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outubro 17, 2005

Antevisão - Good Night and Good Luck.

É o segundo filme do galã convertido em realizador, George Clooney. E que filme! Os criticos elogiam a coragem com que Clooney descorre na sua defesa ao mundo do jornalismo durante o complexo periodo da "Caça ás Bruxas". Good Night and Good Luck. , filmado em tom de documentário, é mais do que um filme. É uma carta de amor de Clooney. Ao jornalismo. Ao cinema. Ao seu pai!
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E o filme mais amado pela critica neste final de ano. Um amor que está para lá das fronteiras norte-americanas, como ficou bem provada a dupla vitória no Festival de Veneza, onde só faltou o Leão de Ouro para juntar aos prémios ganhos pela dupla de argumentistas, composta pelo próprio Clooney e Grant Heslov, e para o actor David Straiharn.
Filmado a preto e branco, em registo praticamente documental, o filme segue a equipa de produção See It Now, na sua demanda por expor a campanha denunciadora que o senador Joseph McCarthy vinha a comandar contra os nucleos comunistas nos Estados Unidos. Foi o periodo conhecido como Caça ás Bruxas, onde muitos comunistas, mas mais do que isso, muitos não-comunistas, foram denunciados pelo comité do senador, impedidos de trabalhar, presos e totalmente colocados de lado pela sociedade norte-americana. É nessa altura que esta equipa de produção, fiel ao ideal jornalistico, decide expor a campanha de McCarthy em directo, num programa que ficaria para a história. Não só representaria o principio do fim do senador, mas acabaria por ser o golpe fatal para o próprio programa, entretanto completamente marcado junto do "establishement" norte-americano. Criando um claro paralelismo com o que se passa nos dias de hoje, George Clooney faz aqui uma verdadeira evocação do que deve ser o jornalismo, e como este deve funcionar em dias onde a verdade deixa de ser algo garantido a priori. O filme segue a equipa de produção, desde o pivot e figura central da narrativa, o jornalista - que se tornaria um icone - Edward Murrow, mas também toda a equipa de produção, incluindo o produtor Fred Friendly, que Clooney fez questão de interpretar.
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Apesar de ser um filme com um pequeno orçamento, a Warner Indepedent - uma subsidiária da Warner Bros - aposta forte em Good Night and Good Luck. (o titulo está ligado á frase de despedida de Murrow no final de cada programa), para este ano. E com razão.
O filme ainda não estreou nas salas de cinema, e por isso é dificil antever a reacção que o público poderá ter de um filme já classificado por alguns como demasiado "Intimista" ou "elitista" para o povo norte-americano. Mas ter 97% de criticas positivas no site Rotten Tomatoes é algo a que muitos poucos filmes, em toda a história do cinema, podem clamar ter conseguido. E se um filme conseguiu impressionar criticos tão heterogéneos da mesma forma (até agora só existem 3 criticas negativas ao filme), então a pespectiva para já é que o sucesso de bilheteira se venha a tornar uma realidade.
Um feito para um filme que é uma aposta pessoal de risco por parte de Clooney. Depois da sua excelente estreia como realizador em Confessions of a Dangerous Mind (outra aventura no universo do entertenimento), apostar em algo como Good Night and Good Luck. teria os seus riscos. Mais, Clooney não quis que mais ninguém, a não ser o próprio Joseph McCarthy, surgissem no grande ecrãn. Por isso as imagens de arquivo da mitica edição do See It Now completam o filme. Realidade e ficção juntas numa aventura que ainda tem tempo para criticar a politica das empresas jornalisticas da época em proibirem o casamento entre membros da mesma equipa, e que surge como um retrato mais duro e realista do universo jornalistico do que filmes como All the President´s Men, Network ou The Insider. Há aqui um sentido de realismo, mas pintado em tons românticos. Murrow era o idolo do pai de George Clooney, também ele um jornalista e pivot, que desde sempre ensinou ao filho os principios básicos do jornalismo. Talvez por isso o argumento alterne entre o facto, que foi a edição do See it Now com o senado McCarthy, com o romantismo da figura de Murrow, retratada aqui como o pioneiro do jornalismo televisivo nos Estados Unidos.
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E para dar vida a Murrow, a opinião é unânime. Clooney não poderia ter feito uma escolha melhor. Vindo do universo da Broadway e sem grande história em Hollywood, David Straiharn encarna com uma frieza e uma simplicidade avassaladoras a sua personagem, e funciona claramente como motor do filme. A critica já falou em prémios, em nomeação aos Globos e aos óscares, e a verdade é que a Copa Volpi em Veneza foi um bom sinal. Mas Straiharn tem aqui, acima de tudo, a possibilidade de mostrar todo o seu valor num projecto credivel em cinema, algo que nunca conseguiu em quase vinte anos de carreira.
Aliás, outro dos grandes trunfos deste Good Night and Good Luck. acaba por ser o seu elenco. O leque é imenso e as escolhas parecem todas perfeitas. Como produtor do programa, e paladino da verdade, está George Clooney, num despojamento das suas habituais personagens como galã (mas isso, Clooney faz ainda melhor em Syriana). Sóbrio, imerso na sua personagem, Clooney apaga-se para deixar brilhar tudo á sua volta, numa clara demonstração de amor pela sua obra.
Como "casal-segredo" da equipa de produção encontramos Patricia Clarkson e Robert Downey Jnr, dois actores altamente subavaliados que aqui provam ter uma quimica que, apesar de secundária, traz profundidade dramática á narrativa. E claro, por lá também passeiam Jeff Daniels e Frank Langella, para não falar de Joseph McCarthy, em versão de arquivo.
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Good Night and Good Luck. pode ser mais do que simplesmente o "queridinho da critica" de 2005, como Sideways foi no ano passado. Pode ajudar a passar uma imagem mais séria do mundo do jornalismo, e criar um importante paralelismo com o que se passa hoje nos Estados Unidos. Apesar de ser um filme para mexer com a consciência interna, quem conhece essa página negra da história norte-americana percebe a importância deste filme. Não só a sua importância como cinema, mas também como um falso-documentário sobre o papel da imprensa e a sua relação com o poder. E para aqueles que olham para o cinema apenas na sua vertente de entertenimento, Good Night and Good Luck. também pode ter algumas surpresas na manga. O tom sóbrio e imaginativo são captivantes, e não há grandes dúvidas de que aqui está um dos mais sérios candidatos a filme do ano, quando as contas se fizerem, lá para Janeiro. E nós por cá, continuamos á espera da definição de uma data de estreia, algo que pode esta para breve.

O QUE SE DIZ

"Um capitulo vital da história de meados do século, ganha vida de forma conscisa, com intimidade e uma clara marca artistica."
Variety
"O filme de George Clooney sobre o pivto da CBS Edward Murrow não podia ser mais apaixonado, um ensaio sobre o poder, a verdade e a responsabilidade."
New York Times
"Good Night and Good Luck não podia ser menos sui generis, menos out...ou mais captivante."
Los Angeles Times

Publicado por Miguel Lourenço Pereira às outubro 17, 2005 08:57 PM

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