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outubro 31, 2005
Lord of War - Não há arma que lhe valha!
O que é suposto apanhar neste Lord of War? Um documentário sobre o tráfico de armas nos últimos vinte anos, narrados de forma maçadora e sem qualquer sentido cinematográfico, ou o drama inexistente de uma personagem que se pedia mais trabalhada, mas que, percebe-se, não tem história suficiente para ser digna de um filme. De qualquer das formas, Lord of War (diz-se War Lord) é um dos fracassos do ano!
Filme de ![]()

O filme começa. A apresentação, muito imaginativa, leva-nos a seguir o percurso que faz uma bala, desde o seu "nascimento" até ao momento em que se ajola no crânio de uma qualquer criança num qualquer país da África subsariana. Já aqui temos uma ideia do que vai sair. Uma serie de lugares comuns, cheios de ideias politicamente correctas sobre o mal que as armas causam no mundo, que os vilões são, não só os grandes ditadores, mas os grandes paises mundiais. Tudo isso se confirma com o texto que surge no final do filme. Ora, se o que se antevia ao inicio é o que é escarrapachado no ecrã quando o filme termina, a ideia que se tem do que ficou pelo meio nunca pode ser atraente. Ou melhor, poder podia. Só que neste caso, definitivamete não o é.
Talvez o grande defeito do filme comece no primeiro plano após o genérico. De forma muito cuidadosa (e pretenciosa) Andrew Nichol lá filma balas muito arrumadnhas no chã de um qualquer país em guerra, e encontramos depois Yuri Orlov. Qual anfitrião de um show televisivo, ele apresenta-se e apresenta o filme. Será o nosso narrador durante toda a duração da longa-metragem, qual documentário National Geographic. Há narradores e narradores. Morgan Freeman em Shawshank Redemption ou Million Dollar Baby é o exemplo de como se deve utilizar um narrador num filme. Neste filme, Nicholas Cage, consegue o oposto. Mostra tudo o que não se deve fazer. Texto superfulo, narrativa que deveria ser explorada em imagens é reduzida a meia dúzia de frases, imagens que dispensavam mil palavras, são substituidas por uma verborreia verbal incontrolável. Nichol pensa certamente que o seu público não é dos mais inteligentes, porque tem clara dificuldade em acreditar que o negócio de tráfico de armas, uma paixão por uma mulher deslumbrante ou o vicio da droga, tem de ser algo explicado por um narrador. É nesse paternalismo, bastante irritante, que o filme se vai movendo. O que está em causa, nem é a vida de Yuri Orlov, pouquissimo interessante e ainda menos recomendável (va lá, pensamos nós, ao menos ele não vende ao Bin Laden).
É o comportamente dúbio que Nichol tem para com o negócio de armas, o verdadeiro protagonista do filme.

Por um lado, Nichol apresenta o lado fascinante e sedutor deste tipo de vida. Apesar da figura de Orlov - interpretada com os habituais tiques de Nicholas Cage, que é de longe, o melhor que o filme tem para oferecer - ficamos imediatamente com a ideia de que não há nada sedutor e atraente no tráfico de armas .Mas o realizador-argumentista lá demora o seu tempo a perceber isso, e utiliza um pouco a imagem do frágil irmão mais novo (pessimo desempenho de um actor que ainda não provou que o é verdadeiramente, Jared Leto) para servir de escape. Pelo meio temos o conflito entre traficantes - com um final brutal visualmente, mas patético narrativamente - e uma serie de lugares-comuns que o humor de Cage vai colmatando com algum estilo, que nunca encontramos no guiã. As persoangens são as mais superfulas possiveis (Leto, Moynahan, Holm, Hawke) e é o próprio Cage que se limita a transportar cá para fora a ideia turbulenta que tem de Orlov. Pena não ter tido um guião mais interessante. A sua presença na Libéria, no meio do ditador local e do seu filho desvairado, não acrescenta absolutamente nada aquele que devia ser o tema em foco. Para além de algumas frases politicamente correctas e alguns dados estatisticos, mais maçadores que o orçamento de Estado, não encontramos a mensagem profunda que se esperava contra o tráfico de armas. Nem contra, nem a favor, nem nada. E hoje em da um filme sem mensagem que se quer fazer passar por um filme cheio de mensagens, é um logro. É assim o cinema existencialista de Gus Van Sant (quem descobrir alguma mensagem na sua última trilogia faça o favor de o comunicar á redação) e é assim esta aventura no universo das kalashnikovs e afins. Há alguns sinais do compromisso politico que existe á volta do negócio, da brutalidade do tráfico de armas nas populações (a melhor cena do filme é quando uma jovem pergunta a Orlov se o seu braço volta a crescer), mas estão tão escondidos, e feitos com tão pouca mestria, que chega a meter dó.
