudo o que possa acabar com esse demónio para qualquer homem que é o de ser virgem.

Aqui o filme segue a premissa básica de qualquer filme de adolescetes - afinal não era assim também American Pie? - e ameaçava descambar no ridiculo, pelas sucessões de gags sem um sentido de humor propriamente refinado. É quando o filme dá um twist interessante, com a chegada da personagem feminina interpretada por Catherine Keener (a mesma de Being John Malkovich e que vamos ver em Capote). A partir desse momento vamos percebendo que o que os autores querem é de facto valorizar o sentimento na sua relação "contra" o sexo. E é a partir de aqui que surge essa tal valorizaçõ da virgindade, cada vez mais cara ao público norte-americano. Mas mesmo isso sabe a pouco, muito pouco, e o filme não consegue desatar de uma tremenda monotonia de situações e gags infelizes. É só aqui que se percebe realmente o valor de Steve Carrell, um actor habitual no fabuloso Daily Show de Jon Stewart. Não sendo um actor muito fisico, Carrell utiliza todas as suas debilidades a seu favor, parodiando-se sucessivamente, acabando mesmo por funcionar de forma convincente como um eterno virgem. E se ele é o ponto mais alto do filme, em qualquer circunstância (o elenco secundário é extremamente fraco), isso sabe a pouco no momento em que o filme descamba num final surreal. Percebe-se que se queira valorizar o amor e o sentimento junto de um público jovem - que é quem alimenta as comédias de Verão nos EUA essencialmente - mas haveria muitas outras maneiras de o conseguir.

O sexo continuará a ser um tema tabu para muitos dos norte-americanos (serem descendentes dos puritanos europeus não ajuda em nada). E enquanto há cineastas que procuram a paródia de costumes, apelando essencialmente ao povo mais juvenil, para apostarem num universo muito mais libertino e sem correntes (os Porkys, American Pie, Euro e Road trips e afins), este filme joga no campo oposto. Censura esse comportamento subtilmente e aponta o "verdadeiro amor" como o caminho a seguir. Com ou sem sexo! A ideia por lá até pode pegar, com pais a recomendarem o filme aos filhos (não é por acaso que é um filme onde a exposição do corpo é minima). Por cá soa a paternalismo puritano. E foi disso que os europeus se livraram quando enviaram os "pilgrim" para os Estados Unidos há trezentos anos. Não é agora que o vamos receber de braços abertos.
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O Melhor - O desempenho solto e imaginativo de Steve Carrell. Não está ao nivel de outros actores de comédia neste ano (há Vaugh, Martin, Daniels, ...), mas é um nome a ter em linha de conta quando sairem os nomeados ao Globo de Comédia.
O Pior - O paternalismo do filme, a falta de humor da maioria dos gags do filme e o elenco secundário. Muito fraco!
Curiosidade - A já quase mitica cena da depilação de Steve Carrell (a piscar o olho à comunidade metrossexual) foi realmente feita num só take e o actor sentiu na pele o mesmo que a sua personagem. Um pouco de realismo cinematográfico!
Site Oficial - www.the40yearoldvirgin.com
Realizador - Judd Apatow
Elenco - Steve Carrell, Catherine Keener, Paul Rudd, ...
Produtora - UIP
Classificação - m/12
Duração - 116 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:59 PM | Comentários (1)
Jarhead em fotos
Estreia a 4 de Novembro nos EUA e tem sido colocado nas casas de apostas como um dos mais sérios candidatos à próxima edição dos óscares. Jarhead foi dirigido pelo wunderkind Sam Mendes - capaz do 8 e do 80 (American Beauty e Road to Perdition) - e conta com um elenco de estrelas, onde pontifica Jake Gyllenhal como jovem recruta num pelotão de soldados norte-americanos durante a Guerra do Golfo. Por lá também andam Peter Sarsgaard, Chris Cooper e Jamie Foxx. O filme pretende recriar o ambiente que se vivia (e vive) junto das tropas norte-americanas durante a sua presença no Iraque, e ao mesmo tempo questionar a politica militarista de Washington. E como já muito se falou sobre o Iraque ser o novo Vietname, e sabendo-se do sucesso que os filmes sobre a guerra do Vietname tiveram em Hollywood (Deer Hunter, Coming Home, Apocalipse Now, Platooon, Born on the Forth of July), a expectativa não podia ser maior.
Cliquem nos dois conhecidos snippers para aceder à galeria de imagens do filme disponibilizada pelo site BlackFilm.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 01:38 PM | Comentários (1)
Simpesmente, Kong!

