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outubro 28, 2005
Oscarwatcing - Vencer sem campanha?
A grande noticia que chega esta semana do universo oscarwatching centra-se à volta do desejo expresso de Joaquin Phoenix em não fazer qualquer tipo de campanha à volta da sua mais que certa nomeação ao óscar de Melhor Actor. O actor confessou já que não tem qualquer desejo em fazer sessões com os membros da imprensa estrangeira em Hollywood e com alguns dos lobies da Academia, e que depois das habituais conferências de imprensa aquando da estreia - a 30 de Novembro - de Walk the Line, mas ninguém o vai ver a publicitar o seu trabalho.
Espera-se que o estúdio o faça por ele - a Fox tem uma forte campanha apostada á volta deste filme - e quanto á sua colega de filme e também provável nomeada, Reese Whiterspoon, espera-se igualmente uma campanha feroz. mas com a corrida de melhor actor cada vez mais complexa, a questão central é se é possivel triunfar sem apostar numa campanha forte, como aconteceu no ano passado com Jamie Foxx.

Num artigo para a FoxNews, Roger Friedman fala ainda do facto dos outros dois grandes favoritos ao óscar - Philiph Seymour-Hoffman e David Straiharn, não serem nomes muito conhecidos do público, e também não estarem dispostos a entrar em campanhas ferozes. Além do mais ambos vêm de filmes pequenos, tendo em conta as grandes produções do ano que começam agora a chegar ás salas, e por isso as suas próprias produtoras não têm grande espaço de manobra.
Mas se Phoenix parece estar certo (e Hoffman também, apesar de haver quem duvide do seu real potencial junto da comunidade actores, que é quem nomeia os cinco finalistas). a verdade é que a corrida está totalmente aberta. Tanto Ralph Fiennes como Viggo Mortensen, Johnny Depp, Tommy Lee Jones ou Cilian Murphy apresentam-se como representantes de filmes de pequeno orçamento que correm o risco de serem potenciais nomeaveis. E contra eles estarão os actores em destaque nos filmes do ano, tais como Eric Bana, Jake Gyllenhal, Russell Crowe, Heath Ledger, Colin Farrell e o próprio Phoenix. Será que no final o peso da campanha publicitária que já se sabe que os grandes estúdios vão fazer para promover os seus actores poderá fazer a diferença em relação aos potenciais nomeados vindos de filmes de pequena projecção? Ou, pelo contrário, será o carisma que cada um colecciona dentro do grupo de actores que faz parte dos quadros da Academia que fará a diferença? O lado para que pender a balança determinará sempre o alinhamento dos nomeados, que poderá ser totalmente diferente num caso ou noutro. Tirando aqui o exemplo de Johnny Depp e Russel Crowe, a maioria destes nomes são vistos como, ou muito jovens (Bana, Gyllenhall, Ledger, Phoenix, Murphy), ou muito fora do padrão preferido da Academia (Mortensen, Fiennes, Lee Jones, Seymour-Hoffman, Straiharn). Parecendo que não, isso poderá fazer muita diferença no final de contas. E recusar-se a fazer publicidade poderá ser um grande risco para qualquer actor, mesmo para o principal favorito.

Esta semana também estiveram em destaque as nomeações para os primeiros prémios independentes do ano. Por serem organizações independentes, o seu impacto junto da Academia ou da imprensa estrangeira de Hollywood é muito reduzido. Mas estas nomeações servem para confirmar nomes e deitar outros por terra. Nos BIFA ficou confirmado o potencial de três filmes: Mrs Henderson Presents, The Libertine e The Constant Gardener. Dos três, talvez só o primeiro consiga discutir as categorias principais, mas para os actores dos outros dois filmes isto são claramente boas noticias. Já em relação aos Gotham Awards, nota positiva para o filme Crash que continua a ser falado, apesar da estreia ter já quase meio ano, e para a confirmação de Brokeback Mountain, Capote, A History of Violence e Good Night and Good Luck. como os filmes que mais provavelmente vão conquistar os prémios da critica este ano.

E por falar em outros prémios, em destaque estive igualmente o National Board of Review. Apesar de ser uma das mais antigas instituições a atribuir prémios, e por se ter afirmado como aquela que abre, oficialmente, a temporada, o National Board of Review (ou NBR) sempre foi misterioso por nunca realmente ninguém conhecer os seus membros. Não era uma organização de criticos, produtores ou elementos de qualquer sindicato. E esta semana a polémica estalou com alguns antigos membros do NBR a acusarem a associação de ser uma organização sem qualquer sentido, apenas com o intuito de proteger interesses pessoais. Uma polémica que promete continuar até porque os grandes rivais do NBR - as associações de criticos especializados - vão aproveitar-se certamente desta polémica para deixar bem vincado o seu habitual "ódio" em relação aos prémios do National Board of Review.
Publicado por Miguel Lourenço Pereira às outubro 28, 2005 07:11 PM