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outubro 24, 2005
Antevisão - The Constant Gardener
John Le Carré escreveu sobre a presença inglesa em África. Fernando Meirelles decidiu filmar o continente negro na sua essência, deixando do lado os ideiais colonizadores europeus. A junção de ambos os planos é um magnifico tratado de amor. Por uma mulher, por uma causa, por um continente...

Um dos mais brilhantes escritores da actualidade, John Le Carré fez questão de acomapanhar de perto a rodagem da adaptação de um dos seus maiores romances ao cinema. No final insistiu que esta adaptação está perto da perfeição e que o trabalho de realização e do elenco superou todas as suas expectativas. E aparantemente não foi só o escritor que ficou maravilhado. A critica apaixonou-se por The Constant Gardener em toda a sua essência. Pelo argumento fielmente adaptado do livro para o cinema, pelo trabalho de realização de Meirelles - com a ajuda de uma notável equipa técnica que soube captar a verdadeira essência do continente negro - mas em especial pelo desempenho da sua dupla de actores principais, Ralph Fiennes e Rachel Weisz.
The Constant Gardener conseguiu ainda passar o teste do público, aguentando-se bem no Box Office nas primeiras semanas de exibição, apesar da estreia inicial ter estado reduzida a poucas salas. E a critica não poupou elogios a este thriller politico que também é uma história de amor e devoção. A classificação de 81% no site Rotten Tomatoes indica isso mesmo, uma opinião praticamente generalizada que estamos diante de um dos filmes do ano. E temos todas as razões para acreditar.

Em The Constant Gardener encontramos um casal britânico a viver no Quénia. Ele é diplomata, um ser passivo que tem uma imensa paixão por jardinagem e pouqissima preocupação com o que se passa á sua volta. Já a sua mulher - com quem ele casou antes de partir e de quem sabe muito pouco - é uma activista apaixonada que descobre nesta sua nova casa uma causa pela qual acredita que deve lutar. Á medida que a sua contestação aumenta, e a sua relação com um médico local se torna mais próxima, todos acreditam que Justin Quayle, o jovem diplomata, vai intervir. Mas ele deixa-se ficar, passivamente a cuidar do seu jardim. Até ao dia em que alguém assassina misteriosamente a sua mulher. A partir daí assistimos a uma espantosa transformação do pacifico jardineiro numa verdadeira máquina de fazer justiça, pronto a vingar o destino da mulher, apesar de desconhecer por completo o mundo em que ela tinha entrado e aqueles que atentaram contra a sua vida.

O filme resulta num contraste imenso entre o corpo diplomático britânico, com todos os seus maneirismos, e a vida cruel de um país que teima em se libertar do espartilho que parece ter agrilhoado um continente inteiro. E onde um realizador europeu teria focado o primeiro aspecto, o brasileiro Meirelles aposta forte no segundo. E ganha essa aposta. Como se previa pela sua experiência em Cidade de Deus, o cineasta brasileiro não tem medo de filmar a realidade mais cruel, desde que o faça com um profundo sentido estético. Era isso que encontravamos no grande sucesso recente do cinema brasileiro, e é isso que podemos ver neste The Constant Gardener. Mas se o seu trabalho é elogiado por tudo e por todos, que dizer do seu leque de actores.
Do fabuloso Ralph Fiennes - indiscutivelmente o melhor actor britânico da sua geração - já se disse de tudo. Que este é o seu maior papel (ele que tem tantos bons papeis que é dificil escolher), que é uma transformação espantosa de um under-acting tão habitual nele para uma personagem completamente oposta á do inicio do filme. Um desempenho cativante, brilhantemente conseguido, e que pode mesmo vir a valer a Fiennes a nomeação ao óscar, uma nomeação que cada vez peca por tardia, tal como a pequena estatueta dourada.
Também Rachel Weisz não escapou aos muitos elogios da imprensa internacional. A jovem actriz britânica, até aqui dividida entre comédias e filmes de cariz imintentemente comercial, sabe explorar na savana africana toda a sua profundidade como actriz dramática, dando um tom mais sensual e mais feminino a uma história de vingança extremamente masculinizada. Weisz é uma das surpresas do ano e confirma aqui as boas indicações que vinha deixando nos últimos anos.
Também Bill Nighty e Danny Houston oferecem sólidos e interessantes desempenhos secundários no filme, ajudando a fortalecer a base da narrativa que é sem dúvida alguma a transformação da personagem interpretada por Fiennes, num autêntico tour de force.

Mais do que um mero trilher politico - como foi por exemplo The Tailor of Panama, outro romance de Le Carré recentemente adaptado ao cinema - este The Constant Gardener sabe enquadrar a história no espaço. Não há aqui nada enfiado a murro e pontapé. Há uma sólida preparação de toda a equipa na realidade que se vive no Quénia e em muitos dos paises do Terceiro Mundo, que torna o retrato do filme extremamente realista e credivel. Não estamos aqui apenas a ver também uma história de amor post-mortem. Estamos a seguir uma personagem - a de Fiennes - que, enquanto procura vingar a morte da mulher, descobre um Continente que desconhecia por completo. E essa descoberta é também feita pelo espectador, lado a lado com a personagem. E se o fascinio de África não tem fim, então esse é sem dúvida um gigantesco trunfo deste The Constant Gardener. Um trunfo aliado a muitos outros ases que o filme guarda no bolso, e que fazem dele certamente, um dos filmes obrigatórios de 2005.
O QUE SE DIZ
"Este é sem dúvida um dos filmes do ano!"Roger Ebert - Chigado Tribune
"The Constant Gardener é uma genial mistura de suspense, com perfume do Terceiro Mundo, e uma história de partir o coração, para todas as idades."
Kitt Bowen - Hollywood.com
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às outubro 24, 2005 06:55 PM
Comentários
:O
Publicado por: tEik0o às outubro 26, 2005 07:57 PM