A imagem ainda não tem confirmação oficial, mas tudo indica que pertença a um dos momentos mais intimistas e visualmente espanosos de King Kong, a adaptação de Peter Jackson ao filme original de Merian C. Cooper. O trailer do filme mostrou muita acção e a premissa da história. Mas nenhuma frame do trailer consegue chegar ao nivel desta simples imagem.
King Kong estreia em Dezembro nos Estados Unidos, enquanto por cá isso ainda anda nos segredos dos deuses.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:16 AM | Comentários (0)
outubro 05, 2005
O Que Estreia Por Cá - Procurando o cinema português
Depois do encanto em Cannes e de uma campanha de divulgação bem orquestrada, Alice surge como um fenómeno diferente no seio do cinema nacional. Um filme com um elenco central espantoso, orientado por um verdadeiro rookie de talento, sobre um tema que nos Estados Unidos até era provável que resultasse em óscares. É este o mundo de Alice...

Marco Martins estreia aqui a sua primeira longa-metragem...e que estreia. Vencedor do prémio Regard Jeunes no último Festival de Cannes, aclamado nacional e internacionalment, este primeiro trabalho ameaça tornar-se no melhor filme nacional do ano. Conta com um elenco com dois dos maiores nomes da representação nacional, Nuno Lopes e Beatriz Batarda, e é feito com uma crueza absolutamente espantosa. A história de uma rapariga raptada, e da angústia dos pais, que, mesmo meio ano depois continuam a procurá-la, com a mesma dor e angústia, é o ponto de partida para esta lufada de ar fresco no cinema nacional. E uma visita obrigatória, até porque já nos habituamos que, pelo menos uma vez por ano, vale a pena ver um filme português.

São seis as outras estreias esta semana nas salas nacionais.
Fenómeno de grande popularidade junto do público adolescente, catalogada como serie de culto, Firefly conhece a adaptaão ao cinema pelo mesmo realizador que trouxe as aventuras desta equipa espacial futurista para o pequeno ecrãn. Joss Whedon aposta em utilizar o estilo da serie ao longo deste Serenity que recupera as personagens e actores da serie. Um filme obrigatório para os amantes da serie mas que pouco irá dizer aos restantes.

Nochnoj Dozor foi um dos candidatos ao óscar de Melhor Filme estrangeiro e já tomou verdadeiros proporções de filme de culto. É o cinema fantástico russo, em tons de filme de terror, que pauta a narrativa de um filme já galardoado com diversos prémios.

Must Love Dogs é mais uma comédia romântica que repete todos os clichés e frases feitas do genero, mas que invariavelmente acaba sempre por encontrar um sucessor no ano seguinte. John Cusack e Diane Lane encontram-se graças a um anuncio num jornal, onde o ponto de referência é o amor que têm por um cão. A partir daí, é Hollywood no seu pior.

Sky High brinca aos super-herois, misturados com um pouco de ideias retiradas directamente do mundo Harry Potter. O filho dos mais amados super-herois do mundo não tem poderes e quando entra para a escola dos filhos de super-herois de todo o mundo tem de lidar com essa situação, para além de todas as pressões de se ser adolescente.

Citizen Veredict traz o formato do programa televisivo de Jerry Springer para o cinema, junta-lhe a habitual fórmula do "condenado que está inocente", e como por magia tudo se resolve. Filme de Philiph Martinez com o próprio Springer.

The Cave do realizador Bruce Hunt recupera o ideal do filme de terror fantástico, quando é descoberta uma porta para um mundo habitado por criatores desconhecidas numa antiga Abadia na Roménia. Cabe a uma equipa de investigadores norte-americanos descobrir esse mundo alternativo.

O Hollywood Recomenda - Sem qualquer dúvida, Alice!
O Hollywood Desaconselha - Numa semana extremamente pobre, todos os restantes filmes pautam-se pela mediocriade. Se exceptuarmos Serenity e Nochnoj Dozor - com públicos de culto - tudo o resto deveria ter entrado directamente para clube de video.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:53 PM | Comentários (1)
A (im) pertinência dos remakes!
O palco mágico das ideias que era Hollywood estará em vias de desaparecer? A recente aposta dos estúdios em sucessivos remakes de filmes de sucesso (ou nem isso) tem levantado imensas questões sobre o estado actual do cinema norte-americano. Afinal porquê fazer remakes? Será cinema de homenagem aos trabalhos originais, a tentativa de um realizador melhorar ou alterar o que já foi feito ou apenas uma profunda crise de criatividade na "terra dos sonhos"?