No final de contas, Lord of War é um falhanço em toda a linha porque não ter qualquer ironia e sarcasmo que se aproveite, e porque falha em enterter, aquele que certamente seria o seu segundo objectivo, por pura incompetência daqueles que deliniaram o projecto final de um filme do qual se esperava bem mais.
Classificação - ![]()
O Melhor - O desempenho de Nicholas Cage. Apesar de estar longe da sua melhor forma, continua a ser um dos actores mais versáteis e talentosos do cinema norte-americano.
O Pior - O estilo narrativo adoptado e a falta completa de ideais e de ideias.
Curiosidade - O filme é baseado numa personagem veridica que ainda hoje trafica armas pelo mundo, causando milhares de mortos todos os anos. Mas curiosamente, no final do filme, a culpa atribuida aos governos dos cinco maiores paises, quase que desculpa as duas horas de filme a que assistimos.
Site Oficial - www.lordofwarthemovie.com
Realizador - Andrew Nichol
Elenco - Nicholas Cage, Ian Holm, Jared Leto, ...
Produtora - Lions GateDuração - 122 m
Classificação - m/12
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às outubro 31, 2005 12:50 AM
Comentários
Dos melhores filmes que vi!
Publicado por: Marco às setembro 3, 2006 03:31 PM
Parabéns a todos os comentários. O que vale é a opinião de todos ser respeitada. E a minha é a seguinte: Penso que estamos rodeados de filmes igualitários; sexo, drogas, tiros, etc; Quando um autor tenta colocar idéias diferentes do "geralzão" surgem comentários contra e prós; os contra geralmente são porquê não intendem a idéia do filme, que ao meu ver é passar e mostrar mais uma vez o quão somos idiotas e insignificantes perante "grandes governos", entidades e instituições principalmentes. A lei não é e nunca foi feita com o objetivo de ser cumprida, mas sim em prol da pacificação SOCIAL, e o social somos nós. Viva EUA,República Popular China, Rússia, UK e França. Os cinco membros permanentes do conselho de segurança da ONU e os paises que mais exportam armas no mundo. Uma mensagem muito exitante do filme.
Publicado por: Mackintochi às setembro 3, 2006 07:08 AM
As minhas desculpas pelos duplicados...
Publicado por: Edgar às maio 6, 2006 01:31 AM
Caro Miguel,
Visito com regularidade o teu blog e leio com bastante interesse as críticas que apresentas (principalmente estas).
No entanto, e apesar de as opiniões serem como os rabos (cada um tem o seu) atribuo-te directamente a culpa de não ter visto este excelente filme na altura, apanhando-o apenas agora em DVD.
Embora te respeite enquanto editor, esta crítica disparatada retirou-te toda a credibilidade que tinhas perante mim enquanto "reviewer", pois parece-me que vês o maior fracasso deste filme como sendo o seu falhanço em entreter, quando é muito mais do que isso.
É um filme para abrir olhos e consciências, é quase um documentário, e a tua aparente insensibilidade a esta vertente é chocante para mim, que me faz pensar sobre uma ideologia cega pró-capitalista que mora aí e que se reflecte um pouco na forma como escreves esta crítica.
O início e o fim do filme interligam-se, é claro. Mas o que interessa é mesmo a visita guiada ao inferno do tráfico. E o que tu vês como um mero adereço cinematográfico (as viagens à Libéria), eu (e de certeza muitos mais) vejo como o pináculo da desgraça humana e da falta de escrúpulos.
As maiores felicidades para o blog, com o desejo de uma maior abrangência ideológica nas críticas, em detrimento dessa prejudicial objectividade cinematográfica, que só te faz perder credibilidade!
Edgar Vidal
Publicado por: Edgar às maio 6, 2006 01:30 AM
Caro Miguel,
Visito com regularidade o teu blog e leio com bastante interesse as críticas que apresentas (principalmente estas).
No entanto, e apesar de as opiniões serem como os rabos (cada um tem o seu) atribuo-te directamente a culpa de não ter visto este excelente filme na altura, apanhando-o apenas agora em DVD.
