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outubro 06, 2005
40 Year Old Virgin - A ternura dos quarenta
Ao contrário de Wedding Crashers - o seu grande rival no box office este Verão - este 40 Year Old Virgin não consegue sair nunca da monotonia do ritmo inicial. Com uma premissa original, num país cada vez mais obcecado com o real valor da virgindade, o filme pedia claramente sucessivas mudanças de ritmo e não uma longa e monótona caminhada até um final perfeitamente desenquadrado.
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Desde que George Bush é Presidente dos Estados Unidos que o puritanismo tomou conta do país. Numa antitese perfeita dos dias de Clinton, agora o sexo é tratado como um instrumento demoniaco, e a presença de radicais conservadores e religosos na sociedade é cada vez maior e perigosa. Com jovens artistas como Britney Spears a defenderem publicamente - porque em privado são outras conversas - o valor da virgindade, ela tornou-se quase um mito.
E é a partir daí que se começa a olhar para este 40 Year Old Virgin. À partida temos um personagem desajeitado, cuja relação com o sexo sempre foi dúbia. É mais um querer e não poder no inicio, que se transforma numa quase aversão ao sexo oposto nuns dias, e num desejo incontrolável, noutros. E é aí que a noticia se espalha - afinal os homens conseguem ser tão viperinos como as mulheres - e a virgindade se torna num estigma que é preciso ser combatida a todo o custo. A partir daí vale tudo. Engates a mulheres embriagadas, prostitutas que afinal se revelam ser prostitutos, patroas ardentes de desejo...enfim, tudo o que possa acabar com esse demónio para qualquer homem que é o de ser virgem.

Aqui o filme segue a premissa básica de qualquer filme de adolescetes - afinal não era assim também American Pie? - e ameaçava descambar no ridiculo, pelas sucessões de gags sem um sentido de humor propriamente refinado. É quando o filme dá um twist interessante, com a chegada da personagem feminina interpretada por Catherine Keener (a mesma de Being John Malkovich e que vamos ver em Capote). A partir desse momento vamos percebendo que o que os autores querem é de facto valorizar o sentimento na sua relação "contra" o sexo. E é a partir de aqui que surge essa tal valorizaçõ da virgindade, cada vez mais cara ao público norte-americano. Mas mesmo isso sabe a pouco, muito pouco, e o filme não consegue desatar de uma tremenda monotonia de situações e gags infelizes. É só aqui que se percebe realmente o valor de Steve Carrell, um actor habitual no fabuloso Daily Show de Jon Stewart. Não sendo um actor muito fisico, Carrell utiliza todas as suas debilidades a seu favor, parodiando-se sucessivamente, acabando mesmo por funcionar de forma convincente como um eterno virgem. E se ele é o ponto mais alto do filme, em qualquer circunstância (o elenco secundário é extremamente fraco), isso sabe a pouco no momento em que o filme descamba num final surreal. Percebe-se que se queira valorizar o amor e o sentimento junto de um público jovem - que é quem alimenta as comédias de Verão nos EUA essencialmente - mas haveria muitas outras maneiras de o conseguir.

O sexo continuará a ser um tema tabu para muitos dos norte-americanos (serem descendentes dos puritanos europeus não ajuda em nada). E enquanto há cineastas que procuram a paródia de costumes, apelando essencialmente ao povo mais juvenil, para apostarem num universo muito mais libertino e sem correntes (os Porkys, American Pie, Euro e Road trips e afins), este filme joga no campo oposto. Censura esse comportamento subtilmente e aponta o "verdadeiro amor" como o caminho a seguir. Com ou sem sexo! A ideia por lá até pode pegar, com pais a recomendarem o filme aos filhos (não é por acaso que é um filme onde a exposição do corpo é minima). Por cá soa a paternalismo puritano. E foi disso que os europeus se livraram quando enviaram os "pilgrim" para os Estados Unidos há trezentos anos. Não é agora que o vamos receber de braços abertos.
Classificação - ![]()
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O Melhor - O desempenho solto e imaginativo de Steve Carrell. Não está ao nivel de outros actores de comédia neste ano (há Vaugh, Martin, Daniels, ...), mas é um nome a ter em linha de conta quando sairem os nomeados ao Globo de Comédia.
O Pior - O paternalismo do filme, a falta de humor da maioria dos gags do filme e o elenco secundário. Muito fraco!
Curiosidade - A já quase mitica cena da depilação de Steve Carrell (a piscar o olho à comunidade metrossexual) foi realmente feita num só take e o actor sentiu na pele o mesmo que a sua personagem. Um pouco de realismo cinematográfico!
Site Oficial - www.the40yearoldvirgin.com
Realizador - Judd Apatow
Elenco - Steve Carrell, Catherine Keener, Paul Rudd, ...
Produtora - UIP
Classificação - m/12
Duração - 116 m
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às outubro 6, 2005 01:59 PM
Comentários
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Publicado por: ringtones free às agosto 25, 2006 07:14 PM