Só este ano teremos nas salas nacionais remakes de dois grandes clássicos da história do cinema: King Kong e All the King´s Men. Os filmes originais são trabalhos fascinantes. O de Merian C. Cooper é um verdadeiro marco da evolução técnica do cinema numa época em que Hollywood ainda se estava a habituar ao universo do cinema sonoro. Já o filme de Robert Rossen é um drama espantoso sobre uma realidade politica que ainda hoje está presente em qualquer país do mundo, mostrando ao mundo o espantoso actor que era Broderick Crawford. E se ambos os filmes foram um sucesso nos seus anos de origem, porquê fazer agora novas versões de uma história que a maior parte dos amantes de cinema já conhecem?



Essa é a pergunta que se coloca sempre que um estúdio decide dar luz verde para refazer um filme, tenha sido ele um sucesso marcante ou apenas mais um produto da indústria de Hollywood.
E,como em tudo, não há uma realidade única. Não se podem comparar remakes como Psycho, onde Gus van Sant recriou, plano a plano, o clássico de Hitchcock, com filmes como Taxi, que de grande sucesso comercial francês passou também a ser o nome de um dos piores filmes alguma vez feitos neste novo século em Hollywood. Ou então a forma como Soderbergh e companhia pegaram em Ocean´s Eleven, respeitando o espirito original do Rat Pack, que defendia que um filme como este deveria ser feito e vivido num ambiente cool. Ainda hoje é dificil escolher qual das versões respeita mais esse espirito. Para não falar no recente Charlie and The Chocolate Factory, onde Burton pega na história de Dahl e não faz propriamente um remake, mas sim um novo filme a partir da ideia original, que é também a premissa do filme que tem Gene Wilder como cabeça de cartaz.
Ou seja, há múltiplas formas de voltar a pegar num filme e faze-lo de novo. A questão que se coloca é a sua real pertinência. Para quê fazer um filme que já foi feito?


Em resposta a isso há os remakes que o cinema norte-americano adapta à sua realidade. Foi assim com Seven Samurais, o genial filme de Akira Kurusawa que deu lugar ao icone-pop The Magnificent Seven. Foi assim com a versão norte-americana de A Bout de Soufle, que não conseguiu entrar para a história. E vai ser assim para o ano quando estrear The Departed, o filme que Martin Scorsese resgatou ao cinema japonês e adaptou-o à sua amada Nova Iorque. E quem fala nisso fala nas sucessivas adaptações de sucessos europeus e asiáticos, desde Vanilla Sky até The Ring (e aí o universo de terror é bastante prolifero), filmes cuja única pertinência para o público norte-americano é tirar as legendas dos originais e substituir actores desconhecidos pelas estrelas do star-system. A eles, norte-americanos, estes filmes dizem-lhes algo. A nós são exemplos de pura falta de imaginação.

Porque não é o mesmo re-adaptar obras literárias - onde há a legimitidade do realizador tentar contar a história à sua forma - como tem acontecido com os filmes inspirados na prolifera obra de William Shakespeare (e talvez o melhor exemplo seja Henry V, o de Lawrence Olivier, mas, essencialmente, o de Kenneth Branagh) ou na literatura romântica que deu ao cinema alguns dos maiores êxitos populares, desde Os Três Mosqueteiros a Robin Hood. Neste caso, e por estas histórias serem verdadeiramente universais, percebe-se a legiitmidade de procurar novas abordages (Mel Brooks e Kevin Costner viram dois Robin dos Bosques bem diferentes). O próprio Alfred Hitchcock não teve problemas em explorar de novo uma realidade já por ele criada com The Man Who Knew To Much. E quem viu ambas as versões sente que Hithcock percebeu que podia explorar melhor a história, e afinal, Lorre não é Stewart. Mas esses remakes não são certamente os mais frequentes. Mesmo havendo ainda diversos realizadores-autores que preferem expressar a sua admiração por um trabalho, voltando a fazer o mesmo filme, como van Sant fez com Psycho ou como Polanski decidiu fazer este ano com Oliver Twist, o mesmo que ajudou a imortalizar o nome de David Lean.