Embora te respeite enquanto editor, esta crítica disparatada retirou-te toda a credibilidade que tinhas perante mim enquanto "reviewer", pois parece-me que vês o maior fracasso deste filme como sendo o seu falhanço em entreter, quando é muito mais do que isso.
É um filme para abrir olhos e consciências, é quase um documentário, e a tua aparente insensibilidade a esta vertente é chocante para mim, que me faz pensar sobre uma ideologia cega pró-capitalista que mora aí e que se reflecte um pouco na forma como escreves esta crítica.
O início e o fim do filme interligam-se, é claro. Mas o que interessa é mesmo a visita guiada ao inferno do tráfico. E o que tu vês como um mero adereço cinematográfico (as viagens à Libéria), eu (e de certeza muitos mais) vejo como o pináculo da desgraça humana e da falta de escrúpulos.
As maiores felicidades para o blog, com o desejo de uma maior abrangência ideológica nas críticas, em detrimento dessa prejudicial objectividade cinematográfica, que só te faz perder credibilidade!
Edgar Vidal
Publicado por: Edgar às maio 6, 2006 01:29 AM
Caro Miguel,
Visito com regularidade o teu blog e leio com bastante interesse as críticas que apresentas (principalmente estas).
No entanto, e apesar de as opiniões serem como os rabos (cada um tem o seu) atribuo-te directamente a culpa de não ter visto este excelente filme na altura, apanhando-o apenas agora em DVD.
Embora te respeite enquanto editor, esta crítica disparatada retirou-te toda a credibilidade que tinhas perante mim enquanto "reviewer", pois parece-me que vês o fracasso deste filme como sendo o seu falhanço em entreter, quando é muito mais do que isso.
É um filme para abrir olhos e consciências, é quase um documentário, e a tua aparente insensibilidade a esta vertente é chocante para mim, que me faz pensar sobre uma ideologia cega pró-capitalista que mora aí e que se reflecte um pouco na forma como escreves esta crítica.
O início e o fim do filme interligam-se, é claro. Mas o que interessa é mesmo a visita guiada ao inferno do tráfico. E o que tu vês como um mero adereço cinematográfico (as viagens à Libéria), eu (e de certeza muitos mais) vejo como o pináculo da desgraça humana e da falta de escrúpulos.
As maiores felicidades para o blog, com o desejo de uma maior abrangência ideológica nas críticas, em detrimento dessa prejudicial objectividade cinematográfica, que só te faz perder credibilidade!
Edgar Vidal
Publicado por: Edgar às maio 6, 2006 01:28 AM
Caro Miguel,
Visito com regularidade o teu blog e leio com bastante interesse as críticas que apresentas (principalmente estas).
No entanto, e apesar de as opiniões serem como os rabos (cada um tem o seu) atribuo-te directamente a culpa de não ter visto este excelente filme na altura, apanhando-o apenas agora em DVD.
Embora te respeite enquanto editor, esta crítica disparatada retirou-te toda a credibilidade que tinhas perante mim enquanto "reviewer", pois parece-me que vês o fracasso deste filme como sendo o seu falhanço em entreter, quando é muito mais do que isso.
É um filme para abrir olhos e consciências, é quase um documentário, e a tua aparente insensibilidade a esta vertente é chocante para mim, que me faz pensar sobre uma ideologia cega pró-capitalista que mora aí e que se reflecte um pouco na forma como escreves esta crítica.
O início e o fim do filme interligam-se, é claro. Mas o que interessa é mesmo a visita guiada ao inferno do tráfico. E o que tu vês como um mero adereço cinematográfico (as viagens à Libéria), eu (e de certeza muitos mais) vejo como o pináculo da desgraça humana e da falta de escrúpulos.
As maiores felicidades para o blog, com o desejo de uma maior abrangência ideológica nas críticas, em detrimento dessa prejudicial objectividade cinematográfica, que só te faz perder credibilidade!
Edgar Vidal
Publicado por: Edgar às maio 6, 2006 01:28 AM
>é um dos fracassos do ano!
Alguem deve andar bebado por aí !!
Publicado por: Jose Silva às abril 9, 2006 01:29 AM
Olha só a turminha nerd que não tem a menor capacidade de realizar nada que agrade as pessoas tentando desmerecer ótimos filmes.
Ridículo.