Mas por cada um desses filmes, o mais natural é olhar para a lista dos remakes que anualmente saem da fábrica de Hollywood. Nem é preciso ir muito longe com os exemplos de verdadeiros êxitos do passado como Mr Deeds Goes To Town, Sabrina, Gloria, Manchurian Candidate, Litlle Women, Lolita ou Great Expectations, dão lugar a filmes cujo o valor e qualidade são infinitamente inferiores aos originais. E é nesses casos, onde nada de novo se trouxe com esses novos filmes, que se pergunta o porquê da constante aposta dos estúdios norte-americanos nesses projectos. E aí a resposta encontra-se com facilidade. De facto é cada vez mais notório que Hollywood vive uma indesfarçável crise de criatividade. Mais do que os próprios remakes, são as sequelas sucessivas (e hoje fazem-se sequelas de tudo e mais alguma coisa) que gastam uma ideia até ao limite e saturam o público. As salas de cinema nos Estados Unidos ficam mais vazias de ano para ano. No final do ano todos se perguntam os porquês de uma realidade que nunca passa pela cabeça dos chefes dos estúdios antes de avançarem com os projectos. Só no fim quando os fracassos se vão sucedendo. O público não está disposto a ver o que já viu se isso não lhe disser nada. Hoje, cada vez mais, os seriados televisivos, os filmes de menor orçamento mas de maior originalidade, ganham a estes produtos de estúdio que reciclam, não só ideias, mas filmes já feitos e refeitos.

No final deste ano, poderemos ver King Kong, All the King´s Men ou Oliver Twist, três remakes de filmes históricos do cinema. Em todos os casos a novidade não está na história, mas na sua abordagem. Jackson irá homenagear o filme que o fez apaixonar pelo universo do cinema. Zaillian vai tentar mostrar que o que era válido em 1949 continua a sê-lo hoje, que os All the King´s Men continuam aí. E Polanski, esse artista maior do cinema mundial, rendeu-se ao universo de Dickens, explorando-o com a sua habitual magia e crueza. Mas esses serão sempre excepções. Excepções que confirmam a regra. Sempre se fizeram remakes, mas hoje os motivos mudaram. Hollywood está em crise. As ideias já não estão armazenadas em caixas nas arrecadações dos estúdios. E na hora do aperto, o jogar pelo seguro, o fazer o que já foi feito, nem sempre compensa. Porque nem todos os remakes valem a pena serem feitos. Nem vistos!
Miguel Lourenço Pereira
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:37 AM | Comentários (0)
Estreias dos grandes
Chegamos a Outubro e com ele chega também o último trimestre de 2005. Ou seja, é altura de começarem a estrear os filmes de maior destaque do ano, depois da temporada dos blockbusters e dos filmes que não arranjaram espaço para estrear no ano passado. Até Dezembro (e em última análise, até Março) vão estrear nos cinemas nacionais filmes que prometem fazer história como The Constant Gardener, Walk the Line, Corpse Bride ou A History of Violence. Aqui ficam alguns dos filmes - e datas de estreia - que valem a pena serem apontados no calendário.
13 de Outubro - Howl´s Moving Castle
27 de Outubro - In Her Shoes
3 de Novembro - The Constant Gardener
10 de Novembro - Elizabethtown
17 de Novembro - A History of Violence, Broken Flowers, Bee Season, Proof
1 de Dezembro - An Unfinished Life
8 de Dezembro - The Family Stone
22 de Dezembro - Corpse Bride
5 de Janeiro - Walk the Line
As datas estão obviamente sujeitas a alterações pelas distribuidoras (Corpse Bride deveria estrear na próxima semana e foi adiado para Dezembro) e há ainda muitos espaços vagos para alguns daqueles trabalhos que prometem ser dos maiores de 2005 mas que ainda não têm data marcada. Casos de filmes como Capote, Shopgirl, Sriana, Good Night and Good Luck., North Country ou Jarhead.
Filmes como Munich, Memoirs of a Gueisha, The New World, All the Kings Man e Brokeback Mountain deverão apenas estrear por cá nos meses de Janeiro e Fevereiro, como é habitual quando se fala dos grandes candidatos aos óscares da Academia.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 12:03 AM | Comentários (0)
outubro 04, 2005
Saudades da Pixar?
Um ano sem a Pixar pode tornar-se num verdadeiro deserto para o cinema de animação. Vale aos amantes do genero o "confronto" entre Hayo Miazaki e Tim Burton, e os seus Owl´s Moving Caste e Corpse Bride. Isto sem esquecer os muitos filmes da Dreamworks e Disney que foram sendo lançados ao longo do ano. Mas convenhamos, a Pixar é a Pixar e um ano sabático ajuda ainda mais a perceber que nenhum estúdio está ao seu nivel no que toca ao cinema de animação.
Serve isto para dizer que Cars - a nova aposta da Pixar - tem um novo trailer. O filme, cuja estreia está agendada para 30 de Junho de 2006, é dirigido por John Lasseter, o mesmo autor de Toy Story, e segue as aventuras de um carro de corridas que acaba preso numa pequena aldeia no centro dos Estados Unidos. Para os mais curiosos aqui fica o trailer.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 06:44 PM | Comentários (0)
Trio de luxo marca Festival de Cinema em Nova Iorque
Good Night and Good Luck., Capote e The Squid and the Whale são os grandes destaques do Festival de Cinema de Nova Iorque.
O Festival abriu as portas a 23 de Setembro e no domingo serão conhecidos os grandes vencedores da edição deste ano, mas depois da sensação que alguns filmes fizeram em Toronto (essencialmente Walk the Line, Brokeback Mountain e A History of Violence) agora o destaque está todo à volta do desempenho de Philiph Seymour-Hoffman como Truman Capote, mas também na comédia independente The Squid and the Whale com um notável Jeff Daniels (pode ser uma das surpresas do ano) no elenco. Já Good Night and Good Luck., o segundo filme de George Clooney, mantem a boa forma que tem vindo a apresentar desde a sua presença em Veneza. Resta saber como vão reagir estes três filmes ao contacto com o grande público (estreiam no próximo mês) e se este bom momento irá continuar até Dezembro, o inico da temporada de prémios de cinema nos EUA.



Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 02:59 PM | Comentários (1)
outubro 03, 2005
Novidades de Walk the Line
Tem sido uma das agradáveis surpresas deste final de ano, colhendo elogios por onde passa, muito por causa do desempenho da sua dupla de actores, Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon.
Walk the Line conta a história de Johnny Cash, o heroi do folk norte-americano, e do seu grande amor, a também cantora June Carter. Dirigido por James Mangold, o filme é a grande aposta da Fox para atacar os prémios de final de ano. As performances de Phoenix e Whiterspoon estão cotadas como das melhores do ano e o filme começa agora uma massiva campanha de marketing que irá anteceder a estreia nos cinemas nos EUA. Exemplo disso é este conjunto de posters e imagens disponibilizadas pela produtora. Cliquem no poster para visitar a galeria.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:38 PM | Comentários (3)
outubro 02, 2005
Diaz e Winslet em Holiday
O Hollywood Reporter adiantou o elenco do próximo filme de Nancy Meyers. O sucessor de Something´s Gotta Give já tem titulo - chama-se Holiday - e irá contar com Cameron Diaz e Kate Winslet como cabeças de cartaz. Diaz tem vindo a revitalizar a carreira com sucessivas comédias românticas, a última das quais In Her Shoes, filme de Curtis Hanson, enquanto que Winslet é uma das actrizes em melhor forma nos último anos, tendo este ano mais dois notáveis trabalhos em Romance and Cigarrettes e All the King´s Men.
O filme irá girar á volta de uma mulher norte-americana que vive uma serie de problemas na relação com o sexo oposto, e que numa viagem até Inglaterra vai acabar por descobrir uma inglesa que sofre os mesmos problemas.
O filme será produzido pela Columbia e a estreia está agendada para o final de 2006.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 11:58 PM | Comentários (0)
outubro 01, 2005
Noite Escura na rota dos Óscares
O ICAM escolheu Noite Escura para representar Portugal na próxima edição dos Óscares.
O filme de João Canijo foi o escolhido de uma lista onde se encontravam filmes como O Quinto Império ou Alice, e agora fará parte de uma pré-selecção com filmes de todo o Mundo. Caberá à Academia de Hollywood escolher os cinco finalistas aquando da divulgação dos nomeados aos óscares. O filme com Beatriz Batarda, Fernando Luis e Rita Blanco tem encontrado ecos positivos na critica europeia e espera tornar-se o primeiro filme português a ser seleccionado para disputar o prémio relativo ao melhor filme de lingua estrangeira da Academia de Hollywood.
Na semana passada o Brasil tinha também anunciado que Dois Filhos de Francisco seria a sua aposta. A cerimónia dos óscares da Academia realizar-se-á a 5 de Março de 2006.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:43 PM | Comentários (8)
Site de Superman Returns
O filme tem apenas estreia em 2006 mas a máquina da Warner Bros tem feito tudo para que Superman Returns seja um dos grandes sucessos do próximo ano. Enquanto as filmagens terminam na Austrália e o realizador Bryan Singer se prepara para montar a versão final do filme, foi inaugurado o site oficial de Superman Returns. O site para já não traz muito de novo mas espera-se que até à data de estreia do filme, no próximo Verão, vão surgindo todas as informações que os fãs do Super-Homem procuram. Carreguem na imagem para visitarem o ninho de Superman Returns.

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às 05:25 PM | Comentários (2)