Publicado por: Luiz às março 13, 2006 06:02 PM
O filme começa otimamente bem, uma fabrica de munição nos Estados Unidos, aparece uma cena com descida de grua onde a camera mosta em semi-macro o trajeto da fabricação de um projetil (bala), uma prensa automatica de corte de alta produção que corta de uma fita em latão varios disco que passa para o Segundo estagio de repuchamento onde os discos são transformados em capsula de projeteis (bala) onde não aparece no filme mas é colocado a espoleta da base então aparece a cena a colocacão automatica da ponta perfurante do Projetil de fuzil toda em latão base e ponta os projetis são passado numa linha de controle de qualidade onde são descartavel os projetis que não apresenetan qualidade aceitavel, Depois os projeteis caem numa outra estera de transporte onde as muniçoes vão para o encachotamento em embalagen de caixa de pinho onde sao pregada a tampa A primeira fez que a caixa e aberta por um soldado Russo e no fundo um navio sendo carregado de armas por um quindaste ai ele fecha a caixa e depois a mesma caixa é aberta num porto na Africa e vem um gancho do quindaste em direcão da caixa e bate nela e as derruba. mas as muniçoes são recolhida e colocada de novo na caixa ai a caixa de municão e levada na caçamba de uma caminhonete junto com um soldado ai aparece um uma mão roubando municão caixa depois ela e descarregada da caminhonete e jodado no chão
Onde esta havendo um tiroteio ai aparece um mão pegando um prejetil é carregando em um fuzil as imagens do tiroteio por dentro do fuzil, depois aparece a imagem por dentro do cano de um fuzil apontando para varias direçoes (estilo James Bond nada se cria tudo se copia) a arma aponta pra dois guerrilheiros um a esquerda e outro a direta e logo a frente a ponta da arma ve o fogo de um metranhadora inimiga ai e dado um tiro em que a camera segue o prejetil que em camera lenta da uma leve parada antes de atingir a testa de
Um menino de uns 9 ou 10 anos de idade o prejetil atinge bem de cheio a testa uma penetração sanguinaria e fulminante.
Tudo isto com o brilhante fundo musical de Antonio Pinto.
Como eu ex-funcionario da engesa fabrica belica
So colocou imagens bem proxima da minha antiga realidade. Um otimo filme mas pouca pessoas tem
A capacidade de entende-lo
Publicado por: Jose às janeiro 28, 2006 11:14 AM
Es mesma nabo! percebes tanto de cinema como eu de capar porcos pah!!! GET A LIFE!
Publicado por: reaper às janeiro 24, 2006 08:46 PM
Não concordo nada com vocês. Aliás, tenho exactamente a opinião oposta...
Publicado por: Jubylee às novembro 1, 2005 07:53 PM
Viva Miguel,
A tua crítica era a que eu esperava dum verdadeiro cinéfilo como tu! E de facto o filme é muito fraquinho como obra da sétima arte.
Mas para o "logro" que tu enuncias eu tenho outra teoria, que pode ou não ela própria ser um "logro". Eu acho que o filme vive propositadamente do inverosímel, das relações humanas tipificadas, dos países que são todos iguais uns a outros. Aliás, que doutra forma explicar que Nicolas Cage é um ucraniano e que, ainda por cima, em 20 anos de horizonte temporal do filme não envelheça um dia? Mau casting e caracterização? Talvez, mas acho que não!
Aproveitando uma frase que escrevi na crítica que fiz ao filme no meu blogue diria:
" Por isso Nicolas Cage não é o “dealer” Yuri Orlov mas todos os Yuris que negociaram armas ao longo de décadas – durante e após a Guerra Fria – e talvez isso explique porque é que durante mais de 20 anos (o horizonte temporal do filme) a personagem não envelhece nem evoluí. Se esta não era a intenção do realizador então peço desculpa por o estar a sobrevalorizar."
Tudo parece surreal e ridículo neste filme porque o pressuposto não é difícil de aceitar - há tráfico de armas - e já agora porque não tornar ainda mais surreal a nossa percepção? Não é, afinal, o que nós já fazemos em relação á forma como pensamos o problema... é distante e surreal... enquanto a nossa vida é que é real!
Por isso concordo contigo em toda a linha: o filme é duma enorme incompetência. Mas será que não o é de propósito? Às tantas estou a sobrevalorizar a obra mas o realizador é especialista no "logro" (Gattaca, Truman Show, S1mOne)!
Abraço,
Mais pormenores em:
http://filhodo25deabril.blogspot.com/2005/10/603-sala-de-cinema-lord-of-war.html
Publicado por: Ricardo às outubro 31, 2005 09:52 PM